{"id":49548,"date":"2017-08-21T22:26:33","date_gmt":"2017-08-22T01:26:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49548"},"modified":"2018-04-13T14:49:14","modified_gmt":"2018-04-13T17:49:14","slug":"o-sugarcubes-nasce-pro-mundo-lifes-too-cold","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-sugarcubes-nasce-pro-mundo-lifes-too-cold\/","title":{"rendered":"O SUGARCUBES NASCE PRO MUNDO &#8211; LIFE&#8217;S TOO COLD"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49573\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-sugarcubes-nasce-pro-mundo-lifes-too-cold\/sugarcubes1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sugarcubes1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"sugarcubes1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sugarcubes1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sugarcubes1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-49573\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sugarcubes1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sugarcubes1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;&#8216;N\u00e3o espere nada do Sugarcubes, n\u00f3s vamos te decepcionar no final&#8217;, declara Einar, que aparenta ser o l\u00edder da banda islandesa, embora sua voz seja t\u00e3o impressionante quanto a de Bj\u00f6rk, a boneca de porcelana&#8221;. \u00c9 assim que abre a mat\u00e9ria da Spin de setembro de 1988, assinado por Christian L. Wright, quando &#8220;Life&#8217;s Too Good&#8221;, o primeiro e retumbante disco do Sugarcubes, ganhou vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram poucas as publica\u00e7\u00f5es que rasgaram elogios ao disco. Uma tamanha unanimidade que at\u00e9 nos tempos atuais, da Internet e das redes sociais, poderia causar estranheza e desconfian\u00e7a. Com o t\u00edtulo de &#8220;Life&#8217;s Too Cold&#8221;, o artigo trata como ex\u00f3tico o local de origem da banda. O mesmo caminho que percorre o famoso artigo da Rolling Stone, escrito por David Fricke e publicado em 14 de julho de 1988, tr\u00eas meses depois do lan\u00e7amento oficial do \u00e1lbum: &#8220;The Sugarcubes: The Coolest Band In The World&#8221;, um trocadilho que segue nesse sentido.<\/p>\n<p>Fricke come\u00e7a assim: &#8220;Bem-vindo \u00e0 Isl\u00e2ndia &#8211; a fronteira final da m\u00fasica pop! N\u00e3o h\u00e1 nenhuma placa assim o saudando, logo que voc\u00ea pega a estrada costeira que sai do aeroporto internacional de Keflavik, na Isl\u00e2ndia. Mas deveria haver. Porque a vista que te pega enquanto voc\u00ea dirige pra capital Reykjavik d\u00e1 um novo significado \u00e0s palavras &#8216;rock&#8217; e &#8216;roll'&#8221;.<\/p>\n<p>A Spin d\u00e1 a exata data, com dia e hora, que o Sugarcubes nasceu: era 8 de junho de 1986, \u00e0s duas e cinquenta da tarde, &#8220;o mesmo dia e hora que nasceu o filho dela com seu marido Thor, que toca guitarra na banda&#8221;. O filho \u00e9 Sindri Eldon e o casamento durou apenas pouco mais de um ano. A banda foi mais bem sucedida, principalmente com o &#8220;verdadeiro nascimento&#8221;, que \u00e9 marcado com lan\u00e7amento e arrebatamento causado por &#8220;Life&#8217;s Too Good&#8221;.<\/p>\n<p>Bj\u00f6rk Gu\u00f0mundsd\u00f3ttir nasceu em 21 de novembro de 1965. Tinha, portanto, vinte e tr\u00eas anos incompletos quando o disco saiu, mas ela j\u00e1 era <em>habitu\u00e9e<\/em> de palcos e est\u00fadio desde os onze anos, quando uma inocente (e <em>babyjanemente macabra<\/em>) vers\u00e3o de &#8220;I Love To Love&#8221; (de Tina Charles) ganhou as r\u00e1dios islandeses em 1976, com Bj\u00f6rk conseguindo um contrato pra gravar seu primeiro disco, &#8220;Bj\u00f6rk&#8221;, em 1977.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rujxXOmYLUU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A precoce &#8220;boneca de porcelana&#8221; ainda se meteu eu outras bandas antes de chegar ao Sugarcubes e ganhar, finalmente, proje\u00e7\u00e3o mundial &#8211; bem antes do triunfo solo &#8220;Debut&#8221;, de 1990, que apresentou a &#8220;estranha e ex\u00f3tica&#8221; cantora pra al\u00e9m dos c\u00edrculos independentes.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os membros da banda vieram da cena rock&#8217;n&#8217;roll islandesa &#8211; uma cena que n\u00e3o existia at\u00e9 1981&#8221;, lembra o artigo da Spin. &#8220;Mas enquanto outros artistas que tocavam no diminuto circuito de casas de shows lutavam pra emular o que j\u00e1 estava nas paradas de sucesso, o Sugarcubes aspirava criar algo completamente diferente. (&#8230;) A m\u00fasica da banda misturava fantasia e realidade, enquanto momentos perturbadores flertavam com a loucura; a dor batia de frente com a alegria; contos eram ditos com vozes estranhas, rindo nas entrelinhas; com essas cinco pessoinhas fazendo exatamente o que queriam fazer&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 o artigo da Rolling Stone, publicado dois meses antes do da Spin e que \u00e9 considerado o texto que al\u00e7ou a banda ao n\u00edvel mundial de aten\u00e7\u00e3o, dizia que com &#8220;Life&#8217;s Too Good&#8221; os cinco islandeses &#8220;est\u00e3o preparados pra derreter os cora\u00e7\u00f5es americanos&#8221;.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi f\u00e1cil. &#8220;At\u00e9 a virada da d\u00e9cada de 1980, era dif\u00edcil ser ouvido na Isl\u00e2ndia. Durante a \u00faltima metade dos anos 1970, foram proibidos os concertos e as dan\u00e7as nas escolas locais pra conter a embriaguez e as brigas de adolescentes, for\u00e7ando muitos m\u00fasicos a tocar coveres em discotecas de hot\u00e9is. Havia tamb\u00e9m um problema com a m\u00eddia. A Isl\u00e2ndia tinha apenas um canal de TV e uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio nos anos 80, ambos operados pelo Estado, com cobertura pop m\u00ednima. A R\u00e1dio das For\u00e7as Armadas, transmitida a partir da base da OTAN em Keflavik, oferecia uma dieta rigorosa de sucessos estadunidenses&#8221;, escreveu Fricke. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o melhorou. Existe agora um canal de TV comercial local, e os islandeses podem sintonizar esta\u00e7\u00f5es via sat\u00e9lite. E a r\u00e1dio pop comercial finalmente chegou aos dias de hoje&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O estranho sobre a nova cena de rock island\u00eas \u00e9 que ao olho estrangeiro n\u00e3o treinado ela \u00e9 praticamente invis\u00edvel. Cruzar as ruas de Reykjavik oferece algumas pistas. A cidade em si \u00e9 encantadora em sua intimidade com o Velho Mundo &#8211; o principal centro de compras \u00e9 grande o suficiente pra apenas uma \u00fanica via de tr\u00e2nsito, o cheiro de peixe rec\u00e9m-pescado vem do porto no final da tarde (&#8230;). As lojas de disco s\u00e3o pequenas, a janela \u00e9 freq\u00fcentemente preenchida por rostos familiares, como Madonna e Pet Shop Boys. O vinil de rock local geralmente \u00e9 segregado em caixas especiais de Islandm\u00fasik&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;O circuito de clubes \u00e9 algo improvisado, uma mistura inst\u00e1vel de discotecas, audit\u00f3rios escolares e espa\u00e7os inutiliz\u00e1veis. Um dos principais locais pra m\u00fasica <em>punk<\/em> era um cinema antigo e fechado fora da cidade, localizado dentro de uma cabana de Quonset. Hoje, os Sugarcubes \u00e0s vezes podem ser vistos em Duus, uma pizzaria no centro da cidade, com capacidade pra cento e cinquenta pessoas, estilo lata-de-sardinha, e uma pequena pista de dan\u00e7a que funciona como um palco. O mais recente local \u00e9 a discoteca dentro do novo Hotel Island. Tem um P.A. adequado e uma decora\u00e7\u00e3o brilhante que parece o seu pior pesadelo do Studio 54. O resto do edif\u00edcio, por\u00e9m, ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. A \u00fanica indica\u00e7\u00e3o de que o <em>rock &#038; roll<\/em> est\u00e1 na \u00e1rea \u00e9 um sinal no andaime dianteiro que l\u00ea, &#8216;ALLT VITLAUST&#8217; &#8211; ou &#8216;tudo doido'&#8221;, segue Fricke.<\/p>\n<p>&#8220;Assim que voc\u00ea adentra a cena, no entanto, o n\u00famero de bandas ativas na Isl\u00e2ndia \u00e9 surpreendente. N\u00e3o \u00e9 raro encontrar cinco bandas tocando em Reykjavik em uma noite de quarta-feira. \u00c1rni Matthiasson, o cr\u00edtico de rock do principal jornal da Isl\u00e2ndia, Morgumbladid, cobriu uma competi\u00e7\u00e3o de bandas nacionais no ano passado que citou dois grupos de uma pequena cidade no noroeste da Isl\u00e2ndia chamada Stykkish\u00f3lmur: &#8216;um deles tem sete m\u00fasicos, o outro tem cinco. \u00c9 incr\u00edvel. Se voc\u00ea colocar esses n\u00fameros na escala estadunidense, voc\u00ea tem que multiplicar por mil. Se voc\u00ea tem trinta bandas na Isl\u00e2ndia, \u00e9 como se tivesse trinta mil nos Esteites'&#8221;.<\/p>\n<p>Num pequeno caf\u00e9 em Reykjav\u00edk, Einar, ent\u00e3o, diz a Fricke, atentando a um poss\u00edvel futuro glorioso: &#8220;n\u00f3s nos atemos \u00e0s nossas armas. Nos recusamos a sentar e relaxar. N\u00f3s sempre fizemos alguma coisa. Nossa situa\u00e7\u00e3o tem sido produzir por conta pr\u00f3pria. As coisas boas simplesmente aconteceram sem querer. E isso \u00e9 bom&#8221;.<\/p>\n<p>O que a banda experimentava naquele momento era uma mistura que a Bj\u00f6rk tentou analisar a Fricke: &#8220;islandeses s\u00e3o uma estranha mistura de esquizofrenia. Eles t\u00eam num grande complexo de superioridade, porque acreditam que a Isl\u00e2ndia \u00e9 o lugar mais puro do universo. Mas ele tamb\u00e9m t\u00eam um baita complexo de inferioridade. Eles se preocupam em ser t\u00e3o bons quanto os pa\u00edses grandes&#8221;.<\/p>\n<p>Era exatamente assim que o Sugarcubes era mostrado ao mundo, uma banda que tinha uma oportunidade \u00fanica de conquistar o mundo, pelo menos na esfera independente, ao mesmo tempo em que posava um desprezo sobre virar estrelas pop, meio que um roteiro b\u00e1sico pra artistas que querem vender a tal integridade.<\/p>\n<p>Fricke era a prova viva de que o Sugarcubes havia chamado aten\u00e7\u00e3o. Ele era um rep\u00f3rter da grande Rolling Stone viajando at\u00e9 a Isl\u00e2ndia pra falar com aquela banda que at\u00e9 um ano atr\u00e1s nem mesmo os islandeses sabiam de quem se tratava. &#8220;Os f\u00e3s locais&#8221;, Bj\u00f6rk disse ao rep\u00f3rter, &#8220;esperavam que a gente fosse pra cima e agarrasse todas essas oportunidades. Mas n\u00e3o. N\u00f3s deixamos o mundo vir at\u00e9 n\u00f3s. N\u00f3s n\u00e3o nos vendemos na primeira oferta. Tantas bandas na Isl\u00e2ndia est\u00e3o apenas copiando o que est\u00e1 acontecendo no resto do mundo. A melhor coisa que os Sugarcubes poderiam fazer \u00e9 mostrar que n\u00e3o precisamos mudar pra conseguir o que queremos. Voc\u00ea pode manter sua independ\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma velha li\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo na Isl\u00e2ndia&#8221;, escreve Fricke. &#8220;Einar \u00d6rn e Bragi Olafsson foram exemplos pioneiros de sucesso sem compromisso quando sua banda <em>punk<\/em> Purrkur Pillnikk atingiu o Top 20 island\u00eas em 1981, com seu primeiro EP&#8221;. A li\u00e7\u00e3o seguiu at\u00e9 o Sugarcubes<\/p>\n<p>&#8220;Augun \u00fati&#8221;, m\u00fasica do Purrkur Pillnikk, banda que Einar \u00d6rn e Bragi Olafsson tinham no come\u00e7o da d\u00e9cada, tirada do disco de estreia, &#8220;Googooplex&#8221;, de 1982:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yNFq3ivA7qg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A mat\u00e9ria da Spin se ajeita aos poucos pra um bom artigo de apresenta\u00e7\u00e3o da banda &#8211; deixando de lado os toques preconceituosos sobre um artista que veio de uma ilha que muita gente n\u00e3o fazia ideia nem de onde fica, ou pelo menos n\u00e3o fazia at\u00e9 aquele momento.<\/p>\n<p>&#8220;Em Reykjav\u00edk, o Sugarcubes tem sua pr\u00f3pria empresa, a Bad Taste, da qual todos os integrantes s\u00e3o contratados. Foi inspirada nas palavras de Pablo Picasso: &#8216;bom gosto \u00e9 o inimigo da criatividade, o assassino da criatividade&#8217;. Al\u00e9m de assinar com outras bandas locais, a Bad Taste publica tamb\u00e9m muitos trabalhos de poesia e at\u00e9 cinema. Mas principalmente a empresa desafia seus fundadores; o primeiro artigo do seu manifesto proclama &#8216;domina\u00e7\u00e3o mundial ou morte!'&#8221;, publicou a Spin.<\/p>\n<p>Em artigo publicado na inglesa Record Collector, de junho de 1989, um ano depois do lan\u00e7amento, o tom de apresenta\u00e7\u00e3o ainda se via presente &#8211; sem Internet, as coisas eram bem mais lentas, como se sabe: &#8220;o primeiro <em>single<\/em> do Sugarcubes no Reino Unido, &#8216;Birthday&#8217;, foi um dos mais idiossincr\u00e1sicos dos \u00faltimos anos. <em>Single<\/em> da semana da Melody Maker, alcan\u00e7ou status instant\u00e2neo de <em>cult<\/em>. John Peel levou ao ar e a m\u00fasica foi ao <em>top ten indie<\/em>. O v\u00eddeo e a vers\u00e3o islandesa da letra e da m\u00fasica ajudou a incrementar esse status&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F6hGc7S8d88\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;O apelo deste primeiro <em>single<\/em> foi refor\u00e7ado pelas origens incomuns da banda&#8221;, continua a Record Collector. &#8220;A Isl\u00e2ndia nunca ganhou o Eurovision ou mesmo produziu um grupo pop que tenha penetrado em pa\u00edses de l\u00edngua inglesa. Al\u00e9m do mais, havia uma sexualidade na voz de Bjork que era quase assustadora. Ela j\u00e1 tinha se tornou um s\u00edmbolo sexual do subterr\u00e2neo antes que algu\u00e9m tivesse alguma ideia de como ela era! O <em>single<\/em> ser\u00e1 lembrado como um cl\u00e1ssico pop&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar do retumbante sucesso de &#8220;Birthday&#8221;, no Reino Unido o Sugarcubes preferiu ficar com um selo independente, o One Little Indian, de Derek Birkett, baixista do Flux Of Pink Indians. Apenas pra distribui\u00e7\u00e3o nos Esteites, a banda aceitou se vincular a uma <em>major<\/em> &#8211; no caso, a Elektra &#8211; o que ampliou ainda mais o espanto. O artigo da Record Collector come\u00e7a exatamente assim: &#8220;em dois anos, o Sugarcubes saiu de uma banda desconhecida da Isl\u00e2ndia a uma banda <em>cult<\/em> na Europa e um contrato com uma grande gravadora nos EUA&#8221;.<\/p>\n<p>O segundo <em>single<\/em> do disco, &#8220;Coldsweat&#8221;, foi, a princ\u00edpio, uma decep\u00e7\u00e3o. Era cantado em ingl\u00eas, o que talvez o tenha tornado menos intrigante. Mas a can\u00e7\u00e3o acabou tamb\u00e9m se tornando um sucesso nas r\u00e1dios do Reino Unido, tirando do Sugarcubes a possibilidade de se tornar mais um ex\u00f3tico <em>one hit wonder<\/em>. Logo depois veio a terceira m\u00fasica de trabalho, a insuper\u00e1vel &#8220;Deus&#8221;, a m\u00fasica que fez a banda ser conhecida por todos os descolados do mundo, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fq2dWTBVZD4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Foi exatamente um ano depois do lan\u00e7amento, em julho de 1989, que a Revista Bizz publicou uma lista com oitenta discos &#8220;essenciais&#8221; dos anos 1980. &#8220;Life&#8217;s Too Goog&#8221; estava nela: &#8220;e quem diria que a nova sensa\u00e7\u00e3o do pop viria da Isl\u00e2ndia? O inusitado de sua origem se reflete no esquisito vocal de Bj\u00f5rk, nos efeitos sonoros do trompete de Einar \u00d6rn e nas letras surrealistas&#8221;. Os cr\u00edticos da revista elegeram o \u00e1lbum como o terceiro melhor do ano (de 1989), perdendo o segundo lugar pra &#8220;Yellow Moon&#8221;, do Neville Brothers, e o primeiro posto pro belo e criativo &#8220;New York&#8221;, de Lou Reed.<\/p>\n<p>Com o sucesso repentino, Bj\u00f6rk e trupe desembarcaram ainda no ver\u00e3o de 1988 pra primeira s\u00e9rie de shows nos Esteites. A mat\u00e9ria da Spin encara a cantora com vinte e tr\u00eas anos incompletos e consegue uma deliciosa declara\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que ainda n\u00e3o se deu conta do potencial: &#8220;o que voc\u00ea faria se algu\u00e9m l\u00e1 na Nova Zel\u00e2ndia decide que voc\u00ea \u00e9 a pessoa mais bonita do mundo? E ent\u00e3o voc\u00ea pega e tem capas de revistas com voc\u00ea ali. Como voc\u00ea se sentiria? N\u00e3o um problema seu, \u00e9 um problema deles. N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o somos uma banda boa. N\u00f3s somos. Mas o mundo que conhecemos \u00e9 a Isl\u00e2ndia e quem define o que \u00e9 &#8216;bom gosto&#8217;?&#8221;. Einar completa: &#8220;estamos desafiando o senso comum e dizendo &#8216;por que esse novos sensos s\u00e3o inaceit\u00e1veis?'&#8221;. E Thor, o (em um ano) ex-marido de Bj\u00f6rk, d\u00e1 ponto final: &#8220;estamos dizendo que tudo \u00e9 poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>O Sugarcubes nesse momento era Einar Orn Benediktsson e Bjork Gudmundsdottir nos vocais, Thor Fridrik Erlingsson na guitarra, Bragi Olafsson no baixo e Siggy (Sigtryggur) Baldursson na bateria \u00c0s vezes juntavam-se a eles Por Eldon na guitarra, al\u00e9m de um tecladista chamado Melax ou um outro chamado Magga.<\/p>\n<p>Era uma banda ao mesmo tempo autoconfiante e sincera, sem parecer exatamente prepotente. Os integrantes pareciam mais assustados e sem a necessidade de lutar contra algum grau de deslumbramento. &#8220;Porque eles s\u00e3o t\u00e3o independentes e t\u00eam o tipo de confian\u00e7a art\u00edstica que raramente \u00e9 constru\u00edda em toda a vida, os Sugarcubes parecem quase intoc\u00e1veis e, \u00e0s vezes, desdenhosos&#8221;, escreveu Christian L. Wright, da Spin.<\/p>\n<p>Wright, apesar de lutar pra apresentar uma banda nada deslumbrada, pinta cores de estranhezas que s\u00f3 se v\u00ea em astros pop: &#8220;pra Einar, h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o a ser celebridade, &#8216;eu n\u00e3o sou uma estrela pop&#8217;. Ele considerou auto-mutila\u00e7\u00e3o como uma alternativa a se submeter aos caprichos dos outros, &#8216;mas a gente acaba com a banda antes de come\u00e7ar a nos mutilar&#8217;. Cada integrante olha pro outro com fascina\u00e7\u00e3o, como se eles n\u00e3o se conhecessem, mas ali, na minha frente, enquanto falavam, parecia que estavam juntos h\u00e1 milh\u00f5es de anos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o estamos aqui por adora\u00e7\u00e3o ou admira\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Einar a Wright. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o vamos nos permitir essa vaidade&#8221;. Bj\u00f6rk, que se estirava na cadeira, complementa, dando fim ao artigo: &#8220;eu poderia facilmente ser fazendeira na Isl\u00e2ndia&#8221;.<\/p>\n<p>Mas ela j\u00e1 parecia se impor um personagem. Talvez j\u00e1 tivesse se dado conta de que o Sugarcubes era sua vitrine. As fotos que as revistas davam \u00e0 banda tinham, na verdade, s\u00f3 Bj\u00f6rk em foco, como a imagem que ilustra a mat\u00e9ria da Spin (e este artigo).<\/p>\n<p>O Sugarcubes, naquele momento, era a \u00fanica a se destacar da Isl\u00e2ndia. Era o pontap\u00e9 inicial. Muitas outras bandas vieram na cola nos anos e d\u00e9cadas seguintes, agora com a Isl\u00e2ndia musical devidamente inserida no mapa. Bj\u00f6rk solo inclusive.<\/p>\n<p>&#8220;Os islandeses, como se v\u00ea, sempre foram um povo teimoso. Voc\u00ea tem que ser muito duro pra sobreviver aqui (na Isl\u00e2ndia)&#8221;, apontou Fricke. &#8220;Ser um pouco louco tamb\u00e9m ajuda. Einar ressalta que nas sagas islandesas &#8211; os grandes contos dos s\u00e9culos X e XI, do in\u00edcio da hist\u00f3ria da Isl\u00e2ndia &#8211; havia um homem a cavalo que estava cavalgando o dia todo quando viu outro homem sentado em um toco de \u00e1rvore. &#8216;Este primeiro homem saiu de seu cavalo, pegou seu machado e &#8211; whop! &#8211; decapitou o outro cara. Pegou a cabe\u00e7a. As pessoas perguntam: por que voc\u00ea fez isso? E o cara respondeu: o \u00e2ngulo era perfeito pro trabalho. Nenhum outro motivo. S\u00f3 que &#8216;o \u00e2ngulo era perfeito&#8221;. &#8216;Esse somos n\u00f3s&#8217;, acrescenta Einar com um sorriso louco. &#8216;Se o \u00e2ngulo for perfeito, vamos em frente'&#8221;.<\/p>\n<p>Mas ap\u00f3s &#8220;Life&#8217;s Too Good&#8221;, n\u00e3o havia muito mais. A banda ainda lan\u00e7ou dois discos, antes de decretar o fim em 1992 (houve uma reuni\u00e3o em 2006, pra um show na Isl\u00e2ndia): &#8220;Here Today, Tomorrow Next Week!&#8221;, em 1989; e &#8220;Stick Around For Joy&#8221;, em 1992. Tirando um ou outro sucesso, especialmente &#8220;Regina&#8221;, do segundo \u00e1lbum, o Sugarcubes foi dando passagem pra estrela de Bj\u00f6rk brilhar.<\/p>\n<p>Ela era quente, muito mais que uma simples &#8220;boneca de porcelana&#8221;, muito mais do que a frieza islandesa que a imprensa vendeu em seus primeiros artigos. Sua hist\u00f3ria se tornou maior do que a da pr\u00f3pria banda, mas, por outro lado, \u00e9 preciso ressaltar que Einar estava errado: o Sugarcubes n\u00e3o nos decepcionou.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jtKCEU2MuMY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dez-peel-sessions-na-integra\/\" title=\"DEZ PEEL SESSIONS NA \u00cdNTEGRA\">DEZ PEEL SESSIONS NA \u00cdNTEGRA<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-drums-faz-cover-do-sugarcubes-birthday\/\" title=\"THE DRUMS FAZ COVER DO SUGARCUBES &#8211; BIRTHDAY\">THE DRUMS FAZ COVER DO SUGARCUBES &#8211; BIRTHDAY<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/yo-la-tengo-na-blogotheque\/\" title=\"YO LA TENGO NA BLOGOTHEQUE\">YO LA TENGO NA BLOGOTHEQUE<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/devics\/\" title=\"D\u00c9VICS\">D\u00c9VICS<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;&#8216;N\u00e3o espere nada do Sugarcubes, n\u00f3s vamos te decepcionar no final&#8217;, declara Einar, que aparenta ser o l\u00edder da banda islandesa, embora sua voz seja [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":49573,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2363],"tags":[139],"class_list":["post-49548","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-sugarcubes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sugarcubes1.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-cTa","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49548"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49548\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49573"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}