{"id":37871,"date":"2014-05-13T16:58:26","date_gmt":"2014-05-13T19:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=37871"},"modified":"2015-09-26T19:13:21","modified_gmt":"2015-09-26T22:13:21","slug":"pense-ou-dance-por-que-shows-sao-superestimados-hoje-em-dia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-por-que-shows-sao-superestimados-hoje-em-dia\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: POR QUE SHOWS S\u00c3O SUPERESTIMADOS HOJE EM DIA?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"37875\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-por-que-shows-sao-superestimados-hoje-em-dia\/penseoudance46\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/penseoudance46.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance46\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/penseoudance46.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/penseoudance46.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-37875\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/penseoudance46.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/penseoudance46.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um assunto um tanto pol\u00eamico. E na coluna &#8220;Pense Ou Dance&#8221;, n\u00e3o fugimos de embates, ainda que pol\u00eamicos. Eis que durante a grava\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.mixcloud.com\/orestoeruido\/o-resto-e-ruido-42\/\" target=\"_blank\">edi\u00e7\u00e3o 42 do nosso podcast O Resto \u00c9 Ru\u00eddo<\/a>, Pedro Oliveira, idealizador do projeto I Buried Paul, um dos preferidos aqui da casa, levantou a bola sobre a diferen\u00e7a de m\u00fasica &#8220;ao vivo&#8221; e m\u00fasica &#8220;gravada&#8221;, pra ressaltar que shows s\u00e3o superestimados.<\/p>\n<p>Ele havia escrito um artigo sobre isso (<a href=\"https:\/\/medium.com\/world-of-music\/a6bdada2e5b6\" target=\"_blank\">leia o original aqui<\/a>). Curioso, pulei pras tais linhas. No cerne, ele diz que a m\u00fasica gravada est\u00e1 matando a m\u00fasica &#8220;ao vivo&#8221;: &#8220;acredito que tem muito a ver com o que n\u00f3s, enquanto p\u00fablico, esperamos dos artistas que amamos e seguimos, ou seja, que eles v\u00e3o reproduzir com perfei\u00e7\u00e3o aquilo que foi gravado anteriormente. E isso acontece em grande parte porque \u2013 e a\u00ed que eu acho que est\u00e1 o problema \u2013 n\u00f3s tendemos a entender a m\u00fasica &#8216;gravada&#8217; e a &#8216;ao vivo&#8217; como essencialmente a mesma coisa, quando elas claramente n\u00e3o s\u00e3o; esperamos que os shows soem t\u00e3o bons, t\u00e3o precisos e t\u00e3o claros quanto aquilo que ouvimos nos discos&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 um pulo pra que o p\u00fablico entenda que o ingresso do show seja um contrato do que esse p\u00fablico espera que o artista represente em cima do palco: uma c\u00f3pia quase fiel do que ouve em disco (ou no tocador de MP3).<\/p>\n<p>Pedro analisa no texto abaixo, traduzido do original citado acima, os caminhos nos trouxeram a esse ponto: m\u00fasica como produto, shows como experi\u00eancias, p\u00fablico como cliente.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise bem s\u00f3bria, em resumo, de como <em>n\u00f3s mesmos<\/em>, a plateia, contribu\u00edmos pra esse quadro, que responde a pergunta do t\u00edtulo. Um texto traduzido pelo pr\u00f3prio autor, exclusivamente pro <strong>Floga-se<\/strong>. <\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Sobre <em>backing tracks<\/em> e o porqu\u00ea de um ingresso pra um show ser um produto tanto quanto o <em>smartphone<\/em> que voc\u00ea usa pra grav\u00e1-lo.<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=728867055\" target=\"_blank\"><em>Por Pedro Oliveira<\/em><\/a><\/p>\n<p>M\u00fasica e performances ao vivo s\u00e3o assuntos dif\u00edceis de se lidar. Embora seja inevit\u00e1vel que a academia tente racionalizar e eventualmente divagar quando o assunto \u00e9 a filosofia das nossas rela\u00e7\u00f5es com a m\u00fasica, ainda assim isso acaba por gerar mais perguntas do que propriamente respond\u00ea-las. Ser\u00e1 que \u00e9 realmente poss\u00edvel compreender e estudar os porqu\u00eas de nos sentirmos felizes ao, por exemplo, viajar milhares de quil\u00f4metros, passar horas a fio em p\u00e9 e dormir em condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis s\u00f3 pra poder ouvir um grupo de pessoas tocando num palco distante, por pouco mais de uma hora cada?<\/p>\n<p>Embora por muitas vezes entendida como uma manifesta\u00e7\u00e3o mais &#8220;primitiva&#8221; e &#8220;visceral&#8221; da m\u00fasica, seria talvez um tanto quanto rom\u00e2ntico afirmar que uma performance ao vivo n\u00e3o \u00e9 um produto, n\u00e3o mais do que um celular o \u00e9. Mas \u00e9 bem poss\u00edvel \u2013 e plaus\u00edvel \u2013 argumentar que a id\u00e9ia de se estar &#8220;comprando uma experi\u00eancia&#8221; \u00e9 bem mais expl\u00edcita no formato de um ingresso do que em uma caixa (na maioria das vezes) preta com uma <em>touchscreen<\/em>. De todo modo, o que de fato s\u00e3o estas experi\u00eancias? A quem elas falam? Com certeza tratam-se de experi\u00eancias muito al\u00e9m do simples ouvir, ou talvez indo at\u00e9 mais longe, muito al\u00e9m da m\u00fasica em si. Estas s\u00e3o experi\u00eancias que se completam no ap\u00f3s, na mem\u00f3ria e nas lembran\u00e7as, por conta de uma infinidade de fatores subjetivos \u2013 tornando-se ent\u00e3o o projeto destas experi\u00eancias uma tarefa quase imposs\u00edvel. <\/p>\n<p>H\u00e1 mais ou menos dois anos, defendi minha tese de Mestrado em m\u00eddias digitais\/<em>design<\/em> de intera\u00e7\u00e3o na <a href=\"http:\/\/www.hfk-bremen.de\/en\/\" target=\"_blank\">Hochschule f\u00fcr K\u00fcnste<\/a> (Universidade de Artes) de Bremen, na Alemanha. O tema da tese girou em torno da performance ao vivo na &#8220;era digital&#8221;: eu resolvi explorar e conjecturar sobre o porqu\u00ea da maioria dos m\u00fasicos e bandas, quando tocam ao vivo, se focarem em reproduzir algo ao inv\u00e9s de criar coisas novas. Eu defendo que isto n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma condi\u00e7\u00e3o do artista, mas sim numa combina\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias que coloca tanto m\u00fasicos quanto p\u00fablico num beco sem sa\u00edda. Minha explana\u00e7\u00e3o te\u00f3rica foi bem digressiva, indo de MTV a Baudrillard, de Teoria de M\u00eddia a Sunn O))), e como resultado eu acabei por desenvolver tr\u00eas prot\u00f3tipos de objetos que poderiam ser usados pra melhorar, <em>hackear<\/em> ou aumentar experi\u00eancias individuais com m\u00fasica ao vivo. Se voc\u00ea tiver interesse, o texto com zilh\u00f5es de refer\u00eancias e a documenta\u00e7\u00e3o dos objetos est\u00e1 dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/s\/bbhdfeus0kzuerm\/pedro-oliveira-MAThesis.pdf\" target=\"_blank\">neste link<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Minha maior preocupa\u00e7\u00e3o ao escrever e desenvolver este marco na minha vida de pesquisador e <em>designer<\/em> era de que o projeto, como um todo, tinha uma enorme chance de morrer dentro da academia, ou mesmo dentro do nicho espec\u00edfico de <em>speculative design<\/em>. Por\u00e9m, ao iniciar minha pesquisa de doutorado, alguns fatos recentes chamaram minha aten\u00e7\u00e3o pra hip\u00f3tese que talvez eu n\u00e3o estivesse t\u00e3o louco assim quanto pensava ao decidir especular sobre estes assuntos todos.<\/p>\n<p>O grande motivo pelo qual eu trouxe esta discuss\u00e3o \u00e0 tona novamente foi por conta de um artigo escrito por J. Willgoose, que toca numa banda chamada &#8220;Public Service Broadcasting&#8221;. No texto ele discute se &#8220;<em>backing tracks<\/em> estariam matando a m\u00fasica ao vivo&#8221; (sic). Eu achei curioso que ele n\u00e3o tentou (bem, na verdade tentou um pouco, sim) excluir a si e sua banda desta equa\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo achei que ele levantou quest\u00f5es muito parecidas com as que eu havia levantado na minha tese, o que me deixou feliz de ver que o t\u00f3pico ainda era \u00fatil e n\u00e3o restrito \u00e0 minha mente estranha. Enfim, comecemos com essa cita\u00e7\u00e3o do texto, e a partir dela desenvolverei meu argumento:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia, praticamente todo mundo (&#8230;) usa alguma forma de <em>backing track<\/em> ou <em>click<\/em> ao vivo (&#8230;) eu j\u00e1 vi bandas aparecerem pra shows relativamente grandes com o <em>set<\/em> todo j\u00e1 pr\u00e9-configurado num <em>laptop<\/em> (&#8230;) pra da\u00ed tocar meia d\u00fazia de notas num sintetizador ou guitarra enquanto o <em>laptop<\/em> faz o resto, ou o vocalista canta junto com 18 harmonias de vocal perfeitamente afinadas vindas do computador. N\u00e3o seria isso um pouco de falcatrua? Ser\u00e1 que as pessoas percebem o que est\u00e1 acontecendo? Elas se importam?&#8221;.<\/p>\n<p>Minhas respostas pra estas duas \u00faltimas quest\u00f5es seriam &#8220;sim, elas sabem&#8221; e &#8220;n\u00e3o, elas n\u00e3o se importam&#8221;, respectivamente. E eu tenho algumas suspeitas do porqu\u00ea as coisas s\u00e3o do jeito que s\u00e3o neste momento. Primeiro de tudo, independente do que o autor do texto diz, eu n\u00e3o concordo que a culpa seja exclusivamente do &#8220;fator lucrativo&#8221; ou, melhor colocado, do m\u00fasico\/artista em si. O autor argumenta de maneira muito certeira que, sim, tem a ver com o decl\u00ednio das vendas de discos, mas mesmo assim eu ainda acho que o buraco \u00e9 mais embaixo. Sendo bem direto, eu acredito que tem muito mais a ver com o que n\u00f3s, enquanto p\u00fablico, esperamos dos artistas que amamos e seguimos, ou seja, que eles v\u00e3o reproduzir com perfei\u00e7\u00e3o aquilo que foi gravado anteriormente.<\/p>\n<p>E isso acontece em grande parte porque \u2013 e a\u00ed que eu acho que est\u00e1 o problema \u2013 n\u00f3s tendemos a entender a m\u00fasica &#8220;gravada&#8221; e a &#8220;ao vivo&#8221; como essencialmente a mesma coisa, quando elas claramente n\u00e3o s\u00e3o. Parafraseando Brian Eno numa entrevista recente (<em>da longa entrevista que pra revista mono.kultur magazine, Edi\u00e7\u00e3o 34, pp. 11-12<\/em>), seria mais ou menos como entender cinema e teatro como a mesma m\u00eddia, e exigir que atores de cinema constantemente reencenassem os filmes, por uma temporada inteira, num palco. Como a pr\u00f3pria entrevistadora argumenta, isso seria n\u00e3o s\u00f3 extremamente mais dif\u00edcil como tamb\u00e9m muito mais injusto do que preparar uma pe\u00e7a de teatro, e eu acho que \u00e9 um exemplo bem tang\u00edvel do que quero dizer. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o por que o mesmo n\u00e3o se aplica \u00e0 m\u00fasica ao vivo?<\/p>\n<p>O ponto \u00e9 que performances ao vivo est\u00e3o sendo progressivamente &#8220;equalizadas&#8221; com performances gravadas, transformando as duas coisas na mesma experi\u00eancia est\u00e9tica. E a\u00ed que mora o maior dos problemas: esperamos que os shows soem t\u00e3o bons, t\u00e3o precisos e t\u00e3o claros quanto aquilo que ouvimos nos discos, que provavelmente levaram muito mais do que duas horas pra serem meticulosamente projetados. E pra que essas expectativas sejam atendidas, m\u00fasicos e bandas hoje em dia precisam se apoiar mais no espet\u00e1culo do que na m\u00fasica. N\u00e3o me leve a mal, n\u00e3o estou dizendo que isso \u00e9 ruim, nem tampouco bom, nem que isso vale menos do que um show espont\u00e2neo ou que seja um produto (como eu argumentei ali em cima que um show \u00e9) de menor valor. O que eu quero dizer \u00e9 que estas coisas n\u00e3o s\u00e3o iguais, n\u00e3o s\u00e3o as mesmas. Beyonc\u00e9 ou Justin Timberlake podem ter bandas absurdamente talentosas e profissionais (e t\u00eam), mas eu duvido que a esmagadora maioria do p\u00fablico est\u00e1 l\u00e1 pra ver os m\u00fasicos. Ou mesmo as m\u00fasicas, se voc\u00ea for analisar bem. O que realmente conta nestes casos \u00e9 toda a experi\u00eancia, o estar l\u00e1, o fator social e, bem, dado a onipresen\u00e7a de c\u00e2meras em <em>smartphones<\/em> e similares, a documenta\u00e7\u00e3o como forma de status social.<\/p>\n<p>E a quest\u00e3o \u00e9, <a href=\"https:\/\/medium.com\/world-of-music\/801853fe875a\" target=\"_blank\">como eu j\u00e1 discuti anteriormente<\/a>, que a m\u00fasica hoje em dia \u00e9 um produto. M\u00fasica \u00e9 algo \u00fabiquo, cada vez mais presente na vida cotidiana, e, enquanto um produto e infelizmente por s\u00ea-lo, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-valor-da-musica\/\" target=\"_blank\">de valor de mercado cada vez menor<\/a>. E pro mercado e pra ind\u00fastria, isso n\u00e3o \u00e9 nada bom. Ent\u00e3o, quando a m\u00fasica deixa de ser o fator mais importante \u2013 porque voc\u00ea tem basicamente a mesma coisa em casa, numa situa\u00e7\u00e3o definitivamente mais confort\u00e1vel \u2013 porque o artista colocaria um esfor\u00e7o tremendo em (re)produzir meticulosamente o que eles j\u00e1 fizeram antes, <a href=\"http:\/\/deadmau5.tumblr.com\/post\/25690507284\/we-all-hit-play\" target=\"_blank\">quando tudo isso est\u00e1 a um <em>play<\/em> de dist\u00e2ncia<\/a>? Ver o artista, dividir o mesmo espa\u00e7o com essa &#8220;persona&#8221; t\u00e3o perfeitamente projetada \u00e9 uma forma de afirma\u00e7\u00e3o social, e uma das maiores caracter\u00edsticas da &#8220;atitude de f\u00e3&#8221;. E talvez seja o que mais importe, hoje em dia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que eu acho que shows s\u00e3o superestimados? N\u00e3o me entenda errado, eu ainda gasto bastante dinheiro com shows \u2013 menos do que gostaria, mais do que deveria \u2013 mas o ponto que eu quero levantar aqui \u00e9 que talvez n\u00f3s, enquanto p\u00fablico, colocamos press\u00e3o demais nos artistas. Isso principalmente porque aprendemos, atrav\u00e9s dos discos e da sua pr\u00f3pria decad\u00eancia enquanto produto, que n\u00f3s temos o direito de faz\u00ea-lo \u2013 n\u00f3s somos os clientes. E infelizmente somos, mas n\u00e3o dos artistas. Portanto, m\u00fasicos e bandas n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser entender que &#8220;o cliente sempre tem raz\u00e3o&#8221; e dar o que ele quer ouvir, e eu honestamente (e romanticamente) acho que isso est\u00e1 bem distante do prop\u00f3sito da arte e da m\u00fasica. Eu adorei <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-low-do-you-know-how-to-waltz-ao-vivo\/\" target=\"_blank\">o que o Low fez no Festival Rock the Garden ano passado<\/a>, mas a maioria dos seus f\u00e3s claramente n\u00e3o. E eu gostei bastante do que a <a href=\"http:\/\/blog.thecurrent.org\/2013\/06\/the-audacity-of-low-what-does-a-band-owe-us-when-we-pay-to-see-them-perform\/\" target=\"_blank\">Andrea Swensson escreveu em seu artigo sobre o caso, que &#8220;um ingresso n\u00e3o \u00e9 um contrato&#8221;<\/a>. E esse \u00e9 o ponto.<\/p>\n<p>Mas de todo modo, na minha tese eu n\u00e3o estava falando de neg\u00f3cios ou sobre a velha quest\u00e3o do que &#8220;quem deve o qu\u00ea a quem&#8221;. Eu tentei passar por cima disto ao colocar parte da responsabilidade no p\u00fablico, simplesmente pelo fato que o resultado da nossa experi\u00eancia com performances ao vivo vem do nosso pr\u00f3prio passado, viv\u00eancias, expectativas e frustra\u00e7\u00f5es, e frequentemente estes aspectos pouco t\u00eam a ver com a m\u00fasica \u2013 como eu disse anteriormente.<\/p>\n<p>Enquanto <em>designer<\/em>, \u00e9 minha obriga\u00e7\u00e3o moral analisar estas experi\u00eancias pra tentar entender o que eles significam pra cada um, ao inv\u00e9s de confiar em estat\u00edsticas. Em outras palavras, eu acredito fortemente e bato na tecla que os <em>designers<\/em> de hoje n\u00e3o devem entender pessoas como clientes (ou usu\u00e1rios, se preferir) mas sim como \u2013 vejam voc\u00eas \u2013 pessoas. Entender que gra\u00e7as \u00e0 inclus\u00e3o digital e maior acesso \u00e0 tecnologia deixamos de ser consumidores passivos pra nos tornarmos criadores ativos (em cinco anos, <a href=\"http:\/\/www.wired.com\/2011\/08\/big-diy\/all\/1%20%20\" target=\"_blank\">a quantidade de pessoas ativamente gerando conte\u00fado na Internet aumentou mais de 60%<\/a>; mais do que isso, o chamado &#8220;maker movement&#8221; <a href=\"http:\/\/www.economist.com\/node\/21540392\" target=\"_blank\">encoraja pessoas a criar novos produtos, individuais e personalizados<\/a>), e isso \u00e9 uma grande mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>O porqu\u00ea da m\u00fasica ao vivo n\u00e3o ter seguido este caminho ainda \u00e9 um mist\u00e9rio pra mim. Eu tentei fazer um coment\u00e1rio nestas quest\u00f5es ao desenvolver objetos simples (n\u00e3o simplistas) que criticam e observam este aspecto \u2013 ou seja, que o p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia significativa e pessoal em shows \u2013 mas eu gostaria de ver o que os m\u00fasicos e empres\u00e1rios da \u00e1rea v\u00e3o inventar de fazer no futuro pr\u00f3ximo. <\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 um assunto um tanto pol\u00eamico. E na coluna &#8220;Pense Ou Dance&#8221;, n\u00e3o fugimos de embates, ainda que pol\u00eamicos. 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