{"id":32691,"date":"2013-06-20T19:36:21","date_gmt":"2013-06-20T22:36:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=32691"},"modified":"2013-07-05T17:03:10","modified_gmt":"2013-07-05T20:03:10","slug":"resenha-vampire-weekend-modern-vampires-of-the-city","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-vampire-weekend-modern-vampires-of-the-city\/","title":{"rendered":"RESENHA: VAMPIRE WEEKEND &#8211; MODERN VAMPIRES OF THE CITY"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32692\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-vampire-weekend-modern-vampires-of-the-city\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity.jpg?resize=540%2C540\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-32692\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/vampireweekend-capa-modernvampiresofthecity.jpg?resize=300%2C300 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>RITO DE PASSAGEM<\/strong><\/p>\n<p>O melhor jeito de come\u00e7ar a ouvir o terceiro disco do Vampire Weekend, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vampire-weekend-modern-vampires-of-the-city\/\" target=\"_blank\">&#8220;Modern Vampires Of The City&#8221;<\/a>, \u00e9 por &#8220;I Think UR A Contra&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o estranhe. A can\u00e7\u00e3o que fecha &#8220;Contra&#8221;, o disco anterior, de 2010, encaixa-se perfeitamente com a abertura do novo trabalho, &#8220;Obvious Bicycle&#8221;. Fa\u00e7a o teste, ou\u00e7a ambas em sequ\u00eancia no seu tocador de MP3. &#8220;I Think UR A Contra&#8221; avisava: &#8220;voc\u00ea queria boas escolas, amigos com piscinas \/ voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um revolucion\u00e1rio \/ nunca tome partido, nunca encolha um dos dois lados&#8221;. \u00c9 um rito de passagem: as responsabilidades da idade adulta chegam pra todos e n\u00e3o adianta mais ser um revolucion\u00e1rio como se posava na juventude. A fase passou.<\/p>\n<p>&#8220;Obvious Bicycle&#8221; come\u00e7a avisando que &#8220;a manh\u00e3 chegou, voc\u00ea v\u00ea o sol nascer \/ e tem que poupar seu rosto da l\u00e2mina \/ porque ningu\u00e9m vai poupar o tempo pra voc\u00ea \/ ningu\u00e9m vai ficar olhando voc\u00ea partir \/ de uma casa que voc\u00ea n\u00e3o construiu e n\u00e3o controla \/ j\u00e1 fazem vinte anos e ningu\u00e9m te contou a verdade&#8221;. Voc\u00ea vai ter que aprender tudo por conta pr\u00f3pria. O pessoal do Vampire Weekend se meteu nessa e se vira como pode.<\/p>\n<p>Do primeiro disco, hom\u00f4nimo, de 2008, um sucesso surpreendente, que fez a alegria de indies-festivos, quando os integrantes da banda ainda eram muito jovens, beirando os vinte anos, at\u00e9 aqui, muita grana rolou nessa conta banc\u00e1ria, e muita porrada no rosto, \u00e9 prov\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 assim com todo mundo? Pelo menos a parte da porrada \u00e9 prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>J\u00e1 na capa, a dureza da nova fase se avista: a fotografia de 1966 tirada por Neal Boenzi retrata o dia em que Nova Iorque enfrentou a pior polui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, que terminou com a morte de cento e setenta pessoas. O mundo l\u00e1 fora \u00e9 cruel.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com a marca registrada do Vampire Weekend: a deliciosa deriva\u00e7\u00e3o do estilo <em>world music<\/em> de Paul Simon. Mas &#8220;Modern Vampires Of The City&#8221; n\u00e3o se limita a isso. Est\u00e1 no discurso da transi\u00e7\u00e3o pra maioridade seu grande trunfo, e musicalmente a banda tentou acompanhar esse discurso.<\/p>\n<p>O come\u00e7o do disco \u00e9 bastante positivo nessa inten\u00e7\u00e3o. O discurso de Ezra Koenig, 28 anos, \u00e9 quase desesperador diante do desafio. &#8220;Unbelievers&#8221; fala de solid\u00e3o: &#8220;o mundo \u00e9 um lugar frio pra se viver \/ queria um pouco de conforto \/ quem ir\u00e1 guardar um pouco de conforto pra mim? \/ n\u00e3o estou empolgado \/ mas eu deveria? \/ esse \u00e9 o destino que metade do mundo planejou pra mim?&#8221;. \u00c9 uma das grandes can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Unbelievers&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/oIcjA5ykloI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Step&#8221; viaja pelo mundo (Angkor Wat, Camboja; Mechanicsburg, Pensilv\u00e2nia; Anchorage, Alasca; Dar Es Salaam, Tanz\u00e2nia) e pelo tempo (Creso, rei da L\u00eddia), pra dizer que acabou a mamata de ser jovem: &#8220;sabedoria \u00e9 um dom, mas voc\u00ea a trocaria pela juventude&#8221;. Sua proximidade musical com &#8220;M79&#8221;, do primeiro disco, faz parte da transi\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o pop daquelas de manual.<\/p>\n<p>&#8220;Diane Young&#8221; \u00e9 um inteligente brincadeira de palavras e sons. Koenig finge ser Elvis Presley, enquanto canta que &#8220;morrer jovem n\u00e3o vai mudar sua mente&#8221;. &#8220;Die young \/ Diane Young&#8221; d\u00e1 ao Vampire Weekend um bom humor que destr\u00f3i o vi\u00e9s pretensioso que o disco poderia tomar. \u00c9 divertida, mas poderia ser um lado B qualquer, porque destoa um tanto do resto do disco. Ali\u00e1s, sepulta o resto de sapi\u00eancia que &#8220;Modern Vampires Of The City&#8221; possui, com raras exce\u00e7\u00f5es ainda apresentadas mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Se o discurso conceitual da banda segue eficiente, n\u00e3o se pode dizer o mesmo das m\u00fasicas que envolvem a poesia. Koenig e companhia come\u00e7am a transitar por um terreno musical estranho ao grupo j\u00e1 na balada insossa &#8220;Don&#8217;t Lie&#8221;, um pop descart\u00e1vel de FM. Esse tipo de escorreg\u00e3o talvez possa ser creditado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o alien\u00edgena de Ariel Rechtshaid (Kylie Minogue e Justin Bieber), que atuou junto com Rostam Batmanglij, multi-instrumentista da banda e o cabe\u00e7a por tr\u00e1s do DNA sonoro do Vampire Weekend.<\/p>\n<p>A veia pop-butique criou aberra\u00e7\u00f5es como &#8220;Don&#8217;t Lie&#8221; e &#8220;Hannah Hunt&#8221;, por exemplo. &#8220;Everlanting Arms&#8221; traz Paul Simon de volta \u00e0 f\u00f3rmula e regata um pouco de integridade ao disco. A essa altura do trabalho, Koenig ambienta seus ouvintes com outro problema do amadurecimento: encarar relacionamentos desfeitos. Mas nem isso salva a irritante &#8220;Finger Back&#8221; e a cafona &#8220;Worship You&#8221; (bem descrita pelo <a href=\"http:\/\/namiradogroove.com.br\/criticas\/vampire-weekend_modern-vampires-of-the-city\" target=\"_blank\">Na Mira do Groove como uma boa op\u00e7\u00e3o pra aquecimento de show de sertanejo<\/a>: &#8220;se colocar como <em>playlist<\/em> num show de espera de Fernando &#038; Sorocaba, de repente a banda conquista mais um nicho&#8221;). Nem o King Of Leon faria pior.<\/p>\n<p>&#8220;Ya Hey&#8221;, por sua vez, \u00e9 outra amostra de que o Vampire Weekend \u00e9 um grupo que avan\u00e7ou e erra por tentativa, por &#8220;ousadia&#8221;. Porque a can\u00e7\u00e3o est\u00e1 exatamente no meio-termo do que o disco prop\u00f4s. N\u00e3o \u00e9 a melhor do \u00e1lbum, mas \u00e9 a que melhor resume essa transi\u00e7\u00e3o pela qual a banda resolveu se enfiar. &#8220;Ya Hey&#8221;, jogo fon\u00e9tico pra chegar a &#8220;Yahweh&#8221;, ou &#8220;Jav\u00e9&#8221;, o deus na B\u00edblia. Ningu\u00e9m ama voc\u00ea, clama Koenig, &#8220;Ya Hey&#8221;. Chegamos ao dilema material-espiritual que quase todo mundo se depara em alguma parte da vida adulta.<\/p>\n<p>&#8220;Ya Hey&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/i-BznQE6B8U\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O Vampire Weekend se deparou agora com essa d\u00favida: carregar-se nos dogmas descart\u00e1veis do indie-festivo bobo ou avan\u00e7ar, nem que seja pelas trilhas do pop radiof\u00f4nico? A banda escolheu, incrivelmente, o caminho mais dif\u00edcil, o que \u00e9 louv\u00e1vel. A banda expandiu suas possibilidades. H\u00e1 mais cordas, camadas e principalmente uso de pianos.<\/p>\n<p>A m\u00fasica que encerra o disco \u00e9 &#8220;Young Lion&#8221;, ao piano &#8220;cl\u00e1ssico&#8221;. Tocante e curiosa. A letra se resume a uma frase: &#8220;voc\u00ea teve o seu momento, jovem le\u00e3o&#8221;. Agora, j\u00e1 era. O seu futuro chegou. Suas responsabilidades surgiram. O que voc\u00ea far\u00e1 a partir daqui?<\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 14 de maio de 2013<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 42 minutos e 50 segundos<br \/>\nSelo: XL Recordings<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Rostam Batmanglij e Ariel Rechtshaid<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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