{"id":48024,"date":"2017-03-10T11:53:29","date_gmt":"2017-03-10T14:53:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=48024"},"modified":"2017-05-05T15:44:30","modified_gmt":"2017-05-05T18:44:30","slug":"camille-claudel-camille-claudel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/camille-claudel-camille-claudel\/","title":{"rendered":"CAMILLE CLAUDEL &#8211; CAMILLE CLAUDEL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"48026\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/camille-claudel-camille-claudel\/camilleclaudel1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"camilleclaudel1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-48026\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>CAMILLE CLAUDEL<\/strong>, a banda, finalmente chega ao primeiro disco, hom\u00f4nimo, vinte e tr\u00eas anos depois de iniciar suas atividades, em 1994, em Volta Redonda.<\/p>\n<p>O grupo \u00e9 um retrato fiel das dificuldades de mercado dos artistas subterr\u00e2neos brasileiros, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, exp\u00f5e a facilidade (e a salva\u00e7\u00e3o) que os novos tempos e tecnologias oferecem pra quem n\u00e3o tinha como, nem por onde, gravar naqueles \u00e1rduos anos.<\/p>\n<p>O grupo, de \u00f3bvia homenagem \u00e0 escultora francesa, nasceu com Frederico Griman, Henry Farani e os irm\u00e3os Maria Stella e Bruno Ribeiro. Mais de duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, com alguns shows no curr\u00edculo e nenhuma grava\u00e7\u00e3o (pelo elevado custo), o caminho foi a dissolu\u00e7\u00e3o. Pra, ent\u00e3o, renascer em 2013 com nova forma\u00e7\u00e3o e novas possibilidades.<\/p>\n<p>O quarteto agora \u00e9 Frederico Griman (guitarra e vocal), Luiza Griman (baixo), Rafael In\u00e1cio (guitarra) e Daniela Magalh\u00e3es (bateria) e o primeiro disco apareceu, esse &#8220;Camille Claudel&#8221;, de forma independente, dia 5 de mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, a banda foi soltando <em>singles<\/em>, se ambientando \u00e0 nova era. Shows foram alguns, com v\u00e1rias bandas ilustres do subterr\u00e2neo nacional, de Lupe De Lupe a The John Candy (duas das preferidas aqui da casa). Houve at\u00e9 a participa\u00e7\u00e3o em um longa colet\u00e2nea-tributo ao My Bloody Valentine (<a href=\"https:\/\/theblogthatcelebratesitself.bandcamp.com\/album\/forever-and-again-a-tribute-to-my-bloody-valentine\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), com uma m\u00fasica que tamb\u00e9m entrou no disco, &#8220;What You Want&#8221;.<\/p>\n<p>No \u00e1lbum de oito can\u00e7\u00f5es, todas produzidas por Bruno Giacomim e gravadas num est\u00fadio caseiro (agrade\u00e7amos \u00e0s facilidades tecnol\u00f3gicas, pois!), o grupo tenta equilibrar suas influ\u00eancias diversas e escapar do r\u00f3tulo auto-imposto de <em>shoegaze<\/em> &#8211; o Bandcamp da banda \u00e9 &#8220;Camille Claudel shgzr&#8221;.<\/p>\n<p>Nas declaradas influ\u00eancias, al\u00e9m da \u00f3bvia My Bloody Valentine, est\u00e3o Sonic Youth, Deafheaven, Tom Jobim e Cartola. As guitarras, por\u00e9m, lutam pra se desvencilhar da sombra de Kevin Shields. Em alguns momentos, \u00e9 homenagem pura, como em &#8220;O Que Voc\u00ea quer (What You Want)&#8221; e &#8220;Shoegazer&#8221; (que n\u00e3o poderia ser de outra forma), e tais homenagens funcionam muito bem. Em outros, ainda h\u00e1 que aparar arestas, embora seja louv\u00e1vel a amplitude que se tenta &#8211; pesando a m\u00e3o no final, digamos, <em>black metal<\/em> de &#8220;C\u00e9u Laranja&#8221;, e nas estripulias deliciosamente saudosistas p\u00f3s-punk oitentistas de &#8220;Porta Do Inferno&#8221;.<\/p>\n<p>O disco come\u00e7a muito bem com &#8220;Porta Do Inferno&#8221; emulando o p\u00f3s-punk cru e rasgado do The Fall (com uma letra megafonada emitindo um \u00fanico verso: &#8220;Nada faz sentido. Tudo se desfaz.&#8221;), o experimentalismo do Sonic Youth (na segunda parte declamada) e nas guitarras rasgadas do MBV no interc\u00e2mbio entre as partes. Parece uma salada sem nexo, mas a banda conseguiu a proeza de deixar tudo encaixadinho.<\/p>\n<p>&#8220;Balada Borderline&#8221; vem na sequ\u00eancia e quase p\u00f5e tudo a perder: uma letra em portugu\u00eas, inocente, sem nenhum atrativo, al\u00e9m do vocal acima da altura &#8220;desejada&#8221;. Lembrou algumas das bandas p\u00f3s-punk subterr\u00e2neas dos anos 1980, como Hojerizah e Finis Africae. Poderia ser um elogio, mas \u00e9 poss\u00edvel que a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o passasse no crivo nem delas.<\/p>\n<p>Por sorte, esse \u00e9 o (\u00fanico?) ponto baixo do disco. &#8220;Camille Claudel&#8221; segue numa vibrante ascens\u00e3o a partir da\u00ed. &#8220;C&#8217;mon Die Young&#8221; \u00e9 um <em>shoegaze<\/em> que recebeu muito bem o vocal de Griman, por tr\u00e1s das distor\u00e7\u00f5es. &#8220;Novo Qualquer&#8221; consegue a mesma fa\u00e7anha, com letra em portugu\u00eas (tamb\u00e9m sem atrativos), num <em>shoegaze-pop<\/em> pra tocar em FM, o que \u00e9 um baita feito, visto que a maior nega\u00e7\u00e3o ao estilo \u00e9 a premissa de que &#8220;todas as m\u00fasicas soam iguais&#8221;. No caso de &#8220;Novo Qualquer&#8221;, com sua voca\u00e7\u00e3o ao acess\u00edvel, ainda faz uma segunda nega\u00e7\u00e3o, dessa vez \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, com um final amplo.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a o disco na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 406px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1556413086\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/camilleclaudelshgzr.bandcamp.com\/album\/camille-claudel\">Camille Claudel by Camille Claudel shgzr<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;C\u00e9u Laranja&#8221; \u00e9 talvez a melhor can\u00e7\u00e3o dessa cole\u00e7\u00e3o. Mais uma vez, a produ\u00e7\u00e3o deixou o vocal de Griman em segundo plano, com as guitarras se arrastando, ao melhor estilo Shields, e a bateria tocando uma <em>outra<\/em> can\u00e7\u00e3o (ali\u00e1s, que baterista sagaz tem essa banda!). Por\u00e9m, o melhor est\u00e1 no trecho final da m\u00fasica. Camille Claudel mostra que <em>shoegaze<\/em> n\u00e3o \u00e9 tudo igual, nem um estilo fechado em si. Com os vocais guturais, uma bateria acelerada e a guitarra que se mant\u00e9m como se nada estivesse acontecendo, a banda afaga algo como um <em>blackgaze<\/em>, que logo \u00e9 cortado por um pianinho alentador.<\/p>\n<p>H\u00e1, nessa mesma linha, o final de &#8220;O Que Voc\u00ea quer (What You Want)&#8221;, s\u00f3 que aqui a mistura \u00e9 de m\u00fasica popular brasileira. Embora remeta aos belos dedilhados do Durutti Column, a guitarra tem uma ginga triste e melanc\u00f3lica, algo bossa nova, que Shields jamais imaginaria em sua can\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Talvez um vocal feminino mais suave (que desse molho \u00e0s letras pouco inspiradas), talvez experimenta\u00e7\u00f5es mais radicais entre estilos, talvez com mais ousadia no desvencilhamento das amarras do <em>shoegaze<\/em>&#8230; A banda visualizou um caminho. A partir da\u00ed, conseguir\u00e1 fazer explodir sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, como Claudel, a escultura, conseguiu com rela\u00e7\u00e3o a Rodin?<\/p>\n<p>A homenagem n\u00e3o pode ser \u00e0 toa.<\/p>\n<p>1. Porta Do Inferno<br \/>\n2. Balada Borderline<br \/>\n3. C&#8217;mon Die Young<br \/>\n4. You&#8217;re Always In The Heart<br \/>\n5. Novo Qualquer<br \/>\n6. C\u00e9u Laranja<br \/>\n7. Shoegazer<br \/>\n8. O Que Voc\u00ea quer (What You Want)<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"48025\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/camille-claudel-camille-claudel\/camilleclaudel-camilleclaudel\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"camilleclaudel-camilleclaudel\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-48025\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/camilleclaudel-camilleclaudel.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-shoegaze-brasileiro-atual-em-dez-bandas\/\" title=\"O SHOEGAZE BRASILEIRO ATUAL EM DEZ BANDAS\">O SHOEGAZE BRASILEIRO ATUAL EM DEZ BANDAS<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAMILLE CLAUDEL, a banda, finalmente chega ao primeiro disco, hom\u00f4nimo, vinte e tr\u00eas anos depois de iniciar suas atividades, em 1994, em Volta Redonda. 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