{"id":17334,"date":"2011-09-21T17:36:01","date_gmt":"2011-09-21T20:36:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=17334"},"modified":"2011-10-05T16:16:32","modified_gmt":"2011-10-05T19:16:32","slug":"o-fim-do-rem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-fim-do-rem\/","title":{"rendered":"O FIM DO REM"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17337\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-fim-do-rem\/rem2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem2.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"rem2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem2.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem2.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-17337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem2.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem2.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Um homem s\u00e1bio certa vez disse: a habilidade em ir a uma festa \u00e9 saber a hora de ir embora. N\u00f3s constru\u00edmos coisas extraordin\u00e1rias juntos, e agora vamos nos distanciar disso. Espero que nossos f\u00e3s percebam que essa n\u00e3o foi uma decis\u00e3o f\u00e1cil, mas tudo tem seu fim e n\u00f3s quer\u00edamos fazer isso agora. N\u00f3s gostar\u00edamos de agradecer a todos que nos ajudaram a ser o R.E.M. nestes 31 anos. Nossa maior gratid\u00e3o a quem nos permitiu fazer tudo isso. Tem sido incr\u00edvel&#8221;: <strong>Michael Stipe<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Durante nossa \u00faltima turn\u00ea, e enquanto &#8216;Collpase Into Now&#8217; era criado, come\u00e7amos a pensar conosco &#8216; o que vem em seguida?&#8217;. Trabalhar pela m\u00fasica e mem\u00f3rias por tr\u00eas d\u00e9cadas foi uma senhora jornada. Percebemos que essas can\u00e7\u00f5es pareciam desenhar um bom retrato dos nossos 31 anos trabalhando juntos. Sempre fomos uma banda no verdadeiro sentido da palavra. Irm\u00e3o que se amam de verdade, e respeitam uns aos outros. Nos sentimos meio que prisioneiros nesse lance de n\u00e3o-h\u00e1 desarmonia aqui, sem trope\u00e7os, sem advogados esquartejando-nos. Tomamos uma decis\u00e3o juntos, amigavelmente e com as melhores inten\u00e7\u00f5es. Foi a hora certa&#8221;: <strong>Mike Mills<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das coisas que sempre foi t\u00e3o bacanas sobre estar em REM foi o fato de que os discos e as can\u00e7\u00f5es que escrevemos significavam tanto pros nossos f\u00e3s como pra n\u00f3s. Foi, e ainda \u00e9, muito importante pra n\u00f3s fazer o certo por voc\u00eas. Ser parte de sua vida foi um presente inacredit\u00e1vel. Obrigado. Mike, Michael, Bill, Bertis, e eu caminhamos como grandes amigos. Sei que vou v\u00ea-los no futuro, assim como eu sei que verei todos os que nos seguiram e nos apoiaram ao longo dos anos. Mesmo que seja s\u00f3 no corredor de sua loja de discos local, ou em p\u00e9 na parte de tr\u00e1s do clube: assistindo um grupo de garotos de 19 anos tentando mudar o mundo&#8221;: <strong>Peter Buck<\/strong>.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17336\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-fim-do-rem\/rem1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"rem1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-17336\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem1.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>As tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es encerram de vez as atividades de uma das mais importantes bandas da hist\u00f3ria da m\u00fasica mundial. O REM chega ao fim hoje, dia 21 de setembro de 2011, de maneira inesperada at\u00e9, meses depois de <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/2010\/12\/03\/rem-collapse-into-now\/\" target=\"_blank\">&#8220;Collapse Into Now&#8221;<\/a>, seu 15\u00ba disco de est\u00fadio.<\/p>\n<p>O REM \u00e9 uma daquelas bandas sobre a qual todo mundo deposita um misto de sentimentos muito pessoais, porque ela fez parte da sua vida de uma forma ou outra: esperan\u00e7a, saudosismo, afeto, respeito, admira\u00e7\u00e3o&#8230; N\u00e3o h\u00e1 uma pessoa entre 15 e 50 anos (que goste de m\u00fasica) que n\u00e3o tenha sido afetada de alguma maneira pelo trio.<\/p>\n<p>A banda come\u00e7ou, por\u00e9m, como um quarteto, em 1980, com Michael Stipe (vocalista), Peter Buck (guitarrista), Mike Mills (baixista) e Bill Berry (baterista que deixou o REM em 1997). O local era Atenas, no estado estadunidense da Ge\u00f3rgia. Foi quando descobri que havia outra Atenas fora da Gr\u00e9cia. No mesmo lugar, quatro anos antes, o B-52&#8217;s tamb\u00e9m nascia ali e pra mim aquelas Atenas, em 1984, 1985, era a capital da m\u00fasica boa.<\/p>\n<p>Meu irm\u00e3o mais velho me apresentou o &#8220;Fables Of The Reconstruction&#8221;, com o vinil que ele comprou na Baratos Afins, em S\u00e3o Paulo, em 1985. &#8220;Maps And Legends&#8221; e &#8220;Driver 8&#8221; eram trilha sonora pra mim ap\u00f3s o col\u00e9gio. A associa\u00e7\u00e3o era l\u00f3gica: aquilo era o tal do <em>college rock<\/em>. Mas eles eram <em>p\u00f3s-universit\u00e1rios<\/em>, com integrantes girando em torno dos 25 anos. Tudo bem pra mim, um aborrescente de 12, 13 anos:  n\u00e3o havia diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Driver 8&#8221;:<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-u-_m7X538A?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Quando lemos na Bizz anos depois que, na verdade, o grande disco era mesmo o &#8220;Murmur&#8221;, o primeiro, de 1983, fomos atr\u00e1s. Mas, p\u00f4, a d\u00e9cada de 1980 n\u00e3o oferecia Internet e juntar dinheiro pra comprar vinil importado no centro da cidade n\u00e3o era f\u00e1cil. N\u00e3o naquela idade, n\u00e3o naqueles tempos de infla\u00e7\u00e3o de 30, 40, 50% ao m\u00eas. Em alguns casos, era preciso encomendar o disco.<\/p>\n<p>Assim, ficamos sem ouvir as can\u00e7\u00f5es do &#8220;Murmur&#8221; (a n\u00e3o ser quando a Fluminense FM, no Rio; e a 89FM, em SP, tocavam), como &#8220;Radio Free Europe&#8221; e &#8220;Talk About The Passion&#8221;, at\u00e9 que editassem a vers\u00e3o nacional da cole\u00e2nea &#8220;The Best Of REM&#8221;, em 1991.<\/p>\n<p>&#8220;Radio Free Europe&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hajTNk_6-XE?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, j\u00e1 hav\u00edamos adquirido a bela colet\u00e2nea de singles e raridades &#8220;Dead Letter Office&#8221;, de 1987, que tinha as tr\u00eas coveres do Velvet Underground e a minha preferida, &#8220;King Of The Road&#8221;, de Roger Miller.<\/p>\n<p>&#8220;King Of The Road&#8221; (Roger Miller Cover), ao vivo na Alemanha, em 10 de fevereiro de 1985:<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/llxXTlhggbo?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Acredite, eu havia odiado &#8220;Lifes Rich Pageant&#8221;, de 1986, ou pelo menos o pouco que havia ouvido. Mas com o &#8220;Document&#8221;, de 1987, a coisa ferveu. Ou que outro \u00e1lbum do REM at\u00e9 ent\u00e3o era t\u00e3o en\u00e9rgico e t\u00e3o cheio de hits (pra mim, pra mim&#8230;)? &#8220;Finest Worksong&#8221;, &#8220;Disturbance At The Heron House&#8221;, &#8220;The One I Love&#8221; (esse, sim, de fato, o primeiro hit mundial da banda) e o hino dos hinos &#8220;It&#8217;s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)&#8221;, que meu irm\u00e3o tratava de conduzir ao posto de &#8220;melhor m\u00fasica de todos os tempos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Finest Worksong&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/roBG7xCCk8k?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>\u00c9 curioso lembrar dessa \u00e9poca e perceber o quanto o REM j\u00e1 era &#8220;grande&#8221;. Imagine a cena: n\u00e3o havia Internet, CD, MTV, as r\u00e1dios tocavam coisa boa, mas pra ouvir REM mais de uma vez num dia era preciso realmente n\u00e3o desgrudar da r\u00e1dio &#8211; com sorte, era poss\u00edvel &#8211; e mesmo assim, com essa dificuldade toda, eu tinha dois conhecidos (um do col\u00e9gio e outro do time de basquete, e ambos n\u00e3o se conheciam) que sabiam a letra de &#8220;It&#8217;s The End Of The World&#8230;&#8221; de cor! Ambos aprenderam nas aulas de ingl\u00eas da Cultura Inglesa (ou CCAA, n\u00e3o sei ao certo). N\u00e3o consigo imaginar algo mais pop.<\/p>\n<p>Anos depois, quando vi o clipe na MTV, com aquele skate e tals, tudo pareceu fazer ainda mais sentido. Era o melhor clipe de todos os tempos (junto com &#8220;Perfect Kiss&#8221;, do New Order, vers\u00e3o Jonathan Demme).<\/p>\n<p>&#8220;It&#8217;s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z0GFRcFm-aY?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Tanto que &#8220;Green&#8221;, o disco seguinte, j\u00e1 estava mais difundido entre os amigos, inclusive aqueles que gostavam de Iron Maiden e afins. Culpa da 89FM, que assumiu (obviamente) como hino essa musiquinha a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Pop Song &#8217;89&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qSuv4zZPqwY?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Curioso. O REM fortalecia o discurso politizado, tirava sarro do <em>mainstream<\/em> que cada vez mais o abra\u00e7ava com m\u00e3os grandes, e ia ficando mais pop. &#8220;Orange Crush&#8221; e &#8220;Stand&#8221; eram figuras carimbadas nas r\u00e1dios brasileiras. Mas voc\u00ea pode dizer que o cora\u00e7\u00e3o do disco era essa:<\/p>\n<p>&#8220;Get Up&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/R1rFE-J0IbY?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Foi com a chegada da MTV ao Brasil, via UHF (TV a cabo era coisa de extraterrestre), que o REM passou a se dar bem nos ouvidos da massa daqui. Na verdade, n\u00e3o foi o meio, mas o conte\u00fado, refor\u00e7ando a ideia de que o REM n\u00e3o era uma banda comum. A MTV podia at\u00e9 tocar REM, mas n\u00e3o fosse &#8220;Out Of Time&#8221;, lan\u00e7ado em 1991, tr\u00eas anos depois de &#8220;Green&#8221;, na primeira pausa na carreira que o grupo deu, e o sucesso seria relativo. Com &#8220;Out Of Time&#8221; e sua totalidade de hits, o sucesso era real. E estrondoso.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, a banda alcan\u00e7ava o topo das paradas pop dos Esteites (al\u00e9m de Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Fran\u00e7a e Inglaterra). &#8220;Losing My Religion&#8221; era o carro-chefe, mas tinha ainda &#8220;Shiny Happy People&#8221; (com participa\u00e7\u00e3o, ora, de Kate Pierson, da conterr\u00e2nea B-52&#8217;s), &#8220;Near Wild Heaven&#8221;, &#8220;Me In Honey&#8221; (tamb\u00e9m com Pierce) e &#8220;Radio Song&#8221; (com participa\u00e7\u00e3o especial de KRS-One, que cantava os versos matadores contra a pr\u00f3pria ind\u00fastria que entronava o REM: &#8220;Check it out\/What are you saying\/What are you playing\/Who are you obeying\/Day out day in?\/Baby, baby, baby, baby\/That stuff is driving me crazy\/DJs communicate to the masses\/Sex and violent classes\/Now our children grow up prisoners\/All their lives radio listeners&#8221;).<\/p>\n<p>&#8220;Radio Song&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KpJOR9ew9f4?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>&#8220;Me In Honey&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3XRyEkOfQSg?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Mas, mesmo alfinetando, o REM tocava cada vez mais nas r\u00e1dios e na tev\u00ea. A mensagem era ouvida, mas n\u00e3o assimilada e Stipe e companhia n\u00e3o podiam dar de ombros. Eles eram parte do que criticavam e tiravam sarro.<\/p>\n<p>A resposta veio na forma do mais sublime \u00e1lbum de sua discografia, &#8220;Automatic For The People&#8221;, que mostrava na capa uma lanchonete no meio do nada, que tinha esses dizerem ao fregueses. Se era assim que a audi\u00eancia queria, ent\u00e3o seria assim que as m\u00fasicas sairiam, como <em>fast food<\/em>.<\/p>\n<p>Quer dizer, o discurso era esse, porque \u00e9 dif\u00edcil imaginar can\u00e7\u00f5es mais bem elaboradas e redondas criadas pelo REM do que &#8220;Drive&#8221;, &#8220;The Sidewinder Sleeps Tonite&#8221; (uma letra cujo refr\u00e3o nem o pr\u00f3prio Stipe sabia exatamente o que cantava, mas que pode ser &#8220;Call me when you try to wake her up\/Call me when you try to wake her&#8221;), &#8220;Everybody Hurts&#8221; (sua &#8220;Garota de Ipanema&#8221;), &#8220;Sweetness Follows&#8221;, &#8220;Monty Got A Raw Deal&#8221;, &#8220;Ignoreland&#8221; (um recado direto), &#8220;Man On The Moon&#8221; e a arrepiante &#8220;Find The River&#8221;. Sempre que eu ou\u00e7o &#8220;Find The River&#8221; as gl\u00e2ndulas lacrimais resolvem funcionar, principalmente quando ele versa &#8220;the ocean is the river&#8217;s goal\/a need to leave the water knows\/we&#8217;re closer now than light years to go&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;The Sidewinder Sleeps Tonite&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cU0FCaAoObo?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>&#8220;Find The River&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/yvkVrMYM5z8?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>O REM depois disso n\u00e3o fez nada t\u00e3o exuberante &#8211; n\u00e3o pra mim &#8211; mas ainda viveu seu auge criativo e de vendas por mais tr\u00eas discos. A d\u00e9cada de 1990 foi inteira de &#8220;n\u00fameros um&#8221; nas paradas inglesa (s\u00f3 &#8220;Up&#8221; e &#8220;Collapse Into Now&#8221; n\u00e3o chegaram l\u00e1) e europ\u00e9ia. Os Esteites deram um tempo com o REM, com exce\u00e7\u00e3o do seguinte &#8220;Monster&#8221;, vendido como a &#8220;volta do REM \u00e0s guitarra&#8221; (??!!), que tamb\u00e9m chegou ao topo das vendas.<\/p>\n<p>&#8220;Monster&#8221; tem mesmo guitarras cortantes e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ficar entusiasmado com &#8220;What&#8217;s The Frequency, Kenneth?&#8221;, &#8220;Crush With Eyeliner&#8221;, &#8220;Star 69&#8221; e &#8220;I Took Your Name&#8221;. Ou com a densa &#8220;Let Me In&#8221;:<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z6vOKQFzmgc?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos discos que mais lembram meu falecido irm\u00e3o mais novo. Acho que foi o primeiro ou um dos primeiros CDs que ele comprou. Ainda tenho o disco todo estra\u00e7alhado que sobrou do acidente.<\/p>\n<p>Da\u00ed, veio &#8220;New Adventures In Hi-Fi&#8221;, que tem pra mim um peso parecido com o &#8220;Automatic&#8230;&#8221;, mas ainda o trato como um &#8220;sub-Automatic&#8230;&#8221;, sabe-se l\u00e1 o motivo. Ali tem &#8220;Leave&#8221;, &#8220;Be Mine&#8221; e uma das m\u00fasicas mais sens\u00edveis que o REM comp\u00f4s, apesar da letra por vezes hilariante:<\/p>\n<p>&#8220;Electrolite&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/1LewYq40Svw?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Foi o \u00faltimo disco com Bill Berry. A partir de ent\u00e3o, a banda assumiu ser um trio, sem baterista fixo. E veio o desastre &#8220;Up&#8221;, que tinha, ao menos &#8220;Daysleeper&#8221; e a &#8220;parceria&#8221; com Leonard Cohen em &#8220;Hope&#8221;. A m\u00fasica \u00e9 bem parecida com &#8220;Suzanne&#8221;, de Cohen, e o REM resolveu dividir o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&#8220;Walk Unafraid&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sj84YRn3vcc?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 1990 terminou e com ela veio o &#8220;admir\u00e1vel mundo novo&#8221; da Internet e seus MP3 gratuitos. O REM j\u00e1 era um &#8220;dinossauro&#8221; perto de Radiohead, Strokes e afins.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que embora &#8220;Reveal&#8221;, de 2001, pouco tenha o que dizer (e pouco tenha efetivamente dito) pra mim, a despeito do estupendo v\u00eddeo (e talvez melhor da carreira) &#8220;Imitation Of Life&#8221;, o disco seguinte foi bastante significativo.<\/p>\n<p>&#8220;Imitation Of Life&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0vqgdSsfqPs?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>&#8220;Around The Sun&#8221;, de 2004, foi uma das trilhas sonoras do in\u00edcio de relacionamento com a minha esposa. A gente pegava estrada com ele no tocador de CD e se, por algum motivo, ela estivesse chateada bastava colocar &#8220;Electron Blue&#8221; pra tudo ficar numa boa, pra deixar o ar menos pesado. REM vers\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<p>O disco ainda tem outras p\u00e9rolas ali no meio: &#8220;Leaving New York&#8221;, &#8220;The Outsiders&#8221; (com participa\u00e7\u00e3o de Q-Tip), &#8220;Wanderlust&#8221; e &#8220;The Ascent Of Man&#8221;. Al\u00e9m da bela capa, a mais bonita da discografia da banda.<\/p>\n<p>&#8220;Electron Blue&#8221;<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XdsZOkfXR0k?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Vi o REM ao vivo em tr\u00eas oportunidades, todas no Brasil. Com a not\u00edcia de hoje, do fim da banda, isso pode soar meio uma tira\u00e7\u00e3o de onda. Mas n\u00e3o \u00e9, embora a primeira, no Rock In Rio de 2011, num show pra dezenas de milhares de pessoas, meio frio, meio distante; e a segunda e a terceira, no Via Funchal, em 2008; tenham ganho agora a merecida estampa de &#8220;hist\u00f3ricos&#8221;.<\/p>\n<p>Estampa que deve durar. O trio \u00e9 suficientemente digno pra manter a palavra. Se disse que vai parar, deve realmente parar, pelo menos por um bom tempo, ou at\u00e9 uma ocasi\u00e3o muito especial. E acho que parou a tempo de evitar virar imita\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3pria, como o Rolling Stones ou o U2, ou qualquer anomalia musical. At\u00e9 nisso foi grande.<\/p>\n<p>Que o REM vai deixar saudades, vai. Mas, ora, quinze discos \u00e9 um bom legado pra que algu\u00e9m fique choramingando por isso. Bateu saudade, vai l\u00e1 e ouve. \u00c9 tanto como a vida, mas com ela, n\u00e3o d\u00e1 pra pular a faixa ou trocar de disco. Ela \u00e9 mais dif\u00edcil. Com o REM, s\u00f3 era mais prazerosa.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/artistas-pedem-que-politicos-nao-usem-suas-musicas-sem-autorizacao\/\" title=\"ARTISTAS PEDEM QUE POL\u00cdTICOS N\u00c3O USEM SUAS M\u00daSICAS SEM AUTORIZA\u00c7\u00c3O\">ARTISTAS PEDEM QUE POL\u00cdTICOS N\u00c3O USEM SUAS M\u00daSICAS SEM AUTORIZA\u00c7\u00c3O<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-michael-stipe-you-capricious-soul\/\" title=\"OU\u00c7A: MICHAEL STIPE &#8211; YOU CAPRICIOUS SOUL\">OU\u00c7A: MICHAEL STIPE &#8211; YOU CAPRICIOUS SOUL<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-rem-fascinating\/\" title=\"OU\u00c7A: REM &#8211; FASCINATING\">OU\u00c7A: REM &#8211; FASCINATING<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-sidewinder-sleeps-tonite\/\" title=\"THE SIDEWINDER SLEEPS TONITE: A HIST\u00d3RIA DA M\u00daSICA QUE TODO MUNDO CANTA ERRADO\">THE SIDEWINDER SLEEPS TONITE: A HIST\u00d3RIA DA M\u00daSICA QUE TODO MUNDO CANTA ERRADO<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-historia-do-video-de-imitation-of-life-do-rem\/\" title=\"A HIST\u00d3RIA DO V\u00cdDEO DE &#8220;IMITATION OF LIFE&#8221;, DO REM\">A HIST\u00d3RIA DO V\u00cdDEO DE &#8220;IMITATION OF LIFE&#8221;, DO REM<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Um homem s\u00e1bio certa vez disse: a habilidade em ir a uma festa \u00e9 saber a hora de ir embora. N\u00f3s constru\u00edmos coisas extraordin\u00e1rias juntos, [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17337,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[19],"tags":[149],"class_list":["post-17334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-qualquer-nota","tag-rem"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rem2.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-4vA","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17334\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17337"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}