{"id":44404,"date":"2015-12-14T16:33:04","date_gmt":"2015-12-14T18:33:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=44404"},"modified":"2015-12-14T16:35:38","modified_gmt":"2015-12-14T18:35:38","slug":"resenha-zat-quiebre-campbell-trio-split","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-zat-quiebre-campbell-trio-split\/","title":{"rendered":"RESENHA: ZAT, QUIEBRE &#038; CAMPBELL TRIO &#8211; SPLIT"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"44406\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-zat-quiebre-campbell-trio-split\/zatquiebre-capa-split\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"zatquiebre-capa-split\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-44406\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/zatquiebre-capa-split.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><em>Hardcore<\/em> sempre esteve ligado com a destrui\u00e7\u00e3o da cultura dominante. Isso foi feito a partir de um processo de apropria\u00e7\u00e3o de signos tradicionalmente neoliberais que s\u00e3o ressignificados em uma est\u00e9tica agressiva. Os andamentos quebrados do ZAT representam esse confronto. &#8220;Monstruos&#8221;, a faixa instrumental, \u00e9 como uma tentativa constante de quebrar o institu\u00eddo. Ela \u00e9 estruturalmente anticomodidade, ela tenta a todo instante ser outra coisa; quebradas de bateria, acordes angulares, continua\u00e7\u00f5es impens\u00e1veis.<\/p>\n<p>As guitarradas do Quiebre s\u00e3o surpreendentes. Elas eclodem em pontos que n\u00e3o esper\u00e1vamos, e ratificam ainda mais a estrutura crua de melodia e instrumentos. Ou seja, dentro do <em>hardcore<\/em> que eles fazem, h\u00e1 muita liberdade criativa (ouvimos as microfonias, os andamentos se modificam com certa const\u00e2ncia). N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ficar feliz ao perceber um g\u00eanero que significa tanto pra voc\u00ea (e que te moldou enquanto pessoa) ser levado a outros termos por bandas t\u00e3o compromissadas n\u00e3o s\u00f3 com a pol\u00edtica fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo, mas tamb\u00e9m elaborar uma est\u00e9tica sonora que de fato enfrenta sonoridades contempor\u00e2neas t\u00e3o moduladas, formais, obsessivamente tradicionais. N\u00e3o produzam expectativas e nem vou referenciar as bandas com outras. S\u00e3o representa\u00e7\u00f5es urgentes que extrapolam g\u00eaneros musicais ao mesmo tempo em que se mant\u00e9m fieis a um esp\u00edrito criativamente aut\u00f4nomo. \u00c9 tudo muito empolgante, tudo muito real e pr\u00f3ximo!<\/p>\n<p>Ou\u00e7a a parte do ZAT:<br \/>\n<iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 274px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1141459052\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/loszats.bandcamp.com\/album\/zat-quiebre-campbell-trio-split-lp\">ZAT \/ Quiebre \/ Campbell Trio split LP by Zat<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Em muitos sentidos, as multifaces desse <em>split<\/em> exploram o ambiente musical subterr\u00e2neo e suas diversas ramifica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 sobre uma cena, n\u00e3o \u00e9 sobre algo fechado; \u00e9 sobre as possibilidades (aplicadas) que cada banda sustenta. S\u00e3o se\u00e7\u00f5es diferentes (as diferen\u00e7as entre as bandas s\u00e3o \u00f3bvias) que permitem sensa\u00e7\u00f5es \u00fanicas a cada ouvida. N\u00f3s temos aqui muito mais que aquele tradicional &#8220;soco na cara&#8221; que o <em>hardcore<\/em> estimula, e justamente essa sensa\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica &#8220;agressiva&#8221; se deve n\u00e3o pelo peso das bandas (elas nem s\u00e3o t\u00e3o pesadas assim), mas por qu\u00e3o diferente dos m\u00e9todos mais populares baseiam-se tanto constru\u00e7\u00e3o sonora quanto grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o m\u00faltiplas vozes de bandas que est\u00e3o incomodadas com v\u00e1rios aspectos socioculturais e tamb\u00e9m em di\u00e1logos internos. O encontro desse mundo exterior horrendo com muitas d\u00favidas internas s\u00f3 pode gerar um processo de discord\u00e2ncia. E \u00e9 sobre esse desencanto com o mundo (ao mesmo tempo em que tentando encontrar um lugar de repouso nele) que os vocais versam. Eles seguem uma linha mel\u00f3dica e s\u00e3o empolgados, ou seja, eles n\u00e3o apenas constatam esse mundo sem glamour, mas eles dizem coisas diretas e mostram muita energia para lutar de volta. O som insano e cru por tr\u00e1s e os vocalistas totalmente expostos num terreno em que frustra\u00e7\u00e3o e decep\u00e7\u00e3o coexistem e s\u00e3o utilizadas como armas poderosas para qualquer rea\u00e7\u00e3o que seja.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a a parte do Quiebre:<br \/>\n<iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 274px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1915002364\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/quiebre.bandcamp.com\/album\/zat-quiebre-campbell-trio-split\">ZAT, Quiebre &amp; Campbell Trio &#8211; Split by Quiebre<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Mesmo as faixas mais acess\u00edveis nesse <em>split<\/em> representam uma desaven\u00e7a com a produ\u00e7\u00e3o musical. A din\u00e2mica do Campbell Trio revela tantas sensa\u00e7\u00f5es que se convergem, tanta confus\u00e3o, tanta incerteza. Ainda assim, a banda opta por fazer muito barulho, por uma grava\u00e7\u00e3o que parece eles tocando ao vivo. \u00c9 dif\u00edcil escolher alguma can\u00e7\u00e3o individualmente. Eu quero dizer, desde a primeira can\u00e7\u00e3o, com os vocais empolgados\/gritados, n\u00f3s somos arremessados pra um terreno em que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra-chave. A vantagem das bandas saberem que tudo que elas desejam exprimir depende exclusivamente de sua entrega torna tudo muito visceral.<\/p>\n<p>Espero que o ponto &#8220;hardcore&#8221; que eu quis especificar no come\u00e7o esteja entendido exclusivamente como uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das bandas, porque &#8220;estilos&#8221; passam longe aqui; ainda assim, se fosse fazer algum paralelo, seria as bandas da <em>dischord<\/em> da d\u00e9cada de 90. Os vocais mel\u00f3dicos que constantemente saem do tom s\u00e3o com certeza as pedras que Ian MacKaye usou pra definir o <em>punk<\/em>.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a a parte do Campbell Trio:<br \/>\n<iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 307px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=4008134347\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/campbelltrio.bandcamp.com\/album\/3-way-split-with-zat-quiebre\">3-Way Split With Zat &amp; Quiebre by Campbell Trio<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Talvez tudo nessa resenha tenha sido uma maneira infantil de relacionar o <em>hardcore<\/em> com tend\u00eancias pol\u00edticas de enfrentar a homogeneiza\u00e7\u00e3o musical. E se eu disse que expectativas s\u00e3o injustas em casos assim, elas tamb\u00e9m trabalhariam contra esse posicionamento forte das bandas. Enraizado num discurso que tamb\u00e9m confronta o que o <em>hardcore<\/em> &#8220;se tornou&#8221;, as bandas encontram em suas digress\u00f5es musicais (as guitarras dedilhadas, as microfonias, as viradas tortas de bateria) um meio de enfrentar a est\u00e9tica dominante at\u00e9 na t\u00e3o dita contracultura. Eu passei a resenha inteira falando de posicionamentos e como eu julgo isso importante. A ressignifica\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada com muita vontade nesse <em>split<\/em>. A m\u00fasica respira. Nem tudo est\u00e1 morto.<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 19 e 25 de novembro e 1\u00ba de dezembro de 2015<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 37 minutos e 28 segundos<br \/>\nSelo: Amendment Records, Ediciones Incendiarias e Discos Podridos<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Campbell Trio, ZAT, Juan Jos\u00e9 Sanchez e Quiebre<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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