{"id":32325,"date":"2013-05-26T16:54:56","date_gmt":"2013-05-26T19:54:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=32325"},"modified":"2013-10-25T01:34:05","modified_gmt":"2013-10-25T03:34:05","slug":"pense-ou-dance-o-problema-do-meio-termo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-problema-do-meio-termo\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: O PROBLEMA DO MEIO-TERMO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32326\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-problema-do-meio-termo\/penseoudance31\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/penseoudance31.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance31\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/penseoudance31.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/penseoudance31.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32326\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/penseoudance31.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/penseoudance31.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 uma hist\u00f3ria antiga, que as vov\u00f3s costumam contar pros filhos e netos e bisnetos, sobre a for\u00e7a das &#8220;tenta\u00e7\u00f5es&#8221;. Na f\u00e1bula, havia um rapaz que estava em cima de um muro; de um lado, o diabo e todas aquelas tenta\u00e7\u00f5es; do outro, deus e os anjos. O lado de deus chamava sem parar o rapaz pra que ele descesse pro seu lado. O lado do diabo seguia em sil\u00eancio, s\u00f3 olhando pro rapaz.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia de deus e o sil\u00eancio do diabo causaram espanto ao rapaz, que sempre ouviu dizer que deus tinha m\u00e9todos sutis de atra\u00e7\u00e3o, e o diabo era mais espalhafatoso, esfregando as tais tenta\u00e7\u00f5es na cara. Resolveu, ent\u00e3o, indagar o diabo: &#8220;por que o lado de deus est\u00e1 insistindo pra que eu v\u00e1 pra l\u00e1 e vosso lado est\u00e1 quieto, dando de ombros pra mim, aqui, em cima do muro?&#8221;. O diabo, bocejante, responde: &#8220;voc\u00ea est\u00e1 em cima do muro e quem est\u00e1 em cima do muro j\u00e1 \u00e9 meu&#8221;.<\/p>\n<p>As vov\u00f3s terminavam dizendo que n\u00e3o existe meio-termo. Ou se est\u00e1 do lado de deus ou se est\u00e1 do lado do diabo. Quem n\u00e3o est\u00e1 com deus, est\u00e1 com o diabo. Estar em cima do muro \u00e9 n\u00e3o estar com deus, logo&#8230; E sempre completavam: &#8220;se voc\u00ea ficar em cima do muro, voc\u00ea j\u00e1 tomou uma decis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma certa verdade nisso, quanto a &#8220;ficar em cima do muro&#8221;. Ficar ali, alheio aos dois lados, \u00e9 tomar uma decis\u00e3o, e normalmente uma decis\u00e3o covarde, por isen\u00e7\u00e3o. Tomar partido \u00e9 uma necessidade pra formatar o car\u00e1ter, mas a quest\u00e3o \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o precisa escolher um dos DOIS lados, porque n\u00e3o h\u00e1 de fato apenas DOIS lados.<\/p>\n<p>Mas o homem comum sempre foi do oito ou oitenta. Por comum, entenda aquele que se apega a um dos lados por pregui\u00e7a de pensar. A coisa vem se agravando: hoje, ao que parece, vivemos na era do oito ou oitenta. Ou somos a favor de uma coisa ou somos anti-essa coisa. N\u00e3o h\u00e1 meio-termo e o meio-termo n\u00e3o quer dizer exatamente que voc\u00ea est\u00e1 &#8220;em cima do muro&#8221;.<\/p>\n<p>Peguemos o caso t\u00edpico da pol\u00edtica nacional atual. Somos PT ou anti-PT, somos PSDB ou anti-PSDB; somos rea\u00e7as ou somos comunistas-petralhas, ladr\u00f5es-petralhas. N\u00e3o h\u00e1 petista bom, s\u00f3 petista bandido. Ou s\u00f3 h\u00e1 petista \u00edntegro, n\u00e3o h\u00e1 petista com desvio de conduta. A imprensa ou \u00e9 pr\u00f3-governo ou \u00e9 golpista. N\u00e3o h\u00e1 peessedebista liberal, todos s\u00e3o rea\u00e7as. Ou s\u00f3 h\u00e1 peessedebista moderno, prafrentex, n\u00e3o h\u00e1 nenhum bandido. Ou voc\u00ea \u00e9 contra ou voc\u00ea \u00e9 a favor.<\/p>\n<p>Dificilmente um petista dar\u00e1 o bra\u00e7o a torcer de que a estabilidade econ\u00f4mica conseguida a partir de 1994 se deveu a um plano peessedebista. E nenhum peessedebista (ou anti-petista) admitir\u00e1, em hip\u00f3tese alguma, que a roubalheira da \u00e9poca das privatiza\u00e7\u00f5es foi um esc\u00e2ndalo pior do que o Mensal\u00e3o. Bandido \u00e9 bandido de qualquer maneira, roubando um centavo ou trinta dinheiros. Corrupto \u00e9 corrupto na mesma medida que desvia dinheiro p\u00fablico ou que molha a m\u00e3o do guarda pra escapar da multa. Mas, \u00e9 claro, h\u00e1 nuances entre os crimes, de modo que assassinar, estuprar e esquartejar um corpo \u00e9 totalmente mais grave do que atropelar uma pessoa.<\/p>\n<p>Isso a gente sabe, mas por que a gente n\u00e3o coloca em pr\u00e1tica a l\u00f3gica? \u00c9 dif\u00edcil admitir que um governo petista faz algum bem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 economia? \u00c9 muito duro um petista admitir que um governo peessedebista tem muitos acertos sociais?<\/p>\n<p>Por algum motivo, n\u00e3o conseguimos lidar com as nuances entre os extremos. E isso esbarra diretamente na cr\u00edtica musical (e cultural, no geral).<\/p>\n<p>At\u00e9 bem pouco tempo, apenas os f\u00e3s, cegos pela adora\u00e7\u00e3o incondicional e est\u00fapida, n\u00e3o enxergavam os trope\u00e7os de seus \u00eddolos. Os trabalhos desses \u00eddolos sempre mereciam nota m\u00e1xima. Mas a coisa est\u00e1 infectando tamb\u00e9m a cr\u00edtica musical.<\/p>\n<p>Com uma certa frequ\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel ler resenhas que d\u00e3o nota dez a discos rec\u00e9m-lan\u00e7ados, o que se leva a crer que n\u00e3o h\u00e1 nada, absolutamente nada, de ruim naquela obra. \u00c9 uma obra-prima, intoc\u00e1vel, acima de qualquer discuss\u00e3o. Na outra ponta, dar um zero \u00e0 obra induz a imaginar que aquele lixo em forma de m\u00fasica n\u00e3o tem uma simples passagem que se salve. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Ficar em cima do muro e n\u00e3o bater forte em qualquer obra \u00e9 o pior que um resenhista pode fazer, mas o erro se agrava quando ele pregui\u00e7osamente n\u00e3o se at\u00e9m nas nuances entre os extremos.<\/p>\n<p>Talvez a prefer\u00eancia pelos extremos se d\u00ea por conta da dificuldade ou pregui\u00e7a da an\u00e1lise mais profunda. Nada \u00e9 t\u00e3o ruim que mere\u00e7a um zero ou t\u00e3o bom que, de cara, mere\u00e7a um dez. O tempo ajuda, mas quando o tempo n\u00e3o est\u00e1 a favor do cr\u00edtico ou do analista, d\u00e1 um trabalho danado esmiu\u00e7ar a obra pra identificar as nuances. Encontrar o meio-termo exato \u00e9 um tro\u00e7o trabalhoso.<\/p>\n<p>Na outra ponta, h\u00e1 o problema do leitor &#8211; de interpreta\u00e7\u00e3o de texto, na maioria das vezes. O leitor atual tem dificuldades de entender exatamente o que o cr\u00edtico que dizer. O leitor busca os extremos: teria o resenhista gostado ou odiado a obra? N\u00e3o passa pela cabe\u00e7a do leitor que o resenhista pode ter &#8220;gostado com ressalvas&#8221; ou &#8220;achado ruim com ressalvas&#8221;. Gostar ou odiar s\u00e3o as duas \u00fanicas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-atoms-for-peace-amok\/\" target=\"_blank\">resenha sobre o disco do Atoms For Peace, &#8220;AMOK&#8221;<\/a>, h\u00e1 um trecho em que se l\u00ea &#8220;que o disco \u00e9 mais divertido do que &#8216;The Eraser&#8217;, ou at\u00e9 mesmo do que o &#8216;pra baixo&#8217;, dif\u00edcil e experimental &#8216;The King Of Limbs'&#8221;. Curiosamente, n\u00e3o foram poucos os fanzocas do Radiohead que vieram cobrar os motivos pelos quais o texto fala &#8220;que o &#8216;The King Of Limbs&#8217; \u00e9 ruim&#8221;. Rasgaram a resenha inteira e se deteram nesse pequeno trecho em que confundiram &#8220;&#8216;pra baixo&#8217; (entre aspas, ainda por cima), dif\u00edcil e experimental&#8221; com &#8220;ruim&#8221;.<\/p>\n<p>O disco ganhou uma nota sete, taxado como &#8220;bom&#8221;, mesmo que o texto se esforce em ver o lado ruim da obra, quando ela se aproxima demais da obra solo de Thom Yorke. Mas os detratores do texto n\u00e3o perceberam isso. Pra eles, ficou dif\u00edcil identificar se o texto acha o disco &#8220;bom&#8221; ou &#8220;ruim&#8221;, enquanto a ideia \u00e9 dizer que o disco \u00e9 &#8220;bom com algumas ressalvas&#8221;.<\/p>\n<p>E sempre haver\u00e1 ressalvas. Vale lembrar da magn\u00edfica propaganda da Folha de S\u00e3o Paulo, cujo mote era: &#8220;\u00e9 poss\u00edvel contar um monte de mentiras dizendo s\u00f3 a verdade&#8221;.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/6t0SK9qPK8M\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Hitler \u00e9 o sin\u00f4nimo do mal, mas ele fez tudo isso de bom que foi elencado na propaganda. O problema \u00e9 que ele fez tudo isso e matou milh\u00f5es de pessoas em campos de exterm\u00ednio. Parece \u00f3bvio que seus malef\u00edcios pra humanidade superam quaisquer benesses que tenha imputado ao curr\u00edculo. Mas s\u00e3o nuances da sua obra.<\/p>\n<p>Maluf carrega consigo o famoso slogan &#8220;rouba mas faz&#8221;. As pessoas atribuem a ressalva &#8220;mas faz&#8221; pra atenuar o &#8220;rouba&#8221;. Ou seja, Maluf \u00e9 um pulha, ladr\u00e3o, mas sempre devolve algo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que deseja ver nele um &#8220;mal necess\u00e1rio&#8221; pra evolu\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo (e o estado e a capital sofrem muito hoje por conta disso). O problema aqui \u00e9 a distor\u00e7\u00e3o, como no v\u00eddeo de Hitler acima. Ele fez tudo o que seus eleitores dizem que ele fez, &#8220;mas rouba&#8221;. O slogan deveria ser &#8220;faz, mas rouba&#8221;. A ressalva deveria ser o &#8220;mas rouba&#8221;.<\/p>\n<p>A distor\u00e7\u00e3o do &#8220;rouba mas faz&#8221; tem a inten\u00e7\u00e3o de entregar \u00e0s pessoas a ideia de um &#8220;bom Maluf&#8221;, n\u00e3o um &#8220;bom Maluf, com ressalvas&#8221;.<\/p>\n<p>Um resenhista que s\u00f3 v\u00ea coisas boas numa obra e tasca um texto elogioso, sem observar os trope\u00e7os do artista ali na obra, est\u00e1 se prestando \u00e0 pregui\u00e7a de n\u00e3o enxergar o todo. &#8220;O disco \u00e9 bom, mas&#8230;&#8221;, ou &#8220;o disco \u00e9 ruim, mas&#8230;&#8221;, h\u00e1 sempre uma adversativa.<\/p>\n<p>Obras art\u00edsticas dificilmente ter\u00e3o impactos t\u00e3o mal\u00e9ficos quanto pulhas como Hitler e Maluf tiveram na sociedade, mas elas podem influenciar gera\u00e7\u00f5es e o trabalho do cr\u00edtico \u00e9 apontar a falibilidade dessas obras &#8211; que, sim, mudam sua influ\u00eancia de acordo com a idade e o momento de quem as aprecia, algo a se considerar. Entretanto, \u00e9 um exerc\u00edcio que todos deveriam fazer.<\/p>\n<p>Desconfio de sites e blogues (ou interlocutores) que n\u00e3o buscam tais nuances. Como o que mais temos s\u00e3o publica\u00e7\u00f5es puxa-saco de artistas, assessorias ou selos\/gravadores em troca de mimos e presentinhos, vamos nos deparando com uma enxurrada de adjetivos principalmente elogiosos. E assim surgem trocentos &#8220;discos do ano&#8221; por dia.<\/p>\n<p>Mas o tempo n\u00e3o se vende e trata de colocar tudo no seu devido lugar. As pessoas amadurecem, as obras idem, com todos os seus defeitos e virtudes. A quest\u00e3o \u00e9: precisamos esperar tanto? O olhar cr\u00edtico de tudo est\u00e1 no meio-termo, n\u00e3o nos extremos. Quem entende que vive com o diabo e com deus no cora\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, pode enxergar o bom e o ruim em tudo, numa vida de amplo espectro de cores.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma hist\u00f3ria antiga, que as vov\u00f3s costumam contar pros filhos e netos e bisnetos, sobre a for\u00e7a das &#8220;tenta\u00e7\u00f5es&#8221;. 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