{"id":49471,"date":"2017-08-10T19:01:03","date_gmt":"2017-08-10T22:01:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49471"},"modified":"2017-08-10T19:01:03","modified_gmt":"2017-08-10T22:01:03","slug":"resenha-i-buried-paul-nepantla","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-i-buried-paul-nepantla\/","title":{"rendered":"RESENHA: I BURIED PAUL &#8211; NEPANTLA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49473\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-i-buried-paul-nepantla\/iburiedpaul-capa-neplanta\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"iburiedpaul-capa-neplanta\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-49473\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/iburiedpaul-capa-neplanta.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>A crescente inseguran\u00e7a que o I Buried Paul significa atrav\u00e9s do nome do disco \u00e9 ressoada nas distor\u00e7\u00f5es arrastadas que naufragam o ouvinte em uma instabilidade perp\u00e9tua na qual o transe e a hipnose do m\u00fasico tomam nossa subjetividade. Enquanto o imag\u00e9tico deturpado ambienta a mente do ouvinte, percebe-se que a &#8220;recusa&#8221; \u00e0s mudan\u00e7as bruscas colocam a repeti\u00e7\u00e3o constante como m\u00e9todo est\u00e9tico, e \u00e9 na satura\u00e7\u00e3o do excesso que &#8220;Nepantla&#8221; funciona.<\/p>\n<p>Na transi\u00e7\u00e3o entre a primeira e a segunda faixa, pareceu que eu estava em uma esp\u00e9cie de instala\u00e7\u00e3o multi-interativa at\u00e9 a insist\u00eancia repetitiva voltar a tona e lembrar-me de que sou ref\u00e9m do que \u00e9 emitido sonoramente, de que \u00e9 a m\u00fasica que vai me guiar atrav\u00e9s de todo o percurso. A incorpora\u00e7\u00e3o de elementos externos (grava\u00e7\u00f5es de campo) tamb\u00e9m n\u00e3o consegue transcender o som emitido &#8211; \u00e9, acima de tudo, um disco instrumental (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/i-buried-paul-nepantla\/\" target=\"_blank\">leia o artigo original sobre o disco e ou\u00e7a na \u00edntegra, clicando aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das longas pe\u00e7as que constituem o amplo painel do I Buried Paul, uma atmosfera autoral \u00e9 constru\u00edda sem que isso afete uma &#8220;narrativa&#8221; dram\u00e1tica que a guitarra sugere. \u00c9 um \u00e1lbum de emo\u00e7\u00f5es. O que emerge atrav\u00e9s da parede sonora s\u00e3o estados emocionais insustent\u00e1veis, que se esgotam e retornam quase com a mesma velocidade &#8211; como se a agressividade do mundo que cerca o artista fosse abstra\u00edda e transformada em outra coisa. Melhor, como se a tens\u00e3o entre o I Buried Paul e o mundo que o cerca fosse a mat\u00e9ria-prima capaz de prover tal alquimia atrav\u00e9s da guitarra: o que \u00e9 recolhido pelo m\u00fasico \u00e9 apresentado de forma conciliat\u00f3ria, n\u00e3o sem negar a suspens\u00e3o no inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mesmo sob um vi\u00e9s formal, o \u00e1lbum apresenta uma eleg\u00e2ncia, com refer\u00eancias que &#8211; pra al\u00e9m de soarem pedantes ou soltas &#8211; conciliam a audi\u00e7\u00e3o com a interpreta\u00e7\u00e3o do ouvinte. \u00c9 legal saber que uma passagem t\u00e3o emocionante como a segunda faixa \u00e9 de fato uma eulogia e que h\u00e1 elementos n\u00e3o cronol\u00f3gicos que retomam ideias anteriores e apresentam um novo desenvolvimento. Em &#8220;Nepantla Pts. 3-4&#8221;, por exemplo, a gradual hiberna\u00e7\u00e3o da faixa anterior encontra uma vasta possibilidade de escape nos dedilhados gentis de Pedro Oliveira (o I Buried Paul). Fica claro que n\u00e3o s\u00e3o meras exibi\u00e7\u00f5es, mas um tr\u00e2nsito necess\u00e1rio pro m\u00fasico que s\u00f3 pode ser realizado atrav\u00e9s da m\u00fasica, ainda que sem caminhos determinados, mas na \u00e2nsia de percorrer o que quer que seja. As m\u00fasicas transmitem a sensa\u00e7\u00e3o de andamento, de continuidade &#8211; ainda que poucas (ou nenhuma) origens possam ser asseguradas.<\/p>\n<p>Porque a guitarra \u00e9 a voz do m\u00fasico e um elo de liga\u00e7\u00e3o entre si, o mundo e sua necessidade criativa. Atrav\u00e9s dela que ele dialoga com a audi\u00eancia. Atrav\u00e9s dela que ele cria paisagens deslumbrantes capazes de ambientar uma reclus\u00e3o pra quem o ouve. Sem as palavras, a proximidade &#8211; quando ela \u00e9 conquistada &#8211; \u00e9 um afeto nascente a partir de intui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o como se os sons fossem partes apenas do m\u00fasico, mas tamb\u00e9m fragmentos esquecidos por n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>A maior distin\u00e7\u00e3o de &#8220;Nepantla&#8221; \u00e9 sua capacidade de se mover num mundo inst\u00e1vel onde a constante supress\u00e3o do indiv\u00edduo (um paradoxo, pois o que mais se preza s\u00e3o conquistas pr\u00f3prias) \u00e9 alavancada por complexos culturais e fr\u00e1geis afirma\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias. Em momentos bem \u00edntimos, parece que estamos testemunhando a privacidade do m\u00fasico e sua forma de lidar com as inconst\u00e2ncias ao redor, o que nos faz cultivar uma proximidade que eu sinceramente n\u00e3o sei se seria poss\u00edvel de outra forma que n\u00e3o a m\u00fasica.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 8,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 5 de maio de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 48 minutos e 47 segundos<br \/>\nSelo: Sinewave<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Pedro Oliveira<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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