{"id":43465,"date":"2015-09-24T18:21:16","date_gmt":"2015-09-24T21:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=43465"},"modified":"2021-11-17T12:32:40","modified_gmt":"2021-11-17T15:32:40","slug":"revisitando-marrs-pump-up-the-volume-1987","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-marrs-pump-up-the-volume-1987\/","title":{"rendered":"REVISITANDO: M\/A\/R\/R\/S &#8211; PUMP UP THE VOLUME (1987)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"43474\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-marrs-pump-up-the-volume-1987\/marrs1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"marrs1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-43474\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Pode uma banda que jamais lan\u00e7ou um disco &#8211; e, em verdade, lan\u00e7ou apenas um <em>single<\/em> em toda a sua carreira &#8211; ser relevante? S\u00e3o casos raros, rar\u00edssimos, mas acontece. O M\/A\/R\/R\/S \u00e9 um desses casos.<\/p>\n<p>O nome \u00e9 acronismo com as iniciais de Martyn Young, Alex Ayuli, Rudy Tambala, Russell Smith e Steve Young.<\/p>\n<p>Martyn e Steve s\u00e3o irm\u00e3os e haviam chamado aten\u00e7\u00e3o no Colourbox, grupo da 4AD, que experimentava com <em>samples<\/em>, <em>soul<\/em>, <em>dub<\/em>, <em>reggae<\/em>, <em>disco<\/em>, eletr\u00f4nica. A dupla lan\u00e7ou dois EPs e um disco cheio entre 1982 e 1987.<\/p>\n<p>J\u00e1 Alex Ayuli e Rudy Tambala fizeram seus nomes no A.R. Kane, uma banda experimental, anunciando o <em>dream pop<\/em> que o Beach Fossils, DIIV, Beach House e tantos outros ficam ra\u00edzes hoje, com guitarras limpas, viajantes, mas com o adorno de batidas africanas &#8211; n\u00e3o por menos, afinal Ayuli tem ascend\u00eancia nigeriana e Tambala, do Malawi (<a href=\"http:\/\/www.bemparana.com.br\/vox\/dream-pop-badass-a-r-kane\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia a recente entrevista de Tambala pro blogue Vox<\/a>).<\/p>\n<p>Vale ouvir &#8220;Crazy Blue&#8221;, faixa que abre o primeiro disco da banda, &#8220;69&#8221;, de 1988:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7qS8fWWsKG4\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E vale ouvir a brilhante barulheira do primeiro single do grupo, &#8220;When You&#8217;re Sad&#8221;, lan\u00e7ado em 1986 (algu\u00e9m pensou a\u00ed em My Bloody Valentine?):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hGoA9ChLnj0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E Russell Smith tocava frequentemente com o A.R. Kane, al\u00e9m de ter fundado o Terminal Cheesecake, uma banda psicodelia pesada, que lan\u00e7ou cinco discos entre 1989 e 1994.<\/p>\n<p>Pra se ter ideia do caminho que o Terminal Cheesecake trilhava, \u00e9 s\u00f3 ouvir &#8220;Unhealing Wound&#8221;, <em>single<\/em> do terceiro disco, &#8220;Angels In Pigtails&#8221;, de 1990:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2NC29v3dU4o\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O que uniu tr\u00eas sonoridades t\u00e3o distintas num projeto que impulsionou a <em>house music<\/em> no Reino Unido &#8211; e contribuiu pra fomentar a cena nos clubes estadunidenses &#8211; \u00e9 um daqueles mist\u00e9rios intrigantes pra se investigar.<\/p>\n<p>Os anos de 1987 e 1988 foram determinantes pra utiliza\u00e7\u00e3o de <em>samples<\/em> na m\u00fasica de amplitude comercial (colagens e <em>loopings<\/em> j\u00e1 haviam sido bem usadas d\u00e9cadas antes, de Beatles a Kongos &#8211; o Guiness Book diz que o <em>single<\/em> &#8220;He&#8217;s Gonna Step on You Again&#8221;, de John Kongos, lan\u00e7ado em 1971, foi o primeiro a se valer de um <em>sample<\/em>, embora o pr\u00f3prio John diga que na verdade era um <em>tape loop<\/em>, pr\u00e1tica disseminada \u00e0 \u00e9poca).<\/p>\n<p>E voc\u00ea conhece a m\u00fasica, regravada por gente como Def Leppard e Happy Mondays (com o t\u00edtulo &#8220;Step On&#8221;):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8wTxjJrn2g4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas na metade final da d\u00e9cada de 1980, nomes como Bomb The Bass (<em>alias<\/em> do londrino Tim Simenon), com &#8220;Beat Dis&#8221; usando <em>samples<\/em> de &#8220;Looking For The Perfect Beat&#8221;, do Afrika Bambaataa, a Ennio Morricone (tirado de &#8220;Tr\u00eas Homens Em Conflito&#8221;); S&#8217;Express e seu &#8220;Theme from S&#8217;Express&#8221;, com mais de uma dezena de trechos de outras obras; e, principalmente, o remix endiabrado do Coldcut pra matadora &#8220;Paid In Full&#8221;, de Eric B &#038; Rakim; expandiram o pr\u00e1tica em arrebatadores sucessos nas pistas da Nova Zel\u00e2ndia \u00e0 Isl\u00e2ndia, de Los Angeles a T\u00f3quio, passando pelo Brasil, pela It\u00e1lia e por quase todo o mundo. Ningu\u00e9m estava imune.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W6CJmJ5p3Ow\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IpeRShWMdYM\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica \u00e9 bem determinada por Simenon em &#8220;Beat Dis&#8221;, que avisa no in\u00edcio: &#8220;the names have been changed to protect the innocent&#8221;. O artista assume a obra dos outros e os isenta de responsabilidade. Uma pr\u00e1tica que mais tarde a ind\u00fastria tratou pelo nome mais cruel de &#8220;roubo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;This is a journey into sound, a journey which along the way will bring to you new colour, new dimension, new values &#8211; and a new experience, stereophonic sound&#8221;: esse \u00e9 outro <em>sample<\/em> que aparece tanto em &#8220;Beat Dis&#8221;, como na vers\u00e3o do Coldcut pra &#8220;Paid In Full&#8221;. \u00c9 o resumo do que se pretendia: uma viagem pelos sons da humanidade.<\/p>\n<p>O trecho \u00e9 tirado da abertura da compila\u00e7\u00e3o de 1958, &#8220;A Journey Into Stereo Sound&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.discogs.com\/Various-A-Journey-Into-Stereo-Sound\/release\/562511\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">veja aqui<\/a>), numa faixa chamada &#8220;Train Sequence&#8221;, na qual o ator ingl\u00eas Geoffrey Sumner, ap\u00f3s a passagem de um trem, diz a frase.<\/p>\n<p>Summer morreu em 1989, a tempo de ouvir sua voz ecoando por a\u00ed nas r\u00e1dios do mundo. Sua frase em &#8220;Train Sequence&#8221; virou <em>sample<\/em> em mais de cinquenta obras. <\/p>\n<p>O disco na \u00edntegra voc\u00ea pode ouvir aqui &#8211; &#8220;Train Sequence&#8221; \u00e9 a faixa inicial:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hoUmN2EEufQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>As amostras (<em>samples<\/em>) de outras obras inseridas numa terceira acabaram projetando nomes inusuais ao mundo, como o de Ofra Haza, a cantora israelense (morta aos 42 anos, por conta da AIDS) que teve trechos de sua &#8220;Im Nin&#8217;alu&#8221; usada de forma surpreendente pelo Coldcut em &#8220;Paid In Full&#8221; e, em seguida, em outras obras.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o, do disco &#8220;Shaday&#8221; (1988), \u00e9 um poema em hebreu de autoria de R. Shalom Shabazi, datado do s\u00e9culo XVII, cujo trecho sampleado fala que &#8220;mesmos se os port\u00f5es dos ricos estiverem fechados, os port\u00f5es do C\u00e9u jamais se fechar\u00e3o&#8221;. Ou seja, t\u00e1 tudo liberado.<\/p>\n<p>Em suma, &#8220;this is a journey into sound&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Ofra Haza acabou tamb\u00e9m num dos remixes de &#8220;Pump Up The Volume&#8221;, do M\/A\/R\/R\/S, mas n\u00e3o no original. Os irm\u00e3os Young juntaram pra sua can\u00e7\u00e3o mais de 250 amostras e os remixes seguintes acresceram a conta ainda mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vDBeSszh8Ok\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Antes disso, eles chegaram a contribuir com alguns artistas da 4AD, como This Mortail Coil, Dead Can Dance e at\u00e9 o Cocteau Twins, mas tinham uma amplitude sonora incrivelmente mais ampla. O pr\u00f3prio t\u00edtulo, &#8220;Pump Up The Volume&#8221; vem de uma can\u00e7\u00e3o de Eric B &#038; Rakin, &#8220;I Know You Got Soul&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2TYmUp5J5mg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou\u00e7a aqui<\/a>), nada a ver com o ambiente da 4AD.<\/p>\n<p>Mas eles n\u00e3o tinham l\u00e1 muita flu\u00eancia na t\u00e9cnica (quem tinha \u00e0 \u00e9poca?). Ent\u00e3o, chamaram os DJs Chris &#8220;CJ&#8221; Mackintosh e Dave Dorrell pra cuidar das amostras. Mackintosh disse que foi &#8220;realmente muito r\u00e1pido fazer o trabalho. Eles me ligaram de manh\u00e3, fomos ao Blackwing Studios, ali na London Bridge, juntei todos os <em>samples<\/em> naquele mesmo dia e ainda levei duzentas libras pela trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>Comandando a produ\u00e7\u00e3o e a engenharia de som, estava John Fryer, do This Mortail Coil, amig\u00e3o dos irm\u00e3os Young, e que j\u00e1 havia trabalhado com o Cocteau Twins, Depeche Mode (no disco de estreia, &#8220;Speak &#038; Spell&#8221;) e Peter Murphy.<\/p>\n<p>A ideia de juntar esse time, Colourbox, A.R. Kane, Fryer e Terminal Cheesecake, foi de um dos criadores da 4AD, Ivo Watts-Russell, tamb\u00e9m fundador do This Mortail Coil.<\/p>\n<p>Martyn Young estava desiludido com o neg\u00f3cio da m\u00fasica nessa \u00e9poca. Achava injusta a posi\u00e7\u00e3o nas paradas do primeiro disco do Colourbox, lan\u00e7ado em 1985. Ele achava que havia vendido o suficiente pra galgar posi\u00e7\u00f5es maiores nas paradas &#8211; o que, comercialmente, impulsiona ainda mais as vendas. Watts-Russell queria que Young seguisse estimulado, como disse Fryer: &#8220;ent\u00e3o, Ivo planejou colocar o Colourbox e o A.R. Kane juntos, como um incentivo pra Martyn voltar a compor, e da\u00ed surgiu &#8216;Pump Up The Volume&#8217;, mesmo que a faixa n\u00e3o tenha l\u00e1 muito do A.R. Kane&#8221;.<\/p>\n<p>Mas tinha, sim. Pouqu\u00edssimo, mas tinha. o A.R. Kane gravou as poucas guitarras da m\u00fasica, em <em>overdub<\/em> (uma sobreposi\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o adicional), quando Fryer n\u00e3o estava presente. &#8220;Eu fazia coisa demais \u00e0 \u00e9poca&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O processo foi meticuloso pra Martyn, que ficou debru\u00e7ado por dias at\u00e9 acertar a batida exata da m\u00fasica. Ao contr\u00e1rio de &#8220;Paid In Full&#8221;, cuja for\u00e7a est\u00e1 baseada na linha de baixo, &#8220;Pump Up The Volume&#8221; tinha um grave forte e um outro andamento. S\u00f3 depois \u00e9 que veio a linha de baixo e, ent\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago dos DJs convidados, com as amostras e o <em>scratches<\/em>. O trabalho avan\u00e7ava como se Fryer estivesse numa sala de aula aprendendo, enquanto o indeciso Martyn tirava e inclu\u00eda efeitos, amostras e camadas. &#8220;Ao fim, n\u00e3o se pode dizer exatamente o que foi e o que n\u00e3o foi usado no corte final&#8221;, disse Fryer.<\/p>\n<p>O single tinha duas can\u00e7\u00f5es: &#8220;Pump Up The Volume&#8221; e &#8220;Anitina (The First Time I See She Dance)&#8221;, composta basicamente pela parte A.R. Kane do M\/A\/R\/R\/S, com mais guitarras e um corte de bateria feito posteriormente pelos Young.<\/p>\n<p>Ambas as bandas raramente se encontravam em est\u00fadio, de modo que o M\/A\/R\/R\/S de fato jamais existiu ou podia existir. &#8220;Anitina&#8221;, com as guitarras e a leveza quase <em>dream pop<\/em>, tinha mais a ver com essa poss\u00edvel jun\u00e7\u00e3o Colourbox + A.R. Kane: \u00e9 um <em>dub guitarr\u00edstico<\/em>, por assim dizer.<\/p>\n<p>Entretanto, em 24 de agosto de 1987, quando a 4AD lan\u00e7ou o disquinho, os ouvidos se viraram rapidamente pra &#8220;Pump Up The Volume&#8221;. A m\u00fasica logo alcan\u00e7ou o primeiro lugar nas paradas brit\u00e2nicas (e de outros pa\u00edses), feito \u00fanico na hist\u00f3ria do cat\u00e1logo da gravadora.<\/p>\n<p>O sucesso mete\u00f3rico da can\u00e7\u00e3o chamou aten\u00e7\u00e3o dos donos dos direitos das m\u00fasicas sampleadas. Os <em>rappers<\/em> e m\u00fasicos de menos express\u00e3o n\u00e3o estavam ligando at\u00e9 ent\u00e3o com a &#8220;apropria\u00e7\u00e3o&#8221; de suas obras. Mas o trio Stock Aitken Waterman (SAW) resolveu encrespar pelo uso de um trecho de &#8220;Roadblock&#8221;, o que abriu as portas pra que de repente um monte de processos fossem aventados contra o M\/A\/R\/R\/S. Nos Esteites, os donos dos direitos das m\u00fasicas de James Brown estavam s\u00f3 esperando o <em>single<\/em> ser lan\u00e7ado pra cair em cima.<\/p>\n<p>O resultado foi um novo corte da m\u00fasica pra ser lan\u00e7ado nos Esteites e um novo ainda pra ser tocado nas r\u00e1dios inglesas. O grupo queria evitar os problemas ao m\u00e1ximo, agora que a m\u00fasica vendia e tocava como nunca (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pump_Up_the_Volume_(song)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui tem uma lista de samples usados em cada pa\u00eds<\/a>).<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que o estopim veio com uma entrevista boba do DJ convidado Dorrell dizendo que havia usado, entre outras, um trecho de &#8220;Roadblock&#8221;. Mas esse trecho era t\u00e3o impercept\u00edvel, que SAW jamais saberia que estava em &#8220;Pump Up The Volume&#8221; se n\u00e3o fosse pela declara\u00e7\u00e3o de Dorrell.<\/p>\n<p>Apesar do forte e imediato impacto criado pela can\u00e7\u00e3o na cultura pop, Alex Ayuli e Rudy Tambala deixaram bem claro que jamais voltariam a trabalhar com o Colourbox, e cobraram mais de cem mil libras de direitos pela obra.<\/p>\n<p>O M\/A\/R\/R\/S, vale repetir, nunca de fato existiu e jamais seria poss\u00edvel realmente existir da forma que foi pensado.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que com apenas uma m\u00fasica, o grupo conseguiu o que muito artista busca incessantemente: deixar sua marca na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Anitina&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ywHullAukqI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O v\u00eddeo oficial de &#8220;Pump Up The Volume&#8221; (com o corte pras r\u00e1dios):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w9gOQgfPW4Y\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E o corte pensado por Martyn Young:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2N7GmhIBDZ0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>1. Pump Up The Volume<br \/>\n2. Anitina (The First Time I See She Dance)<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"43467\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-marrs-pump-up-the-volume-1987\/marrs-pumpupthevolume\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"marrs-pumpupthevolume\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-43467\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/marrs-pumpupthevolume.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-de-la-soul-eye-know-1989\/\" title=\"REVISITANDO: DE LA SOUL &#8211; EYE KNOW (1989)\">REVISITANDO: DE LA SOUL &#8211; EYE KNOW (1989)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-catherine-spaak-lesercito-del-surf-1964\/\" title=\"REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)\">REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-martinho-da-vila-ex-amor-1981\/\" title=\"REVISITANDO &#8211; MARTINHO DA VILA &#8211; EX-AMOR (1981)\">REVISITANDO &#8211; MARTINHO DA VILA &#8211; EX-AMOR (1981)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-ray-charles-in-the-heat-of-the-night-1967\/\" title=\"REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)\">REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-barbara-dis-quand-reviendras-tu-1962\/\" title=\"REVISITANDO: BARBARA &#8211; DIS, QUAND REVIENDRAS-TU? 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