{"id":41014,"date":"2015-02-09T21:05:54","date_gmt":"2015-02-09T23:05:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=41014"},"modified":"2015-02-23T13:19:55","modified_gmt":"2015-02-23T16:19:55","slug":"entrevista-the-tamborines-por-cima-dos-problemas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-tamborines-por-cima-dos-problemas\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: THE TAMBORINES &#8211; POR CIMA DOS PROBLEMAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"41084\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-tamborines-por-cima-dos-problemas\/tamborines5\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines5.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"tamborines5\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines5.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines5.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-41084\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines5.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines5.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Foram dois dias de bate-papo. Henrique Laurindo, uma das metades do The Tamborines, banda de origem brasileira e residente na Inglaterra, deixa a conversa fluir como naquelas desejadas conversas de bar, sem muita pretens\u00e3o de explicar, muito menos de parecer o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Cinco anos ap\u00f3s lan\u00e7ar o elogiado (pela imprensa brit\u00e2nica) <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-tamborines-camera-tremor\/\" target=\"_blank\">&#8220;Camera &#038; Tremor&#8221;, de 2010<\/a>, o ex-casal Laurindo e Lulu Nozaki Grave resolveu lan\u00e7ar em mar\u00e7o de 2015, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-tamborines-sea-of-murmur\/\" target=\"_blank\">&#8220;Sea Of Murmur&#8221;, o aguardado segundo disco (todos os detalhes aqui)<\/a>. Os cincos anos entre um e outro s\u00e3o explicados aqui, nessa entrevista-bate-papo com Laurindo: &#8220;O \u00e1lbum j\u00e1 estava pronto ali, em 2011. Mas na verdade o motivo pelo qual o \u00e1lbum n\u00e3o foi lan\u00e7ado antes foi mesmo porque a banda meio que havia acabado&#8221;.<\/p>\n<p>Muita coisa aconteceu nesse per\u00edodo: &#8220;nessa \u00e9poca, eu estava me separando de uma rela\u00e7\u00e3o longa. Ao mesmo tempo, eu estava em processo pra cidadania brit\u00e2nica e isso estava me consumindo financeira e mentalmente. Da\u00ed houve morte na fam\u00edlia. Ou seja, tive que parar com tudo mesmo e por a cabe\u00e7a no lugar&#8221;.<\/p>\n<p>Eis que esses problemas todos foram parar no disco &#8211; um disco que apresenta uma nova sonoridade pra Tamborines: sai a predomin\u00e2ncia das distor\u00e7\u00f5es e chiados e entra a leveza pop de um Teenage Fanclub e de um&#8230; Legi\u00e3o Urbana: &#8220;vou colocar dessa maneira, sem sarcasmo, tem mais Legi\u00e3o Urbana do que Teenage Fanclub nesse disco. Gosto da Legi\u00e3o e digo com todas as palavras, sem medo de ser feliz. Os quatro primeiros discos da Legi\u00e3o s\u00e3o muito melhores que os quatro dos Smiths&#8221;.<\/p>\n<p>Outros problemas, por\u00e9m, persistem. Apesar da boa impress\u00e3o da estreia, &#8220;Sea Of Murmur&#8221; saiu na ra\u00e7a, tudo na base do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo. Se n\u00e3o h\u00e1 apoio algum de esquem\u00e3o da ind\u00fastria, h\u00e1 ao menos um controle da banda sobre a vendagem, principalmente a <em>online<\/em>. &#8220;A banda se sustenta (financeiramente), a venda do disco financia a turn\u00ea, que financia outro disco etc. e ainda sobra pra comprar cordas novas pra guitarra de vez em quando&#8221;, diz.<\/p>\n<p>E ele sabe que poderia ser melhor, j\u00e1 que as vendas no Brasil s\u00e3o &#8220;zero&#8221;, por conta dos <em>downloads<\/em> ilegais. Sobre essa rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com a m\u00fasica, ele dispara: &#8220;\u00e9 uma burrice imediatista transvestida de esperteza&#8221;.<\/p>\n<p>Se \u00e9 no bar que a gente deixa as lam\u00farias e os problemas pra tr\u00e1s, um sopro de alento e felicidade, &#8220;Sea Of Murmur&#8221;, de bem longe, consegue passar por cima deles, pelo menos pra Tamborines, e ressurgir revigorada, mais leve, pelo menos em disco.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"41085\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-tamborines-por-cima-dos-problemas\/tamborines6\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines6.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"tamborines6\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines6.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines6.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-41085\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines6.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tamborines6.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Esse disco me parece melhor do que o primeiro&#8230; Uma mudan\u00e7a boa. Por outro lado, me lembro de discuss\u00f5es que diziam que o Jesus &#038; Mary Chain deveria ter sempre feito &#8220;Psychocandy&#8221;s e que o caminho do &#8220;Darklands&#8221; come\u00e7ou a matar a banda, j\u00e1 que a &#8220;inova\u00e7\u00e3o&#8221; (entre aspas) veio do primeiro disco&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Laurindo<\/strong>: R\u00e1! Tamb\u00e9m acho que esse disco \u00e9 melhor, mas tem havido resist\u00eancias por aqui. Algumas pessoas j\u00e1 comentaram que preferem a dire\u00e7\u00e3o do &#8220;Camera &#038; Tremor&#8221;, mas normal&#8230; Acontece muito de rotularem uma banda. <\/p>\n<p><strong>F-se: H\u00e1 pessoas que n\u00e3o gostam muito de novos rumos. De cara, ouvindo as primeiras m\u00fasicas de ambos os discos, &#8220;31st Floor&#8221; lembra bem Black Rebel Motorcycle Club e &#8220;Another Day&#8221; lembra Teenage Fanclub&#8230; H\u00e1 uma, podemos dizer, mudan\u00e7a de caminho. Esquecendo os r\u00f3tulos e compara\u00e7\u00f5es, isso foi pensado ou natural?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Dif\u00edcil dizer. &#8220;31st Floor&#8221; foi pensado. Era pra ser algo meio Cold Cave, ou Primal Scream. &#8220;Another Day&#8221; foi natural, toquei a musica no viola, a Lu colocou uma batida <em>a la<\/em> Stones e a coisa fluiu. A Luciana nunca curtiu tocar teclados e parece que &#8220;se achou&#8221; quando passou pra bateria. Essa mudan\u00e7a em si j\u00e1 apontava que as musicas p\u00f3s &#8220;C&#038;T&#8221; seriam diferentes.<\/p>\n<p><strong>F-se: E voc\u00eas tiveram cinco anos pra maturar&#8230; Ou n\u00e3o foi tudo isso? Quanto tempo de fato demorou esse disco pra nascer, entre a primeira decis\u00e3o &#8220;vamos fazer o sucessor de &#8220;C&#038;T&#8221; e o momento em que ele ficou pronto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o muito. Saimos em turn\u00ea logo apos o &#8220;C&#038;T&#8221; j\u00e1 com a forma\u00e7\u00e3o atual e come\u00e7amos a gravar na sequ\u00eancia. V\u00e1rias m\u00fasicas do &#8220;Sea Of Murmur&#8221; foram gravadas na It\u00e1lia em 2011. Como o novo <em>approach<\/em> estava <em>fresh<\/em>, as m\u00fasicas foram surgindo. Como voc\u00ea sabe, lan\u00e7amos &#8220;Black &#038; Blue&#8221; \/ &#8220;Indian Hill&#8221; em 2011. O \u00e1lbum, ou uma das suas vers\u00f5es, j\u00e1 estava pronto ali. At\u00e9 2013 gravamos e regravamos v\u00e1rias coisas.<\/p>\n<p>V\u00eddeo oficial de &#8220;Black &#038; Blue&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lcRHSr800Mg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: O que incomodava nas vers\u00f5es at\u00e9 ali pro disco n\u00e3o ser lan\u00e7ado naquele momento? Eram exatamente essas faixas, t\u00edtulos, letras e arranjos como ouvimos hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Quando decidimos que n\u00e3o usar\u00edamos as grava\u00e7\u00f5es da It\u00e1lia e come\u00e7amos a regravar as m\u00fasicas, foi meio que natural mudar algumas coisas. Mas na verdade o motivo pelo qual o \u00e1lbum n\u00e3o foi lan\u00e7ado antes foi mesmo porque a banda meio que havia acabado. Nessa \u00e9poca, eu estava me separando de uma rela\u00e7\u00e3o longa. Ao mesmo tempo, eu estava em processo pra cidadania brit\u00e2nica e isso estava me consumindo financeira e mentalmente. Da\u00ed houve morte na fam\u00edlia. Ou seja, tive que parar com tudo mesmo e por a cabe\u00e7a no lugar. Da\u00ed, enfim, um m\u00eas tornou-se um semestre, que tornou-se anos. No ano passado, comecei a fu\u00e7ar nas sess\u00f5es e acabei achando umas vinte e seis m\u00fasicas, conversei com a Lu e resolvemos lan\u00e7ar mais um disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea chegou a perder o tes\u00e3o pela m\u00fasica nesse per\u00edodo? Tinha cabe\u00e7a pra isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o perdi o tes\u00e3o, mas era muito dif\u00edcil imaginar lan\u00e7ar um disco naquela situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos s\u00f3 a banda. Somos o selo, o est\u00fadio, <em>managers<\/em>. Isso envolve grana e dedica\u00e7\u00e3o que naquele momentos n\u00e3o disp\u00fanhamos. Sempre operamos de maneira DIY, por teimosia at\u00e9.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea colocou tudo isso no disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Ah, sim. Coisas como &#8220;Said The Spider To The Fly&#8221; e &#8220;Another Day&#8221; s\u00e3o mais expl\u00edcitas. Talvez &#8220;One Afternoon&#8221; e &#8220;Indian Hill&#8221;&#8230; Enfim, est\u00e1 tudo ali, de uma maneira ou de outra.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea diz que esse disco \u00e9 mais &#8220;pessoal&#8221;, \u00e9 disso a que voc\u00ea se refere? Em termos de tem\u00e1tica, qual a diferen\u00e7a b\u00e1sica entre esse o anterior?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Por a\u00ed, mesmo. No primeiro disco, est\u00e1vamos muito certos do que est\u00e1vamos fazendo. Era quase como um quebra-cabe\u00e7as que voc\u00ea j\u00e1 sabe a imagem final, s\u00f3 precisa colocar as pe\u00e7as no lugar certo. Sei l\u00e1, pode parecer clich\u00ea e tudo, mas &#8220;Sea Of Murmur&#8221; foi meio que mudando de cara a cada m\u00fasica. &#8220;Dreaming Girl&#8221; talvez seja a m\u00fasica que faz a ponte entre os dois discos. (<em>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras<\/em>) n\u00e3o houve uma preocupa\u00e7\u00e3o em falar de algo especifico, ou relatar um &#8220;ponto a ponto&#8221; da situa\u00e7\u00e3o. Na verdade, esse resumo se d\u00e1 pela escolha de onze m\u00fasicas entre as vinte e seis que foram gravadas.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum recado direto pra sua ex no n\u00edvel que Bjork fez no disco dela, n\u00e9? (<em>risos &#8211;  <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/musica\/no-sofrido-vulnicura-bjork-relata-fim-do-seu-casamento-15136801\" target=\"_blank\">leia: &#8220;No sofrido \u2018Vulnicura\u2019, Bj\u00f6rk relata o fim do seu casamento&#8221;<\/a><\/em>)<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Tem. Mas ela mesma quem canta em &#8220;Indian Hill&#8221;, ent\u00e3o fica mais f\u00e1cil de balancear. Eu me torno o objeto ao inv\u00e9s de sujeito. \u00c9 meio terapia <em>Gestalt<\/em> (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas voc\u00eas precisam se relacionar ainda, tem isso&#8230; Acho que \u00e9 um baita maturidade, porque n\u00e3o h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o, na verdade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Contanto que ela n\u00e3o erre nas m\u00fasicas que eu gosto e eu n\u00e3o erre nas que ela goste, tudo sob controle (<em>risos<\/em>). Nenhuma (<em>obriga\u00e7\u00e3o<\/em>). Mas assim, nesse ponto, h\u00e1 uma frase do disco que exemplifica essa dedica\u00e7\u00e3o a algo que, enfim, talvez n\u00e3o tenha sentido algum: na &#8220;Said The Spider To The Fly&#8221;, a aranha diz &#8220;eu prefiro ficar na minha, escrevendo livros que n\u00e3o consigo ler e pintando mentiras que ningu\u00e9m nunca ver\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p><strong>F-se \u00c9 como algo que voc\u00ea precisa fazer, mesmo que n\u00e3o tenha sentido aparente&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Exato.<\/p>\n<p><strong>F-se: Isso n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a mola propulsora da arte como um todo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: \u00c9 perigoso generalizar, mas por aqui conhe\u00e7o muitas bandas que ainda seguem a cartilha Oasis.<\/p>\n<p><strong>F-se: &#8220;A cartilha Oasis&#8221;&#8230;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Sim. &#8220;number uno, baby&#8221;, esse tipo de coisa.<\/p>\n<p><strong>F-se: Bem&#8230; Claro, existem artistas que calculam exatamente o que querem produzir pensando no retorno financeiro, mas tem um bocado deles que &#8220;escrevem livros que n\u00e3o conseguem ler&#8221; ou sem saber se algu\u00e9m vai ler&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Pois \u00e9. Na verdade, esse meu coment\u00e1rio n\u00e3o teve muito sentido. Ambi\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 algo muito dif\u00edcil de analisar. Mas voc\u00ea pega um disco como &#8220;Aeroplane Over The Sea&#8221; do Neutral Milk Hotel (<em>1998<\/em>) e d\u00e1 pra contar nos dedos da m\u00e3o o n\u00famero de \u00e1lbuns lan\u00e7ados desde ent\u00e3o que conseguem trazer essa carga emocional, intelectual ou mesmo espiritual de maneira t\u00e3o eficaz.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas essa n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o muito pessoal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Sempre.<\/p>\n<p><strong>F-se: O amor, os relacionamentos, esse universo de alguma forma de atrai ou aqui foi um lance pontual? Digo&#8230; Amor rende m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: O Marquinho Butcher (<em>vocalista do Thee Butchers&#8217; Orchestra<\/em>) costumava dizer que amor rima com distorcedor, paix\u00e3o rima com distor\u00e7\u00e3o&#8230; Acho que somos todos fascinados com relacionamentos humanos, n\u00e3o? Coisas como &#8220;Said The Spider To The Fly&#8221;, por exemplo, n\u00e3o tem esse vi\u00e9s amoroso; &#8220;Dreaming Girl&#8221; tem, mas de uma maneira mas doentia&#8230; Talvez n\u00e3o esteja t\u00e3o explicito assim na letra, talvez seja a minha interpreta\u00e7\u00e3o. Mas olha s\u00f3, o Lou Reed uma vez falou algo interessante: perguntado sobre &#8220;Perfect Day&#8221;, ele deu sua leitura mas concluiu dizendo que essa era &#8220;s\u00f3&#8221; sua interpreta\u00e7\u00e3o. S\u00f3 porque ele escreveu a m\u00fasica n\u00e3o significa que ele esteja certo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Sim, n\u00e3o significa, mas sempre queremos saber o que significa pra quem escreveu.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Ok, no caso da &#8220;Dreaming Girl&#8221; eu associo muito com certos tipos mach\u00f5es, que querem subjugar suas parceiras. Uma perversidade que extrapola o desejo. A &#8220;dreaming girl&#8221; \u00e9 s\u00f3 mais uma presa, sua inoc\u00eancia precisa ser corrompida etc&#8230;<\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9 uma &#8220;maneira doentia&#8221; at\u00e9 bem comum na nossa sociedade que se diz &#8220;progressista&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Exato.<\/p>\n<p>V\u00eddeo oficial de &#8220;Indian Hill&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z1aKX8aAh5c\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Como voc\u00ea se posiciona politicamente? Isso \u00e9 importante pra voc\u00ea como artista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Pra mim \u00e9 algo vital como ser humano. A essa altura do campeonato n\u00e3o tem como ficar em cima do muro. As pessoas em geral est\u00e3o bem preocupadas em dizer o que pensam, mas, tenho percebido, n\u00e3o fazem o exerc\u00edcio de questionamento do porqu\u00ea pensam e agem de tal maneira. Sempre me interessei em an\u00e1lise do discurso, embora n\u00e3o tenha conhecimento acad\u00eamico para tal. Da\u00ed, o sujeito vai \u00e0s redes sociais e posta essas mensagens positivas, espirituosas, mas n\u00e3o se acanha em exercer a viol\u00eancia verbal na sequ\u00eancia. Tipo, &#8220;Jesus te ama&#8221; no mesmo sopro que &#8220;bandido bom \u00e9 bandido morto&#8221;. S\u00f3 vim perceber aqui o quanto n\u00f3s brasileiros somos acostumados e coniventes com a viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9 localizado, um problema dos brasileiros? N\u00e3o \u00e9 um problema humano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Cultural. Mas j\u00e1 me repreenderam algumas vezes quando entro nesse tipo de debate.<\/p>\n<p><strong>F-se: Como voc\u00eas gravaram? Algum processo especial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Sim. Usei uma <em>tape machine<\/em> de oito canais em boa parte do disco. Algumas coisas que ficaram de fora  foram gravadas em uma <em>4 track<\/em> Tascam.<\/p>\n<p><strong>F-se: A escolha foi volunt\u00e1ria ou era &#8220;o que t\u00ednhamos em m\u00e3os&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Um pouco de ambos. Com o tempo fui acumulando equipamentos interessantes. Alguns microfones Ribbon dos anos 1960, pre-ampli valvulado, al\u00e9m da minha fiel guitarra Gianinni. tamb\u00e9m dos anos 60. Em geral, o disco ficou <em>lo-fi<\/em>, mas n\u00e3o na onda Wavves ou Thee Oh Sees. Adoro essas bandas, mas a proposta foi outra.<\/p>\n<p><strong>F-se: Era soar como um Teenage Fanclub? Foi a minha primeira impress\u00e3o ao ouvir &#8211; soar como um Teenage Fanclub n\u00e3o que voc\u00eas deliberadamente quisessem soar como um Teenage Fanclub.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: De maneira alguma. Voc\u00ea diz em sonoridade? Textura? <em>Song writing<\/em>?<\/p>\n<p><strong>F-se: Sonoridade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Adoro o Teenage Fanclub, mas os discos deles s\u00e3o mais polidos, balanceados. O nosso \u00e9 mais cru, irregular.<\/p>\n<p><strong>F-se: H\u00e1, sim, essa diferencia\u00e7\u00e3o&#8230; Principalmente nos \u00faltimos do Teenage Fanclub, como se eles tentassem soar mais limpos&#8230; N\u00e3o \u00e9 exatamente o que parece aqui, &#8220;One Afternoon&#8221; e &#8220;Slowdown&#8221;, essa especialmente, s\u00e3o mais sujas. Mesmo assim, a associa\u00e7\u00e3o me pareceu \u00f3bvia, a princ\u00edpio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Vou colocar dessa maneira, sem sarcasmo: tem mais Legi\u00e3o Urbana do que Teenage Fanclub nesse disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: A\u00ed, eu \u00e9 que pergunto: na sonoridade, na textura ou nas letras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Pedi por essa, na verdade (<em>risos<\/em>)&#8230; Na atitude. Mas acho que inconscientemente quis fazer um disco bacana, com musicas que d\u00eaem pra sentar com um viol\u00e3o e tocar na boa. N\u00e3o d\u00e1 pra fazer isso em &#8220;31st Floor&#8221;, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Sim&#8230; Voc\u00ea acha um disco &#8220;pop&#8221;, no sentido de ser acess\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Foi a inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9&#8230; Atingir o m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edvel&#8230; Lembra que houve uma \u00e9poca em que as pessoas achavam isso um palavr\u00e3o, o oposto de autenticidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Super. Claro que o que consideramos &#8220;pop&#8221; dificilmente corresponde \u00e0s expectativas atuais em torno da palavra.<\/p>\n<p><strong>F-se: O pr\u00f3prio pop de mercad\u00e3o denigre o pop e no Brasil o pop tem uma pecha bem negativa, o que \u00e9 uma pena. A pr\u00f3pria Legi\u00e3o&#8230; Parece criminoso se declarar f\u00e3 da banda nos dias de hoje, a despeito da import\u00e2ncia que teve na d\u00e9cada de 1980.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o \u00e9? Digo com todas as palavras, sem medo de ser feliz. Os quatro primeiros discos da Legi\u00e3o s\u00e3o muito melhores que os quatro dos Smiths. E aqui me refiro a tudo, <em>song writing<\/em>, atitude, sonoridade. Os Smiths tinham um car\u00e1ter at\u00e9 de exclus\u00e3o de certa partes da sociedade. Os Smiths s\u00f3 foram poss\u00edveis porque h\u00e1 toda uma estrutura de classes muito bem definidas aqui. Hoje eu sei bem o que o Morrissey quer dizer quando canta &#8220;a rush and a push and the land is ours&#8221;. Ou, mais recentemente, &#8220;Irish Blood, English Heart&#8221;.<\/p>\n<p><strong>F-se: Inglaterra e ingleses acima de todos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: A ideia de &#8220;Empire&#8221; ainda \u00e9 muito presente em alguns capetinhas por aqui.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas nesse sentido de &#8220;poder dominante&#8221;, a Legi\u00e3o tamb\u00e9m tinha uma vis\u00e3o &#8220;de cima pra baixo&#8221;, n\u00e3o? Eles eram garotos de classe alta num pa\u00eds de extrema desigualdade&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Sim, mas a mensagem era diferente.<\/p>\n<p><strong>F-se: Era a banda cantando pra seus iguais, n\u00e3o pro carinha l\u00e1 do interior do Piau\u00ed ou do Rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o acho. Dizer que uma na\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-ditadura, ainda em pandarecos. \u00e9 o &#8220;pais do futuro&#8221; tem uma conota\u00e7\u00e3o muito diferente. &#8220;Sempre em frente, n\u00e3o temos tempo a perder&#8221;, isso \u00e9 muito contundente pro contexto que viv\u00edamos. Hoje talvez n\u00e3o faca sentido. Al\u00e9m do qu\u00ea os Smiths fizeram escola perigosa. Oasis, Libertines&#8230; essas coisas. <em>Britpop<\/em> (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas o pr\u00f3prio Renato admitia uma paix\u00e3o pelos Smiths&#8230; E a Legi\u00e3o foi tratada por um bom tempo como &#8220;os Smiths brasileiros&#8221;, embora isso seja bem equivocado, voc\u00ea sabe. \u00c9 que Renato Russo acho que n\u00e3o se preocupava muito em desmistificar isso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Talvez. Sempre imaginei que fosse sacanagem da parte dele, mas, quem sabe?<\/p>\n<p><strong>F-se: Tem uma mat\u00e9ria da Bizz em 1986 em que ele aparece com o &#8220;The Queen Is Dead&#8221; antes do disco sair por aqui, no que me pareceu coisa de f\u00e3 que quis sair numa foto assim, sabe?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Pois \u00e9, talvez seja isso mesmo. Mas eu prefiro a Legi\u00e3o.<\/p>\n<p>A banda ao vivo, em 2007, no Brasil:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_ryHJhj_1Vg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Como voc\u00ea acha que &#8220;Sea Of Murmur&#8221; ser\u00e1 recebido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Vou mandar mais um clich\u00ea: acho o disco bem mais coerente do que o primeiro e, mesmo n\u00e3o estando no patamar de certas coisas que gosto, eu acho que ele aponta pra um caminho bom. Como isso vai ser recebido n\u00e3o tenho a menor ideia. Aqui na Inglaterra ainda impera o <em>shoegaze<\/em>, vocais enterrados em <em>reverb<\/em>. <em>fuzz<\/em>, psicodelia&#8230; Nesse ponto, n\u00e3o acho que exista algo com a qual esse disco possa ser medido. Mas, convenhamos, sem gravadora ou esquem\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 querer demais que algu\u00e9m se disponha a &#8220;medir&#8221; algo.<\/p>\n<p><strong>F-se: E o t\u00edtulo do disco, por que &#8220;Sea Of Murmur&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Quando fiz a colagem da capa, algu\u00e9m apontou que lembrava um pouco o quadro <a href=\"http:\/\/uploads8.wikiart.org\/images\/caspar-david-friedrich\/the-wanderer-above-the-sea-of-fog.jpg\" target=\"_blank\">&#8220;Wanderer Above The Sea Of Fog&#8221;, do C D Friedrich<\/a>. Achei genial a coincid\u00eancia e achei que seria um bom t\u00edtulo. Mesmo porque o sujeito da capa do disco est\u00e1 observando algo abstrato, al\u00e9m da linguagem verbal. Talvez &#8220;Sea Of Murmur&#8221; seja o seu estado mental. Essa necessidade em analisar, definir, esmiu\u00e7ar coisas que talvez n\u00e3o tenham um sentido \u00f3bvio.<\/p>\n<p><strong>F-se: Nos dias fren\u00e9ticos de hoje, diria que \u00e9 at\u00e9 um ato de ousadia tirar tempo pra &#8220;analisar, definir, esmiu\u00e7ar coisas&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Bem isso. Pode parecer pretensioso, mas acho que o disco se prop\u00f5e a isso. Se o faz com sucesso, n\u00e3o sei. O que sei \u00e9 que \u00e9 um pouco assustador esse atual escapismo e desleixo na cena atual. Mas, da\u00ed, \u00e9 quest\u00e3o de gosto.<\/p>\n<p><strong>F-se: Queria falar de cinema. Voc\u00eas se inspiraram em Fritz Lang e resgataram Hans Richter, um cineasta pouco conhecido por aqui, atrav\u00e9s de um curta dada\u00edsta de anima\u00e7\u00e3o (<em>&#8220;Vormittagsspuk&#8221;, ALE, 1928, em &#8220;Ghost At The Lighthouse&#8221;, a terceira de &#8220;Sea Of Murmur&#8221;<\/em>)&#8230; Que inspira\u00e7\u00e3o foi essa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Na verdade, quem resgatou o Hans Richter foi o Soft Moon, atrav\u00e9s de suas capas e videos (<em>risos<\/em>). Tenho uma admira\u00e7\u00e3o profunda a Alemanha. J\u00e1 tocamos v\u00e1rias vezes por l\u00e1 e tenho me esfor\u00e7ado a juntar os pontos da cultura que at\u00e9 ent\u00e3o eram bem aleat\u00f3rios pra mim. Mas respondendo a sua pergunta&#8230; t\u00ednhamos uma vinheta chamada &#8220;bossa nova&#8221;, que toc\u00e1vamos sempre que algo dava errado nos shows. Eu tentei escrever uma letra mais coerente e n\u00e3o rolou. Atrav\u00e9s desse curta especificamente, eu meio que decidi abra\u00e7ar essa incoer\u00eancia e inoc\u00eancia. Algo que oscila entre tragic\u00f4mico ou nonsense. N\u00e3o foi tao &#8220;cerebral&#8221; (<em>a escolha<\/em>). E n\u00e3o sei se o Fritz Lang \u00e9 t\u00e3o influente assim (<em>no disco<\/em>). A letra de &#8220;Dreaming Girl&#8221; foi inspirada no filme &#8220;M&#8221; (<em>&#8220;M &#8211; O Vampiro De Dusseldorf&#8221;, ALE, 1931<\/em>), mas, outra vez, n\u00e3o sei se foi algo determinadamente conceitual. Gosto do cinema alem\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>F-se: E tem o Fellini ainda, em &#8220;Fellini&#8217;s Thorn&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: O Fellini na verdade \u00e9 a banda. Todo aspecto <em>lo-fi<\/em> do Fellini era algo que me intrigava muito, al\u00e9m de que eu n\u00e3o conseguia entender as letras. Tenho um compacto <em>split<\/em> com o Fellini e Mercen\u00e1rias, que saiu por um selo daqui. Genial.<\/p>\n<p><strong>F-se: Cad\u00e3o Volpato uma vez disse que as letras n\u00e3o eram pra fazer sentido mesmo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: T\u00e1 vendo? E voc\u00ea a\u00ed me perguntando qual o sentido das minhas (<em>risos<\/em>)<\/p>\n<p><strong>F-se: O disco vai sair em vinil e pelo pr\u00f3prio selo de voc\u00eas (<em>o Beat-Mo Records<\/em>), certo? Como \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o por a\u00ed? Vai sair no Brasil e o que voc\u00ea acha de quem baixa de gra\u00e7a o seu disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Com a Internet, a coisa facilita muito. Por exemplo, j\u00e1 temos pr\u00e9-ordens pro Brasil, EUA, Espanha e Jap\u00e3o. Isso \u00e9 \u00f3timo. Como s\u00e3o poucas c\u00f3pias a coisa fica mais pessoal. Rolou uma tentativa de sair no Brasil, mas prensagem por ai \u00e9 car\u00edssimo e custos pra mandar daqui idem. A tiragem \u00e9 de 300 em vinil. E vai ter CD. CDs ainda vendem mais do que vinil. <em>Download<\/em> vende mais do que CD. E vai ter Bandcamp, Itunes etc. Mas sua pergunta (<em>de baixar de gra\u00e7a<\/em>) cutuca um vespeiro. Enquanto <em>label<\/em> tenho acesso \u00e0s vendas de MP3 em todos os pa\u00edses. No Brasil aparece &#8220;zero&#8221;. A coisa \u00e9 cultural.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea acha que o brasileiro se acostumou a baixar de gra\u00e7a e por isso n\u00e3o paga <em>online<\/em> ou n\u00e3o d\u00e1 valor mesmo \u00e0s obras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o \u00e9 que se acostumou. \u00c9 algo muito maior que isso. Pra que pagar por algo que voc\u00ea pode ter de gra\u00e7a? N\u00e3o \u00e9 roubo porque n\u00e3o existe algo f\u00edsico envolvido, al\u00e9m do mais &#8220;artistas ganham muita grana, ent\u00e3o s\u00f3 um <em>download<\/em> n\u00e3o far\u00e1 mal algum&#8221;, j\u00e1 ouvi coisas assim. \u00c9 uma burrice imediatista transvestida de esperteza. As pessoas n\u00e3o entendem porque shows custam t\u00e3o caro no Brasil ou porque ainda est\u00e1 longe de ter um circuito solido como tem aqui ou nos EUA. Tudo \u00e9 conectado.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas vale dizer tamb\u00e9m que n\u00e3o s\u00f3 no Brasil h\u00e1 <em>downloads<\/em> ilegais&#8230; n\u00e3o \u00e9 uma cruel l\u00f3gica dos nossos tempos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Concordo com sua \u00faltima frase. Discordo da premissa doa primeira. Quando colocamos que &#8220;isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil&#8221; ou &#8220;viol\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o existem no mundo inteiro&#8221;, estamos de alguma maneira justificando a pr\u00e1tica. Mas especificamente a sua pergunta: eu pessoalmente n\u00e3o em incomodo muito, at\u00e9 como uma ato derrotista, sei que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas voc\u00ea consegue mensurar ou imaginar o quanto deixa de ganhar com sua obra por conta dos <em>downloads<\/em> ilegais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o tenho a minima. Tudo que sei \u00e9 que no nosso caso a venda do disco financia a turn\u00ea, que financia outro disco etc. Conhe\u00e7o outras bandas nesse exemplo tamb\u00e9m, mas prefiro concentrar nas coisas boas. A banda se sustenta (<em>financeiramente<\/em>), como expliquei anteriormente, e ainda sobra pra comprar cordas novas pra guitarra de vez em quando (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p>A banda ao vivo, em 2012:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" frameborder=\"0\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.dailymotion.com\/embed\/video\/xnotgf\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: O Tamborines tem mercado no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o, imagina.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas voc\u00eas se consideram uma banda &#8220;brasileira&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Ah! Controverso&#8230; &#8220;Uma banda brasileira&#8221; \u00e9 amplo, pode dizer muita coisa. Voc\u00ea pode ser mais especifico?<\/p>\n<p><strong>F-se: Pois \u00e9&#8230; Nem eu sei dizer&#8230; Esperava que voc\u00ea me desse sua ideia do que seja isso. J\u00e1 escrevi sobre o assunto (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-musica-que-e-brasileira\/\" target=\"_blank\">aqui nesse texto<\/a>). Mas eu gostaria de saber onde voc\u00ea acha que se encaixa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: J\u00e1 havia lido esse texto. Acho que trata justamente dessa impossibilidade em categorizar algo como &#8220;m\u00fasica brasileira&#8221;. Dito isso, acho que temos a posi\u00e7\u00e3o privilegiada de poder dizer &#8220;sim&#8221; e &#8220;n\u00e3o&#8221;. Moramos em Londres h\u00e1 treze anos. \u00c9 o per\u00edodo mais longo que morei em qualquer cidade.<\/p>\n<p><strong>F-se: &#8220;Sim e n\u00e3o&#8221; \u00e9 confort\u00e1vel, n\u00e3o? Se bem que isso n\u00e3o quer dizer de fato alguma coisa, a n\u00e3o ser que o artista se importe em como vai ser categorizado&#8230; Tipo, nas listas de final de ano&#8230; Ali\u00e1s, voc\u00ea se importa com elas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Talvez, mas pergunto: o Raveonettes \u00e9 uma banda dinamarquesa? O Stereolab \u00e9 franc\u00eas ou ingl\u00eas? O Kevin Shields nasceu em Nova Iorque, portanto  My bloody Valentine \u00e9 americano, irland\u00eas ou ingl\u00eas? N\u00e3o me importo nem um pouco com essas listas,<br \/>\num pouco por pregui\u00e7a da minha parte, outra por saber bem como funciona o jogo. Essa discuss\u00e3o talvez at\u00e9 tenha uma real necessidade. Mas n\u00e3o acho que seja algo que seja uma discuss\u00e3o relevante pro artista. Ou pro ouvinte. Eu n\u00e3o vou comprar um disco do Arctic Monkey s\u00f3 porque ele apareceu em alguma lista, por exemplo. Voc\u00eas est\u00e3o s\u00f3s nessa (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea acha que a cr\u00edtica musical acerta quando fala de voc\u00eas? Como voc\u00ea percebe a cr\u00edtica musical atual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Sim, acertam sempre. N\u00e3o posso debater com um jornalista que diz que temos influencia do Weezer (j\u00e1 rolou isso), portanto levo tudo na boa. H\u00e1 um lado perigos\u00edssimo em criticar ou analisar um disco, um filme etc. e publicar isso: voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 expondo suas limita\u00e7\u00f5es. E pagar\u00e1 igualmente por isso. Isso sim \u00e9 um elemento novo no jogo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas \u00e9 poss\u00edvel viver sem a cr\u00edtica musical, a boa e a ruim?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o. Arte \u00e9 discurso e como tal deve ser esmiu\u00e7ado (<em>enfatiza o &#8220;deve&#8221;<\/em>). Sen\u00e3o vira propaganda (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: Qual a maior virtude do novo disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Ele tem muito do que eu gosto em musica: n\u00e3o \u00e9 afetado, escapista ou pretensioso. N\u00e3o se disp\u00f5e a competir com ningu\u00e9m. Ele existe por trinta minutos e boa. N\u00e3o foi feito pensando em listas etc. (<em>risos<\/em>)&#8230;<\/p>\n<p><strong>F-se: Como ser\u00e3o os shows de divulga\u00e7\u00e3o desse disco? J\u00e1 t\u00eam muitas datas? Como \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o no palco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: Nossa <em>booking agent<\/em> deslocou a retina e ficou parada um tempo, mas j\u00e1 estamos organizando uns shows aqui na Inglaterra e Alemanha. Temos tocado em trio, mas estou querendo incorporar mais umas pessoas na banda. Quem tocava baixo at\u00e9 ent\u00e3o era o Chokis Costa, da Wry. Agora \u00e9 o Rodrigo Cesar, que tocava na Cherry Bomb, e atualmente Flying Rats. Pro show de lancamento o Tito, da Sky Between Leaves, vai fazer a segunda guitarra.<\/p>\n<p><strong>F-se: Pensa em voltar a viver no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>F-se: Aconteceu algo pessoal ou o pa\u00eds te frustrou como um todo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HL<\/strong>: N\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio. Tive uma vida bem privilegiada e protegida quando morei no Brasil. Tenho v\u00e1rios amigos e parentes, pessoas que gosto muito. S\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 pra voltar.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dramon-ceus\/\" title=\"DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US\">DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-ment-acceptance-letter-lancamento-do-video\/\" title=\"ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)\">ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-rakta-boas-mentirosas\/\" title=\"ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS\">ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/felipe-neiva-filho\/\" title=\"FELIPE NEIVA &#8211; FILHO\">FELIPE NEIVA &#8211; FILHO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/jair-naves-rente\/\" title=\"JAIR NAVES &#8211; RENTE\">JAIR NAVES &#8211; RENTE<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram dois dias de bate-papo. 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