{"id":47958,"date":"2017-03-03T18:31:33","date_gmt":"2017-03-03T21:31:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=47958"},"modified":"2017-07-20T09:53:32","modified_gmt":"2017-07-20T12:53:32","slug":"musica-e-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/musica-e-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"M\u00daSICA E INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"47963\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/musica-e-inteligencia-artificial\/turing1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/turing1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"turing1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/turing1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/turing1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-47963\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/turing1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/turing1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Quando pensamos nos prim\u00f3rdios do relacionamento entre humanos, m\u00e1quinas e m\u00fasica, talvez venha \u00e0 cabe\u00e7a o pop do Kraftwerk ou paisagens sonoras de Delia Derbyshire, pioneira em m\u00fasica eletr\u00f4nica na Inglaterra, que morreu em 2001 e conhecida por seus trabalhos na BBC Radiophonic Workshop. A m\u00fasica eletr\u00f4nica, seja pras pistas, pra introspec\u00e7\u00e3o, pras trilhas art\u00edsticas de cinema, teatro, televis\u00e3o ou r\u00e1dio, nos leva a um longo relacionamento nessa tr\u00edade.<\/p>\n<p>Ano passado, a Universidade de Canterbury, nos sub\u00farbios da pequena cidade de Christchurch (ainda assim a terceira maior da Nova Zel\u00e2ndia, com quatrocentos mil habitantes), atrav\u00e9s do professor Jack Copeland e do compositor Jason Long, recriou a primeira pe\u00e7a de grava\u00e7\u00e3o musical feita por uma m\u00e1quina, em 1951. Ela foi elaborada por Alan Turing, o g\u00eanio matem\u00e1tico que desovou o embri\u00e3o da computa\u00e7\u00e3o. O disco de acetato de apenas um lado, de doze polegadas, captura tr\u00eas melodias tocadas por um computador primitivo que era grande o suficiente pra ocupar quase todo o espa\u00e7o do laborat\u00f3rio de Turing.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 fascinante.<\/p>\n<p>O problema enfrentado pelos dois estudiosos era como conseguir o tom correto de uma grava\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Sem saber como a grava\u00e7\u00e3o original soava, ficou bem complicado &#8211; ou mesmo imposs\u00edvel &#8211; afirmar que tal grava\u00e7\u00e3o estaria no tom certo. Essa era a mais antiga grava\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica gerada por computador. Em 1951, uma unidade de transmiss\u00e3o externa da BBC em Manchester usou um gravador port\u00e1til de vinil pra capturar tr\u00eas melodias tocadas por um computador.<\/p>\n<p>Hoje, tudo o que sobrou da sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o \u00e9 o tal doze polegadas. O pr\u00f3prio computador j\u00e1 foi h\u00e1 muito desmontado, ent\u00e3o a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa \u00fanica passagem pra aquele momento hist\u00f3rico. A decep\u00e7\u00e3o foi grande ao descobrir que os tons n\u00e3o eram precisos: a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00e1spera impress\u00e3o de como o computador soou. Mas com algum trabalho de detetive eletr\u00f4nico foi poss\u00edvel restaurar a grava\u00e7\u00e3o &#8211; resultando na possibilidade de todo mundo ouvir, pela primeira vez em mais de meio s\u00e9culo, o verdadeiro som que aquele computador primitivo emitiu.<\/p>\n<p>O trabalho pioneiro de Alan Turing, no final da d\u00e9cada de 1940, sobre a transforma\u00e7\u00e3o do computador em instrumento musical, tem sido largamente ignorado: \u00e9 um mito urbano do mundo da m\u00fasica que as primeiras notas musicais geradas por um computador foram ouvidas em 1957, nos laborat\u00f3rios da Bell, nos Esteites (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-tom-dissevelt-electronic-movements-1962\/\" target=\"_blank\">vale ler sobre esse outro disco pioneiro aqui<\/a>). O recente Oxford Handbook Of Computer Music clama que o primeiro computador a tocar notas musicais estava localizado em Sidney, na Austr\u00e1lia. Entretanto, o computador de Sidney n\u00e3o estava operacional at\u00e9 o fim de 1950, enquanto as notas geradas por um computador estavam saindo de um auto-falante do laborat\u00f3rio de Turing desde meados de 1948 (<em>a foto que abre este artigo \u00e9 dessa \u00e9poca<\/em>).<\/p>\n<p>O computador de Turing tinha uma instru\u00e7\u00e3o especial que fazia com que o auto-falante &#8211; que Turing chamava de &#8220;hooter&#8221; (de &#8220;buzina&#8221;, na refer\u00eancia do matem\u00e1tico) &#8211; emitisse um curto pulso de som, durando uma pequena fra\u00e7\u00e3o de segundo. Turing disse que soava como &#8220;algo entre um gotejar, um clique ou um tapa&#8221;. Executar tal instru\u00e7\u00e3o repetidamente resultou neste &#8220;clique&#8221;, a cada quatro tiques internos do computador &#8211; algo como &#8220;tique tique tique clique, tique tique tique clique, tique tique tique clique&#8221;. Da\u00ed, repetia a instru\u00e7\u00e3o tantas vezes quanto necess\u00e1rio pra que o ouvido humano percebesse n\u00e3o cliques discretos, mas uma nota constante, que aqui era um d\u00f3 duas oitavas acima do d\u00f3 normal.<\/p>\n<p>Turing percebeu que, se a instru\u00e7\u00e3o &#8220;hoot&#8221; fosse repetida n\u00e3o apenas repetidamente, mas em padr\u00f5es diferentes, ent\u00e3o o ouvido humanos perceberia notas musicais diferentes: por exemplo, o padr\u00e3o repetido &#8220;tique tique tique clique, tique tique tique tique, tique tique tique clique, tique tique tique tique&#8221; produzia um d\u00f3 uma oitava acima do d\u00f3 normal; enquanto mudar o padr\u00e3o pra &#8220;tique tique tique clique, tique tique tique clique, tique tique tique tique, tique tique tique clique, tique tique tique clique, tique tique tique tique&#8221; produzia um f\u00e1 maior com quarta, quatro notas acima do d\u00f3 m\u00e9dio &#8211; e por a\u00ed vai. Foi uma descoberta maravilhosa.<\/p>\n<p>Turing n\u00e3o estava muito interessado em programar o computador pra tocar m\u00fasicas convencionais: ele usava as notas diferentes pra indicar o que estava acontecendo no computador &#8211; uma nota pra &#8220;trabalho encerrado&#8221;, outra para &#8220;d\u00edgitos sobrecarregando a mem\u00f3ria&#8221;, &#8220;erro na transfer\u00eancia de dados pro disco magn\u00e9tico&#8221;, e assim por diante. Executar um dos programas de Turing deve ter sido um neg\u00f3cio barulhento, com diferentes notas musicais e ritmos de cliques que permitem ao usu\u00e1rio &#8220;ouvir&#8221; (como ele colocou) o que o computador estava fazendo. Ele deixou pra outra pessoa, no entanto, programar a primeira m\u00fasica completa.<\/p>\n<p>Um jovem professor chamado Christopher Strachey (morto em 1975) pegou uma c\u00f3pia do manual de programadores que Turing fez pra usar o computador Mark II de Manchester (o computador Mark II substituiu o prot\u00f3tipo Mark I, que tamb\u00e9m tocava notas, no in\u00edcio de 1951). Era o primeiro manual de programa\u00e7\u00e3o de computadores do mundo. Strachey, um talentoso pianista, estudou o manual e viu o potencial das orienta\u00e7\u00f5es concisas de Turing sobre como programar notas musicais. Prestes a se tornar um dos maiores cientistas da computa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e3-Bretanha, Strachey apareceu no laborat\u00f3rio de Turing com o que era na \u00e9poca o programa de computador mais longo que j\u00e1 havia sido tentado. Turing conhecia bem o precoce Strachey pra deix\u00e1-lo usar o computador por uma noite. &#8220;Turing entrou e me deu uma t\u00edpica descri\u00e7\u00e3o de como usar a m\u00e1quina&#8221;, relatou Strachey; e ent\u00e3o Turing partiu, deixando-o sozinho no console do computador at\u00e9 a manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p>Dois livros contam bem esse trecho da hist\u00f3ria: &#8220;Turing: Pioneer Of The Information Age&#8221;, do professor Jack Copeland, publicado em 2012; e &#8220;The Turing Guide&#8221;, pelo mesmo Copeland, com Jonathan Bowen, Robin Wilson e Mark Sprevak. Ambos citam como base a entrevista que Strachey deu a Nancy Foy, em 1974.<\/p>\n<p>&#8220;Sentei-me diante dessa enorme m\u00e1quina&#8221;, disse Strachey, &#8220;com quatro ou cinco fileiras de vinte chaves e tals, numa sala que parecia a sala de controle de um navio de batalha&#8221;. Foi a primeira de todas as sess\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o. Pela manh\u00e3, pro espanto dos espectadores, o computador tocou o hino nacional. Turing, um habitual monossil\u00e1bico, disse com entusiasmo &#8220;que show!&#8221;. Strachey dificilmente poderia pensar em uma maneira melhor de chamar a aten\u00e7\u00e3o: algumas semanas depois ele recebeu uma carta oferecendo-lhe um emprego no laborat\u00f3rio de computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A grava\u00e7\u00e3o da BBC, feita algum tempo mais tarde no mesmo ano, incluiu n\u00e3o apenas o hino nacional, mas tamb\u00e9m uma interpreta\u00e7\u00e3o cativante, embora um tanto impetuosa, da rima infantil &#8220;Baa Baa Black Sheep&#8221;, bem como uma apresenta\u00e7\u00e3o do famoso sucesso de Glenn Miller &#8220;In The Mood&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas sobre a autoria das tr\u00eas rotinas computacionais que tocaram essas melodias gravadas. Na sequ\u00eancia do <em>tour de force<\/em> de Strachey, v\u00e1rias pessoas no laborat\u00f3rio come\u00e7aram a escrever programas de m\u00fasica: at\u00e9 mesmo a rotina que tocou o hino nacional na grava\u00e7\u00e3o pode ter sido uma vers\u00e3o retocada do original de Strachey.<\/p>\n<p>Era um desafio escrever rotinas que manteriam o computador em sintonia, uma vez que o Mark II s\u00f3 poderia aproximar o verdadeiro tom de muitas notas. Por exemplo, o verdadeiro tom de sol na quarta aumentada \u00e9 196 Hertz, mas a freq\u00fc\u00eancia mais pr\u00f3xima que o Mark II poderia chegar estava bem fora da nota, em 198,41 Hertz. Descobriu-se que havia informa\u00e7\u00f5es suficientes no maravilhoso Manual de Programadores do Turing pra nos permitir calcular todas as frequ\u00eancias aud\u00edveis que o Mark II poderia produzir. No entanto, quando se fez uma an\u00e1lise de freq\u00fc\u00eancia da grava\u00e7\u00e3o da BBC em 1951 (usando a c\u00f3pia de preserva\u00e7\u00e3o digital da Biblioteca Brit\u00e2nica), os pesquisadores descobriram que as frequ\u00eancias estavam alteradas. O efeito dessas mudan\u00e7as \u00e9 t\u00e3o grave que os sons na grava\u00e7\u00e3o muitas vezes t\u00eam apenas uma rela\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria com os sons que o computador teria realmente produzido. T\u00e3o distante estava a grava\u00e7\u00e3o do original que muitas das frequ\u00eancias gravadas eram aquelas que seriam imposs\u00edveis pro Mark II tocar.<\/p>\n<p>Naturalmente, os Copeland e Long queriam descobrir o verdadeiro som do computador. Esses &#8220;tons imposs\u00edveis&#8221; na grava\u00e7\u00e3o provaram ser a chave pra chegar l\u00e1: a an\u00e1lise assistida por computador das diferen\u00e7as de freq\u00fc\u00eancia &#8211; entre os tons imposs\u00edveis e os tons reais que o computador teria tocado &#8211; revelou que a m\u00fasica gravada estava rodando numa velocidade incorreta. Isso se deu provavelmente pela plataforma girat\u00f3ria do gravador m\u00f3vel girando muito r\u00e1pido enquanto o disco de acetato estava sendo cortado: alcan\u00e7ar a const\u00e2ncia da velocidade era sempre um problema com o equipamento de grava\u00e7\u00e3o m\u00f3vel padr\u00e3o da BBC naquele tempo. Assim, quando o disco era reproduzido na velocidade padr\u00e3o de 78 rpm, as frequ\u00eancias foram sistematicamente alteradas.<\/p>\n<p>Os dois conseguiram calcular exatamente o quanto a grava\u00e7\u00e3o teve que ser acelerada pra reproduzir o som original do computador. Tamb\u00e9m filtraram o ru\u00eddo estranho \u00e0 grava\u00e7\u00e3o; e, usando um <em>software<\/em> de corre\u00e7\u00e3o de tom, puderam remover os efeitos de uma oscila\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica na velocidade da grava\u00e7\u00e3o (provavelmente pelo processo de corte de disco). E, ent\u00e3o, chegaram ao resultado final.<\/p>\n<p>O som original do computador de Turing, na primeira grava\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica gerada por computador, pode ser ouvido abaixo:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/286040117&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><\/p>\n<p>Os trechos originais dessa hist\u00f3ria foram tirados do artigo publicado em 15 de setembro de 2016 pela Biblioteca Brit\u00e2nica (<a href=\"http:\/\/blogs.bl.uk\/sound-and-vision\/2016\/09\/restoring-the-first-recording-of-computer-music.html\" target=\"_blank\">leia aqui<\/a>), hist\u00f3ria escrita e contada pelos pr\u00f3prios Copeland e Long.<\/p>\n<p>Mas e a partir da\u00ed, o quanto se avan\u00e7ou no intento das m\u00e1quinas <em>criarem<\/em> m\u00fasica &#8211; e n\u00e3o s\u00f3 executarem programas que resultem em m\u00fasica? Ou, mais longe ainda, ser\u00e1 que teremos m\u00e1quinas que, independente da manipula\u00e7\u00e3o de seres humanos, possam <em>criar<\/em> e executar m\u00fasica, algo como uma &#8220;intelig\u00eancia artificial&#8221; da m\u00fasica?<\/p>\n<p>Quase 70 anos depois dos experimentos de Turing, nos encontramos na era de &#8220;Daddy&#8217;s Car&#8221;, a primeira m\u00fasica a ser composta por Intelig\u00eancia Artificial. Sim, ela j\u00e1 existe, embora ainda numa jornada bem inicial.<\/p>\n<p>Programada pra escrever uma can\u00e7\u00e3o no estilo dos Beatles, um sistema de Intelig\u00eancia Artificial, no laborat\u00f3rio Flow Machine, em Paris, criou a melodia e a harmonia de &#8220;Daddy&#8217;s Car&#8221; depois de analisar um banco de dados de mais de treze mil faixas em diferentes estilos musicais, desde <em>jazz<\/em> e pop, at\u00e9 samba brasileiro e musicais da Broadway.<\/p>\n<p>A m\u00fasica que vem do computador-c\u00e9rebro FlowComposer \u00e9 definida pelas limita\u00e7\u00f5es definidas pra ele &#8211; uma certa nota, estrutura de acordes ou artista espec\u00edfico pra analisar, por exemplo.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 impressionante, embora alguns possam dizer que soa mais como o Super Furry Animals ou como um polido 13th Floor Elevators do que como o Fab Four (e isso pode ser \u00f3timo, na verdade). Mas com um \u00e1lbum inteiro planejado pra 2017, &#8220;Daddy&#8217;s Car&#8221; \u00e9 apenas uma dica das capacidades do FlowComposer.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o pode ser ouvida abaixo. \u00c9 um pop singelo e assobi\u00e1vel:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LSHZ_b05W7o\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mais sobre o FlowComposer voc\u00ea pode conhecer no site pr\u00f3prio, <a href=\"http:\/\/www.flow-machines.com\/leadsheetgeneration\/\" target=\"_blank\">clicando aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Aqui, um v\u00eddeo explicando as inten\u00e7\u00f5es da Flow Machine:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1rdE_0mHjjQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Estamos \u00e0 beira de uma revolu\u00e7\u00e3o neste campo&#8221;, disse Fiammetta Ghedini, pesquisadora da Flow Machines \u00e0 Fact Magazine, <a href=\"http:\/\/www.factmag.com\/2017\/02\/19\/we-are-the-robots-could-the-future-of-music-be-artificial\/\" target=\"_blank\">de onde o artigo que voc\u00ea est\u00e1 lendo tirou sua tradu\u00e7\u00e3o livre<\/a>. Ela descreve o trabalho da equipe como &#8220;um projeto n\u00e3o-comercial pra cooperar e colaborar com seres humanos pra ajudar a criar m\u00fasica&#8221;. E refor\u00e7a: o FlowComposer ainda n\u00e3o \u00e9 &#8220;independente&#8221; no ato de criar, ele ainda precisa da influ\u00eancia e ger\u00eancia humanas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 f\u00e1cil recriar quil\u00f4metros de m\u00fasica que n\u00e3o tem um come\u00e7o ou um fim&#8221;, diz Ghedini. &#8220;Mas criar uma m\u00fasica com uma ponte, uma intro, um rife e todo esse tipo de estrutura, isso \u00e9 dif\u00edcil&#8221;. Sim, a Flow Machine conseguiu criar uma melodia e uma harmonia pra &#8220;Daddy&#8217;s Car&#8221;, mas a m\u00fasica ainda precisou ser estruturada, produzida e cantada pelo compositor residente Beno\u00eet Carr\u00e9.<\/p>\n<p>Mas se o FlowComposer fosse capaz de criar m\u00fasica de forma independente, isso o torna um m\u00fasico? \u00c9 a pergunta que faz Jack Needham, autor do texto original da Fact.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 falando de Intelig\u00eancia Artificial, voc\u00ea tem que perguntar: o que um sistema de Intelig\u00eancia Artificial tem que fazer pra ser um m\u00fasico? Na ess\u00eancia, ele n\u00e3o pode simplesmente fazer o que est\u00e1 sendo dito para fazer&#8221;, diz Geraint Wiggins, professor de criatividade computacional na Queen Mary, Universidade de Londres. &#8220;Se eu colocar uma trilha na frente de m\u00fasicos profissionais e dizer-lhes pra toc\u00e1-la e eles o fizessem, por que eles estariam sendo musicalmente inteligente? Bem, porque eles estariam perguntando, &#8216;como posso interpretar tal trilha&#8217;? Ou, &#8216;devo mudar o andamento&#8217;? Eles est\u00e3o entendendo a m\u00fasica e interpretando-a, n\u00e3o apenas reproduzindo uma seq\u00fc\u00eancia de notas que voc\u00ea d\u00e1 a eles. Se uma m\u00e1quina quer produzir a m\u00fasica que soa boa aos seres humanos tem que ter alguma no\u00e7\u00e3o de como os seres humanos sentem. Hoje, os computadores podem simular nossos sentimentos, mas n\u00e3o h\u00e1 nada de art\u00edstico nisso&#8221;.<\/p>\n<p>As representa\u00e7\u00f5es da Intelig\u00eancia Artificial na cultura pop, a partir do malicioso Hal9000 em &#8220;2001: Uma Odisseia No Espa\u00e7o&#8221; at\u00e9 a Skynet de &#8220;O Exterminador Do Futuro&#8221;, sem contar a tristeza solit\u00e1ria, derivada do preconceito, do menino-rob\u00f4 em &#8220;AI &#8211; Intelig\u00eancia Artificial&#8221;, de Spielberg, sugerem que estamos c\u00e9ticos de seu potencial. Nossos encontros na vida real at\u00e9 hoje mal dissiparam nossas ansiedades &#8211; lembre-se de quando uma Intelig\u00eancia Artificial de propriedade da Microsoft evoluiu pra um <em>bot<\/em> racista do Twitter em apenas algumas horas (<a href=\"http:\/\/gizmodo.com\/here-are-the-microsoft-twitter-bot-s-craziest-racist-ra-1766820160\" target=\"_blank\">leia a bizarra hist\u00f3ria aqui<\/a>)? Mas essa mentalidade ainda pode mudar. Embora os usos musicais pra Intelig\u00eancia Artificial estejam na inf\u00e2ncia, ela j\u00e1 est\u00e1 afetando nossas vidas di\u00e1rias. Sistemas dom\u00e9sticos inteligentes como o Amazon Echo est\u00e3o fazendo tarefas anteriormente imposs\u00edveis, como ligar um <em>lightswitch<\/em> de maneira mais f\u00e1cil do que nunca (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=J-7kVhDKLnE\" target=\"_blank\">aparentemente eles t\u00eam outros usos, mas a maioria das pessoas parece mais interessada em faz\u00ea-los falar uns com os outros<\/a>), enquanto carros-sem-motorista Tesla est\u00e3o prevendo acidentes de tr\u00e2nsito antes mesmo de terem acontecido. Estamos aceitando a Intelig\u00eancia Artificial quando isso torna nossas vidas mais f\u00e1ceis, mas quando se trata de atividades criativas, n\u00e3o temos o mesmo entusiasmo.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas t\u00eam preconceito contra todas as coisas criativas produzidas por um computador&#8221;, diz Ghedini. A rea\u00e7\u00e3o ao projeto Flow Machines &#8211; <a href=\"http:\/\/www.theverge.com\/2016\/9\/26\/13055938\/ai-pop-song-daddys-car-sony\" target=\"_blank\">que a Verge chamou de &#8220;um alerta terr\u00edvel pra humanidade&#8221;<\/a> &#8211; nos mostra que a m\u00fasica criada artificialmente \u00e9 muito mais perturbadora pra n\u00f3s do que o auto-corretor ou um dispositivo qualquer que nos fa\u00e7a ganhar cinco minutos na nossa rotina matinal.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando as m\u00e1quinas v\u00e3o assumir o controle? &#8220;Estamos realmente muito perto de uma revolu\u00e7\u00e3o na Intelig\u00eancia Artificial e acho que ela vai assumir um monte de atividades humanas&#8221;, diz Ghedini. &#8220;Mas o que queremos fazer \u00e9 aumentar as possibilidades criativas sem substitu\u00ed-las, porque se deixarmos que isso aconte\u00e7a, vai ser um pouco assustador. Portanto, pra n\u00f3s, o lance \u00e9 construir uma ferramenta que permita que voc\u00ea tenha novas ideias, e n\u00e3o que substitua essas ideias&#8221;.<\/p>\n<p>O m\u00fasico Bill Baird concorda. &#8220;Voc\u00ea tem que usar a IA como uma ferramenta, n\u00e3o como um atalho&#8221;, diz o artista experimental e ex-membro do Sound Team. O \u00faltimo LP de Baird, &#8220;Summer Is Gone&#8221;, usa um algoritmo personalizado pra criar um \u00e1lbum exclusivo pra cada ouvinte, com base na sua localiza\u00e7\u00e3o exata e na hora do dia. \u00c9 uma experi\u00eancia interessante, <a href=\"http:\/\/summerisgone.live\/\" target=\"_blank\">vale muito a pena ouvir aqui<\/a>. O site avisa: &#8220;o disco que voc\u00ea est\u00e1 prestes a ouvir \u00e9 \u00fanico pra cada ouvinte&#8221;. Voc\u00ea clica e ele toca por uma hora. A partir da\u00ed, \u00e9 outro disco, embora seu local seja o mesmo (mas se voc\u00ea leitor estiver na cidade vizinha, o disco tamb\u00e9m ser\u00e1 outro), isso porque, como avisa o site, &#8220;nenhum momento se repetir\u00e1 novamente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como um monte de pinos em uma fechadura&#8221;, ele explica (ou tenta explicar). &#8220;Ele usa um termo matem\u00e1tico chamado fatoriais &#8211; cada vez que algu\u00e9m se loga gera uma seq\u00fc\u00eancia aleat\u00f3ria que \u00e9, em seguida, ligada a um banco de dados e memorizado&#8221;. Com cada reprodu\u00e7\u00e3o, uma nova seq\u00fc\u00eancia \u00e9 criada e cruzada com a base de dados pra formar um padr\u00e3o musical \u00fanico. &#8220;Eu acho que a tecnologia \u00e9 muito mais interessante quando voc\u00ea cria algo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel usando meios normais&#8221;, argumenta. &#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 tentando recriar algo que voc\u00ea pode fazer na vida real, ent\u00e3o qual \u00e9 o prop\u00f3sito?&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m ser criativo pra experimentar. \u00c9 preciso ter bagagem, viv\u00eancia. Baird criou seu projeto a partir da sua experi\u00eancia pr\u00f3pria como m\u00fasico. Seu marco nasceu da sua viv\u00eancia e sentimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Daddy&#8217;s Car&#8221;, a m\u00fasica criada pelo FlowComposer, \u00e9 um marco pra IA, s\u00f3 que o objetivo da Flow Machine n\u00e3o \u00e9 apenas reorganizar o passado artificialmente, mas ajudar os seres humanos a criarem m\u00fasica pro futuro &#8211; pelo menos em teoria. Intelig\u00eancia Artificial poderia ser apenas mais um avan\u00e7o tecnol\u00f3gico usado pra fazer m\u00fasica, o pr\u00f3ximo passo al\u00e9m de baterias eletr\u00f4nicas, sintetizadores e mesas de som digitais em nossos quartos. E se voc\u00ea pudesse realizar uma <em>jam session<\/em> em casa com uma banda artificialmente inteligente? Ou criar um improvisado show ao vivo que reage em tempo real com uma multid\u00e3o? O potencial pra m\u00fasicos amadores e profissionais seria enorme.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que o impacto social ser\u00e1 que os companheiros de composi\u00e7\u00e3o artificialmente inteligentes nos estimular\u00e3o a experimentar coisas novas&#8221;, diz Wiggins. Na verdade, este m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica j\u00e1 est\u00e1 sendo usado. No ano passado, &#8220;No Man&#8217;s Sky&#8221;, o intermin\u00e1vel e sempre em evolu\u00e7\u00e3o jogo de explora\u00e7\u00e3o, veio com uma trilha sonora igualmente expansiva do 65daysofstatic, de Sheffield. Usando uma s\u00e9rie complexa de algoritmos pra marcar o jogo de 585 bilh\u00f5es de anos, a trilha sonora n\u00e3o s\u00f3 se regenera em formas novas e in\u00e9ditas \u00e0 medida que o jogo avan\u00e7a, mas tamb\u00e9m responde a mudan\u00e7as na jogabilidade &#8211; por exemplo, onde a m\u00fasica que induz ao medo \u00e9 necess\u00e1ria, num momento tenso, ela surge.<\/p>\n<p>Mas, tanto quanto a Intelig\u00eancia Artificial poderia ser usada para ajudar os seres humanos a criar formas art\u00edsticas mais complexas, tamb\u00e9m poderia reduzir nossas cargas de trabalho. Como o sucesso de &#8220;Daddy&#8217;s Car&#8221; indica, h\u00e1 um \u00f3bvio potencial da IA ser desenvolvida pra <em>ghostwriting<\/em>, ou mesmo pra criar uma aut\u00f4noma estrela pop virtual. &#8220;Cada gera\u00e7\u00e3o tem o seu equivalente&#8221;, diz Wiggins sobre <em>ghostwriting<\/em>. &#8220;A m\u00fasica popular tende a ser muito estruturada. Se voc\u00ea olhar pra m\u00fasica <em>trance<\/em>, \u00e9 muito predefinida e tende a ter exatamente a mesma estrutura, de modo que \u00e9 muito poss\u00edvel replicar com bastante facilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que o que seria muito mais impressionante \u00e9 se da Intelig\u00eancia Artificial surgisse uma nova forma musical: &#8220;\u00e9 f\u00e1cil pros programas aprenderem uma seq\u00fc\u00eancia de acordes ou harmonizarem uma melodia, mas conseguir um que diga o que a estrutura de uma m\u00fasica deve ser \u00e9 realmente <em>a grande coisa<\/em>. Isso \u00e9 sem d\u00favida a diferen\u00e7a entre recriar m\u00fasica popular e criar m\u00fasica art\u00edstica&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, por enquanto, a IA n\u00e3o pode replicar o lirismo politicamente carregado de um verso de Yasiin Bey\/Mos Def, ou a imagina\u00e7\u00e3o caleidosc\u00f3pica de Bj\u00f6rk &#8211; mas o mimetismo pode n\u00e3o estar onde o potencial musical da IA est\u00e1. A Intelig\u00eancia Artificial n\u00e3o vai nos trazer o pr\u00f3ximo Miles Davis ou Philip Glass, mas poderia ser usada por uma nova gera\u00e7\u00e3o de artistas pra se dar conta de ideias que eram antes imposs\u00edveis. Enquanto a IA ainda est\u00e1 em sua inf\u00e2ncia, ela j\u00e1 est\u00e1 sendo usada pra levar a m\u00fasica a um territ\u00f3rio desconhecido &#8211; e n\u00e3o h\u00e1 nada a GOLPISTA. Assim como a realidade virtual n\u00e3o \u00e9 um substituto pro nosso ambiente natural, mas uma maneira de aument\u00e1-lo, a Intelig\u00eancia Artificial poderia ser o pr\u00f3ximo salto tecnol\u00f3gico em nossa criatividade.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-mais-antigo-instrumento-musical\/\" title=\"O MAIS ANTIGO INSTRUMENTO MUSICAL\">O MAIS ANTIGO INSTRUMENTO MUSICAL<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-musica-mais-antiga-da-historia\/\" title=\"A M\u00daSICA MAIS ANTIGA DA HIST\u00d3RIA\">A M\u00daSICA MAIS ANTIGA DA HIST\u00d3RIA<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando pensamos nos prim\u00f3rdios do relacionamento entre humanos, m\u00e1quinas e m\u00fasica, talvez venha \u00e0 cabe\u00e7a o pop do Kraftwerk ou paisagens sonoras de Delia Derbyshire, [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":47963,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2363,1144],"tags":[2399,2398,2426],"class_list":["post-47958","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-especiais","tag-65daysofstatic","tag-bill-baird","tag-historia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/turing1.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-ctw","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47958\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47963"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}