{"id":46795,"date":"2016-10-28T12:10:58","date_gmt":"2016-10-28T14:10:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46795"},"modified":"2016-11-25T09:52:06","modified_gmt":"2016-11-25T11:52:06","slug":"cosmopoplitan-12-parigiperugia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-12-parigiperugia\/","title":{"rendered":"COSMOPOPLITAN #12 \u2013 PARIGI\/PERUGIA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46796\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-12-parigiperugia\/cosmopoplitan12\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cosmopoplitan12.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"cosmopoplitan12\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cosmopoplitan12.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cosmopoplitan12.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46796\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cosmopoplitan12.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cosmopoplitan12.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Bestia.<\/p>\n<p>&#8211; O que foi?<\/p>\n<p>&#8211; Achei muito legal mas estou enrolado com esta tradu\u00e7\u00e3o aqui.<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 o roteiro de um document\u00e1rio sobre um grande cordelista.<\/p>\n<p>&#8211; Literatura de cordel?<\/p>\n<p>&#8211; Isso. Ent\u00e3o, j\u00e1 viu, eu que sou paulista, empaco a cada duas linhas pra processar os modos regionais, a pontua\u00e7\u00e3o diferente&#8230; Saca transcria\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, de poesia?<\/p>\n<p>&#8211; Sim.<\/p>\n<p>&#8211; Pois \u00e9, n\u00e3o \u00e9 a minha \u00e1rea&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Tua camiseta da banana me inspirou, vou botar um show aqui pra gente escutar.<\/p>\n<p>&#8211; Que show?<\/p>\n<p>&#8211; Lou Reed, John Cale e Nico em Paris, no Le Bataclan, em 72. Eles tocaram can\u00e7\u00f5es do Velvet Underground e das carreiras solo de cada um. S\u00f3 os tr\u00eas no palco, clima intimista e p\u00fablico em sintonia, o Lou Reed at\u00e9 se concede agradecer os aplausos, rara beleza.<\/p>\n<p>&#8211; Espera, Le Bataclan? Aquele mesmo do ataque terrorista, l\u00e1?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, esse mesmo, p\u00f4, quando aconteceu essa barbaridade a\u00ed eu fui ler sobre o Le Bataclan e ali j\u00e1 foi palco pra muito show de rock bom: Jerry Lee Lewis, Captain Beefheart, New York Dolls, The Clash, The Fall, My Bloody Valentine&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/agUSgRf3qXA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Eu fui l\u00e1 faz menos de dois meses!<\/p>\n<p>&#8211; (<em>risos<\/em>) Voc\u00ea, durango desse jeito, foi a Paris?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, fui e nem saberia bem te dizer o motivo; seria descolado se eu dissesse que fui a Paris por putaria? (<em>risos<\/em>) Em parte foi, mas n\u00e3o sei mesmo.<\/p>\n<p>&#8211; Eita, entendi foi nada, me conta?<\/p>\n<p>&#8211; Conto. De boa. Como fui me meter com a Elena. Uma sarda que mora em Paris. Em interc\u00e2mbio estudantil no Brasil, minha ex-colega de classe na USP. D\u00e1 um pega forte e relaxa, aqui vou eu.<\/p>\n<p>(<em>imagine aqui um efeito de passagem de tempo, flashback &#8211; e leia ouvindo o disco acima<\/em>)<\/p>\n<p>O ano de 2016 mal come\u00e7ou e meu casamento acabou. N\u00e3o nos suport\u00e1vamos mais. Fiz a inscri\u00e7\u00e3o pra um edital de interc\u00e2mbio da USP e fui morar numa rep\u00fablica no Butant\u00e3, trampando durante o dia como professor de ingl\u00eas e tradutor frila, e assistindo as aulas de noite, puta cansa\u00e7o e uma dureza de foder. Depois do espa\u00e7o cultural, ali\u00e1s, dureza nem era novidade; eu e a Luciana engravidamos e logo depois do nascimento da nossa filha, fechamos as portas.<\/p>\n<p>Combinamos de evitar aquele ritmo de vida em que a crian\u00e7a tem menos contato di\u00e1rio com os pais do que com outros e enquanto a Luciana voltou pro emprego antigo dela, eu fiquei em casa cuidando a tempo integral de nossa filha. At\u00e9 os dois anos e meio dela foi assim. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nos separamos e de repente minha filha passava o dia na creche e eu procurando emprego, amargurado e perdido.<\/p>\n<p>Minha ideia, ent\u00e3o, foi levantar minha auto-estima, entrei no Tinder; houve algumas novas amizades, legais, algumas presepadas e algum sexo tamb\u00e9m. Aos 41 anos de idade, me deparei com a novidade que era perceber as diferen\u00e7as, negativas e positivas, entre a vida de casado e a de solteiro. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de confus\u00e3o s\u00f3 diminuiu quando vi que fui selecionado pro interc\u00e2mbio. Seis meses em Perugia, sem bolsa de estudo. Ao inv\u00e9s de confus\u00e3o, agora era correria, eu tinha que guardar dinheiro. Deixei de pagar as merdas todas no banco e at\u00e9 dependi da caridade da Luciana e fui morar na quitinete dela que estava desocupada, no centro \u2013 onde mor\u00e1vamos quando nossa filha nasceu.<\/p>\n<p>Ali, fiquei sem m\u00e1quina de lavar, sem fog\u00e3o, sem geladeira, sem coberta. Um frio do c\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Nunca comi em tantos restaurantes e tantas lanchonetes diferentes na vida. Mas era por pouco tempo, logo eu estaria de volta vivendo na It\u00e1lia, depois de quase oito anos. A Luciana me deixava lavar roupa na casa dela e eu podia ver nossa filha tranquilamente. A \u00fanica outra op\u00e7\u00e3o pra mim seria passar esses \u00faltimos dois meses com meu irm\u00e3o Paulo, mas ele morava longe, no interior. Na quitinete eu podia ficar com minha filha. Era demais.<\/p>\n<p>Logo no meu primeiro dia de aula, literatura italiana, assim que bati os olhos nela, sentada em meio aos outros poucos alunos naquela classe min\u00fascula, a percebi. Eu a olhava durante a aula toda, a Elena, disfar\u00e7adamente, mas n\u00e3o puxei papo com ela, nem ela comigo. Ela parecia ter um corpo muito bonito. Sempre ia \u00e0s aulas vestida como se estivesse em casa, de moletom, sem maquiagem. Fazia anota\u00e7\u00e3o de tudo que a professora dizia. E quieta, s\u00f3 falava o indispens\u00e1vel, quando a professora perguntava e ningu\u00e9m mais respondia, ou quando se dirigia a ela. Achei que fosse timidez, a aula era em italiano. Vi que seu italiano era perfeito. Deixei pra l\u00e1.<\/p>\n<p>Perto do fim do semestre come\u00e7ou a greve na USP e as aulas foram interrompidas. Foi a professora que nos meteu em contato, creio por obra do acaso, pra passarmos o material de leitura pro trabalho final aos demais alunos. Ela foi buscar o material na quitinete, eu terminava de vestir minha filha no sof\u00e1-cama, que era o \u00fanico m\u00f3vel ali. Eu e minha filha \u00edamos ver uma sinf\u00f4nica alem\u00e3 com espet\u00e1culo dedicado \u00e0s crian\u00e7as, no Ibirapuera. Conversamos por alguns minutos e acenamos um pouco sobre n\u00f3s, aquilo de se apresentar. Ela n\u00e3o vestia moletom, era jeans. Pela primeira vez sorrimos um pro outro e a despedida foi com abra\u00e7o. Foda, senti vontade dela. Depois escrevi a ela propondo de nos encontrarmos pra praticar nossos idiomas. Ela topou.<\/p>\n<p>Fomos no CCSP ver &#8220;Onde Os Fracos N\u00e3o T\u00eam Vez&#8221; e rimos juntos com o velhinho ador\u00e1vel ao nosso lado que repetia a \u00faltima palavra de cada fala. N\u00e3o nos tocamos. Ent\u00e3o a levei no por\u00e3o da S\u00e3o Francisco num evento do Dubvers\u00e3o, eu estava doido pra fumar um mas tudo bem pois ali todos eramos fumantes passivos; s\u00f3 ent\u00e3o descobri que ela nem beber bebia. Dan\u00e7amos, dan\u00e7amos e comecei a avan\u00e7ar, ela me rejeitou, dan\u00e7amos mais um pouco e nos despedimos. Pensei que a hist\u00f3ria acabaria ali. Mas voltamos a sair nos dias seguintes: uma vez fomos \u00e0 Pinacoteca, outra fomos \u00e0 Funarte ocupada e nos deparamos com a Erundina, fomos tamb\u00e9m ver shows de m\u00fasica experimental. Ela estava comigo inclusive quando toquei com a Luciana e nossa filha na Trackers.<\/p>\n<p>Insisti por dois dias e ent\u00e3o ela cedeu, mas deixando claro que estava numa fase indefinida \u2013 saindo com outros \u2013, que me achava legal etecetera, mas que de mim n\u00e3o queria nada al\u00e9m de amizade e eventualmente sexo. Me convidou pra jantar, pediu pra eu n\u00e3o escolher um dos lugares toscos onde eu comia, fomos ao Ramona e ela fez quest\u00e3o de pagar a conta, foi um jantar <em>mezzo<\/em> rom\u00e2ntico. De l\u00e1, voltando \u00e0 p\u00e9 pra quitinete, acabamos parando no bar Brahma pra um chope e eu paguei, ent\u00e3o fomos at\u00e9 a quitinete e acabamos indo pra cama. E a cama foi pra onde seguimos indo, muitas e muitas vezes a partir de ent\u00e3o. Ali\u00e1s camas. E banheiros. E tamb\u00e9m lugares menos usuais.<\/p>\n<p>Elena morava num apartamento dividido perto da USP e intercal\u00e1vamos dias e noites entre o Centro e o Butant\u00e3. Estudamos juntos no CCSP e andamos de bicicleta no Villa-Lobos, fizemos piquenique no Ibirapuera, passeamos em v\u00e1rios lugares de S\u00e3o Paulo, inclusive com minha filha. As duas se davam bem demais e brinc\u00e1vamos os tr\u00eas juntos. Ela vivia me pedindo pra tocar o ukulele, pra cantarmos juntos. O ukulele era o \u00fanico instrumento dispon\u00edvel na quitinete. Passamos a tocar e cantar can\u00e7\u00f5es lindas do Lucio Battisti. Me ensinou a cozinhar, cozinhei pra ela, me ensinou a fazer ch\u00e1 de gengibre com lim\u00e3o e mel, fazia sempre pra combater o frio e nosso resfriado, fiz pra ela tamb\u00e9m; dan\u00e7amos, cantamos, realmente praticamos muito nossos idiomas, ela passou a lavar a minha roupa, chegamos a imaginar como seria nosso filho, lav\u00e1vamos um ao outro no banho. Passei a dizer a ela que a amava. Expliquei que n\u00e3o queria reconhecimento nem retribui\u00e7\u00e3o, que considero amar algo bonito e que n\u00e3o significa nada al\u00e9m disso. Ela dizia que n\u00e3o se pode dizer isso facilmente, mas chegou a deixar escapar uns tr\u00eas &#8220;eu te amo&#8221; em ocasi\u00f5es diferentes e em p\u00fablico se referia a mim como seu &#8220;ragazzo&#8221;. Era alegre e afetuosa, na cama era gostosa e segura. Dizia que estava muito satisfeita comigo, me disse que eu seria capaz de faz\u00ea-la uma esposa feliz; gostava desta minha camiseta aqui, da banana.<\/p>\n<p>Por outro lado, me dizia que eu n\u00e3o fazia seu perfil, nem tanto pelos meus quase dez anos a mais, mas por j\u00e1 ter tido duas fam\u00edlias; vivia me contando do ex que a deixou em Paris pouco antes dela vir ao Brasil e do recente ex brasileiro. Que estava confusa, que achava que iria acabar sozinha. Eu dizia que apesar de a amar n\u00e3o toparia um relacionamento \u00e0 dist\u00e2ncia. Falei do livro que escrevi contando a descoberta da minha italianidade e ela ficou muito interessada pois a pesquisa do mestrado dela era justamente sobre a literatura de italianos emigrados no Brasil e seus descendentes, dei a ela a \u00faltima das cinquenta c\u00f3pias da tiragem independente que fiz. Viajamos pra Bras\u00edlia onde minha banda com a Luciana tocou e depois passamos quase uma semana na Chapada dos Veadeiros. No total foram quase dois meses que ficamos juntos, vinte e quatro horas por dia. E apesar de \u00e0s vezes bater um clima triste quando lembr\u00e1vamos que logo aquilo tudo acabaria, me senti muito bem.<\/p>\n<p>Acabei guardando menos dinheiro do que o m\u00ednimo que eu tinha previsto. A Elena tamb\u00e9m gastou mais do que esperava, inclusive bancou um pouco mais do que eu os custos da nossa viagem, estava preocupada com seu retorno. Antes de Paris ela iria passar duas semanas com a fam\u00edlia na Sardenha. Ela me contou que seu anivers\u00e1rio seria menos de uma semana depois do retorno a Paris e que provavelmente o passaria sozinha. O interc\u00e2mbio dela no Brasil chegava ao fim e o meu na It\u00e1lia iria come\u00e7ar um m\u00eas e meio depois. Decidi chegar antes em Perugia, pra procurar um emprego. Eu disse que iria visit\u00e1-la em Paris pra passar o anivers\u00e1rio dela com ela. Ela disse pra eu me limitar a pensar nas passagens pois na minha hospedagem pensaria ela. <\/p>\n<p>No dia em que ela foi embora, sentados num caf\u00e9 no aeroporto de Congonhas, combinamos que ser\u00edamos amigos pra sempre. Ela disse que sempre que nos reencontr\u00e1ssemos a cama seria inevit\u00e1vel, que ser\u00edamos amigos <em>plus<\/em>, a n\u00e3o ser que um de n\u00f3s tivesse a sorte maior de encontrar um par. Pediu pra n\u00e3o nos afastarmos, pra continuarmos em contato, mas me pediu pra n\u00e3o contar sobre meus novos flertes e encontros, pois sentiria ci\u00fames. Eu pelo contr\u00e1rio pedi pra ela me contar sobre seus novos flertes e encontros, ela perguntou se eu teria est\u00f4mago, respondi que sim pois acredito ser esse o pre\u00e7o da intimidade. Aperto de m\u00e3o pra selar o &#8220;acordo&#8221;, sorriso e beijos na boca, no pesco\u00e7o at\u00e9 o ombro, e um longo abra\u00e7o. A acompanhei at\u00e9 onde pude e nos abra\u00e7amos e beijamos, de frente \u00e0s esteiras do raio-x. A \u00faltima imagem dela no Brasil, chorando e me mandando beijos. S\u00f3 chorei depois, saindo do aeroporto, de volta pra quitinete.<\/p>\n<p>Eu ainda tinha uma semana antes da minha partida por Cumbica e os dois dias seguintes \u00e0 partida da Elena foram de uma aut\u00eantica s\u00edndrome de abstin\u00eancia. Tipo cena de &#8220;Trainspotting&#8221; mesmo: choro compulsivo, hibernando na cama, risada seguida de choro e vice-versa. No terceiro dia, fui buscar minha filha. E minha filha me tirou daquela, ficamos grudados nos meus \u00faltimos dias no Brasil.<\/p>\n<p>Eu e Elena mantivemos contato di\u00e1rio &#8211; n\u00e3o \u00e9ramos, mas parec\u00edamos namorados. Era estranho. Ela me contava dos dias dela na Sardenha com a fam\u00edlia e eu contava de mim com minha filha. Disse que se eu n\u00e3o levasse o ukulele n\u00e3o me aceitaria em Paris. Chegou o dia da minha partida. Estourou a guerra civil na Turquia e descobri s\u00f3 no <em>check-in<\/em> que meu voo com a Turkish Airways foi cancelado na \u00faltima hora, ent\u00e3o me botaram num hotel cinco estrelas perto do aeroporto e me encaixaram num voo Alitalia do dia seguinte. Me senti o Bill Murray em &#8220;Encontros E Desencontros&#8221;. No dia seguinte, Elena surtou e a poucos minutos da minha entrada no avi\u00e3o as mensagens que ela me enviava diziam pra eu n\u00e3o me iludir pois nunca tivemos nem ter\u00edamos um relacionamento. <\/p>\n<p>De Roma, fui direto pra Gatwick e de l\u00e1 peguei o trem pra Brighton, pra visitar meu primeiro filho, de 21 anos, que me esperava na esta\u00e7\u00e3o. Foi emocionante. \u00c9ramos muito pr\u00f3ximos at\u00e9 os 15 anos de idade dele, tivemos pelo menos tr\u00eas bandas juntos, fizemos juntos uma turn\u00ea com quatoze shows nos EUA e Canad\u00e1 em 2009 e outra na Europa em 2010, tudo na base do DIY. Em 2011, quando eu e a m\u00e3e dele nos separamos, voltei ao Brasil e ele continuou na Inglaterra morando com ela. A partir de ent\u00e3o, nos tornamos distantes.<\/p>\n<p>Fui visit\u00e1-lo em 2012 com a Luciana e em 2014 quando ajudei sua m\u00e3e a adquirir a cidadania italiana. Agora ele mora com a namorada, faz faculdade, toca com bandas, \u00e9 um adulto, enfim. Passei dez dias fazendo <em>couchsurfing<\/em> em Brighton pra n\u00e3o gastar mais dinheiro. Eu ia at\u00e9 meu filho diariamente pra passamos algumas horas juntos. Ele me levou a parques, \u00e0 praia e caminhamos pela cidade. Me apresentou hash e 25-i, tive momentos incr\u00edveis com ele, em que viajamos juntos ao som de <em>dub<\/em>, <em>psych<\/em>, <em>soul<\/em>, do &#8220;Bitches Brew&#8221;, do &#8220;Os Mutantes&#8221;, do &#8220;In The Court Of The Crimson King&#8221; e fazendo <em>jams<\/em> com viol\u00e3o, c\u00edtara e ukulele. Eu tinha muito pouco dinheiro, estava preocupado e sabia que precisaria encontrar trabalho assim que chegasse na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>A essa altura o contato meu com a Elena era um vai-e-vem de brigas, pazes e despedidas. Mas tudo com carinho e considera\u00e7\u00e3o, muito dolorido. Decidi ir mesmo assim a Paris. No \u00f4nibus que me levou de Londres a Paris, conheci uma francesa com a idade do meu filho, loirinha de <em>dreads<\/em>, que tinha acabado de voltar de um interc\u00e2mbio em Camar\u00f5es, conversamos por horas a fio e foi muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nem mesmo sabia se a Elena me receberia, mas na manh\u00e3 do dia do anivers\u00e1rio dela assim que desci do \u00f4nibus na rodovi\u00e1ria em Paris l\u00e1 estava ela e nosso reencontro foi com beijo na boca. Me sentia estranho. Fomos meio calados da esta\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus at\u00e9 o apartamento onde ela mora, entramos no quarto e direto pra cama, por horas sem parar. Quando j\u00e1 est\u00e1vamos exaustos ela fez uma foto nossa na cama, est\u00e1vamos sorrindo, mandou pra um amigo contando do nosso reencontro. Fomos comer e instantaneamente voltamos a conversar como em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>Fiquei cinco dias em Paris e ficamos juntos por todo o tempo. Muita cama e passeios v\u00e1rios de dia ou de noite \u2013 Sacre Coeur, museus, parques, caf\u00e9s, com o ukulele fomos \u00e0 beira do Sena. E tamb\u00e9m houve mais duas ocasi\u00f5es com conversas sobre como ela ainda amava o ex franc\u00eas, sobre meu perfil errado pra ela, que ser\u00edamos amigos <em>plus<\/em> etc. Uma dessas ocasi\u00f5es foi justamente a visita ao Bataclan, onde houve o atentado terrorista em que o amado ex dela quase morreu porque tinha o ingresso e s\u00f3 na ultima hora teve de desistir do show.<\/p>\n<p>Um dia antes da nossa ida ao Bataclan, enquanto est\u00e1vamos passeando em Paris vi no metr\u00f4 um cartaz com a banana do Wharol, era uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o Velvet Underground e fiquei empolgado, estava vestindo esta mesma camiseta da banana aqui, Elena a identificou, eu disse a ela que queria ir, ela disse ok. Fomos. A expo era grande e tinha muito material, em v\u00e1rios formatos, um verdadeiro parque de divers\u00f5es para f\u00e3s de VU. Uma instala\u00e7\u00e3o estilosa transmitia os filmes da Factory com as pessoas assistindo em camas coletivas, enquanto eu assistia de olhos arregalados, Elena dormia a meu lado.<\/p>\n<p>Ainda arrumamos tempo pra falarmos sobre a tese dela e ela me convidou pra uma entrevista, queria me botar na tese, fiquei contente. No meu pen\u00faltimo dia em Paris, ela voltou ao trabalho e no hor\u00e1rio de sa\u00edda dela nos encontramos no metr\u00f4 pra passear. Cheguei a sentir como se estivesse morando l\u00e1. At\u00e9 que a coinquilina dela surtou dizendo que o quarto n\u00e3o era de casal e eu fui embora. Elena me acompanhou at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o. Sa\u00edmos da casa dela com tempo de sobra e antes passeamos num parque, passamos aquelas horas numa calma aparente batendo papo como se fossemos nos reencontrar na semana seguinte. Quase perdi o \u00f4nibus, corremos feito loucos. Na esta\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus, ela chorou de novo. E de Paris peguei o \u00f4nibus pro local de meu interc\u00e2mbio, Perugia, onde j\u00e1 estava meu primo que, sabendo da minha vinda e querendo fazer o processo da sua cidadania italiana e se estabelecer na It\u00e1lia, veio do Brasil. <\/p>\n<p>Por mais que eu tenha feito o poss\u00edvel pra arrumar um emprego qualquer em Perugia, n\u00e3o encontrei. Fui \u00e0 assist\u00eancia social e passei a comer na Caritas. Fizemos alguns bons amigos brasileiros, uma fam\u00edlia composta de m\u00e3e e dois filhos adolescentes, donos de uma pastelaria, que nos acolheram com alegria e deram dicas. O alojamento no campus \u2013 que n\u00e3o seria gr\u00e1tis pra mim \u2013 s\u00f3 estaria dispon\u00edvel dentro de um m\u00eas. Com o dinheiro cada vez menor, eu e meu primo rachamos o aluguel de um quarto num apartamento no centro hist\u00f3rico por um m\u00eas e deixamos o hostel. Quando consegui minha primeira entrevista de trabalho numa ag\u00eancia em Perugia, contei pra Elena e ela se mostrou contente, me parabenizou e o papo acabou em morarmos juntos. Cogitamos um relacionamento, ela me disse que deixar\u00edamos de ser amigos <em>plus<\/em> pra enfim construirmos uma hist\u00f3ria somente se e quando viv\u00eassemos juntos, mas logo disse que n\u00e3o deixaria Paris e me sugeriu de eu mudar meu interc\u00e2mbio pra l\u00e1. Por minha vez, eu disse a ela que nunca tive muita vontade de morar na Fran\u00e7a e que n\u00e3o sei falar franc\u00eas, al\u00e9m da impossibilidade de mudar meu interc\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Percebi que ela deixou o Messenger dela aberto no meu celular. Juro que tentei deslogar, n\u00e3o queria ver as coisas dela, mas depois de tentar tirar o <em>login<\/em> dela v\u00e1rias vezes sem conseguir, acabei vendo as suas mensagens. E foi uma puta <em>bad trip<\/em>. Vi ela em a\u00e7\u00e3o abertamente chamando um DJ pra sair (e tomando um fora, o cara disse que seria dif\u00edcil porque morava longe e era casado), trocando mensagens quentes com um franc\u00eas com quem ela j\u00e1 tinha se envolvido, inclusive com um encontro no dia anterior \u00e0 minha chegada, e convidando um brasileiro com quem ela sa\u00eda antes de mim em S\u00e3o Paulo pra visit\u00e1-la em Paris. E sempre que eu perguntava pra ela era &#8220;n\u00e3o, bobinho, n\u00e3o tenho nada pra te contar&#8221;. N\u00e3o contei a ela e continuei vendo suas mensagens, por mais que sentisse culpa. Era mais forte do que eu. Ela n\u00e3o tinha cumprido a parte dela do que combinamos.<\/p>\n<p>Foi dif\u00edcil, ao continuar o contato di\u00e1rio com ela, fingir que eu n\u00e3o sabia e tentar n\u00e3o transparecer raiva e des\u00e2nimo. Ali come\u00e7amos a intercalar brigas chatas e longas e trocas de mensagens quentes, com fotos e videozinhos. Num dia triste desci com o ukulele e fiquei tocando sentado na esquina. As pessoas passavam e olhavam, aquilo me levantou o astral um pouco. No t\u00e9rreo do pr\u00e9dio tem uma osteria. Depois de algumas can\u00e7\u00f5es um senhor aplaudiu, mandou um &#8220;bravo!&#8221; e me chamou para tocar na Osteria, que era dele. E fui. Fiz uma s\u00e9rie de vers\u00f5es ukulele e voz pra can\u00e7\u00f5es de <em>punk<\/em> e rock em geral, pra um p\u00fablico composto de fam\u00edlias jantando, e gostaram, foi divertido.<\/p>\n<p>A amiga Shirlei contou que fazia eventos na pastelaria, com m\u00fasicos tocando. Me deu a ideia de fazer <em>busking<\/em>, comentei com a Elena e ela botou pilha grand\u00e3o, e entrei nessa. Montei um repert\u00f3rio com mais de cem can\u00e7\u00f5es \u2013 Beatles, Lucio Battisti, Velvet Underground, My Bloody Valentine, Modern Lovers, John Lennon, Verdena, Black Sabbath, Raul Seixas, Legi\u00e3o Urbana, Elvis Presley, Black Flag, Modena City Ramblers, Flaming Lips, Motorhead, The Smiths, Tribalistas,Tiromancino, Jorge Ben, Bob Marley, Johnny Cash, New Young, Bob Dylan, The Doors, Queen, Kraftwerk, Tom Jobim, Adoniran Barbosa, Elis Regina, Led Zeppelin, The Cure, Neil Young, Supremes, Ronettes, Temptations, Louis Armstrong, Beirut, Nina Simone, Simon and Garfunkel, Afterhours, David Bowie, Lou Reed, Beach Boys, Tim Maia etc. <\/p>\n<p>Agora fa\u00e7o <em>busking<\/em>. Sento no ch\u00e3o e boto o estojo na minha frente, tenho uns tr\u00eas lugares preferidos no centro hist\u00f3rico de Perugia pra tocar: perto das escadas rolantes na Rocca Paolina (em cima ou dentro) e em duas alturas do Corso Vannucci (na esquina com via Mazzini e quase na Piazza Italia). Conheci os outros artistas de rua da cidade, que diariamente tocam ou exp\u00f5em e vendem pelas ruas do centro, cada um em seu ponto, como por exemplo o basco que toca viol\u00e3o e canta, o cigano que dan\u00e7a freneticamente e sempre rindo, a loirinha que toca harpa, o cabeludo que toca acorde\u00e3o, o paquistan\u00eas que toca um instrumento enorme h\u00fangaro que parece uma mistura entre arpa e vibrafone, o introvertido careca de olhos azuis que toca <em>free fazz<\/em> no clarinete, o bonach\u00e3o pan\u00e7udo e de barba longa e branca que toca viol\u00e3o por entre as mesas dos caf\u00e9s, o doutor em filosofia que passa o dia a ler em frente a seus quadros, o argentino que vende artesanato, dentre tantos outros.<\/p>\n<p>Toquei na pastelaria tamb\u00e9m, com v\u00e1rios amigos novos que cantam e tocam comigo. Ensinei ao Gilberto, filho mais novo da Sheila, a tocar o <em>cajon<\/em> que um parente deixou pra tr\u00e1s e de tanto em tanto ele se junta a mim. Uma alem\u00e3 e duas polonesas, da mesma faixa et\u00e1ria de meu filho, universit\u00e1rias como eu, que cantam muito bem, tamb\u00e9m se juntam a mim de vez em quando, de forma intercalada. \u00c0s vezes passantes se juntam a mim, dentre os quais uma vez um italiano tocou percuss\u00e3o, outra um nigeriano cantou e outra um angolano tocou viol\u00e3o. Com as moedas e raras notas que depositam no meu estojo, e com os eventuais frilas de tradu\u00e7\u00e3o, venho sobrevivendo e sigo procurando um emprego.<\/p>\n<p>Numa das brigas, j\u00e1 farto, acabei contando para a Elena que eu li as trocas de mensagens dela no Messenger. E o fiz daquele jeito, com sarcasmo. Ela ficou puta e desde ent\u00e3o nosso contato se deteriorou mais. Depois de um per\u00edodo de sil\u00eancio, voltamos a trocar mensagens, mas n\u00e3o temos mais a sintonia de antes, cada um com sua m\u00e1goa e agora nos limitamos a trocar poucas mensagens curtas e espa\u00e7adas.<\/p>\n<p>J\u00e1 estou no alojamento, no campus, as aulas j\u00e1 come\u00e7aram. Ao fim deste semestre acaba meu interc\u00e2mbio e devo voltar ao Brasil pra prosseguir minha gradua\u00e7\u00e3o na USP. Preciso rever minha filha. Mas se n\u00e3o por ela, sinto que no Brasil eu n\u00e3o tenho mais nada. Se eu voltar como e quando previsto, n\u00e3o terei onde morar, al\u00e9m da volta \u00e0 eterna busca por emprego. N\u00e3o sei mais se mantenho a ideia de finalmente terminar uma gradua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 iniciei quatro vezes e nunca pude me formar, ou se mais uma vez largo os estudos pra ir pro norte da It\u00e1lia ou pra Inglaterra, procurar um emprego. <\/p>\n<p>Tem aquilo de n\u00e3o saber se, como e quando poderei conhecer outra pessoa que me desperte como aconteceu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Elena. Tem outra tamb\u00e9m, que \u00e9 se e quando isso acontecer, que seja correspondido. \u00c0s vezes, ainda sinto falta dela, s\u00f3 n\u00e3o sei bem o que isso significa, ainda estou aprendendo a lidar com isso. Nem parei pra pensar sobre o quanto cheguei a conhecer dela.<\/p>\n<p>(<em>volta ao tempo presente<\/em>)<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea reclama de barriga cheia (<em>risos<\/em>). Depois te conto uma. Bem que eu queria ir no Le Bataclan. Agora vou nessa.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 vai? Beleza, a gente se fala.<\/p>\n<p>&#8211; \u00d3, t\u00e1 acabando, a Nico est\u00e1 perdendo a voz mas ainda assim \u00e9 demais.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, valeu. Ao contar essa hist\u00f3ria, percebi que estou melhor agora. Preciso correr pra terminar a tradu\u00e7\u00e3o, a entrega \u00e9 pra daqui a poucas horas.<\/p>\n<p>&#8211; De boa, foi bom tamb\u00e9m escutar sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8211; Agrade\u00e7o por ter botado pra gente escutar o show de Reed, Cale e Nico. Coisa linda mesmo. <\/p>\n<p>Como foi que enquanto eu estava ali nem tenha passado pela minha cabe\u00e7a sobre o tanto de show bom que j\u00e1 teve no Bataclan? Como eu posso ter ido at\u00e9 l\u00e1 e nem ter feito uma foto? Onde eu estava com a cabe\u00e7a?! Assim que encontrar um emprego vou ver um show l\u00e1, pode crer.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-17-listas\/\" title=\"COSMOPOPLITAN #17 \u2013 LISTAS\">COSMOPOPLITAN #17 \u2013 LISTAS<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-16-bs17\/\" title=\"COSMOPOPLITAN #16 &#8211; BS17\">COSMOPOPLITAN #16 &#8211; BS17<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-15-dot-to-dot-bristol\/\" title=\"COSMOPOPLITAN #15 &#8211; DOT TO DOT BRISTOL\">COSMOPOPLITAN #15 &#8211; DOT TO DOT BRISTOL<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-14-rockconto-1-the-fall\/\" title=\"COSMOPOPLITAN #14 \u2013 ROCKCONTO 1: THE FALL\">COSMOPOPLITAN #14 \u2013 ROCKCONTO 1: THE FALL<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cosmopoplitan-13-procradispersao-e-memoria\/\" title=\"COSMOPOPLITAN #13 \u2013 PROCRADISPERS\u00c3O E MEM\u00d3RIA\">COSMOPOPLITAN #13 \u2013 PROCRADISPERS\u00c3O E MEM\u00d3RIA<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Bestia. &#8211; O que foi? &#8211; Achei muito legal mas estou enrolado com esta tradu\u00e7\u00e3o aqui. &#8211; O que \u00e9? &#8211; \u00c9 o roteiro [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":46796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144],"tags":[1996],"class_list":["post-46795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","tag-cosmopoplitan"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cosmopoplitan12.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-caL","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46795\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46796"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}