{"id":50925,"date":"2018-01-08T18:34:06","date_gmt":"2018-01-08T20:34:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=50925"},"modified":"2018-01-08T18:34:45","modified_gmt":"2018-01-08T20:34:45","slug":"resenha-terraplana-exilio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-terraplana-exilio\/","title":{"rendered":"RESENHA: TERRAPLANA &#8211; EX\u00cdLIO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"50926\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-terraplana-exilio\/terraplana-capa-exilio\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"terraplana-capa-exilio\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-50926\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/terraplana-capa-exilio.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 origem pro in\u00edcio da queda. A fonte pra ela \u00e9 imposs\u00edvel de se rastrear. Como fragmentos que rondam nossas mem\u00f3rias e extirpam nossos corpos. Somos, sempre, consequ\u00eancia de um del\u00edrio ao qual nos agarramos. Um del\u00edrio que nos engole, o qual distorce a realidade e arremessa-nos no tr\u00e2nsito urbano com certezas dizimadas. Tudo, em &#8220;Ex\u00edlio&#8221;, come\u00e7a com a breve introdu\u00e7\u00e3o. Pode-se encar\u00e1-la como estrutura. Versos de guitarra convidativos que em breve, menos de dois minutos, transformar-se-\u00e3o num eco de palavras dificilmente discern\u00edveis. O discurso sobre a estrutura da primeira m\u00fasica ganha estranhas vozes doces e arrastadas, as quais distorcem as impress\u00f5es do que \u00e9 ouvido. Deve-se evitar a fuga, deve-se conviver com o que \u00e9 concreto. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o duvidar das estruturas ao redor quando n\u00e3o se carrega certeza.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, portanto, renunciar a procedimentos espec\u00edficos e catalog\u00e1veis pra evidenciar o ex\u00edlio. Por isso a perdi\u00e7\u00e3o do Terraplana, um quarteto do Paran\u00e1, encontra eco na confus\u00e3o do del\u00edrio. Seu t\u00edtulo evidencia uma pessoa que est\u00e1 banida e que anda ao l\u00e9u testemunhando ecos perdidos nos s\u00edmbolos da cidade (ao menos a capa d\u00e1-me essa impress\u00e3o). Na introdu\u00e7\u00e3o que ambienta o ouvinte, tem-se a ideia de que ser\u00e1 algo mais real. Por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade, s\u00e3o registradas as reminisc\u00eancias de uma queda vertiginosa que testemunha o desaparecimento do pr\u00f3prio corpo. Contudo, como evidenciar o desaparecimento de si?<\/p>\n<p>Deve ter alguma forma, no entanto, j\u00e1 que se fala de m\u00fasica. Acredito em que a subjetividade, que impregna o disco, seja um testemunho verdadeiro &#8211; mas tamb\u00e9m um ponto cr\u00edtico porque, pra demonstrar o desaparecimento, \u00e9 preciso evidenciar um mundo em estado de urg\u00eancia. Ainda que um universo estrangeiro. Identificar o ex\u00edlio n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil pra um ouvinte mais atento, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m evidenciar uma constru\u00e7\u00e3o (mesmo que irreal ou apenas sensitiva) ao redor. \u00c9 o que posso dizer de &#8220;Ex\u00edlio&#8221;, porque n\u00e3o busco no disco a quest\u00e3o abstrata do reconhecimento (embora me identifique com as letras), mas uma localiza\u00e7\u00e3o que possa demonstrar o espa\u00e7o criador do exilado.<\/p>\n<p>Logo, pode-se perceber &#8211; pela intimidade evidente em poucos versos &#8211; que demonstrar o espa\u00e7o criador apenas ser\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o da banda quando aquele tangenciar o eu-l\u00edrico. A situa\u00e7\u00e3o da queda existe porque sim. Efetivamente, as guitarras abafadas s\u00e3o perfeitas pra acompanhar essa queda involunt\u00e1ria. Entretanto, a impress\u00e3o desta ganharia for\u00e7a e eco se fosse acompanhada de um ambiente mais vasto ou melhor definido. N\u00e3o existir um verdadeiro local \u00e9 o que a torna menos poderosa. Claro que um primeiro lan\u00e7amento soaria incompleto, mas as boas ideias (principalmente o instrumental e o modo como a voz foi produzida) s\u00e3o surpreendentes pra uma primeira produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 340px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3519174211\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/terraplana.bandcamp.com\/album\/ex-lio\">ex\u00edlio by terraplana<\/a><\/iframe><\/p>\n<p><strong>S\u00f3 na m\u00fasica<\/strong><br \/>\nOs temas multiplicam-se dessa forma, vale lembrar, porque o Terraplana n\u00e3o vacila nas abordagens e entrega, em poucos minutos, uma dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o com o presente (como na faixa chamada &#8220;Virou Crime&#8221;, por exemplo. \u00c9 ironia?). Apesar de o fator principal, \u00e9 claro, ser a m\u00fasica: que n\u00e3o tem nada de ir\u00f4nica, com insistentes versos de guitarra sobre vozes abafadas, praticamente t\u00edmidas. Quando julgamos que as faixas se movem a um ponto divergente, a banda evidencia sua for\u00e7a ao revelar que &#8211; em cada parte do disco &#8211; h\u00e1 uma ideia sonora, a qual amarra at\u00e9 mesmo os momentos mais ca\u00f3ticos. Consequentemente, e ao contr\u00e1rio de v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es recentes, a ideia de unidade justifica as can\u00e7\u00f5es estarem no mesmo lugar.<\/p>\n<p>Claro, a ideia das faixas fazerem sentido se ouvidas sequencialmente n\u00e3o acrescentaria nada se a constante tem\u00e1tica do ex\u00edlio n\u00e3o fosse confirmada a partir de ecos distantes e da troca entre os vocalistas. L\u00f3gico, por haver essa divis\u00e3o, o ouvinte talvez n\u00e3o possa lidar com a dimens\u00e3o e o ex\u00edlio real de cada um dos integrantes (mas confesso n\u00e3o ter conseguido distinguir muito bem os vocais). Afinal de contas, talvez esteja nessa diversidade m\u00e1xima &#8211; em que cada m\u00fasica parece um res\u00edduo dissolvendo-se &#8211; o principal sintoma do ex\u00edlio descrito pelo Terraplana. Talvez eu esteja errado sobre o que afirmei algumas linhas acima e esse ex\u00edlio n\u00e3o seja a retirada completa de algum lugar, mas sim um encontro dos que n\u00e3o enxergam lugar algum (n\u00e3o seria, portanto, o processo da queda, mas um caimento sem in\u00edcio e sem fim). <\/p>\n<p>Dialogar com o mundo, partindo dessa premissa, seria imposs\u00edvel. Pois poucas coisas deixariam de ser um mon\u00f3logo interior arremessado ao ar aguardando acolhimento. Assim, torna-se n\u00edtido ao ouvinte, por meio de repetidas audi\u00e7\u00f5es, que se trata de um reconhecimento turvo &#8211; tal e qual uma caminhada solit\u00e1ria por uma cidade, sem conversar com ou olhar pra ningu\u00e9m. H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra, que \u00e9 mais uma condi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 do ex\u00edlio? \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca entre o que ou\u00e7o e minha (quase) resenha: o tema do ex\u00edlio atrai-me desde sempre, eu empresto a essas linhas tanto minhas divaga\u00e7\u00f5es quanto minhas reservas sobre o assunto (claro, sempre tendo o Terraplana como mote disto tudo). Logo se v\u00ea que meu esfor\u00e7o ao tentar falar sobre o disco \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quanto falar do ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 porque, mesmo na tolice, algumas coisas substanciais podem surgir. Mesmo na queda h\u00e1, sem aviso, um vislumbre inundado do mundo poss\u00edvel. &#8220;Ex\u00edlio&#8221; est\u00e1 a\u00ed pra falar de coisas importantes e as quais necessitam de reclus\u00e3o. Ou seja, estar alienado de sua pr\u00f3pria realidade. O suplemento da audi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa imposs\u00edvel de localizar, mas percebe-se o desencaixe na medida em que se ouve o disco mais e mais vezes. \u00c9 como uma conversa em que ficamos horas, mas parece haver algo n\u00e3o dito que permeou todo o assunto. Talvez por ser um tema obscuro ou intermin\u00e1vel (fica aqui a deixa pro trocadilho com a resenha).<\/p>\n<p>Nossas quest\u00f5es sempre v\u00e3o guiar nossas percep\u00e7\u00f5es sobre o que ouvimos e o que achamos de qualquer coisa, por mais imparciais que tentemos ser. O esfor\u00e7o do Terraplana \u00e9 louv\u00e1vel porque abre uma possibilidade de compartilhar um ex\u00edlio muito dif\u00edcil de descrever (talvez s\u00f3 a m\u00fasica possa se dedicar a tal tarefa). Mantendo-se no limite de si, negando um mundo ao qual nunca pertenceu. Uma vez que n\u00e3o resta o que dizer, as guitarras carregadas e os ecos das vozes continuam insistindo. Estendem-se porque h\u00e1 sempre um depois. Ainda que a queda seja intermin\u00e1vel. Ainda que tudo seja uma deriva\u00e7\u00e3o da introdu\u00e7\u00e3o (in\u00edcio). Quem sabe, um recome\u00e7o seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. Intro<br \/>\n2. Ambedo<br \/>\n3. Lamento<br \/>\n4. Interl\u00fadio<br \/>\n5. Virou Crime<br \/>\n6. Fall<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 21 de dezembro de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 19 minutos e 13 segundos<br \/>\nSelo: Independente<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Vin\u00edcius Louren\u00e7o<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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