{"id":49051,"date":"2017-06-26T17:59:39","date_gmt":"2017-06-26T20:59:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49051"},"modified":"2017-06-26T17:59:39","modified_gmt":"2017-06-26T20:59:39","slug":"resenha-natural-nihilismo-pseudonym-unknown","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-natural-nihilismo-pseudonym-unknown\/","title":{"rendered":"RESENHA: NATURAL NIHILISMO &#8211; PSEUDONYM UNKNOWN"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49052\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-natural-nihilismo-pseudonym-unknown\/naturalnihilismo-capa-pseudonym\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"naturalnihilismo-capa-pseudonym\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-49052\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/naturalnihilismo-capa-pseudonym.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Aos dois minutos do disco eu sabia que estava ouvindo uma coisa muito livre e, precisamente por isso, grotesca a seu modo. At\u00e9 a\u00ed, normal &#8211; mas foi o turbilh\u00e3o de coisas que essa &#8220;aberra\u00e7\u00e3o&#8221; proporcionou que alavancou minha rela\u00e7\u00e3o com &#8220;Pseudonym Unknown&#8221; pra um n\u00edvel extremamente pessoal.<\/p>\n<p>A bonita introdu\u00e7\u00e3o &#8211; que \u00e9 a mais linda de todos os trabalhos que ouvi do Jhones Silva (ele \u00e9 o Natural Nihilismo, bem como o God Pussy) &#8211; n\u00e3o \u00e9 capaz de subsistir muito nesse ambiente de decomposi\u00e7\u00e3o e satura\u00e7\u00e3o que \u00e9 &#8220;Pseudonym Unknown&#8221;. \u00c9 como se o disco tratasse, sem etiqueta alguma, das coisas que outras trabalhos musicais parecem deixar pra l\u00e1. A transforma\u00e7\u00e3o s\u00fabita da parte mais musical pra manipula\u00e7\u00e3o grotesca de Jhones imp\u00f5e uma agressividade que deixa o ouvinte, a priori, acuado em um terreno saturado em que qualquer rota alternativa est\u00e1 oprimida pelo impacto que o Natural Nihilismo empresta a partir de sua percep\u00e7\u00e3o de mundo. Esta que exalta uma dificuldade \u00e1rida que \u00e9 conviver com acessos fajutos se impondo de diversas for\u00e7as que tiram sarro das feridas demasiadamente reais.<\/p>\n<p>O procedimento radical, \u00e9 claro, alimenta esse ju\u00edzo e faz toda a barreira musical circundar objetivamente temas caros \u00e0 m\u00fasica de consumo. Porque machuca o rid\u00edculo esfor\u00e7o de se adaptar a diversas situa\u00e7\u00f5es enquanto o verdadeiro terreno, o destitu\u00eddo, \u00e9 cruel independentemente da transi\u00e7\u00e3o de personalidades. Sob o t\u00e9dio morti\u00e7o, ent\u00e3o, h\u00e1 um terreno que vincula n\u00f3s a outros, ainda que n\u00e3o ocupado. Por isso o peso pungente perfurando camadas fr\u00e1geis de apar\u00eancia &#8211; porque a verdade sangra e todos querem evit\u00e1-la. E s\u00e3o nesses n\u00edveis sens\u00edveis e muitas vezes escondidos que Jhones opera. Ele faz (anti) m\u00fasicas pra expor as coisas escondidas por tentativas est\u00fapidas de purifica\u00e7\u00e3o. O som n\u00e3o como sonho ou representa\u00e7\u00e3o do on\u00edrico (como muitos querem), mas com um meio de um protesto mais intr\u00ednseco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira que temos agido. <\/p>\n<p>O aspecto &#8220;violento&#8221; \u00e9 nada menos do que o resultado natural de uma troca &#8220;superficial&#8221; nos relacionamentos t\u00e3o fr\u00e1geis baseados sempre num n\u00e3o-reconhecimento do outro e constantes trocas que desgastam qualquer conv\u00edvio. Se no minuto inicial do \u00e1lbum pode ser suposta uma esp\u00e9cie de reden\u00e7\u00e3o, toda a oblitera\u00e7\u00e3o gigantesca que vir\u00e1 a seguir mostrar\u00e1 que nada est\u00e1 totalmente camuflado. Na verdade, o maior soco deste disco &#8211; al\u00e9m de sua \u00f3bvia retalia\u00e7\u00e3o sonora &#8211; \u00e9 comprovar, metodologicamente, que as estruturas s\u00e3o espectros fr\u00e1geis prontos pra se desestruturar. Seja l\u00e1 qual for a raz\u00e3o, a tens\u00e3o do \u00e1lbum se estabelece durante toda a audi\u00e7\u00e3o ao ponto de sua impenetrabilidade fixar um tipo de deslumbre que s\u00f3 as coisas \u00e1rduas podem trazer consigo. Voc\u00ea \u00e9 arremessado ao limbo em que est\u00e1 destitu\u00eddo pelo excesso da satura\u00e7\u00e3o do Natural Nihilismo, se transformando no tema natural (sem trocadilho) pra um movimento de erradica\u00e7\u00e3o quase completo. &#8220;Pseudonym Unknown&#8221; tira da c\u00e1psula uma parte obscura e a estende durante um bocado de tempo pra que, esperan\u00e7osamente, tal parcela n\u00e3o seja esquecida novamente. Momentos como o in\u00edcio da primeira faixa, &#8220;Here Is No Hope&#8221;, condizem com o seu nome e s\u00e3o levados bem a s\u00e9rio: qualquer corda arremessada pra voc\u00ea subir novamente foi cortada. S\u00f3 restam m\u00fasicas &#8220;desagrad\u00e1veis&#8221; e voc\u00ea ter\u00e1 que conviver com isso.<\/p>\n<p>O paradoxo entre a abertura e o fim da primeira pe\u00e7a, essa dist\u00e2ncia imensur\u00e1vel entre dois polos muito contr\u00e1rios, \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, uma queda cuja melhor descri\u00e7\u00e3o \u00e9 provavelmente &#8220;Pseudonym Unknown&#8221;. As can\u00e7\u00f5es de Jhones s\u00e3o marcantes porque aludem aos terrenos impr\u00f3prios em que a controv\u00e9rsia \u00e9 um fator substancial. O desgaste contr\u00e1rio a uma perfei\u00e7\u00e3o idealizada investiga a fundo, a partir da condi\u00e7\u00e3o de &#8220;ouvir um disco&#8221;, o quanto estamos &#8211; falsamente &#8211; protegidos por alguma viola\u00e7\u00e3o Maior (Capital, Dogmas, Cren\u00e7a, F\u00e9). \u00c9 como se o que ancora uma crian\u00e7a em suas fantasias infantis fosse erradicado: resta o elemento da verdade e ele n\u00e3o \u00e9 nada agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Outro paradoxo: essa pr\u00f3pria viola\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie de &#8220;verdade pr\u00f3pria&#8221; que nos tenta pra coisas mais &#8220;assimil\u00e1veis&#8221;; m\u00fasicas entre tr\u00eas e seis minutos, uma corrida no parque, um trabalho de oito horas por dia. Quando at\u00e9 os ref\u00fagios das obriga\u00e7\u00f5es tornam-se tamb\u00e9m fingimentos, a impress\u00e3o que algu\u00e9m tem do mundo est\u00e1 camuflada por alicerces fr\u00e1geis. Por mais alto que soe as frequ\u00eancias do Natural Nihilismo, n\u00e3o se pode negar que elas al\u00e7am esses espectros sint\u00e9ticos do dia-a-dia e colocam toda uma forma automata de viver em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde que nos formamos como pessoas todo o ambiente ao nosso redor \u00e9 um imenso conglomerado de constru\u00e7\u00e3o voltadas ao autodesenvolvimento, enquanto a possibilidade de conex\u00e3o com Outro \u00e9 regulada e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, tem seu acesso velado pelo excesso do &#8220;eu&#8221;. Porque n\u00e3o apenas isso concretiza uma exist\u00eancia muito fr\u00e1gil, como vela o acesso a tudo o que \u00e9 fundamentalmente diferente de nossa bolha. Toda essa diferencia\u00e7\u00e3o alheia \u00e9 combust\u00edvel que mant\u00e9m a ordem do mundo, j\u00e1 que qualquer desculpa pr\u00f3pria \u00e9 erguida pra escusar-se de alguma responsabilidade. Por mais que se atribua ao conceito de empatia algum tipo de abertura pra outrem, h\u00e1 de se notar que a compreens\u00e3o emocional de outro n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o aleat\u00f3ria assim (ao contr\u00e1rio, os objetos de nossa empatia s\u00e3o, normalmente, selecionados e higienizados por um intrincado jogo psicol\u00f3gico). Em algum lugar no meio de todo esse caminho denso e fugidio, quando se trata de lembrar das rotas percorridas pra chegar aqui, o Natural Nihilismo torna menor a ponte entre o &#8220;normal&#8221; e o &#8220;absurdo&#8221;, porque, afinal, o absurdo \u00e9 muito mais real do que as condi\u00e7\u00f5es desejadas pela m\u00fasica &#8220;comum&#8221;. N\u00e3o que eu esteja defendendo qualquer anti-entusiasmo com o mundo, mas acho que a pr\u00f3pria energia dedicada pra tais exulta\u00e7\u00f5es est\u00e1 sendo desperdi\u00e7ada em simula\u00e7\u00f5es de experi\u00eancias.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 307px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=4201605348\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/naturalnihilismohnw.bandcamp.com\/album\/pseudonym-unknown\">Pseudonym Unknown by Natural Nihilismo<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Durante a segunda faixa, &#8220;Scenes From Homeless People&#8221;, o apelo quase sobrenatural de Jhones paradoxalmente cria um realismo deliberadamente confuso que est\u00e1 inalcan\u00e7\u00e1vel &#8211; pelo menos pra mim, eu nunca morei na rua &#8211; e que, ainda assim, existe e se faz necess\u00e1rio ser testemunhado. \u00c9 essa certeza do m\u00fasico que atribui certa dose de encanto pra &#8220;Pseudonym Unknown&#8221;.<\/p>\n<p>O tamanho \u00e9pico das pe\u00e7as fazem jus aos temas abordados e \u00e9 estranho que em um mundo t\u00e3o ca\u00f3tico as pessoas queiram estruturas reduzidas e plastificadas enquanto a brutalidade do universo do Outro se faz mais evidente a cada dia. H\u00e1 uma consider\u00e1vel dose de nebulosidade em toda a audi\u00e7\u00e3o prioritariamente est\u00e1tica do disco, mas coisas muito impressionantes s\u00e3o erguidas a partir do momento que voc\u00ea coloca seus fones de ouvido, observa a capa e os nomes das m\u00fasicas e come\u00e7a a ouvir o \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Evitando cair em imita\u00e7\u00f5es simples que apelam pra um reconhecimento sentimentalista e inofensivo, o mergulho do Natural Nihilismo n\u00e3o apenas aborda a Massa Desesperada, mas questiona o ouvinte o quanto este \u00e9 capaz de se doar pra recuperar algo h\u00e1 muito perdido. Em mais de duas horas e meia de disco, atravess\u00e1-lo exige sim um esfor\u00e7o ao qual a maioria das pessoas n\u00e3o est\u00e1 acostumada, mas tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o-tempo pr\u00f3prio que \u00e9 criado pra enfrentar resolu\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito esquecidas. Se voc\u00ea n\u00e3o conseguir prosseguir durante a longa dura\u00e7\u00e3o do disco, ou achar que todas as faixas s\u00e3o iguais e horr\u00edveis, eu recomendo ouvir uma pe\u00e7a por dia enquanto repara bem na cidade que te cerca &#8211; os muros pichados, as pessoas pedindo esmola, o medo nos olhos de quem caminha sozinho &#8211; pra ter uma experi\u00eancia sensorial do atravessamento que o Jhones prop\u00f5e. Em suas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 a uni dimens\u00e3o que a repeti\u00e7\u00e3o sonora sugere, mas v\u00e1rios horrores contempor\u00e2neos apresentados de forma bastante crua, ao contr\u00e1rio do embelezamento que cobre a maior parte da produ\u00e7\u00e3o atual. N\u00e3o \u00e9 que falte criatividade pro m\u00fasico ou algo parecido, mas ele extrai do caos real um som absurdo que corresponde ao mundo experimentado.<\/p>\n<p>\u00c9 estranho falar sobre tudo isso enquanto ou\u00e7o um disco mas me pareceria mais estranho n\u00e3o falar sobre nada disso e apenas descrever sonoramente o que se passa aqui: ainda assim, h\u00e1 de se ressaltar como no avan\u00e7o da audi\u00e7\u00e3o os ru\u00eddos que pareciam dispersos come\u00e7am a, aparentemente, circular numa rota\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria conjuntamente. As v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es contam com uma massa que \u00e9 erguida atrav\u00e9s da impress\u00e3o do ouvinte e da pr\u00f3pria dispers\u00e3o, inicial, dos ru\u00eddos. \u00c9 meio \u00f3bvio que nenhuma palavra minha e tamb\u00e9m nenhum disco vai quebrar esse muro invis\u00edvel que faz parecer que todos do outro lado n\u00e3o existem ou que s\u00e3o meros seres est\u00e1ticos poluindo a paisagem da sua cidade. Mas tamb\u00e9m fica claro que a crueza honesta exposta por Jhones pode ser sim uma das formas de quebrar esse imenso inv\u00f3lucro que nos cerca e finge ser forte e imponente quando na verdade \u00e9 uma fr\u00e1gil constru\u00e7\u00e3o de autoprote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, essas s\u00e3o formas de condensar um inconformismo com o estado das coisas ou uma paranoia transposta pra afirmar a loucura global. As can\u00e7\u00f5es fornecem essa evid\u00eancia &#8211; embora seja realmente digno de nota que n\u00e3o precisariam elas fazerem esse &#8220;trabalho sujo&#8221; se f\u00f4ssemos mais ativos no que tange \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de mundo &#8211; de um universo que sempre esteve no abismo e muito pr\u00f3ximo do fim. S\u00e3o vers\u00f5es particulares que narram opress\u00f5es cont\u00ednuas no formato absurdo que elas s\u00e3o delineadas. S\u00e3o objetos sonoros que caracterizam uma reden\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>O mundo que o Natural Nihilismo testemunha \u00e9 o Brasil 2017. Fica evidente que elabora\u00e7\u00f5es sofisticadas n\u00e3o fazem parte do seu acervo que assimila a realidade e sua constante dureza. \u00c9 um mundo que mesmo na micropol\u00edtica se mostra totalmente despeda\u00e7ado, de modo que as m\u00e3os estendidas por seres agonizantes encostados no muro s\u00e3o classificadas como uma intrus\u00e3o alheia na sua bolha ambulante e segura. Ao inv\u00e9s de fantasiar essa realidade, o m\u00fasico a encara de frente, relatando sobre suas constantes pancadas.<\/p>\n<p>Parece, contando tudo isso, que quase qualquer outra forma &#8211; que n\u00e3o o caos e a turbul\u00eancia &#8211; s\u00e3o secund\u00e1rios quando se consta um afastamento t\u00e3o massacrante entre as pessoas. E \u00e9 admir\u00e1vel que s\u00e3o nesses cantos mais esquecidos que ele encontra a part\u00edcula origin\u00e1ria que alimenta sua produ\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que ouvir essas incis\u00f5es t\u00e3o for\u00e7adas de Jhones consegue construir, pelo menos pra mim, um cen\u00e1rio an\u00e1rquico que \u00e9 o pais onde vivemos. Essas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o buscam gratifica\u00e7\u00e3o ou algo assim, mas elas espelham a pr\u00f3pria dificuldade que seu criador enfrenta e testemunha todos os dias. Considerando que \u00e9 &#8220;apenas barulho&#8221;, \u00e9 uma penca de coisas pra se absorver em um terreno sonoro que a paz simplista n\u00e3o \u00e9 nem negoci\u00e1vel. O que n\u00e3o pode ser dito das por\u00e7\u00f5es e por\u00e7\u00f5es de m\u00fasicas que passam desapercebidas diariamente por n\u00e3o contarem com o elemento da degrada\u00e7\u00e3o e por se recusarem a falar do mundo atrav\u00e9s de um olhar amplo. E nem precisa acreditar em mim ou no monumento sonoro de Jhones, cheque por si pr\u00f3prio como a maioria das coisas soam.<\/p>\n<p>Pra um artista com a sensibilidade social e psicol\u00f3gica como Jhones, o \u00fanico retrato poss\u00edvel passa pelo filtro da ang\u00fastia (eu n\u00e3o consigo imaginar qual seu processo de composi\u00e7\u00e3o e fica aqui uma admira\u00e7\u00e3o por seguir incessantemente um caminho \u00e1rduo em que, aparentemente, a \u00fanica esp\u00e9cie de recompensa s\u00e3o t\u00edmidos ecos de outrem aqui e acol\u00e1). &#8220;Pseudonym Unknown&#8221; tra\u00e7a uma percep\u00e7\u00e3o produtiva de algu\u00e9m carnalmente embutido na realidade.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. Here Is No Hope<br \/>\n2. Scenes From Homeless People<br \/>\n3. Living The Dead Freedom<br \/>\n4. Poverty Is The Worst Violence<br \/>\n5. Endless Oppression<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 10,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 16 de abril de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 150 minutos e 51 segundos<br \/>\nSelo: Independente<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Jhones Silva<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-natural-nihilismo-anistia\/\" title=\"RESENHA: NATURAL NIHILISMO &#8211; ANISTIA\">RESENHA: NATURAL NIHILISMO &#8211; ANISTIA<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entre-fragilidades-e-incertezas-a-musica-como-reconhecimento\/\" title=\"ENTRE FRAGILIDADES E INCERTEZAS &#8211; A M\u00daSICA COMO RECONHECIMENTO\">ENTRE FRAGILIDADES E INCERTEZAS &#8211; A M\u00daSICA COMO RECONHECIMENTO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-natural-nihilismo-oprobrio\/\" title=\"RESENHA: NATURAL NIHILISMO &#8211; OPR\u00d3BRIO\">RESENHA: NATURAL NIHILISMO &#8211; OPR\u00d3BRIO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos dois minutos do disco eu sabia que estava ouvindo uma coisa muito livre e, precisamente por isso, grotesca a seu modo. 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