{"id":29551,"date":"2012-12-10T17:52:30","date_gmt":"2012-12-10T19:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=29551"},"modified":"2012-12-14T20:49:26","modified_gmt":"2012-12-14T22:49:26","slug":"resenha-sobre-a-maquina-sobre-a-maquina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-sobre-a-maquina-sobre-a-maquina\/","title":{"rendered":"RESENHA: SOBRE A M\u00c1QUINA &#8211; SOBRE A M\u00c1QUINA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"29552\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-sobre-a-maquina-sobre-a-maquina\/sobreamaquina-capa-sam\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sobreamaquina-capa-sam.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sobreamaquina-capa-sam\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sobreamaquina-capa-sam.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sobreamaquina-capa-sam.jpg?resize=540%2C540\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-29552\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sobreamaquina-capa-sam.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sobreamaquina-capa-sam.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sobreamaquina-capa-sam.jpg?resize=300%2C300 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>O QUE DIFERENCIA OS MENINOS DOS HOMENS<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 m\u00fasicas experimentais e m\u00fasicas experimentais. \u00c9 preciso dividir o que \u00e9 bom e o que \u00e9 ruim. O mesmo vale, claro, pra qualquer tipo de m\u00fasica, como <em>jazz<\/em>, inclusive o jazz livre, ou <em>free jazz<\/em>, mas no caso do experimental, por ser m\u00fasica &#8220;fora do padr\u00e3o&#8221;, \u00e9 mais f\u00e1cil se deparar com algum embuste.<\/p>\n<p>Vale a observa\u00e7\u00e3o acima por conta do que se ouve nesse terceiro disco do Sobre A M\u00e1quina, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/sobre-a-maquina-sobre-a-maquina\/\" target=\"_blank\">auto-intitulado<\/a>. H\u00e1 nele experimenta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 <em>jazz<\/em>, <em>free jazz<\/em>, samba, eletr\u00f4nico, mas os r\u00f3tulos n\u00e3o importam. O que vale \u00e9 saber separar o que \u00e9 ousado do que n\u00e3o \u00e9, o que &#8220;parece ser&#8221; do que &#8220;efetivamente \u00e9&#8221;. Porque \u00e9 disso que se trata &#8220;Sobre A M\u00e1quina&#8221;, o disco.<\/p>\n<p>Quem gostou do <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/sobre-a-maquina-areia\/\" target=\"_blank\">&#8220;Areia&#8221;<\/a>, disca\u00e7o anterior, poder\u00e1 se surpreender aqui. N\u00e3o que a banda, agora um quarteto, com a adi\u00e7\u00e3o oficial do saxofonista russo Alexander Zhemchuzhnikov, tenha recorrido ao experimentalismo extremo, mas h\u00e1 nesse disco uma diferencia\u00e7\u00e3o absurda com os anteriores. A come\u00e7ar pelo formato, oito faixas, mais de uma hora de dura\u00e7\u00e3o. Mas principalmente pelo uso dos sil\u00eancios.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito sil\u00eancio no disco. O sil\u00eancio que pontua os esporros, os improvisos, os <em>loopings<\/em>, as sequ\u00eancias de Zhemchuzhnikov. Como o mestre John Cage havia ensinado, s\u00e3o os sil\u00eancios que destacam os sons incidentais ou os improvisos ou os barulhos. O Sobre A M\u00e1quina percebeu isso e trabalhou a l\u00f3gica a seu favor.<\/p>\n<p>Eis que temos logo na abertura, com &#8220;Dia&#8221;, uma s\u00e9rie de ru\u00eddos, experimenta\u00e7\u00f5es e passagens por <em>jazz<\/em> livre, como uma prova de fogo pro ouvinte. \u00c0s vezes, os instrumentos concorrem, outras vezes ouvimos uma batida <em>a la<\/em> samba &#8211; mas que a banda dir\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 samba &#8211; outras vezes uma guitarra processada suplicante. Mas h\u00e1 muito sil\u00eancio no recheio.<\/p>\n<p>Quando chega &#8220;Oito&#8221;, a faixa mais acess\u00edvel do disco, o ouvinte tende a achar que compreendeu tudo &#8211; \u00e9 a mais pr\u00f3xima a tudo que a banda mostrou no disco anterior. Por\u00e9m, ela precisa acabar pra que se tenha a no\u00e7\u00e3o que esse disco, enfim, diferencia os meninos dos homens.<\/p>\n<p>Mesmo em tom de gracejo, \u00e9 uma verdade. &#8220;Dentro&#8221;, cheia de grava\u00e7\u00f5es de campo, em fita cassete, captadas em trajetos de \u00f4nibus e metr\u00f4 e processadas em computador, com adi\u00e7\u00e3o de sax, guitarra e baixo, temos o que se pode chamar de <em>jazz<\/em> livre intenso. \u00c9 mais uma vez a hist\u00f3ria da separa\u00e7\u00e3o. &#8220;Dentro&#8221; est\u00e1 mais pra um exerc\u00edcio jazz\u00edstico que caberia num filme de Otto Preminger, cheio de tens\u00e3o, do que num filme alegre de Woody Allen.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a o disco na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F2884535\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Corredor&#8221; \u00e9 o que a banda chama de &#8220;m\u00fasica eletr\u00f4nica humana&#8221;, uma obra experimental que trabalha menos com o sil\u00eancio e mais com a provoca\u00e7\u00e3o. Embora pesada, parece uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 sombria &#8220;V\u00e3o&#8221; (Orson Welles teria adorado usar o in\u00edcio da can\u00e7\u00e3o em seu &#8220;Guerra Dos Mundos&#8221;). A banda usa ventiladores e grades, com microfones captando o sons do contato e sendo processados depois. O sax junta tudo. &#8220;V\u00e3o&#8221; \u00e9 pesada, mas curiosamente, \u00e9 uma das que melhor trabalha o sil\u00eancio antes do esporro. E h\u00e1 um baita esporro no final &#8211; \u00e9 bom estar preparado.<\/p>\n<p>Se seus ouvidos ainda estiverem em bom estado, come\u00e7a a graciosa &#8220;Pulso&#8221;, com seus <em>samplers<\/em> engra\u00e7ados. \u00c9 o tipo de piada que ouvida v\u00e1rias vezes causa ainda mais gra\u00e7a. O sistema de colagens funciona perfeitamente como descanso. Porque na sequ\u00eancia tem a loucura experimental de &#8220;Um&#8221;, com capta\u00e7\u00e3o de garrafas pl\u00e1sticas, bicicletas, um violino etc. \u00c9 a experi\u00eancia de Cage na ess\u00eancia: o sil\u00eancio como espa\u00e7o pra voc\u00ea descobrir sons, tonalidades, experi\u00eancias musicais no dia a dia. \u00c9 a mais n\u00e3o-m\u00fasica do disco. Nem mesmo os mais de vinte um minutos de &#8220;\u00c1rvore&#8221;, com suas pinceladas &#8220;orientais&#8221;, consegue efeito t\u00e3o intenso.<\/p>\n<p>O Sobre A M\u00e1quina evoluiu sua m\u00fasica experimental nesse sentido de fazer mais com menos. N\u00e3o \u00e9 preciso implodir ou destruir o mundo, fazer barulho, mas descobrir os espa\u00e7os vazios. Essa \u00e9 a li\u00e7\u00e3o que aprendemos desde o come\u00e7o do s\u00e9culo passado na m\u00fasica torta e \u00e9 o que separa o experimental ruim do experimental bom: o equil\u00edbrio entre o que choca e o que acalenta.<\/p>\n<p>Atingir esse equil\u00edbrio \u00e9 fruto da sabedoria adquirida por uma boa bagagem cultural e por alguns anos de experi\u00eancia (n\u00e3o tem nada a ver com idade) &#8211; e \u00e9 a experi\u00eancia e a sapi\u00eancia de usar o que se aprendeu que diferencia os meninos dos homens, n\u00e3o s\u00f3 a ousadia. Isso a banda aprendeu e &#8220;Sobre A M\u00e1quina&#8221; \u00e9 a obra que traduz com louvor o conceito.<\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 4 de dezembro de 2012<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 87 minutos e 51 segundos<br \/>\nSelo: Sinewave<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Cadu Ten\u00f3rio e Emygdio Costa<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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