{"id":41198,"date":"2015-02-23T13:12:29","date_gmt":"2015-02-23T16:12:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=41198"},"modified":"2015-03-04T20:18:25","modified_gmt":"2015-03-04T23:18:25","slug":"pense-ou-dance-idolos-esquecidos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-idolos-esquecidos\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE &#8211; \u00cdDOLOS ESQUECIDOS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"41200\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-idolos-esquecidos\/penseoudance56\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/penseoudance56.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance56\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/penseoudance56.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/penseoudance56.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-41200\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/penseoudance56.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/penseoudance56.jpg?resize=300%2C166 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Na cultura pop \u00e9 assim: andou mais devagar, \u00e9 capaz de cair no esquecimento. O mundo que gira cada vez mais r\u00e1pido, obras e pessoas duram cada vez menos tempo na mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/santos-regiao\/musica\/noticia\/2015\/02\/ex-baixista-do-legiao-urbana-e-encontrado-morto-em-guaruja-diz-pm.html\" target=\"_blank\">Quando vi a morte de Renato Rocha, o Negrete, ex-baixista da forma\u00e7\u00e3o primeira e cl\u00e1ssica da Legi\u00e3o Urbana<\/a>, num desfecho tr\u00e1gico anunciado h\u00e1 muito, lembrei que eu mesmo, embora chocado com a situa\u00e7\u00e3o em que o m\u00fasica se encontrava, pouco me importava. Cada um faz da sua vida, entre erros e acertos (mais erros), o que quiser.<\/p>\n<p>Rocha tinha 53 anos. Est\u00e1 l\u00e1 nos tr\u00eas primeiros discos da Legi\u00e3o Urbana, &#8220;Legi\u00e3o Urbana&#8221; (1984), &#8220;Dois&#8221; (1986) e &#8220;Que Pa\u00eds \u00c9 Este?&#8221; (1987); foi demitido pouco antes da assinatura de um novo contrato com a EMI e do &#8220;As Quatro Esta\u00e7\u00f5es&#8221; (1989). Segundo o trio restante, era relapso, pouco profissional.<\/p>\n<p>Dos direitos autorais, vinha sua renda a partir de ent\u00e3o &#8211; cerca de R$ 900,00 por m\u00eas. Ele assina com os outros integrantes &#8220;A Dan\u00e7a&#8221;, do primeiro disco; &#8220;Daniel Na Cova Dos Le\u00f5es&#8221;, &#8220;Quase Sem Querer&#8221;, &#8220;Acrilic On Canvas&#8221; e &#8220;Plantas Embaixo Do Aqu\u00e1rio&#8221;, do segundo; e &#8220;Angra Dos Reis&#8221; e &#8220;Mais Do Mesmo&#8221;, do terceiro.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sair da banda, n\u00e3o se falou mais de Negrete. Ele virou um ex. Um ex que fez l\u00e1 qualquer coisa. At\u00e9 quem em 2012, vira atra\u00e7\u00e3o pro circo midi\u00e1tico, protagonista de um programa de TV que mostra sua decad\u00eancia vivendo nas ruas do centro do Rio de Janeiro, com uma m\u00e3o na frente e outra atr\u00e1s, desorientado.<\/p>\n<p>Rolou uma como\u00e7\u00e3o nesse momento. &#8220;Ah, olha como ficou o ex-baixista&#8221;.<\/p>\n<p>A morte de Renato Russo, &#8220;o grande poeta&#8221;, \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. Voz de uma gera\u00e7\u00e3o, foi t\u00e3o sentida quando a de Kurt Cobain ou de Cazuza, dois doentes terminais numa grande vitrine. A morte de Negrete deve durar, sabe-se l\u00e1, umas poucas luas, se muito.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que Renato Rocha era &#8220;um dos m\u00fasicos a acompanhar do Renato Russo&#8221;, nunca foi \u00eddolo, nunca teve voz, nunca teve holofotes. Morreu lutando contra o v\u00edcio, morreu quase esquecido, ou lembrado apenas como o ex-baixista (&#8220;quase&#8221;, porque havia uma tentativa de resgate, de ajuda). \u00c9 triste, mas n\u00e3o \u00e9 exclusividade dele.<\/p>\n<p>Ao olhar o quadro &#8220;in memorian&#8221; de todo ano do Oscar, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea se depare com o espanto de n\u00e3o lembrar que essa ou aquela figura tenha morrido. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falta de informa\u00e7\u00e3o. O tempo passa, esquecemos quem um dia, por breves momentos, seja na tela, seja no palco, seja na TV, pagamos pra nos entreter e se tornaram \u00eddolos, algu\u00e9m que admiramos, algu\u00e9m que sabemos quem \u00e9, como se fosse um amigo espor\u00e1dico que gostamos de encontrar.<\/p>\n<p>O mesmo vale pro futebol. Pendurou as chuteiras, dan\u00e7ou. H\u00e1 raras exce\u00e7\u00f5es, bem raras, figuras enormes como Pel\u00e9, Maradona, Zico, Rom\u00e1rio, Zidane, Platini, por exemplo. Uns gr\u00e3os de areia brilhantes na praia do esquecimento. Mas s\u00e3o todos \u00eddolos de um passado mais lento, sem tanta pressa.<\/p>\n<p>\u00cddolos n\u00e3o duram muito nesses dias. Duram quase nada. A culpa \u00e9 da nossa feroz busca por novos \u00eddolos, j\u00e1 que os nossos n\u00e3o nos bastam. Mas tamb\u00e9m \u00e9 do pr\u00f3prio tempo, com toneladas de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis gratuitamente, na dist\u00e2ncia de meia d\u00fazia de cliques, e essa ansiedade de querer absorver cada vez mais, sem maturar os discursos dos candidatos a novos \u00eddolos.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqueles que permanecem ap\u00f3s a morte, mas \u00e9 preciso ser maior do que a mem\u00f3ria. \u00c9 preciso ser grande o suficiente pra que n\u00e3o nos deixe esquecer. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e pra quem n\u00e3o consegue, \u00e9 doloroso. &#8220;Crep\u00fasculo Dos Deuses&#8221; (1950) e &#8220;O Que Ter\u00e1 Acontecido A Baby Jane?&#8221; (1962), entre outros, encenam no cinema essa morte em vida: o esquecimento, o ato de definhar sem entender o que desencadeou o apagar do interesse da plateia.<\/p>\n<p>A gente morre ainda vivo, sem saber quando. Pra quem deu algum sentido pra vida dos outros, deve ser uma morte ainda mais dif\u00edcil de aceitar. Ningu\u00e9m gosta de perceber que \u00e9 descart\u00e1vel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0qnGv4IW2Ac\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na cultura pop \u00e9 assim: andou mais devagar, \u00e9 capaz de cair no esquecimento. 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