{"id":19821,"date":"2011-12-02T17:46:07","date_gmt":"2011-12-02T19:46:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=19821"},"modified":"2014-07-14T21:02:50","modified_gmt":"2014-07-15T00:02:50","slug":"os-discos-da-vida-alex-antunes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/","title":{"rendered":"OS DISCOS DA VIDA: ALEX ANTUNES"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19834\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/alexantunes1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/alexantunes1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"alexantunes1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/alexantunes1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/alexantunes1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-19834\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/alexantunes1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/alexantunes1.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Essa edi\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Discos da Vida&#8221; nasceu de uma maneira curiosa. Na comunidade da Bizz no Facebook, em meio \u00e0s discuss\u00f5es e an\u00e1lises sobre a edi\u00e7\u00e3o com a <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-sinewave\/\" target=\"_blank\">Sinewave<\/a>, teve essa declara\u00e7\u00e3o de Alex Antunes sobre as escolhas de discos que &#8220;mudaram a vida&#8221; (e que estava apontada n\u00e3o s\u00f3 pra dupla da Sinewave): &#8220;n\u00e3o pode ser honesto, porra. tem que reescrever o roteiro da pr\u00f3pria hist\u00f3ria um pouco, segundo as linhas de coer\u00eancia, como ensina Bob Dylan&#8221;. A bola ficou quicando: fiz o convite pra participar &#8211; e Alex Antunes aceitou de pronto. Assim, criou-se (a minha) expectativa, que acabou reverberando entre muitos dos meus conhecidos, quando falei sobre.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel e, no meu caso, explic\u00e1vel. Alex Antunes era um dos caras que eu e meu irm\u00e3o mais gost\u00e1vamos de ler na Bizz &#8220;original&#8221;, aquela que nos guiava musicalmente no final da d\u00e9cada de 1980. E tinha o lance do Akira S &#038; As Garotas Que Erraram, que a gente gostava de achar uma das melhores bandas mais legais pra se gostar e se falar que gosta (pra quem n\u00e3o liga o nome \u00e0 m\u00fasica, e infelizmente tem um bocado de gente hoje em dia que n\u00e3o sabe quem \u00e9, o Akira S <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xelLRtFuaZI\" target=\"_blank\">fez essa maravilha<\/a>, naquele &#8220;N\u00e3o S\u00e3o Paulo&#8221;, da Baratos Afins, de 1985).<\/p>\n<p>Em resumo, \u00e9 uma honra t\u00ea-lo aqui no <strong>Floga-se<\/strong>.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 breve, mas importante. Editando o post, sublinhou-se em mim a obviedade de que h\u00e1 um abismo de conhecimento entre aqueles escribas da Bizz que admirava\/admiro e meu pr\u00f3prio conhecimento e embasamento musical. Cada explica\u00e7\u00e3o aqui do senhor Antunes \u00e9 uma aula, um par\u00e1grafo enciclop\u00e9dico sobre o disco escolhido. Vale a leitura e a pesquisa. Vale procurar no seu <em>downloader<\/em> preferido todos os discos e nomes citados. E vale apreciar a deliciosa forma com que ele escreve e conta suas descobertas musicais.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o &#8220;Os Discos da Vida&#8221; de Alex Antunes.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>ALEX ANTUNES<\/strong><\/p>\n<p>Escolher dez discos da minha vida n\u00e3o \u00e9 um retrato exatamente preciso da minha musicalidade, porque alguns g\u00eaneros que mexem comigo, principalmente os ligados \u00e0 black music, s\u00e3o mais de hits do que de \u00e1lbuns. Por exemplo, certamente eu colocaria &#8220;Shaft&#8221;, do Isaac Hayes, como uma das minhas dez m\u00fasicas prediletas, mas nunca o \u00e1lbum. Mesmo caso de &#8220;Unfinished Sympathy&#8221;, do Massive Attack, pra dar um exemplo bem mais recente. Eu posso dizer que sou um cara sortudo, porque na \u00e9poca da minha forma\u00e7\u00e3o musical o r\u00e1dio e mesmo a televis\u00e3o (com os festivais, certamente, mas tamb\u00e9m com coisas como o seriado dos Monkees) tocavam muitas coisas &#8211; e coisas da melhor \u00e9poca da m\u00fasica popular mundial. Vi e ouvi, com aten\u00e7\u00e3o e um tanto intrigado, &#8220;Alegria, Alegria&#8221;, aos sete anos de idade. Posso dizer que Walter Franco, Macal\u00e9, Mautner e S\u00e9rgio Sampaio formaram n\u00e3o apenas meu gosto musical, mas minha personalidade, com suas performances experimentais e debochadas nos festivais da TV. Dito isso, vamos l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Hermeto Pascoal &#8211; &#8220;A M\u00fasica Livre de Hermeto Paschoal&#8221; (1973)<\/strong><br \/>\nNum certo dia de 73, fui \u00e0 loja pra comprar meu primeiro \u00e1lbum. S\u00f3 tinha dinheiro pra levar um, e tive que escolher entre os dois que eu queria: o primeiro de Hermeto (que na capa desse disco ainda era &#8220;Paschoal&#8221;) e o &#8220;Krig-H\u00e1 Bandolo&#8221;, do Raul Seixas. M\u00fasicas como &#8220;Beb\u00ea&#8221;, do Hermeto; e &#8220;Janela de Ouro&#8221;, de Egberto Gismonti; assim como &#8220;Bennie And The Jets&#8221;, do Elton John; &#8220;Shaft&#8221;, do Isaac Hayes; &#8220;Don&#8217;t Mess With Mr. T&#8221;, do Marvin Gaye; e &#8220;Long Ago Tomorrow&#8221;, do BJ Thomas; tinham o clima e a dramaticidade de arranjos que chamavam a minha aten\u00e7\u00e3o, entre as m\u00fasicas que tocavam na r\u00e1dio Eldorado. E Raul Seixas foi introduzido l\u00e1 em casa por um amigo da fam\u00edlia, que era divulgador de gravadora, e deixou l\u00e1 o compacto de &#8220;Ouro de Tolo&#8221; (al\u00e9m de dois outros, com &#8220;Ama Teu Vizinho Como a Ti Mesmo&#8221;, de S\u00e1 Rodrix e Guarabyra; e &#8220;Voc\u00ea Tem Tempo&#8221;, com Betinho, de Chico Anysio e Arnaud Rodrigues, de quem eu tamb\u00e9m gostava muito). Na loja, escolhi o disco do Hermeto \u2013 e parece que defini um caminho, tamb\u00e9m, porque jamais comprei disco nenhum do Raul (com todo o respeito), como se essa escolha fosse uma encruzilhada. Nascia ali um adolescente esquisito, que descobriu que o resto do disco era ainda mais estranho que a, errr, &#8220;radiof\u00f4nica&#8221; &#8220;Beb\u00ea&#8221;. Pode-se dizer que muito do meu interesse pela m\u00fasica improvisada e de inven\u00e7\u00e3o foi desenvolvida por composi\u00e7\u00f5es hermetianas como &#8220;Plin&#8221;, &#8220;Sereiarei&#8221; e &#8220;O Gaio da Roseira&#8221; (que tem um solo de bateria de Nene, que ainda considero um dos mais legais que ouvi em toda a minha vida), al\u00e9m de louqu\u00edssimas descontru\u00e7\u00f5es de &#8220;Carinhoso&#8221; e &#8220;Asa Branca&#8221; (cuja original, diga-se de passagem, acho um p\u00e9 no saco). Esse disco permanece entre os melhores da m\u00fasica brasileira. E lembro de minha m\u00e3e dizendo &#8220;ele s\u00f3 ouve essa m\u00fasica de filme de terror&#8221;.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19822\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/hermetopascoal-amusicalivre\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/hermetopascoal-amusicalivre.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"hermetopascoal-amusicalivre\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/hermetopascoal-amusicalivre.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/hermetopascoal-amusicalivre.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19822\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/hermetopascoal-amusicalivre.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/hermetopascoal-amusicalivre.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;O Gaio da Roseira&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/STtHxNl23vU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>King Crimson &#8211; &#8220;Islands&#8221; (1971)<\/strong><br \/>\nFoi a\u00ed que os deuses do acaso resolveram dar uma forcinha. Meu amigo Paulo Preto estudava na Uni\u00e3o Cultural Brasil-Estados Unidos, que tinha uma boa discoteca. E onde os \u00e1lbuns progressivos eram muito disputados, estavam sempre emprestados. Um dia, o Preto deu de cara com o &#8220;Islands&#8221; do King Crimson, e o levou pra casa \u2013 apesar de seu aparelho de som estar quebrado. Resultado: ele o deixou comigo, pois n\u00e3o podia ouvir mesmo. Sozinho no quarto, coloquei a agulha no vinil. E a\u00ed minha vida virou no avesso. O cello sinistro que introduz &#8220;Formentera Lady&#8221;, o absurdo solo de Robert Fripp em &#8220;Sailor&#8217;s Tale&#8221;, a lancinante &#8220;The Letters&#8221;, a abusadamente sexy &#8220;Ladies Of The Road&#8221;, com a sua gozadinha harm\u00f4nica em cima de Beatles, o quarteto de cordas de &#8220;Prelude&#8221; e a enigm\u00e1tica viagem de &#8220;Islands&#8221; (letra que Pete Sinfield escreveu inspirado nas <em>trips<\/em> hippies da ilha de Formentera, no mesmo arquip\u00e9lado das Baleares de Ibiza, pra onde Robert Wyatt ia, em experi\u00eancias psicod\u00e9licas como as retratadas no filme &#8220;More&#8221;, aquele da trilha do Pink Floyd), tudo isso me conectou pra sempre com o imagin\u00e1rio da contracultura pesada. Logo em seguida eu ouviria os outros discos do Crimson, e elegeria o radicalmente experimental &#8220;Larks Tongues In Aspic&#8221; como o meu preferido, mas o caminho foi aberto por &#8220;Islands&#8221;. Quem conhece &#8220;Islands&#8221; sabe que o disco acaba (depois de um longo sil\u00eancio) com o som de uma orquestra afinando, e uma contagem, \u00e0 qual n\u00e3o se segue m\u00fasica nenhuma. Posso dizer que a primeira vez que ouvi isso foi a contagem pro primeiro dia do resto da minha vida: a da paix\u00e3o irrestrita pela m\u00fasica e pela cultura <em>underground<\/em>.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19823\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/kingcrimson-islands\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/kingcrimson-islands.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"kingcrimson-islands\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/kingcrimson-islands.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/kingcrimson-islands.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19823\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/kingcrimson-islands.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/kingcrimson-islands.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Ladies Of The Road&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/9kPZr3c5KP0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Secos &#038; Molhados &#8211; &#8220;Secos &#038; Molhados&#8221; (1973)<\/strong><br \/>\nAinda em 73, tive um sarampo tardio, ficando uns dez ou quinze dias preso em casa. E um amigo (o mesmo Paulo Preto?) me deu, de presente, o disco dos Secos &#038; Molhados, que bombaram rapidamente, num per\u00edodo de poucos meses, at\u00e9 a mais absoluta notoriedade, puxado pelos hits &#8220;O Vira&#8221; e &#8220;Sangue Latino&#8221;. A voz andr\u00f3gina de Ney Matogrosso, as maquiagens pr\u00e9-Kiss, as letras sexual e politicamente d\u00fabias, inventaram o <em>glitter<\/em> brazuca e introduziram a contracultura nacional num n\u00edvel bomb\u00e1stico, exuberante, inesperado, ao mesmo tempo em que a ditadura mergulhava em seu per\u00edodo mais negro. Mas o fato \u00e9 que, pra al\u00e9m de toda a controv\u00e9rsia comportamental e todo o <em>hype<\/em> (que n\u00e3o se chamava <em>hype<\/em> ainda), o primeiro Secos &#038; Molhados \u00e9 o mais perfeito \u00e1lbum pop brasileiro, ultrapassando as obras de Mutantes, Novos Baianos e Raul Seixas, com sua inspira\u00e7\u00e3o de ponta a ponta. M\u00fasicos em performances e arranjos sensacionais, como o guitarrista John Flavin e Z\u00e9 Rodrix, e um repert\u00f3rio que n\u00e3o sofre nada com o tempo, fazem desse \u00e1lbum, na minha vida, um contraponto mais luminoso ao culto denso de Robert Fripp. Naqueles dias de quarentena, ouvi e reouvi Secos &#038; Molhados, que me ensinaram muito sobre o uso da poesia e dos elementos perform\u00e1ticos na m\u00fasica. O outro disco brasileiro que rolava loucamente em casa na mesma \u00e9poca era o &#8220;Caetano e Chico \u2013 Juntos e Ao Vivo&#8221;, um trabalho que, de certa forma, ultrapassa as limita\u00e7\u00f5es de um e de outro (apesar das rid\u00edculas palmas falsas enxertadas entre as faixas). Outro contempor\u00e2neo, o &#8220;L\u00f3ki?&#8221;, do Arnaldo, eu descobri na casa de um colega do colegial, e fiquei siderado.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18959\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-cretina\/secosemolhados-secosemolhados\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/secosemolhados-secosemolhados.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"secosemolhados-secosemolhados\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/secosemolhados-secosemolhados.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/secosemolhados-secosemolhados.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-18959\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/secosemolhados-secosemolhados.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/secosemolhados-secosemolhados.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Fala&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/bAdlGZSaQRg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Area &#8211; &#8220;Crac!&#8221; (1975)<\/strong><br \/>\nEm 75, meu pai estava morando em Portugal, e fui passar um m\u00eas em Lisboa, nas f\u00e9rias do fim do ano. Flanando praticamente sozinho pela cidade (o velho estava envolvido at\u00e9 o pesco\u00e7o com a prepara\u00e7\u00e3o das important\u00edssimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 76, as primeiras ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 74, num clima pol\u00edtico bastante conturbado), encontrei minha &#8220;alma europ\u00e9ia&#8221;. Al\u00e9m de King Crimson (eu considerava ent\u00e3o Robert Fripp uma esp\u00e9cie de mentor m\u00e1gico e espiritual), eu ouvia muito progressivo mais criativo (Gentle Giant, Van der Graaf Generator, Stomu Yamashta, Kraftwerk, PFM), mas a descoberta do grupo italiano Area levou as possibilidades sonoras ainda mais longe. Banda bastante experimental, com um p\u00e9 no <em>prog<\/em> e outro na <em>fusion<\/em> (como outras \u00f3timas bandas italianas que eu descobriria depois, como Napoli Centrale e Dedalus), e o &#8220;melhor vocalista do progressivo&#8221;, o greco-italiano Demetrio Stratos, o grupo era muito politizado e intelectualizado, pr\u00f3ximo do PC italiano, com letras cheias de refer\u00eancias hist\u00f3ricas, pol\u00edticas, psicanal\u00edticas etc. Uma curiosidade: eu pintava minhas pr\u00f3prias camisetas com capas de disco, como a cl\u00e1ssica &#8220;In The Court of Crimson King&#8221;, e a primeira vez em que entrei na Baratos Afins, alguns anos depois, usando a minha camiseta do Area, o Luiz Calanca, que eu ainda n\u00e3o conhecia, arregalou o olho e disse &#8220;AREA &#8216;CRAC!'&#8221; (ele falava o nome da banda e o do \u00e1lbum juntos). Eu escolho o Area aqui de certa forma tirando a vaga do &#8220;Third&#8221;, do Soft Machine, que eu descobri um pouco mais tarde, e que \u00e9 outra refer\u00eancia absolutamente atemporal nessa mesma praia. Na verdade eu devia colocar era o SM, mas cedi \u00e0 compuls\u00e3o de soar (um pouco mais) obscuro.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19824\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/area-crac\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/area-crac.jpg?fit=300%2C304\" data-orig-size=\"300,304\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"area-crac\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/area-crac.jpg?fit=300%2C304\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/area-crac.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19824\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Megalopoli&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/el69-rXswl8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Walter Franco &#8211; &#8220;Respire Fundo&#8221; (1978)<\/strong><br \/>\nEm 76, abriu perto da minha casa o Shopping Ibirapuera, o segundo de S\u00e3o Paulo, depois do Iguatemi. O bom \u00e9 que l\u00e1, al\u00e9m de lojas especializadas, como o Museu do Disco e a Billborad, onde era poss\u00edvel ouvir os vinis (o Museu tinha at\u00e9 umas cabininhas individuais), o shopping tinha uma grande loja de departamento (n\u00e3o me lembro qual) com uma \u00f3tima sess\u00e3o de discos, igualmente com <em>pick-ups<\/em> e fones de ouvido, e nenhum vendedor particularmente empenhado em atender ou vigiar. Ouvia e comprava <em>fusion<\/em>, <em>prog<\/em> e eletr\u00f4nica, como o sensacional &#8220;Oxygene&#8221;, do Jean-Michel Jarre (antes dele bregar), o <em>prog<\/em> japon\u00eas Yoninbaishi (sim, isso saiu aqui \u2013 vale dar uma pesquisada no \u00e1lbum &#8220;Golden Picnics&#8221;), Passport, Caldera, Joachim K\u00fchn&#8230; Tamb\u00e9m descobri l\u00e1 alguns nacionais maravilhosos como o &#8220;Imyra, Tayra, Ipy&#8221;, do Taiguara (que tem o Hermeto e um time sensacional, com Wagner Tiso, Nivaldo Ornellas, Jacques Morelembaum, Novelli, Z\u00e9 Eduardo Naz\u00e1rio&#8230; Esse foi imediatamente apreendido pela censura \u2013 mas tive tempo de comprar um no shopping); o &#8220;\u00c1guia N\u00e3o Come Mosca&#8221;, do Azymuth; o &#8220;Corra o Risco&#8221;, da Olivia, com a Barca do Sol; o &#8220;Carmo&#8221; (com a Wanderl\u00e9a, e o baixista da Black Rio!); e o &#8220;N\u00f3 Caipira&#8221;, do Egberto. Tamb\u00e9m comecei a ir bastante a shows, como o do John McLaughlin, com o Egberto, na Portuguesa; o do primeiro disco do Z\u00e9 Ramalho (outro disco perfeito de ponta a ponta); o S\u00e3o Paulo \u2013 Brasil, do C\u00e9sar Camargo Mariano. E havia lojas na Paulista e do centro, como a Brenno Rossi, que colocavam \u00e0s vezes vinis importados em oferta, como a trilha de &#8220;Aguirre&#8221; do Popol Vuh; o &#8220;Third&#8221;, do Soft Machine; e o incr\u00edvel &#8220;Brown Rice&#8221;, do Don Cherry. Mas um disco que me marcou muito no per\u00edodo da minha entrada na faculdade foi o &#8220;Respire Fundo&#8221;, do Walter Franco. Na verdade foi desse disco o repert\u00f3rio do show da semana dos calouros, na FAU (em cujo cineclube passou o filme &#8220;Aguirre&#8221;, do Herzog, cuja trilha j\u00e1 havia me impressionado muito). &#8220;Respire Fundo&#8221; talvez nem seja meu Walter Franco oficialmente predileto (que \u00e9 o mais roqueiro &#8220;Revolver&#8221;, que eu ouvi depois, fora de ordem). Mas esse verdadeiro <em>who&#8217;s who<\/em> da m\u00fasica brasileira (com Jo\u00e3o Donato, Wagner Tiso, Z\u00e9 Ramalho, Sivuca e gente dos Mutantes, do V\u00edmana, do Ter\u00e7o e da Cor do Som, entre muitos outros), &#8220;Respire Fundo&#8221;, com sua espiritualidade escancarada, me acompanharia pela vida. Me lembro at\u00e9 de um trabalho de <em>ayahuasca<\/em> em que eu tive a oportunidade de tocar a faixa-t\u00edtulo, pra alegria do Minho K e de outros amigos meus que estavam presentes (naquela e em outras dimens\u00f5es). Recomendo a audi\u00e7\u00e3o desse disco contra qualquer crise de ansiedade. &#8220;Respire Fundo&#8221;, &#8220;Cora\u00e7\u00e3o Tranquilo&#8221;, &#8220;Lindo Blue&#8221; e &#8220;At\u00e9 Breve&#8221;, al\u00e9m do hino indiano &#8220;Govinda&#8221; e do &#8220;Fado do Destino&#8221; s\u00e3o, sem hipocrisia nem cinismo, um al\u00edvio e um caminho pra tranquilidade e pra beleza.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19828\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/walterfranco-respirefundo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/walterfranco-respirefundo.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"walterfranco-respirefundo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/walterfranco-respirefundo.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/walterfranco-respirefundo.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19828\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/walterfranco-respirefundo.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/walterfranco-respirefundo.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Respire Fundo&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/jw9uGaAnn6w\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Brian Eno &#8211; &#8220;Another Green World&#8221; (1975)<\/strong><br \/>\nA minha entrada na USP, em 78, e o encontro com interlocutores como Thomas Pappon e Minho K (meus futuros colegas na Bizz), permitiram que eu me aprofundasse na m\u00fasica n\u00e3o mais apenas como uma quest\u00e3o de gosto, mas de discuss\u00e3o est\u00e9tica. \u00c9 dessa \u00e9poca a descoberta das teorias e experi\u00eancias de m\u00fasicos-pensadores como Brian Eno e John Cale. H\u00e1 um par de discos de Eno, &#8220;Another Green World&#8221; (75) e &#8220;Before And After Science&#8221; (77), que re\u00fane praticamente todo mundo que importava: Cale, Fripp, Fred Frith, Jaki Liebzeit do Can, Moebius e Roedelius do Cluster, Percy Jones e Phil Collins do Brand X, Robert Wyatt, Phil Manzanera do Roxy Music, Bill McCormick do 801 e do Random Hold, entre v\u00e1rios outros. Entre climas intrigantes, experimentais e pl\u00e1cidos, Eno (que ao lado de Fripp tamb\u00e9m participou da trilogia berlinense de Bowie) avan\u00e7a no novo territ\u00f3rio da &#8220;cultura de produtor&#8221; (pra al\u00e9m das culturas de compositor e de arranjador), da m\u00fasica de timbres. Foi Eno que fez a ponte entre as inven\u00e7\u00f5es mais caracter\u00edsticas do in\u00edcio dos anos 70 (com o Roxy Music, Fripp, o pessoal do <em>krautrock<\/em>, depois com Jon Hassell) e as do fim da d\u00e9cada, quando produziu o &#8220;No New York&#8221;, os \u00e1lbuns de estr\u00e9ia do Devo e do Ultravox! e se associou aos Talking Heads em sua fase mais experimental. Foram tamb\u00e9m dois discos aos quais as teorias de Eno est\u00e3o associadas \u2013 o &#8220;My Life In The Bush Of Ghosts&#8221; (81, de Eno com David Byrne, o primeiro disco a ser constru\u00eddo em cima de samples e grooves), e &#8220;God Save The Queen\/Under Heavy Manners&#8221; (80), de Robert Fripp, com o uso dos &#8220;frippertronics&#8221; (t\u00e9cnica anal\u00f3gica de <em>loops<\/em> desenvolvida com Eno, usando dois gravadores Revox de fita) que deram a base est\u00e9tica da minha banda, Akira S &#038; as Garotas Que Erraram, que fundei com o baixista Akira, em 84 (e ter\u00edamos a honra de gravar com Holger Czukay, do Can, e tocar com Arto Lindsay, do DNA, Ambitious lovers, Golden Palominos e Lounge Lizards). Mas escolho o &#8220;Another Green World&#8221;, particularmente, como o mais misterioso e clim\u00e1tico dos discos de Eno nessa fase. \u00c9 o \u00e1lbum em que Eno abandona o modo mais <em>glitter<\/em> de seus dois primeiros \u2013 &#8220;Here Comes The Warm Jets&#8221; e &#8220;Taking Tiger Mountain (by Strategy)&#8221; \u2013, herdeiros diretos de sua experi\u00eancia com o Roxy Music, e come\u00e7a a trabalhar uma est\u00e9tica <em>downtempo<\/em>, <em>ambient<\/em> e de espacialidades eletr\u00f4nicas que s\u00f3 seriam talvez melhor compreendidas e exploradas na d\u00e9cada de 90, com as tecnologias digitais de grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19827\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/brianeno-anothergreenworld\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/brianeno-anothergreenworld.jpg?fit=301%2C300\" data-orig-size=\"301,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"brianeno-anothergreenworld\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/brianeno-anothergreenworld.jpg?fit=301%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/brianeno-anothergreenworld.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19827\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/brianeno-anothergreenworld.jpg?w=301 301w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/brianeno-anothergreenworld.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/brianeno-anothergreenworld.jpg?resize=300%2C299 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;St. Elmo&#8217;s Fire&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/k6n9s1e8EXs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Tuxedomoon &#8211; &#8220;Desire&#8221; (1981)<\/strong><br \/>\nE chegamos ao p\u00f3s-punk e \u00e0 est\u00e9tica dos anos 80. Na verdade, s\u00f3 essa fase mereceria sua lista de 10 discos prediletos. MX-80, com &#8220;Hard Attack&#8221; (77) ou &#8220;Crowd Control&#8221; (81); PIL, com &#8220;Public Image&#8221; (78) ou &#8220;Metal Box&#8221; (79); Stranglers, com &#8220;Black And White&#8221; (78), &#8220;La Folie&#8221; (81) ou &#8220;Feline&#8221; (83); XTC, com &#8220;Go 2&#8221; (78) ou &#8220;Drums &#038; Wires&#8221; (79); Talking Heads, com &#8220;Fear Of Music&#8221; (79) ou &#8220;Remain In Light&#8221; (80); This Heat, com &#8220;This Heat&#8221; (78); Japan, com &#8220;Quiet Life&#8221; (79), &#8220;Gentlemen Take Polaroids&#8221; (80) ou &#8220;Tin Drum&#8221; (81); Gang Of Four, com &#8220;Entertaiment!&#8221; (79); Pop Group, com &#8220;Y&#8221; (79); James Chance e os Contortions, com &#8220;Buy&#8221; (79); Yellow Magic Orchestra, com &#8220;Solid State Survivor&#8221; (79), &#8220;Technodelic&#8221; ou &#8220;BGM&#8221; (81); Bill Nelson, com &#8220;Sound On Sound&#8221; (79), &#8220;Quit Dreaming And Get On The Bean&#8221; (81), &#8220;The Love That Whirls&#8221; (82) ou &#8220;Chimera&#8221; (83); Simple Minds, com &#8220;Empires And Dance&#8221; (80), &#8220;Sons And Fascination&#8221; ou &#8220;Sister Feeling Call&#8221; (81); Chrome, com &#8220;Red Exposure&#8221; (80), &#8220;Blood On The Moon&#8221; (81) ou &#8220;The Chronicles&#8221; (82); The Sound com &#8220;Jeopardy&#8221; (80) ou &#8220;From The Lions Mouth&#8221; (81); Clock DVA, com &#8220;Thirst&#8221; (80) ou &#8220;Advantage&#8221; (82); The Passage, com &#8220;Pindrop&#8221; (80), &#8220;For All And None&#8221; (81) ou &#8220;Enflame&#8221; (83); Cabaret Voltaire com &#8220;Red Mecca&#8221; (81), &#8220;Hai!&#8221; (82) ou &#8220;The Crackdown&#8221; (83); Abw\u00e4rts com &#8220;Der Westen Ist Einsam&#8221; (82); Bunnydrums, com &#8220;P.K.D.&#8221; (83) ou &#8220;Holy Moly&#8221; (84); 23 Skidoo, com &#8220;Urban Gamelan&#8221; (84); Tackhead, com &#8220;Mind At The End Of Tether&#8221; (85) poderiam representar nela. E o &#8220;Avalon&#8221; (82), do Roxy Music, claro, o LP ao qual eu devo mais transas. Mas vou escolher o mais intrigante de todos os discos da \u00e9poca. Minhas lembran\u00e7as dos anos 80 s\u00e3o associadas \u00e0s lojas em que comprei os vinis, principalmente a Baratos Afins (Calanca adquiriu um lote de p\u00f3s-punk em que pin\u00e7amos o Gang Of Four, Stranglers, Simple Minds, MX-80 e Pop Group) e a Wop Bop (onde comprei Chrome, Cabaret Voltaire, Contortions). Mas foi numa pequena loja de Pinheiros, a New Images, que dei com o disco que me causou a sensa\u00e7\u00e3o mais forte talvez desde aquele &#8220;Islands&#8221;, do King Crimson. Foi &#8220;Desire&#8221;, do Tuxedomoon, banda de S\u00e3o Francisco de natureza bastante experimental e perform\u00e1tica. Uma estranha combina\u00e7\u00e3o de bateria eletr\u00f4nica com violino, baixo, \u00f3rg\u00e3o e sax, timbres <em>low tech<\/em> com grande destreza instrumental (particularmente do violinista, Blaine Reininger, e do organista\/saxofonista Steven Brown), al\u00e9m de um baixista &#8220;duro&#8221; (Peter Principle) e um vocalista intrigantemente teatral e afetado (Winston Tong, o Bryan Ferry do bairro chin\u00eas). A memor\u00e1vel sequ\u00eancia inicial de &#8220;Desire&#8221; (&#8220;East\/ Jinx\/ &#8230;\/ Music #1&#8221;) precipita o ouvinte num universo onde melodismos derramados, minimalismos <em>synth-pop<\/em>, atmosfera <em>gay-punk<\/em> mostram porque S\u00e3o Francisco \u00e9 um para\u00edso alternativo, onde <em>beatniks<\/em>, <em>hippies<\/em>, <em>gays<\/em> deixaram todos suas marcas num am\u00e1lgama cultural fabuloso. &#8220;Desire&#8221; foi gravado na Inglaterra, ap\u00f3s a retirada da banda pra Europa (assim como Damon Edge refundou o Chrome na Fran\u00e7a), ap\u00f3s o assassinato de Harvey Milk, que abalou a cena alternativa da cidade. Tuxedomoon passou por Londres e Amsterd\u00e3 antes de se estabelecer em Bruxelas. Mal sabia eu, quando via o espet\u00e1culo de teatro com m\u00fasica ao vivo dos belgas do Plan K no teatro Ruth Escobar, em S\u00e3o Paulo, que seria gra\u00e7as \u00e0 prolongada turn\u00ea do grupo no Brasil que suas instala\u00e7\u00f5es seriam cedidas temporariamente ao Tuxedomoon na B\u00e9lgica, permitindo a reorganiza\u00e7\u00e3o da banda americana no pa\u00eds&#8230; Obrigado, Ruth Escobar, pelos favores musicais (e por falar em Ruth Escobar aqui vai mais uma curiosidade: eu e o Minho K tocamos com a filha dela, Anna Ruth, no grupo No. 2, que ensaiava na garagem da casa da fam\u00edlia nas Perdizes; e houve um certo ensaio que tivemos que interromper porque est\u00e1vamos atrapalhando uma reuni\u00e3o com Tancredo Neves).<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19826\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/tuxedomoon-desire\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/tuxedomoon-desire.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"tuxedomoon-desire\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/tuxedomoon-desire.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/tuxedomoon-desire.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19826\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/tuxedomoon-desire.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/tuxedomoon-desire.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a: &#8220;East\/Jinx&#8230;\/Music #1&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/6Xec9ciu6W8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Gil Scott-Heron &#8211; &#8220;The Revolution Will Not Be Televised&#8221; (1974)<\/strong><br \/>\nEm 88, aconteceu uma coisa inexplic\u00e1vel \u2013 e maravilhosa. A BMG brasileira lan\u00e7ou uma compila\u00e7\u00e3o da fase inicial de Gil Scott-Heron no selo Flying Dutchman (70-72). Hoje reverenciado como um dos precursores do rap (ao lado dos Last Poets), e nascido em Chicago, Scott-Heron gravou seu \u00e1lbum de estr\u00e9ia, &#8220;Small Talk At 125th And Lennox&#8221;, basicamente poesia e percuss\u00e3o ao vivo, em Nova York, em 70. Mas seus dois \u00e1lbuns seguintes, &#8220;Pieces Of A Man (71) e &#8220;Free Will&#8221; (72) revelaram um m\u00fasico-poeta maduro, na conflu\u00eancia do jazz, do blues e do soul-funk, com um estilo vocal declamat\u00f3rio e contundente que viria a influenciar e forjar a m\u00fasica negra nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Acontece que, ao longo da d\u00e9cada de 80, a reputa\u00e7\u00e3o que Scott-Heron havia constru\u00eddo at\u00e9 82, quando parou de gravar, j\u00e1 havia se desvanecido. Uma participa\u00e7\u00e3o no disco anti-apartheid &#8220;Sun City&#8221; (86, com Miles Davis, Ringo Starr, Peter Gabriel e Bono, entre outros), mostrou que j\u00e1 n\u00e3o se sabia quem era aquele cara com aquela voz fant\u00e1stica. Com o lan\u00e7amento tardio de &#8220;The Revolution&#8230;&#8221; no Brasil \u2013 ainda por cima com uma bela ilustra\u00e7\u00e3o de capa pintada por Carmine Coppola, tamb\u00e9m m\u00fasico e pai do cineasta \u2013, os ouvidos se renderam imediatamente a p\u00e9rolas como &#8220;Lady Day And John Coltrane&#8221;, &#8220;Pieces Of A Man&#8221; e &#8220;Home Is Where The Hatred Is&#8221;, sem falar na sua pe\u00e7a de resist\u00eancia mais cl\u00e1ssica, a faixa-t\u00edtulo. Acontece que at\u00e9 n\u00f3s, os cr\u00edticos, n\u00e3o t\u00ednhamos ouvido (ou ouvido falar) naquilo. Foi uma das mais chocantes sensa\u00e7\u00f5es da minha vida, de ver que eu desconhecia algo absolutamente essencial. Tamb\u00e9m foi um dos discos que galgaram mais rapidamente \u00e0 Discoteca B\u00e1sica da Bizz, do desconhecimento ao reconhecimento absolutos. Anos depois, a editora Conrad lan\u00e7ou no Brasil o romance de Scott-Heron, &#8220;O Abutre&#8221;. Outra possibilidade seria de lembrar aqui um disco dos Last Poets, de quem se fala ainda menos (apesar de se samplear bastante). Dos Poets saiu Lightnin\u2019 Rod (AKA Alafia Pudim, AKA Jalal Mansur Nuriddin), que lan\u00e7ou o disco precursor do <em>gangsta rap<\/em> (&#8220;Hustlers Convention&#8221;, de 73, com Tina Turner, Bernard Purdie, Billy Preston e Kool And The Gang), contempor\u00e2neo da &#8220;blaxploitation&#8221;, e o single &#8220;Doriella Du Fontaine&#8221;, com Jimi Hendrix e Buddy Miles se desdobrando na guitarra, baixo, \u00f3rg\u00e3o e bateria \u2013 essa poderia estar f\u00e1cil numa lista de 10 m\u00fasicas da minha vida.<\/p>\n<p><em>Capa Original<\/em><br \/>\n<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19825\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19825\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p><em>Capa do relan\u00e7amento (1988)<\/em><br \/>\n<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19850\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19850\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/gilscottheron-therevolutionwillnotbetelevised1.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;The Revolution Will Not Be Televised&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/qGaoXAwl9kw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Miles Davis &#8211; &#8220;Get Up With It!&#8221; (1974)<\/strong><br \/>\nO primeiro disco de Miles Davis que comprei (num dos balc\u00f5es de importados em oferta na Brenno Rossi) foi a trilha do filme &#8220;Jack Johnson&#8221; (lan\u00e7ado em 71, gravado em 70). Sem querer, fui ao ponto nevr\u00e1lgico da obra do homem. Depois da ensaiada eletrifica\u00e7\u00e3o de sua m\u00fasica em &#8220;In A Silent Way&#8221; (69) e &#8220;Biches Brew&#8221; (70), \u00e9 em &#8220;Tribute To Jack Johnson&#8221; que Miles se aproxima decididamente do rock, com a ajuda de John McLaughlin, Michael Henderson e Billy Cobham. Eu j\u00e1 ouvia todos os filhotes de Miles (Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return To Forever, sem falar de outros velhos malucos do jazz, como Don Cherry e Ornette Coleman), mas sem entender exatamente como se tinha dado essa passagem, porque a discografia e a literatura sobre o trompetista eram escassas e confusas no Brasil. Foi quando comecei a viajar pra Europa, j\u00e1 como editor da Bizz, que comecei a ter acesso a esse material. O pr\u00f3prio Miles j\u00e1 tinha reaparecido, depois de sua abdu\u00e7\u00e3o pela hero\u00edna (75-81), e voltado a lan\u00e7ar discos. \u00c9 por isso que escolhi &#8220;Get Up With It!&#8221;, e n\u00e3o &#8220;&#8230;Jack Jonhson&#8221;, ou &#8220;On The Corner&#8221; (72), seu disco mais radical, mas que s\u00f3 consegui comprar mais tarde, em CD. Quando dei de cara com uma c\u00f3pia de &#8220;Get Up&#8230;&#8221; em Bruxelas, em 88, j\u00e1 sem muita grana, comprei-a com um cart\u00e3o de cr\u00e9dito n\u00e3o desbloqueado pra uso internacional (com um boleto de preenchimento manual, obviamente). Recebi a conta no Brasil com uma bela multa. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de botar as m\u00e3os naquele magn\u00edfico vinil duplo, com sua capa em que Miles usa um daqueles gigantescos \u00f3culos escuros, foi incompar\u00e1vel, quase m\u00edstica. Quanto ao repert\u00f3rio, \u00e9 um disco que o produtor Teo Macero montou com faixas de diferentes sess\u00f5es, com diferentes m\u00fasicos, de 70 a 74 (as edi\u00e7\u00f5es e montagens de Macero s\u00e3o um elemento adicional na complexa, pra n\u00e3o dizer confusa, discografia de Miles \u2013 e s\u00f3 vieram a ser destrinchadas com clareza na \u00faltima d\u00e9cada). Mas \u00e9 um \u00e1lbum bastante equilibrado, sem as arestas excessivas de &#8220;On The Corner&#8221;, as digress\u00f5es meio fantasmag\u00f3rias de seus discos gravados ao vivo do per\u00edodo 73-75, ou cole\u00e7\u00f5es mais desconjuntadas, como &#8220;Live-Evil&#8221; (71) ou &#8220;Big Fun&#8221; (74). Em &#8220;Get Up&#8230;&#8221;, &#8220;He Loved Him Madly&#8221;, &#8220;Rated X&#8221;, &#8220;Calypso Frelimo&#8221;, &#8220;Red China Blues&#8221; e &#8220;Billy Preston&#8221;, entre outras faixas, fazem uma cole\u00e7\u00e3o na medida: politizada em seu su\u00edngue, firme em sua flu\u00eancia, um discurso pantera-negra-sem-palavras. O \u00fanico disco que poderia ombrear com um de Miles nesta lista seria algum de seu pupilo Herbie Hancock \u2013 ou &#8220;Sextant&#8221; (73) ou &#8220;Headhunters&#8221; (73), em que o tecladista completou sua trajet\u00f3ria do jazz ao funk eletr\u00f4nico, juntando codinomes africanos com uma obsess\u00e3o com pedais de efeito e uma profus\u00e3o de teclados el\u00e9tricos, ou mesmo &#8220;Future Shock&#8221; (83), em que Hancock se uniu \u00e0 trupe do Material, com Bill Laswell \u00e0 frente, para redefinir as rela\u00e7\u00f5es entre jazz e cultura de rua (<em>eletrofunk<\/em>, <em>hip hop<\/em>). Mas nada disso existiria sem Miles.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19830\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/milesdavis-getup\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/milesdavis-getup.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"milesdavis-getup\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/milesdavis-getup.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/milesdavis-getup.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19830\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/milesdavis-getup.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/milesdavis-getup.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Rated X&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/mrjFtbGKqFk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Serge Gainsbourgh &#8211; &#8220;Historie De Melody Nelson&#8221; (1971)<\/strong><br \/>\nAo lado de Gil Scott-Heron, e talvez dos Silver Apples, Serge Gainsbourg foi o meu (nosso, se se considerar a equipe da Bizz) maior reconhecimento tardio. At\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, eu s\u00f3 conhecia \u2013 e n\u00e3o haveria como n\u00e3o conhecer \u2013 o escandaloso hit &#8220;Je T&#8217;Aime (Moi Non Plus)&#8221;. Acontece que, numa visita \u00e0 Wop Bop, dei de cara, em 84, com uma c\u00f3pia do \u00e1lbum &#8220;Love On The Beat&#8221;. Era uma c\u00f3pia de cr\u00edtico (franc\u00eas), ainda com o release e a foto de divulga\u00e7\u00e3o dentro. Uma olhada na ficha me mostrou que, al\u00e9m de Gainsbourg maquiado como travesti na capa, havia convidados inusitados: o tecladista de origem <em>prog<\/em> Larry Fast, na \u00e9poca tocando com Peter Gabriel, e os irm\u00e3o Simms, vocalistas com David Bowie. Foi esse disco fant\u00e1stico, que come\u00e7a com o sadomas\u00f4-eletro que lhe d\u00e1 titulo, me levou a pesquisar o que Gainsbourg teria feito entre 69 (&#8220;Je T&#8217;Aime&#8221;) e 84. E a\u00ed foi surpresa atr\u00e1s de surpresa, inclusive com as grava\u00e7\u00f5es anteriores, de 62 a 69. Foram discos que eu comprei na Fran\u00e7a e na B\u00e9lgica, porque pouco se falava ainda de Gainsbourg no resto do mundo. Cheguei a divulgar um tributo brasileiro a Gainsbourg no in\u00edcio dos anos 90 (saiu mat\u00e9ria de Antonio Carlos Miguel n&#8217;O Globo): os 3 Hombres j\u00e1 haviam ensaiado sua faixa (&#8220;69 An\u00e9e Erotique&#8221;) e o pr\u00f3prio Lulu Santos j\u00e1 tinha me dado sinal verde em uma conversa \u2013 mas esse sonho de homenagear Gainsbourg s\u00f3 se concretizou quase duas d\u00e9cadas mais tarde, ao lado de Edgard Scandurra e Les Provocateurs. Inquieto, galante, Gainsbourg atingiu seu \u00e1pice ap\u00f3s &#8220;Je T&#8217;Aime&#8221;, que ele gravou com Jane Birkin (na verdade regravou, porque a vers\u00e3o original, com Brigitte Bardot, permaneceu vetada por ela at\u00e9 86). Em &#8220;Histoire De Melody Nelson&#8221;, com Birkin na capa (e em alguns gemidos que ele registrou com um gravador embaixo da cama do casal), o poeta maldito da m\u00fasica colaborou com o compositor e arranjador Jean-Claude Vannier numa su\u00edte conceitual pra power trio, orquestra, coro e seus roufenhos vocais semifalados, que contam uma estranha hist\u00f3ria entre uma lolita e um magnata. Al\u00e9m do grandioso tema principal, a bel\u00edssima &#8220;L&#8217;Hotel Particulier&#8221; e o fren\u00e9tico rock instrumental &#8220;En Melody&#8221; constituem um repert\u00f3rio que s\u00f3 n\u00e3o foi diretamente reconhecido como um dos maiores discos pop de todos os tempos porque foi gravado em franc\u00eas, e n\u00e3o em ingl\u00eas. Mas sempre \u00e9 tempo de corrigir isso. Fiz minha parte: quando a Bizz fechou, em 2007, uma das \u00faltimas Discotecas B\u00e1sicas foi a de &#8220;Histoire De Melody Nelson&#8221;, assinada por mim.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19832\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-alex-antunes\/sergegainsbourg-histoiredemelodynelson\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/sergegainsbourg-histoiredemelodynelson.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sergegainsbourg-histoiredemelodynelson\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/sergegainsbourg-histoiredemelodynelson.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/sergegainsbourg-histoiredemelodynelson.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-19832\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/sergegainsbourg-histoiredemelodynelson.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/sergegainsbourg-histoiredemelodynelson.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;L&#8217;Hotel Particulier&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/tmQtO0bVysM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Discos da Vida&#8221;, Badhoneys.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-repentina\/\" target=\"_blank\">&#8220;Os Discos da Vida: Repentina&#8221;<\/a>.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-dramon\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: DRAMON\">OS DISCOS DA VIDA: DRAMON<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-clandestinas\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS\">OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-borealis\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: BOREALIS\">OS DISCOS DA VIDA: BOREALIS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-benjamin-back\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: BENJAMIN BACK\">OS DISCOS DA VIDA: BENJAMIN BACK<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-ricardo-schott-pop-fantasma\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: RICARDO SCHOTT (POP FANTASMA)\">OS DISCOS DA VIDA: RICARDO SCHOTT (POP FANTASMA)<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa edi\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Discos da Vida&#8221; nasceu de uma maneira curiosa. 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