{"id":34094,"date":"2013-09-16T12:12:16","date_gmt":"2013-09-16T15:12:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=34094"},"modified":"2013-10-25T01:34:04","modified_gmt":"2013-10-25T03:34:04","slug":"pense-ou-dance-rock-in-rio-e-a-demanda-reprimida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-rock-in-rio-e-a-demanda-reprimida\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: ROCK IN RIO E A DEMANDA REPRIMIDA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34095\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-rock-in-rio-e-a-demanda-reprimida\/rockinrio3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rockinrio3.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"rockinrio3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rockinrio3.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rockinrio3.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-34095\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rockinrio3.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rockinrio3.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um texto cr\u00edtico sobre o primeiro final de semana do Rock In Rio 2013. N\u00e3o \u00e9 uma resenha, se \u00e9 isso que voc\u00ea espera ler. N\u00e3o estive l\u00e1, s\u00f3 vi pela tev\u00ea, ent\u00e3o n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 muito mais no Rock In Rio pra se ver do que a m\u00fasica. Provavelmente, o olhar atento do leitor ter\u00e1 observado que na verdade a m\u00fasica tem uma import\u00e2ncia menor no final das contas. O que importa \u00e9 o evento. E mais do que isso, o que importa \u00e9 <em>estar<\/em> no evento.<\/p>\n<p>Chamou aten\u00e7\u00e3o uma entrevista realizada por uma das circenses rep\u00f3rteres do canal Multishow, durante a condu\u00e7\u00e3o atabalhoada dos intervalos entre os shows. Um casal vindo do interior de S\u00e3o Paulo estava na grade, esperando pra ver sabe-se l\u00e1 qual artista, havia chegado ao local \u00e0s sete da matina, mas n\u00e3o tinha dinheiro pra comer, beber e at\u00e9 mesmo pra chegar \u00e0 rodovi\u00e1ria. Tinha apenas as passagens de volta pra casa.<\/p>\n<p>O retrato \u00e9 simb\u00f3lico. Havia n\u00e3o s\u00f3 esse casal, mas um bocado de pessoas na grade (e possivelmente no evento todo) que fizeram de tudo pra ir ao Rock In Rio, pra <em>estar<\/em> no Rock In Rio, como fazem esfor\u00e7os de or\u00e7amento pra comprar uma tev\u00ea de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, ou um carro em trocentas presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea aqui \u00e9 a nova classe m\u00e9dia (baixa, ou a t\u00e3o falada classe c) surgindo com sua for\u00e7a de desejo de inclus\u00e3o. Um desejo leg\u00edtimo, depois de d\u00e9cadas, gera\u00e7\u00f5es como expectadora de uma elite massacrante e gastadora, com acesso a tudo, e esfregando na cara de quem n\u00e3o pode as belezas ou alegrias que o mundo oferece. Dentre essas alegrias, artistas pop, celebra\u00e7\u00f5es como o Rock In Rio.<\/p>\n<p>O evento \u00e9 um produto como uma tev\u00ea ou um carro. Custa caro, entretanto, e exige tantos sacrif\u00edcios quanto. O ingresso n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel a todos os or\u00e7amentos, muito menos aos or\u00e7amentos mais apertados. Mas em busca dessa inclus\u00e3o, gra\u00e7as a uma economia mais horizontalizada, or\u00e7amentos mais apertados podem se dar ao luxo de extravag\u00e2ncias em prol dessa sensa\u00e7\u00e3o de inclus\u00e3o, de participa\u00e7\u00e3o. A elite vai, mas a classe c tamb\u00e9m pode.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 um problema. \u00c9 um avan\u00e7o. Um avan\u00e7o social, embora um avan\u00e7o truncado, perigoso pois feito na marra, vendido pela mesma elite e comprado com fervor pela outra ponta.<\/p>\n<p>\u00c9 uma roda que se move no mesmo eixo. E a venda ainda \u00e9 feita por aqueles meios que na \u00e9poca de segrega\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais acentuada cultivaram tais desejos agora mais acess\u00edveis.<\/p>\n<p>S\u00e3o as r\u00e1dios que tocam a mesma m\u00fasica chinfrim, baba e vazia (de Beyonc\u00e9 e Alicia Keys, id\u00eanticas nos clich\u00eas, a Jessie J, t\u00e3o descart\u00e1vel quanto o celular de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 quando chegar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de celulares). \u00c9 a Rede Globo com seus ideais de riqueza e beleza relacionados aos de Hollywood (o que gera aplausos a aberra\u00e7\u00f5es como Justin Timberlake). \u00c9 a m\u00eddia geral que pregui\u00e7osamente insiste em estabelecer bandas como Capital Inicial, Jota Quest, Nando Reis etc. pela consolida\u00e7\u00e3o de um sistema de comissionamento (ou jab\u00e1) que se perpetua.<\/p>\n<p>Veja na \u00edntegra o show de Justin Timberlake (domingo, 15 de setembro):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/I-V436wk3qw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Obviamente que a massa (de qualquer classe social) \u00e9 impactada e responde a esses impulsos: quer ver os artistas que dizem pra ela que s\u00e3o os melhores, os mais relevantes e importantes. A bolha se fecha. \u00c9 s\u00f3 cobrar a conta.<\/p>\n<p>No caso do Rock In Rio, essa conta vem na forma de um evento grandioso, com globais participando nas \u00e1reas VIPs; artistas objeto de desejo popular, &#8220;na crista da onda&#8221;, tomando os palcos; vitrines menores com artistas menores lustrando com credibilidade as p\u00e1ginas de cultura dos jornais e sites; transmiss\u00e3o maci\u00e7a nas tev\u00eas aberta e fechada; cobertura insistente, superlativa e elogiosa nos telejornais da Rede Globo; e o boca a boca nas redes sociais.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem possa pagar essa conta, h\u00e1 quem n\u00e3o possa e n\u00e3o paga, e h\u00e1 quem n\u00e3o possa e se desdobra pra pagar ainda assim. Ningu\u00e9m quer, a essa altura do campeonato, criar consumidores respons\u00e1veis, que comprem s\u00f3 o que o bolso pode pagar. Querem qualquer consumidor (<a href=\"http:\/\/odia.ig.com.br\/noticia\/rio-de-janeiro\/2013-09-16\/civil-registra-mais-de-250-furtos-nos-tres-primeiros-dias-de-rock-in-rio.html\" target=\"_blank\">e, pelo visto, querem maltrat\u00e1-lo<\/a>). O Rock In Rio, como qualquer festival, pra qualquer nicho, \u00e9 um evento social e n\u00e3o cultural ou art\u00edstico. As pessoas <em>querem<\/em> estar l\u00e1.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, pois, de ter rock no Rock In Rio ou n\u00e3o (tem, \u00e9 bom que se lembre sempre: de Muse e Offsgring a Bruce Springsteen e Iron Maiden, \u00e9 bom que se lembre de que h\u00e1 guitarras, sim). \u00c9 bacana que o evento seja diverso: diversidade de estilos, diversidade de p\u00fablico, diversidade consumidores. \u00c9 bom ver que h\u00e1 mais gente querendo comprar cultura, mesmo que seja nessa atual &#8220;pol\u00edtica do check-in&#8221; pros amigos das redes sociais.<\/p>\n<p>Aqui se trata do principal: festivais precisam ser economicamente vi\u00e1veis. Cada empres\u00e1rio busca sua sa\u00edda pra isso. O Rock In Rio busca no popularesco a sua sa\u00edda. N\u00e3o se incomode, ent\u00e3o, o festival talvez n\u00e3o seja pra voc\u00ea, basta n\u00e3o ir.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se assuste se na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o uma das formas de pagamento for um carn\u00ea tipo Casas Bahia. Os pre\u00e7os ainda s\u00e3o &#8220;de elite&#8221;, mas o alvo \u00e9 uma demanda reprimida que o crescimento econ\u00f4mico no Brasil tratou de tornar vi\u00e1vel. Mesmo que a duras penas.<\/p>\n<p>Veja na \u00edntegra o show do Muse (de s\u00e1bado, dia 14 de setembro):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/AMete2M_dQc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-rock-in-rio-eu-nao-fui-mas-ri\/\" title=\"PENSE OU DANCE: ROCK IN RIO &#8211; EU N\u00c3O FUI, MAS ME DIVERTI\">PENSE OU DANCE: ROCK IN RIO &#8211; EU N\u00c3O FUI, MAS ME DIVERTI<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um texto cr\u00edtico sobre o primeiro final de semana do Rock In Rio 2013. 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