{"id":46747,"date":"2016-10-19T12:19:07","date_gmt":"2016-10-19T14:19:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46747"},"modified":"2016-10-19T12:19:07","modified_gmt":"2016-10-19T14:19:07","slug":"resenha-b-k-nectar-castelos-ruinas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-b-k-nectar-castelos-ruinas\/","title":{"rendered":"RESENHA: B.K. (NECTAR) &#8211; CASTELOS &#038; RU\u00cdNAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46748\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-b-k-nectar-castelos-ruinas\/bk-capa-casteloseruinas\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"bk-capa-casteloseruinas\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-46748\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/bk-capa-casteloseruinas.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>B.K. come\u00e7a &#8220;Castelos &#038; Ru\u00ednas&#8221; falando que ele segue na sombra. Pra al\u00e9m do fato \u00f3bvio que isso queira dizer uma suposta marginalidade, como autor, pode-se dizer que ele est\u00e1 em terreno incerto. A incerteza garante mais liberdade criativa, mas tamb\u00e9m \u00e9 um terreno consideravelmente mais imposs\u00edvel de deslizes. A vis\u00e3o de B.K. vai al\u00e9m &#8211; por estar na sombra, ele solta mais bombas e se movimenta em versos que significam uma por\u00e7\u00e3o de coisas ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 bem sincero: fala dos soldados, das mulheres e da possibilidade de abandonar esse mundo que ao mesmo tempo que gera tantas confus\u00f5es tem um efeito notoriamente carnal. \u00c9 o prazer indeleg\u00e1vel. Por estes versos, percebe-se que n\u00e3o se trata necessariamente de um homem em &#8220;evolu\u00e7\u00e3o&#8221; ou qualquer merda id\u00edlica dessas &#8211; mas sim, por saber de certas fraquezas geradas por variadas tenta\u00e7\u00f5es, temos um artista com absoluto conhecimento de seus desejos, por mais convencionalmente degenerados eles sejam. Quando ele pergunta &#8220;o que a vida tem pra me dar?&#8221; e come\u00e7a a elaborar respostas, a realidade abrupta surge. E, ao inv\u00e9s dele tentar criar escapismos, ele afunda nessa realidade um vasto tema l\u00edrico que se desdobra em divaga\u00e7\u00f5es, realismo e um estado quase sempre confessional. \u00c9 justamente o reconhecimento de determinada &#8220;gan\u00e2ncia&#8221; curiosamente gerada pela falta de coisas b\u00e1sicas que cria o paradoxo que B.K. discorre em praticamente todas as faixas.<\/p>\n<p>A obsess\u00e3o com o paradoxo e as possibilidades criativas s\u00e3o marca em artistas consider\u00e1veis h\u00e1 muito tempo. Isso porque ao inv\u00e9s de apontar apenas dire\u00e7\u00f5es simples (por mais elaboradas que sejam), se debru\u00e7ar sobre o paradoxo &#8211; mais do que a rela\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil entre amor e \u00f3dio &#8211; intensifica uma gama pesada de rea\u00e7\u00f5es. E considere pesada como algo que atinge a mortalidade &#8211; a morte est\u00e1 em todos os cantos em que B.K. circula e &#8220;Castelos &#038; Ru\u00ednas&#8221; \u00e9 justamente sobre a dificuldade de circular por estes espectros carregando tantos desejos e ambi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ele pode carregar o inferno enquanto trafega pelo c\u00e9u e ele pode estar se queimando internamente enquanto frequenta uma suposta paz &#8211; mas sempre pronto pro recome\u00e7o da guerra, esta realidade \u00e0 espreita. A corrida por dinheiro, a falsa uni\u00e3o que o capital constr\u00f3i, a rela\u00e7\u00e3o mais uma vez paradoxal entre burguesia e desejos, como v\u00edtimas se transformam em vil\u00f5es, como o mundo exige que voc\u00ea seja um tipo de vil\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OtUgra5BtwI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Um fato \u00e9 n\u00edtido &#8211; ele quer o que o mundo tem a oferecer mesmo sem saber direito o que necessariamente \u00e9, embora tenha conhecimento pleno dos m\u00e9todos aplicados pra isso. Porque o concreto pode se estender at\u00e9 um ponto irreconhec\u00edvel no horizonte, mas as coisas que nos cercam &#8211; armas, facas, mortes, frustra\u00e7\u00f5es &#8211; s\u00e3o categoricamente definidas. Dif\u00edceis de atravessar numa caminhada j\u00e1 fracassada em chegar naquele ponto distante. \u00c9 mais ou menos sobre a ambi\u00e7\u00e3o de querer o que n\u00e3o tem e ter que suportar o que n\u00e3o se quer pra alcan\u00e7ar algo que nunca vai ser o suficiente.<\/p>\n<p>Estruturalmente, s\u00e3o blocos pessoais que formam um castelo cuja pr\u00f3pria origem \u00e9 uma ru\u00edna que tamb\u00e9m ser\u00e1 o fim inescap\u00e1vel. E B.K. n\u00e3o quer escapar deste fim, mas ele tamb\u00e9m quer entrar em todos quartos do castelo, aproveitar todas suas comidas e bebidas e perversidades, antes que a constru\u00e7\u00e3o volte a seu estado original em ru\u00ednas. As ru\u00ednas que podem ser o Leblon, a loucura, o esquecimento, as &#8220;necessidades&#8221;, o irreconhec\u00edvel. B.K. sabe que n\u00e3o pode ficar muito tempo num c\u00f4modo ent\u00e3o: h\u00e1 sempre uma paz que precede um movimento acelerado.<\/p>\n<p>&#8220;Castelos &#038; Ru\u00ednas&#8221; n\u00e3o abriga espa\u00e7o pra qualquer aspira\u00e7\u00e3o de pureza mas tamb\u00e9m explicita que essa nunca foi e nem poderia ser a inten\u00e7\u00e3o de seu criador. B.K. \u00e9 algu\u00e9m n\u00e3o est\u00e1tico e isso mais do que estimular cria\u00e7\u00f5es musicais, intensifica identifica\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas que nunca se recolhem num c\u00f4modo espec\u00edfico. As invas\u00f5es s\u00e3o v\u00e1rias, as multiplicidades s\u00e3o paralelas &#8211; como manter a paz de um mundo que raramente estimula uma \u00fanica sensa\u00e7\u00e3o por momento? A sucess\u00e3o de divaga\u00e7\u00f5es saem da boca de B.K pra revelar algu\u00e9m incompreens\u00edvel porque justamente aceita a falta de identidade proporcionada por desejos t\u00e3o abjetos. Se tudo acaba, se nada \u00e9 eterno &#8211; porque ainda assim desejos basicamente irreais incham nossas pretens\u00f5es? B.K vai pra guerra com o que resta, ele n\u00e3o pode descansar porque a perman\u00eancia no castelo necessita de uma movimenta\u00e7\u00f5es intensa pra revogar a ru\u00edna (ou adi\u00e1-la).<\/p>\n<p>B.K. \u00e9 capaz de rimar sobre qualquer batida e sua t\u00e9cnica (tanto em termos de <em>flow<\/em> como em termos de batidas) \u00e9 evidente em todo o disco. Por isso eu tentei mais explicitar minhas rea\u00e7\u00f5es e atravessamentos com o vasto tema l\u00edrico. Porque ele tem um peso intr\u00ednseco \u00e0 sua pessoa. E transforma todo esse peso em m\u00fasica.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Sigo Na Sombra<br \/>\n02. C&#038;R Interl\u00fadio I<br \/>\n03. Quadros (participa\u00e7\u00e3o Ashira e Luccas Carlos)<br \/>\n04. O Que Sobra Disso Tudo (participa\u00e7\u00e3o Luccas Carlos)<br \/>\n05. Vis\u00e3o Ampla<br \/>\n06. Caminhos<br \/>\n07. Castelos &#038; Ru\u00ednas<br \/>\n08. Pir\u00e2mide<br \/>\n09. Amores, V\u00edcios e Obsess\u00f5es<br \/>\n10. N\u00e3o Me Espere<br \/>\n11. Um Dia de Chuva Qualquer<br \/>\n12. C&#038;R Interl\u00fadio II<br \/>\n13. O Pr\u00f3ximo Nascer do Sol<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 21 de mar\u00e7o de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 43 minutos e 50 segundos<br \/>\nSelo: Pir\u00e2mide Perdida Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: El Lif Beatz e JXNVS<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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