{"id":50862,"date":"2017-12-21T14:28:07","date_gmt":"2017-12-21T16:28:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=50862"},"modified":"2018-01-11T20:14:08","modified_gmt":"2018-01-11T22:14:08","slug":"pense-ou-dance-a-tal-cena-e-as-frustracoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-tal-cena-e-as-frustracoes\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: A TAL CENA E AS FRUSTRA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"50866\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-tal-cena-e-as-frustracoes\/penseoudance74\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/penseoudance74.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance74\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/penseoudance74.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/penseoudance74.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-50866\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/penseoudance74.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/penseoudance74.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Ter um corpo de 26 anos n\u00e3o impede que eu n\u00e3o pense como algu\u00e9m de 60. E eu penso como algu\u00e9m de 60 anos, segundo alguns amigos. O que eu acho estranho \u00e9 como algu\u00e9m que &#8220;pensa que nem um velho&#8221; pode duvidar mais do que chamam de &#8220;cena musical&#8221; do que eles. Eu sempre achei que os jovens questionassem mais. Pois pensar como algu\u00e9m de 60 anos n\u00e3o impede que eu adore festejar e adore noitadas ou qualquer coisa do tipo. At\u00e9 acho que essa experi\u00eancia a qual me imputam faz eu aproveitar mais. Eu gosto de ouvir m\u00fasica, gosto de ir atr\u00e1s de novas bandas &#8211; mas tamb\u00e9m gosto de tirar sarro das coisas que acho ruins. Acho que n\u00f3s temos esse direito. Em &#8220;Hey Hey, My My (Into The Black)&#8221;, o Neil Young disse que \u00e9 melhor ser incinerado do que desaparecer gradualmente. N\u00e3o \u00e9 como se algu\u00e9m se importasse com o fato de eu ter me incinerado de S\u00e3o Paulo, mas tamb\u00e9m eu nunca dei valor \u00e0s coletividades de intera\u00e7\u00e3o social. Isso, pra mim, \u00e9 justamente desaparecer gradualmente. Acho justo e rec\u00edproco.<\/p>\n<p>Prefiro voltar a trabalhar no <em>telemarketing<\/em> do que ser mais brando. Meus amigos dizem que eu gosto apenas de reclamar. Eu prefiro ter essa esp\u00e9cie rasa de &#8220;integridade&#8221; do que corroborar com coisas as quais eu acho ruins e entediantes. Mas ser mais brando, na concep\u00e7\u00e3o deles, significa estar disposto a encarar o conv\u00edvio com um p\u00fablico bem-vestido consumidor de sites m\u00e9dios (em quest\u00e3o de audi\u00eancia) e m\u00fasica menos do que mediana. \u00c9 como se a m\u00fasica, nessa matem\u00e1tica do conv\u00edvio social, fosse exatamente apenas o pano de fundo pra se ter amigos e pra se ter algu\u00e9m com quem tomar cerveja. \u00c9 deselegante essa raiva? N\u00e3o poder\u00edamos substitu\u00ed-la por complac\u00eancia e sorrisos? Tamb\u00e9m lembramos que a alternativa n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel: ser visto como algu\u00e9m que, apenas por discordar desse equil\u00edbrio fajuto, deseja ser uma esp\u00e9cie de <em>outsider<\/em> e \u00e9 torturado pelas pretens\u00f5es art\u00edsticas que s\u00e3o apenas sin\u00f4nimos chiques de nossas frustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu pensei que tive sorte quando conheci a &#8220;cena&#8221;. Que ali havia uma possibilidade de troca de experi\u00eancias e ideias. E eu n\u00e3o falo apenas dos &#8220;jovens&#8221; da minha faixa et\u00e1ria. O que eu encontrei foram sistemas totalizantes de pensamento, com pouca express\u00e3o individual e pensamento cr\u00edtico. Principalmente no m\u00e9rito musical, em que as pessoas viam uma banda com alguma &#8220;novidade&#8221; e ca\u00e7avam incessantemente a amizade de seus membros nas redes sociais pra ter uma esp\u00e9cie de passaporte de autoridade que os permitisse circular entre os &#8220;n\u00edveis mais avan\u00e7ados&#8221; desse pequeno nicho.<\/p>\n<p>Desculpe, mas \u00e0s vezes \u00e9 preciso ser deselegante pra falar dessas coisas.<\/p>\n<p>Uma lista das bandas com posturas amig\u00e1veis pra emparelhar com sua postura ideol\u00f3gica de anarquistas de faz-de-conta. N\u00e3o tenho lembran\u00e7a de quantas vezes eu ouvi que era nazista (???) por ouvir bandas fora dessa lista &#8220;amig\u00e1vel&#8221; e desisti de continuar o di\u00e1logo. Amea\u00e7as <em>online<\/em> em sites an\u00f4nimos, sob o pretexto de defender a justi\u00e7a. Bajuladores de membros de bandas na tentativa de obter uma foto com eles em redes sociais e, assim, investir em &#8220;capital social&#8221;. Veteranos intoxicados com sua moral superior por ter &#8220;anos de estrada&#8221;.<\/p>\n<p>Meio tarde a gente percebe que \u00e9 a mesma din\u00e2mica que rege multicorpora\u00e7\u00f5es. Mas quem liga? Voc\u00ea cria uma alergia a tudo isso e segue em frente.<\/p>\n<p>Eu prefiro ouvir clientes zangados em liga\u00e7\u00f5es de <em>telemarketing<\/em> do que todo um discurso ego\u00edsta fantasiado de coletividade e progresso. Ou ficar horas de p\u00e9 num festival pra comprovar a experi\u00eancia fant\u00e1stica em cento e quarenta caracteres. \u00c9 incr\u00edvel alguns festivais come\u00e7arem com a melhor das ideais e depois transformarem-se em assessoramento de impressa sob o discurso do m\u00e9rito: como se n\u00e3o fosse estranho, em um pa\u00eds com milhares de bandas, sempre as mesmas poucas abrirem pro p\u00fablico m\u00e9dio (falando-se de quantidade).<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 tardia. Mas quem liga? \u00c9 como uma doen\u00e7a impercept\u00edvel na qual, sem reparar muito bem, voc\u00ea se v\u00ea carregando todos os sintomas e repetindo as mesmas porcarias.<\/p>\n<p>Eu poderia seguir contando at\u00e9 mesmo sobre minhas est\u00fapidas resenhas tentando perceber algo que foi mais como uma esperan\u00e7a na tal da cena do que um elemento origin\u00e1rio, que uniria todas essas pretens\u00f5es. Ou como procurei argumentos pra convencer a mim mesmo de que tudo isso tinha uma import\u00e2ncia maior. Mais do que atacar uma posi\u00e7\u00e3o real, eu estava descrevendo uma caricatura de nossas melhores ideias.<\/p>\n<p>Pessoa A: eu acho que dever\u00edamos olhar melhor pra forma como os festivais independentes s\u00e3o organizados e como \u00e9 feita a distribui\u00e7\u00e3o da curadoria.<br \/>\nPessoa B: voc\u00ea \u00e9 contra a m\u00fasica nacional! (<em>di\u00e1logo real<\/em>).<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o me esque\u00e7o das minhas pr\u00f3prias declara\u00e7\u00f5es, auqelas das quais me arrependo. Eu tento convencer a mim mesmo de que era jovem e ing\u00eanuo (e talvez fosse, em certa medida) e talvez a \u00e2nsia por um coletivo em comum falou mais alto do que qualquer resqu\u00edcio de raz\u00e3o. A minha vida est\u00e1 cheia de contradi\u00e7\u00f5es e falhas com as quais eu constantemente tenho de lidar.<\/p>\n<p>Mas depois de tanto tempo, o que temos aqui? O nome de um acordo t\u00e1cito que envolve conformismo, ao beber em grandes tragos da popularidade e da figura nas redes sociais, e um jogo de xadrez num eterno banho-maria. Resolvendo com discursos, semelhantes aos agradecimentos no Oscar, sobre um &#8220;ideal&#8221; que todos supostamente t\u00eam em comum. Pulsos levantados nos shows, uma prece agradecendo fazer parte daquela tribo. Como nossos pais-rebeldes, como far\u00e3o nossos filhos-rebeldes envaidecidos em Tit\u00e3s, Lob\u00f5es e Dinhos Ouro Preto. <\/p>\n<p>Eu troco qualquer dessas bandas meio <em>gospels<\/em> que nos socam e as amizades frustradas dessa turma por algum vento fresco. Em que o formalismo de ter que decorar o ABCD das <em>tags<\/em> musicais v\u00e1 embora juntamente com as <em>crew<\/em>, os coletivos e os discursos &#8220;pol\u00edticos&#8221; de identidade que agremiam ouvintes.<\/p>\n<p>A brincadeira sem gra\u00e7a que s\u00e3o &#8220;bandas politizadas&#8221; tentando copiar o \u00faltimo grande disco e o ponto em que fica extremamente desagrad\u00e1vel (e n\u00e3o atraente) distinguir uma das outras porque elas t\u00eam as mesmas influ\u00eancias e falam do mesmo jeito e s\u00e3o carregadas com as mesmas letras n\u00e3o originais e vazias. Marginalizando vozes cr\u00edticas pra formar uma bolha cuja participa\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00e9-aprovada pela postura pol\u00edtica de quem s\u00f3 constr\u00f3i um espa\u00e7o pros que jogam o mesmo jogo. Fazendo algo suave, &#8220;agrad\u00e1vel&#8221; e sem nenhum real confronto.<\/p>\n<p>(<em>Provavelmente s\u00f3 querem ficar rodeados de pessoas aplaudindo suas poses. De qualquer jeito eu vou viver fazendo bico pro resto da minha vida. PS: todas refer\u00eancias s\u00e3o ficcionais<\/em>).<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter um corpo de 26 anos n\u00e3o impede que eu n\u00e3o pense como algu\u00e9m de 60. 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