{"id":34284,"date":"2013-09-27T19:48:20","date_gmt":"2013-09-27T22:48:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=34284"},"modified":"2017-04-03T12:30:42","modified_gmt":"2017-04-03T15:30:42","slug":"os-discos-da-vida-na-mira-do-groove","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/","title":{"rendered":"OS DISCOS DA VIDA: NA MIRA DO GROOVE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34293\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/namiradogroove1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/namiradogroove1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"namiradogroove1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/namiradogroove1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/namiradogroove1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-34293\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/namiradogroove1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/namiradogroove1.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/namiradogroove.com.br\/\" target=\"_blank\">Na Mira Do Groove<\/a> \u00e9 um site bom por dois motivos b\u00e1sicos (que fazem os sites serem bons pra mim): tem textos muito bem escritos e \u00e9 diversificado na medida do bom senso.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 \u00e0 frente da empreitada \u00e9 Tiago Ferreira, um jovem jornalista que n\u00e3o tem receio de passear pelos muitos estilos musicais, sempre garimpando o inusitado desses estilos, com base nos cl\u00e1ssicos desses estilos. O bom gosto das escolhas d\u00e1 ao leitor uma ampla vis\u00e3o do que de melhor o espectro musical, comercial ou alternativo, pode oferecer.<\/p>\n<p>Quem acompanha o site dele, percebe essa polival\u00eancia bem trabalhada, uma virtude que est\u00e1 bem sintetizada nessa se\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Discos Da Vida&#8221;, mostrando que Ferreira soube tirar da m\u00fasica, nas v\u00e1rias fases da vida, um apoio e uma diretriz pra se formar como pessoa e como profissional.<\/p>\n<p>A lista tem boas escolhas de v\u00e1rios estilos &#8211; e, claro, textos deliciosos sobre cada escolha. Ela reflete o Ferreira que se l\u00ea no Na Mira Do Groove. E \u00e9 uma amostra de que o novo jornalismo musical, o online, descentralizado, independente, \u00e9 muito bem servido e muito bem formado.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>TIAGO FERREIRA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Racionais MC&#8217;s \u2013 &#8220;Sobrevivendo No Inferno &#8221; (1997)<\/strong><br \/>\nSempre que voc\u00ea pergunta pra algu\u00e9m qual a maior conex\u00e3o musical da sua adolesc\u00eancia com os anos 1990 costumam responder Teenage Fanclub, Nirvana, Pearl Jam. Bom, minha inicia\u00e7\u00e3o musical n\u00e3o foi com o rock. S\u00f3 muito mais tarde que fui come\u00e7ar a gostar \u2013 e a MTV n\u00e3o tem contribui\u00e7\u00e3o alguma com isso. Em 1997, eu era um z\u00e9 man\u00e9 que vivia no fliperama e sonhava em ganhar um Nintendo 64. Quando meu irm\u00e3o mais velho por parte de pai veio morar comigo, nasceu a experi\u00eancia de ter uma pessoa pr\u00f3xima que iria me influenciar bastante. A primeira aquisi\u00e7\u00e3o musical dele quando veio morar de fato com meus pais foi este &#8220;Sobrevivendo No Inferno&#8221; e o impacto que este disco veio a causar seria irrevers\u00edvel. A\u00ed a minha fala come\u00e7ou a mudar, comecei a analisar a favela onde morava com um olhar de pertencimento mesmo \u2013 algo que viria a crescer exponencialmente uns dois anos depois, quando n\u00e3o perdia um Yo! MTV (agora a emissora entra) e comecei a comprar CDs de Sabotage, RZO, Realidade Cruel&#8230;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34285\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/racionaismcs-sobrevivendonoinferno\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/racionaismcs-sobrevivendonoinferno.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"racionaismcs-sobrevivendonoinferno\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/racionaismcs-sobrevivendonoinferno.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/racionaismcs-sobrevivendonoinferno.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34285\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/racionaismcs-sobrevivendonoinferno.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/racionaismcs-sobrevivendonoinferno.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;F\u00f3rmula M\u00e1gica Da Paz&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/UrSGiQGeXW4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Chico Science &#038; Na\u00e7\u00e3o Zumbi \u2013 &#8220;Afrociberdelia&#8221; (1996)<\/strong><br \/>\nDo nada, achei um CD de &#8220;Da Lama Ao Caos&#8221;, de 1994, perdido em casa. Eu estava no colegial e alguns trouxas me enchiam o saco pra ouvir algumas desgra\u00e7as como Los Hermanos e Charlie Brown Jr. Se n\u00e3o ca\u00ed no gosto desses trastes, tenho muito a agradecer a Chico Science. N\u00e3o entendi nada no in\u00edcio, mas a insist\u00eancia me fez gostar de m\u00fasicas como &#8220;Rio, Pontes E Overdrives&#8221; e &#8220;Risoflora&#8221;. Coincidentemente, pouco tempo depois, ganhei de um vizinho meu o CD &#8220;Afrociberdelia&#8221;, e o impacto foi ainda maior. Eu achava o Planet Hemp legal, mas &#8220;Afrociberdelia&#8221; mostrou que n\u00e3o era necess\u00e1rio apelo panflet\u00e1rio algum (ainda mais de uma droga que s\u00f3 fui experimentar alguns anos depois) pra me fazer gostar de m\u00fasica pulsante. &#8220;Etnia&#8221; at\u00e9 hoje \u00e9 uma das m\u00fasicas nacionais que mais gosto. &#8220;Sobremesa&#8221; \u00e9 mais lis\u00e9rgica que qualquer apologia feita por Marcelo D2. &#8220;Sangue De Bairro&#8221;, acredite, foi a minha primeira conex\u00e3o com o <em>punk rock<\/em>. De todos os \u00e1lbuns, &#8220;Afrociberdelia&#8221; foi o que mais expandiu minha mente pra g\u00eaneros diferentes dos que eu costumava ouvir.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30933\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-tratak\/chicoscience-afrociberdelia\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/chicoscience-afrociberdelia.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"chicoscience-afrociberdelia\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/chicoscience-afrociberdelia.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/chicoscience-afrociberdelia.jpg?resize=240%2C240\" alt=\"chicoscience-afrociberdelia\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-30933\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/chicoscience-afrociberdelia.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/chicoscience-afrociberdelia.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Gigantic&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/r49G6PXBhQY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Rage Against The Machine \u2013 &#8220;Rage Against The Machine&#8221; (1992)<\/strong><br \/>\nUma coisa liga o <em>rap<\/em> ao som agressivo do RATM: as letras sociais e o peso sonoro. Portanto, n\u00e3o haveria outro disco pra me fazer transitar tranquilamente entre os dois g\u00eaneros \u2013 ainda mais em uma \u00e9poca em que eu era cabe\u00e7a-dura em rela\u00e7\u00e3o a outros sons. Meu irm\u00e3o comprou o CD, mas quem sugou aquele encarte e o fez arranhar em faixas como &#8220;Killing In The Name&#8221; e &#8220;Fistful Of Steel&#8221; foi eu, rar\u00e1. Eu escutei tanto, mas tanto este disco, que pouco tempo depois meu irm\u00e3o mais velho me comprou de presente um DVD que mostrava apresenta\u00e7\u00f5es da banda at\u00e9 pouco depois de &#8220;Evil Empire&#8221;, de 1996. Ele iniciava com o cover de &#8220;The Ghost Of Tom Joad&#8221;, de Bruce Springsteen e, o melhor de tudo, tinha as legendas das letras! Boa parte das doideiras da minha vida teve RATM como trilha sonora: beber vinho Sangue de Boi em frente ao col\u00e9gio perto de casa, festinhas regadas a psicotr\u00f3picos nas casas de meus amigos que tinham os pais mais liberais, ressacas horr\u00edveis ap\u00f3s misturar um n\u00famero sem fim de vodca barata, barrigudinha (como chamavam aquela desgraceira do Corote) e outras podreiras et\u00edlicas&#8230; V\u00ea-los no SWU em 2011 foi um compromisso que tive que cumprir com a minha adolesc\u00eancia. O show pode n\u00e3o ter sido excepcional, mas aquele momento de me esbaldar, pular e apanhar nos bate-cabe\u00e7as ficar\u00e1 cravado naquele neuroniozinho escondido que mant\u00e9m a nostalgia adolescente sempre viva.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34286\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/rageagainstthemachine-ratm\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rageagainstthemachine-ratm.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"rageagainstthemachine-ratm\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rageagainstthemachine-ratm.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rageagainstthemachine-ratm.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34286\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rageagainstthemachine-ratm.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/rageagainstthemachine-ratm.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Killing In The Name&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/bWXazVhlyxQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>The Prodigy \u2013 &#8220;Music For The Jilted Generation&#8221; (1994)<\/strong><br \/>\nEu devia ter uns 12 ou 13 anos e lembro que, depois do sucesso de &#8220;As Panteras&#8221; (2000), houve um revival de ouvir The Prodigy \u2013 tamb\u00e9m por conta de sua &#8220;quase&#8221; vinda ao Close-Up Planet dois anos antes (<a href=\"http:\/\/rraurl.com\/cena\/5627\/\" target=\"_blank\">tem uma hist\u00f3ria legal sobre o ocorrido aqui<\/a>). Eu j\u00e1 morava em outro bairro e comecei a me acostumar com outras turmas e, como todo adolescente, queria me sentir &#8220;inclu\u00eddo&#8221;. Meu gosto desenfreado por <em>rap<\/em> meio que me afastava disso. Depois de ver os clipes de &#8220;Smack My Bitch Up&#8221; e &#8220;Breathe&#8221;, falei: &#8220;porra, isso \u00e9 legal pra caralho&#8221;. Passou uns dias e quando dei f\u00e9, estava no Shopping Ibirapuera passeando por l\u00e1 com a minha m\u00e3e. Entrei numa loja de CDs, como todo garoto normal f\u00e3 de m\u00fasica faria, e me deparei com o tal CD do caranguejo (&#8220;Fat Of The Land&#8221;, no caso). Era uma fortuna: devia custar uns quarenta reais, mas aconteceu de a minha m\u00e3e estar bem generosa nesse dia. Acho que era meu anivers\u00e1rio, portanto, n\u00e3o podia desperdi\u00e7ar a oportunidade. Logo ao lado, vi o CD que trouxe como <em>plus<\/em> na bagagem: este &#8220;Music For the Jilted Generation&#8221;. Lembro de ter gostado do clipe de &#8220;Voodoo People&#8221;, mas quando a introdu\u00e7\u00e3o de &#8220;Break &#038; Enter&#8221; e os <em>loops<\/em> de &#8220;Their Law&#8221; come\u00e7aram a rodar, eu percebi: &#8220;PORRA, isso \u00e9 eletr\u00f4nico!&#8221;. N\u00e3o era porcaria de <em>poper\u00f4<\/em> ou m\u00fasicas da Energia 97 FM, que tanto me aborreciam. Anos depois, comecei a ir mais a fundo no som do Prodigy e fiquei igualmente satisfeito ao ouvir &#8220;Experience&#8221; de 1992. Mas, n\u00e3o adianta: o CD que me fez expandir os horizontes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 eletr\u00f4nica foi este aqui. Sem me prolongar, s\u00f3 vale deixar registrado uma coisa: a \u00fanica coisa que o encarte trazia era uma ilustra\u00e7\u00e3o de um garoto barbudo cortando a ponte que separava os <em>ravers<\/em> e as gigantescas caixas de som das viaturas policiais. Cresci com essa imagem fincada na cabe\u00e7a, cara \u2013 apesar de hoje n\u00e3o frequentar e nem curtir mais <em>rave<\/em>.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34287\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/prodigy-musicforthejiltedgeneration\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/prodigy-musicforthejiltedgeneration.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"prodigy-musicforthejiltedgeneration\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/prodigy-musicforthejiltedgeneration.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/prodigy-musicforthejiltedgeneration.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34287\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/prodigy-musicforthejiltedgeneration.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/prodigy-musicforthejiltedgeneration.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Voodoo People&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/g_59IoosY2g\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Bob Marley &#038; The Wailers \u2013 &#8220;Survival&#8221; (1979)<\/strong><br \/>\nBob Marley esteve sempre na trilha da minha inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e in\u00edcio da fase adulta. Meu primeiro contato foi com o &#8220;Legend&#8221;, de 1984, sim, e apesar de gostar bastante de &#8220;Three Little Birds&#8221;, &#8220;Redemption Song&#8221; e &#8220;I Shot The Sheriff&#8221;, foi em &#8220;Survival&#8221; que aprendi que Bob era ainda maior do que eu imaginava. Na faculdade, eu era (e ainda sou) muito amigo de um rapaz chamado Renato Lavdovsky: japon\u00eas de descend\u00eancia russa com mais de um metro e oitenta de altura. Que voz que ele tem! Ele tirava &#8220;One Drop&#8221; e &#8220;Zimbabwe&#8221; com um vigor do cacete, e lembro que a gente costumava conversar bastante sobre <em>reggae<\/em>. Foi com ele que aprendi a gostar de grupos como Steel Pulse, The Upsetters e Skatalites, mas &#8220;Survival&#8221;, pra mim, \u00e9 e sempre ser\u00e1 o melhor \u00e1lbum de Bob Marley \u2013 e olha que gosto demais de &#8220;Burnin'&#8221;, de 1973, e de &#8220;Natty Dread&#8221;, de 1974. Foi a\u00ed que conheci o Bob combativo, o Bob em sua fase mais afiada de preocupa\u00e7\u00e3o social. Todos gostam de manter uma imagem de Bob Marley e, apesar de ter plena ci\u00eancia de seus defeitos como pai, marido, religioso e at\u00e9 <em>gangsta<\/em>, a imagem que gosto de manter \u00e9 a do Bob Marley l\u00edder de uma legi\u00e3o que sofreu demais com o massacre do <em>apartheid<\/em> e do preconceito. <\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34288\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/bobmarley-survival\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bobmarley-survival.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"bobmarley-survival\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bobmarley-survival.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bobmarley-survival.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34288\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bobmarley-survival.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bobmarley-survival.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Zimbabwe&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/AqQo1a_Mt24\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>The Who \u2013 &#8220;Who&#8217;s Next&#8221; (1971)<\/strong><br \/>\nEis o disco que me faz lembrar os tempos da faculdade. Tempos em que meros dez reais eram desculpa pra uma chapa\u00e7\u00e3o sem fim. Olha s\u00f3: eu estudei de manh\u00e3, das 7:30h \u00e0s 11:00h, de segunda a quinta-feira (sexta era dia de aula <em>online<\/em>). \u00c0s quartas-feiras, j\u00e1 batia a vontade de passar no boteco depois da aula pra &#8220;passar a mat\u00e9ria&#8221;. Come\u00e7ava com aquele papo besta: &#8220;bora tomar s\u00f3 uma&#8221;. Quando ia ver, j\u00e1 eram 14:00h, 15:00h, e eu estava tr\u00eamulo de b\u00eabado (vale lembrar que eu n\u00e3o costumava tomar caf\u00e9 de manh\u00e3 e, muitas vezes, bebia com o est\u00f4mago vazio mesmo. Ainda permane\u00e7o jovem, mas hoje \u00e9 imposs\u00edvel realizar tal fa\u00e7anha novamente). Da faculdade pra casa, de bus\u00e3o, o trajeto era de mais ou menos uma hora e, depois de bater uma pratada justa dos almo\u00e7os tardios, a primeira coisa a fazer era curtir a brisa dentro do meu quarto com &#8220;Who&#8217;s Next&#8221; no talo. Aqueles arranjos de &#8220;Baba O&#8217;Riley&#8221;, a voz en\u00e9rgica de Roger Daltrey em &#8220;Won\u2019t Get Fooled Again&#8221;, a melancolia p\u00f3s-bebedeira que casava bem com &#8220;The Song Is Over&#8221;&#8230; Que audi\u00e7\u00e3o perfeita! Quando eu tinha alcance a alguma outra bebida em casa, mandava goela adentro novamente at\u00e9 capotar. Claro que n\u00e3o fiz isso durante todo o tempo de faculdade \u2013 apenas nos primeiros anos, quando ainda era vagabundo e n\u00e3o tinha que trabalhar ou fazer est\u00e1gio. Foi um per\u00edodo curto, mas t\u00e3o intenso, que sempre que ou\u00e7o &#8220;Who&#8217;s Next&#8221; lembro o quanto aproveitei bem este per\u00edodo de descobertas intelectuais e emocionais na universidade.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23653\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-team-radio\/who-whosnext\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/who-whosnext.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"who-whosnext\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/who-whosnext.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/who-whosnext.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-23653\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/who-whosnext.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/who-whosnext.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Won&#8217;t Get Fooled Again&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/Rp6-wG5LLqE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Paulinho Da Viola \u2013 &#8220;Ac\u00fastico MTV&#8221; (2007)<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 gostei muito de pagode. Quando morava no conjunto Cingapura, da Vila da Paz, costumava me reunir com os amigos pra gravar em fitas-cassete as m\u00fasicas mais impactantes de r\u00e1dios como a Sucesso FM 96.9. Ouvi muito Zeca Pagodinho, Jorge Arag\u00e3o e Fundo de Quintal. Pra paquerar algumas garotas, entrei na onda do pagode de Exaltasamba e Revela\u00e7\u00e3o, o que pelo menos me rendeu algumas bitoquinhas no col\u00e9gio e na rua de casa (e uma cole\u00e7\u00e3o de momentos vergonhosos, claro). Isso era em 2000. Corta pra 2007, momento em que o rock, o <em>rap<\/em> e a m\u00fasica eletr\u00f4nica compuseram boa parte de minha base discogr\u00e1fica. Nunca fui muito f\u00e3 de MTV, mas bateu simplesmente de eu deixar no canal quando estava rolando o Ac\u00fastico MTV de Paulinho da Viola. Aquilo mexeu com o meu c\u00e9rebro: eu j\u00e1 gostava de &#8220;Timoneiro&#8221; e fiquei pasmo quando descobri que era dele &#8220;Pecado Capital&#8221;. Eu cantava aquilo no chuveiro uns seis anos antes e n\u00e3o sabia! At\u00e9 hoje n\u00e3o tive vergonha na cara pra comprar o DVD desta bel\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o, mas foi a m\u00fasica de Paulinho da Viola que me introduziu \u00e0 obra de Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Clara Nunes, Paulo C\u00e9sar Pinheiro&#8230;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34290\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/paulinhodaviola-acusticvomtv\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paulinhodaviola-acusticvomtv.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"paulinhodaviola-acusticvomtv\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paulinhodaviola-acusticvomtv.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paulinhodaviola-acusticvomtv.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34290\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paulinhodaviola-acusticvomtv.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paulinhodaviola-acusticvomtv.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a: &#8220;Pecado Capital&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6aIzRH9ghMA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Captain Beefheart &#038; The Magic Band &#8211; &#8220;Lick My Decals Off, Baby&#8221; (1970)<\/strong><br \/>\nAntes de Don Van Vliet falecer, no final de 2010, a \u00fanica coisa que sabia era que &#8220;Trout Mask Replica&#8221;, de 1969, significou uma quebra abrupta na m\u00fasica pop. Alguns anos antes eu tentei escutar aquilo com afinco, mas n\u00e3o entendia as disson\u00e2ncias de &#8220;Frownloand&#8221; e &#8220;Pachuco Cadaver&#8221; ou a bizarrice de &#8220;Hobo Chang Ba&#8221;. Depois de muito tempo &#8220;namorando&#8221; a biografia escrita por Mike Barnes, finalmente consegui comprar e me dediquei a decifrar as composi\u00e7\u00f5es enigm\u00e1ticas e o c\u00e9rebro torto de um dos artistas mais geniais do s\u00e9culo passado. Ouvi &#8220;Trout Mask Replica&#8221; de novo, de novo e de novo e pude entender um pouco daquilo. Mas a verdadeira assertiva do que representava a obra de Van Vliet veio com as sucessivas audi\u00e7\u00f5es deste aqui: &#8220;Lick My Decals Off, Baby&#8221;. Al\u00e9m de ser o meu preferido dele (tamb\u00e9m gosto muito de &#8220;The Spotlight Kid&#8221;, de 1972), foi onde vi o perfeito encaixe de seus experimentos. O <em>blues<\/em> aqui est\u00e1 ainda mais subvertido que no disco anterior e m\u00fasicas, como &#8220;I Love You, You Big Dummy&#8221; e &#8220;Japan In A Dishpan&#8221;, que colocam no mesmo eixo Sun-Ra e Howlin&#8217; Wolf, continuam a mexer com os meus sentidos. Foi a partir da obra de Captain Beefheart que entendi o quanto a arte pode ser instigante ao confrontar suas percep\u00e7\u00f5es e a sua base de entendimento. Foi depois de tanto insistir aqui que, tempos depois, me senti apto a insistir na genialidade de um &#8220;Loveless&#8221;, de 1991, encontrar alguma pista sobre o significado de&#8221; The Shape Of Jazz To Come&#8221;, de 1959, ou &#8220;Horse Rotorvator&#8221;, de 1986&#8230; Obrigado, Van Vliet!<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34291\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/captainbeefheart-lickmydecalsoff\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/captainbeefheart-lickmydecalsoff.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"captainbeefheart-lickmydecalsoff\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/captainbeefheart-lickmydecalsoff.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/captainbeefheart-lickmydecalsoff.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34291\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/captainbeefheart-lickmydecalsoff.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/captainbeefheart-lickmydecalsoff.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;I Love You, You Big Dummy&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/qN0eesCbN2A\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Portishead &#8211; &#8220;Live In Roseland NYC&#8221; (1999)<\/strong><br \/>\n&#8220;Mezzanine&#8221;, de 1998, sempre ser\u00e1 pra mim o disco-maior do <em>trip hop<\/em>. Nada se compara \u00e0quela beleza do Massive Attack em quest\u00e3o mel\u00f3dica, emocional e, por que n\u00e3o, sexual. Mas s\u00f3 cheguei a ele gra\u00e7as ao Portishead. O Portishead de &#8220;All Mine&#8221;, de &#8220;Only You&#8221;, de &#8220;Glory Box&#8221;, em sua vers\u00e3o mais orquestradamente sedutora. <em>Trip hop<\/em> pra mim \u00e9 puro libido, e n\u00e3o poderia imaginar outra coisa quando me deparei pela primeira vez com Beth Gibbons cantando a abertura &#8220;Humming&#8221;. Os arranjos dessa apresenta\u00e7\u00e3o ainda hoje soam espl\u00eandidos aos meus ouvidos. Se fosse pra indicar este disco a algu\u00e9m, diria o seguinte: escolha uma faixa dele antes de gozar. E voc\u00ea vai querer gozar sempre.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34292\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-na-mira-do-groove\/portishead-liveinroselandnyc\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/portishead-liveinroselandnyc.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"portishead-liveinroselandnyc\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/portishead-liveinroselandnyc.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/portishead-liveinroselandnyc.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-34292\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/portishead-liveinroselandnyc.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/portishead-liveinroselandnyc.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Glory Box&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/SLrkE6T_m5Y\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Miles Davis &#8211; &#8220;Sketches Of Spain&#8221; (1960)<\/strong><br \/>\nExistiram muitos Miles Davis. O Miles de &#8220;Kind Of Blue&#8221;, de 1959, o Miles da fase el\u00e9trica, o Miles <em>funky<\/em> de &#8220;The Man With The Horn&#8221;, de 1981, o Miles influenciado por Charlie Parker antes da era modal&#8230; Mas o Miles que mais me emociona \u00e9 o Miles Davis orquestral. O trompetista sempre foi milim\u00e9trico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas composi\u00e7\u00f5es e acho que isso ele aprendeu e desenvolveu melhor depois de trabalhar com o g\u00eanio Gil Evans. Foram as partituras deste g\u00eanio que moldaram a forma de Miles compor, e o exemplo mais bem-sucedido \u00e9 esta beleza: &#8220;Sketches Of Spain&#8221;. Aqui, a meticulosidade da m\u00fasica europeia dialoga com a m\u00fasica instrumental norte-americana, gerando momentos fabulosos, como a lind\u00edssima &#8220;Concierto De Aranjuez&#8221;, a des\u00e9rtica &#8220;Saeta&#8221; e a aventureira &#8220;Will O&#8217; The Wisp&#8221;, que me remete a passagens humor\u00edsticas de um filme imagin\u00e1rio centrado na intelig\u00eancia emocional. \u00c9 um disco que me coloca e tira dos eixos de uma forma que n\u00e3o sei explicar.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"26683\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-ruidomm\/milesdavis-sketchesofspain\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/milesdavis-sketchesofspain.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"milesdavis-sketchesofspain\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/milesdavis-sketchesofspain.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/milesdavis-sketchesofspain.jpg?resize=240%2C240\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-26683\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/milesdavis-sketchesofspain.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/milesdavis-sketchesofspain.jpg?resize=150%2C150 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Will O&#8217; The Wisp&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/5fHUDXf7QnU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n&#8212;<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-elma\/\" target=\"_blank\">&#8220;Os Discos da Vida: Elma&#8221;<\/a>.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-dramon\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: DRAMON\">OS DISCOS DA VIDA: DRAMON<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-clandestinas\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS\">OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-borealis\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: BOREALIS\">OS DISCOS DA VIDA: BOREALIS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-benjamin-back\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: BENJAMIN BACK\">OS DISCOS DA VIDA: BENJAMIN BACK<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-ricardo-schott-pop-fantasma\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: RICARDO SCHOTT (POP FANTASMA)\">OS DISCOS DA VIDA: RICARDO SCHOTT (POP FANTASMA)<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Na Mira Do Groove \u00e9 um site bom por dois motivos b\u00e1sicos (que fazem os sites serem bons pra mim): tem textos muito bem [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144,1825],"tags":[1082],"class_list":["post-34284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-discos-da-vida-2","tag-discos-da-vida"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/namiradogroove1.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-8UY","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34293"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}