{"id":52903,"date":"2018-10-01T16:37:05","date_gmt":"2018-10-01T19:37:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52903"},"modified":"2018-10-01T16:37:05","modified_gmt":"2018-10-01T19:37:05","slug":"resenha-yves-tumor-safe-in-the-hands-of-love","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-yves-tumor-safe-in-the-hands-of-love\/","title":{"rendered":"RESENHA: YVES TUMOR &#8211; SAFE IN THE HANDS OF LOVE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52904\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-yves-tumor-safe-in-the-hands-of-love\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"yvestumor-capa-safeinthehandsoflove\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52904\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O trabalho de Yves Tumor (que \u00e9 Sean Bowie) parece se erguer das profundezas confusas do mapeamento em g\u00eaneros musicais pra erradicar limites \u00e0 audi\u00e7\u00e3o. Claro, como nada mais soa &#8220;chocante&#8221; ou &#8220;experimental&#8221;, h\u00e1 de se evidenciar como o pr\u00f3prio processo de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 complexo e, a partir dai (como fazem SOPHIE, Shygirl, Low etc.), arrastar o ouvinte pra sua imprecisa localiza\u00e7\u00e3o no horizonte sonoro. Em adi\u00e7\u00e3o a essa impens\u00e1vel localiza\u00e7\u00e3o, as cr\u00f4nicas batidas eletr\u00f4nicas n\u00e3o marcam nada, \u00e9 como se elas ajudassem no cont\u00ednuo processo de desestrutura\u00e7\u00e3o. A composi\u00e7\u00e3o desse disco suspendeu-me \u00e0 medida que seu conte\u00fado n\u00e3o se revelava nunca. Oras, afinal, o que tinha nele sen\u00e3o as constantes reentradas, reintrodu\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Esses constantes convites formaram um port\u00e3o de acesso do qual eu n\u00e3o quis sair. A incipi\u00eancia deste projeto \u00e9 tamb\u00e9m seu fim &#8211; n\u00e3o se est\u00e1 andando em c\u00edrculos, simplesmente se est\u00e1 paralisado sendo atravessado pelos sons flutuantes num universo em constante metamorfose. Eu confesso que esperava outra coisa quando primeiro me deparei com <a href=\"https:\/\/pbs.twimg.com\/media\/DmVurrEWsAYpzTy.jpg:large\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">as imagens &#8220;perturbadoras&#8221;<\/a> que acompanhavam o lan\u00e7amento. Sean Bowie, desta vez, interrompe seus trabalhos palpados em tristeza e pavor, em prol de uma arquitetura que tenta encontrar esperan\u00e7a ao construir um arcabou\u00e7o no qual o artista pode ser completamente honesto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Edthfw5Pbxk\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Sean Bowie guiou-me atrav\u00e9s de uma busca por peda\u00e7os que pudessem preencher um todo, por min\u00facias que configurassem uma chave de acesso pra se adentrar no campo das possibilidades. Estar no mundo, pra ele, \u00e9 uma forma de amor e seguran\u00e7a. Pra isso, no entanto, h\u00e1 de se levar em conta que sua discografia (nos mais variados projetos) \u00e9 uma tentativa de retroceder e sair do campo em que o horror \u00e9 a for\u00e7a motora. Eles (o amor e a seguran\u00e7a) s\u00e3o vastamente importantes pra alavancar e puxar o cantor das partes mais depressivas do pr\u00f3prio disco. Ouvir seus primeiros projetos acendeu em mim uma chama de destrui\u00e7\u00e3o e fascina\u00e7\u00e3o com a abertura de uma possibilidade &#8211; este disco, ao contr\u00e1rio, \u00e9 a confiss\u00e3o de quem se sente irreconhec\u00edvel porque abandonou o horror. Apesar de ele abandonar algumas de suas marcas formais n\u00edtidas em antigos trabalhos, ele concorda que ainda h\u00e1 algo de vago e indetermin\u00e1vel em meio a qualquer tentativa de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O modelo de Bowie enfatiza, num rock abstrato, a dist\u00e2ncia evidente entre discurso e ambi\u00eancia, como se fossem sistemas opostos, mas que, invariavelmente, ter\u00e3o de se reconciliar. Pra Bowie, especificamente neste projeto, a justaposi\u00e7\u00e3o de partes feias s\u00e3o capazes de tra\u00e7ar uma verdade que se apresenta como beleza. &#8220;Recognizing The Enemy&#8221; chama a aten\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a do questionamento perante as mudan\u00e7as decorrentes do abandono do horror: &#8220;Voc\u00ea parece t\u00e3o diferente \/ Voc\u00ea ama algu\u00e9m \/ D\u00f3i muito&#8221;. No entanto, Bowie continua afirmando a crescente tirania de si. N\u00e3o h\u00e1 desejo de interromper esse processo.<\/p>\n<p>(<a href=\"https:\/\/music.youtube.com\/watch?v=pZfbUEPuL_c&#038;list=OLAK5uy_kwy8PNEbn19LvusmGArWGfE9LZ9g6avfo\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Clique aqui pra ouvir o disco na \u00edntegra<\/a>)<\/p>\n<p>Novamente, Bowie n\u00e3o consegue separar o horror do belo, mas parece entender que se trata, sobretudo, de como o discurso \u00e9 tangido. Boiwe concorda com um retrato amplo de si mesmo ao, em seus consecutivos trabalhos, estender a diferen\u00e7a sonora a tal ponto que tudo seja semelhan\u00e7a oposta, afirmando e negando paralelamente. Yves Tumor, em seu \u00e2mbito, \u00e9 produto de algu\u00e9m cuja ess\u00eancia insatur\u00e1vel est\u00e1 sempre se modificando pra n\u00e3o se encaixotar numa modernidade de algoritmos. Apesar de Bowie construir uma esp\u00e9cie de mito sobre sua pessoa, em cada trabalho, ao longo dos \u00faltimos anos, ele faz quest\u00e3o de tentar erradicar os principais tra\u00e7os de seus projetos. Geralmente as origens s\u00e3o sobre isso mesmo: pequenos vest\u00edgios instaurando uma estrutura que se pode alterar a qualquer momento, com qualquer som.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Faith In Nothing Except In Salvation<br \/>\n02. Economy Of Freedom<br \/>\n03. Honesty<br \/>\n04. Noid<br \/>\n05. Licking An Orchid (com James K)<br \/>\n06. Lifetime<br \/>\n07. Hope In Suffering (Escaping Oblivion &#038; Overcoming Powerlessness) (com Oxhy &#038; Puce Mary)<br \/>\n08. Recognizing The Enemy<br \/>\n09. All The Love We Have Now<br \/>\n10. Let The Lioness In You Flow Freely<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 8,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 5 de setembro de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 42 minutos e 00 segundos<br \/>\nSelo: Warp Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Yves Tumor<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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[&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":52904,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[915],"tags":[2156,2618],"class_list":["post-52903","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenha","tag-resenha","tag-yves-tumor"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/yvestumor-capa-safeinthehandsoflove.jpg?fit=540%2C540","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-dLh","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52903\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52904"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}