{"id":52993,"date":"2018-10-22T18:19:23","date_gmt":"2018-10-22T21:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52993"},"modified":"2018-10-22T18:52:32","modified_gmt":"2018-10-22T21:52:32","slug":"opium-dei-opium-dei","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/opium-dei-opium-dei\/","title":{"rendered":"OPIUM DEI &#8211; OPIUM DEI"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52995\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/opium-dei-opium-dei\/opiumdei1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"opiumdei1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-52995\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;A maior trag\u00e9dia humana \u00e9 a pr\u00f3pria humanidade. A sua rela\u00e7\u00e3o com o poder. A capacidade de ser o seu pr\u00f3prio deus e o seu pr\u00f3prio dem\u00f4nio. A trai\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de moral mata jovens inocentes em nome da fam\u00edlia tradicional. O amor n\u00e3o existe neste espectro. \u00c9 s\u00f3 moeda de troca, possess\u00e3o. Antes era o medo do caos. O pre\u00e7o de ser livre era mais alto do que a inveja de ver o outro livre. Fizemos um pacto. De sangue, de cor. Esquecemos de assinar na \u00faltima linha. No fim da linha. Agora o futuro dos seus filhos depende da morte dos meus. Ou vice e versa. Todos morrem. O her\u00f3i, o bandido, a mocinha, o rei, a rainha, a puta que o pariu. O caos nunca saiu de cena. Est\u00e1 sempre nos movendo atrav\u00e9s da hist\u00f3ria. Esse \u00e9 o ponto: assumir a trag\u00e9dia \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o de &#8220;Milk Shakespeare&#8221;, a sirene ao fundo, o alerta. As frases de Claudio Cox, megafone ampliando o espanto, retratam o Brasil p\u00f3s-2013, pr\u00e9-1964. O caos nunca saiu de cena. Ele estava adormecido. Ele est\u00e1 sempre se movendo atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, explorando os mesmos medos de quem tem privil\u00e9gios a defender e n\u00e3o v\u00ea motivos pra compartilhar.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;Na sua casa n\u00e3o h\u00e1 onde cuspir a n\u00e3o ser na sua cara. Mas o desejo sempre foi o inimigo n\u00famero um da liberdade. Por isso n\u00f3s continuamos sendo amigos primitivos. Fingindo que n\u00e3o existe nada entre a vontade e a necessidade de ser o que realmente<br \/>\nsomos. O que realmente somos? N\u00e3o h\u00e1 nada mais cruel do que esse punhal contra o pr\u00f3prio peito. Que afundamos um pouco a cada dia. D\u00f3is demais. N\u00e3o sangra e nem cicatriza. Ser\u00e1 que ningu\u00e9m consegue sentir o que o outro sente? \u00c9 muito mais f\u00e1cil suportar a dor apenas de um lado. Quanto custa uma vida honesta? Quanto tempo voc\u00ea estaria disposto a pagar por uma vida honesta? Algumas horas do seu natal, talvez. Um carinho impiedoso, uma abra\u00e7o falso e alguns trocados. O tempo n\u00e3o \u00e9 moeda, honestidade n\u00e3o \u00e9 produto. Pobre diabo dan\u00e7ando a m\u00fasica dos deuses pag\u00e3os. Na sua casa n\u00e3o h\u00e1 onde cuspir a n\u00e3o ser na sua cara. Na minha ainda temos um ch\u00e3o. Onde voc\u00ea pisa. Eu me lembro de voc\u00ea, filho da puta&#8221;.<\/p>\n<p>Nos privil\u00e9gios, esquece-se do pr\u00f3ximo, do amigo, do familiar. S\u00e3o todos filhos da puta esperando a desgra\u00e7a do pr\u00f3ximo pra sublinhar seu pr\u00f3prio triunfo. A honestidade n\u00e3o \u00e9 produto, nos lembra Cox, por cima de um baixo suingado e distorcido matador. Os &#8220;Amigos Primitivos&#8221; n\u00e3o s\u00e3o amigos de verdade, separados pelo \u00f3dio, muitas vezes alimentado apenas de um s\u00f3 lado e corrompendo o outro. O abra\u00e7o \u00e9 falso.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;A pressa \u00e9 inimiga da presa. N\u00e3o h\u00e1 paisagem devastada a continentes. De dist\u00e2ncia que diminua minha culpa diante. Da esperan\u00e7a dos joelhos cansados. Movimento repetido. Cordialidade com o inimigo pra preservar. A esp\u00e9cie alheia a todos os acontecimentos. Da minha exist\u00eancia. Do dente de leite. A reprodu\u00e7\u00e3o do mesmo. Um menino acostumado com enchentes. Que vem do c\u00e9u. Pode muito bem crer. Que a bosta que boia no seu quarto. \u00c9 um presente do papai Noel. O cheiro do feij\u00e3o misturado ao cheiro de bosta. Me faz salivar. Por tudo que \u00e9 fast. Por tudo que \u00e9 truque&#8221;.<\/p>\n<p>A primeira parte <em>a la<\/em> Fausto Fawcett de &#8220;Fast Truque&#8221; ataca o capitalismo predat\u00f3rio que levou a humanidade \u00e0 odiosa fragmenta\u00e7\u00e3o. Cordialidade com o inimigo \u00e9 diplomacia tanto quanto subservi\u00eancia. Desde pequenos, desde sempre, aprendemos a abaixar a cabe\u00e7a e mant\u00ea-la assim.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s s\u00f3 temos um caminho. E n\u00e3o temos atalhos. Somos p\u00e1ssaros mortos. Amarrados em postes. Observando por cima dos muros. A cidade dos sonhos. Ainda confusa de tanta luz. Propagandas de cigarro. N\u00e3o pode mais. Os carros ainda est\u00e3o liberados. Nas ruas e mentes. O atraso \u00e9 casual. Agora voc\u00ea pode ouvir aquela sua m\u00fasica preferida. Enquanto atropela aquele velho que atravessa devagar a avenida. Atrapalhando o fluxo. Pode ser uma crian\u00e7a. Tanto faz. A morte tamb\u00e9m \u00e9 casual. Anestesia \u00e9 s\u00f3 pros ricos. Porque a dor n\u00e3o \u00e9 igual. Felicidade \u00e9 a aus\u00eancia da dor. Felicidade cient\u00edfica. As mesmas dores para todos. Seria uma bela propaganda. Dor nas cores. Preto e Branco. A branca \u00e9 mais cara. Antiterror&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a briga continua. &#8220;Antiterror&#8221;, anti-opress\u00e3o. A maioria n\u00e3o tem atalhos na vida e j\u00e1 nascem mortos, zumbis vendo a vida dos outros passar alegremente. \u00c9 tudo sonho, n\u00e3o \u00e9? De repente, sua vida pode ser abreviada por algum <em>playboy<\/em> inconsequente b\u00eabado, ouvindo o \u00faltimo sertanejo da moda dessa semana, dirigindo o carro de n\u00e3o sei quantos cavalos a atropelar sonhos que nem existem mais &#8211; ou que s\u00e3o abreviados diariamente. Se todos tivessem as mesmas dores, ter\u00edamos uma sociedade mais justa, porque lutar\u00edamos por felicidades semelhantes. Mas o antiterrorismo de querer igualdade pra todos vira o terrorismo daqueles que n\u00e3o desgrudam dos privil\u00e9gios que herdaram ou conquistaram.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;As grades s\u00e3o de a\u00e7o. Os homens n\u00e3o. Isto \u00e9 um assalto. Contempla. Com os olhos vidrados. 2018. New nazis on the block. \u00d3leo na pista. Quebrou o pesco\u00e7o, boca e nariz. Sorriu sem dentes. Caix\u00e3o lacrado. Com supremo, com tudo. Empoderados uni-vos. Acreditem que por um segundo est\u00e3o seguros do Dom\u00ednio P\u00fablico. Do dom\u00ednio P\u00fablico. Ratos&#8221;.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m aguenta levar tanta porrada por tanto tempo. Ou sucumbe ou se rebela. O \u00f3dio n\u00e3o \u00e9 repentino, ele \u00e9 alimentado. Em &#8220;Dom\u00ednio P\u00fablico&#8221; \u00e9 poss\u00edvel ver o \u00f3bvio: no final todos morrem e viram p\u00f3, violentados por uma sociedade que nem sociedade \u00e9, \u00e9 uma caixa com todos os males suplantando a virtudes. Ainda h\u00e1 esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;O morro n\u00e3o desceu. Escorreu. Foi s\u00f3 o sangue. S\u00f3 o p\u00f3. Gang Bang. Subiu. Antena de TV. Cabos e fuzil. Rai\u00f4 Silver. Metralhadora de pl\u00e1stico. Alem\u00e3 ou de Israel. Dan\u00e7a, vagabundo. Aqui \u00e9 terceiro mundo, caraio. Manhattan de barraco. Mata-mata. Sexo mercadol\u00f3gico. Esse \u00e9 o pa\u00eds que deu certo. Errado. \u00c9 pau. \u00c9 pedra e cachimbo. No meio do caminho. Terceiro mil\u00eanio. Aceita. A seita. Todos juntos numa s\u00f3 voz. Pra frente, Brasil. Pixote vs Godzilla. Os meninos na rua. Os meninos da rua. Na pris\u00e3o invis\u00edvel da liberdade. Mata-mata&#8221;.<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 o terceiro mundo, porra! Claudio Cox parece desalentado diante da realidade. Teria ele sucumbido? &#8220;Mata Mata&#8221; \u00e9 regra numa sociedade sem regras definidas por uma maioria, mas leis feitas pra garantir o de poucos. O resto \u00e9 que se exploda. Vamos consumir os ideais de al\u00e9m-fronteiras, mas obrigando a ser patriotas, porque \u00e9 o patriotismo que canta de galo. O desalento n\u00e3o dura muito. A m\u00fasica explode em muitos ru\u00eddos e <em>samples<\/em>. A vida \u00e9 um caos e pra maioria \u00e9 s\u00f3 uma s\u00e9rie de trope\u00e7os, muros e desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;Segura a sua onda. Esse mar afoga. Esse mal \u00e9 foda. Atinge o alvo. Atinge o atro. Quantas vezes mais. Quantas luzes mais. O sil\u00eancio deixou um v\u00e1cuo. E por ele entraram muitas vozes. Que n\u00e3o s\u00e3o minhas. Que n\u00e3o s\u00e3o suas. Nem de ningu\u00e9m. Apenas ru\u00eddos sem donos. Revolto. Qualquer tamanho de dor. Precisa ser medido. Compassos calados. Frio na espinha. Distor\u00e7\u00e3o. Estamos todos juntos. Na solid\u00e3o dessas nossas ideias. Preciso de um teto. De a\u00e7o. Impenetr\u00e1vel. Infal\u00edvel como a minha m\u00e3e. S\u00e3o tantos dias pra se viver. N\u00e3o admitiremos cansa\u00e7o. N\u00e3o admitiremos pessoas sem boa apar\u00eancia. Com erros. Filhos e cachorros. Pessoas. Preciso de um ch\u00e3o. Pra deitar. Agora. Vou escrever uma frase com tinta spray. No muro do seu otimismo sem cor&#8221;.<\/p>\n<p>Da vontade de dizer ao artista: n\u00e3o, n\u00e3o desista! A batida jazz\u00edstica de &#8220;Distor\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 como um pano de fundo pra uma persegui\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o perdido que n\u00e3o acha uma sa\u00edda. Voc\u00ea grita. Outros gritam e voc\u00ea n\u00e3o ouve. N\u00e3o h\u00e1 uni\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 irm\u00e3os. A gente se une nas redes mas est\u00e1 separado ainda mais. E lutam pra nos manter separados. Mesmo assim voc\u00ea \u00e9 obrigado a lutar e, de alguma forma, achar que pode vencer. O belo \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que n\u00e3o h\u00e1 como distinguir nada no &#8220;muro do seu otimismo sem cor&#8221;. Perdemos.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;Estou pronto para escrever alguma merda enquanto Marvin perde a cabe\u00e7a na TV. Isso poderia ser apenas mais um conto, mas as teorias sempre falam mais alto quando um preto perde a cabe\u00e7a&#8230; N\u00e3o foi acidente!!! N\u00e3o foi legitima defesa!!! Quem era o suspeito?!! Um par de t\u00eanis. Medo de assalto. Cord\u00e3o de ouro. Carro blindado. Um saco preto. Um corpo dentro. Os pretos morrem, os brancos assistem. Os brancos morrem, os pretos enterram. Os brancos morrem, os pretos matam. Os pretos morrem, os brancos atuam&#8221;.<\/p>\n<p>Rodrigo Carneiro assume o palanque em &#8220;Blaxxxploitation&#8221;. \u00c9 pra gritar mais alto. A massa sonora por tr\u00e1s \u00e9 ca\u00f3tica, uma guitarra gritante, barulhos, ru\u00eddos, distor\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 por acidente. Nossa gente perif\u00e9rica, com menor acesso \u00e0 oportunidades, \u00e9 que se fode sempre. E a culpa \u00e9 s\u00f3 dessas pessoas. N\u00e3o \u00e9 do sistema. A divis\u00e3o est\u00e1 em todo lugar, principalmente no medo. Uns t\u00eam medo de que lhe tomem objetos, outros t\u00eam medo de que lhe imputem a culpa. \u00c9 a vida e a morte lado a lado e ningu\u00e9m t\u00e1 nem a\u00ed.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;M\u00e1quinas de lavar ligadas no volume m\u00e1ximo. Dentro todas as frustra\u00e7\u00f5es do mundo moderno. As coisas n\u00e3o s\u00e3o mais como antes. Lavamos a roupa suja da alma na rua. Virtual. Mas por que nos importamos?! O fracasso \u00e9 mais limpo. Seu cu \u00e9 mais limpo. Na sua casa ningu\u00e9m v\u00ea voc\u00ea com medo. Com frio, com fome. Foda-se! Todas as raz\u00f5es n\u00e3o enchem um pinico. Autodescontrole. Ultradesconto. Um soco na cara do mais fraco \u00e9 um sintoma do p\u00f3s aborto. Voc\u00ea pagou as suas contas. Mas deve toda a vergonha do mundo. Isso n\u00e3o significa nada. \u00c9 papel passado. N\u00e3o se aprende na escola. Os dias chuvosos s\u00e3o a minha gl\u00f3ria. Cad\u00ea seu deus agora?! T\u00e1 na carteira?! No bolso de tr\u00e1s da cal\u00e7a suja?! Encare como quiser. N\u00e3o fa\u00e7a sua as minhas palavras. Foda-se! O fracasso \u00e9 mais limpo. Seu cu \u00e9 mais limpo&#8221;.<\/p>\n<p>O cl\u00edmax est\u00e1 em &#8220;M\u00e1quina De Lavar&#8221;, Claudio Cox assumiu o foda-se. Todas as frustra\u00e7\u00f5es do mundo moderno cabem numa s\u00f3 ilus\u00e3o de que podemos achar algu\u00e9m que nos salve ou podemos ficar isolados sem que reparem nossas falhas e medos e decad\u00eancia. O fracasso n\u00e3o exposto \u00e9 o fracasso n\u00e3o percebido. Mas voc\u00ea vai gritar suas raz\u00f5es do alto dos seus privil\u00e9gios e nunca vai ter raz\u00e3o, porque a hist\u00f3ria conta a realidade. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 interpretativa. Ela aconteceu e se voc\u00ea quiser distorc\u00ea-la, a vergonha \u00e9 toda sua. Os negros n\u00e3o escravizaram os africanos. O nazismo n\u00e3o foi de esquerda. A ditadura militar brasileira existiu e foi cruel. Nada disso vai ser alterado pelas suas verdades sujas e incapazes. Cox n\u00e3o se importa com voc\u00ea. Ele t\u00e1 certo. Por isso grita um &#8220;foda-se&#8221; de megafone no talo. Seu Opium Dei \u00e9 mais limpo que a consci\u00eancia dos ign\u00f3beis. Seu Opium Dei \u00e9 mais potente que o \u00f3dio que os imbecis jogam no mundo virtual.<\/p>\n<p>O Opium Dei joga na sua cara a mensagem p\u00f3s-2013 que voc\u00ea devia ouvir.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>N\u00e3o, eu n\u00e3o esqueci de &#8220;Trabalho Sujo&#8221;. Listando palavras e localidades sociais, Claudio Cox despreza a formalidade. &#8220;Autom\u00e1tico. Eletr\u00f4nico. Dom\u00e9stico. Domesticado. Eletrocutado. Automatizado. Patr\u00e3o de qualidade. Patr\u00e3o de qualidade. Trabalho sujo. Trabalho nulo. Rebola em cima da m\u00e1quina. Rebola em cima da caixa registradora. At\u00e9 o ch\u00e3o. Debaixo da terra&#8221;. Simples, direto, um resumo perfeito de tudo o que foi dito at\u00e9 aqui e sobre tudo o que o ouvinte vai escutar dali em diante.<\/p>\n<p>A vida mecanizada n\u00e3o pode sair do padr\u00e3o. Se sair do padr\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 taxado de subversivo. Voc\u00ea \u00e9 o terrorista. Claudio Cox e o seu Opium Dei s\u00e3o os terroristas do lugar-comum. Disca\u00e7o \u00e0 altura de um Black Future e de um Tant\u00e3o E Os Fita (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-uma-nova-chance\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">este disca\u00e7o aqui<\/a>). Disca\u00e7o. Gostaria de ser t\u00e3o objetivo e sagaz e cascudo como Cox. Mas voc\u00ea pode ouvir a sua obra e se tornar tamb\u00e9m um subversivo. N\u00e3o precisamos aceitar o mundo como ele \u00e9. Foda-se. N\u00e3o somos automatizados. N\u00e3o aceitamos padr\u00f5es de qualidade. N\u00f3s pisamos em cima da m\u00e1quina e do sistema. \u00c9 nossa obriga\u00e7\u00e3o fazer o sistema funcionar do jeito que a gente quer e n\u00e3o do jeito que o capital exige. N\u00e3o aceitamos ser domesticados, por isso gritamos. Por isso, Cox faz sua m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=220495584\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/opiumdei.bandcamp.com\/album\/opium-dei-2\">OPIUM DEI by OPIUM DEI<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Claudio Cox \u00e9 um dos Giallos, uma das bandas mais potentes da m\u00fasica subterr\u00e2nea nacional. O Opium Dei \u00e9 &#8220;um projeto coletivo que estava&#8221; na cabe\u00e7a dele desde 2015, &#8220;tipo uma v\u00e1lvula de escape art\u00edstica se p\u00e1. Agrade\u00e7o a todos que direta e indiretamente ajudaram a concretizar a parada, especial pro Tuba e Tite (meus Giallos preferidos), Pez\u00e3o (pela amizade, bases e incentivo desde 1992), Will (teclados sujos e empolga\u00e7\u00e3o), Mateus (meu poeta malcriado), L\u00ea (meu irm\u00e3ozinho mais novo), Carneiro (por toda gentileza e voz de trov\u00e3o), Talita (coro feminista oper\u00e1rio), Tatu (pela paci\u00eancia, trabalhos t\u00e9cnicos e humor ninja) e Nen\u00ea (xob\u00e1 punk e fofura). \u00c9 isso, nosso dedo na ferida desse Brasil Abstrato 2018&#8221;.<\/p>\n<p>Ele se refere \u00e0s participa\u00e7\u00f5es de Pez\u00e3o, Flavio Lazzarin, L\u00ea Almeida, Nen\u00ea Motta, William Aleixo, Mateus Novaes, Rodrigo Carneiro e Talita Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Todas as letras s\u00e3o de Cox (exceto &#8220;Fast Truque&#8221;, de Mateus Novaes), com Rodrigo Blefari trabalhando na grava\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o. A grava\u00e7\u00e3o se deu no j\u00e1 ic\u00f4nico 74Club Est\u00fadio, em Santo Andr\u00e9, entre 2015 e 2018.<\/p>\n<p>Lado A<br \/>\n01. Trabalho Sujo<br \/>\n02. Milk Shakespeare<br \/>\n03. Amigos Primitivos<br \/>\n04. Fast Truque<br \/>\n05. Antiterror<\/p>\n<p>LADO B<br \/>\n06. Dom\u00ednio P\u00fablico<br \/>\n07. Mata Mata<br \/>\n08. Distor\u00e7\u00e3o<br \/>\n09. Blaxxxploitation<br \/>\n10. M\u00e1quina De Lavar<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52994\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/opium-dei-opium-dei\/opiumdei-opiumdei\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"opiumdei-opiumdei\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-52994\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/opiumdei-opiumdei.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/giallos-missa-do-galo\/\" title=\"GIALLOS &#8211; MISSA DO GALO\">GIALLOS &#8211; MISSA DO GALO<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-giallos-blaxxxploitation-ep\/\" title=\"RESENHA: GIALLOS &#8211; BLAXXXPLOITATION EP\">RESENHA: GIALLOS &#8211; BLAXXXPLOITATION EP<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/giallos-blaxxxploitation-ep\/\" title=\"GIALLOS &#8211; BLAXXXPLOITATION EP\">GIALLOS &#8211; BLAXXXPLOITATION EP<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-giallos-amor-so-de-mae\/\" title=\"RESENHA: GIALLOS &#8211; AMOR S\u00d3 DE M\u00c3E\">RESENHA: GIALLOS &#8211; AMOR S\u00d3 DE M\u00c3E<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/giallos-e-le-almeida-no-ccsp-como-foi\/\" title=\"GIALLOS E L\u00ca ALMEIDA NO CCSP &#8211; COMO FOI\">GIALLOS E L\u00ca ALMEIDA NO CCSP &#8211; COMO FOI<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A maior trag\u00e9dia humana \u00e9 a pr\u00f3pria humanidade. 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