{"id":45914,"date":"2016-08-01T15:48:35","date_gmt":"2016-08-01T18:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=45914"},"modified":"2018-04-13T14:35:38","modified_gmt":"2018-04-13T17:35:38","slug":"propeller-o-punk-rock-como-um-dos-gatilhos-da-independencia-da-estonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/propeller-o-punk-rock-como-um-dos-gatilhos-da-independencia-da-estonia\/","title":{"rendered":"PROPELLER &#8211; O PUNK ROCK COMO UM DOS GATILHOS DA INDEPEND\u00caNCIA DA EST\u00d4NIA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46204\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/propeller-o-punk-rock-como-um-dos-gatilhos-da-independencia-da-estonia\/propeller1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/propeller1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"propeller1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/propeller1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/propeller1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46204\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/propeller1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/propeller1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Talim, com (hoje) quatrocentos mil habitantes, sempre foi uma cidade estrat\u00e9gica pra Moscou e ficou ainda mais a partir de 1940, quando o pacto com os alem\u00e3es entregou a Est\u00f4nia e os outros pa\u00edses do B\u00e1ltico pro comando russo. O forte nacionalismo estoniano, por\u00e9m, n\u00e3o suportaria calado e sem enfrentamento a ger\u00eancia comunista por cinquenta e dois anos. A popula\u00e7\u00e3o gritaria &#8211; ou melhor, cantaria &#8211; por independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Na Est\u00f4nia, desde 1869 e de cinco em cinco anos, acontece o Laulupidu (Festival da Can\u00e7\u00e3o da Est\u00f4nia), um evento que re\u00fane corais pra entoar can\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e nacionalistas, com audi\u00eancia de milhares de pessoas. Foi o jeito que o povo encontrou pra se lembrar que \u00e9 estoniano &#8211; e n\u00e3o russo &#8211; durante as muitas ocupa\u00e7\u00f5es russas (o pa\u00eds s\u00f3 foi formalmente independente entre 1918 e 1940).<\/p>\n<p>Quando se deu a ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, em 1940, o festival foi palco da primeira amostra da insatisfa\u00e7\u00e3o local. Na edi\u00e7\u00e3o de 1947, a primeira depois da ocupa\u00e7\u00e3o, Gustav Ernesaks escreveu uma can\u00e7\u00e3o que se tornaria s\u00edmbolo de resist\u00eancia (a partir de um poema de Lydia Koidula): &#8220;Mu Isamaa On Minu Arm&#8221; (&#8220;Terra Dos Meus Pais, Terra Que Eu Amo&#8221; &#8211; <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oHOIN_vsGSA\" target=\"_blank\">aqui, durante o XXV Laulupidu, em 2009<\/a>). Por algum milagre, a m\u00fasica escapou do crivo da censura russa e virou sin\u00f4nimo de canto pela liberdade, sendo entoada pelos Laulupidu seguintes, sempre em enfrentamento aos militares e governantes russos vigentes.<\/p>\n<p>No livro &#8220;Eastern Europe: An Introduction To The People, Lands, And Culture, Volume 1&#8221;, Richard Frucht diz que &#8220;os festivais nacionais de can\u00e7\u00e3o simbolizam a continuidade de resili\u00eancia da cultura estoniana em frente aos s\u00e9culos de ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira, e continua a servir como prote\u00e7\u00e3o desse lado maravilhosamente pac\u00edfico da vida estoniana&#8221;.<\/p>\n<p>Um bom exemplo dessa for\u00e7a \u00e9 contada no document\u00e1rio &#8220;The Singing Revolution&#8221;, de 2014. O filme destaca a luta pac\u00edfica do povo diante da trucul\u00eancia russa. &#8220;Mu Isamaa On Minu Arm&#8221; n\u00e3o era permitida oficialmente no programa do Laulupidu durante os festivais da d\u00e9cada de 1950 e 1960, at\u00e9 que no anivers\u00e1rio de cem anos do festival, em 1969, o coral no palco e a plat\u00e9ia come\u00e7aram a cantar a m\u00fasica. Os soldados sovi\u00e9ticos ficaram loucos com aquilo e gritavam ordens pro coral parar. Mas dezenas de milhares de vozes n\u00e3o se calam assim. A can\u00e7\u00e3o foi entoada repetidas vezes na cara das autoridades, que nada puderam fazer, a n\u00e3o ser convidar o pr\u00f3prio autor Ernesaks pro palco pra que ele conduzisse os trabalhos, fingindo que a R\u00fassia concordava com aquilo.<\/p>\n<p>A m\u00fasica era uma arma poderosa &#8211; e ia ficar ainda mais letal a favor da liberdade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Re1Lj3dH0fc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Movimentos n\u00e3o-violentos de resist\u00eancia, por\u00e9m, levam tempo, \u00e0s vezes muito tempo. \u00c9 o que se necessita pra incutir na cabe\u00e7a das pessoas, de uma maneira leve e l\u00fadica como nesse caso, ideias que s\u00e3o transmitidas sem ofensividade.<\/p>\n<p>Guntis Smidohens, no livro &#8220;The Power Of Song: Nonviolent National Culture In The Baltic Singing Revolution&#8221;, descreve que &#8220;a euforia de massa interpreta um importante papel; sentimentos intensos de transcend\u00eancia, religiosidade ou algo do tipo seguem afetando as pessoas mesmo depois desses mesmos sentimentos se esva\u00edrem. Pra ser bem sucedidos, movimentos n\u00e3o-violentos t\u00eam que passar de um sentimento bobo de felicidade pra emo\u00e7\u00f5es mais palp\u00e1veis, ligadas \u00e0 paci\u00eancia e persist\u00eancia. Os pol\u00edticos precisam ter certeza que milhares de pessoas est\u00e3o na sua base, racionalmente preparados e emocionalmente prontos, se necess\u00e1rio, pra morrer num embate com o oponente. Aqui, can\u00e7\u00e3o e poesia continuaram, como sempre, a revitalizar os fundamentos ideol\u00f3gicos dos movimentos de independ\u00eancia, cimentando uma identidade nacional de n\u00e3o-viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Mikhail Gorbachev chegou ao poder em 1985 e, com ele, vieram a <em>perestroika<\/em> (reestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica) e a <em>glasnost<\/em> (liberdade de express\u00e3o). Mas os estonianos tinham desde sempre uma vantagem competitiva com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais rep\u00fablicas socialistas sovi\u00e9ticas: a capital Talim fica a menos de noventa quil\u00f4metros de Helsinque, a capital da socialmente avan\u00e7ada e democr\u00e1tica Finl\u00e2ndia. O que as r\u00e1dios e tev\u00eas transmitiam do outro lado do Golfo da Finl\u00e2ndia era facilmente captado do lado russo.<\/p>\n<p>O jornalista estoniano Mart Niineste conta ao <a href=\"http:\/\/www.joyzine.org\/estonianpunk.html\" target=\"_blank\">site Joyzine<\/a> que naquela \u00e9poca &#8220;havia apenas uma janela pro resto do mundo, e era a r\u00e1dio e TV finlandesas&#8221;. E naquelas ondas vinham Sex Pistols e todo o <em>punk<\/em> brit\u00e2nico, que foram apresentados pra toda Finl\u00e2ndia e, por tabela, \u00e0 Est\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode culpar o <em>punk<\/em> brit\u00e2nico por tudo o que o <em>punk<\/em> estoniano \u00e9&#8221;, diz Niineste. E ele n\u00e3o est\u00e1 brincando. Se os Laulupidu criavam gradualmente, com can\u00e7\u00f5es e poesias nacionalistas, uma massa de estonianos contra-russos baseados na n\u00e3o-viol\u00eancia, n\u00e3o se pode dizer o mesmo de alguns jovens impactados pela f\u00faria brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que esses jovens tinham motivo pra se rebelar, muito mais que Johnny Rotten e Sid Vicious. Havia censura e repress\u00e3o, e a <em>glasnost<\/em> de Gorbachev ainda ia demorar um bocado pra dar as caras. Em 1979, essa molecada estava mais afim de chutar umas canelas sovi\u00e9ticas do que esperar um movimento gradual de n\u00e3o-viol\u00eancia surtir efeito. Sequer podia imaginar que Gorbachev existia.<\/p>\n<p>Da\u00ed, surgiu a primeira banda <em>punk<\/em> local, a Generator M. Hendrik Sal-Saller, um dos fundadores, disse ao Joyzine: &#8220;o sistema sovi\u00e9tico era, em uma \u00fanica palavra, &#8216;opressor&#8217;! O momento era o ideal e minha juventude rebelde precisava se expressar. Na Est\u00f4nia, \u00e9ramos prisioneiros em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Mas, curiosamente, n\u00e3o foi um bando de moleques revoltados que colocaria o <em>punk<\/em> estoniano na hist\u00f3ria. Um grupo de m\u00fasicos profissionais formou em 1980 a Propeller, banda que foi o centro de um caso que acabou sendo o gatilho da revolta social no pa\u00eds &#8211; e que acelerou a &#8220;Singing Revolution&#8221; propriamente dita, a de 1988.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8vscpVY1scI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v3mVpmPaMZ4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em 22 de setembro de 1980, um jogo de futebol aconteceu no est\u00e1dio Tallinn D\u00fcnamo, entre atletas da televis\u00e3o estoniana e da r\u00e1dio estoniana. No intervalo e ao final da partida, a Propeller faria um show.<\/p>\n<p>A TV e a r\u00e1dio, claro, anunciaram com entusiasmo o jogo durante um tempo, na inten\u00e7\u00e3o de chamar amantes do futebol pra v\u00ea-lo. Mas acabaram atraindo mesmo milhares de jovens de 13 a 17 anos, que queriam assistir \u00e0 performance da Propeller, cujo punk j\u00e1 ecoava vez por outra nas r\u00e1dios clandestinas e subterr\u00e2neos de Talim. Mais de sete mil pessoas compareceram ao est\u00e1dio. Era o maior p\u00fablico da hist\u00f3ria do futebol estoniano. O diacho \u00e9 que os censores russos n\u00e3o curtiram o que viram e ouviram no intervalo (as letras tinham forte mensagem nacionalista) e n\u00e3o permitiram que a Propeller fizesse o show ap\u00f3s o jogo. Avisaram a decis\u00e3o pelos auto-falantes do est\u00e1dio.<\/p>\n<p>Mesmo assim, com a banda empacotando as coisas no palco, milhares de jovens desceram ao gramado e cercaram o grupo. Queriam mais m\u00fasica. N\u00e3o rolou. Os jovens ficaram revoltados, mas nada aconteceu dentro do est\u00e1dio. Assim que a banda guardou tudo, os jovens come\u00e7aram a sair, em dire\u00e7\u00e3o ao terminal de trem. Alguns grupos de jovens come\u00e7aram a entoar cantos nacionalistas pelo caminho, alternando com gritos anti-R\u00fassia. A turba chegou ao terminal alterada e come\u00e7ou a quebrar trens e instala\u00e7\u00f5es. Carros de pol\u00edcia foram destru\u00eddos. Em dire\u00e7\u00e3o ao centro da cidade, os grupos cada vez mais numerosos e concisos (cerca de mil) inflavam os pulm\u00f5es de gritos nacionalistas e quebravam vitrines de lojas, lixeiras e placas de tr\u00e2nsito. Logo, foram dispersados pela mil\u00edcia sovi\u00e9tica, mas ficou acertado novo encontro no dia 1\u00ba de outubro, numa sorveteria.<\/p>\n<p>Com local e data gritados a plenos pulm\u00f5es, a pol\u00edcia j\u00e1 sabia e estava postada. Mais de cinco mil estudantes compareceram, grande parte muito jovens. N\u00e3o houve exatamente conflito com a pol\u00edcia: apenas desobedi\u00eancia pra dispers\u00e3o e dist\u00farbio &#8220;da ordem e do tr\u00e2nsito&#8221;. Eles levavam a bandeira azul, preta e branca da Est\u00f4nia, que estava oficialmente banida. Queriam a independ\u00eancia da Est\u00f4nia, a retirada das tropas sovi\u00e9ticas, melhor calefa\u00e7\u00e3o e comida nas escolas e ouvir a m\u00fasica que quisessem ouvir. Muitos foram presos.<\/p>\n<p>O rock j\u00e1 era um tipo de m\u00fasica proibido pela regime sovi\u00e9tico, mas a Propeller, <em>punk<\/em> e mais &#8220;radical&#8221;, vista como estopim pros incidentes que assustaram os l\u00edderes do partido comunista, foi banida pelos russos. Mart Niineste reconhece que esse curto per\u00edodo de exist\u00eancia tornou a banda &#8220;uma lenda&#8221;. A Propeller acabou e logo virou a Keseke: os mesmos integrantes, mas com outra pegada, nada <em>punk<\/em>, mais progressiva.<\/p>\n<p>Inicialmente, a Propeller era formada por Urmas Alender (vocal), Peeter Volkonski (vocal), Peeter M\u00e4\u00e4rits (vocal, flauta), Ain Varts (guitarra), Riho Sibul (guitarra), Priit Kuulberg (baixo), Peeter Malkov (vocal, flauta), Albert Trapeez (letras, poesia) e Ivo Varts (bateria). Eram m\u00fasicos e intelectuais, mais do que jovens arruaceiros, e a m\u00fasica nem era assim t\u00e3o &#8220;punk&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pSLIEt2Q8xc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VOjk8nUlYRI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Na cola dos acontecimentos, veio a famosa &#8220;Carta Dos 40&#8221; (&#8220;Neljak\u00fcmne kiri&#8221;), publicada em 28 de outubro de 1980, uma carta-aberta contra a opress\u00e3o sovi\u00e9tica, assinada por quarenta intelectuais e artistas proeminentes estonianos. A carta atacava as pol\u00edticas culturais repressivas sovi\u00e9ticas, enaltecia a l\u00edngua e cultura estonianas, e criticava a forma como o governo russo havia tratado a rebeli\u00e3o dos jovens ap\u00f3s o show da Propeller. Nenhum jornal oficial publicou a carta, muito menos o Pravda, o maior de todos e ve\u00edculo oficial do partid\u00e3o. Mas ela foi impressa clandestinamente e circulou por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Estocolmo, capital da Su\u00e9cia, o exilado jornal estoniano Eesti P\u00e4evaleht publicou a carta, que acabou correndo a Europa e depois chegou aos Estados Unidos. Na Est\u00f4nia, oficialmente, a carta s\u00f3 foi publicada em 1988, \u00e0s v\u00e9speras da independ\u00eancia. Nenhum dos membros do Propeller foi chamado a assinar a carta (<a href=\"http:\/\/www.sirjekiin.net\/40%20Letters.htm\" target=\"_blank\">que pode ser lida na \u00edntegra, em ingl\u00eas, aqui<\/a>).<\/p>\n<p>A carta teve um impacto profundo no que viria a ser a &#8220;Singing Revolution&#8221;. Com a <em>glasnost<\/em>, em 1985, os estonianos experimentaram protestos pac\u00edficos pontuais, como &#8220;testes&#8221; pra com a nova abordagem pol\u00edtica de Moscou. O caso das minas de fosfato que o pa\u00eds queria ordenar foi o mais famoso, embora n\u00e3o tenha tido resultados pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Os festivais de m\u00fasica come\u00e7aram a pipocar, como o Tartu Music Days (em 14 de maio de 1988), onde Alo Mattiisen e sua banda mostraram pela primeira vez o hino da &#8220;Singing Revolution&#8221;, &#8220;Five Fatherland Songs&#8221;. O rock voltava aos palcos.<\/p>\n<p>Heinz Valk, ativista e artista estoniano, \u00e9 quem cunhou o termo &#8220;Singing Revolution&#8221;, num artigo que descrevia o momento-chave pra luta da independ\u00eancia da Est\u00f4nia: era junho de 1988 e durante o Old Town Festival, no Lauluv\u00e4ljak (ou The Tallinn Song Festival Grounds), trezentas mil pessoas se reuniram pra cantar os hinos da independ\u00eancia. Uma revolu\u00e7\u00e3o baseada na m\u00fasica, na n\u00e3o-viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Dois meses depois, no mesmo local, PIL, Big Country e Steve Hackett reuniram cento e trinta mil pessoas num concerto igualmente hist\u00f3rico. Era o Summer Of Rock. Os sovi\u00e9ticos n\u00e3o conseguiam mais impedir o rock e a m\u00fasica de fazer a cabe\u00e7a dos estonianos.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o ali n\u00e3o era silenciosa. Mas era pac\u00edfica. Era musical. Ela aconteceu na Est\u00f4nia, na Litu\u00e2nia e na Let\u00f4nia em moldes bem parecidos.<\/p>\n<p>Em 20 de agosto de 1991, a Est\u00f4nia se tornou independente. O Laulupidu segue acontecendo &#8211; a edi\u00e7\u00e3o XXVII est\u00e1 marcada pra 2019. O rock segue firme, embora numa cena proporcional ao tamanho geogr\u00e1fico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Propeller voltou a assumir seu nome e toca por a\u00ed. Um disco foi lan\u00e7ado, coletando v\u00e1rias m\u00fasicas da \u00e9poca: &#8220;\u041fropeller&#8221;, de 1995, que pode ser ouvida aqui, na \u00edntegra, com outro nome, &#8220;Propa 15&#8221;.<\/p>\n<p>A m\u00fasica \u00e9, de fato, uma arma.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n-TOLEHusHw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talim, com (hoje) quatrocentos mil habitantes, sempre foi uma cidade estrat\u00e9gica pra Moscou e ficou ainda mais a partir de 1940, quando o pacto com [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":46204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2363],"tags":[2302],"class_list":["post-45914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-propeller"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/propeller1.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-bWy","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45914\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46204"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}