{"id":28394,"date":"2012-10-01T22:13:29","date_gmt":"2012-10-02T01:13:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=28394"},"modified":"2013-10-25T01:23:39","modified_gmt":"2013-10-25T03:23:39","slug":"os-discos-da-vida-jair-naves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/","title":{"rendered":"OS DISCOS DA VIDA: JAIR NAVES"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28406\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/jairnaves3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jairnaves3.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"jairnaves3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jairnaves3.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jairnaves3.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-28406\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jairnaves3.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jairnaves3.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel rastrear a personalidade das pessoas pelas m\u00fasicas que ela ouve? \u00c9 poss\u00edvel, al\u00e9m disso, identificar o <em>talento<\/em> de algu\u00e9m pelo o que passou pelos seu toca-discos?<\/p>\n<p>No caso de Jair Naves, talvez haja como ligar os pontos. Um dos seus maiores talentos s\u00e3o suas letras &#8211; al\u00e9m de ser um compositor engenhoso, principalmente na sua carreira solo (ou\u00e7a seu disco lan\u00e7ado recentemente, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/jair-naves-e-voce-se-sente-numa-cela-escura-planejando-a-sua-fuga-cavando-o-chao-com-as-proprias-unhas\/\" target=\"_blank\">&#8220;E Voc\u00ea Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Ch\u00e3o Com As Pr\u00f3prias Unhas&#8221;<\/a>), e um cara de extensa cultura e bom de papo (<a href=\"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/19\/scream-yell-recomenda-jair-naves\/\" target=\"_blank\">leia a recente entrevista que ele deu pro Scream &#038; Yell<\/a>).<\/p>\n<p>Nessa edi\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Discos Da Vida&#8221;, Naves explica suas escolhas principalmente por conta das letras que mais o afetaram, e o faz de forma sangu\u00ednea, expondo-se como veias cortadas e saltitantes.<\/p>\n<p>Dez discos &#8211; que poderiam ser vinte, trinta: uma amostra de suas prefer\u00eancias, com obras que reverenciam o olhar pra depress\u00e3o, pra an\u00e1lise de vidas atormentadas, pras derrotas (amorosas ou n\u00e3o), pros percal\u00e7os; e uma amostra de sua perspicaz maneira de tirar o melhor disso tudo, ao usar a explos\u00e3o art\u00edstica da melancolia e sagacidade dos seus \u00eddolos como combust\u00edvel pro seu pr\u00f3prio talento.<\/p>\n<p>Ele poderia estar numa lista dessas.<\/p>\n<p><strong>JAIR NAVES<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Foi uma das escolhas mais dif\u00edceis que eu tive que fazer em algum tempo. Pra voc\u00ea ter uma ideia, fiz textos como os que est\u00e3o abaixo pra dezoito discos. Ainda n\u00e3o consigo deixar de me sentir um pouco ingrato por ter exclu\u00eddo da lista final nomes que foram fundamentais na minha forma\u00e7\u00e3o, como Buzzcocks, Vzyadoq Moe, Sonic Youth, Beatles, Gang Of Four, Caetano Veloso, Kate Bush, Mission Of Burma, Walter Franco, Nirvana, Mundo Livre S\/A, Bruce Springsteen, H\u00fcsker D\u00fc, Joy Division\/New Order, Television, Fleetwood Mac, R.E.M&#8230; Da\u00ed a demora toda pra chegar a esses dez nomes finais. E se um dia voc\u00ea quiser outra lista, me avise, n\u00e3o faltam nomes pra tanto&#8221;.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Black Flag \u2013 &#8220;Damaged&#8221; (1981)<\/strong><br \/>\nApesar de todo o tempo que se passou desde ent\u00e3o, eu me lembro vividamente de quando ouvi o &#8220;Damaged&#8221; pela primeira vez. Eu tinha dezesseis anos, uma reduzida por\u00e9m adorada cole\u00e7\u00e3o de discos, uma pequena familiaridade com os preceitos do punk rock e uma s\u00e9ria desconfian\u00e7a de que atrav\u00e9s daquela hist\u00f3ria de &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221; eu acharia o meu lugar no mundo. <\/p>\n<p>Meu primeiro contato com esse tipo de sonoridade foi na ocasi\u00e3o da explos\u00e3o de popularidade do &#8220;Nevermind&#8221;. Por conta do devastador impacto que esse disco (e especialmente o ca\u00f3tico clipe de &#8220;Lithium&#8221;) teve na minha cabe\u00e7a de menino de doze anos, desenvolvi uma dedicada obsess\u00e3o pelo Nirvana. Percorria lojas de discos atr\u00e1s de <em>bootlegs<\/em>, ficava horas nas bancas lendo entrevistas em revistas importadas, comprava biografias, anotava mentalmente as indica\u00e7\u00f5es que eles faziam de outros m\u00fasicos, livros e artistas em geral. O que me levou a descobrir uma s\u00e9rie de nomes que mais tarde me marcariam profundamente, do William Burroughs ao David Bowie, do Gang Of Four a &#8220;Seasons In The Sun&#8221;, do Patrick S\u00fcskind aos Mutantes, do MDC ao Beat Happening. Ainda assim, a mais importante descoberta que o Nirvana me proporcionaria demorou um pouco para ser realizada.<\/p>\n<p>Embora o Kurt Cobain mencionasse constantemente o Black Flag como influ\u00eancia, por algum motivo que me foge \u00e0 mem\u00f3ria eu sempre esquecia de ir atr\u00e1s deles. \u00c9 preciso lembrar que nessa \u00e9poca, 1995, 1996, a Internet ainda n\u00e3o havia sido popularizada no Brasil &#8211; ou pelo menos n\u00e3o tinha chegado at\u00e9 a minha fam\u00edlia, de forma que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o era muito mais demorado e trabalhoso do que \u00e9 hoje em dia. At\u00e9 que, numa das minhas idas \u00e0s lojas de revistas pra folhear publica\u00e7\u00f5es estrangeiras, eu me deparei com uma extensa mat\u00e9ria na Keerang! (se n\u00e3o me engano) sobre o legado de Greg Ginn e cia. Lembro de ter ficado particularmente intrigado com o fato de quase todos os entrevistados terem o logo da banda tatuado. Pensei que devia ser algo especial, pra exercer todo esse fasc\u00ednio sobre as pessoas. Motivado por essa impress\u00e3o, busquei um disco deles pra ver (e ouvir) do que se tratava. Por sorte, o que veio parar nas minhas m\u00e3os foi justamente o &#8220;Damaged&#8221;, que eu considero n\u00e3o s\u00f3 o melhor da banda, mas talvez o \u00e1lbum mais importante da hist\u00f3ria do <em>hardcore<\/em>.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o que eu tive ao finalmente ouvir o Black Flag nunca mais se repetiu com nenhuma outra obra de arte \u00e0 qual eu fui exposto desde ent\u00e3o. Eu sabia que aquilo era muito, muito bom, mas me sentia como se eu n\u00e3o estivesse preparado pro que estava ouvindo. Parecia muito mais agressivo, real e confrontador do que as coisas que eu estava acostumado a ouvir &#8211; fosse o Nirvana, fossem as bandas da primeira gera\u00e7\u00e3o do <em>punk rock<\/em> brit\u00e2nico, fossem as bandas de <em>heavy metal<\/em> de que eu gostava&#8230; Enfim, aquilo era outra hist\u00f3ria. Muito mais brutal, combativo, ensandecido, emocional e niilista. Eles me pareciam verdadeiros anti-her\u00f3is, e era justamente esse o modelo a ser seguido que eu buscava &#8211; n\u00e3o a velha hist\u00f3ria de <em>rock stars<\/em> intoc\u00e1veis, mimados, alheios \u00e0 realidade do mundo etc. Soava como um tipo de ang\u00fastia crua, uma desesperada e intimidante confiss\u00e3o de vulnerabilidade, coisa de pessoas com quem eu verdadeiramente podia me identificar sem fazer qualquer esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Tudo no disco era de uma urg\u00eancia contagiante. A capa, os timbres, a interpreta\u00e7\u00e3o do Henry Rollins &#8211; sem contar que, pra um adolescente como o que eu fui, as letras ofereciam um conforto que ia muito al\u00e9m do conformismo ou de um est\u00edmulo \u00e0 auto-comisera\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio: &#8220;Damaged&#8221; me enchia de for\u00e7as pra enfrentar um mundo em que eu parecia n\u00e3o ter lugar naquela \u00e9poca. Ao mesmo tempo em que um niilismo quase palp\u00e1vel percorria as m\u00fasicas (trechos como &#8220;there&#8217;s no relief for a person like me\/ depression is gonna kill me&#8221;, em &#8220;Depression&#8221;), havia algo de verdadeiramente motivador em m\u00fasicas como &#8220;Spray Paint The Walls&#8221;, &#8220;Gimme Gimme Gimme&#8221; e mesmo &#8220;Thursty And Miserable&#8221;. Nem \u00e9 necess\u00e1rio falar de &#8220;Rise Above&#8221; e o mantra &#8220;we are born wih a chance\/ I&#8217;m gonna have my chance&#8221;. Era exatamente o que eu precisava ouvir, dito da forma mais direta e contagiante poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Devo muito ao Black Flag. N\u00e3o s\u00f3 o fato de ter conseguido atravessar a adolesc\u00eancia s\u00e3o e salvo, mas a coragem pra escrever minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas, pra tocar priorizando o sentimento, mesmo sem muito dom\u00ednio t\u00e9cnico, sem ter medo de ser verdadeiro, de expor coisas dolorosas ou de qualquer coment\u00e1rio negativo que pudessem soltar a meu respeito. Quanto mais eu descobria sobre eles, mais eu me sentia inspirado a me arriscar artisticamente. Se houve uma banda que verdadeiramente mudou o rumo da minha vida, foi essa.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28395\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/blackflag-damaged\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/blackflag-damaged.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"blackflag-damaged\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/blackflag-damaged.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/blackflag-damaged.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28395\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/blackflag-damaged.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/blackflag-damaged.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Rise Above&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/xHR-rzUjCzU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Bob Dylan \u2013 &#8220;The Bootleg Series Vol. 4: Bob Dylan Live 1966, The &#8216;Royal Albert Hall&#8217; Concert&#8221; (1998)<\/strong><br \/>\nMeu artista preferido. O melhor de todos os tempos, se voc\u00ea quiser mesmo saber a minha opini\u00e3o. Se existe algu\u00e9m que faz jus \u00e0 express\u00e3o &#8220;inalcan\u00e7\u00e1vel&#8221;, \u00e9 ele. N\u00e3o consigo me lembrar de outro compositor com um cat\u00e1logo t\u00e3o vasto de t\u00edtulos absolutamente geniais.<\/p>\n<p>Quando eu recebi o convite pra escrever essa coluna, a primeira d\u00favida que me veio \u00e0 cabe\u00e7a foi: &#8220;qual disco do Bob Dylan eu vou escolher?&#8221;. A bem da verdade, eu poderia fazer um texto s\u00f3 sobre os meus prediletos dele: &#8220;Blonde On Blonde&#8221;, &#8220;Modern Times&#8221;, &#8220;Another Side Of Bob Dylan&#8221;, &#8220;Desire&#8221;, &#8220;The Freewhelin&#8230;&#8221;, &#8220;Blood On The Tracks&#8221;, &#8220;Empire Burlesque&#8221;, &#8220;Bringing It All Back Home&#8221;&#8230; Enfim, s\u00e3o muitos, mais de uma dezena. Resolvi escolher um que \u00e9 pouco falado, mas mitol\u00f3gico: o registro do show no Royal Albert Hall em 1966.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio se divide em uma parte ac\u00fastica, em que ele toca sozinho, e outra el\u00e9trica, com a companhia de uma banda. Meu registro preferido de cl\u00e1ssicos como &#8220;Just Like A Woman&#8221;, &#8220;Fourth Time Around&#8221; e &#8220;Desolation Row&#8221; est\u00e3o nesse disco. A parte ac\u00fastica me impressiona pela forma como ele conduz a plat\u00e9ia sem esfor\u00e7o. N\u00e3o se ouve um barulhinho sequer al\u00e9m dos aplausos no fim de cada m\u00fasica. E pros que o acusam de ser um p\u00e9ssimo cantor, aqui temos um excelente prova pra argumentar o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28396\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/bobdylan-theroyalalberthall\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/bobdylan-theroyalalberthall.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"bobdylan-theroyalalberthall\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/bobdylan-theroyalalberthall.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/bobdylan-theroyalalberthall.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28396\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/bobdylan-theroyalalberthall.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/bobdylan-theroyalalberthall.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Baby, Let Me Follow You Down&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/c5dJK2s4B3U\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Velvet Underground \u2013 &#8220;Velvet Underground&#8221; (1969)<\/strong><br \/>\nTarefa das mais dif\u00edceis escolher entre o primeiro e o terceiro disco do VU (com o &#8220;Transformer&#8221;, da carreira solo do principal compositor do grupo, correndo por fora). Embora o \u00e1lbum de estreia tenha uma import\u00e2ncia hist\u00f3rica maior, seja mais influente e contenha a maior parte das m\u00fasicas mais conhecidas da banda (&#8220;Heroin&#8221;, &#8220;I&#8217;ll Be Your Mirror&#8221;, &#8220;Venus In Furs&#8221;, &#8220;Femme Fatale&#8221;), o terceiro sempre me comoveu mais. Tudo nesse disco beira a perfei\u00e7\u00e3o: a grava\u00e7\u00e3o, os timbres, o jeito como o Lou Reed e a Maureen Tucker cantam&#8230; Tudo t\u00e3o quieto e delicado, em oposi\u00e7\u00e3o ao esporro do famigerado &#8220;disco da banana&#8221;. \u00c9 o t\u00edtulo mais profundo da discografia deles, liricamente mais maduro, de uma sensibilidade fora do comum. Talvez o auge da produ\u00e7\u00e3o do Lou Reed (o que, se tratando dele, um dos maiores artistas de todos os tempos, n\u00e3o \u00e9 pouca coisa).<\/p>\n<p>Mesmo j\u00e1 tendo escutado esse \u00e1lbum em milh\u00f5es de oportunidades nos \u00faltimos dez ou quinze anos, existem trechos que ainda acabam comigo toda vez. Por exemplo, &#8220;what do you think I&#8217;d see if I could walk away from me?&#8221;, de &#8220;Candy Says&#8221;; &#8220;Thought of you as my mountain top, thought of you as my peak\/ Thought of you as everything I&#8217;ve had, but couldn&#8217;t keep&#8221;, de &#8220;Pale Blue Eyes&#8221; (uma das can\u00e7\u00f5es mais lindas, mais arrasadoras da hist\u00f3ria); &#8220;Help me in my weakness, &#8216;cause I&#8217;m falling out of grace&#8221;, de &#8220;Jesus&#8221;. Sem mencionar &#8220;After Hours&#8221; e a esperan\u00e7osa confiss\u00e3o de que &#8220;someday I know someone will look into my eyes and say\/ &#8216;hello, you are my very special one'&#8221;. Mesmo o experimentalismo todo de &#8220;Murder Mistery&#8221;, em que uma hist\u00f3ria \u00e9 contada em cada uma das caixas de som, esconde versos inspirad\u00edssimos, de um dos mais talentosos letristas da hist\u00f3ria. Em suma, n\u00e3o h\u00e1 um momento sequer que n\u00e3o seja brilhante.<\/p>\n<p>Assim como quase tudo citado por aqui, esse tamb\u00e9m me ajudou a atravessar momentos dif\u00edceis. E ainda ajuda, pra ser sincero. Um disco de cabeceira, literalmente.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28397\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/vu-thevu-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/vu-thevu.jpg?fit=240%2C240\" data-orig-size=\"240,240\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"vu-thevu\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/vu-thevu.jpg?fit=240%2C240\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/vu-thevu.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28397\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/vu-thevu.jpg?w=240 240w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/vu-thevu.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;After Hours&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/cRrZD6HZAto\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>The Smiths \u2013 &#8220;The Smiths&#8221; (1984)<\/strong><br \/>\nEu tive verdadeira ojeriza ao Morrissey e aos Smiths durante certo tempo. N\u00e3o lembro exatamente quais eram as minhas impress\u00f5es sobre eles na \u00e9poca em que os conheci, ainda muito novo, mas me recordo de n\u00e3o gostar da forma com que o cara cantava e de ter achado o clipe de &#8220;The Boy With The Thorn in His Side&#8221; de uma afeta\u00e7\u00e3o insuport\u00e1vel &#8211; opini\u00f5es que mudariam muito em breve, como voc\u00ea h\u00e1 de perceber.<\/p>\n<p>Comecei a ter outra vis\u00e3o dos Smiths quando eu encontrei uma cifra de &#8220;Hand In Glove&#8221; no est\u00fadio em que eu ensaiava com a minha bandinha do col\u00e9gio &#8211; eu devia ter uns 17 ou 18 anos, carregava comigo todo o radicalismo dos adolescentes que se julgam os donos da verdade. Ainda assim, dei uma olhada no papel com a letra e fiquei atordoado. Eu ainda n\u00e3o conhecia um letrista capaz de escrever t\u00e3o bem daquele jeito. O texto todo era inacredit\u00e1vel. Os trechos &#8220;no, it&#8217;s not like any other love\/ This one is different because it&#8217;s us&#8221; e &#8220;I know my luck too well and I&#8217;ll probably never see you again&#8221; eram exagerados e passionais na medida certa pra pessoa que eu era na \u00e9poca. Me deixaram com a certeza de que eu tinha feito um julgamento terrivelmente equivocado sobre eles at\u00e9 ent\u00e3o, e que eu deveria corrigir isso o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Comprei uma daquelas colet\u00e2neas de singles e pronto: mais uma reviravolta na minha vida.<\/p>\n<p>Embora muitos dos f\u00e3s desdenhem desse \u00e1lbum de estreia por causa da produ\u00e7\u00e3o um pouco mais crua em compara\u00e7\u00e3o com os seguintes, sempre foi o meu preferido. Muitas das minhas composi\u00e7\u00f5es preferidas est\u00e3o l\u00e1: al\u00e9m de &#8220;Hand In Glove&#8221;, &#8220;Still Ill&#8221;, &#8220;What Difference Does It Make?&#8221;, &#8220;You&#8217;ve Got Everything Now&#8221;&#8230; Eu costumo dizer que os Smiths s\u00e3o a \u00fanica banda de quem eu gosto de absolutamente todas as m\u00fasicas. Sendo assim, chega a ser doloroso escolher um s\u00f3 item da discografia. Mas tudo bem, que seja esse.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28398\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/smiths-smiths-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/smiths-smiths.jpg?fit=240%2C240\" data-orig-size=\"240,240\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"smiths-smiths\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/smiths-smiths.jpg?fit=240%2C240\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/smiths-smiths.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28398\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/smiths-smiths.jpg?w=240 240w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/smiths-smiths.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Hand In Glove&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nh2bonnjv70\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Patti Smith \u2013 &#8220;Horses&#8221; (1975)<\/strong><br \/>\nAssim como aconteceu com o Nirvana, eu tamb\u00e9m criei uma rela\u00e7\u00e3o obsessiva com os Smiths quando os conheci. Estudava a fundo a trajet\u00f3ria da banda, os artistas de quem eles diziam gostar, as biografias&#8230; Foi assim que eu descobri que o Morrissey tinha transcrito em seu caderno de escola uma c\u00f3pia da gigantesca letra de &#8220;Piss Factory&#8221;, lado B do primeiro single da Patti Smith. E que &#8220;The Hand That Rocks The Cradle&#8221;, do primeiro disco deles, tinha o instrumental declaradamente chupinhado de &#8220;Kimberly&#8221;, a quinta faixa de &#8220;Horses&#8221; &#8211; uma esp\u00e9cie de homenagem, segundo o Johnny Marr. Com essas informa\u00e7\u00f5es em mente, sabendo que essa era uma refer\u00eancia t\u00e3o determinante pra minha banda do cora\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, fui atr\u00e1s para ver do que se tratava.<\/p>\n<p>Pra n\u00e3o me estender tanto quanto fiz nos t\u00f3picos anteriores, vou apenas dizer que \u00e9 meu disco de rock favorito. Ali\u00e1s, de rock n\u00e3o, porque seria muito reducionista limitar &#8220;Horses&#8221; a uma s\u00f3 categoria. N\u00e3o conhe\u00e7o nada t\u00e3o poderoso, t\u00e3o forte na sua simplicidade, t\u00e3o envolvente&#8230; Chega a ser dif\u00edcil crer que, na segunda vez em que ela entrou em est\u00fadio na vida, j\u00e1 tenha conseguido criar algo t\u00e3o gigantesco. Me sinto at\u00e9 mal em destacar uma ou outra faixa, mas n\u00e3o posso deixar de mencionar o quanto &#8220;Birdland&#8221; foi importante pra mim. Toda a hist\u00f3ria das alucina\u00e7\u00f5es do menino que perde o pai e herda uma fazenda em New England&#8230; E &#8220;Free Money&#8221;, a descri\u00e7\u00e3o de sonhos com o fim dos problemas com dinheiro. E o refr\u00e3o libertador de &#8220;Break It Up&#8221;, assim como a hist\u00f3ria da morte de uma menina que era &#8220;small, an angel, with apple blond hair&#8221; em &#8220;Redondo Beach&#8221;. Enfim, \u00e9 preciso que eu me contenha ao falar de &#8220;Horses&#8221;. O disco da minha vida, sem sombra de d\u00favidas.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28399\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/pattismith-horses\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/pattismith-horses.jpg?fit=240%2C240\" data-orig-size=\"240,240\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"pattismith-horses\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/pattismith-horses.jpg?fit=240%2C240\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/pattismith-horses.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28399\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/pattismith-horses.jpg?w=240 240w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/pattismith-horses.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Birdland&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/OReJIwNVOz4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Rufus Wainwright \u2013 &#8220;Rufus Wainwright&#8221; (1998)<\/strong><br \/>\nTem um caso de que sempre lembro com carinho quando ou\u00e7o esse disco. Na ocasi\u00e3o em que eu o adquiri, comprei esse e o &#8220;Tommy&#8221;. O caixa da loja, meio ranzinza, de uns cinquenta anos e com toda a pinta de roqueiro dono da verdade, analisou as minhas escolhas e disse meio que pra si mesmo: &#8220;t\u00e1 a\u00ed um belo disco&#8221;. Sem olhar pro \u00e1lbum que ele segurava, julguei que ele estava se referindo \u00e0 famosa \u00f3pera-rock do Who. Mas n\u00e3o, ele falava do outro, o primeiro do Rufus Wainwright.<\/p>\n<p>Um dos m\u00fasicos mais assustadoramente talentosos que eu conhe\u00e7o. A versatilidade, a destreza musical e o poder da voz dele ainda me deixam boquiaberto. \u00c9 incr\u00edvel tamb\u00e9m como j\u00e1 em seu primeiro trabalho ele demonstrava ser um compositor bem acima da m\u00e9dia: &#8220;Danny Boy&#8221;, &#8220;Beauty Mark&#8221;, a suavidade de &#8220;Baby&#8221; (&#8220;nothing so bright, nothing so pure, nothing so smooth as my baby&#8221; um dos muitos belos momentos espalhados pelo \u00e1lbum &#8211; esse e &#8220;crazy me don&#8217;t think there is pain in Barcelona&#8221;, de &#8220;Barcelona&#8221;, ent\u00e3o entre meus prediletos). As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e de andamento em &#8220;Foolish Love&#8221; causaram uma enorme impress\u00e3o em mim tamb\u00e9m. As melodias dele s\u00e3o t\u00e3o ricas que acabaram me influenciando bastante numa \u00e9poca em que eu busquei come\u00e7ar a escrever linhas de voz um pouco mais mel\u00f3dicas pras minhas m\u00fasicas. Nunca consegui chegar perto dele, obviamente, mas ainda assim foi uma descoberta muito importante e que expandiu razoavelmente meu leque de refer\u00eancias.<\/p>\n<p>Fiquei bem indeciso entre esse disco e o sucessor, &#8220;Poses&#8221;. Fiz minha op\u00e7\u00e3o puramente por mem\u00f3ria afetiva, qualquer um dos dois cairia muito bem na lista.<\/p>\n<p>Ah, ainda sobre o Rufus Wainwright, s\u00f3 mais uma coisa: eu realmente acredito que a vers\u00e3o dele pra &#8220;Hallelujah&#8221;, do Leonard Cohen, \u00e9 melhor que a do Jeff Buckley. S\u00f3 que at\u00e9 hoje n\u00e3o encontrei uma s\u00f3 pessoa que concorde comigo, de forma que sempre fico em minoria quando surge tal discuss\u00e3o. Se houver algu\u00e9m a\u00ed que compartilhe da minha opini\u00e3o, ponha-me a par.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28409\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/rufuswainwright-rw\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/rufuswainwright-rw.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"rufuswainwright-rw\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/rufuswainwright-rw.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/rufuswainwright-rw.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28409\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/rufuswainwright-rw.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/rufuswainwright-rw.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Foolish Love&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Q-vOJTbM9A\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Maysa \u2013 &#8220;Maysa&#8221; (1964)<\/strong><br \/>\nDescobri esse disco completamente por acaso. No fim dos anos 90, se n\u00e3o me engano, houve uma reedi\u00e7\u00e3o em CD de consider\u00e1vel parte do cat\u00e1logo da Elenco. Lembro da minha m\u00e3e ter comprado v\u00e1rios deles, e nessa aquisi\u00e7\u00e3o estava o &#8220;Ao vivo&#8221; da Maysa. Como eu sempre costumava dar uma olhada na cole\u00e7\u00e3o dela, acabei p descobrindo. E na primeira audi\u00e7\u00e3o j\u00e1 deu para perceber o quanto ela era diferente da t\u00edpica imagem que se faz de &#8220;cantoras de MPB&#8221;.<\/p>\n<p>Embora eu tenha citado anteriormente nessa lista o <em>bootleg<\/em> do Bob Dylan, n\u00e3o sou um grande apreciador de discos ao vivo. A bem da verdade, consigo pensar em poucos de que realmente gosto: o &#8220;Live At Leeds&#8221;, do Who, o &#8220;At Fillmore East&#8221; do Allman Brothers Band&#8230; N\u00e3o s\u00e3o muitos. Mas esse \u00e9 uma obra de arte. Se esse mesmo repert\u00f3rio tivesse sido gravado em est\u00fadio, n\u00e3o teria um d\u00e9cimo da mesma for\u00e7a.<\/p>\n<p>Pelo que eu me lembro da biografia dela escrita pelo Lira Neto, o show no Canec\u00e3o que deu origem a esse registro aconteceu num momento bem problem\u00e1tico da carreira da cantora (<em>N.E.: segundo a Wikipedia, &#8220;o \u00e1lbum foi gravado ao vivo em 1963 no show na boate carioca Au Bon Gourmet e dirigido por Aloysio de Oliveira&#8221;<\/em>). Foi uma tentativa de ressurgimento, de retomada da carreira ou algo do g\u00eanero. E voc\u00ea pode sentir essa gana em cada nota que ela canta. Poucas vezes ouvi algu\u00e9m cantando com tanto sentimento, de maneira t\u00e3o devastadora, colocando tanto de si nas m\u00fasicas. E a banda que a acompanha faz a sua parte com maestria, tudo na medida certa, de uma delicadeza e bom gosto fora do comum.<\/p>\n<p>&#8220;Maysa&#8221;, o disco, foi um dos respons\u00e1veis por me aproximar da m\u00fasica brasileira mais antiga, que precedeu as bandas nacionais de rock. &#8220;Por Causa de Voc\u00ea&#8221;, &#8220;Dindi&#8221;, &#8220;Bom Dia, Tristeza&#8221; ganharam aqui releituras matadoras. A interpreta\u00e7\u00e3o de &#8220;Demais&#8221; que abre o repert\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 nada menos que perfeita. A vers\u00e3o definitiva, uma das m\u00fasicas da minha vida. Eu conservo o sonho de um dia poder fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o baseada unicamente nesse \u00e1lbum. Tocar todas as m\u00fasicas, na ordem, respeitando os arranjos originais. Ainda conseguirei realizar essa vontade.<\/p>\n<p>O disco tem menos de trinta minutos de dura\u00e7\u00e3o. \u00c9 um soco. N\u00e3o fosse a erudi\u00e7\u00e3o musical toda e as performances irrepar\u00e1veis, eu cometeria a heresia de dizer que temos aqui algo t\u00e3o violento quanto um bom disco de <em>punk rock<\/em>. Mas n\u00e3o o farei, at\u00e9 porque o impacto emocional do neg\u00f3cio vai muito al\u00e9m disso. Ainda que n\u00e3o seja apropriado pra todos os momentos (uma dica: evite ouvi-lo se estiver passando por problemas afetivos &#8211; a n\u00e3o ser que a ideia seja realmente se afundar na fossa), temos aqui uma incontest\u00e1vel obra-prima.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28401\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/maysa-maysa1964\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/maysa-maysa1964.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"maysa-maysa1964\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/maysa-maysa1964.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/maysa-maysa1964.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28401\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/maysa-maysa1964.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/maysa-maysa1964.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a: &#8220;Fim Da Noite&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/gHVjPPkpvMk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Joni Mitchell &#8211; &#8220;Blue&#8221; (1971)<\/strong><br \/>\n&#8220;Go to him, stay with him if you can, but be prepared to bleed&#8221;. Esses versos de &#8220;A Case Of You&#8221; foram a minha inicia\u00e7\u00e3o no universo de &#8220;Blue&#8221;. Algu\u00e9m me fez essa cita\u00e7\u00e3o numa carta (no saudoso tempo em que as pessoas ainda costumavam trocar cartas) e, antes mesmo de ouvir a inacredit\u00e1vel voz que os canta, eu j\u00e1 sabia que se tratava de algo especial. Por\u00e9m, s\u00f3 fui dar a devida aten\u00e7\u00e3o a essa obra-prima alguns anos depois, quando um amigo me recomendou com tanta convic\u00e7\u00e3o que eu simplesmente n\u00e3o pude mais ignorar.<\/p>\n<p>Como em outros casos citados anteriormente, &#8220;Blue&#8221; me apareceu na hora certa. Sem d\u00favidas, foi um dos discos que mais influenciaram a mudan\u00e7a de sonoridade pela qual eu passei no decorrer da minha trajet\u00f3ria. Faltam palavras pra descrever o que a Joni Mitchell conseguiu nesse disco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da unidade musical da coisa toda e das letras maravilhosas (&#8220;I&#8217;m so hard to handle\/ I&#8217;m selfish and I&#8217;m sad\/ Now I have gone and lost the best baby that I ever had\/ Oh, I wish I had a river I could skate away on&#8221;, pra citar apenas um curto trecho de &#8220;River&#8221;), o disco traz a melhor performance de uma cantora de que eu consigo me lembrar. Vai al\u00e9m do que \u00e9 humanamente poss\u00edvel, chega a ser revoltante que algu\u00e9m consiga mesmo fazer aquilo tudo e ainda soar t\u00e3o natural. Al\u00e9m disso, \u00e9 um \u00e1lbum recheado de verdadeiros cl\u00e1ssicos: al\u00e9m das j\u00e1 citadas &#8220;A Case of You&#8221; e &#8220;River&#8221;, temos tamb\u00e9m nada menos que &#8220;Blue&#8221;, &#8220;Little Green&#8221; e &#8220;The Last Time I Saw Richard&#8221;. Resumindo uma longa hist\u00f3ria, n\u00e3o existe nada compar\u00e1vel a &#8220;Blue&#8221;.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28403\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/jonimitchell-blue\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jonimitchell-blue.jpg?fit=301%2C300\" data-orig-size=\"301,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"jonimitchell-blue\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jonimitchell-blue.jpg?fit=301%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jonimitchell-blue.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28403\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jonimitchell-blue.jpg?w=301 301w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jonimitchell-blue.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jonimitchell-blue.jpg?resize=300%2C299 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;A Case of You&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/0YuaZcylk_o\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Bright Eyes &#8211; &#8220;I&#8217;m Wide Awake, It&#8217;s Morning&#8221; (2005)<\/strong><br \/>\nEnfim, um representante do atual mil\u00eanio entre os meus preferidos. Me senti na obriga\u00e7\u00e3o de mencionar pelo menos um t\u00edtulo com menos de dez anos desde o seu lan\u00e7amento pra que essa lista n\u00e3o tivesse um ar &#8220;classic rock&#8221; demais. Fiquei na d\u00favida entre o &#8220;Father, Son, Holy Ghost&#8221;, do Girls, o &#8220;The 59&#8242; Sound&#8221;, do Gaslight Anthem, o &#8220;Bows and Arrows&#8221;, do Walkmen, a estreia do Fleet Foxes, o &#8220;Funeral&#8221;, do Arcade Fire&#8230; Todos excelentes trabalhos, que refor\u00e7aram minha f\u00e9 na inventividade das bandas de rock de hoje em dia e na longevidade do g\u00eanero. Por\u00e9m, nenhum dos citados teve tanto significado para mim quanto &#8220;I&#8217;m Wide Awake, It&#8217;s Morning&#8221;.<\/p>\n<p>Sinceramente, eu invejo qualquer jovem que ainda desconhe\u00e7a a obra do Conor Oberst. O choque do primeiro contato com m\u00fasicas como &#8220;Lua&#8221;, &#8220;First Day Of My Life&#8221;, &#8220;At The Bottom of Everything&#8221; e &#8220;Land Locked Blues&#8221;, pra citar apenas faixas desse disco, \u00e9 desses acontecimentos capazes de devolver a qualquer um o amor pela m\u00fasica. Se voc\u00ea tem entre 18 e 30 anos e gosta dos artistas citados anteriormente (especialmente dos Smiths), corra atr\u00e1s de qualquer um dos discos do Bright Eyes ou de outro dos projetos do rapaz. Muito j\u00e1 se falou sobre ele ser a voz da sua gera\u00e7\u00e3o, sobre ele ser um poss\u00edvel novo Dylan e coisas assim &#8211; o que o torna uma figura no m\u00ednimo controversa, sem d\u00favida, mas que tamb\u00e9m demonstra a imensid\u00e3o do seu poder com as palavras.<\/p>\n<p>H\u00e1 um qu\u00ea de caseiro na produ\u00e7\u00e3o que d\u00e1 um charme todo especial \u00e0 grava\u00e7\u00e3o. Mais do que isso, esse aparente desleixo legitimiza as geniais letras que Conor Oberst canta com sua voz oscilante e tr\u00eamula, como a de algu\u00e9m fazendo dolorosas confiss\u00f5es momentos antes de ceder ao choro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil pin\u00e7ar um ou outro verso para demonstrar o qu\u00e3o bom letrista \u00e9 Oberst. Para ilustrar esses elogios com dois exemplos menos \u00f3bvios, fico com &#8220;in the ear of every anarchist that sleeps but doesn&#8217;t dream\/ we must sing, we must sing, we must sing&#8221;, da faixa de abertura, e &#8220;I could have been a famous singer\/ if I had someone else&#8217;s voice&#8221;, de &#8220;Road To Joy&#8221;. Um pequeno grande disco.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28404\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/brighteyes-imwideawake\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/brighteyes-imwideawake.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"brighteyes-imwideawake\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/brighteyes-imwideawake.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/brighteyes-imwideawake.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28404\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/brighteyes-imwideawake.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/brighteyes-imwideawake.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Road To Joy&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/37r9aqTxhBQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>The Replacements &#8211; &#8220;Let It Be&#8221; (1984)<\/strong><br \/>\nDeixei para o fim o item mais complicado de ser comentado. Meu fasc\u00ednio pelo &#8220;Let It Be&#8221; \u00e9 t\u00e3o grande que eu nem sei por onde come\u00e7ar. Na \u00e9poca do Ludovic, minha antiga banda, eu costumava me concentrar pros shows ouvindo &#8220;I Will Dare&#8221; incont\u00e1veis vezes seguidas antes de subir ao palco. Talvez a\u00ed esteja um bom jeito de iniciar a conversa.<\/p>\n<p>&#8220;Let it Be&#8221; possui uma m\u00edstica pr\u00f3pria. A ic\u00f4nica imagem da capa, as in\u00fameras hist\u00f3rias envolvendo as grava\u00e7\u00f5es, o inexplic\u00e1vel elo entre m\u00fasicas de sonoridades e registros t\u00e3o diferentes, o fato de eles terem escolhido esse t\u00edtulo apenas pra provocar o empres\u00e1rio beatleman\u00edaco da banda, sob o argumento de que eles conseguiriam fazer um disco melhor do que o hom\u00f4nimo dos Beatles&#8230; Assim como tudo que envolve os Replacements, h\u00e1 uma s\u00e9rie de lendas em volta desse \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Ainda assim, o disco n\u00e3o precisaria de nada al\u00e9m das suas onze faixas pra entrar para a hist\u00f3ria. Me recordo de uma resenha que saiu na ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento das edi\u00e7\u00f5es de luxo da discografia do Replacements, em que o cara argumentava que a perfei\u00e7\u00e3o de &#8220;Let It Be&#8221; se constr\u00f3i mesmo nos seus pontos fracos e nas escolhas question\u00e1veis de seu repert\u00f3rio. Faz muito sentido. \u00c9 como se, pra balancear os v\u00e1rios momentos tocantes do disco, era preciso ter outros puramente provocativos como &#8220;Gary&#8217;s Got A Boner&#8221; e o \u00e9brio cover de &#8220;Black Diamond&#8221;, do Kiss &#8211; afinal, estamos falando de uma banda que era conhecida por seguir um caminho de auto-sabotagem, pela reputa\u00e7\u00e3o de b\u00eabados inconsequentes e metidos a mach\u00f5es. Seria de se estranhar um disco totalmente &#8220;maduro&#8221;, apenas de baladas e confiss\u00f5es de fragilidade.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, quando o Paul Westerberg acerta, n\u00e3o d\u00e1 pra ficar imune. E ele acerta a m\u00e3o em quase todo o disco. Al\u00e9m da poderos\u00edssima &#8220;I Will Dare&#8221; (com direito a solo de Peter Buck, do R.E.M., e a ironia perturbadora de &#8220;How smart Are You? How Dumb Am I?&#8221;), temos aqui outras composi\u00e7\u00f5es fora de s\u00e9rie. &#8220;Sixteen Blue&#8221;, pra mim, \u00e9 a melhor produ\u00e7\u00e3o entre tudo que se convencionou chamar de &#8220;alt-country&#8221; (as frases de guitarra do Bob Stinson s\u00e3o simplesmente fenomenais); &#8220;Unsatisfied&#8221; \u00e9 de uma beleza desesperadora; o piano tocado de maneira genialmente displicente em &#8220;Androgynous&#8221; \u00e9 capaz de conquistar qualquer um com sua do\u00e7ura e espontaneidade. Isso sem mencionar a esquizofr\u00eanica mudan\u00e7a de tempo em &#8220;We&#8217;re Comin&#8217; Out&#8221;, que transforma a base de um hardcore violent\u00edssimo em uma esp\u00e9cie de improviso jazz\u00edstico, e o espetacular riff da segunda metade de &#8220;Seen Your Video&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Let It Be&#8221; termina com &#8220;Answering Machine&#8221;, em que Westerberg ilustra perfeitamente o isolamento descrito na letra ao tocar a m\u00fasica por conta pr\u00f3pria. S\u00f3 ele, sua guitarra distorcida, uma discreta percuss\u00e3o, alguns efeitos e toda a solid\u00e3o do mundo na sua voz. &#8220;How do you say I miss you to an answering machine? How do you say &#8216;I&#8217;m lonely&#8217; to an answering machine?&#8221;, ele pergunta pela \u00faltima vez depois de ilustrar sua frustra\u00e7\u00e3o em &#8220;try to free a slave from ignorance\/ try and teach a whore about romance&#8221;, frases t\u00edpicas de um b\u00eabado angustiado e desiludido.<\/p>\n<p>Est\u00e1 pra nascer uma banda mais encantadora do que os Replacements. E &#8220;Let It Be&#8221; \u00e9 o auge dessa hist\u00f3ria t\u00e3o rica, t\u00e3o misteriosa, t\u00e3o paradoxalmente divertida e triste.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"28405\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-jair-naves\/replacements-letitbe\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/replacements-letitbe.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"replacements-letitbe\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/replacements-letitbe.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/replacements-letitbe.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"\" title=\"\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-28405\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/replacements-letitbe.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/replacements-letitbe.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;I Will Dare&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/0cjVMOvJywk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-lupe-de-lupe\/\" target=\"_blank\">&#8220;Os Discos da Vida: Lupe De Lupe&#8221;<\/a>.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-dramon\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: DRAMON\">OS DISCOS DA VIDA: DRAMON<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-jair-naves-de-arder\/\" title=\"V\u00cdDEO: JAIR NAVES &#8211; DE ARDER\">V\u00cdDEO: JAIR NAVES &#8211; DE ARDER<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/jair-naves-ofuscante-a-beleza-que-eu-vejo\/\" title=\"JAIR NAVES &#8211; OFUSCANTE A BELEZA QUE EU VEJO\">JAIR NAVES &#8211; OFUSCANTE A BELEZA QUE EU VEJO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-jair-naves-breu\/\" title=\"V\u00cdDEO: JAIR NAVES &#8211; BREU\">V\u00cdDEO: JAIR NAVES &#8211; BREU<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-clandestinas\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS\">OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel rastrear a personalidade das pessoas pelas m\u00fasicas que ela ouve? 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