{"id":36690,"date":"2014-02-13T15:09:53","date_gmt":"2014-02-13T17:09:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=36690"},"modified":"2014-03-10T15:52:57","modified_gmt":"2014-03-10T18:52:57","slug":"pense-ou-dance-os-nanomercados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-os-nanomercados\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: OS NANOMERCADOS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36729\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-os-nanomercados\/penseoudance42\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/penseoudance421.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance42\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/penseoudance421.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/penseoudance421.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-36729\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/penseoudance421.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/penseoudance421.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Qual o tamanho do mercado de m\u00fasica no Brasil? N\u00e3o acontece nada de relevante? Onde est\u00e3o as m\u00fasicas e artistas geniais, relevantes e contundentes? Essas s\u00e3o algumas perguntas recorrentes na recorrentes discuss\u00f5es de botequim sobre mercado de m\u00fasica.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muito a se acrescentar quando percebe-se que ainda se espera recriar algo que no Brasil n\u00e3o existe h\u00e1 tempos. Tirando a m\u00fasica superpopular brasileira, aquela que vende, que toca na r\u00e1dio e aparece na televis\u00e3o, sobra a m\u00fasica alternativa que tratamos aqui e, um tanto mais acima em popularidade, a m\u00fasica alternativa que se encaixa em programas do SESC e nos escassos palcos da Rua Augusta. Todo esse conjunto n\u00e3o inclu\u00eddo na m\u00fasica superpopular sumiu dos holofotes duradouros &#8211; o pessoal do SESC ainda consegue um Altas Horas aqui e ali, uma apari\u00e7\u00e3o ou outra no Multishow, mas nada que resulte em filas em lojas de discos, sobrecarga em lojas <em>online<\/em> ou grande procura em shows.<\/p>\n<p>\u00c9, pra resumo de primeira an\u00e1lise, uma aus\u00eancia de mercado como conhec\u00edamos nos anos 80 e 90. Ou total falta de mercado, como preferir.<\/p>\n<p>Essa &#8220;falta de mercado&#8221; pra m\u00fasica alternativa (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-musica-alternativa-brasileira-soterrada\/\" target=\"_blank\">que discutimos recentemente aqui &#8211; &#8220;o que um artista alternativo precisa fazer pra ser ouvido?&#8221;<\/a>) reflete numa sensa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 nada de bom&#8221; acontecendo na nossa m\u00fasica. Se n\u00e3o aparece numa publica\u00e7\u00e3o de grife, tipo Rolling Stone, numa novela, num comercial de tev\u00ea, num festival gringo, a gente simplesmente tende a achar que n\u00e3o existe, ou n\u00e3o \u00e9 bom o suficiente (e por isso n\u00e3o recebe respaldo da &#8220;grande m\u00eddia&#8221;) a ponto de merecer aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 a hist\u00f3ria ingrata e desleal de tipificar o que &#8220;\u00e9 grande&#8221; e o que &#8220;n\u00e3o \u00e9 grande&#8221;. Bobagem que vem se sustentando h\u00e1 um bom tempo.<\/p>\n<p>No <strong>Floga-se<\/strong>, ve\u00edculo mi\u00fado, aprendemos a agradar a editoria e, espera-se, o leitor, na mesma medida de informa\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o, de modo a perceber que dar palco a bons nomes do subterr\u00e2neo nacional (e gringo) gera uma audi\u00eancia que nos parece satisfat\u00f3ria. Esse \u00e9 o nosso aparente mercado (&#8220;aparente&#8221; porque esse &#8220;satisfat\u00f3ria&#8221; \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o vol\u00e1til, singrando com o tempo).<\/p>\n<p>Aqui, h\u00e1 nomes gringos &#8220;grandes&#8221; juntos com, na maioria, nomes que dificilmente aparecem em publica\u00e7\u00f5es maiores. Pra essas publica\u00e7\u00f5es maiores, tais nomes sequer existem, ou se existem, n\u00e3o valem o espa\u00e7o e a dedica\u00e7\u00e3o. A impress\u00e3o \u00e9 que se n\u00e3o h\u00e1 mercado, n\u00e3o h\u00e1 relev\u00e2ncia, &#8220;n\u00e3o est\u00e1 acontecendo&#8221;. O mesmo vale pra &#8220;nomes do SESC&#8221;, em ve\u00edculos de maior alcance: ainda sofrem pra superar a barreira da percep\u00e7\u00e3o de que est\u00e3o ali menos por qualidades art\u00edsticas do que por habilidades de rela\u00e7\u00f5es e assessorias. Nos vemos diante da falta de credibilidade de blogues e sites da m\u00eddia-abaixo-da-grande-m\u00eddia, porque, al\u00e9m de &#8220;um mercado&#8221;, as pessoas ainda precisam de filtros que qualifiquem os artistas pra esse mercado e que guiem suas prefer\u00eancias.<\/p>\n<p>Nesse aparente <em>looping<\/em> infinito, h\u00e1 uma dose de culpa de todos. A grande m\u00eddia ainda est\u00e1 \u00e0 espera &#8220;do pr\u00f3ximo grande nome&#8221; (que n\u00e3o surge desde o Los Hermanos), porque parece achar que \u00e9 com nomes assim que vai sobreviver. A m\u00eddia pequena sofre com falta de credibilidade, n\u00e3o \u00e9 o filtro desejado pelo ouvinte. O p\u00fablico segue esperando que os mesmos filtros de sempre o guie nesse universo infinito de sons, tend\u00eancias, modas e experi\u00eancias. Grande parte do p\u00fablico ainda aguarda o que a Globo ou o jornal ou sua revista v\u00e1 lhe apresentar como novidade. E o artista, no meio disso tudo, tenta o que pode, quando tenta.<\/p>\n<p>O que h\u00e1 de certo \u00e9 que existe muita gente consumindo pouco, ou quase nada. E uma fatia formada por pouca gente consumindo bastante e que j\u00e1 entendeu que depende de outros meios de chegar ao que h\u00e1 de novidade: basicamente dica de amigos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, &#8220;o mercado&#8221; mudou. N\u00e3o h\u00e1 motivos pra se esperar &#8220;aquele mercado&#8221; dos 80 e 90. Hoje, seis pessoas, vinte, ou quinhentas podem ser o mercado satisfat\u00f3rio pra artistas ou selos, entendendo por &#8220;satisfat\u00f3rio&#8221; o que fa\u00e7a valer a pena, seja como <em>hobby<\/em>, seja por ego, seja financeiramente pros que esperam pouco pro bolso. Uma banda que tem dez m\u00edseros f\u00e3s ainda deve a esses f\u00e3s uma resposta art\u00edstica. Esse \u00e9 o seu mercado, ele n\u00e3o pode ser desprezado. Existem centenas desses nanomercados por a\u00ed.<\/p>\n<p>Essas nanomercados desprezados pela grande m\u00eddia e pelo mercad\u00e3o tomado pela m\u00fasica superpopular (onde est\u00e3o as verbas publicit\u00e1rias e os investimentos culturais fora do crivo do Estado) s\u00e3o aqueles nichos de mercado &#8220;inexistentes&#8221; e que d\u00e3o a falsa sensa\u00e7\u00e3o de que nada &#8220;de qualidade&#8221; est\u00e1 acontecendo na produ\u00e7\u00e3o musical brasileira. D\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o de que a m\u00fasica por aqui morreu, naquela velha hist\u00f3ria de &#8220;n\u00e3o existe rock em (insira o nome da sua cidade)&#8221;. H\u00e1, claro, muita coisa acontecendo e, com um pouco de paci\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel ao p\u00fablico separar o bom do ruim, criar seus pr\u00f3prios v\u00ednculos com os artistas e estabelecer rela\u00e7\u00f5es de mercado, com compra de camisetas, CDs, ingressos de pequenos shows, ou at\u00e9 contribui\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas (no caso dos financiamentos coletivos, por exemplo).<\/p>\n<p>Entretanto, a mastod\u00f4ntica maioria despreza os nanomercados e o que eles podem oferecer de qualidade. H\u00e1 o que se garimpar, h\u00e1 o que se consumir, independente da chancela da grande m\u00eddia. S\u00f3 porque n\u00e3o est\u00e1 na superf\u00edcie n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o esteja acontecendo, que n\u00e3o exista. Esse papo de que ningu\u00e9m mais ousa ou faz m\u00fasica boa no Brasil \u00e9 papo de quem ainda se pauta pelos filtros de sempre, esperando ouvir o de sempre.<\/p>\n<p>Os nanomercados guardam boas surpresas, desprez\u00e1-los \u00e9 desprezar uma realidade, e isso \u00e9 algo que vemos com frequ\u00eancia: se algu\u00e9m comp\u00f4s, executou, gravou, esse algu\u00e9m tem algo a dizer e os ouvidos que se atentarem a essa mensagem podem acomod\u00e1-la no seu pr\u00f3prio nicho dos &#8220;grandes&#8221;: \u00ednfimo e inexistente pra 99,99% da popula\u00e7\u00e3o, &#8220;grande&#8221; pra tal ouvinte. Ao desprezar os muitos nanomercadores estamos desprezando esses consumidores &#8211;  que, enfim, somados podem ser muitos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, entretanto, mensura\u00e7\u00e3o pra isso. Como ningu\u00e9m est\u00e1 vivendo disso (se estiver, \u00e9 exce\u00e7\u00e3o e uma exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o noticiada), ningu\u00e9m sem importa. Nessa obscuridade, h\u00e1 de se perguntar qual a pot\u00eancia total do impacto dos nanomercados juntos. Algu\u00e9m ainda h\u00e1 de medir isso, revelando tal relev\u00e2ncia. Quem topar o desafio estar\u00e1 explicando o presente e o futuro e finalmente sepultando os persistentes v\u00edcios do passado.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual o tamanho do mercado de m\u00fasica no Brasil? 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