{"id":46621,"date":"2016-09-30T10:24:03","date_gmt":"2016-09-30T13:24:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46621"},"modified":"2016-09-30T11:14:06","modified_gmt":"2016-09-30T14:14:06","slug":"resenha-infante-1991","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-infante-1991\/","title":{"rendered":"RESENHA: INFANTE &#8211; 1991"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46622\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-infante-1991\/infante-capa-1991\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"infante-capa-1991\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-46622\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/infante-capa-1991.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>A medida do tempo e seu conceito n\u00e3o s\u00e3o exatamente divertidos. Mas talvez a gente imagine e empreste \u00e0s nossas mem\u00f3rias uma paz que nunca existiu; uma paz que \u00e9 mais o produto de um desejo do que uma viv\u00eancia realmente experimentada. Quando o vocalista canta &#8220;estou de volta ao in\u00edcio, que antes evitei ao partir&#8221; (em &#8220;Jimi&#8221;), nos sentimos em uma movimenta\u00e7\u00e3o c\u00edclica cujos todos sentimentos catalogados nas emo\u00e7\u00f5es humanas parecem, como o tempo, uma pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Diferentes paisagens que trazem mesma evoca\u00e7\u00f5es, vis\u00f5es de um lugar querido que atravessou mudan\u00e7as e n\u00e3o guarda mais o odor que voc\u00ea esperava, o cheiro a qual voc\u00ea estava t\u00e3o habituado. Estamos rindo de maneira diferente nos mesmos lugares, sobre as mesmas coisas &#8211; s\u00f3 a superf\u00edcie que est\u00e1 diferente. Ela est\u00e1 modificada, ela envelheceu, n\u00f3s envelhecemos e pouca coisa (ou nada) realmente muda. Ainda assim, temos saudades de como v\u00edamos o mundo (ou de como pens\u00e1vamos ver).<\/p>\n<p>As can\u00e7\u00f5es de &#8220;1991&#8221; apresentam pessoas confusas, que almejam um lugar mais pac\u00edfico entre tanta complexidade, tanta turbul\u00eancia do dia-a-dia. A din\u00e2mica do rock alternativo (guitarras bem noventistas), mais as letras, emprestam o tom nost\u00e1lgico ao disco. Mas n\u00e3o \u00e9 que a banda mire no passado e se debruce s\u00f3, e somente s\u00f3, sobre ele &#8211; a banda reconhece pontos antigos que se sentia mais confort\u00e1vel e, embora n\u00e3o esteja mais sentindo-se exatamente assim, h\u00e1 sempre uma busca pela liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;1991&#8221; (primeiro disco cheio da banda Infante, de Jundia\u00ed, S\u00e3o Paulo) \u00e9 sobre tudo, sobre querer algo, almejar um objetivo mesmo que n\u00e3o bem definido &#8211; as roupas velhas que lembram de uma \u00e9poca, sentimentos antigos que podem ser revisitados como chave pra qualquer tipo de emancipa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um peso indefinido que nos ancora em uma estagna\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua &#8211; &#8220;1991&#8221; tenta encontrar a chave pra escapar disso.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3704018805\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/infante1.bandcamp.com\/album\/1991-2016\">1991 (2016) by Infante<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>H\u00e1 surpresas instrumentais tamb\u00e9m; a transi\u00e7\u00e3o de &#8220;Caf\u00e9 Gelado&#8221; pra c\u00f4mica e (quem sabe) ir\u00f4nica &#8220;Avant-Garde&#8221;, sem perder o tom de brincadeira, s\u00e3o os pontos que mais evidenciam estruturas menos convencionais na banda. Embora n\u00e3o tenha um &#8220;estado mental&#8221; realmente definido, sente-se em &#8220;1991&#8221; que uma esp\u00e9cie de confus\u00e3o permeia todo o disco.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o soa expansiva (ou\u00e7a de fone de ouvido). N\u00e3o se trata de um disco de &#8220;ideias&#8221; se \u00e9 que posso especificar assim; \u00e9 mais uma explora\u00e7\u00e3o dos complexos que uma vida jovem adulta oferece. Se locomover pelo mundo sem ter muita certeza de algo. Ficar longe de pessoas importantes, por um per\u00edodo sentir n\u00e3o ter absolutamente nada est\u00e1vel, perder essas sensa\u00e7\u00f5es de utilidade do cotidiano que catalisam tais d\u00favidas. N\u00e3o sei de qual origem surgem exatamente essas indaga\u00e7\u00f5es\/incertezas. Mas funciona.<\/p>\n<p>N\u00e3o me entenda mal &#8211; o disco n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil nesse n\u00edvel. Mas ele trata sobre a rela\u00e7\u00e3o de certa s\u00e1tira e desilus\u00e3o, ambas paralelas, com a vida adulta. \u00c9 como sentar no bar no final de semana e reencontrar um amigo com quem compartilhaste um tempo consider\u00e1vel da adolesc\u00eancia e, a partir da\u00ed, cada um explicar suas neuras, suas confus\u00f5es &#8211; ao mesmo tempo rindo de todas essas merdas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode ouvir uma consider\u00e1vel dose de rock alternativo nas influ\u00eancias, enquanto n\u00e3o h\u00e1 um reverencialismo espec\u00edfico &#8211; pois \u00e9 sobre err\u00e2ncias atuais, acima de tudo, que o disco trata. Mais importante do que o tratamento desses temas, \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o l\u00edrico -instrumental. Todo o &#8220;querer&#8221; embutido nas letras tem na vasta influ\u00eancia instrumental sua multiplicidade espalhada mais facilmente. Ou seja, n\u00e3o soa como ideias simplesmente empurradas pra cima de n\u00f3s. H\u00e1 um cuidado aut\u00eantico com a produ\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmos os supostos refr\u00f5es n\u00e3o surgem em estruturas convencionais. Isso faz com que cada can\u00e7\u00e3o imponha algo pr\u00f3prio ao decorrer do disco. <\/p>\n<p>\u00c1lbuns como &#8220;1991&#8221; evidenciam que o rock de garagem ainda \u00e9 necess\u00e1rio (ou talvez n\u00e3o seja, mas ainda insistiremos em ouvi-lo). Pra escapar de uma suposta normalidade, pra rir com os amigos, pra simplesmente se divertir rindo de todas nossas (in\u00fameras) merdas. &#8220;1991&#8221; est\u00e1 bem longe de procurar uma reden\u00e7\u00e3o ou qualquer estupidez dessas. O disco reconhece que se hoje n\u00e3o est\u00e1 tudo bem, e se o amanh\u00e3 ainda guarda algumas turbul\u00eancias, n\u00f3s sempre podemos conviver com tudo e que o &#8220;querer&#8221; sobrevive em meio a tanta porrada.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Jimi<br \/>\n02. Lun\u00e1tico<br \/>\n03. Nostalgia<br \/>\n04. Em Paz<br \/>\n05. Caf\u00e9 Gelado<br \/>\n06. Avant-Garde<br \/>\n07. Vampiro Comum<br \/>\n08. Ao Som Do Nada<br \/>\n09. Me D\u00e1 Mais Um Copo<br \/>\n10. De Novo, Outra Vez<br \/>\n11. Limbo<br \/>\n12. Seguindo<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 1\u00ba de agosto de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 40 minutos e 07 segundos<br \/>\nSelo: Transtorninho Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Caio Molena<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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