{"id":34414,"date":"2013-10-07T13:46:54","date_gmt":"2013-10-07T16:46:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=34414"},"modified":"2015-06-24T17:49:41","modified_gmt":"2015-06-24T20:49:41","slug":"pense-ou-dance-e-proibido-proibir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-e-proibido-proibir\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: \u00c9 PROIBIDO PROIBIR"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34415\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-e-proibido-proibir\/penseoudance37\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/penseoudance37.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance37\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/penseoudance37.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/penseoudance37.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-34415\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/penseoudance37.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/penseoudance37.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;E eu digo n\u00e3o<br \/>\nE eu digo n\u00e3o ao n\u00e3o<br \/>\nEu digo: \u00c9!<br \/>\nProibido proibir<br \/>\n\u00c9 proibido proibir<br \/>\n\u00c9 proibido proibir<br \/>\n\u00c9 proibido proibir&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o refr\u00e3o de &#8220;\u00c9 Proibido Proibir&#8221;, m\u00fasica de Caetano Veloso (apresentada com vaias no Festival Internacional da can\u00e7\u00e3o de 1968). Foi nele que pensei assim que li os primeiros par\u00e1grafos da <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2013\/10\/1352167-gil-e-caetano-se-juntam-a-roberto-carlos-contra-biografias-nao-autorizadas.shtml\" target=\"_blank\">mat\u00e9ria de Juliana Gragnani, na Folha de S\u00e3o Paulo de 5 de outubro de 2013<\/a>: &#8220;O cantor Roberto Carlos, que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de biografias n\u00e3o autorizadas e j\u00e1 tirou de circula\u00e7\u00e3o obras sobre sua vida, conseguiu um apoio de peso. Os m\u00fasicos Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Erasmo Carlos agora est\u00e3o a seu lado. Os sete cantores s\u00e3o fundadores do grupo Procure Saber, que, segundo a produtora Paula Lavigne, deve entrar na disputa para manter a exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a comercializa\u00e7\u00e3o dos livros&#8221;.<\/p>\n<p>Sim, &#8220;autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via&#8221; pra publica\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, censura. Ou proibi\u00e7\u00e3o, aquele ato que Caetano dizia, em tom quase ecum\u00eanico, ser proibido.<\/p>\n<p>\u00c9 uma \u00f3bvia afronta ao direito constitucional de express\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. Um direito que Paula Lavigne, porta-voz do grupo, distorce, segundo a mat\u00e9ria: &#8220;&#8216;usar esse argumento para comercializar a vida alheia \u00e9 pura ret\u00f3rica&#8217;, diz Lavigne. Ela ressalta que o Procure Saber \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, das biografias. &#8216;Se algu\u00e9m quiser escrever uma biografia e public\u00e1-la na internet sem cobrar, tudo bem. O problema \u00e9 lucrar com isso&#8217;, diz.<\/p>\n<p>\u00d3timo, ela pede que os bi\u00f3grafos e editores trabalhem de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 Djavan distorce a realidade: &#8220;Djavan disse que a liberdade de express\u00e3o pode causar injusti\u00e7as &#8216;\u00e0 medida que privilegia o mercado em detrimento do indiv\u00edduo&#8217;. &#8216;Editores e bi\u00f3grafos ganham fortunas enquanto aos biografados resta o \u00f4nus do sofrimento e da indigna\u00e7\u00e3o'&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00e9rio. Djavan realmente acredita que bi\u00f3grafos &#8220;ganham fortunas&#8221; com seus livros, ao estilo hollywoodiano.<\/p>\n<p>E Lavigne termina com mais uma vis\u00e3o torta como argumento: &#8220;Corremos o risco de estimular o aparecimento de biografias sensacionalistas, em um pa\u00eds em que a repara\u00e7\u00e3o pelo dano moral \u00e9 rid\u00edcula&#8221;. Ou seja, j\u00e1 que a Lei \u00e9 &#8220;ruim&#8221; pra punir abusos e oferecer indeniza\u00e7\u00f5es, melhor cortar logo o problema pela raiz: antes da possibilidade de informar o que se considera errado ou injusto, proibe-se a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A jornalista da Folha, pra felicidade da l\u00f3gica e deleite do bom senso, termina a mat\u00e9ria com uma informa\u00e7\u00e3o lapidar: &#8220;Coerentemente, Lavigne pediu para ler esta reportagem antes de sua publica\u00e7\u00e3o. Sua solicita\u00e7\u00e3o foi negada&#8221;.<\/p>\n<p>Jornalistas t\u00eam suas responsabilidades, mas apenas com a verdade, jamais com o protagonista da mat\u00e9ria; esse deveria se beneficiar do apoio do profissional \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 verdade &#8211; se a verdade n\u00e3o lhe for favor\u00e1vel, o problema est\u00e1 no ato do protagonista merecedor de ser levado a p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9 um problema de quem informa.<\/p>\n<p>Mas Lavigne e sua turma, que um dia acreditaram ser proibido proibir, agora acreditam que d\u00e1 pra proibir, sim, que s\u00f3 pode vir a p\u00fablico o que lhes convier. Querem institucionalizar uma Hist\u00f3ria chapa-branca (com &#8220;h&#8221; mai\u00fasculo).<\/p>\n<p>Afora o fato de personalidades p\u00fablicas serem de interesse p\u00fablico, com a\u00e7\u00f5es de impacto na sociedade (a luta dos artistas do Procure Saber contra a ditadura \u00e9 not\u00f3ria) e, por isso, terem diminu\u00eddo seu espectro de &#8220;privacidade&#8221;, suas hist\u00f3rias de falhas e acertos s\u00e3o simb\u00f3licas como cap\u00edtulos da Hist\u00f3ria da sociedade, exemplos a serem ou n\u00e3o serem seguidos. S\u00e3o &#8211; \u00e9 bom refor\u00e7ar &#8211; de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Por outro lado, qualquer deslize cometido por bi\u00f3grafos (ou jornalistas, ou editores) mal-intencionados deve sofrer san\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a da lei vigente ou pelo pr\u00f3prio mercado. Se a lei vigente \u00e9 fraca e a Justi\u00e7a, vagarosa, que se lute pra reparar essas duas falhas, e n\u00e3o pra alterar um princ\u00edpio fundamental da sociedade democr\u00e1tica &#8211; o da liberdade de pensar, de se expressar e de criar obras a partir desses atos. Mudar leis e o funcionamento da Justi\u00e7a demoram bem mais e \u00e9 um caminho tortuoso que esses artista n\u00e3o est\u00e3o dispostos a percorrer.<\/p>\n<p>Entretanto, esse del\u00edrio de poder e isolamento que os artistas prop\u00f5em n\u00e3o \u00e9 novidade, muito menos valem a grandes nomes vendedores de discos. No subterr\u00e2neo brasileiro, h\u00e1 gente que se arvora com a possibilidade de editar textos, como se blogues e sites fossem seus canais de promo\u00e7\u00e3o, tais como assessorias de imprensa gratuitas. \u00c9 compreens\u00edvel, j\u00e1 que muitos blogues e sites (principalmente os indie-festivos) se prestam a isso. Mas n\u00e3o todos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma boa lista de casos de artistas que n\u00e3o gostaram disso ou daquilo numa mat\u00e9ria aqui publicada (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-poder-do-elogio\/\" target=\"_blank\">normalmente com rela\u00e7\u00e3o a opini\u00f5es<\/a>) e pediram pra mudar o teor do que foi escrito. O <strong>Floga-se<\/strong> s\u00f3 altera o que foi publicado quando h\u00e1 erro de informa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 casos &#8211; n\u00e3o poucos &#8211; em que o artista n\u00e3o gosta da foto publicada e pede pra ser alterada. Em um dos casos, diante da recusa, fomos &#8220;amea\u00e7ados&#8221; com a &#8220;puni\u00e7\u00e3o&#8221; de n\u00e3o receber mais infos do tal artista. Chega-se a esse n\u00edvel, o que \u00e9 ris\u00edvel, de t\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>A imagem p\u00fablica de um artista \u00e9 uma <em>commodite<\/em> importante na sua equa\u00e7\u00e3o comercial, compreende-se isso. Por esse motivo \u00e9 que quem deve cuidar dela \u00e9 o pr\u00f3prio artista, e n\u00e3o o jornalista, blogueiro, roteirista ou bi\u00f3grafo. N\u00e3o quando se trata de textos isentos, informativos.<\/p>\n<p>Talvez seja um problema do ser humano em lidar com a cr\u00edtica ou com seu passado. Mas essa \u00e9 s\u00f3 mais uma caracter\u00edstica infeliz que merece entrar numa biografia, mostrando o qu\u00e3o fal\u00edveis e pequenas s\u00e3o as figuras p\u00fablicas que desejam altares do povo.<\/p>\n<p><strong>&#8212; ATUALIZA\u00c7\u00c3O (em 10 de junho de 2015) &#8212;<\/strong><\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal decidiu nesse dia que &#8220;\u00e9 inconstitucional exigir autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para divulga\u00e7\u00e3o de biografias&#8221;. De acordo com a relatora, a ministra Carmen L\u00facia, &#8220;\u00e9 inconstitucional o entendimento de que \u00e9 preciso autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos biografados para publica\u00e7\u00e3o de obras bibliogr\u00e1ficas ou audiovisuais. O entendimento contr\u00e1rio significa censura pr\u00e9via&#8221; (<a href=\"http:\/\/entretenimento.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2015\/06\/10\/ninguem-precisa-de-autorizacao-para-ser-livre-diz-advogado-ao-stf.htm\" target=\"_blank\">veja mat\u00e9ria aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Assim, a biografia &#8220;Roberto Carlos Em Detalhes&#8221;, escritor por Paulo Cesar de Ara\u00fajo e lan\u00e7ada em 2007, que acabou por ser proibida pelo pr\u00f3prio Roberto Carlos, est\u00e1 livre pra ser editada e comercializada. Esse \u00e9 o caso exemplar da vit\u00f3ria da Justi\u00e7a. E da derrota dos que pretendiam calar a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/-xkxIpeGVMc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;E eu digo n\u00e3o E eu digo n\u00e3o ao n\u00e3o Eu digo: \u00c9! 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