{"id":42113,"date":"2015-05-18T18:08:15","date_gmt":"2015-05-18T21:08:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=42113"},"modified":"2016-12-08T22:33:40","modified_gmt":"2016-12-09T00:33:40","slug":"o-dia-em-que-conheci-b-b-king","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-dia-em-que-conheci-b-b-king\/","title":{"rendered":"O DIA EM QUE CONHECI B. B. KING"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42114\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-dia-em-que-conheci-b-b-king\/bbking1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"bbking1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-42114\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Riley Ben King nasceu no Mississipi, Esteites, dia 16 de setembro de 1925. Nos quase noventa anos seguintes, at\u00e9 sua morte em 14 de maio de 2015, escreveu uma hist\u00f3ria como poucos seres humanos conseguiram &#8211; forte, carism\u00e1tico, poeta sonoro, B. B. King, como ficou conhecido, gravou em torno de cinquenta discos e definiu um estilo, que a despeito dos outros, de quaisquer outros, \u00e9 <em>o estilo<\/em>, o pai de todos que se constroem com guitarra, o <em>blues<\/em>.<\/p>\n<p>B. B. King \u00e9 o rei do <em>blues<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9&#8221;, assim mesmo, no presente. N\u00e3o h\u00e1 passado pra essa figura inconfund\u00edvel na estampa, no jeito de tocar. Jamais deixar\u00e1 de ser. Jamais deixar\u00e1 de encantar, surpreender e inspirar.<\/p>\n<p>De tudo que B. B. King deve ter passado na vida, de tantas pessoas que tocou com sua m\u00fasica, dos incont\u00e1veis u\u00edsques saboreados por suas notas, \u00e9 at\u00e9 irrespons\u00e1vel tentar definir seu impacto em poucos par\u00e1grafos. N\u00e3o h\u00e1 resumo pra sua grandeza.<\/p>\n<p>Mas cada pessoa que um dia ouviu sua m\u00fasica pode montar um epit\u00e1fio apaziguador da dor pessoal dessa perda. Porque ningu\u00e9m fica imune ao impacto causado pela sua envolvente guitarra, a mais famosa das guitarras j\u00e1 existentes, com nome pr\u00f3prio e declara\u00e7\u00f5es de amor. \u00c9 \u00f3bvio que sua obra fica, sobrevive, \u00e9 eterna. O \u00eddolo deixa de ser ele quando ganha essa dimens\u00e3o, passa a ser intang\u00edvel, e mesmo com seu corpo finito, mesmo que seu cora\u00e7\u00e3o pare, que as doen\u00e7as mundanas o ven\u00e7am, ele vai estar sempre no mundo, como sempre esteve.<\/p>\n<p>A n\u00e3o ser que voc\u00ea tenha uma hist\u00f3ria como a de Bob Kincey, publicit\u00e1rio e f\u00e3 de grande envergadura do mestre. Ele tem uma hist\u00f3ria cujo protagonista \u00e9 B. B. King. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o \u00f3bvio. Kincey n\u00e3o se conteve em ter passado pelo mundo apenas ao mesmo tempo em que a m\u00fasica de B. B. King surgiu. Ele precisava conhec\u00ea-lo. E em 1998, teve essa chance, aqui no Brasil.<\/p>\n<p>O texto abaixo conta como um pouco de cara-de-pau pode dar resultados. Bob Kincey teve seus minutos de fama com B. B. King. Ele estava t\u00e3o vivo quanto no palco, t\u00e3o vibrante quanto nos discos &#8211; e era de verdade, n\u00e3o um \u00eddolo intang\u00edvel.<\/p>\n<p>Recordar dessa pequena hist\u00f3ria \u00e9 uma \u00f3tima maneira de recordar do grande B. B. King.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42115\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-dia-em-que-conheci-b-b-king\/bbking2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking2.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"bbking2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking2.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-42115\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking2.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking2.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>De frente com Mr. Riley B. King &#8211; O dia em que conheci o rei do <em>blues<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Texto e fotos: Bob Kincey<\/em><\/p>\n<p>Desde pequeno tenho o h\u00e1bito de ouvir m\u00fasica, influ\u00eancia paterna que agrade\u00e7o at\u00e9 hoje. E, entre alguns g\u00eaneros, o <em>blues<\/em> rapidamente se tornou um dos estilos preferidos. Sempre que volto ao passado e viajo at\u00e9 a minha inf\u00e2ncia, resgato imagens de um moleque com fei\u00e7\u00f5es n\u00f3rdicas, adornado por gigantescos fones de ouvido. M\u00fasica era um dos meus brinquedos preferidos, at\u00e9 mesmo na hora de dormir.<\/p>\n<p>Seguia pro meu quarto, acompanhado por um par de fones adaptados, que se estendiam da minha cama at\u00e9 o gravador de rolo da sala. A qualidade do audio era superior a qualquer <em>wi-fi<\/em> ou <em>home theater<\/em> da atualidade. Assim eu embalava meu sono, ao som de Robert Johnson, Lightning Hopkins, John Lee Hooker, Buddy Guy, Muddy Waters e, \u00e9 claro, B. B. King.<\/p>\n<p>Quase trinta anos e alguns modelos de fones de ouvido depois, tive a chance de consolidar toda a minha paix\u00e3o pelo <em>blues<\/em> em um encontro inesperado com o rei do g\u00eanero musical: Mr. Riley B. King.<\/p>\n<p>Em 13 de dezembro de 1998, um domingo, um grupo restrito de paulistanos foi agraciado com uma \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o de B. B. King no Bourbon Street Music Club. Uma raridade se levarmos em conta a falta de frequ\u00eancia dos grandes artistas internacionais por essas bandas nos anos 90.<\/p>\n<p>Fato que tornou a procura por ingressos um evento \u00e0 parte. Em menos de uma semana, todos os assentos haviam desaparecido das bilheterias e com eles, o meu ingresso, que desapareceu logo nas primeiras horas do primeiro dia de vendas. Havia conseguido o assento mais sim\u00e9trico da hist\u00f3ria dos meus concertos musicais: de frente pro palco, no centro e na primeira fila. O termo &#8220;macaco de audit\u00f3rio&#8221; nunca me serviu t\u00e3o bem e, \u00e0s oito horas daquela noite, sentaria a menos de dois metros do mestre Riley B. King.<\/p>\n<p>Estrategicamente centralizado na primeira fila e indevidamente cercado por magnatas antip\u00e1ticos e convidados nada especiais, fui obrigado a controlar minha ansiedade com o bom e velho amigo Jack. Jack Daniels, pros n\u00e3o t\u00e3o \u00edntimos. Mantive a compostura e, por volta das dez da noite, a banda iniciou uma breve introdu\u00e7\u00e3o instrumental. Poucos minutos depois, seus integrantes apresentaram a estrela principal e B. B. King caminhou at\u00e9 o centro do palco, acompanhado da insepar\u00e1vel Lucille.<\/p>\n<p>Antes que tocasse a primeira nota &#8211; aquela longa e sustenida nota que automaticamente ouvimos quando nos deparamos a uma foto ou lemos o seu nome em alguma publica\u00e7\u00e3o &#8211; B. B. King cumprimentou o p\u00fablico com um sorriso inigual\u00e1vel. Grato e humilde, caracter\u00edsticos de um grande homem.<\/p>\n<p>M\u00fasica ap\u00f3s m\u00fasica, o rei do <em>blues<\/em> e sua banda seguiram por quase duas horas. Foi um show impec\u00e1vel. Sim, talvez essa seja a melhor palavra para definir o que tinha acabado de presenciar. O som, o ritmo, a voz, as notas, a guitarra, todos impec\u00e1veis. Mais impec\u00e1vel ainda, foi apreciar a alegria, o respeito, a sensibilidade e a viv\u00eancia de um homem que resolveu contar a sua hist\u00f3ria atrav\u00e9s da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Antes que deixasse o palco, Mr. King fez quest\u00e3o de presentear os fans com os famosos &#8220;pins&#8221; de guitarra, tradicionalmente distribu\u00eddos ap\u00f3s suas apresenta\u00e7\u00f5es. Fui um dos primeiros a desocupar a cadeira e estender as m\u00e3os pra receber a prenda. Al\u00e9m do mimo, recebi um aperto de m\u00e3o, acompanhado de um sorriso mais que simp\u00e1tico. Nesse momento, depois do gratificante b\u00f4nus, voltei ao meu assento e discuti com meu amigo Jack, o Daniels, a possibilidade de um encontro com o rei do <em>blues<\/em>. N\u00e3o, n\u00e3o tive um rompante de arrog\u00e2ncia, apenas percebi a oportunidade pairando no ar. Como no <em>blues<\/em>, esse era o meu &#8220;feeling&#8221;.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42116\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-dia-em-que-conheci-b-b-king\/bbking3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking3.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"bbking3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking3.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking3.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-42116\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking3.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking3.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Meses antes, havia lido em sua biografia, que B. B. King costumava receber os f\u00e3s em seu <em>trailer<\/em>, depois dos shows. Assim sendo, tracei uma estrat\u00e9gia e fui em busca do meu objetivo.<\/p>\n<p>Por alguns anos visitei o Bourbon Street Music Club com certa frequ\u00eancia, gra\u00e7as a amigos que costumavam se apresentar na casa. Com isso, acabei adquirindo alguns conhecimentos, descobri verdadeiros &#8220;atalhos&#8221;, quando o assunto era bastidores.<\/p>\n<p>Normalmente, as bandas terminam as suas apresenta\u00e7\u00f5es e imediatamente seguem pra uma sala reservada, onde fazem uma merecida refei\u00e7\u00e3o. Sabia que n\u00e3o seria diferente com a B. B. King&#8217;s Blues Band. Segui, ent\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 tal sala, fazendo escala pra comprar um CD do B. B. King na recep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desviei de alguns gar\u00e7ons e alguns bebuns de plant\u00e3o e como um gato preto em noite de lua nova, cheguei at\u00e9 a sala mantendo o anonimato. Abri a porta e entrei com ares de quem havia se perdido. Estavam ali, todos os m\u00fasicos, se alimentando de estrogonofe, batatas assadas e muito p\u00e3o. Na ponta da mesa, se encontrava o trompetista, l\u00edder da banda e sobrinho do rei do <em>blues<\/em>, Mr. James &#8220;Boogaloo&#8221; Bolden. Ele se virou, sorriu e prontamente perguntou se eu precisava de ajuda. Confesso que, na hora, toda aquela simpatia me causou constrangimento, mas busquei foco e segui com o meu objetivo. Respondi que tinha a inten\u00e7\u00e3o de encontrar o toalete, mas indaguei estar mais feliz por ter encontrado a banda. Ele riu e essa foi a dica pra pedir que autografassem a capa do meu mais novo CD. Fechei a porta da sala e todos, sem exce\u00e7\u00e3o, se prontificaram em assinar.<\/p>\n<p>Terminada a volta ol\u00edmpica ao redor da mesa, me deparei novamente com o senhor Boogaloo. Estendi a m\u00e3o, cumprimentei-o e agradeci a cortesia de cada um dos seus companheiros de palco. Por\u00e9m, antes que sa\u00edsse da sala, perguntei se havia a possibilidade de completar o meu rec\u00e9m-inaugurado \u00e1lbum de aut\u00f3grafos. Ele, mais uma vez, riu e disse: &#8220;n\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o pode voltar pra casa sem a assinatura principal&#8221; e pediu que o esperasse l\u00e1 fora, junto ao palco, at\u00e9 que terminassem o jantar. Em menos de um minuto atravessei o espa\u00e7o e montei guarda, atento como um soldado em tempos de guerra.<\/p>\n<p>Instantes depois, percebi a presen\u00e7a do senhor Boogaloo, caminhando em minha dire\u00e7\u00e3o. Simp\u00e1tico, como sempre, se aproximou e comentou em voz baixa que deveria segui-lo. Obedeci suas ordens e fomos em busca de uma sa\u00edda lateral, pouco usada no recinto. No caminho, fomos obstru\u00eddos v\u00e1rias vezes por transeuntes alcoolizados que insistiam em fazer perguntas ao trompetista. Enfim, chegamos ao destino planejado, localizado a frente de um <em>trailer<\/em> onde o senhor Riley se encontrava.<\/p>\n<p>Enquanto convers\u00e1vamos sobre amenidades, Boogaloo ficou o tempo todo ao meu lado e ao lado da porta do <em>trailer<\/em>. Havia uma pequena fila no local. Como eu, eram f\u00e3s em busca do mesmo objetivo: trocar algumas palavras com o rei do <em>blues<\/em>. Por\u00e9m, eu estava acompanhado do seu sobrinho e isso me renderia uma significante vantagem. Boogaloo pediu a minha aten\u00e7\u00e3o, abriu outro sorriso e disse em tom efusivo: &#8220;voc\u00ea ser\u00e1 o pr\u00f3ximo a entrar no <em>trailer<\/em> e acaba de ganhar o t\u00edtulo de &#8220;bom e velho amigo (&#8220;a good ol&#8217; friend&#8221;, na sua l\u00edngua nativa), por isso, seja esse bom e velho amigo, certo?&#8221;. Imediatamente codifiquei a mensagem e, ap\u00f3s ser anunciado pelo carism\u00e1tico senhor, adentrei o <em>trailer<\/em>.<\/p>\n<p>Paralisado. Esse era o meu estado psicof\u00edsico. Estava cara a cara com ningu\u00e9m menos que B. B. King, o rei do <em>blues<\/em>.<\/p>\n<p>Havia alcan\u00e7ado o meu objetivo. Sim, de fato, havia cumprido a minha miss\u00e3o. Por\u00e9m, em quest\u00e3o de segundos, percebi a urgente demanda de outro objetivo: selecionar assuntos e palavras interessantes o suficiente pra dividir com aquela ilustre e simp\u00e1tica pessoa. Tamanho foi entretenimento nas conversas com o sobrinho, que acabei esquecendo de pensar no que iria falar com o tio. Por sorte, lembrei que havia lido a biografia daquele senhor e resgatei alguns assuntos nas p\u00e1ginas que ficaram gravadas na minha mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42117\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-dia-em-que-conheci-b-b-king\/bbking4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?fit=552%2C552\" data-orig-size=\"552,552\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"bbking4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?fit=552%2C552\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?resize=552%2C552\" width=\"552\" height=\"552\" class=\"alignnone size-full wp-image-42117\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?w=552 552w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bbking4.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><\/p>\n<p>Enquanto Mr. King se alimentava de um refrescante peda\u00e7o de mel\u00e3o, fiz algumas perguntas sobre sua sofrida inf\u00e2ncia, as primeiras apresenta\u00e7\u00f5es, a fabulosa hist\u00f3ria da sua insepar\u00e1vel guitarra e, at\u00e9 mesmo, sobre diabetes. A princ\u00edpio, perguntas \u00f3bvias. Mas, em poucos segundos, a minha paralisia se transformou em comodidade. Sentia como se estivesse na sala da casa do meu av\u00f4, trocando informa\u00e7\u00f5es sobre um passado distante. O \u00edcone B. B. King, o mestre B. B. King, havia se transformado no senhor Riley, no &#8220;bom e velho amigo&#8221;, Sr. Riley. Um senhor am\u00e1vel, experiente, cativante e extremamente educado. Uma pessoa com quem passaria horas falando sobre qualquer assunto. Horas n\u00e3o, dias. Pelo menos, essa era a sensa\u00e7\u00e3o. Esse era o &#8220;feeling&#8221;. Al\u00e9m da vontade, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Depois de mais algumas perguntas, senti a obriga\u00e7\u00e3o de encerrar o bate-papo. Por mais educado que aquele senhor pudesse ser, n\u00e3o pretendia exaustar a sua paci\u00eancia. T\u00e3o pouco, pretendia desrespeitar os objetivos dos outros f\u00e3s que aguardavam do lado de fora do <em>trailer<\/em>. Neguei a oferta de um peda\u00e7o de mel\u00e3o, solicitei humildemente um aut\u00f3grafo na capa do meu rec\u00e9m-comprado CD, agradeci v\u00e1rias vezes a oportunidade de estar ao seu lado e segui em dire\u00e7\u00e3o a porta. Antes que pudesse abri-la, o senhor Riley me chamou pelo nome e perguntou se gostaria de receber uma foto autografada. Assimilei a pergunta, ainda que surpreso por ter ouvido o meu nome na voz daquele homem. Um verdadeiro exemplo de humildade e educa\u00e7\u00e3o. Aceitei a oferenda e, mais uma vez, agradeci pela gentileza. E assim, deixei o <em>trailer<\/em> depois de um \u00faltimo e sincero aperto de m\u00e3os.<\/p>\n<p>Hoje, quase duas d\u00e9cadas depois, ainda me sinto aben\u00e7oado por ter conhecido o mestre B. B. King, tirando notas inating\u00edveis de sua Lucille. Mais que isso, me sinto aben\u00e7oado por ter tido a honra de conhecer o senhor Riley B. King, uma pessoa singela e cativante, de quem pude ouvir palavras e pensamentos que v\u00e3o al\u00e9m das biografias.<\/p>\n<p>Normalmente, as pessoas se referem aos seus quinze minutos de fama quando exp\u00f5em suas maiores conquistas diante de milhares de outras pessoas. Sentem-se importantes e cheias de <em>glamour<\/em>. Comigo, n\u00e3o foi dessa forma. Foi diferente. Os meus quinze minutos de fama n\u00e3o tiveram fama. E, com certeza, uma das minhas maiores conquistas n\u00e3o precisou de plat\u00e9ia. N\u00e3o foi preciso mais do que uma pessoa para validar os meus quinze minutos, apenas a exclusividade e a gentileza do senhor Riley B. King.<\/p>\n<p>Muito obrigado, Mr. King. Descanse em paz.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-dono-da-loja-oficial-de-discos-do-azerbaijao-sovietico\/\" title=\"O DONO DA LOJA OFICIAL DE DISCOS DO AZERBAIJ\u00c3O SOVI\u00c9TICO\">O DONO DA LOJA OFICIAL DE DISCOS DO AZERBAIJ\u00c3O SOVI\u00c9TICO<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/b-b-king-de-novo-no-brasil\/\" title=\"B.B. KING (DE NOVO) NO BRASIL &#8211; EM MAR\u00c7O DE 2010\">B.B. KING (DE NOVO) NO BRASIL &#8211; EM MAR\u00c7O DE 2010<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/nota-blues\/\" title=\"NOTA BLUES\">NOTA BLUES<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Riley Ben King nasceu no Mississipi, Esteites, dia 16 de setembro de 1925. 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