{"id":44825,"date":"2016-02-01T23:34:34","date_gmt":"2016-02-02T01:34:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=44825"},"modified":"2016-02-01T23:39:14","modified_gmt":"2016-02-02T01:39:14","slug":"resenha-kovtun-o-homem-e-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-kovtun-o-homem-e-a-morte\/","title":{"rendered":"RESENHA: KOVTUN &#8211; O HOMEM E A MORTE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"44826\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-kovtun-o-homem-e-a-morte\/kovtun-capa-ohomemeamorte\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"kovtun-capa-ohomemeamorte\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-44826\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/kovtun-capa-ohomemeamorte.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Raphael Mandra tem nos acostumado com lan\u00e7amentos longos e intrinsecamente desafiadores. Enquanto as duas obras antecessoras de &#8220;O Homem E A Morte&#8221; se prolongavam em longas e perturbadoras se\u00e7\u00f5es, n\u00f3s \u00e9ramos introduzidos em uma catarse que inevitavelmente nos engolia num buraco negro.<\/p>\n<p>&#8220;O Homem E A Morte&#8221; \u00e9 um sistema narrativo mais definido e reconhec\u00edvel, embora a ades\u00e3o de tantas disfun\u00e7\u00f5es (m\u00fasica cl\u00e1ssica, instrumentos de sopro e ru\u00eddos) n\u00e3o ofusque a poesia, que dessa vez \u00e9 novidade nas faixas do Kovtun.<\/p>\n<p>Desde a \u00e9poca do Radio Morto, Mandra nunca fugiu dos temas mais s\u00e9rios e filos\u00f3ficos; as vinte m\u00fasicas do disco lidam com nuances existenciais que perfuram o ser &#8211; os bal\u00f5es errantes silenciosos quando o eu-l\u00edrico desperta de uma noite de S\u00e3o Jo\u00e3o e o fazem lembrar-se das primeiras mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia e encarar a aus\u00eancia dos entes mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>O novo \u00e1lbum do Kovtun fala sobre mudan\u00e7as, algu\u00e9m que se observa no espelho e percebe os olhos vazios, as m\u00e3os sem for\u00e7a e as mudan\u00e7as que a vida ocasionalmente causa e nos faz reparar, subitamente, que perdemos muitas coisas, que n\u00e3o temos mais as mesmas fei\u00e7\u00f5es. Pode-se classificar todo esse autodesconhecimento como uma for\u00e7a inextingu\u00edvel da morte e todas suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os efeitos do ser-pra-morte s\u00e3o sentidos aos poucos ao longo da vida, mas mesmo assim n\u00e3o deixamos de nos surpreender com as consequ\u00eancias em nossos corpos e tamb\u00e9m na altera\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica em elementos da natureza. Por isso, a sonoridade de &#8220;O Homem E A Morte\u201d surge como uma lenta caminhada pro fim, uma marcha contemplativa e solit\u00e1ria em que lembran\u00e7as e coincid\u00eancias entre passado e presente irrompem no narrador. O \u00e1lbum, apesar de seu ritmo lento, carrega na transmiss\u00e3o dessas constata\u00e7\u00f5es uma violenta apari\u00e7\u00e3o da objetividade f\u00edsica.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2595046207\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/kovtun.bandcamp.com\/album\/o-homem-e-a-morte\">O Homem e a Morte by Kovtun<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Os temas podem parecer repetitivos em primeira inst\u00e2ncia, mas a sensa\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia e solid\u00e3o abra\u00e7a a morte e tenta colocar alguma ordem em seu caos. Mais do que um estudo dos efeitos da morte, \u00e9 colocada em evid\u00eancia a rela\u00e7\u00e3o do ser humano em toda a sua vida com o fim concreto. O di\u00e1logo entre m\u00e3e e filhas sobre um vestido abrem uma fresta pras crian\u00e7as saberem sobre o fim frio &#8211; o \u00e1lbum revela justamente a apari\u00e7\u00e3o da ideia da morte em situa\u00e7\u00f5es corriqueiras.<\/p>\n<p>O clima &#8220;quieto&#8221; do disco n\u00e3o exclui o som multifacetado. Ali\u00e1s, &#8220;O Homem E A Morte&#8221; merece ser ouvido atenciosamente, dado que alguns sons s\u00f3 podem ser percebidos se a audi\u00e7\u00e3o for atenta. O disco obviamente mira em toda essa sonoridade em favor de uma ambienta\u00e7\u00e3o &#8220;sombrio-esquisita&#8221;, pra sair da redu\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de que a morte s\u00f3 pode soar dolorosa &#8211; h\u00e1 muitas partes estranhamente c\u00f4micas no \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Criar, da certeza da morte, uma forma musical que lide com esse tema de tal maneira que nos sentimos em constante contato com sua apari\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e todas as hist\u00f3rias de &#8220;O Homem E A Morte&#8221; saem da mera narrativa l\u00edrico-on\u00edrica pra atravessar o ouvinte. Parece significativo que a morte n\u00e3o seja s\u00f3 &#8220;a grande quest\u00e3o&#8221; como tamb\u00e9m possa ser uma sensa\u00e7\u00e3o minimamente experimentada nas coisas mais simples e mundanas.<\/p>\n<p>&#8220;O Homem E A Morte&#8221; sugere um Kovtun coerente com os \u00faltimos lan\u00e7amentos, ainda assim diversificando no tema. \u00c9 um projeto que precisa ser mais ouvido porque encara os temas mais dif\u00edceis e consequentemente exige do ouvinte uma entrega total.<\/p>\n<p>01. Mem\u00f3ria<br \/>\n02. O Cavalo Negro<br \/>\n03. A Morte<br \/>\n04. A Guerra<br \/>\n05. O Homem Do Mar<br \/>\n06. Dormindo Profundamente<br \/>\n07. Minha Face<br \/>\n08. Madrigal<br \/>\n09. As Marias<br \/>\n10. Infinito<br \/>\n11. O Caso<br \/>\n12. Tormento Obscuro<br \/>\n13. Cantiga Triste<br \/>\n14. Vento Taciturno<br \/>\n15. A Poesia<br \/>\n16. Marcha Da Solid\u00e3o<br \/>\n17. De Repente<br \/>\n18. O \u00daltimo Conforto<br \/>\n19. A Nuvem<br \/>\n20. A Visita<\/p>\n<p>P.S.: O disco saiu &#8220;meio na surdina&#8221;, sem alarde, mesmo ap\u00f3s a boa repercuss\u00e3o do anterior, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/kovtun-androginoforo\/\" target=\"_blank\">&#8220;Androgin\u00f3foro&#8221;, de 2015<\/a>. Um dos motivos \u00e9 que ele era experimental demais pra alguns dos integrantes da pr\u00f3pria banda.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o oficial \u00e9 essa: &#8220;&#8216;O Homem E A Morte&#8217; foi lan\u00e7ado de forma independente no dia 19 de janeiro, era pra ser lan\u00e7ado por algum selo, mas em comum acordo com alguns deles achamos melhor n\u00e3o vincularmos a nenhum. Um foi por chegarmos \u00e0 conclus\u00e3o que o foco do \u00e1lbum ser poesia n\u00e3o atingiria o p\u00fablico do selo, outros dois foi por um motivo mais complexo; o \u00e1lbum foi feito no per\u00edodo de quase um ano, por cinco pessoas ao todo, por\u00e9m duas pessoas n\u00e3o gostaram do resultado final por acharem experimental demais, oras, era pra ser experimental mesmo, mas pela diferen\u00e7a de idade ser muito grande entre n\u00f3s, quero acreditar, o produto final soou &#8216;estranho&#8217; demais aos ouvidos deles, enfim, v\u00e1rios fatores deixaram o lan\u00e7amento deste \u00e1lbum complicado demais. Por conta pr\u00f3pria, lancei o \u00e1lbum, porque acredito que a m\u00fasica experimental, que te tira da zona de conforto, deve ser mais explorada por aqui e n\u00e3o iria jogar no lixo todo um trabalho \u00e1rduo, tamb\u00e9m n\u00e3o achei justo lan\u00e7ar s\u00f3 a parte instrumental, o contexto iria todo pro saco, acredito neste \u00e1lbum da forma que ele \u00e9, ele faz parte sim da discografia do Kovtun, mas poderia fazer parte da vida de mais pessoas. Estou bancando o \u00e1lbum da forma que ele foi concebido, mas espero sinceramente que o pr\u00f3ximo \u00e1lbum seja menos complicado de lidar e me d\u00ea mais prazer em divulg\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 19 de janeiro de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 109 minutos e 02 segundos<br \/>\nSelo: Independente<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Kovtun<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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