{"id":51541,"date":"2018-03-19T14:37:20","date_gmt":"2018-03-19T17:37:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=51541"},"modified":"2018-04-13T14:27:42","modified_gmt":"2018-04-13T17:27:42","slug":"vaporwave-nosso-espirito-de-epoca-foi-forjado-pelas-mercadorias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vaporwave-nosso-espirito-de-epoca-foi-forjado-pelas-mercadorias\/","title":{"rendered":"VAPORWAVE &#8211; NOSSO ESP\u00cdRITO DE \u00c9POCA FOI FORJADO PELAS MERCADORIAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"51542\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vaporwave-nosso-espirito-de-epoca-foi-forjado-pelas-mercadorias\/artigo-vaporwave\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/artigo-vaporwave.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-vaporwave\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/artigo-vaporwave.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/artigo-vaporwave.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-51542\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/artigo-vaporwave.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/artigo-vaporwave.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>No fim da minha adolesc\u00eancia, eu fiquei muito empolgado com a enxurrada de m\u00fasicas e resenhas dispon\u00edveis quando tive, enfim, uma Internet realmente boa que me permitisse acessar rapidamente sites de dados e avalia\u00e7\u00e3o musical. A gl\u00f3ria de poder escolher desde os discos mais ouvidos do mundo aos subestimados encheu-me com uma possibilidade que parecia incompleta: como ouvir tanta m\u00fasica e, acima de tudo, como assimilar tanto conte\u00fado?<\/p>\n<p>Outras vozes, ritmos improv\u00e1veis, discord\u00e2ncias e a expectativa de um futuro musical ut\u00f3pico: ser um ponto perdido entre tantos tentando captar e apreender alguma ess\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es t\u00e3o velozes quanto fugidias. Ainda que fosse minha primeira experi\u00eancia de relacionar as redes sociais (o Orkut iniciava seu decaimento) com o consumo de cultura (os sites de relacionamento em conjunto com as resenhas e avalia\u00e7\u00f5es: rateyourmusic.com e sputnikmusic.com), a sensa\u00e7\u00e3o de oportunidades infind\u00e1veis nunca apagou completamente uma fa\u00edsca de desapontamento com a impossibilidade de captar a ess\u00eancia de qualquer coisa.<\/p>\n<p>Em sequ\u00eancia desse in\u00edcio de desapontamento, come\u00e7aram a surgir os coment\u00e1rios an\u00f4nimos trolando ou memetizando qualquer opini\u00e3o pr\u00f3pria a partir da minha figura. As respostas n\u00e3o eram mais em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado que eu divulgava, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha persona <em>online<\/em>, ou seja, ao que eu aparentava ser a partir de uma lida r\u00e1pida em meus gostos e descri\u00e7\u00f5es de perfil. O conjunto de perfis com nomes gen\u00e9ricos e sem fotos eram (e continuam sendo) como um painel pra lembrar constantemente que nada <em>online<\/em> \u00e9 palp\u00e1vel. Os procedimentos desses chamados <em>trolls<\/em> e memes n\u00e3o escapam da mesma origem alienante: ironia ou deprecia\u00e7\u00e3o ao m\u00e1ximo poss\u00edvel. A abordagem violenta a partir de palavras (Tyler, The Creator discordou disso) como const\u00e2ncia escapat\u00f3ria cria na rede mundial de computadores um fator intr\u00ednseco ao chamado consumo cultural: um fantasma permanente que predomina em qualquer ambiente social cibern\u00e9tico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa viol\u00eancia, h\u00e1 uma perspic\u00e1cia mais suave e teoricamente mais &#8220;intelectual&#8221; com deboches realizados a partir da livre-associa\u00e7\u00e3o de ideias, que dificulta estabelecer qualquer hierarquia do que &#8220;incomoda mais&#8221;. Por seu turno, o simbolismo an\u00f4nimo d\u00e1 a essas pessoas uma liberdade rid\u00edcula que nunca experimentariam nas suas intera\u00e7\u00f5es sociais fora da rede. Longe de ser poss\u00edvel, pelo menos pra mim, estabelecer uma identifica\u00e7\u00e3o social do porqu\u00ea disso acontecer, estar <em>online<\/em> faz com que as pessoas cedam n\u00e3o mais \u00e0s opini\u00f5es ou discuss\u00f5es saud\u00e1veis, mas \u00e0 ridiculariza\u00e7\u00e3o de quem tamb\u00e9m passa, como elas, um tempo consider\u00e1vel em frente ao computador. \u00c9 como tacar uma pedra no espelho e, com os estilha\u00e7os, inferir les\u00f5es ao outro. As mensagens t\u00eam as mesmas inten\u00e7\u00f5es, apenas variando a quem elas s\u00e3o direcionadas. Assim, as comunica\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo realizadas entre as manifesta\u00e7\u00f5es virtuais que s\u00e3o sempre, sem exce\u00e7\u00e3o, mediadas por mercadorias e comodidades. Basta conferir a exacerba\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es poss\u00edveis nas redes sociais pra perceber como as coisas passaram a girar em torno do <em>zeitgest<\/em> da opini\u00e3o e da autoidentifica\u00e7\u00e3o &#8211; como \u00e9 poss\u00edvel se autoidentificar quando o plano de fundo pra sua localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um oceano sem fim de m\u00e1scaras e avatares? Mesmo na comunica\u00e7\u00e3o com as pessoas que sabemos serem reais, estamos em contato apenas com o ponto-simb\u00f3lico delas e estas, \u00e9 claro, passam o mesmo conosco. Pra que estou passando dias em frente ao computador, interagindo com manifesta\u00e7\u00f5es intrusivas de pessoas que podem ser t\u00e3o reais quanto minha imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>No meu caso, tenho passado muitas horas por dia realmente em frente ao <em>notebook<\/em> e sempre que me demoro mais sobre o assunto, deparo-me com a seguinte situa\u00e7\u00e3o: por que interagir com todos os outros simulacros e por que a m\u00fasica media isso? Al\u00e9m disso, a apar\u00eancia \u00e9 sempre derivada de outra apar\u00eancia: perfis e perfis virtuais falando sobre lan\u00e7amentos tamb\u00e9m virtuais com cr\u00edticas e rebatimentos dessas cr\u00edticas que s\u00f3 ser\u00e3o reproduzidos em um f\u00f3rum cuja <em>https<\/em> ser\u00e1 esquecida em poucos dias ou semanas. Embora todas essas manifesta\u00e7\u00f5es devam ocultar uma movimenta\u00e7\u00e3o-verdadeira, \u00e9 cada vez mais indiscern\u00edvel saber o que est\u00e1 a servi\u00e7o de quem: se a m\u00fasica \u00e9 lan\u00e7ada pra ser comentada, se as cr\u00edticas s\u00e3o escritas pra serem lidas ou se n\u00e3o est\u00e1 tudo embutido no produto-Internet como forma de pr\u00e9-ingressar em espa\u00e7os determinados. Espa\u00e7os virtuais, ilimitados e vazios. O que ele apresenta depois de encerrada a conex\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil de se lembrar, improv\u00e1vel que tenha deixado rastros maiores do que sensa\u00e7\u00f5es ef\u00eameras e perdidas com o computador desligado.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9, claro, um rastro dif\u00edcil de se superar e cujo fantasma est\u00e1 toda hora nos assombrando. Ademais, ao longo dessas intera\u00e7\u00f5es, cada um traz consigo os pr\u00f3prios traumas e marcas pessoais. Na Internet, esses tr\u00eas elementos (hist\u00f3ria, individualidade, representa\u00e7\u00e3o) encontram-se relativizando qualquer coment\u00e1rio e deixando tudo difuso e borrado, como se nossas hist\u00f3rias pessoais (e consecutivas opini\u00f5es) fossem deturpadas e distorcidas a ponto de elas serem sempre outra coisa. Sabe-se apenas da presen\u00e7a do outro, por\u00e9m sua bagagem \u00e9 inacess\u00edvel e assim a materialidade alheia torna-se incompat\u00edvel com algo que n\u00e3o o espectro de uma presen\u00e7a. A falta de correspond\u00eancia evidente entre o que poderia materializar uma sensa\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a faz com que apenas as apar\u00eancias sejam consumidas: as m\u00fasicas e as opini\u00f5es tornam-se plano de fundo pra um &#8220;sempre agora&#8221; extremamente descart\u00e1vel. Al\u00e9m disso, as rea\u00e7\u00f5es passam a ser pautadas na estranheza e na indisponibilidade da compreens\u00e3o surge o receio da comunica\u00e7\u00e3o (o que talvez explique, em parte, os <em>trolls<\/em> e os memes). Tendo isso como base pra qualquer rela\u00e7\u00e3o <em>online<\/em>, fica dif\u00edcil crer que as conex\u00f5es possibilitadas pela Internet n\u00e3o passam de aleatoriedades geradas apenas pro consumo das pr\u00f3prias intera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o importa o conte\u00fado.<\/p>\n<p>O rastro hist\u00f3rico \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o-maior, que desenvolveu a sociedade e influenciou a forma como nossos pais e professores nos educaram e a maneira como nos relacionamos com nossos contempor\u00e2neos desde muito jovens. Em cada uma das esferas que intermedeiam as rela\u00e7\u00f5es <em>online<\/em> encontra-se um lapso: se as certezas hist\u00f3ricas s\u00e3o totalmente dizimadas pela quantidade de informa\u00e7\u00f5es, as hist\u00f3rias pessoais tornam-se notas esquecidas por um meio de comunica\u00e7\u00e3o que viraliza o passageiro e glorifica a falta de estrutura.<\/p>\n<p>Assim, dessa falta de refer\u00eancias e navegando em superf\u00edcies virtuais, surge um g\u00eanero baseado em <em>samples<\/em>, sintetizadores altamente manipulados, processamento de m\u00fasica corporativa, de elevador e <em>shoppings centers<\/em>, atrav\u00e9s de um material amplo baseado na m\u00fasica pop, no R&#8217;n&#8217;B contempor\u00e2neo, no <em>funk<\/em>, no <em>easy jazz<\/em> e no <em>easy listening<\/em>: o <em>vaporwave<\/em> ou os &#8220;eccojams&#8221;.<\/p>\n<p>Procurando na rede, constam diversas origens do <em>vaporwave<\/em> (desde a m\u00fasica indeterminada aos comerciais japoneses dos anos 80). Eu acho v\u00e1lido falar que <em>vaporwave<\/em> talvez seja o estilo musical que melhor representa nossa hiper fragmenta\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o conseguimos mais viver no momento hist\u00f3rico e fomos lan\u00e7ados \u00e0 superf\u00edcie sem retorno do consumo <em>online<\/em>. O que se revelou pra mim a partir da escuta de diversos discos desse nicho \u00e9 uma maneira simples (no quesito de produ\u00e7\u00e3o) de criar um tipo de m\u00fasica que relativiza extremamente o real, com uma nostalgia imposs\u00edvel de se recuperar e um futuro cuja constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o confusa de um passado que s\u00f3 existe em nossas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 alguma esp\u00e9cie de enfrentamento no g\u00eanero, ele \u00e9 difuso por excel\u00eancia: a n\u00e3o cobertura dos principais sites faz com que ele se propague, tamb\u00e9m, como um fantasma nas plataformas de compartilhamento musical, tal como Bandcamp e Soundcloud, al\u00e9m de seus in\u00fameros f\u00f3runs espelhados pela rede.<\/p>\n<p>Tal e qual o <em>https<\/em> esquecido que citei acima, os <em>trades<\/em> do vaporwave garantem o autoconhecimento de sua temporariedade sup\u00e9rflua, referenciando o passado enquanto a partir da sua mat\u00e9ria morta modula, afetivamente ou satiricamente (muitas vezes ambos ao mesmo tempo), sonoridades instigantes que remetem \u00e0 nostalgia do pret\u00e9rito imperfeito, como se nossa rela\u00e7\u00e3o com o passado fosse modulada progressivamente. As reiteradas repeti\u00e7\u00f5es e a m\u00fasica muitas vezes inofensiva (no sentido de n\u00e3o agredir os ouvidos) criam um eco que se relaciona com nossa mem\u00f3ria afetiva, nosso hist\u00f3rico de consumo e o desconhecimento do tempo hist\u00f3rico no qual vivemos. Mesmo tendo diversos discos que s\u00e3o considerados marcos, a falta de c\u00e2none institu\u00eddo (ou talvez isso ainda esteja em constru\u00e7\u00e3o, afinal o mais comentado \u00e9 que <em>vaporwave<\/em> &#8220;nasceu&#8221; em 2010) exige que os criadores, produtores e m\u00fasicos busquem refer\u00eancia em absolutamente tudo o que os formaram enquanto indiv\u00edduos capitalistas. <\/p>\n<p>O pouco tempo de vida do <em>vaporwave<\/em> dep\u00f5e a seu favor neste sentido: ele pode ser a representa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica de uma era na qual se vive subjugado pelas mercadorias e o \u00e9tnico-nacionalismo (criptofascismo) reascende enquanto alternativa econ\u00f4mica. Um g\u00eanero t\u00e3o novo jamais poderia responder quest\u00f5es t\u00e3o caras e complexas, mas ele pode ser um aprofundamento das est\u00e9ticas que foram bombardeadas pela comercializa\u00e7\u00e3o constante de qualquer reduto produtivo. Se a posterioridade parece imposs\u00edvel porque se vive no ultrapresente, os s\u00edmbolos que nos rodeiam s\u00e3o testemunhas desse labirinto consumista que nos encontramos. O esquecimento enquanto ferramenta criativa, porque n\u00e3o h\u00e1 precis\u00e3o nas produ\u00e7\u00f5es de <em>vaporwave<\/em>: elas s\u00e3o retalhos de diversas \u00e9pocas todas marcadas pelo consumo. O empenho em criar constantemente coisas t\u00e3o bizarras (memes etc.) mostra que n\u00e3o h\u00e1 um direcionamento pro tempo livre. Que estamos \u00e0 merc\u00ea de qualquer afinidade hist\u00f3rica. A falta de direcionamento d\u00e1 esse tipo de liberdade aos seus criadores.<\/p>\n<p>Destaca-se a obsess\u00e3o com o passado n\u00e3o como forma de pensar um outro futuro e assim reestruturar o presente, mas como algo totalmente proposto pela economia. \u00c9 necess\u00e1rio, aparentemente, consumir o passado. (por isso as reprises de s\u00e9rie dos anos 80 e 90 na Netflix, por isso as s\u00e9ries novas &#8211; &#8220;Stranger Things&#8221;, &#8220;Mr. Robot&#8221;, &#8220;Legion&#8221; etc. &#8211; t\u00eam uma est\u00e9tica totalmente saudosista).<\/p>\n<p>A expans\u00e3o do capital pelo desejo coletivo de regress\u00e3o. Mas especialmente &#8220;Mr. Robot&#8221; se assemelha com o <em>vaporwave<\/em> em uma linha do saudosismo: esses tipos de m\u00eddias tentam criar v\u00e1cuos e dist\u00farbios na mem\u00f3ria coletiva a partir da exibi\u00e7\u00e3o de uma ruptura, denunciando o consumo, reexibindo um passado movimentado pela in\u00e9rcia. A regress\u00e3o se opera no tom discordante de sua pr\u00f3pria origem. Ressaltar essa liga\u00e7\u00e3o forjada pelos bens de consumo com o passado me parece um tema importante no <em>vaporwave<\/em> e que merece maior aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O acesso livre a praticamente qualquer tipo de conte\u00fado ressalta um estancamento caracterizado como consumo superficial de informa\u00e7\u00f5es. Se o passado em nosso imagin\u00e1rio \u00e9 algo estagnado, o presente tamb\u00e9m o \u00e9, pois \u00e9 constru\u00eddo basicamente de sobreposi\u00e7\u00f5es de conte\u00fado. As palavras perderam valor enquanto ferramentas de uma estrutura maior e coesa pra uma diversidade sem-fim de intera\u00e7\u00f5es que estimulam uma aten\u00e7\u00e3o imediata. O sistema capitalista funda uma falsa conex\u00e3o com o passado pra que sua pr\u00f3pria expans\u00e3o continue. Os padr\u00f5es pro consumo s\u00e3o esses, n\u00e3o importa o tipo de m\u00fasica que mais nos agrada.<\/p>\n<p>Eu posso estar errado ao assumir que o <em>vaporwave<\/em> pode provocar uma esp\u00e9cie de despertar dessa viciada consci\u00eancia autom\u00e1tica de consumo, mas pelo menos eu tive a impress\u00e3o de encontrar uma inquieta\u00e7\u00e3o nessas revisita\u00e7\u00f5es desconexas com o passado. Minha mem\u00f3ria afetiva n\u00e3o precisa se reconhecer nos lanches do McDonalds ou nos comerciais repetitivos do Posto Ipiranga. Deve ter uma alternativa. A proposta do <em>vaporwave<\/em> n\u00e3o \u00e9 a mera resignifica\u00e7\u00e3o, mas expor como nosso esp\u00edrito de \u00e9poca foi forjado pelas mercadorias. Se a realidade \u00e9 virtual e se o virtual \u00e9 constru\u00eddo atrav\u00e9s de relacionamentos forjados, estes podem adquirir uma carga menos autom\u00e1tica quando livre de seus v\u00edcios de consumo. Pelo contr\u00e1rio, estar\u00edamos num passado onipresente e, pior que tudo, fabricado.<\/p>\n<p>Leia aqui a segunda parte do artigo: <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vaporwave-2-a-ideia-de-perfeicao-e-apenas-aparente\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">&#8220;Vaporwave 2 &#8211; A Ideia de Perfei\u00e7\u00e3o \u00c9 Apenas Aparente&#8221;<\/a>.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim da minha adolesc\u00eancia, eu fiquei muito empolgado com a enxurrada de m\u00fasicas e resenhas dispon\u00edveis quando tive, enfim, uma Internet realmente boa que [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":51542,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144,1130],"tags":[2194],"class_list":["post-51541","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-pense-ou-dance","tag-pense-ou-dance"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/artigo-vaporwave.jpg?fit=540%2C300","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-dpj","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51541\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51542"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}