{"id":51224,"date":"2018-02-02T15:24:12","date_gmt":"2018-02-02T17:24:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=51224"},"modified":"2018-04-13T14:28:26","modified_gmt":"2018-04-13T17:28:26","slug":"o-metal-extremo-australiano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-metal-extremo-australiano\/","title":{"rendered":"O METAL EXTREMO AUSTRALIANO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"51227\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-metal-extremo-australiano\/artigo-metalextremoaustralia\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/artigo-metalextremoaustralia.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-metalextremoaustralia\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/artigo-metalextremoaustralia.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/artigo-metalextremoaustralia.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-51227\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/artigo-metalextremoaustralia.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/artigo-metalextremoaustralia.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 uns oito anos, pelo menos, eu tenho ouvido muitas bandas australianas de <em>metal<\/em> extremo. O que vem a seguir n\u00e3o \u00e9, nem tenta ser, um aprofundamento em algum g\u00eanero espec\u00edfico ou an\u00e1lise t\u00e9cnico-tem\u00e1tica do que rola pela Austr\u00e1lia, mas dialogar &#8211; num fluxo de consci\u00eancia mais ou menos livre (sempre com a ajuda do enorme banco de dados da Internet, \u00e9 claro) &#8211; sobre bandas e discos que acho que t\u00eam uma contribui\u00e7\u00e3o importante pro desenvolvimento do <em>metal<\/em> por l\u00e1.<\/p>\n<p>Quem ouvir &#8220;ION&#8221; (o mais novo lan\u00e7amento da banda de metal extremo australiana, Portal) vai ser assaltado por rifes t\u00e9cnicos e ca\u00f3ticos, embrenhados na atmosfera opressiva de todo o disco. O flerte com o metal de vanguarda, os instrumentos dissonantes, as letras ocultistas e cr\u00edpticas desordenam qualquer mente s\u00e3. Toda essa apoteose, que parece mais com o fim do mundo, comandada pelos vocais do misterioso The Curator e pelo magistral trabalho de guitarra do Horror Illogium, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de um local onde bandas v\u00eam h\u00e1 muito tempo construindo algo importante e not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2013, a mesma banda lan\u00e7ou &#8220;Vexovoid&#8221; (<a href=\"https:\/\/profoundlorerecords.bandcamp.com\/album\/vexovoid\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>). Embora possam existir compara\u00e7\u00f5es \u00f3bvias com bandas como Deathspell Omega, ficou bem claro que a banda cravava sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie bizarra de produzir os discos, como se fosse um subterr\u00e2neo inundado de disson\u00e2ncias improv\u00e1veis e repeti\u00e7\u00f5es exaustivas interrompidas por quebras bruscas de tempo. Voltando um pouco mais, em 2011, o Woods Of Desolation lan\u00e7ou o belo &#8220;Torn Beyond Reason&#8221; (<a href=\"https:\/\/woodsofdesolation.bandcamp.com\/album\/torn-beyond-reason\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), como uma extens\u00e3o oposta da abordagem do Portal. S\u00e3o maneiras distintas de criar uma ambi\u00eancia: &#8220;Torn Beyond Reason&#8221; \u00e9 lento se comparado aos trabalhos do Portal, quase \u00e9pico (apesar da pouca dura\u00e7\u00e3o) e em todas as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas intersec\u00e7\u00f5es frias, cobertas por gritos crus que se dissolvem numa tristeza onipresente.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=728531093\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/profoundlorerecords.bandcamp.com\/album\/ion\">ION by PORTAL<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Optando por uma abordagem distinta de ambas as bandas, o Destr\u00f6yer 666 voltou de sete anos de hiato de lan\u00e7amentos em est\u00fadio pra lan\u00e7ar &#8220;Wildfire&#8221;. Claramente pautado na velha escola de <em>black<\/em>\/<em>thrash metal<\/em>, o disco \u00e9 energ\u00e9tico, agressivo e empolgante e certamente exige menos aten\u00e7\u00e3o do ouvinte do que os lan\u00e7amentos citados anteriormente. Se o Portal lan\u00e7a o inferno extremamente malicioso na terra, o Destr\u00f6yer 666 mostra um inferno que bate no ouvinte a todo instante, sendo menos elaborado tecnicamente, mas mantendo a frieza praticamente im\u00f3vel que parece habitar naquelas bandas.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3870546150\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/destroyer666.bandcamp.com\/album\/wildfire\">Wildfire by Destroyer 666<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Maximizando a frieza e quase parando o tempo com sua repeti\u00e7\u00e3o exaustiva extremamente lenta, O Inverloch debutou com &#8220;Distance | Collapsed&#8221; (<a href=\"https:\/\/inverloch.bandcamp.com\/album\/distance-collapsed\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), incitando um ritualismo f\u00fanebre que emerge o ouvinte em uma agonia da qual s\u00f3 \u00e9 despertado no surgimento dos <em>blast beats<\/em> (que s\u00e3o relativamente raros no <em>death doom metal<\/em>).<\/p>\n<p>Poucas bandas no mundo desafiam tanto o ouvinte quanto o Portal e o Plasmodium (cuja estreia, &#8220;Entheognosis&#8221;, <a href=\"http:\/\/plasmodium-ritual.bandcamp.com\/album\/entheognosis\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">que voc\u00ea ouve aqui<\/a>, tamb\u00e9m \u00e9 de 2016, o que faz o ano em quest\u00e3o ser, definitivamente, um marco na cena australiana). Ambas as bandas parecem destruir e reconstruir c\u00e2nones instrumentais do <em>metal<\/em> enquanto distribuem de maneira ca\u00f3tica as abordagens do g\u00eanero, trazendo \u00e0 mem\u00f3ria grandes bandas de <em>death<\/em>\/<em>black metal<\/em> e conseguindo fazer o ouvinte mais atento questionar-se: &#8220;que diabos \u00e9 isso?&#8221;. <\/p>\n<p>Antes de tudo isso, em 2010, o StarGazer batizou a d\u00e9cada com o abstrato &#8220;A Great Work Of Ages \/ A Work Of Great Ages&#8221; (<a href=\"https:\/\/profoundlorerecords.bandcamp.com\/album\/a-great-work-of-ages\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>). Embora t\u00e3o inaud\u00edvel quanto os discos do Portal, o car\u00e1ter mais progressivo pode agradar aos f\u00e3s do <em>death metal<\/em> t\u00e9cnico do come\u00e7o dos anos 90. Eles mesmos surgindo em meados daquela d\u00e9cada, incorporam os elementos indigestos estimulados pelo Portal (que eu tenho certeza que os influenciou, mesmo sendo mais novos) de uma maneira t\u00e9cnica, ressoando tamb\u00e9m de maneira extrema e meio podre, mas levando a sonoridade pra uma rela\u00e7\u00e3o que incita outras rea\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em meio a tanta feiura, vale sempre ressaltar os trabalhos do Woods Of Desolation que, embora ainda dotados de uma melancolia e tristeza inquietantes, passionalmente acrescentam elementos de <em>post-rock<\/em> na tentativa de captar a frieza da qual eles parecem ser ref\u00e9ns.<\/p>\n<p>Ainda mais f\u00fanebre e \u00e9pico que o Inveloch, em 2011 o Mournful Congregation lan\u00e7ou &#8220;The Book Of Kings&#8221; (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/9vj18iLwlU4\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), um disco extremamente exigente e que demanda muito do ouvinte. S\u00e3o setenta e seis minutos divididos em quatro faixas, \u00edntimas e depressivas a ponto de eu ter me afastado v\u00e1rias vezes antes de conseguir ouvir por completo. Em 2011, eu n\u00e3o estava exatamente acostumado com tal coisa e s\u00f3 recentemente, quando eu reouvi o disco, pude admirar a banda com esse lan\u00e7amento extremamente desgastante em termos f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Apesar de ser muito mais variado e ter influ\u00eancias de <em>shoegaze<\/em>, &#8220;Grief&#8221; (da banda Germ) tamb\u00e9m \u00e9 extremamente desgastante e um dos discos mais desafiadores dos citados. Com momentos relativamente suaves e momentos extremamente agressivos, a medita\u00e7\u00e3o a qual a banda prop\u00f5e \u00e9 uma longa jornada nas diferentes fases do luto.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2030366239\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/germ-au.bandcamp.com\/album\/grief\">Grief by Germ<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Com a primeira faixa tendo dura\u00e7\u00e3o de vinte minutos, &#8220;Cloak Of Ash&#8221; (do Hope Drone, <a href=\"https:\/\/hopedrone.bandcamp.com\/album\/cloak-of-ash\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), mostra que h\u00e1 muitas bandas na Austr\u00e1lia interessadas em propor algo mais do que quarenta minutos de f\u00e1cil entretenimento. O disco \u00e9 grandioso em todos os aspectos e hipnotiza o ouvinte a ponto de sugar toda a aten\u00e7\u00e3o em sua densa atmosfera.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos discos citados s\u00e3o definitivamente exaustivos e desgastantes, mas nenhum deles se compara em termos de exig\u00eancia a &#8220;Blood Geometry&#8221;, do Elysian Blaze (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/psxQQ6fjSJE\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), cujos mais de cento e trinta minutos de um apocalipse ocultista condensam todas as faixas em um mesmo epicentro destrutivo. Como se fosse um espa\u00e7o sobre o qual s\u00f3 a banda tem a aud\u00e1cia de bradar, o disco suga os sons ao redor em disson\u00e2ncias crescentes e interrompidas, oscilando entre a repeti\u00e7\u00e3o e o desespero. <\/p>\n<p>Discos eloquentes e megaloman\u00edacos s\u00e3o o contr\u00e1rio da proposta do StarGazer. Em &#8220;A Merging To The Boundless&#8221; (<a href=\"https:\/\/nuclearwarnowproductions.bandcamp.com\/album\/a-merging-to-the-boundless\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), nem quarenta minutos de m\u00fasicas s\u00e3o condensados em progress\u00e3o e abruptos momentos de transi\u00e7\u00e3o, abordando com letras surreais a decomposi\u00e7\u00e3o do mundo ao redor. O StarGazer nega a ortodoxia pra impor transes r\u00e1pidos e significativos.<\/p>\n<p>Outra banda que aposta numa abordagem mais direta \u00e9 Impetuous Ritual. &#8220;Blight Upon Martyred Sentience&#8221;, disco do ano passado, afoga o ouvinte numa dissonante barreira sonora. Rifes ca\u00f3ticos e abafados est\u00e3o por todos os lados, a agressividade sombria e furiosa com toda a humanidade deixa tudo pesado e um disco do qual \u00e9 muito dif\u00edcil se desligar ap\u00f3s sua execu\u00e7\u00e3o. Parece que voc\u00ea foi tomado por algum esp\u00edrito muito bravo com a luz que existe no mundo e quer transform\u00e1-la em algo intrinsecamente violento.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3338786732\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/profoundlorerecords.bandcamp.com\/album\/blight-upon-martyred-sentience\">Blight Upon Martyred Sentience by IMPETUOUS RITUAL<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Voltando aos \u00e9picos, o Midnight Odyssey lan\u00e7ou dois discos em sequ\u00eancia que, somados, ultrapassam trezentos e quarenta e seis minutos. &#8220;Funerals From The Astral Sphere&#8221; (<a href=\"https:\/\/i-voidhangerrecords.bandcamp.com\/album\/funerals-from-the-astral-sphere\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>) e &#8220;Shards Of Silver Fade&#8221; (<a href=\"https:\/\/i-voidhangerrecords.bandcamp.com\/album\/shards-of-silver-fade\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>) abordam a rela\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduo, solid\u00e3o e o vasto universo no qual \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil se perder. A longa dura\u00e7\u00e3o dos \u00e1lbuns cria uma imag\u00e9tica fort\u00edssima no ouvinte, impondo variadas impress\u00f5es e exigindo a necessidade de envolvimento intenso. O \u00f3dio sobre a humanidade \u00e9 refletido na descri\u00e7\u00e3o sombria de cenas de morte. S\u00e3o discos que deixam o ouvinte em transe e crescem no tocante aos desafios propostos. A longa dura\u00e7\u00e3o dos trabalhos imp\u00f5e uma energia dif\u00edcil de se resguardar porque a sombra parece encobrir todos os arredores.<\/p>\n<p>A agressividade do Contaminated faz de &#8220;Final Man&#8221; um disco muito pesado (<a href=\"https:\/\/bloodharvestrecords.bandcamp.com\/album\/final-man-12lp-cd\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>). \u00c9 quase dif\u00edcil de discernir os instrumentos no disco e parece haver dificuldades por todos os lados. Na medida em que as guitarras tornam-se mais evidentes, eu fico muito impressionado com o que \u00e9 realizado. \u00c9 tudo muito grotesco e alien\u00edgena a ponto de cada reconhecimento tornar-se um encontro improv\u00e1vel, porque parece que estamos em um mundo usurpado e n\u00e3o somos nada bem-vindos.<\/p>\n<p>Da selvageria da Tasm\u00e2nia, surge o apocal\u00edptico &#8220;Failure, Subside&#8221; (\u00e1lbum de estreia do D\u00e9parte, <a href=\"https:\/\/departenoise.bandcamp.com\/album\/failure-subside\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>). A impress\u00e3o de que h\u00e1 um dem\u00f4nio oculto em cada objeto que comp\u00f5e nossa realidade \u00e9 alavancada por rifes dissonantes, os quais se imp\u00f5em \u00e0 medida que suas sobreposi\u00e7\u00f5es deixam imposs\u00edvel ouvir outra coisa. Junte ao fato da banda estar muito brava com sabe-se l\u00e1 o qu\u00ea e eles serem m\u00fasicos muito t\u00e9cnicos, o que deixa ainda mais impressionante o apocalipse proposto. Aparentemente, n\u00e3o h\u00e1 motivo. S\u00f3 \u00f3dio puro.  <\/p>\n<p>A maioria dessas bandas traz o que muitos chamam de &#8220;metal contempor\u00e2neo&#8221;, que na verdade n\u00e3o \u00e9 nada mais do que diversos nichos de <em>metal<\/em> extremo sendo justapostos. Raros por fazer um <em>death metal<\/em> o qual pode ser considerado &#8220;puro&#8221;, o Altars, em seu debute &#8220;Paramnesia&#8221; (<a href=\"https:\/\/altarsdeath.bandcamp.com\/album\/paramnesia\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), opta pela ortodoxia enquanto relata sobre temas pesados focados em mitologias e trevas.<\/p>\n<p>De maneira oposta ao tradicionalismo do Altars, o Illyria fez seu primeiro disco (autointitulado) ano passado. No que as bandas citadas imputam \u00f3dio ao mundo, o Illyria redireciona sua agressividade a um sofrimento que parece sem fim. Com um mundo fantasioso como pano de fundo, \u00e9 admir\u00e1vel que encontrem em f\u00e1bulas a cria\u00e7\u00e3o de algo que transpira tanta agonia.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2970786023\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/illyria.bandcamp.com\/album\/illyria\">Illyria by Illyria<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Assim como a abordagem do Destr\u00f6yer 666, o Vomitor embrenha-se no tradicional <em>blach<\/em>\/<em>thrash metal<\/em> de guitarras agressivas, voz abafada e suja. Impressiona a crueza da grava\u00e7\u00e3o, de modo que parece uma apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo em uma caverna esquecida. &#8220;Escape&#8221;, outro disco do Germ (<a href=\"https:\/\/germ-au.bandcamp.com\/album\/escape\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), traz as modernidades j\u00e1 apresentadas, mas soa mais desesperado e menos contemplativo. Deixando a rasa influ\u00eancia eletr\u00f4nica para tr\u00e1s, as tremuladas da guitarra guiam a poderosa orquestra\u00e7\u00e3o do que parece ser uma queda sem fim. <\/p>\n<p>Assim como o Altars, o Ignivomous tamb\u00e9m opta pelo <em>death metal<\/em> tradicional. Largamente influenciados pelo Incantation e bandas parecidas, &#8220;Contragenesis&#8221; \u00e9 um grande disco para f\u00e3s mais tradicionais do g\u00eanero (<a href=\"https:\/\/nuclearwarnowproductions.bandcamp.com\/album\/contragenesis\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>). At\u00e9 onde eu sei, o Hellbringer \u00e9 a \u00fanica banda de <em>thrash metal<\/em> &#8220;puro&#8221; que tem feito uma movimenta\u00e7\u00e3o interessante por l\u00e1. &#8220;Awakened From The Abyss&#8221; parece pegar os melhores momentos de um Sepultura ou Slayer e executar fielmente essas refer\u00eancias (<a href=\"http:\/\/hellbringer.bandcamp.com\/album\/awakened-from-the-abyss\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que fica dif\u00edcil estabelecer um eixo central que uma bandas t\u00e3o diferentes, atos protagonizados pelo Portal (o lado mais sujo e ca\u00f3tico) e pelo Woods Of Desolation (em que a lenta constru\u00e7\u00e3o das paisagens sonoras importam mais) evidenciam rupturas e homenagens ao <em>metal<\/em> can\u00f4nico, de modo que evidenciam um fasc\u00ednio pelo horror oculto, a caminhada por ambientes devastados e novos paradigmas importantes na m\u00fasica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns oito anos, pelo menos, eu tenho ouvido muitas bandas australianas de metal extremo. 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