{"id":49785,"date":"2017-09-13T12:00:08","date_gmt":"2017-09-13T15:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49785"},"modified":"2017-09-13T12:00:08","modified_gmt":"2017-09-13T15:00:08","slug":"resenha-ximbra-a-maldicao-desta-cidade-caira-sobre-nos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-ximbra-a-maldicao-desta-cidade-caira-sobre-nos\/","title":{"rendered":"RESENHA: XIMBRA &#8211; A MALDI\u00c7\u00c3O DESTA CIDADE CAIR\u00c1 SOBRE N\u00d3S"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49786\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-ximbra-a-maldicao-desta-cidade-caira-sobre-nos\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"ximbra-capa-amaldicaodessacidade\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-49786\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ximbra-capa-amaldicaodessacidade.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>L\u00e1 pro meio dos anos 2000, descobri o que se convencionou chamar de <em>emo<\/em>. Em uma \u00e9poca em que o rock &#8220;viril&#8221; era a \u00fanica coisa que eu relacionava com o g\u00eanero, saber de uma por\u00e7\u00e3o de bandas que falavam sobre fragilidades em rela\u00e7\u00e3o ao mundo ao redor foi o tipo de exposi\u00e7\u00e3o da qual eu precisava.<\/p>\n<p>Ouvir &#8220;A Maldi\u00e7\u00e3o Desta Cidade Cair\u00e1 Sobre N\u00f3s&#8221; \u00e9 como entrar em contato com um tipo de m\u00fasica que me deu apoio in\u00fameras vezes em uma adolesc\u00eancia dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o desses confrontos internos em uma macropol\u00edtica feroz, sendo refletida em uma cidade bruta que subjuga seus habitantes. Quando o vocal afirma &#8220;n\u00e3o \u00e9 minha revolu\u00e7\u00e3o se eu n\u00e3o posso dar o cu&#8221; (em &#8220;Quilombo Dos Palmares&#8221;), ele n\u00e3o apenas faz algumas refer\u00eancias expl\u00edcitas \u00e0s bandas que foram influ\u00eancias como &#8211; e isso \u00e9 o principal &#8211; evidencia um desconforto latente com o conservadorismo estagnado de nossas cidades.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o amaldi\u00e7oada com a cidade em que vivem e como isso reflete em ansiedade, ang\u00fastia e solid\u00e3o parece ser o foco principal do Ximbra. &#8220;Sofrer e morrer em Macei\u00f3&#8221; (em &#8220;\u00c0s Vezes Morga&#8221;) \u00e9 um fardo aleatoriamente atribu\u00eddo em quem l\u00e1 reside e a banda sabe bem de como isso pesa nos relacionamentos di\u00e1rios, distribui\u00e7\u00e3o de renda e rela\u00e7\u00e3o com as comunidades dizimadas.<\/p>\n<p>&#8220;A Maldi\u00e7\u00e3o Desta Cidade Cair\u00e1 Sobre N\u00f3s&#8221; longe de ser apenas uma constata\u00e7\u00e3o sobre a deteriora\u00e7\u00e3o dos valores em um ambiente urbano, estende uma bandeira de quem n\u00e3o vai se render t\u00e3o f\u00e1cil. Atrav\u00e9s das hist\u00f3rias, \u00e9 desenhado uma participa\u00e7\u00e3o predominantemente f\u00edsica nos lugares citados (e esse contorno \u00e9 impulsionado pelos instrumentais, que sempre est\u00e3o variando e progredindo, raramente fazendo a mesma coisa uma can\u00e7\u00e3o toda), o que engaja o ouvinte no ambiente falido a ser transformado. Como \u00e9 afirmado, &#8220;o capitalismo \u00e9 antitropical&#8221; e atrav\u00e9s da descri\u00e7\u00e3o de uma cidade socialmente amaldi\u00e7oada que hinos de resist\u00eancia podem surgir. Nessa encruzilhada de sentimentos amb\u00edguos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade, os gritos de confus\u00e3o confundem-se com as certezas pol\u00edticas e esse misto que guia a pessoa em meio a tantos problemas. No despertar de todas essas incertezas, as vozes que descrevem o inferno da cidade tamb\u00e9m reclamam pra si alguma autonomia.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3757851809\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/ximbra.bandcamp.com\/album\/a-maldi-o-desta-cidade-cair-sobre-n-s\">A Maldi\u00e7\u00e3o Desta Cidade Cair\u00e1 Sobre N\u00f3s by Ximbra<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>A voz cheia de vontade do vocalista surge, meio fora do tom, atrav\u00e9s de guitarras distorcidas &#8211; como se advindo da dificuldade extrema cotidiana e o pr\u00f3prio ato de narrar essas hist\u00f3rias fosse o maior meio de resist\u00eancia. &#8220;A Maldi\u00e7\u00e3o Desta Cidade Cair\u00e1 Sobre N\u00f3s&#8221; \u00e9 um antro de desabafo, raiva, medo e desapontamento que parece ter sido escrito pela banda durante anos, tamanha a jun\u00e7\u00e3o de alvos que os garotos miram. Como se o momento sagrado em que alguma voz lhes \u00e9 dada (o tempo da audi\u00e7\u00e3o do disco) praticamente n\u00e3o pudesse abrigar a quantidade de coisas que eles t\u00eam a dizer. Aqui, os meninos n\u00e3o querem deixar a express\u00e3o de toda uma vida vazar em superficialidades: eles t\u00eam muito a dizer em bem pouco tempo.<\/p>\n<p>Como suas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o brutais e sinceras, a assinatura da banda fica impl\u00edcita em um g\u00eanero que com certeza ficou deveras saturado. O que vem das guitarras e das melodias e das letras \u00e9 um desejo, cujo contorno n\u00e3o \u00e9 precisamente definido, de atravessar esse mundo em busca de pequenas reden\u00e7\u00f5es. A primeira can\u00e7\u00e3o, &#8220;Abrir os Caminhos (Guerreiro)&#8221;, explicita: a partir de certa idade, \u00e9 voc\u00ea versus o mundo &#8211; a realidade \u00e9 apresentada, os brinquedos est\u00e3o suspensos e as brincadeiras canceladas.<\/p>\n<p>O contraste \u00e1rduo entre idealiza\u00e7\u00f5es juvenis e a realidade crua \u00e9 apresentado durante todo o disco. Em vez de simplesmente engolir essas maldades, a banda reconhece a opress\u00e3o do mundo e ainda assim realiza uma express\u00e3o genu\u00edna de enfrentamento. Ao mesmo tempo em que enfrentar requer muito, n\u00e3o h\u00e1 outra via poss\u00edvel pro Ximbra.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Abrir Os Caminhos (Guerreiro)<br \/>\n02. Quilombo Dos Palmares<br \/>\n03. \u00c0s Vezes Morga<br \/>\n04. Sambinha Massa<br \/>\n05. Capitalismo Antitropical<br \/>\n06. Parte Alta, Parte Baixa<br \/>\n07. 2016 (O Ano Em Que Tudo Acabou)<br \/>\n08. Pra Acabar A Festa<br \/>\n09. Depress\u00e3o Maceioense<br \/>\n10. Alegria Leva Tempo<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 19 de junho de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 40 minutos e 33 segundos<br \/>\nSelo: Transtorninho Records, Solar Discos, Oxenti Records e Banana Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Ximbra<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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