{"id":47920,"date":"2017-02-24T18:38:29","date_gmt":"2017-02-24T21:38:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=47920"},"modified":"2018-01-23T22:35:47","modified_gmt":"2018-01-24T00:35:47","slug":"os-ultimos-50-anos-de-carnaval-em-80-sambas-de-enredo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-ultimos-50-anos-de-carnaval-em-80-sambas-de-enredo\/","title":{"rendered":"OS \u00daLTIMOS 50 ANOS DE CARNAVAL EM 80 SAMBAS DE ENREDO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"47921\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-ultimos-50-anos-de-carnaval-em-80-sambas-de-enredo\/listas-sambasdeenredo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/listas-sambasdeenredo.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"listas-sambasdeenredo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/listas-sambasdeenredo.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/listas-sambasdeenredo.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-47921\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/listas-sambasdeenredo.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/listas-sambasdeenredo.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O samba de enredo n\u00e3o encontra mais apoio nem mesmo entre a cr\u00edtica especializada: virou um carro de F1 acelerado, em alta velocidade, sempre prestes a se esborrachar na l\u00f3gica. Mas nem sempre foi assim. Os sambas de enredo do carnaval do Rio de Janeiro j\u00e1 produziram muita coisa boa, importante, memor\u00e1vel, irretoc\u00e1vel, divertida e inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Produziu m\u00fasicas que ficaram no ide\u00e1rio popular, que se expandiram pro cotidiano das pessoas, m\u00fasicas pop que eram (s\u00e3o). Nos \u00faltimos cinquenta anos, passou por todo tipo de cen\u00e1rio pol\u00edtico e social e tentou, de uma forma ou de outra, traduzir isso de uma maneira alegre e descontra\u00edda, bem como muitas vezes cr\u00edtica.<\/p>\n<p>As oitenta m\u00fasicas aqui listadas (totalizando seis horas (!) de m\u00fasica &#8211; e poderiam ser, sem muito esfor\u00e7o, cem sambas) s\u00e3o um retrato do nosso pa\u00eds nesse per\u00edodo e de como o samba evoluiu (ou se degradou, com a comercializa\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>\u00c9 um estilo que s\u00f3 existe no Brasil e s\u00f3 existe pra uma finalidade, num momento. \u00c9 algo \u00fanico e aqui est\u00e3o oitenta das mais importantes pe\u00e7as do estilo, em ordem cronol\u00f3gica, com o nome dos autores, a coloca\u00e7\u00e3o na apura\u00e7\u00e3o do desfile do ano e com r\u00e1pidas notas hist\u00f3ricas sobre cada um.<\/p>\n<p>Divirta-se:<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>(a descri\u00e7\u00e3o de cada faixa est\u00e1 abaixo):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" height=\"480\" width=\"100%\" src=\"https:\/\/play.soundsgood.co\/embed\/58af83a0b367fbc3355012a4?\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>001.<br \/>\nSamba de enredo: Carnaval Das Ilus\u00f5es<br \/>\nEscola: Vila Isabel<br \/>\nAno: 1967<br \/>\nAutor: Martinho da Vila e Gemeu<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Primeiro samba de enredo escrito por Martinho da Vila pra Vila Isabel; Chico Buarque foi jurado nos desfiles e s\u00f3 deu nota baixa para a escola, dizem at\u00e9 que Chico dormiu durante o evento; ent\u00e3o, em resposta, Martinho comp\u00f4s &#8220;Ciranda, Cirandinha&#8221;, cuja letra alfinetava &#8220;Caramba, caramba, nem o Chico entendeu o enredo do meu samba&#8221;<\/p>\n<p>002.<br \/>\nSamba de enredo: Tronco Do Ip\u00ea<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 1968<br \/>\nAutor: Cabana<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Em plena ditadura, o samba, disfar\u00e7ado de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura nacional (Jos\u00e9 de Alencar), alertava pras diferen\u00e7as sociais e pra viol\u00eancia do Estado<\/p>\n<p>003.<br \/>\nSamba de enredo: Her\u00f3is Da Liberdade<br \/>\nEscola: Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nAno: 1969<br \/>\nAutor: Silas de Oliveira, Mano D\u00e9cio e Manoel Ferreira<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Sa\u00fada a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura<\/p>\n<p>004.<br \/>\nSamba de enredo: Lendas E Mist\u00e9rios Da Amaz\u00f4nia<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 1970<br \/>\nAutor: Catoni, Jabolo e Waltenir<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Tem o famoso refr\u00e3o &#8220;\u00d4 esquind\u00f4 l\u00e1, l\u00e1 \/ \u00d4 esquind\u00f4 l\u00ea, l\u00ea \/ Olha s\u00f3 quem vem l\u00e1 \/ \u00c9 o saci perer\u00ea&#8221;, sucesso nas r\u00e1dios cariocas no ano<\/p>\n<p>005.<br \/>\nSamba de enredo: Festa Para Um Rei Negro<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 1971<br \/>\nAutor: Zuzuca<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: &#8220;O-l\u00ea-l\u00ea, \u00f4-l\u00e1-l\u00e1 \/ Pega no ganz\u00ea, Pega no ganz\u00e1&#8221; foi o grande refr\u00e3o daquele ano no carnaval do Rio e ainda hoje \u00e9 lembrado (at\u00e9 a torcida do Barcelona canta nas arquibancadas)<\/p>\n<p>006.<br \/>\nSamba de enredo: Samba Do Crioulo Doido &#8211; Homenagem A S\u00e9rgio Porto<br \/>\nEscola: Unidos De Padre Miguel<br \/>\nAno: 1971<br \/>\nAutor: Nelson Oliveira e Duduca da Alian\u00e7a<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 10\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: A s\u00e1tira da s\u00e1tira: &#8220;Samba Do Crioulo Doido&#8221;, de S\u00e9rgio Porto\/Stanislaw Ponte Preta, ironiza a &#8220;obrigatoriedade&#8221; das escolas em retratar s\u00f3 fatos hist\u00f3ricos, e foi um enorme sucesso na pe\u00e7a de sua autoria, com ajuda da interpreta\u00e7\u00e3o de Mussum<\/p>\n<p>007.<br \/>\nSamba de enredo: Nossa Madrinha, Mangueira Querida<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 1972<br \/>\nAutor: Zuzuca<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 5\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: M\u00fasica com letra muito simples, fez enorme sucesso nas r\u00e1dios, com o refr\u00e3o &#8220;Tengo-Tengo \/ Santo Ant\u00f4nio, Chal\u00e9 \/ Minha gente \/\u00c9 muito samba no p\u00e9!&#8221;. Foi a \u00faltima vez que uma escola homenageou outra<\/p>\n<p>008.<br \/>\nSamba de enredo: Lendas Do Abaet\u00e9<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 1973<br \/>\nAutor: Jaj\u00e1, Preto Rico e Manuel<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Mais um refr\u00e3o que ficou na mem\u00f3ria popular: &#8220;Jana\u00edna ag\u00f4, agoi\u00e1 \/ Jana\u00edna ag\u00f4, agoi\u00e1 \/ Samba curimba com a for\u00e7a de Iemanj\u00e1&#8221;<\/p>\n<p>009.<br \/>\nSamba de enredo: O Mundo Melhor De Pixinguinha<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 1974<br \/>\nAutor: Jair Amorim, Evaldo Gouveia e Velha<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Clara Nunes foi uma das int\u00e9rpretes do samba e ajudou a popularizar a m\u00fasica (bem como havia feito com &#8220;Ilu Ay\u00ea, A Terra Da Vida&#8221;, em 1972, tamb\u00e9m da Portela<\/p>\n<p>010.<br \/>\nSamba de enredo: A Morte Da Porta-Estandarte<br \/>\nEscola: Imperatriz Leopoldinense<br \/>\nAno: 1975<br \/>\nAutor: W\u00e1lter da Imperatriz, N\u00e9lson Lima, Caxambu e Denir Lobo<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 8\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: N\u00e3o teve nenhum apelo popular, mas foi o \u00faltimo samba a colocar a palavra &#8220;morte&#8221; em seu t\u00edtulo; baseado no conto hom\u00f4nimo e de grande sucesso de An\u00edbal Machado<\/p>\n<p>011.<br \/>\nSamba de enredo: Festa Do C\u00edrio De Nazar\u00e9<br \/>\nEscola: S\u00e3o Carlos (Est\u00e1cio De S\u00e1)<br \/>\nAno: 1975<br \/>\nAutor: Dario Marciano, Aderbal Moreira e Nilo &#8220;Esmera&#8221; Mendes<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 10\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Samba que acabou tendo inesperado sucesso, mesmo sem uma letra de apelo popular; acabou regravado em 2004, pela Viradouro, com o nome de &#8220;Pediu Pra Par\u00e1, Parou! Com A Viradouro Eu Vou Pro C\u00edrio De Nazar\u00e9&#8221;<\/p>\n<p>012.<br \/>\nSamba de enredo: Sonhar Com Rei Da Le\u00e3o<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 1976<br \/>\nAutor: Neguinho da Beija-Flor<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Apenas tr\u00eas anos ap\u00f3s subir ao Grupo 1 (Especial), a Beija-Flor, conhecida at\u00e9 aqui apenas por enredos chapa-branca, apoiadores da ditadura, mudou o foco, falou de um tema popular (o jogo do bicho), com uma letra engra\u00e7ada e divertida, e acabou campe\u00e3 pela primeira vez (e ganharia mais dois campeonatos na sequ\u00eancia, em 1977 e 1978); foi o primeiro samba interpretado na escola por Neguinho da Beija-Flor<\/p>\n<p>013.<br \/>\nSamba de enredo: No Reino Da M\u00e3e Do Ouro<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 1976<br \/>\nAutor: Tolito e Rubem da Mangueira<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: &#8220;Oba b\u00e1, ola, oba b\u00e1 \/ \u00c9 a m\u00e3e do ouro \/ Que vem nos salvar&#8221; foi um refr\u00e3o de grande sucesso no carnaval desse ano<\/p>\n<p>014.<br \/>\nSamba de enredo: A Lenda Das Sereias, Rainhas Do Mar<br \/>\nEscola: Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nAno: 1976<br \/>\nAutor: Dionel Sampaio, Vicente Matos e Arlindo Veloso<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: A m\u00fasica ultrapassou o carnaval e foi regravada por vozes da MPB, como Clara Nunes e Marisa Monte (que n\u00e3o cantou a parte que cita o Imp\u00e9rio, por ela ser portelense); o <strong>Floga-se<\/strong> falou da can\u00e7\u00e3o num artigo especial, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-lenda-das-sereias-rainhas-do-mar\/\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a>; o samba foi regravado em 2006, pela Inocente De Belfort, Roxo e em 2009, de novo pelo Imp\u00e9rio Serrano, mas com o nome de &#8220;A Lenda Das Sereias E Os Mist\u00e9rios Do Mar&#8221;<\/p>\n<p>015.<br \/>\nSamba de enredo: Domingo<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1977<br \/>\nAutor: Aurinho da Ilha, Ione do Nascimento, Ademar Vinhaes, Waldir da Vala<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 3\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Primeiro da s\u00e9rie de sambas de enredo que a Uni\u00e3o Da Ilha viria incrustar no ide\u00e1rio popular na d\u00e9cada seguinte: simplicidade, alegria, a cultura popular do Rio de Janeiro e o samba como protagonistas<\/p>\n<p>016.<br \/>\nSamba de enredo: O Amanh\u00e3<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1978<br \/>\nAutor: Jo\u00e3o S\u00e9rgio e Baeta &#8220;Didi&#8221; Neves (n\u00e3o assinado)<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Um dos grandes sucessos da m\u00fasica popular brasileira em todos os tempos, principalmente depois que Simone regravou, em 1983 (no disco &#8220;Del\u00edrios, Del\u00edcias&#8221;); Elizeth Cardoso tamb\u00e9m gravou a m\u00fasica, ainda em 1978, no disco &#8220;A Cantadeira Do Amor&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HLU6l9cyNm0\" target=\"_blank\">numa vers\u00e3o bem diferente da original<\/a>)<\/p>\n<p>017.<br \/>\nSamba de enredo: O Que Ser\u00e1<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1979<br \/>\nAutor: Aroldo &#8220;Melodia&#8221; Forde e Baeta &#8220;Didi&#8221; Neves<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 5\u00aa colocada (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: Uma esp\u00e9cie de &#8220;Samba Do Crioulo Doido&#8221;, de Didi e Aroldo Melodia, satirizando as escolas que escolhem sempre os mesmos temas pra apresentar na avenida<\/p>\n<p>018.<br \/>\nSamba de enredo: Hoje Tem Marmelada<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 1980<br \/>\nAutor: David Correa, Norival Reis e Jorge Macedo<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: Em 1980, a Portela foi campe\u00e3 junto com a Beija-Flor (&#8220;O Sol Da Meia-Noite, Uma Viagem Ao Pa\u00eds Das Maravilhas&#8221;) e a Imperatriz Leopoldinense (&#8220;O Que \u00c9 Que A Bahia Tem&#8221;)<\/p>\n<p>019.<br \/>\nSamba de enredo: O Teu Cabelo N\u00e3o Nega<br \/>\nEscola: Imperatriz Leopoldinense<br \/>\nAno: 1981<br \/>\nAutor: Gibi, Serj\u00e3o e Z\u00e9 Catimba<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: O samba se refere \u00e0 famosa marchinha assinada por Lamartine Babo, na virada de 1929 pra 1930 (&#8220;o teu cabelo n\u00e3o nega, mulata, porque \u00e9s mulata na cor&#8221;), e que foi alvo de uma disputa na Justi\u00e7a por parte dos irm\u00e3os Valen\u00e7a, Jo\u00e3o e Raul, de Pernambuco, que enviaram a partitura \u00e0 gravadora Victor, no Rio de Janeiro; a gravadora havia pedido a Lamartine que alterasse a letra pra ficar mais acess\u00edvel aos cariocas, mas n\u00e3o creditou os pernambucanos; os irm\u00e3os ganharam a disputa por direitos autorais e a vers\u00e3o famosa tem assinatura dos tr\u00eas; por\u00e9m, S\u00e9rgio Cabral alega, em &#8220;Pixinguinha, Vida E Obra&#8221;, que foi Pixinguinha quem arranjou a vers\u00e3o modificada no Rio de Janeiro e n\u00e3o Lamartine; no samba da Imperatriz n\u00e3o faz men\u00e7\u00e3o nem aos autores pernambucanos, nem a Pernambuco e muito menos a Pixinguinha, s\u00f3 mesmo a Lamartine<\/p>\n<p>020.<br \/>\nSamba de enredo: Bum-bum Paticumbum Prugurundum<br \/>\nEscola: Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nAno: 1982<br \/>\nAutor: Beto Sem Bra\u00e7o e Alu\u00edsio Machado<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: \u00daltima vez que o Imp\u00e9rio Serrano, tradicional\u00edssima escola, ganhou um t\u00edtulo; a letra \u00e9 de uma genialidade \u00edmpar, colocando desde o t\u00edtulo, uma onomatopeia do batuque, at\u00e9 o refr\u00e3o, que apresenta um a um os instrumentos (&#8220;Com reco-reco, pandeiro e tamborim \/ E lindas baianas o samba ficou assim&#8221;), uma exalta\u00e7\u00e3o \u00fanica ao samba e ao carnaval, ao mesmo tempo em que critica a crescente industrializa\u00e7\u00e3o dos desfiles (que iria piorar muito, mal sabia o Imp\u00e9rio), com a famosa passagem &#8220;Super Escolas de Samba S\/A \/ Super alegorias \/ Escondendo gente bamba \/ Que covardia!&#8221;<\/p>\n<p>021.<br \/>\nSamba de enredo: \u00c9 Hoje!<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1982<br \/>\nAutor: Baeta &#8220;Didi&#8221; Neves e Mestrinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 5\u00aa colocada (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: Mais um samba da Uni\u00e3o Da Ilha que ultrapassa as fronteiras do carnaval pra cair no ide\u00e1rio popular, com v\u00e1rias regrava\u00e7\u00f5es, de Caetano Veloso a Fernanda Abreu; o enredo \u00e9 baseado na obra do cartunista Lan; a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Da Ilha regravou em 2008, no desfile de acesso<\/p>\n<p>022.<br \/>\nSamba de enredo: A Grande Constela\u00e7\u00e3o Das Estrelas Negras<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 1983<br \/>\nAutor: Neguinho da Beija-Flor e N\u00eago<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: Foi o \u00faltimo desfile na antiga Rua Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, no ano seguinte, nasceria o famoso Samb\u00f3dromo, a &#8220;Passarela do Samba&#8221;, que abriga at\u00e9 hoje os desfiles<\/p>\n<p>023.<br \/>\nSamba de enredo: Contos De Areia<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 1984<br \/>\nAutor: Ded\u00e9 da Portela e Norival Reis<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: \u00daltimo t\u00edtulo da Portela (at\u00e9 o compartilhado de 2017, com a Mocidade), a maior vencedora do carnaval carioca; foi o primeiro desfile no formato atual, dividido em dois dias e no atual Samb\u00f3dromo (a &#8220;Passarela do Samba&#8221;), mas como uma bizarra diferen\u00e7a: como arrumaram jurados diferentes pra cada dia, resolveu-se declarar uma campe\u00e3 do domingo e uma campe\u00e3 da segunda, usando o s\u00e1bado seguinte, o &#8220;das campe\u00e3s&#8221;, pra disputa de um &#8220;supercampeonato&#8221;, t\u00edtulo que acabou ficando com a Mangueira e seu &#8220;Yes, N\u00f3s Temos Braguinha&#8221;; a aberra\u00e7\u00e3o do &#8220;supercampeonato&#8221; e das duas campe\u00e3s, uma pra domingo e uma pra segunda, nunca mais se repetiu; outra curiosidade foi que a Rede Globo n\u00e3o transmitiu os desfiles desse ano, cabendo a tarefa \u00e0 rec\u00e9m-inaugurada TV Manchete, que bateu a Globo em audi\u00eancia no domingo e na segunda &#8211; a Globo nunca mais, depois disso, deixou de transmitir os desfiles, n\u00e3o importando o custo financeiro<\/p>\n<p>024.<br \/>\nSamba de enredo: E Por Falar Em Saudade&#8230;<br \/>\nEscola: Caprichosos De Pilares<br \/>\nAno: 1985<br \/>\nAutor: Almir Ara\u00fajo, Marquinhos Lessa, H\u00e9rcules Corr\u00eaa, Balinha e Carlinhos de Pilares<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 5\u00aa colocada (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: Talvez seja o samba mais famoso da Caprichosos, que assumiu um discurso escrachado e bastante cr\u00edtico sobre a crise profunda em que o pa\u00eds estava metido na &#8220;redemocratiza\u00e7\u00e3o&#8221; no fim da ditadura (&#8220;Diretamente, o povo escolhia o presidente \/ Se comia mais feij\u00e3o \/ Vov\u00f3 botava a poupan\u00e7a no colch\u00e3o \/ Hoje est\u00e1 tudo mudado \/ Tem muita gente no lugar errado&#8230;&#8221;)<\/p>\n<p>025.<br \/>\nSamba de enredo: Eu Quero<br \/>\nEscola: Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nAno: 1986<br \/>\nAutor: Alu\u00edsio Machado, Luiz Carlos do Cavaco e Jorge N\u00f3brega<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 3\u00aa colocada (Grupo 1A\/Especial)<br \/>\nNota: &#8220;Eu Quero&#8221; n\u00e3o disfar\u00e7a o rep\u00fadio \u00e0 ditadura, num refr\u00e3o matador (&#8220;Me d\u00e1, me d\u00e1 \/ Me d\u00e1 o que \u00e9 meu \/ Foram vinte anos que algu\u00e9m comeu&#8221;&#8230; &#8220;Cessou a tempestade, \u00e9 tempo de bonan\u00e7a \/ Dona Liberdade chegou junto com a esperan\u00e7a&#8221;) e passagens bem diretas sobre os desejos do povo (&#8220;Quero o nosso povo bem nutrido \/ O pa\u00eds desenvolvido \/ Quero paz e moradia \/ Chega de ganhar t\u00e3o pouco \/ Chega de sufoco e de covardia&#8221;), incluindo o fim da censura (&#8220;Quero me formar bem informado \/ E meu filho bem letrado&#8221;)<\/p>\n<p>026.<br \/>\nSamba de enredo: O Tititi Do Sapoti<br \/>\nEscola: Est\u00e1cio De S\u00e1<br \/>\nAno: 1987<br \/>\nAutor: Darcy do Nascimento, Djalma Branco e Dominguinhos do Est\u00e1cio<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: S\u00e3o Carlos virou Est\u00e1cio De S\u00e1 em 1983 e esse samba se tornou seu maior \u00edcone desde ent\u00e3o, grande sucesso popular; a pr\u00f3pria escola regravou o samba em 2007<\/p>\n<p>027.<br \/>\nSamba de enredo: Kizomba, Festa Da Ra\u00e7a<br \/>\nEscola: Vila Isabel<br \/>\nAno: 1988<br \/>\nAutor: Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: O primeiro t\u00edtulo da Vila Isabel veio com um samba com a assinatura de Luiz Carlos da Vila; \u00e9 o samba mais famoso da escola at\u00e9 hoje<\/p>\n<p>028.<br \/>\nSamba de enredo: 100 Anos De Liberdade, Realidade Ou Ilus\u00e3o?<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 1988<br \/>\nAutor: H\u00e9lio Turco, Jurandir e Alvinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Um dos sambas da Mangueira preferidos de Beth Carvalho, que j\u00e1 o gravou, bem como Dudu Nobre<\/p>\n<p>029.<br \/>\nSamba de enredo: Aquarilha Do Brasil<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1988<br \/>\nAutor: Robertinho Devagar e Marcio Andr\u00e9<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 6\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Em homenagem a Ary Barroso, tem o escracho ideal pra estreia de Quinho como int\u00e9rprete da Uni\u00e3o da Ilha, no lugar do simb\u00f3lico Aroldo Melodia<\/p>\n<p>030.<br \/>\nSamba de enredo: Conta Outra Que Essa Foi Boa<br \/>\nEscola: Imperatriz<br \/>\nAno: 1988<br \/>\nAutor: Robertinho Devagar e Marcio Andr\u00e9<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 14\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Uma das letras mais ir\u00f4nicas sobre os governos, atirando contra os maraj\u00e1s (cujo &#8220;combate&#8221; elegeu no ano seguinte Fernando Collor &#8211; &#8220;Eu quero \/ \u00c9 poder ser maraj\u00e1 \/ Gozar a vida \/ Pra vida n\u00e3o vir me gozar&#8221;), a Assembleia Constituinte daquele ano, a ferrovia Norte-Sul, obra fara\u00f4nica do governo Jos\u00e9 Sarney, contra &#8220;o mito&#8221; das elei\u00e7\u00f5es, Pedro \u00c1lvares Cabral e at\u00e9 a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, com um refr\u00e3o curto e grosso: &#8220;Qu\u00e1, qu\u00e1, qu\u00e1 \/ Voc\u00ea caiu caiu \/ \u00c9 brincadeira \/ \u00c9 primeiro de abril&#8221;); a escola ficou em \u00faltimo lugar, mas nesse ano n\u00e3o teve rebaixamento, de modo que a Imperatriz p\u00f4de ser campe\u00e3 no ano seguinte<\/p>\n<p>031.<br \/>\nSamba de enredo: Liberdade, Liberdade, Abre As Asas sobre N\u00f3s<br \/>\nEscola: Imperatriz<br \/>\nAno: 1989<br \/>\nAutor: Niltinho Tristeza, Preto J\u00f3ia, Vicentinho e Jurandir<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Inaugurando o reinado da Imperatriz (foram seis t\u00edtulo em treze anos), o samba contrasta com o esculacho do ano anterior (&#8220;Conta Outra Que Essa Foi Boa&#8221;), tratando com seriedade o tema da escravid\u00e3o, embora sem questionamento algum sobre as consequ\u00eancias de como o ato aconteceu; o tema principal era a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/p>\n<p>032.<br \/>\nSamba de enredo: Ratos E Urubus, Larguem Minha Fantasia<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 1989<br \/>\nAutor: Betinho, Glyvaldo, Z\u00e9 Maria e Osmar<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Um dos desfiles mais pol\u00eamicos da hist\u00f3ria, Jo\u00e3osinho Trinta teve que cobrir seu Cristo com um pl\u00e1stico preto, j\u00e1 que estava proibido de aparecer, por conta de uma a\u00e7\u00e3o judicial pedida pela Igreja, e ofereceu uma antol\u00f3gica ala de mendigos puxada por ele numa roupa de gari e vassoura em m\u00e3os; o Cristo trazia a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;mesmo proibido, olhai por n\u00f3s&#8221;, e os mendigos eram convocados com uma enorme placa &#8220;mendigos, a Sapuca\u00ed \u00e9 vossa&#8221;<\/p>\n<p>033.<br \/>\nSamba de enredo: Festa Profana<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1989<br \/>\nAutor: J. Brito e Buj\u00e3o<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 3\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: &#8220;Festa Profana&#8221; foi um enorme sucesso popular, mas tamb\u00e9m rendeu uma grande pol\u00eamica: a modelo Enoli Lara, ent\u00e3o com 39 anos, desfilou completamente nua, s\u00f3 coberta com um v\u00e9u (que n\u00e3o cobria obviamente nada), de modo que a LIESA, a Liga das Escolas de Samba, baixou uma norma que a partir do ano seguinte era proibido aquilo que chamou de &#8220;genit\u00e1lia desnuda&#8221;; isso era uma &#8220;festa profana&#8221; na ess\u00eancia<\/p>\n<p>034.<br \/>\nSamba de enredo: Trinca De Reis<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 1989<br \/>\nAutor: Fandinho, Ney e Adilson do Viol\u00e3o<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 11\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: Primoroso samba no ato de contar a hist\u00f3ria &#8211; dos reis da noite carioca &#8211; e ainda apresenta o bord\u00e3o inicial &#8220;madeira de dar em doido \u00e9 jequitib\u00e1 \/ deixa a Mangueira passar&#8221;, de Beth Carvalho<\/p>\n<p>035.<br \/>\nSamba de enredo: Rio, Samba, Amor e Tradi\u00e7\u00e3o<br \/>\nEscola: Tradi\u00e7\u00e3o<br \/>\nAno: 1989<br \/>\nAutor: Jo\u00e3o Nogueira e Paulo C\u00e9sar Pinheiro<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 16\u00aa colocada (Grupo 1\/Especial)<br \/>\nNota: De autoria de Jo\u00e3o Nogueira, \u00e9 um dos mais belos sambas de enredo da hist\u00f3ria, exaltando o Rio de Janeiro e o carnaval; a escola acabou rebaixada nesse ano (foram cinco escolas rebaixadas, incluindo o divertid\u00edssimo &#8220;Vida Que Te Quero Viva&#8221;, da Unidos Da Ponte)<\/p>\n<p>036.<br \/>\nSamba de enredo: Todo Mundo Nasceu Nu<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 1990<br \/>\nAutor: Betinho, Jorginho, Bira e Aparecida<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O samba foi inspirado na bizarra proibi\u00e7\u00e3o da LIESA ao nu na avenida (por conta do epis\u00f3dio com Enoli Lara, em &#8220;Festa Profana&#8221;, da Uni\u00e3o Da Ilha, em 1989); ent\u00e3o, Jo\u00e3osinho Trinta provocou, colocando o ator Jorge Lafond todo nu, coberto s\u00f3 com purpurina, o que fez a LIESA mudar a regra de proibi\u00e7\u00e3o da &#8220;genit\u00e1lia desnuda&#8221; pra &#8220;genit\u00e1lia desnuda, pintada ou decorada&#8221;; o samba tamb\u00e9m \u00e9 provoca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>037.<br \/>\nSamba de enredo: E O Samba Sambou&#8230;<br \/>\nEscola: S\u00e3o Clemente<br \/>\nAno: 1990<br \/>\nAutor: Helinho 107, Mais Velho, Nino e Chocolate<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 6\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: A S\u00e3o Clemente sempre foi conhecida pela cr\u00edtica ferina \u00e0 pr\u00f3pria ind\u00fastria do samba, mas aqui ela atingiu seu \u00e1pice, metendo o dedo na ferida (&#8220;\u00c9 fant\u00e1stico \/ Virou Hollywood isso aqui \/ Luzes, c\u00e2meras e som \/ Mil artistas na Sapuca\u00ed \/ Mas o show tem que continuar \/ E muita gente ainda pode faturar \/ Hoje o samba \u00e9 dirigido com sabor comercial \/ Carnavalescos e destaques vaidosos \/ Dirigentes poderosos criam tanta confus\u00e3o \/ E o samba vai perdendo a tradi\u00e7\u00e3o&#8221;)<\/p>\n<p>038.<br \/>\nSamba de enredo: Me Masso Se N\u00e3o Passo Pela Rua Do Ouvidor<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 1991<br \/>\nAutor: Sereno, Luiz Fernando e Diogo<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Este samba \u00e9 conhecido como &#8220;um ensaio&#8221; pro grande &#8220;Peguei Um Ita No Norte&#8221;, campe\u00e3o no ano seguinte: a estrutura bem parecida, mas sem um refr\u00e3o matador<\/p>\n<p>039.<br \/>\nSamba de enredo: De Bar Em Bar, Didi, Um Poeta<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1991<br \/>\nAutor: Franco<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 9\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Uma homenagem Gustavo Adolfo Carvalho Ba\u00eata Neves, o Didi, autor de sambas antol\u00f3gicos da Uni\u00e3o Da Ilha (como &#8220;\u00c9 Hoje&#8221;, &#8220;O Amanh\u00e3&#8221;, &#8220;O Que Ser\u00e1&#8221;); Didi era jurista que largou a profiss\u00e3o pra viver no samba, sendo at\u00e9 hoje o autor de mais sambas que foram \u00e0 avenida, vinte e quatro, sendo dezesseis pela Uni\u00e3o Da Ilha, quatro pelo Salgueiro e quatro pela Boi Da Ilha; &#8220;Hoje eu vou tomar um porre \/ N\u00e3o me socorre \/ Eu t\u00f4 feliz&#8221; s\u00e3o versos que os carnavalescos cantam at\u00e9 hoje (ou qualquer beberr\u00e3o feliz por a\u00ed)<\/p>\n<p>040.<br \/>\nSamba de enredo: Paulic\u00e9ia Desvairada, 70 Anos De Modernismo No Brasil<br \/>\nEscola: Est\u00e1cio De S\u00e1<br \/>\nAno: 1992<br \/>\nAutor: Djalma Branco, D\u00e9o, Maneco e Caruso<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: \u00danico t\u00edtulo da Est\u00e1cio De S\u00e1, curiosamente \u00e9 um samba que exalta uma cidade que \u00e0 \u00e9poca era zombeteiramente chamada de &#8220;t\u00famulo do samba&#8221;, S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>041.<br \/>\nSamba de enredo: Sonhar N\u00e3o Custa Nada! Ou Quase Nada<br \/>\nEscola: Mocidade<br \/>\nAno: 1992<br \/>\nAutor: Paulinho Mocidade, Dico da Viola e Moleque Silveira<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: S\u00e3o poucos os sambas que criam bord\u00f5es, como esse criou o &#8220;sonhar n\u00e3o custa nada&#8221;; foi um samba tamb\u00e9m gravado por muita gente, de Em\u00edlio Santiago a Dudu Nobre<\/p>\n<p>042.<br \/>\nSamba de enredo: Peguei Um Ita No Norte<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 1993<br \/>\nAutor: Dem\u00e1 Chagas, Ariz\u00e3o, Celso Trindade, Bala, Guaracy, Quinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Ainda hoje se ouve nos est\u00e1dios de futebol as torcidas cantando &#8220;Explode cora\u00e7\u00e3o \/ Na maior felicidade \/ \u00c9 lindo meu (<em>insere aqui o nome do time<\/em>) \/ Contagiando e sacudindo esta cidade&#8221;; o Salgueiro foi campe\u00e3o depois de amargar dezoito anos de pen\u00faria e demoraria mais vinte e seis pra ganhar outro carnaval<\/p>\n<p>043.<br \/>\nSamba de enredo: Atr\u00e1s Da Verde E Rosa S\u00f3 N\u00e3o Vai Quem J\u00e1 Morreu<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 1994<br \/>\nAutor: Fernando de Lima, David Corr\u00eaa, Carlos Sena e Paulinho de Carvalho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 11\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Um dos \u00faltimos sambas de enredo a fazer sucesso na r\u00e1dio comercial, a m\u00fasica exalta os baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Beth\u00e2nia e Gal Costa<\/p>\n<p>044.<br \/>\nSamba de enredo: Gosto Que Me Enrosco<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 1995<br \/>\nAutor: Noca da Portela, Colombo e Gelson<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 2\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: &#8220;\u00c9 carnaval \/ O Rio abre as portas pra folia \/ \u00c9 tempo de sambar \/ Mostrar ao mundo a nossa alegria&#8221; surgiu como convite e o \u00e9 at\u00e9 hoje pra alegria momesca, com a Portela quase sendo campe\u00e3 exaltando o carnaval<\/p>\n<p>045.<br \/>\nSamba de enredo: Todo Dia \u00c9 Dia De \u00cdndio<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 1995<br \/>\nAutor: Almir da Ilha e Franco<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 11\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: A despeito do tema ser o \u00edndio, o samba marcou uma leveza dos sambas de sal\u00e3o, a inoc\u00eancia da fantasia &#8220;mais inocente&#8221;, como disse um cr\u00edtico \u00e0 \u00e9poca; foi o retorno do int\u00e9rprete Aroldo Melodia \u00e0 Uni\u00e3o Da Ilha<\/p>\n<p>046.<br \/>\nSamba de enredo: Criador E Criatura<br \/>\nEscola: Mocidade<br \/>\nAno: 1996<br \/>\nAutor: Beto Corr\u00eaa, Dico da Viola, Jefinho e Jo\u00e3ozinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O \u00faltimo t\u00edtulo da Mocidade (at\u00e9 o compartilhado com a Portela em 2017) veio com um samba que exalta a cria\u00e7\u00e3o do universo e os inventores de modo geral; apesar do refr\u00e3o meio inocente\/infantil (&#8220;A m\u00e3o que faz a bomba, faz o samba \/ Deus faz gente bamba \/ A bomba que explode o nesse carnaval \/ \u00c9 a Mocidade levantando o seu astral&#8221;), ele ainda \u00e9 lembrado por conta do efeito especial (de bomba) na grava\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>047.<br \/>\nSamba de enredo: Ver\u00e1s Que Um Filho Teu N\u00e3o Foge \u00e0 Luta<br \/>\nEscola: Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nAno: 1996<br \/>\nAutor: Alu\u00edsio Machado, Lula, Beto Pernarda, Arlindo Cruz e \u00cdndio do Imp\u00e9rio<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 6\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Arlindo Cruz \u00e9 um dos que assinam esse samba, que tem mais cara de pagode (no \u00f3timo sentido) do que de samba de enredo, em homenagem ao soci\u00f3logo Betinho na luta contra a fome, com uma letra t\u00e3o perfurante (&#8220;Quem \u00e9 pobre t\u00e1 com fome \/ Quem \u00e9 rico t\u00e1 com medo&#8221;) quanto po\u00e9tica (&#8220;Junte um sorriso meu, um abra\u00e7o teu \/ Vamos temperar \/ Uma por\u00e7\u00e3o de f\u00e9, sei que vai dar p\u00e9 \/ N\u00e3o vai desandar \/ Amasse o que \u00e9 ruim, e a massa enfim \/ Vai se libertar \/ Sirva um prato cheio de amor \/ Pro Brasil se alimentar&#8221;), que ainda cabe no Brasil de 2017<\/p>\n<p>048.<br \/>\nSamba de enredo: Trevas! Luz! A Explos\u00e3o Do Universo<br \/>\nEscola: Viradouro<br \/>\nAno: 1997<br \/>\nAutor: Dominguinhos do Est\u00e1cio, Mocot\u00f3, Flavinho Machado e Heraldo Faria<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O \u00fanico t\u00edtulo da Viradouro, que \u00e9 de Niter\u00f3i, veio com uma inova\u00e7\u00e3o surpreendente nesse samba sobre a cria\u00e7\u00e3o do universo: a batida <em>funk<\/em> que a bateria apresenta na segunda passagem do refr\u00e3o antol\u00f3gico &#8220;Vou cair na gandaia, com a minha bateria! \/ No balan\u00e7o da mulata, a explos\u00e3o de alegria&#8221;; outras escolas imitaram a batida nos anos seguintes; foi o \u00faltimo t\u00edtulo do carnavalesco Jo\u00e3osinho Trinta<\/p>\n<p>049.<br \/>\nSamba de enredo: Orfeu, O Negro Do Carnaval<br \/>\nEscola: Viradouro<br \/>\nAno: 1998<br \/>\nAutor: Gilberto Gomes, Mocot\u00f3, Gustavo, P.C. Portugal, Dadinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 5\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O mito de Orfeu foi considerado um samba e um carnaval melhor do que o anterior que deu o t\u00edtulo \u00e0 Viradouro<\/p>\n<p>050.<br \/>\nSamba de enredo: Brilha No C\u00e9u A Estrela Que Me Faz Sonhar<br \/>\nEscola: Mocidade<br \/>\nAno: 1998<br \/>\nAutor: Jo\u00e3ozinho, Guinna, Muca e J. Brito<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 6\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Esse samba tem uma das melhores introdu\u00e7\u00f5es de todos os tempos, com a bateria da Mocidade mostrando toda a sua pot\u00eancia e ritmo<\/p>\n<p>051.<br \/>\nSamba de enredo: O S\u00e9culo Do Samba<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 1999<br \/>\nAutor: Adalberto, Jocelino e Jer\u00f4nimo<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Esse samba \u00e9 curioso porque a Mangueira tenta enaltecer a virada do s\u00e9culo pra depois se dar conta de que cientificamente, o s\u00e9culo (e o mil\u00eanio) s\u00f3 se encerrava em 31 de dezembro de 2000, ou seja, faltava ainda um ano; mesmo assim, a escola homenageou o &#8220;s\u00e9culo do samba&#8221;, listando seus grandes compositores<\/p>\n<p>052.<br \/>\nSamba de enredo: Quem Descobriu O Brasil, Foi Seu Cabral, No Dia 22 De Abril, Dois Meses Depois Do Carnaval<br \/>\nEscola: Imperatriz<br \/>\nAno: 2000<br \/>\nAutor: Marquinhos Lessa, Guga, Tuninho Professor, Amauriz\u00e3o e Chopinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O ano de 2000 teve um acordo informal de que todas as escolas deveriam trazer enredos que falassem dos quinhentos anos do descobrimento do Brasil; nem todas foram por esse caminho, mas a maioria, sim, incluindo a campe\u00e3 Imperatriz; o consenso \u00e9 que \u00e9 raro encontrar um samba inspirado nesse ano<\/p>\n<p>053.<br \/>\nSamba de enredo: A Seiva Da Vida<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 2001<br \/>\nAutor: Marcelo D&#8217;Agui\u00e3, Bizuca, Gilson Bernini e Cl\u00f3vis P\u00ea<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 3\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: A Mangueira inicia o s\u00e9culo se enveredando totalmente ao passado, com boas doses de poesia (em cada um dos sambas \u00e9 poss\u00edvel destacar frases poeticamente impressionantes), e esse samba \u00e9 um exemplo: &#8220;\u00c9 prometida esta terra! \/ Aben\u00e7oado nosso ch\u00e3o \/ Onde a semente da paz \u00e9 verde e rosa \/ E brota no meu cora\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>054.<br \/>\nSamba de enredo: Brazil Com Z \u00c9 Pra Cabra Da Peste, Brasil Com S \u00c9 Na\u00e7\u00e3o Do Nordeste<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 2002<br \/>\nAutor: Lequinho e Amendoim<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Sempre que algu\u00e9m fala sobre a futilidade ou o vazio dos sambas de enredo, cabe mostrar esses versos deste samba da Mangueira: &#8220;Padim, padre Ci\u00e7o fa\u00e7a chover alegria \/ Pra que cada gota seja o p\u00e3o de cada dia&#8221;<\/p>\n<p>055.<br \/>\nSamba de enredo: Os Papagaios Amarelos Nas Terras Encantadas Do Maranh\u00e3o<br \/>\nEscola: Grande Rio<br \/>\nAno: 2002<br \/>\nAutor: Alailson Cruz e Agenor Neto<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Quinho empresta sua voz \u00e0 Grande Rio pela primeira vez, num samba com letra divertid\u00edssima (&#8220;Merci Beaucoup, au revoir \/ O \u00edndio nada entendeu \/ De &#8216;papagaios amarelos&#8217; foi chamar&#8221;) e bateria arrasadora<\/p>\n<p>056.<br \/>\nSamba de enredo: O Povo Conta A Sua Hist\u00f3ria: Saco Vazio N\u00e3o Para Em P\u00e9, A M\u00e3o Que Faz A Guerra, Faz A Paz<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 2003<br \/>\nAutor: Betinho, JC Coelho, Ribeirinho, Glyvaldo, Luis, Manoel, Serginho e Vinicius<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Com a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o De Carnaval, a Beija-Flor inaugurou sua fase mais vitoriosa, sendo o primeiro t\u00edtulo dos sete que ganharia nos pr\u00f3ximos treze anos vindo com esse samba poeticamente bel\u00edssimo e redentor; a m\u00fasica surgiu com a empolga\u00e7\u00e3o pela vit\u00f3ria de Lula pro seu primeiro mandato como presidente da Rep\u00fablica (Neguinho da Beija-Flor at\u00e9 usa o bord\u00e3o da campanha &#8220;a esperan\u00e7a venceu o medo&#8221;), e a letra mostra v\u00e1rios exemplos de como o povo toma o poder e faz sua revolu\u00e7\u00e3o (&#8220;Eu quero: liberdade, dignidade e uni\u00e3o \/ Fui lata, hoje sou prata \/ Lixo, ouro da regi\u00e3o \/ Chega de ganhar t\u00e3o pouco \/ T\u00f4 no sufoco, vou desabafar \/ Pare com essa gan\u00e2ncia, pois a toler\u00e2ncia \/ Pode se acabar&#8230;&#8221;)<\/p>\n<p>057.<br \/>\nSamba de enredo: Nem Todo Pirata Tem Perna De Pau, O Olho De Vidro E A Cara De Mau<br \/>\nEscola: Imperatriz<br \/>\nAno: 2003<br \/>\nAutor: Darcy do Nascimento, Brand\u00e3ozinho, Rubens Napole\u00e3o e Jorge Rita<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: A letra desse samba e o ritmo remetem ao carnaval inocente e divertido dos sal\u00f5es (e matin\u00eas), os piratas e a pirataria como protagonistas (&#8220;Mas hoje quero ser \/ Pirata do prazer \/ Dan\u00e7ando um baile com voc\u00ea&#8221;); mas ainda sobra espa\u00e7o pra uma leve (e inocente) cr\u00edtica social (&#8220;Hoje a coisa ficou preta \/ Muito preta e com raz\u00e3o \/ Pirata se queixando de pirata \/ De terno e gravata na televis\u00e3o&#8221;)<\/p>\n<p>058.<br \/>\nSamba de enredo: Salgueiro, Minha Paix\u00e3o, Minha Raiz &#8211; 50 Anos De Gl\u00f3ria<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 2003<br \/>\nAutor: Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20, Sidney S\u00e3 e Claudinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Cinquenta anos do Salgueiro cantados num samba que at\u00e9 hoje embala a quadra da escola<\/p>\n<p>059.<br \/>\nSamba de enredo: Aquarela Brasileira<br \/>\nEscola: Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nAno: 2004<br \/>\nAutor: Silas De Oliveira<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 9\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Com o regulamento da LIESA passando a permitir regrava\u00e7\u00f5es de sambas anteriores, o Imp\u00e9rio Serrano resgatou aquele que \u00e9 conhecido com o mais bonito e popular samba de enredo da hist\u00f3ria, &#8220;Aquarela Brasileira&#8221;, de Silas de Oliveira, originalmente pro carnaval de 1964, quando terminou em quarto lugar<\/p>\n<p>060.<br \/>\nSamba de enredo: Singrando Em Mares Bravios&#8230; E Construindo O Futuro<br \/>\nEscola: Vila Isabel<br \/>\nAno: 2005<br \/>\nAutor: Andr\u00e9 Diniz, Prof. Newt\u00e3o, Sidney S\u00e3 e Miguel Bed\u00ea<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 10\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Foi o \u00faltimo carnaval de Jo\u00e3osinho Trinta, que teve dois AVCs em 2006 e ficou impossibilitado de criar at\u00e9 sua morte, em 17 de dezembro de 2011; esse samba \u00e9 um dos sambas mais inspirados da Vila Isabel nesse novo mil\u00eanio<\/p>\n<p>061.<br \/>\nSamba de enredo: Das \u00c1guas Do S\u00e3o Francisco, Nasce Um Rio De Esperan\u00e7a<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 2006<br \/>\nAutor: Henrique Gomes, Gilson Bernini e Cosminho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O \u00faltimo samba de enredo interpretado e defendido por Jos\u00e9 Bispo Clementino dos Santos, o Jamel\u00e3o, que morreria 14 de junho de 2008, aos 95 anos, cinquenta e sete deles dedicados \u00e0 Mangueira<\/p>\n<p>062.<br \/>\nSamba de enredo: Microcosmos: O Que Os Olhos N\u00e3o V\u00eaem, O Cora\u00e7\u00e3o Sente<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 2006<br \/>\nAutor: Mois\u00e9s, Waltinho, Fernando, Paulo, Ti\u00e3ozinho, ABS, Leonel, Luizinho e Quinho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 11\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Falando sobre a insignific\u00e2ncia do homem diante do universo, o Salgueiro trouxe uma bossa interessante nessa samba: a bateria, ao inv\u00e9s de oferecer uma paradinha padr\u00e3o, pulsa como a batida de um cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>063.<br \/>\nSamba de enredo: Bendita \u00c9s Tu Entre As Mulheres Do Brasil<br \/>\nEscola: Porto Da Pedra<br \/>\nAno: 2006<br \/>\nAutor: Vadinho, Bento e Fernando Macaco<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 12\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Por algum motivo desconhecido, de 2004 em diante, num movimento que por sorte est\u00e1 arrefecendo, os sambas de enredo se enfiaram nos mais variados temas &#8220;politicamente corretos&#8221;; a Porto Da Pedra veio na onda falando sobre a mulher, mas numa conjun\u00e7\u00e3o boa de m\u00fasica e letra<\/p>\n<p>064.<br \/>\nSamba de enredo: Candaces<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 2007<br \/>\nAutor: Dudu Botelho, Marcelo Motta, Z\u00e9 Paulo e Luiz Pi\u00e3o<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: &#8220;Odoy\u00e1 Iemanj\u00e1; Saluba Nan\u00e3! \/ Eparrei Oy\u00e1 \/ Oray\u00ea Y\u00ea o, Oxum! \/ Oba Xi Oba&#8221;: incr\u00edvel, mas a m\u00fasica pegou, com as pessoas cantando o que quisessem cantar; &#8220;Candaces&#8221; \u00e9 uma dinastia de rainhas da \u00c1frica Oriental<\/p>\n<p>065.<br \/>\nSamba de enredo: Teresinhaaa, Uhuhuuu! Voc\u00eas Querem Bacalhau?<br \/>\nEscola: Imperatriz<br \/>\nAno: 2007<br \/>\nAutor: Merrenga, Xande, Sobrinho, Lula Inspira\u00e7\u00e3o, Bill Amizade e Aliomar<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 9\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Uma exce\u00e7\u00e3o nos temas &#8220;politicamente corretos&#8221; do per\u00edodo, este samba da Imperatriz \u00e9 divers\u00e3o pura<\/p>\n<p>066.<br \/>\nSamba de enredo: \u00c9 De Arrepiar<br \/>\nEscola: Viradouro<br \/>\nAno: 2008<br \/>\nAutor: Fandinho, Ney e Adilson do Viol\u00e3o<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: A m\u00fasica fala de &#8220;arrepios&#8221;, do que faz a gente se arrepiar, a ang\u00fastia do fim do Carnaval, &#8220;Bate outra vez o meu cora\u00e7\u00e3o \/ Pois j\u00e1 vai terminando o ver\u00e3o&#8221;, um sentimento depr\u00ea que bate em quase todo mundo que gosta de Carnaval, o que \u00e9 bem curioso pra um enredo de samba<\/p>\n<p>067.<br \/>\nSamba de enredo: Tambor<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 2009<br \/>\nAutor: Mois\u00e9s Santiago, Paulo Shell, Leandro Costa e Tatiana Leite<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Curto e grosso: o tema \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do samba, de uma escola, do carnaval &#8211; o tambor, os instrumentos de batuque; embora o samba n\u00e3o seja eficaz em transformar a bela ideia em inova\u00e7\u00f5es e criatividade, como aconteceu com &#8220;Bum-bum Paticumbum Prugurundum&#8221;, do Imp\u00e9rio Serrano 1982<\/p>\n<p>068.<br \/>\nSamba de enredo: \u00c9 Segredo<br \/>\nEscola: Unidos Da Tijuca<br \/>\nAno: 2010<br \/>\nAutor: Julio Alves, Marcelo e Totonho<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Apesar dos versos n\u00e3o encaixarem muito bem na melodia (repare que a parte &#8220;n\u00e3o conto a ningu\u00e9m&#8221;, em &#8220;\u00c9 segredo, n\u00e3o conto a ningu\u00e9m&#8221;, \u00e9 um tanto corrida), o samba empolgou, muito por conta das estripulias que Paulo Barros, o carnavalesco sensa\u00e7\u00e3o e surpreendente, aprontava ao vivo na avenida<\/p>\n<p>069.<br \/>\nSamba de enredo: No\u00ebl: A Presen\u00e7a Do &#8220;Poeta Da Vila&#8221;<br \/>\nEscola: Vila Isabel<br \/>\nAno: 2010<br \/>\nAutor: Martinho da Vila<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Um samba de Martinho da Vila que \u00e9 mais hist\u00f3ria do que poesia<\/p>\n<p>070.<br \/>\nSamba de enredo: A Simplicidade De Um Rei<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 2011<br \/>\nAutor: Samir Trindade, Serginho Aguiar, JR. Beija-Flor, Sidney de Pilares, Jorginho Moreira, Th\u00e9o M. Netto, Mour\u00e3o e Cleber<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Apesar dos protestos de que a escola s\u00f3 foi campe\u00e3 por conta de uma suposta ajuda da Rede Globo (a l\u00f3gica dos detratores \u00e9 que Roberto Carlos, o homenageado, \u00e9 contratado da emissora), o samba \u00e9 grudento, bonito, simples e direto (&#8220;Meu Beija-Flor chegou a hora \/ De botar pra fora a felicidade \/ Da alegria de falar do Rei \/ E mostrar pro mundo essa simplicidade&#8221;), uma aula de samba-exalta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>071.<br \/>\nSamba de enredo: Salgueiro Apresenta: O Rio No Cinema<br \/>\nEscola: Salgueiro<br \/>\nAno: 2011<br \/>\nAutor: Dudu Botelho, Miudinho, Anderson Benson e Luiz Pi\u00e3o<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: A exemplo da exalta\u00e7\u00e3o a Roberto Carlos, feita pela Beija-Flor, a exalta\u00e7\u00e3o do Salgueiro ao cinema carioca tamb\u00e9m \u00e9 divertid\u00edssima &#8211; o King Kong no rel\u00f3gio da Central \u00e9 o ponto alto, bem como a Furiosa (apelido da bateira) mandando o &#8220;bebop&#8221;<\/p>\n<p>072.<br \/>\nSamba de enredo: S\u00e3o Lu\u00eds &#8211; O Poema Encantado Do Maranh\u00e3o<br \/>\nEscola: Beijo-Flor<br \/>\nAno: 2012<br \/>\nAutor: Comiss\u00e3o de carnaval<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Normalmente, sambas que exaltam uma cidade ou um estado n\u00e3o s\u00e3o muito atraente ou po\u00e9ticos, mas aqui a Beija-Flor conseguiu  proezas com versos como &#8220;Hoje a minha l\u00e1grima transborda todo mar \/ Fonte que a saudade n\u00e3o secou&#8221;, e solu\u00e7\u00e3o simples como &#8220;Meu S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o \/ Poema encantado de amor \/ Onde canta o sabi\u00e1 \/ Hoje canta a Beija-flor!&#8221;<\/p>\n<p>073.<br \/>\nSamba de enredo: Uma Aventura Musical Na Sapuca\u00ed<br \/>\nEscola: S\u00e3o Clemente<br \/>\nAno: 2012<br \/>\nAutor: Ricardo G\u00f3es, Serginho Machado, Marcos Antunes, FM, Guguinha, V\u00e2nia e Flavinho Segal<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 11\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: &#8220;Tem bububu no bobob\u00f3 \/ Sem sassarico \u00e9 o &#8220;\u00f3&#8221; \/ Bumbum de fora, pernas pro ar \/ Bravo, a S\u00e3o Clemente vai passar!&#8221; \u00e9 uma forma da escola de afrouxar a tens\u00e3o dos temas politicamente corretos dos carnavais do novo mil\u00eanio; n\u00e3o pegou, porque os carnavais dificilmente pegam nos novos tempos, com ou sem a ajuda (cada vez menor) das r\u00e1dios<\/p>\n<p>074.<br \/>\nSamba de enredo: Madureira&#8230; Onde O Meu Cora\u00e7\u00e3o Se Deixou Levar<br \/>\nEscola: Portela<br \/>\nAno: 2013<br \/>\nAutor: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos M\u00e1ximo, Toninho Nascimento e Andr\u00e9 do Posto 7<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Exemplo de como os sambas de enredo s\u00e3o acelerados nos tempos modernos &#8211; muitos componentes na escola pra passar pelo mesmo tempo na avenida -, mesmo assim os autores tentaram encaixar um refr\u00e3o que fosse f\u00e1cil de pegar (&#8220;O batuque ginga ioi\u00f4 \/ Ginga Iai\u00e1&#8221;)<\/p>\n<p>075.<br \/>\nSamba de enredo: \u00c9 Brinquedo, \u00c9 Brincadeira: A Ilha Vai Levantar Poeira!<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 2014<br \/>\nAutor: Paulinho Poeta, R\u00e9gis, Gabriel Fraga, Carlinhos Fuzil, Canind\u00e9 e Fl\u00e1vio Pires<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 4\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Uma das melhores letras dos \u00faltimos tempos &#8211; do s\u00e9culo pra Uni\u00e3o Da Ilha, certamente &#8211; por conta das sacadas po\u00e9ticas simples (&#8220;Vem no reino da ilus\u00e3o, me d\u00ea a sua m\u00e3o \/ E pegue na estante, um livro fascinante \/ Personagens da imagina\u00e7\u00e3o&#8221;); levantou a Sapuca\u00ed como h\u00e1 muito n\u00e3o se via<\/p>\n<p>076.<br \/>\nSamba de enredo: Favela<br \/>\nEscola: S\u00e3o Clemente<br \/>\nAno: 2014<br \/>\nAutor: Ricardo G\u00f3es, Serginho Machado, Grey, Anderson, FM e Flavinho Segal<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 11\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Um samba otimista, embora escape das tradi\u00e7\u00f5es da S\u00e3o Clemente, de ser cr\u00edtico com o Carnaval<\/p>\n<p>077.<br \/>\nSamba de enredo: Se O Mundo Fosse Acabar, Me Diz O Que Voc\u00ea Faria Se S\u00f3 Lhe Restasse Um Dia?<br \/>\nEscola: Mocidade<br \/>\nAno: 2015<br \/>\nAutor: Ricardo Mendon\u00e7a, Tio Bira, Anderson Viana e L\u00facio Naval<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 7\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: O tema original\u00edssimo n\u00e3o encontrou um desfile \u00e0 altura (apesar de estar nas m\u00e3os de Paulo Barros), tampouco um samba que abra\u00e7asse a originalidade, mesmo assim \u00e9 divertido, com um refr\u00e3o bastante carnavalesco &#8220;Invade&#8230; Se joga&#8230; Na felicidade \/<br \/>\nFazendo a vontade do seu cora\u00e7\u00e3o \/ Hoje \u00e9 o dia.. vem se acabar \/ Deixa a Mocidade te levar!&#8221;<\/p>\n<p>078.<br \/>\nSamba de enredo: Beleza Pura?<br \/>\nEscola: Uni\u00e3o Da Ilha<br \/>\nAno: 2015<br \/>\nAutor: Djalma Falc\u00e3o, Carlos Caetano, Gugu das Candongas, Beto Mascarenhas, Roger Linhares e Marco Moreno<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 9\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: Um exemplo do politicamente correto desse mil\u00eanio, mas a Uni\u00e3o Da Ilha sempre d\u00e1 suas debochadas, e aqui o refr\u00e3o se encarregou disso: &#8220;L\u00e1 vem ela toda prosa, gostosa fiu, fiu \/ A beleza t\u00e1 no seu interior, nos olhos de quem v\u00ea \/ No verdadeiro amor&#8221;<\/p>\n<p>079.<br \/>\nSamba de enredo: Maria Beth\u00e2nia, A Menina Dos Olhos De Oy\u00e1<br \/>\nEscola: Mangueira<br \/>\nAno: 2016<br \/>\nAutor: Alem\u00e3o do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brand\u00e3o<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: Campe\u00e3 (Grupo Especial)<br \/>\nNota: &#8220;Quem me chamou&#8230; Mangueira \/ Chegou a hora, n\u00e3o d\u00e1 mais pra segurar \/ Quem me chamou&#8230; Chamou pra sambar \/ N\u00e3o mexe comigo, eu sou a menina de Oy\u00e1 \/ N\u00e3o mexe comigo, eu sou a menina de Oy\u00e1&#8221; foi o grande refr\u00e3o do ano<\/p>\n<p>080.<br \/>\nSamba de enredo: Iracema, A Virgem Dos L\u00e1bios De Mel<br \/>\nEscola: Beija-Flor<br \/>\nAno: 2017<br \/>\nAutor: Claudemir, Mauri\u00e7\u00e3o, Ronaldo Barcellos, Bruno Ribas, F\u00e1bio Alem\u00e3o, Wilson Tat\u00e1, Alan Vinicius, Betinho Santos<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 6\u00aa colocada (Grupo Especial)<br \/>\nNota: H\u00e1 muito n\u00e3o havia um samba t\u00e3o &#8220;redondo&#8221; quanto esse: paradinhas (na segunda passagem), viradas, um refr\u00e3o pegajoso, mesmo com muitos termos em tupi e mesmo com a extensa dura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/rio-de-janeiro-446-anos-uma-homenagem-rudimentar\/\" title=\"RIO DE JANEIRO &#8211; 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