{"id":49040,"date":"2017-06-26T11:30:29","date_gmt":"2017-06-26T14:30:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49040"},"modified":"2022-12-06T17:29:14","modified_gmt":"2022-12-06T20:29:14","slug":"de-bowie-a-vogue-a-auto-destruicao-de-gia-carangi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/de-bowie-a-vogue-a-auto-destruicao-de-gia-carangi\/","title":{"rendered":"DE BOWIE \u00c0 VOGUE: A AUTO-DESTRUI\u00c7\u00c3O DE GIA CARANGI"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49043\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/de-bowie-a-vogue-a-auto-destruicao-de-gia-carangi\/gia2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia2.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"gia2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia2.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-49043\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia2.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia2.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>Texto: Cristiano Bastos<\/strong><\/p>\n<p>O <em>showbusisness<\/em> \u00e9 uma varinha de cond\u00e3o com dupla magia: feiti\u00e7o que produz fama e trag\u00e9dia quase na mesma medida. Uma legi\u00e3o de almas j\u00e1 escoaram pelo ralo do <em>mainstream<\/em>. Mas, das c\u00e9lebres vidas ceifadas por excessos, quantas partiram de verdade seu cora\u00e7\u00e3o? Poucas hist\u00f3rias superam em tristeza a apressada trajet\u00f3ria, na vida e nas passarelas, da modelo norte-americana Gia Marie Carangi (1960-1986). A morte de Gia, v\u00edtima das consequ\u00eancias da AIDS, da fama, do v\u00edcio em hero\u00edna &#8211; e especialmente de si mesma &#8211; j\u00e1 tem mais de trinta anos.<\/p>\n<p>Gia teve uma carreira t\u00e3o curta e glamourosa e um final t\u00e3o infeliz e degradante que, na fic\u00e7\u00e3o, nem o \u00f3bito misterioso da personagem fict\u00edcia Laura Palmer aproxima-se dos requintes de degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica e moral auto-indulgidos pela modelo. Perto do hecatombe pessoal de Gia, as mortes de Kurt Cobain e Sid Vicious, dois dos mais aclamados \u00edcones da heroinomania, s\u00e3o brincadeiras est\u00fapidas de dois descerebrados. Gia \u00e9 dessas almas perdidas que gostar\u00edamos de incluir em nossas preces di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em 1977, aos 17 anos, Gia Carangi, uma ex-caixa de lanchonete da Filad\u00e9lfia, vai pra Nova Iorque apostar na carreira de modelo. Sua ida ao topo foi veloz. Em menos de um ano, sua beleza desnuda (cuja pele, considerada perfeita, poucas vezes era preciso maquiar) ganhou as capas da Cosmopolitan, Glamour e Vogue, as mais importantes revistas de moda do mundo.<\/p>\n<p>No intervalo de quatro anos, tempo que sua carreira durou, Gia representou marcas famosas, como Christian Dior, Giorgio Armani, Levi&#8217;s e Yves Saint Laurent. Foi a modelo favorita dos fot\u00f3grafos Francesco Scavullo e Richard Avedon e a mais requisitada dos estilistas Gianni Versace e Diana Von Fustemberg.<\/p>\n<p>Em abril de 79, a carreira de Gia decolou de vez quando estrelou na capa da Vogue Paris, fotografada por Chris Von Wangenheim. Nessa sess\u00e3o, conheceu Sandy Linter, que trabalhava como assistente e com a qual teve ardente (e pol\u00eamico) caso de amor dos bastidores da moda.<\/p>\n<p>Nos anos 80, Gia causou rebuli\u00e7o na pele da primeira mulher a desfilar com roupas masculinas e, tamb\u00e9m, por aparecer no est\u00fadio de cara lavada vestida num velho jeans rasgado. \u00c0 paisana, pra ressaltar seu lesbianismo Gia vestia-se com indument\u00e1rias masculinas; por debaixo da roupa, por\u00e9m, escondia-se o corpo feminino mais lindo que sua gera\u00e7\u00e3o podia oferecer pra esse mundo da moda excessivamente f\u00fatil e opressivo que temos at\u00e9 hoje e que estava nascendo ali.<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 70, literalmente, o universo da moda ainda estava &#8220;dentro do arm\u00e1rio&#8221;. Gia foi a primeira modelo a assumir-se como homossexual. Entretanto, segundo confessou em seu di\u00e1rio, sua vida teria sido inteiramente diferente se, no fim das contas, gostasse de homens. Muitas pessoas que cruzaram pela vida de Gia e descreveram-na como mulher de enorme presen\u00e7a \u2013 a mais linda e <em>cool<\/em> da sua \u00e9poca. Por outro lado, sua vulnerabilidade psicol\u00f3gica era ainda mais not\u00f3ria.<\/p>\n<p>A morte de sua amiga e agente, Wilhelmina Cooper (de c\u00e2ncer no pulm\u00e3o), em 1980, devastou a fr\u00e1gil psiqu\u00ea de Gia. Foi quando come\u00e7ou a se revolver na areia movedi\u00e7a da depend\u00eancia qu\u00edmica. De acordo com a biografia <a href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/p\/livros\/biografias\/moda\/thing-of-beauty-291997\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Thing Of Beauty&#8221;, de Stephen Fried<\/a>, provavelmente o fato alterou todo o curso de sua vida, &#8220;transformando seus dias num inferno de drogas&#8221;. Hoje, apreciando suas fotos, \u00e9 dif\u00edcil perceber que mulher t\u00e3o linda como Gia dissimulasse v\u00edcio t\u00e3o infeliz.<\/p>\n<p>Os problemas enfrentados pela da <em>top model<\/em> tem g\u00eanese nos traumas de inf\u00e2ncia: ainda crian\u00e7a, sua m\u00e3e abandonou lar e marido. A bipolaridade extrema (nunca tratada) &#8211; oscilante entre picos de felicidade e tormentas emocionais &#8211; foi a porta de entrada da infernal <em>trip junkie<\/em> na qual, sem volta, jogou-se a modelo.<\/p>\n<p>Celebridade, logo Gia virou <em>habitu\u00e9<\/em> do Studio 54, clube novaiorquino onde a <em>drogadi\u00e7\u00e3o<\/em> rolava solta na fritura hedonista da era disco. N\u00e3o tardou pra introduzir-se na coca\u00edna e, bem r\u00e1pido, foi apresentada \u00e0 hero\u00edna. Se n\u00e3o estava louca de coca ou her\u00f4, Carangi chapava-se de ambas as subst\u00e2ncias &#8211; o <em>speedball<\/em>, combina\u00e7\u00e3o perigosa que fazia a cabe\u00e7a de seu maior \u00eddolo: David Bowie.<\/p>\n<p>Como ressalta Fried na biografia, quando adolescente, Carangi foi uma &#8220;Bowie Kid&#8221;: &#8220;em 1973, ser um &#8216;Bowie Kid&#8217; era ato de rebeldia individual completa, com seu pr\u00f3prio grupo de apoio subcultural. &#8216;Indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00f3xima \u00e0 piedade&#8217;, diziam. O \u00e1lbum conceitual que Bowie lan\u00e7ou em 1972, &#8216;The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars&#8217; (e a hist\u00f3ria de capa da Rolling Stone e a turn\u00ea estadunidense) tornaram-no um fen\u00f4meno internacional. Mas ele estava gravando na Inglaterra desde 1966, e ele estava usando vestidos em capas de discos e publicamente declarando sua bi-ou-homo-sexualidade (dependendo de como a presen\u00e7a de sua esposa Angie era interpretada) desde 1971&#8221;. Isso mexia em meninas como Gia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G8sdsW93ThQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Um dia&#8221;, escreve Fried, &#8220;uma garota chamada Karen Karuza estava saindo da aula e teve um a vis\u00e3o que a surpreendeu. Era umagarota da sua idade, Gia, aos quatorze anos, s\u00f3 que mais alta, usando um macac\u00e3o de cetim vermelho e botas vermelhas brilhantes, com plataformas pretas. Ela usava o cabelo grosso cortado e murchado nas costas. Parecia que um bon\u00e9 havia sido colado em seu couro cabeludo. A menina fez contato visual e se aproximou dela&#8230; E passou pra ela um envelope, saindo fora em seguido. No envelope, havia um cart\u00e3o com a imagem de David Bowie. Atr\u00e1s, rabiscado, a mensagem: &#8216;porque voc\u00ea me lembra a Angie&#8217; &#8211; que qualquer f\u00e3 reconheceria como uma refer\u00eancia \u00e0 esposa do astro. No dia seguinte, a garota alta estava aguardando novamente na sala de aula de Karen. E ela continuou a voltar todos os dias depois disso. Em pouco tempo, eram amigas, e sua rela\u00e7\u00e3o &#8211; e roupas &#8211; eram t\u00f3pico constante dos coment\u00e1rios e alunos da escola. Como Bowie, eram como mulheres que &#8216;ca\u00edram na Terra&#8217; (<em>o autor faz refer\u00eancia ao filme de Nicolas Roeg,&#8217; The Man Who Fell To Earth&#8217;, com Bowie, de 1976<\/em>)&#8221;.<\/p>\n<p>O autor sublinha a quest\u00e3o Bowie de um jeito que traduz a pr\u00f3pria Gia de anos mais tarde: &#8220;Ziggy era simplesmente a embalagem mais bem sucedida dos temas b\u00e1sicos do Bowie de vinte e seis anos: aliena\u00e7\u00e3o, androginia, extraterrestre, valores. E seu ato altamente teatral era a inova\u00e7\u00e3o perfeita no mundo do rock (&#8230;) Havia &#8216;Bowie Kids&#8217; por todo o EUA e Inglaterra. Em cada munic\u00edpio e sub\u00farbio, um certo n\u00famero de pessoas havia ouvido falar de Bowie &#8211; ou de seu personagem, Ziggy &#8211; expressando qualquer coisa que os fizesse sentir diferentes: sua sexualidade, sua aspira\u00e7\u00e3o intelectual, sua insatisfa\u00e7\u00e3o e sua rebeldia. Era <em>marketing<\/em> de massa pra aqueles que queriam estar separados das massas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Pra Gia, Bowie e a adolesc\u00eancia estavam interligados. Seu primeiro corte de cabelo &#8211; a primeira vez que p\u00f4de escolher um corte de cabelo &#8211; era um corte <em>a la<\/em> Bowie, quase perfeitamente replicando <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pin_Ups\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o olhar dele na capa de &#8216;Pin Ups&#8217;<\/a> (de 1973)&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p>A primeira experi\u00eancia dela com maquiagem tamb\u00e9m est\u00e1 intimamente ligada a Bowie. Ela e sua tia ficaram a tarde inteira ouvindo discos do cantor e tentando fazer o famoso raio que se v\u00ea na capa de Aladdin Sane, tamb\u00e9m de 1973.<\/p>\n<p>O autor n\u00e3o diz se, depois de famosa, ela chegou a se encontrar com ele pessoalmente. Mas ela teve seus contatos no mundo da m\u00fasica, como era de se esperar.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo de &#8220;Atomic&#8221;, do Blondie, ela aparece em quatro momentos, com seus cabelos compridos, balan\u00e7ando a cabe\u00e7a com f\u00faria (aqui, pra identifica\u00e7\u00e3o, nas minutagens 1.51, 2.34, 3.15 e 3.55):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_sZOAla71xU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Gia, de 1,70m, teve dois importantes t\u00edtulos. Um deles foi ser a primeira modelo da hist\u00f3ria a ser chamada de &#8220;super <em>top model<\/em>&#8220;. Na linha cronol\u00f3gica do fashionismo, ela \u00e9 m\u00e3e de Gisele B\u00fcndchen e madrinha de Cindy Crawford. A semelhan\u00e7a entre as duas era t\u00e3o not\u00e1vel que, na estreia, Crawford recebeu o apelido de &#8220;Baby Gia&#8221;. Na incipi\u00eancia devastadora da AIDS, Gia foi a primeira &#8220;mulher famosa&#8221; diagnosticada com o v\u00edrus nos Estados Unidos, v\u00edrus contra\u00eddo pelo compartilhamento de seringas.<\/p>\n<p>O v\u00edcio custou carreira, dinheiro e, por fim, a vida de Gia Carangi. No auge do sucesso, numa \u00fanica temporada, a modelo chegou receber cach\u00ea de US$ 750 mil &#8211; cifra elevad\u00edssima pros padr\u00f5es da ind\u00fastria da moda no \u00e1ureos anos 80. O cach\u00ea di\u00e1rio de Gia, em m\u00e9dia, era de US$ 10 mil. No fim da carreira, em 1984, n\u00e3o lhe sobrara um m\u00edsero tost\u00e3o. Come\u00e7ou a prostituir-se com homens pra conseguir dinheiro pras drogas. Na sarjeta, foi preciso declarar-se indigente pra tratar sua doen\u00e7a no sistema p\u00fablico de sa\u00fade. No final da doen\u00e7a, que, em dois anos, a devastou completamente, os m\u00fasculos de Gia descolaram-se inteiramente do corpo.<\/p>\n<p>A carreira de Gia come\u00e7ou a ruir quando, durante uma sess\u00e3o de fotos, as marcas de picadas foram descobertas em seus bra\u00e7os. Foi o fim de sua carreira. A modelo passou pra lista negra do mercado da moda. A capa da Cosmopolitan (<em>veja abaixo<\/em>) foi a \u00faltima apari\u00e7\u00e3o de Gia numa publica\u00e7\u00e3o especializada. O fot\u00f3grafo e amigo Francesco Scavullo teve de for\u00e7ar a barra pra que Cosmopolitan publicasse o ensaio de Gia na edi\u00e7\u00e3o de abril de 1982. Note que a foto esconde os bra\u00e7os de Gia por tr\u00e1s do vestido. Essa hist\u00f3ria \u00e9 retratada na premiad\u00edssima cinebiografia da HBO &#8220;Gia \u2013 Destrui\u00e7\u00e3o E Fama&#8221; (&#8220;Gia&#8221;, lan\u00e7ado em 1998, com dire\u00e7\u00e3o de Michael Cristofer).<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49042\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/de-bowie-a-vogue-a-auto-destruicao-de-gia-carangi\/gia1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia1.jpg?fit=539%2C763\" data-orig-size=\"539,763\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"gia1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia1.jpg?fit=539%2C763\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia1.jpg?resize=539%2C763\" width=\"539\" height=\"763\" class=\"alignnone size-full wp-image-49042\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia1.jpg?w=539 539w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gia1.jpg?resize=212%2C300 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><\/p>\n<p>No Brasil, o telefilme foi lan\u00e7ado diretamente em v\u00eddeo. Merecidamente, Angelina Jolie, que interpretou a modelo, ganhou o Globo de Ouro pela atua\u00e7\u00e3o, e alavancou sua carreira de atriz. Ela mostra porque sua bissexualidade fez fama em cenas ousadas em uma produ\u00e7\u00e3o televisiva &#8211; t\u00e3o picantes que cerca de seis minutos de cenas foram cortadas; e s\u00e3o achadas apenas na vers\u00e3o alongada do filme. A escolha de Jolie pro papel foi a mais acertada poss\u00edvel. N\u00e3o lembro de nenhuma atriz em Hollywood que re\u00fana beleza e personalidade complexa pra representar uma vida t\u00e3o perturbada como a de Gia.<\/p>\n<p>Drogas e moda s\u00e3o velha combina\u00e7\u00e3o, tanto quanto s\u00e3o drogas e m\u00fasica. Antes de Gia, a musa de Andy Warhol, a modelo e socialite norte-americana Edie Sedgwick enlouqueceu at\u00e9 morrer abusando de rem\u00e9dios e de drogas psicod\u00e9licas. Sua hist\u00f3ria \u00e9 contada no filme &#8220;Uma Garota Irresist\u00edvel&#8221; (Factory Girl, de 2006, dire\u00e7\u00e3o de George Hickenlooper), com Sienna Miller no papel de Edie.<\/p>\n<p>Um document\u00e1rio lan\u00e7ado em 2003, com dire\u00e7\u00e3o de J.J. Martin, &#8220;The Self-Destruction of Gia&#8221;, tamb\u00e9m \u00e9 uma importante fonte de informa\u00e7\u00e3o sobre ela.<\/p>\n<p>Aqui, um trecho com entrevista dela:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1ON7YHUmtqM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em 1997, a morte do fot\u00f3grafo de moda Davide Sorrenti por <em>overdose<\/em> de hero\u00edna, aos 20 anos de idade, escancarou o tem\u00e1rio das drogas pesadas nas manchetes dos jornais. Na \u00e9poca, sua namorada era a modelo adolescente James King. Ela tinha 14 anos quando lhe ofereceram hero\u00edna numa sess\u00e3o de fotos: &#8220;eu vivia cercada por drogas. Era algo que estava sempre presente. O editor, o fot\u00f3grafo, todo o mundo fumava ou injetava drogas&#8221;, revelou King.<\/p>\n<p>A hero\u00edna gozou seu &#8220;momento fashion&#8221;, em 1993, com a chegada da moda <em>grunge<\/em>. Fotografada pela Vogue brit\u00e2nica, Kate Moss tornou-se o rosto do &#8220;heroin chic&#8221;. Algumas modelos afirmam que nunca viram drogas sendo consumidas no mundo da moda. &#8220;Ou\u00e7o boatos, mas nunca vi&#8221;, disse Cindy Crawford &#8211; a Baby Gia.<\/p>\n<p>Hoje, Gia Marie Carangi \u00e9 mais conhecida por ter sido dependente de hero\u00edna e morrido das consequ\u00eancias da AIDS do que, exatamente, pelo seu trabalho. No final da vida, Gia queria essa hist\u00f3ria fosse contada pra que outras pessoas tivessem a oportunidade de aprender com a trag\u00e9dia. Dessa forma, nem tudo teria sido em v\u00e3o. Do mundo da moda, ningu\u00e9m compareceu ao funeral.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Um clipe de imagens dela, com &#8220;Beautiful&#8221;, do Goldfrapp:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ak42tLk4EVs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Cristiano Bastos \u00e9 jornalista. Autor dos livros &#8220;Gauleses Irredut\u00edveis&#8221; e &#8220;Julio Reny \u2013 Hist\u00f3rias De Amor &#038; Morte&#8221;. Atualmente biografa, ao lado do jornalista Pedro Brandt, o artista J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3. Em paralelo, trabalha na biografia &#8220;Metralha&#8221;, ao lado do quadrinista bissexto M\u00e1rcio Jr (um dos criadores da Monstro Discos) e do ilustrador Gabriel Renner, sobre o mitol\u00f3gico cantor Nelson Gon\u00e7alves. Tamb\u00e9m dirigiu, ao lado de Leonardo Bomfim, o &#8220;road doc&#8221; &#8220;Nas Paredes Da Pedra Encantada&#8221; (em DVD pela Monstro Filmes), sobre o \u00e1lbum &#8220;Pa\u00eabir\u00fa \u2013 Caminho Da Montanha Do Sol&#8221; (1974), de Lula C\u00f4rtes e Z\u00e9 Ramalho. O texto acima foi publicado originalmente em 24 de novembro de 2008 em seu antigo blogue (<a href=\"http:\/\/zuboski.blogspot.com.br\/2008\/11\/o-showbissnes-uma-varinha-de-condo-com.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">original aqui<\/a>). A publica\u00e7\u00e3o aqui foi revisada pelo pr\u00f3prio Cristiano Bastos, especialmente pro <strong>Floga-se<\/strong> e estar\u00e1 no livro &#8220;Nova Carne \u2013 Para Moer&#8221;, que reunir\u00e1 20 anos de produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica escrevendo pra ve\u00edculos como Rolling Stone, Bizz, Aplauso etc.<\/em><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-john-cale-night-crawling\/\" title=\"OU\u00c7A: JOHN CALE &#8211; NIGHT CRAWLING\">OU\u00c7A: JOHN CALE &#8211; NIGHT CRAWLING<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-duran-duran-five-years-david-bowie-cover\/\" title=\"V\u00cdDEO: DURAN DURAN &#8211; FIVE YEARS (DAVID BOWIE COVER)\">V\u00cdDEO: DURAN DURAN &#8211; FIVE YEARS (DAVID BOWIE COVER)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-duran-duran-five-years-david-bowie-cover\/\" title=\"OU\u00c7A: DURAN DURAN &#8211; FIVE YEARS (DAVID BOWIE COVER)\">OU\u00c7A: DURAN DURAN &#8211; FIVE YEARS (DAVID BOWIE COVER)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/10-videos-em-versao-lego\/\" title=\"10 V\u00cdDEOS EM VERS\u00c3O LEGO\">10 V\u00cdDEOS EM VERS\u00c3O LEGO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-the-flaming-lips-peace-on-earth-little-drummer-boy\/\" title=\"V\u00cdDEO: THE FLAMING LIPS &#8211; PEACE ON EARTH\/LITTLE DRUMMER BOY\">V\u00cdDEO: THE FLAMING LIPS &#8211; PEACE ON EARTH\/LITTLE DRUMMER BOY<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Cristiano Bastos O showbusisness \u00e9 uma varinha de cond\u00e3o com dupla magia: feiti\u00e7o que produz fama e trag\u00e9dia quase na mesma medida. 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