{"id":52990,"date":"2018-10-22T14:30:39","date_gmt":"2018-10-22T17:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52990"},"modified":"2018-10-22T14:30:39","modified_gmt":"2018-10-22T17:30:39","slug":"resenha-amnesia-scanner-another-life","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-amnesia-scanner-another-life\/","title":{"rendered":"RESENHA: AMNESIA SCANNER &#8211; ANOTHER LIFE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52991\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-amnesia-scanner-another-life\/amnesiascanner-capa-anotherlife\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"amnesiascanner-capa-anotherlife\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52991\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amnesiascanner-capa-anotherlife.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Amnesia Scanner \u00e9 orientada a esquecer toda a tralha est\u00e9tica imposta nos \u00faltimos anos, na tentativa de facilitar a manipula\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica como um m\u00e9todo especulativo de experimentar alternativas.<\/p>\n<p>Porque n\u00f3s temos acessos \u00e0 amn\u00e9sia coletiva que \u00e9 protocolada em carimbos de consumo invadido lares mundanos e hipnotizando-nos vulgarmente e microexplos\u00f5es de sentido que sempre acabam com uma psicod\u00e9lica Rufles ocupando tr\u00eas quartos da televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez da pressa em identificar o que necessariamente \u00e9 este \u00e1lbum, surgem os sons distorcidos por uma peneira cujo m\u00e9todo se baseia em deliberadamente destro\u00e7ar as liga\u00e7\u00f5es causais entre m\u00fasica e com\u00e9rcio. Restam os sons. Pra Amnesia Scanner, a m\u00fasica tem de assumir, em seus ve\u00edculos port\u00e1teis, um papel protagonista em detectar as falcatruas especuladas como realidade, <em>trends<\/em>, <em>podcasts<\/em>, <em>reviews<\/em> etc. A m\u00fasica tornou-se uma comodidade port\u00e1til, um mero apetrecho.<\/p>\n<p>Nesta cultura sobressaturada, n\u00f3s percebemos a m\u00fasica como algo onipresente, invadindo atrav\u00e9s de <em>pendrives<\/em>, <em>streamings<\/em> e <em>players<\/em> autom\u00e1ticos em sites n\u00e3o muito confi\u00e1veis. Talvez n\u00f3s par\u00e1ssemos de investigar eternamente nesta rede de informa\u00e7\u00f5es sem fim e nos detiv\u00e9ssemos nos s\u00edmbolos como pura manifesta\u00e7\u00e3o de uma incompreens\u00e3o coletiva absolvida de qualquer julgamento elitista-cultural em prol de erradicar a falsidade que \u00e9 a est\u00e9tica, os g\u00eaneros e o com\u00e9rcio. <\/p>\n<p>\u00c9 um fardo solit\u00e1rio na hist\u00f3ria em que os memes (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/inzane_johnny\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">veja o Instagram do produtor<\/a>) se proliferam porque eles afirmam que na com\u00e9dia algo sempre \u00e9 roubado de uma refer\u00eancia como se a desnudasse em sua realidade bizarra. Afinal voc\u00ea ainda est\u00e1 sozinho lutando pra ter algo que passe o tempo, ouvindo todas as m\u00fasicas poss\u00edveis torcendo por identifica\u00e7\u00e3o, lendo os livros hermen\u00eauticos pra decodificar os enigmas, assistindo aos filmes que zombam da modernidade e da p\u00f3s-modernidade, que s\u00e3o pastiche de uma \u00e9poca em que refer\u00eancias culturais j\u00e1 nascem estigmatizadas. <\/p>\n<p>H\u00e1 algo inumano nesse escambo conhecido como humanidade, uma for\u00e7a perversa que se orienta pela prolifera\u00e7\u00e3o do capital enquanto l\u00f3gica interna pr\u00f3pria, abastecendo a arte com t\u00e1ticas publicit\u00e1rias. Que o tipo de m\u00fasica feito pelo produtor &#8211; palpada nos desvios dessa l\u00f3gica de consumo, comandada pela distor\u00e7\u00e3o de uma realidade dada at\u00e9 que ela fique nua, expl\u00edcita em sua falta de mat\u00e9ria &#8211; seja um pastiche complacente com esse mundo de falsas-afirma\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 incomum. Durante o disco, percebe-se a ironia transparente como mote maior de um campo preenchido por exposi\u00e7\u00f5es \u00f3bvias de uma falta de sentido abundante nisso tudo. O m\u00fasico quebra com as l\u00f3gicas envelhecidas justamente por ser fruto de uma \u00e9poca em que o excesso de representa\u00e7\u00f5es torna qualquer coisa caricata, interpelada pelo rid\u00edculo pr\u00f3prio e alheio. Em fragmentos, que em sua continuidade v\u00e3o se desgastando, o processo de algo tornar-se &#8220;datado&#8221; \u00e9 evidenciado sonoramente. E isso assusta porque se vive em uma \u00e9poca em que tudo \u00e9 obsoleto. N\u00e3o h\u00e1 espelho que resista \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o imposta pela submiss\u00e3o \u00e0 imagem.<\/p>\n<p>Ele encontra uma est\u00e9tica deteriorada, mas que se leva a s\u00e9rio. Ent\u00e3o, \u00e9 importante retroceder ao fato de que nichos e subnichos procriaram-se pela pobreza do di\u00e1logo e se abastecem em cont\u00ednuas zonas de conforto art\u00edstico. Neste ponto, &#8220;Another Life&#8221; subverteu seu pr\u00f3prio processo destrutivo porque ele cria efetivamente algo, n\u00e3o apenas minando convic\u00e7\u00f5es alheias. Agora, o \u00e1lbum \u00e9 um fator que nega o que seu pr\u00f3prio produtor viraliza: de que tudo \u00e9 esbo\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o palpado em representa\u00e7\u00f5es conscientes. De certa forma, ele viaja pelos canais de <em>charts<\/em> e <em>trend topics<\/em> pra lix\u00e1-los. <\/p>\n<p>Ele \u00e9 a tecnologia de nosso tempo, determinada por v\u00edrus e algoritmos. Esse sistema de caos constante, que \u00e9 nossa hist\u00f3ria, tem de fugir da l\u00f3gica determinista de funcionalidade pra se propagar (como os v\u00edrus) em frestas de desconforto, desafio e aus\u00eancia ortodoxa. O horizonte musical questiona por um espa\u00e7o em que ele se coloque como respons\u00e1vel pela media\u00e7\u00e3o iminente com o ouvinte. Agora que eu aceito o caos de nosso tempo, eu posso come\u00e7ar a interferir ativamente em meu ecossistema&#8230; Finalmente, o caos est\u00e9tico mostrou brechas pra ser colocado em xeque.<\/p>\n<p>A era das dan\u00e7antes festas <em>cyber<\/em> g\u00f3ticas enquanto a humanidade est\u00e1 \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o. Em outubro de 2018, torna-se necess\u00e1rio subverter os padr\u00f5es canonizados e utilizar seus procedimentos de constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas pra desenvolver possibilidades art\u00edsticas, mas repensar como a conjuntura do neoliberalismo tem tornado tudo aceit\u00e1vel atrav\u00e9s da normatiza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Esse produtor sabe que o deboche da memetiza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro deboche. Que h\u00e1 um caos primordial regendo as falsas estruturas em que tanto a humanidade se ampara. Seu objeto de estudo \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o em meio ao caos: uma unidade indissol\u00favel de reconhecimento e divers\u00e3o. O imenso caos \u00e9 transfigurado em uma plataforma criativa atrav\u00e9s do deboche &#8211; uma outra vida se organiza.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Symmetribal<br \/>\n02. Unlinear (com Pan Daijing)<br \/>\n03. A.W.O.L.<br \/>\n04. Another Life<br \/>\n05. Daemon<br \/>\n06. Too Wrong<br \/>\n07. Spectacult (com Oracle)<br \/>\n08. Faceless<br \/>\n09. Chain<br \/>\n10. Securitaz<br \/>\n11. Chaos (com Pan Daijing)<br \/>\n12. Rewild<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 7 de setembro de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 39 minutos e 29 segundos<br \/>\nSelo: PAN<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Ville Haimala e Martti Kalliala<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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