{"id":52434,"date":"2018-07-24T19:56:51","date_gmt":"2018-07-24T22:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52434"},"modified":"2018-07-24T19:59:52","modified_gmt":"2018-07-24T22:59:52","slug":"resenha-cruel-diagonals-disambiguation","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-cruel-diagonals-disambiguation\/","title":{"rendered":"RESENHA: CRUEL DIAGONALS &#8211; DISAMBIGUATION"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52435\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-cruel-diagonals-disambiguation\/crueldiagonals-capa-disambiguation\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"crueldiagonals-capa-disambiguation\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52435\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/crueldiagonals-capa-disambiguation.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 preciso explicar. Nossa comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 clara, tampouco linear, nem mesmo direta e objetivo. Os tempos s\u00e3o contradit\u00f3rios, como muita gente n\u00e3o cansa de notar e afirmar: de que serve tanta ferramenta e canais de di\u00e1logo se o que menos existe \u00e9 justamente o di\u00e1logo?<\/p>\n<p>\u00c9 a era de Narciso, do espelho, da auto-adora\u00e7\u00e3o, do deslumbramento social, das rela\u00e7\u00f5es est\u00e9reis e et\u00e9reas, do fracasso do falar, do desmoronamento do ouvir e, acima do tudo, do desprezo pelo entender e compreender. As linguagens-padr\u00e3o se tornaram futilidades descart\u00e1veis em prol da inconsequ\u00eancia lingu\u00edstica sob a m\u00e1scara de certa modernidade pregui\u00e7osa e esfacelada cotidianamente.<\/p>\n<p>O quadro \u00e9 pessimista, mas a esperan\u00e7a, nunca o \u00e9. H\u00e1 luzes no fim dos mais variados t\u00faneis que a pr\u00f3pria sociedade abriu, entretanto ningu\u00e9m parece disposto a caminhar at\u00e9 l\u00e1. Viver na escurid\u00e3o do saber superficial \u00e9 uma alternativa benquista e agrad\u00e1vel. N\u00e3o s\u00e3o as novas gera\u00e7\u00f5es, s\u00e3o todas as gera\u00e7\u00f5es vivas e (n\u00e3o) pensantes. N\u00e3o coloquemos culpa nesse ou naquele indiv\u00edduo ou no grupo de indiv\u00edduos. O que existe \u00e9 um efeito osm\u00f3tico sem qualquer tentativa de conten\u00e7\u00e3o. A linguagem vai definhando pela simples falta de compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambiguidades. Esse \u00e9 o efeito colateral, embora pouco importe se a mensagem tenha chegado com clareza e objetividade &#8211; algo raro. Do outro lado, v\u00e1rias maneiras de entendimento se abrir\u00e3o pelo simples fato de se negar compreender ou querer compreender da forma que achar mais pertinente \u00e0 sua pr\u00f3pria l\u00f3gica.<\/p>\n<p>D\u00favida. Explica\u00e7\u00e3o. Imprecis\u00e3o. Precis\u00e3o. Certeza. O universo dos ru\u00eddos comunicacionais \u00e9 obscuro, algo assustador nas causas e, fatalmente, nas consequ\u00eancias. Megan Mitchell, m\u00fasica origin\u00e1ria da Calif\u00f3rnia, traduz essa nebulosa em m\u00fasica de um jeito bem peculiar &#8211; e preciso: \u00e9 na escurid\u00e3o do n\u00e3o-entendimento entre pessoas que est\u00e3o as notas de sua sombria e quase vegetativa m\u00fasica. Nas nove m\u00fasicas de &#8220;Disambiguation&#8221;, seu primeiro trabalho como Cruel Diagonals, o ouvinte parece adentrar o c\u00e9rebro durante esse breu angustiante que nos reduz ao que essencialmente deixamos de ser quando falamos e nos comunicamos com intelig\u00eancia, centrados e objetivos: animais irracionais. Uma sonoridade <em>dark<\/em>, uma eletr\u00f4nica quase g\u00f3tica, como um Pink Industry em ritmo hiperdesacelerado, eis a sua tradu\u00e7\u00e3o de tal universo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/12BtzcsjBEg\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A irracionalidade que escurece as rela\u00e7\u00f5es tem efeito perverso no desenrolar da pr\u00f3pria sociedade. E coisas que inventamos com nossa dita intelig\u00eancia, ganhando nomes, termos, grafias id\u00eanticas, mas com significados diferentes, tamb\u00e9m precisam de um nome pra isso, porque ao nomear tudo achamos que vamos nos entender. Mas n\u00e3o h\u00e1 vocabul\u00e1rio pra tudo, \u00e0s vezes h\u00e1 um conflito e \u00e9 preciso desambiguar.<\/p>\n<p>Mitchell n\u00e3o tem pretens\u00e3o alguma de explicar nada. A artista sonoriza a falta de encaixe. A ang\u00fastia do n\u00e3o-entendimento. O curioso \u00e9 que at\u00e9 pra isso criamos padr\u00f5es &#8211; a m\u00fasica \u00e9 um dos padr\u00f5es que dominamos desde sempre &#8211; e abre-se nesses padr\u00f5es mais brechas pra entendimentos diversos &#8211; a m\u00fasica ou qualquer arte n\u00e3o pode querer ser objetiva no n\u00edvel mais amplo. Ent\u00e3o, Mitchell tamb\u00e9m trafega pela via da contradi\u00e7\u00e3o. Mas isso s\u00f3 transforma &#8220;Disambiguation&#8221; numa obra ainda mais fascinante, por n\u00e3o se resumir ao que se pretende ser, nem comercialmente, nem artisticamente, nem mesmo socialmente. Ela \u00e9 um objeto que comunica e que n\u00e3o tem o menor controle de como o receptor vai compreender ou, como bem sabemos, se vai de fato compreender alguma coisa.<\/p>\n<p>Ou como se ouve em &#8220;To Ward&#8221;: estamos hipnotizados (e eternamente fascinados) pelo fato de conseguirmos algum tipo de express\u00e3o. O que acontece da\u00ed pra frente \u00e9 pura sorte.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2876764174\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/crueldiagonals.bandcamp.com\/album\/disambiguation\">Disambiguation by Cruel Diagonals<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>1. Innate Abstraction<br \/>\n2. Oblique Ritual<br \/>\n3. Malaise Vague<br \/>\n4. Enmeshed<br \/>\n5. Render Arcane<br \/>\n6. Soporific Return<br \/>\n7. Liminal Placement<br \/>\n8. To Ward<br \/>\n9. Intent To Vacate<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 13 de julho de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 43 minutos e 32 segundos<br \/>\nSelo: Drawing Room Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Megan Mitchell<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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