{"id":43644,"date":"2015-10-07T21:37:52","date_gmt":"2015-10-08T00:37:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=43644"},"modified":"2015-12-08T19:17:03","modified_gmt":"2015-12-08T21:17:03","slug":"resenha-max-corbacho-splendid-labyrinths","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-max-corbacho-splendid-labyrinths\/","title":{"rendered":"RESENHA: MAX CORBACHO &#8211; SPLENDID LABYRINTHS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"43647\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-max-corbacho-splendid-labyrinths\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-43647\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/maxcorbacho-capa-splendidlabyrinths.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Em 2012, Max lan\u00e7ava &#8220;The Ocean Inside&#8221; (<a href=\"https:\/\/maxcorbacho.bandcamp.com\/album\/the-ocean-inside-double-album\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), que iria se tornar meu companheiro desde ent\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje. Nele, o atravessamento percorre com excel\u00eancia a simbiose entre som e vis\u00e3o; as sonoridades verdadeiramente criavam imagens. Era um &#8220;exame&#8221; do oceano interno que as pessoas carregam; como ele \u00e9 afetado pelas interfer\u00eancias da superf\u00edcie, e n\u00e3o havia dualidade simples naquele disco &#8211; era tudo complexo e intrincado demais, porque carregamos um peso invis\u00edvel mais denso que a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, durante tr\u00eas anos eu fiquei aguardando o que Max poderia fazer de novo e, usando um trocadilho infame, como ele poderia sair das profundezas do oceano e lan\u00e7ar alguma coisa que pudesse soar t\u00e3o &#8220;necess\u00e1rio&#8221; quanto aquele disco. E o que parecia improv\u00e1vel aconteceu. &#8220;Splendid Labyrinths&#8221; \u00e9 a \u00fanica continua\u00e7\u00e3o poss\u00edvel que seu antecessor poderia ter (<a href=\"https:\/\/maxcorbacho.bandcamp.com\/album\/future-terrain\" target=\"_blank\">em 2015, ele tamb\u00e9m lan\u00e7ou &#8220;Future Terrain&#8221;, disco com uma \u00fanica faixa, de cinquenta e oito minutos<\/a>).<\/p>\n<p>Aqui, os elementos mais &#8220;soltos&#8221; est\u00e3o lapidados de forma que parecem querer se desgarrar sempre do ambiente principal criado por Max, mas eles est\u00e3o presos, eles t\u00eam que confrontar o eixo central do disco.<\/p>\n<p>A progress\u00e3o dos elementos n\u00e3o vai eclodir, ao contr\u00e1rio da maioria dos trabalhos de m\u00fasica ambiente, em uma imers\u00e3o cl\u00edmax, em que cada detalhe \u00e9 reunido em uma sinfonia final. A imers\u00e3o \u00e9 o principio de &#8220;Splendid Labyrinths&#8221;, todos os retornos est\u00e3o nessa introspec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu tenho o palpite de que Max quer exigir mais dos seus ouvintes e ser visto como um artista que n\u00e3o vacila perante quest\u00f5es mais &#8220;complexas&#8221;. Prova disso \u00e9 a falta de ideia de como &#8220;mensurar&#8221; as justaposi\u00e7\u00f5es. Qual som \u00e9 o que? Qual \u00e9 o principal fio condutor? S\u00e3o perguntas que Max n\u00e3o est\u00e1 com muita vontade de responder. Ao contr\u00e1rio, ele prefere destrinch\u00e1-las em ambival\u00eancias constantes e descont\u00ednuas.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de elementos produz efeitos semelhantes a labirintos dentro de outros labirintos, parece que o reencontro \u00e9 necess\u00e1rio, pois ele provoca surpresa e espanto. Toda essa imers\u00e3o talvez fosse s\u00f3 conceito e s\u00f3 teoria se a principal t\u00e1tica de Corbacho n\u00e3o fosse os acontecimentos organizados pelo corpo sonoro que n\u00e3o oferece sa\u00eddas. Alguns sons s\u00e3o t\u00e3o objetivamente bonitos que Max teve que trabalhar &#8220;ao contr\u00e1rio&#8221;; ou seja, descobrir maneiras de uns n\u00e3o se digladiarem com os outros, mas coexistirem em movimentos constantes e lentos de atra\u00e7\u00e3o-repuls\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um estado permanente e por isso as passagens caracterizam um evento; \u00e9, sobretudo, um acontecimento! Um deslumbramento! O ir\u00f4nico \u00e9 como estamos em um jogo de opostos, pois n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda em &#8220;Splendid Labyrinths&#8221;, e estamos deslumbrados com algo que efetivamente n\u00e3o proporciona um fim.<\/p>\n<p>Esse disco \u00e9, sobretudo, reflexo de uma d\u00favida constante. Mas Corbacho n\u00e3o se lamenta por sua indecis\u00e3o; ele caracteriza suas ang\u00fastias com desdobramentos sonoros que apelam pra sons eletr\u00f4nicos, microfonia e outras t\u00e9cnicas pra revelar sua mat\u00e9ria-prima principal; o aprisionamento no incerto.<\/p>\n<p>Por tanta incerteza, que os movimentos de transe organizam a ideia de caos em espa\u00e7os vazios e desregulados. \u00c9 desse encontro entre a falta de uma necessidade (sentido) e a urg\u00eancia por express\u00e3o que os labirintos s\u00e3o criados. Pode-se dimensionar toda a vida e exuber\u00e2ncia desses sons rivalizando com os obst\u00e1culos que Corbacho cria; \u00e9 que em seu mundo claustrof\u00f3bico at\u00e9 a pris\u00e3o merece ser descrita com esmero. Ele est\u00e1 preso pelas suas incertezas, mas elas com certeza n\u00e3o o limitam e provavelmente \u00e9 o oposto! \u00c9 entre o m\u00f3rbido (a representa\u00e7\u00e3o de um mundo morto, sem possibilidades) e o fasc\u00ednio com essa aus\u00eancia que temos os trechos mais representativos de &#8220;Splendid Labyrinths&#8221;.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 340px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2799263493\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/maxcorbacho.bandcamp.com\/album\/splendid-labyrinths\">Splendid Labyrinths by Max Corbacho<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Sob um dom\u00ednio de sons que, de algum modo, parecem \u00edntimos, que podemos digerir coisas t\u00e3o pesadas e essenciais, em que o ambiente equaciona e sem dualismos simples cria imposi\u00e7\u00f5es t\u00e3o fortes e ambivalentes &#8211; tudo \u00e9 denso e passageiro. Todos os sons que saem desse disco t\u00eam um potencial, eles n\u00e3o s\u00f3 resgatam o ouvinte de uma passividade pra atir\u00e1-lo em uma espiral decididamente confusa e nebulosa em que podemos atravessar sensa\u00e7\u00f5es muito al\u00e9m de um abstracionismo te\u00f3rico. \u00c9 como se o terr\u00edvel se potencializasse tanto que todas suas continua\u00e7\u00f5es fascinassem pelo aspecto enigm\u00e1tico.<\/p>\n<p>A obceca\u00e7\u00e3o de Max reside em explorar lugares conhecidos cada vez sob uma nova perspectiva. Como se a pr\u00f3pria vida fosse elaborada de breves retornos e cada um destes exigissem novas abordagens e novos enfrentamentos. Pra Corbacho, \u00e9 imposs\u00edvel atravessar o mesmo lugar da mesma maneira. A dissolu\u00e7\u00e3o de elementos orquestrais em uma &#8220;sinfonia&#8221; et\u00e9rea, os <em>layers<\/em> que amplificam a sombra desses instrumentos &#8211; se Max cria um reino fant\u00e1stico pra respostas imposs\u00edveis e sa\u00eddas inexistentes, deve isso a um imenso apuro e paci\u00eancia em que se baseiam suas longas proje\u00e7\u00f5es on\u00edricas.<\/p>\n<p>Durante toda a audi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, pode-se correlacionar tanto os elementos sonoros das m\u00fasicas quanto as refer\u00eancias aos t\u00edtulos, pois &#8220;Splendid Labyrinths&#8221; \u00e9 o desdobramento dos cantos mais sinuosos pra atravessar e, ao mesmo tempo, estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de repeito gigantesco por essas localiza\u00e7\u00f5es. Max n\u00e3o quer apenas iluminar o que est\u00e1 escondido, mas almeja tamb\u00e9m representar sua d\u00favida perante o submerso; \u00e9, ent\u00e3o, uma persegui\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel ao que n\u00e3o pode ser revelado.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 t\u00e9rmino nas can\u00e7\u00f5es desse \u00e1lbum e nem poderia existir; cada m\u00fasica \u00e9 uma justaposi\u00e7\u00e3o dos elementos sonoros anteriores e elas basicamente reverberam no mesmo timbre e no mesmo ambiente on\u00edrico &#8211; elas n\u00e3o iludem o ouvinte com falsa realidade, elas alteram o ouvinte com diferentes perspectivas do &#8220;real&#8221;. \u00c9 um mundo demasiado vivo e confuso.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica ambiente pra &#8220;relaxar&#8221;, as possibilidades criadas pro Corbacho exigem enfrentamentos, atravessamento; \u00e9 como uma semente que s\u00f3 pode brotar de quem habita a d\u00favida e o incerto. \u00c9 um campo de tens\u00e3o em que tudo se contorce e tudo volta. As paisagens sonoras criadas por Max reconhecem a incapacidade de uma perfei\u00e7\u00e3o, enquanto trabalham pra uma produ\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica sempre viva e flu\u00edda, todas as representa\u00e7\u00f5es em &#8220;Splendid Labyrinths&#8221; transpiram perguntas, \u00e9 um \u00e1lbum denso que aprisiona o ouvinte em suas movimenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A aptid\u00e3o de Max sempre foi indubit\u00e1vel. Mas a partir de 2012, com &#8220;The Ocean Inside&#8221;, ele tem mirado em constru\u00e7\u00f5es que desafiam envolvimentos unilaterais, com sons verdadeiramente bonitos que mant\u00e9m uma \u00e1urea de mist\u00e9rio e incompreens\u00e3o.<\/p>\n<p>1. The Flowing Path<br \/>\n2. Towards The Center<br \/>\n3. Earth Womb<br \/>\n4. Wave Of Reflection<br \/>\n5. Wonderheart<br \/>\n6. Shaping The Endless<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 15 de maio de 2015<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 73 minutos e 28 segundos<br \/>\nSelo: Independente<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Max Corbacho<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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