{"id":47802,"date":"2017-02-14T16:06:50","date_gmt":"2017-02-14T18:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=47802"},"modified":"2017-02-14T16:06:50","modified_gmt":"2017-02-14T18:06:50","slug":"resenha-ktarse-inflamando-a-insurgencia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-ktarse-inflamando-a-insurgencia\/","title":{"rendered":"RESENHA: KTARSE &#8211; INFLAMANDO A INSURG\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"47807\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-ktarse-inflamando-a-insurgencia\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"ktarse-capa-inflamandoainsurgencia\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-47807\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ktarse-capa-inflamandoainsurgencia.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Uma guerra se instala enquanto (h\u00e1 muito) o capital se imp\u00f5e, causando um ambiente degradado onde as pessoas est\u00e3o cada vez menos capazes de se insurgir contra a classe dominante, sempre intoc\u00e1vel, sempre distante de qualquer mudan\u00e7a. Policiais massacrando, limpeza \u00e9tnicas nas periferias, fam\u00edlias sendo dizimadas. O Ktarse sabe da queda deste tipo de humanidade &#8211; pol\u00edticos, ind\u00fastrias, culturas antigas. H\u00e1 o frenesi constante de que tudo vai, inevitavelmente, cair e se estilha\u00e7ar, sobrando apenas proje\u00e7\u00f5es de esperan\u00e7as em cada peda\u00e7o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (e do mundo) \u00e9 essa: o que vai sobrar s\u00e3o pessoas cegas, surdas e mudas, sem contesta\u00e7\u00e3o, sem &#8220;insurg\u00eancia&#8221;. O deus mitol\u00f3gico, os agrot\u00f3xicos que devastam os terrenos anteriormente f\u00e9rteis &#8211; os efeitos da ditadura do consumismo despertam (em alguma m\u00ednima v\u00e1lvula de escape desta opress\u00e3o constante) um luta pelo direito de existir, de sobreviver. O Ktarse p\u00f5e o dedo em todas as feridas (perda de identidade perif\u00e9rica, crescimento do fascismo, criminaliza\u00e7\u00e3o dos pobres) e tenta, em meio a tanto sangue acumulado, fazer o ouvinte despertar atrav\u00e9s desta dor, surgindo novas perspectivas contra a servid\u00e3o moderna e nomeando de &#8220;guerra&#8221; o cotidiano duro.<\/p>\n<p>Subverter a ordem \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o. Pro Ktarse, \u00e9 &#8220;n\u00e3o aceitar passivamente&#8221;. \u00c9 erguido um literal &#8220;foda-se&#8221;, porque esconder este combate \u00e9 esconder a verdade crua e objetiva. A tirania do capital que rouba perspectivas, um pa\u00eds com pol\u00edticas p\u00fablicas inexistentes e submisso ao imperialismo norte-americano. Analisem bem, e pensem se h\u00e1 realmente outra forma de dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; a este inferno. Por mais que outros tipos de cr\u00edticas possam satisfazer em algum \u00e2mbito est\u00e9tico, \u00e9 preciso n\u00e3o s\u00f3 pensar a cr\u00edtica como atribuir a viol\u00eancia aos emissores desta e, a partir de uma leitura eficaz das engrenagens do sistema, partir com tudo.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 sim um efeito colateral. N\u00e3o planejado, talvez. Mas frente \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de poder que oprime e mata as pessoas, \u00e9 necess\u00e1ria uma luta que fa\u00e7a jus ao tamanho de tal perversidade. Chame isso de revolta ou combate. Soam cantos que chamam a popula\u00e7\u00e3o pra compor uma aut\u00eantica e unida c\u00e9lula de resist\u00eancia. E quando \u00e9 falado em &#8220;campo de batalha&#8221;, \u00e9 a subvers\u00e3o deste pr\u00f3prio termo; o Ktarse tem &#8220;esperan\u00e7a na quebrada&#8221;, tem a ampliada no\u00e7\u00e3o do perigo que \u00e9 ser uma refer\u00eancia com ideias vazias.<\/p>\n<p>O Ktarse acredita no conhecimento. \u00c9 atrav\u00e9s dele (e de respectiva atribui\u00e7\u00e3o de quem causa a viol\u00eancia) que adv\u00e9m uma sabedoria &#8220;real&#8221;. Uma sabedoria que une todos os termos e incentiva, a partir dos pontos fracos e fodidos pelo sistema, um engajamento eficaz. Ser obediente, jamais. Fazer rimas libert\u00e1rias, que libertem pensamentos, valorizem o conhecimento. Caso contr\u00e1rio, delinqu\u00eancia planejada pelo capital. A delinqu\u00eancia ap\u00e1tica, traumatizada e sem perspectiva que s\u00e3o armas do Estado Violento pra estruturar a opress\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>O sistema de aprisionamento \u00e9 criado. N\u00e3o apenas a pris\u00e3o dos pres\u00eddios. Mas uma pris\u00e3o que determina pros empobrecidos esquecidos aparatos psicol\u00f3gicos que os deixem sem autoestima. Isso \u00e9 a consequ\u00eancia do Estado Violento. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o fazer esta ampla leitura dos vetores dominantes que o Ktarse realiza sem avaliar toda a estrutura de poder e evidenciar f\u00f3rmulas de transformar e lutar. A mente \u00e9 sim um gatilho e \u00e9 apostado em todo o poder cerebral a subvers\u00e3o do homem ao que est\u00e1 (em uma l\u00f3gica neoliberal) fadado.<\/p>\n<p>Dar espa\u00e7o ao amor. Em certa can\u00e7\u00e3o, uma crian\u00e7a entra e diz um verso. A m\u00fasica, a partir deste ponto, adquire uma energia vibrante e combativa. Fala-se dos heter\u00f4nimos de Fernando Pessoa com uma r\u00e1pida destilada sobre o &#8220;estilo de cada um&#8221;, pra depois assumir que, na situa\u00e7\u00e3o que se encontra, o Ktarse n\u00e3o se permite palavras rebuscadas (apesar dos versos aqui percorrerem n\u00e3o somente o campo de den\u00fancia como s\u00e3o expressados com verdadeira carga po\u00e9tica). A poesia, as pessoas &#8211; existem vetores que catalisam o ser a n\u00e3o ser passivo, a n\u00e3o ser tomado pelo rancor ao olhar o mundo \u00e0 sua volta e ver v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es que o prende de tantas maneiras.<\/p>\n<p>A ang\u00fastia da solid\u00e3o em cima de lindos versos de guitarra. Pensei em falar de &#8220;blues das ruas&#8221; ou algo assim. &#8220;Das ruas&#8221; porque todos os cantos s\u00e3o percorridos; afirma-se o pr\u00f3prio nome pra se igualar com v\u00e1rios outros e procurar e lutar por esperan\u00e7a. Uma can\u00e7\u00e3o sobre morte e a partir do ponto do reconhecimento que algu\u00e9m muito querido se foi; nascer um novo tipo de lucidez que, mesmo reconhecendo a dor, encontra um motivo a mais pra orgulhar quem se foi.<\/p>\n<p>O disco na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6JKUzh6xOX8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Perder uma pessoa. Ficar desorientado. A falta de palavras \u00e9 reconhecida em &#8220;Da Luta Ao Luto&#8221; e a can\u00e7\u00e3o termina com uma frase linda sobre lutar pelos sonhos de algu\u00e9m morto. Em &#8220;Biografia De Um Radical&#8221;, \u00e9 narrado um porvir revolucion\u00e1rio. E se esta resenha fala tanto sobre uma suposta &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, \u00e9 porque o Ktarse enxerga claramente a opress\u00e3o das classes. \u00c9 porque no sangue do Ktarse o terror capitalista j\u00e1 foi detectado. A partir deste ponto, n\u00e3o h\u00e1 volta: declarar guerras diretas aos senhores da guerra. E mais do que algum circulo vicioso que algum reacion\u00e1rio poderia justificar, \u00e9 justamente sobre sair da ideologia dominante, combater a viol\u00eancia capitalista de modo que toda a engrenagem que fez este sistema rodar seja terminantemente quebrada. Porque n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o pra ignor\u00e2ncia ou estupidez, a consci\u00eancia cr\u00edtica direta \u00e9 apresentada como o terror do capitalismo.<\/p>\n<p>Em meio ao racismo e a opress\u00e3o, a rebeldia. Em meio \u00e0 viol\u00eancia financeira que parasita numa parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o, o Ktarse convida \u00e0 luta. N\u00e3o sem orgulho. N\u00e3o sem exigir respeito. A covardia \u00e9 detectada. A hist\u00f3ria do <em>hip hop<\/em> \u00e9 trazida \u00e0 tona de verdade, n\u00e3o sob a reprodu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria estadunidense. Se combate este aspecto amplo porque a subvers\u00e3o tem que ser o mais abrangente poss\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 outra forma. O Ktarse diz pra seus &#8220;manos do gueto&#8221; sobre a contracultura, sobre romper a l\u00f3gica dominante. Caracteriza-se um <em>rap<\/em> combatente que avisa: &#8220;lutar permanentemente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nos querem sofrendo&#8221; \u00e9 exclamado em &#8220;Mar De Lamas&#8221; (com participa\u00e7\u00e3o de Gustavo Bellatore). Cair no pesadelo da realidade \u00e9 essencial pra iniciar uma luta. Resistir \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, desde quando o sangue dos escravos cai em nossas terras. E o Ktarse quer toda essa revolta agora. Negando diversos idealismos e assumindo uma luta de classes que \u00e9 o direito de lutar pela melhora de todas as vidas. &#8220;Treinados e convictos&#8221; \u00e9 afirmado. Transformar-se em revolta e raiva que ultrapassam o medo pra estimular &#8211; sem medo algum &#8211; a insurg\u00eancia.<\/p>\n<p>Todo poder aos insurgidos. Os punho fechados representam tanta coisa numa \u00e9poca em que a estagna\u00e7\u00e3o parece ser a lei. N\u00e3o \u00e9 simplesmente um \u00f3dio a uma classe e sua respectiva gan\u00e2ncia, mas toda a representa\u00e7\u00e3o que a falsa paisagem rica dos conglomerados urbanos carrega consigo. Ostenta\u00e7\u00e3o, lux\u00faria em um mundo absurdamente desigual. Isso \u00e9 capital somado em cofres situados em para\u00edsos fiscais. A carnificina (subnutri\u00e7\u00e3o, crueldade, barb\u00e1rie, falta de moradia) aponta que o \u00fanico caminho \u00e9 o completo. Interpolando as armas mais radicais aos conhecimentos mais amplos. Mas o Ktarse assume: \u00e0s vezes d\u00e1 mais vontade de vingan\u00e7a do que propriamente de justi\u00e7a. E \u00e9 justamente controlando os pr\u00f3prios instintos em prol duma coletividade maior que abre um caminho pro fim da marginaliza\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 justamente afrontada. As rela\u00e7\u00f5es sociais impostas por organiza\u00e7\u00f5es institucionais que diminuem a capacidade de indigna\u00e7\u00e3o. E o Ktarse nem ataca a f\u00e9 propriamente dita. \u00c9 admitido o pluralismo cultural como \u00fanico caminho pra uma conviv\u00eancia religiosa pac\u00edfica. Pois as grades manipuladoras erguidas pela religi\u00e3o n\u00e3o se diferem muito das pris\u00f5es constru\u00eddas pela imposi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria do capital. H\u00e1 uma pergunta sobre a constru\u00e7\u00e3o do universo &#8220;seis dias s\u00f3? Isso tem algum sentido?&#8221;. Esta pergunta embora relativamente b\u00e1sica, \u00e9 um exemplo da insurg\u00eancia contra o manique\u00edsmo de massa.<\/p>\n<p>Continuando no tema da religi\u00e3o, \u00e9 explicitada os tratamentos brutais e utiliza\u00e7\u00e3o de tortura atrav\u00e9s desta durante toda a hist\u00f3ria da humanidade. Por isso \u00e9 justo perguntar &#8220;onde est\u00e1 Deus?&#8221; (se algu\u00e9m souber, favor responder). O conhecimento do Ktarse \u00e9 t\u00e3o eficaz que cita exemplos da Sib\u00e9ria, a atrocidade na Ucr\u00e2nia &#8211; sempre falando sobre a perversa limpeza \u00e9tnica. A viol\u00eancia extrema contra minorias a partir da tirania religiosa \u00e9 desenvolvida narrando epis\u00f3dios de massacres hist\u00f3ricos. Crueldade, incestos, viol\u00eancia &#8211; \u00e9 realmente isso que deve ser revelado.<\/p>\n<p>A guerra de 90 na B\u00f3snia: 40 mil mulheres estupradas. Refugiados migrantes. Soda c\u00e1ustica em nome de deuses tir\u00e2nicos. A matan\u00e7a feroz de Napole\u00e3o. A prepot\u00eancia que o Ktarse atribui aos deuses \u00e9 um reflexo da barb\u00e1rie permitida pela mente pervertida dos que controlam. Mais uma vez a pergunta &#8220;onde est\u00e1 Deus?&#8221; frente a todas as barb\u00e1ries listadas. Alcor\u00e3o, b\u00edblia &#8211; Katarse pergunta, inspira\u00e7\u00e3o divina como? E ao perguntar sobre a suposta liga\u00e7\u00e3o divina e atribuir todas estas d\u00favidas investigativas em mem\u00f3ria de Jos\u00e9 Saramago que o ate\u00edsmo sai de seu suposto fundamentalismo pra um elemento combativo frente uma crueldade ancestral.<\/p>\n<p>Cultura transformada em mercadoria. Desde as \u00e9pocas coloniais, a explora\u00e7\u00e3o europeia causa refugiados ao mesmo tempo que a xenofobia se ergue de maneira desumana nos dias de hoje. Ktarse avisa sobre a falta de direitos humanos, sal\u00e1rios e como as v\u00edtimas localizadas na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o resultados direto da explora\u00e7\u00e3o neocolonialista. \u00c9 exigido o combate \u00e0 xenofobia fascista enquanto diversas vertentes desta crescem no Brasil. Pode soar muito inc\u00f4modo ouvir esta milit\u00e2ncia bombardeadora e n\u00e3o deveria ser de outra forma. Se a realidade vai ser realmente tema de um trabalho, tal qual \u00e9 em  &#8220;Inflamando A Insurg\u00eancia&#8221;, ela deve ser escancarada sem meias verdades e com o maior n\u00famero de feridas poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Toda esta ampla tem\u00e1tica desenvolvida at\u00e9 aqui recai de uma forma muito violenta e pesada sobre as crian\u00e7as. Talvez as diversas representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas da inf\u00e2ncia que evidenciem a diferen\u00e7a ofensiva entre classes. O assassinato perverso nas periferias, a forma absurda que a m\u00eddia sensacionalista explora o &#8220;espet\u00e1culo do horror&#8221;. A pr\u00f3pria Na\u00e7\u00f5es Unidas j\u00e1 admitiu este fracasso. O fracasso de todos. Quando a l\u00f3gica perversa j\u00e1 tomou bastante de tantas vidas que as crian\u00e7as n\u00e3o tem mais escapat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas o Ktarse afirma que &#8220;o povo \u00e9 forte&#8221;. Volta a insistir em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, pol\u00edcia desarmada, lazer pra &#8220;crian\u00e7ada se divertir&#8221;. Correr pelo certo, n\u00e3o desistir, n\u00e3o sucumbir aos caminhos mais f\u00e1ceis. Estes diversos combates evocam a resist\u00eancia, evocam um sentido de uni\u00e3o que \u00e9 providencial pra transforma\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio meio. Assim, \u00e9 poss\u00edvel modificar por meio de alternativas que persistem, que s\u00e3o a resist\u00eancia erguida em prol duma liberta\u00e7\u00e3o subversiva.<\/p>\n<p>\u00c9 anunciado um decreto na \u00faltima faixa. \u00c9 dito que o amor tudo compreende. O amor, o beijo, o carinho e o respeito s\u00e3o vistos como armas proibidas por algum fascista. Depois, entende-se: \u00e9 um an\u00fancio vindo diretamente de Suzano (grande S\u00e3o Paulo). \u00c9 na ampla extens\u00e3o urbana que o desafio come\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Trogloditas Das Cavernas Cibern\u00e9ticas (part. Jos\u00e9 Poeta e Palha\u00e7o)<br \/>\n02. Caos Contempor\u00e2neo<br \/>\n03. Insurgentes<br \/>\n04. Inflamando A Insurg\u00eancia<br \/>\n05. Um Pouco Mais De Zapatismo<br \/>\n06. Valoriza\u00e7\u00e3o Do Conhecimento<br \/>\n07. N\u00e3o Somos Perdedores 20:10<br \/>\n08. Estrangeiro De Mim Mesmo (part. Marcos Vin\u00edcius)<br \/>\n09. Da Luta Ao Luto<br \/>\n10. Biografia De Um Radical<br \/>\n11. Rap Ativista (part. Maria)<br \/>\n12. Mar De Lamas (part. Gustavo Bellatore)<br \/>\n13. Todo Poder Aos Insurgidos<br \/>\n14. A Era Da Barb\u00e1rie<br \/>\n15. Meu Princ\u00edpio \u00c9 A D\u00favida<br \/>\n16. O Algoz Da Humanidade<br \/>\n17. Relatos De Um Refugiado<br \/>\n18. Crian\u00e7as Invis\u00edveis (part. Leandro Consci\u00eancia ao Gueto)<br \/>\n19. Se For Pela Luta<br \/>\n20. Decreto Libert\u00e1rio (part. Jos\u00e9 Poeta e Palha\u00e7o)<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 10 de janeiro de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 77 minutos e 38 segundos<br \/>\nSelo: Independente<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Leal e Bira Way e Fora de Esquadro Produ\u00e7\u00f5es<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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