{"id":33074,"date":"2013-07-25T23:25:09","date_gmt":"2013-07-26T02:25:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=33074"},"modified":"2013-10-25T01:34:05","modified_gmt":"2013-10-25T03:34:05","slug":"pense-ou-dance-a-critica-musical","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-critica-musical\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: A CR\u00cdTICA MUSICAL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33312\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-critica-musical\/penseoudance34\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/penseoudance34.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance34\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/penseoudance34.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/penseoudance34.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"penseoudance34\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33312\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/penseoudance34.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/penseoudance34.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;O jornalismo cultural que eu tento exercer desde 1988 \u00e9 o jornalismo cr\u00edtico. Ele tem uma \u00fanica premissa: compromisso total com o leitor e nenhum com a cria\u00e7\u00e3o ou seu criador. F\u00e3 \u00e9 f\u00e3, jornalista \u00e9 jornalista. F\u00e3 perdoa tudo. Jornalista n\u00e3o perdoa nada, ou n\u00e3o deveria&#8221;, escreveu Andr\u00e9 Forastieri, <a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/blogs\/andre-forastieri\/2012\/03\/27\/por-um-jornalismo-mais-critico\/\" target=\"_blank\">em 2012, em seu blogue no R7<\/a>.<\/p>\n<p>Come\u00e7ar a falar sobre cr\u00edtica cultural citando Forastieri tem um intuito maior do que s\u00f3 citar o resumo do que vai se ler aqui: \u00e9 pra provocar mesmo.<\/p>\n<p>Forastieri, bem como \u00c1lvaro Pereira Junior e Andr\u00e9 Barcinski, \u00e9 tido como um velho desconectado com as novas m\u00eddias e, mais profundamente, com os novos tempos. Nenhum dos tr\u00eas \u00e9. Os tr\u00eas ainda t\u00eam import\u00e2ncia justamente por fazerem algo que a mo\u00e7ada que os repudia n\u00e3o consegue fazer: criticar com sapi\u00eancia, ironia, bagagem cultural e sem perd\u00e3o.<\/p>\n<p>Tirando APJ, hoje no &#8220;Fant\u00e1stico&#8221;, os Andr\u00e9s se mant\u00e9m em contato com as novas plataformas, de alguma forma &#8211; em blogues ou redes sociais. Mas, principalmente, os tr\u00eas continuam afiados, da maneira que podem.<\/p>\n<p>APJ, recentemente, deu umas alfinetadas na &#8220;diva&#8221; Lady gaga, em mat\u00e9ria &#8220;paga&#8221; no &#8220;Fant\u00e1stico&#8221;, mostrando o quanto a mo\u00e7a \u00e9 paranoica com o nada, ela sim desconectada da realidade (<a href=\"http:\/\/globotv.globo.com\/rede-globo\/fantastico\/v\/lady-gaga-fala-sobre-nova-turne\/2224582\/\" target=\"_blank\">v\u00e1 \u00e0 parte da entrevista propriamente dita<\/a>).<\/p>\n<p>Os tr\u00eas fazem na grande m\u00eddia (Globo, R7, Folha) o que a maioria dita descolada n\u00e3o faz nos seus pr\u00f3prios ve\u00edculos, blogues que se autodenominam &#8220;independentes&#8221;: eles apresentam uma vis\u00e3o cr\u00edtica da vida cotidiana, n\u00e3o s\u00f3 do ambiente cultural.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a cr\u00edtica atual, nesses tempos de oferta horizontal de cultura das redes sociais, dos blogues e sites que copiam o que se produz em blogues e sites gringos, se esfor\u00e7a mesmo \u00e9 em agradar os f\u00e3s das suas bandas preferidas, a assessoria de imprensa, a produtora que dar\u00e1 ingressos ou discos pra sorteio, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Suas opini\u00f5es flanam ao sabor dos cliques que v\u00e3o ganhar, dos mimos que lhe oferecem. O compromisso n\u00e3o \u00e9 com o leitor, embora nem sempre com a cria\u00e7\u00e3o ou com o criador, mas com a estrutura que rege o atual sistema de favores. \u00c9 o novo toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1. Tome meus elogios de seus produtos \u00e0 minha audi\u00eancia, d\u00ea-me convites VIPs pras festas e shows e afins.<\/p>\n<p>Realmente, como acentua Tiago Ferreira, no Na Mira Do Groove, <a href=\"http:\/\/namiradogroove.com.br\/discussoestendencias\/nao-ha-senso-critico-na-blogosfera-musical-brasileira\" target=\"_blank\">&#8220;n\u00e3o h\u00e1 senso cr\u00edtico na blogosfera musical brasileira&#8221;<\/a>: &#8220;ter acessos e ser refer\u00eancia imediata como publica\u00e7\u00e3o musical tem l\u00e1 os seus prest\u00edgios. Aposta-se no factual, em detrimento do senso cr\u00edtico&#8221;.<\/p>\n<p>O cr\u00edtico dessa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o se contenta em ser &#8220;cr\u00edtico-n\u00e3o-cr\u00edtico&#8221;: ele tamb\u00e9m \u00e9 m\u00fasico, jornalista, assessor de imprensa, promotor de shows, dono de selo, amigo das bandas, tudo ao mesmo tempo. E, pior, n\u00e3o sente um trope\u00e7o \u00e9tico ao resenhar discos dos seu pr\u00f3prio selo, da sua pr\u00f3pria banda, dos pr\u00f3prios shows que promove, dos artistas que assessora. N\u00e3o, pra esse novo &#8220;cr\u00edtico&#8221;, se empenhar no auto-elogio \u00e9 plenamente aceit\u00e1vel e ele se orgulha disso.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica atual vive do <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-poder-do-elogio\/\" target=\"_blank\">&#8220;poder do elogio&#8221;, como j\u00e1 dissemos aqui<\/a>. Cr\u00edtica atual e artistas atuais, como veremos mais abaixo.<\/p>\n<p>Parece \u00f3bvio, mas infelizmente o ensinamento de jornalistas rodados como os citados acima n\u00e3o surtiu efeito. Por outra, criou-se uma consequ\u00eancia contr\u00e1ria: a trinca, por ser direta, provocativa, desafiadora, acaba sendo tratada com aquele dedo na ferida que ningu\u00e9m gosta de sentir.<\/p>\n<p>O ensinamento \u00e9: veja sempre o lado contr\u00e1rio, mesmo que doa em si mesmo ou naqueles ao seu redor, mesmo que seja impopular, porque normalmente \u00e9 impopular; questione-se e questione o que ningu\u00e9m questiona, desconfie, bata de frente, fa\u00e7a o seu leitor perceber que h\u00e1 nuances, v\u00e1rios pontos de vista, imponha uma discuss\u00e3o e n\u00e3o se importe de sair &#8220;vencedor&#8221;, porque n\u00e3o se trata disso; n\u00e3o corrobore, provoque a si mesmo e aos outros, n\u00e3o seja bonzinho porque a maioria \u00e9 boazinha, desmistifique, destrua o \u00f3bvio e construa um novo pensamento, uma nova vis\u00e3o &#8211; tente, ao menos.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica musical e cinematogr\u00e1fica, ainda bem, nesses novos tempos, continua a oferecer boas alternativas (<a href=\"http:\/\/sobreacritica.com.br\/entrevistas-2\/\" target=\"_blank\">veja uma boa lista aqui, excetuando-se o cidad\u00e3o de \u00f3culos ali<\/a>, e v\u00e1 atr\u00e1s de outros n\u00e3o inclu\u00eddos, como a grande Ga\u00eda Passarelli, falando como poucos com a juventude atual, <a href=\"http:\/\/stabilo88.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/gaiapassarelli.tumblr.com\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, e o nov\u00edssimo <a href=\"http:\/\/www.catarticos.com.br\" target=\"_blank\">Cat\u00e1rticos<\/a>, feito por essa juventude &#8211; veja tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-dez-melhores-sites-brasileiros-de-musica\/\" target=\"_blank\">dez sites de m\u00fasica que valem a pena seguir<\/a>). Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>\u00c9 que o cr\u00edtico \u00e9 uma esp\u00e9cie incompreendida quanto \u00e0s suas inten\u00e7\u00f5es, mesmo quando o cr\u00edtico entende quais s\u00e3o suas fun\u00e7\u00f5es. O problema \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 ele n\u00e3o entende sua fun\u00e7\u00e3o, como no Brasil, desde os tempos e pretens\u00f5es provocativas do come\u00e7o da revista Bizz, criou-se uma gera\u00e7\u00e3o de jornalistas que se acham intoc\u00e1veis e n\u00e3o se adaptaram aos novos tempos em que eles n\u00e3o s\u00e3o mais farol das novidades e indicadores do bom gosto, e uma gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos que n\u00e3o aceita a cr\u00edtica por bater de frente com tais jornalistas.<\/p>\n<p>Lorena Calabria comandou o programa especial no Multishow, em 2008, &#8220;Os M\u00fasicos E A Cr\u00edtica&#8221;, onde entrevistou alguns artistas famosos: Frejat, Skank, Ed Motta e Nando Reis. As respostas mostram o qu\u00e3o rancorosos est\u00e3o esses artistas diante da cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Pra come\u00e7ar, Ed Motta desqualifica a fun\u00e7\u00e3o: &#8220;eu n\u00e3o acredito numa cr\u00edtica da arte, n\u00e3o acredito nessa fun\u00e7\u00e3o, acho que n\u00e3o deveria existir a cr\u00edtica da arte, de um filme, mesmo que fosse de um artista pro outro, \u00e9 um grande equ\u00edvoco&#8221;.<\/p>\n<p>Sem tirar a fala dele de contexto (que voc\u00ea pode conferir na \u00edntegra nos v\u00eddeos abaixo), ele apresenta uma vis\u00e3o at\u00e9 interessante, apontando que a arte, por ser fruto da cria\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, envolvendo o emocional e, assim, um &#8220;desabafo&#8221; do criador, n\u00e3o h\u00e1 de se questionada: &#8220;n\u00e3o se pergunta por qu\u00ea a um artista&#8221;, ele argumenta.<\/p>\n<p>Nesse sentido, ele tem raz\u00e3o. Motta esquece-se, por\u00e9m, que a an\u00e1lise cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio f\u00fatil daquele que ele considera &#8220;cr\u00edtico&#8221;, como bem lembraram Dairan Paul e Maria Ang\u00e9lica Varaschini, no artigo &#8220;A Arte de Criticar&#8221; (com opini\u00f5es deste site, que podem complementar o corrente texto): &#8220;o que \u00e9 considerado &#8216;belo&#8217;, na filosofia, \u00e9 pass\u00edvel de discuss\u00e3o. A primeira teoria do gosto est\u00e9tico surge com o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Immanuel Kant, no seu trabalho &#8216;Cr\u00edtica da Faculdade do Ju\u00edzo&#8217;. N\u00e3o por acaso, a obra surge no final do s\u00e9culo XVIII, quando a burguesia toma conta da cultura e rompe os padr\u00f5es cl\u00e1ssicos da arte \u2013 que se baseavam na ideia da perfei\u00e7\u00e3o. Com o surgimento de outras propostas art\u00edsticas e po\u00e9ticas, ao longo da hist\u00f3ria da arte passa a surgir, tamb\u00e9m, uma nova forma de aprecia\u00e7\u00e3o, cujo pressuposto n\u00e3o se vale mais de um gosto \u00fanico e universal&#8221; (<a href=\"http:\/\/coral.ufsm.br\/nimbus\/?p=1270\" target=\"_blank\">leia aqui na \u00edntegra<\/a>).<\/p>\n<p>E aos seis minutos e cinquenta segundos da Parte 1, Ed Motta admite que n\u00e3o aceita cr\u00edtica, de jeito nenhum: &#8220;a partir do momento que eu mostro uma coisa que eu t\u00f4 fazendo, eu espero que as pessoas gostem (&#8230;), mas o motivo da arte n\u00e3o \u00e9 agradar, o motivo da arte \u00e9 uma necessidade de fazer&#8221;. Sim, mas quando a arte \u00e9 julgada, ela \u00e9 julgada por essa necessidade e pelo resultado, por como o artista submete os signos e s\u00edmbolos a favor da sua arte. Ou seja, h\u00e1 caminhos e caminhos. E se h\u00e1 caminhos, h\u00e1 interpreta\u00e7\u00f5es. Se o artista submete sua arte a esses caminhos e interpreta\u00e7\u00f5es, sua arte est\u00e1 sujeita a an\u00e1lises, mesmo que ele n\u00e3o as aceite ou as considere, o que \u00e9 um direito do artista, obviamente.<\/p>\n<p>Mas nem isso Nando Reis aceita, refor\u00e7ando a desqualifica\u00e7\u00e3o do &#8220;cr\u00edtico&#8221;: &#8220;quem critica mesmo s\u00e3o os f\u00e3s&#8221;.<\/p>\n<p>Frejat \u00e9 mais centrado e l\u00f3gico, apesar da adversativa desnecess\u00e1ria: &#8220;a minha opini\u00e3o \u00e9 soberana, n\u00e3o tem nenhuma pessoa que me fa\u00e7a mudar de ideia, ao mesmo tempo qualquer pessoa pode me fazer mudar de ideia, contanto que eu ou\u00e7a um argumento convincente; &#8216;ah, eu detestei a sua m\u00fasica&#8217;, &#8216;mas por qu\u00ea?&#8217;, o porqu\u00ea \u00e9 que \u00e9 importante, se o porqu\u00ea \u00e9 forte, eu me obrigo a rever meus conceitos&#8221;.<\/p>\n<p>A adversativa desnecess\u00e1ria, aqui, vem pela via de uma ideia que poucos aceitam e que eu chamo de &#8220;ditadura do argumento&#8221;. O &#8220;n\u00e3o gostei&#8221; ou &#8220;gostei&#8221; j\u00e1 deveria ser argumento suficiente pra determinar se pra aquela pessoa a obra \u00e9 boa ou ruim. N\u00e3o \u00e9 preciso argumentos outros. N\u00e3o numa conversa cotidiana. J\u00e1 basta.<\/p>\n<p>Entretanto, esses argumentos outros s\u00e3o importantes se o &#8220;n\u00e3o gostei&#8221; ou &#8220;gostei&#8221; for proferido num ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o &#8211; do blogue lido por duas pessoas \u00e0 grande m\u00eddia &#8211; por uma quest\u00e3o \u00f3bvia de necessidade de texto. &#8220;N\u00e3o gostei&#8221; ou &#8220;gostei&#8221; n\u00e3o satisfazem <em>o leitor<\/em> que se prop\u00f5e a mergulhar naquele artigo cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Insisto na ideia, apesar do combate \u00e0 &#8220;ditadura do argumento&#8221; vir de encontro a Kant, mais uma vez como lembra o artigo da jovem dupla Dairan e Maria Ang\u00e9lica: &#8220;o ju\u00edzo do gosto, proposto por Kant, considera ser poss\u00edvel fundamentar a arte filos\u00f3fica a partir do outro, daquele que aprecia a obra. \u00c9 a atitude dele, chamada de &#8216;atitude est\u00e9tica&#8217;, que pode dizer se o objeto \u00e9 belo ou n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos questionamentos de Nando Reis \u00e9 que a cr\u00edtica &#8220;n\u00e3o \u00e9 um debate&#8221;. Ora, n\u00e3o \u00e9 mesmo. \u00c9 s\u00f3 uma opini\u00e3o, que, como a pr\u00f3pria arte, pode e deve ser questionada, mas sem tanta import\u00e2ncia, porque import\u00e2ncia mesmo tem a arte e n\u00e3o a cr\u00edtica. Quando o artista desmerece a cr\u00edtica e tenta argumentar, debater, ele est\u00e1 sublinhando uma dimens\u00e3o de import\u00e2ncia que a cr\u00edtica n\u00e3o tem, nem mesmo a da grande m\u00eddia (embora hoje os artistas de qualquer envergadura discutam at\u00e9 mesmo com a cr\u00edtica de min\u00fasculos blogues). Questionar a cr\u00edtica pode at\u00e9 mesmo ser uma perda de tempo, simplesmente porque a import\u00e2ncia da arte, da obra, est\u00e1 acima de qualquer opini\u00e3o sobre ela.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o sobre a arte tem import\u00e2ncia passageira. \u00c9 divers\u00e3o, pelo menos &#8211; ou ao menos. O dito sobre o que \u00e9 &#8220;bom&#8221; ou o que tem &#8220;valor&#8221; deveria vir da bagagem cultural de cada um. Ouvir as opini\u00f5es alheias pode ser um bom exerc\u00edcio de enobrecimento da sua pr\u00f3pria bagagem cultural, mas n\u00e3o determinante. Um cr\u00edtico, por\u00e9m, por necessidade da profiss\u00e3o, deve incrementar sua bagagem cultural ininterruptamente, ele tem que ter <em>tempo e dedica\u00e7\u00e3o<\/em> pra isso, algo que as outras pessoas n\u00e3o possuem, nem mesmo o artista, o que d\u00e1 ao cr\u00edtico uma boa vantagem pra enfrentar a &#8220;ditadura do argumento&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo assim, essa vantagem n\u00e3o faz dele melhor ou pior pra que sua cr\u00edtica seja mais considerada por um artista ou um f\u00e3 do que a de outro cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a sinuca de bico: a cr\u00edtica se d\u00e1 import\u00e2ncia e recebe import\u00e2ncia de artistas e f\u00e3s numa amplitude que ela n\u00e3o tem. Mas ela precisa ser consciente de que \u00e9 importante porque sem ela, com suas muitas nuances, forma um rico leque de opini\u00f5es que pode incrementar muitas &#8220;bagagens culturais&#8221; e a vis\u00e3o do mundo. Cabe ao leitor se aproximar daquele cr\u00edtico cuja verve lhe agrade mais.<\/p>\n<p>Mas vale lembrar: voc\u00ea n\u00e3o precisa concordar com o cr\u00edtico. O texto cr\u00edtico tamb\u00e9m \u00e9 uma obra e como tal merece cr\u00edticas e observa\u00e7\u00f5es. \u00c9 a <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-problema-do-meio-termo\/\" target=\"_blank\">quest\u00e3o imprescind\u00edvel do meio-termo<\/a>: nem tudo ao oito, nem tudo ao oitenta.<\/p>\n<p>Analisar o mundo, como a trinca de jornalistas que abre este texto bem faz, \u00e9 um preceito cr\u00edtico. O mundo, a vida, carece de cr\u00edtica. \u00c9 assim que se apontam sa\u00eddas pros dilemas constantes do dia a dia. \u00c9, pois, um exerc\u00edcio determinante de todos.<\/p>\n<p>Parte 1:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/aZ5ItpcYJXw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Parte 2:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/H4hp2wNFb-4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Parte 3:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/RPVS4HKLfQY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O jornalismo cultural que eu tento exercer desde 1988 \u00e9 o jornalismo cr\u00edtico. Ele tem uma \u00fanica premissa: compromisso total com o leitor e nenhum [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33312,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144,1130],"tags":[2194],"class_list":["post-33074","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-pense-ou-dance","tag-pense-ou-dance"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/penseoudance34.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-8Bs","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33074\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33312"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}