{"id":53141,"date":"2018-11-13T19:01:39","date_gmt":"2018-11-13T21:01:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=53141"},"modified":"2018-12-13T18:54:28","modified_gmt":"2018-12-13T20:54:28","slug":"tecnologia-e-musica-onde-estao-os-novos-instrumentos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/tecnologia-e-musica-onde-estao-os-novos-instrumentos\/","title":{"rendered":"TECNOLOGIA E M\u00daSICA: ONDE EST\u00c3O OS NOVOS INSTRUMENTOS?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"53150\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/tecnologia-e-musica-onde-estao-os-novos-instrumentos\/artigo-tecnologiaemusica\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/artigo-tecnologiaemusica.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-tecnologiaemusica\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/artigo-tecnologiaemusica.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/artigo-tecnologiaemusica.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-53150\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/artigo-tecnologiaemusica.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/artigo-tecnologiaemusica.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>A tecnologia sempre moldou a m\u00fasica. Quando Steinway adicionou um pedal central ao seu piano de cauda em 1902, ele apresentou possibilidades de composi\u00e7\u00e3o que antes eram imagin\u00e1veis. No entanto, apesar dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos dos \u00faltimos cem anos, os instrumentos que tocamos praticamente n\u00e3o mudaram, e os novos se parecem muito com os antigos. Ent\u00e3o, onde est\u00e3o todos os novos instrumentos musicais?<\/p>\n<p>O destino de novos instrumentos \u00e9 vol\u00favel e, pra seus inventores, o sucesso parece prec\u00e1rio. O saxofone &#8211; o \u00faltimo rec\u00e9m-chegado a ser um sucesso &#8211; foi patenteado por Adolphe Sax, flautista e clarinetista belga, em 1846. Enquanto seu inventor ainda estava vivo, o instrumento teve pe\u00e7a escrita pra ele por Bizet; mas somente depois que Sax morreu, na pen\u00faria, em 1894, ele foi deificado entre os novos sons que o <em>jazz<\/em> trouxe.<\/p>\n<p>Os primeiros instrumentos eletr\u00f4nicos, enquanto isso, est\u00e3o chegando a um s\u00e9culo de idade. O teremim (criado por Lev Sergeyevich Termen em 1920 e patenteado em 1928) e seu primo-\u00f3rg\u00e3o, o Ondas Martenot (criado em 1928 por Maurice Martenot), datam da mesma \u00e9poca. Embora ambos ainda sejam tocados, nenhum deles decolou em popularidade como o sax. A eletrifica\u00e7\u00e3o criou as maiores ondas <em>mainstream<\/em>, produzindo novas vers\u00f5es viscerais do piano em teclados el\u00e9tricos, como o Fender Rhodes, o Wurlitzer e o Clavinet. A guitarra el\u00e9trica, que aturdiu os pais nos anos 1950, foi canonizada desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Os sintetizadores, a mais nova fam\u00edlia de instrumentos, tamb\u00e9m s\u00e3o os mais onipresentes, tendo evolu\u00eddo com novas tecnologias e interfaces a partir dos anos 1960. Em sua forma mais b\u00e1sica, eles compartilham o tra\u00e7o comum de converter sinais el\u00e9tricos em som; mas sua extensa genealogia inclui linhas modulares e integradas, monof\u00f4nicas, polif\u00f4nicas, anal\u00f3gicas e digitais. Os modelos ca\u00edram de moda t\u00e3o rapidamente quanto os g\u00eaneros que eles definiram se cristalizaram na consci\u00eancia popular; enquanto os inventores competiam pra produzir itera\u00e7\u00f5es aprimoradas e descobrir novos sons. Mas, apesar de toda a sua engenhosidade e expans\u00e3o da possibilidade musical, quase todos os sintetizadores comerciais est\u00e3o presos no molde do teclado. Outras interfaces mais novas, como o sintetizador de guitarra e o Stylophone, tiveram seus momentos e ficaram pra tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que milhares de formas de instrumentos inventivos n\u00e3o sejam criadas a cada ano. No anual <a href=\"http:\/\/www.guthman.gatech.edu\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Guthman Musical Instrument Competition<\/a> no Instituto De Tecnologia Da Georgia, em Atlanta, Esteites &#8211; &#8220;um evento anual que visa identificar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais do mundo e desvendar as melhores novas ideias em musicalidade, <em>design<\/em>, engenharia e impacto&#8221;, como o pr\u00f3prio evento se descreve, anunciado-se como uma esp\u00e9cie de Confer\u00eancia TED pra novos <em>designers<\/em> de instrumentos musicais &#8211; um painel de ju\u00edzes decide qual apresenta\u00e7\u00e3o melhor redefine o que constitui um instrumento musical e como a m\u00fasica \u00e9 feita e experimentada. Os vencedores recentes incluem o ac\u00fastico yaybahar de cordas turco (veja v\u00eddeo abaixo) e o sintetizador port\u00e1til da empresa sueca Teenage Engineering, o OP-1 (veja v\u00eddeo abaixo). No entanto, apesar da aten\u00e7\u00e3o que a competi\u00e7\u00e3o recebe, a maioria dos vencedores se restringe \u00e0quela apresenta\u00e7\u00e3o. Poucos chegam ao mercado, poucos v\u00eaem os limites do seu potencial explorado e menos ainda t\u00eam novas m\u00fasicas compostas a partir deles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_aY6TxC1ojA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7z4hoazra_g\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Um problema, de acordo com Adam Harper, autor de &#8220;Infinite Music&#8221; e musicologista na Universidade De Oxford, \u00e9 que os m\u00fasicos ficam presos pela profissionaliza\u00e7\u00e3o depois de dedicar anos pra dominar um instrumento. &#8220;O instrumento que voc\u00ea toca define voc\u00ea. Voc\u00ea \u00e9 saxofonista ou pianista, toca um ou talvez um instrumento e meio e voc\u00ea se alterna entre os dois&#8221;.<\/p>\n<p>Pros fabricantes de instrumentos, isso apresenta dois problemas: como fazer com que m\u00fasicos usem seu novo instrumento; e como induzir os compositores a escreverem uma nova m\u00fasica com ele, especialmente se a sobreviv\u00eancia de suas partituras estiver ligada \u00e0 longevidade do instrumento. E tem toda a parafern\u00e1lia &#8211; microfones, <em>multitracking<\/em> e <em>delays<\/em>. Somente percussionistas na orquestra devem tocar v\u00e1rios instrumentos; e \u00e9 a adaptabilidade inerente desta se\u00e7\u00e3o que a fez crescer e mudar, adicionando elementos de tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o-ocidentais, como tambores de a\u00e7o e ganz\u00e1 brasileiro, e um novo <em>kit<\/em> como o vibrafone.<\/p>\n<p>O advento da grava\u00e7\u00e3o e do est\u00fadio tamb\u00e9m deteve o desenvolvimento. A capacidade de gravar e reouvir performances dramaticamente acelerou a obsess\u00e3o profissional com o perfeccionismo, elevando os padr\u00f5es de jogo. E desde o in\u00edcio a distin\u00e7\u00e3o entre equipamento de grava\u00e7\u00e3o, tecnologia e instrumentos reconhecidos n\u00e3o era clara &#8211; mesmo pra seus inventores.<\/p>\n<p>Os primeiros sintetizadores Moog, no in\u00edcio dos anos 1970, foram comercializados como &#8220;equipamento de \u00e1udio profissional&#8221;. Os gravadores foram utilizados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940 pelo compositor franc\u00eas Pierre Schaeffer, co-fundador do movimento <em>musique concr\u00e8te<\/em>, que lan\u00e7ou as bases pros <em>samplers<\/em>. Mais tarde, em 1979, Brian Eno falou sobre o potencial do est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o como ferramenta de composi\u00e7\u00e3o. A compreens\u00e3o atual dos instrumentos torna-se muito mais diversificada. Quase tudo, desde um <em>software<\/em> at\u00e9 uma placa <a href=\"https:\/\/www.arduino.cc\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Arduino<\/a>, pode ser classificado como um instrumento.<\/p>\n<p>Muitas vezes, as inten\u00e7\u00f5es dos inventores eram imprecisas. A lend\u00e1ria <em>drum machine<\/em> program\u00e1vel TR-808, fabricada pela empresa japonesa Roland em 1981 e descontinuada em 1984, foi feita pra demos de banda. Seu pre\u00e7o era alto e esperava-se que parecesse realista, mas o barulho que fez foi muito pouco semelhante ao de qualquer <em>kit<\/em> de bateria conhecido.<\/p>\n<p>&#8220;Eles fizeram o melhor que puderam com a tecnologia anal\u00f3gica e isso soou uma merda&#8221;, diria mais tarde Sean Montgomery, gerente de produtos da Roland. Em vez disso, seus estranhos sons de computador foram abra\u00e7ados por m\u00fasicos como Ryuichi Sakamoto, da Yellow Magic Orchestra. E, como muitos outros sintetizadores, o fracasso comercial foi a causa de seu sucesso posterior, pois saiu da produ\u00e7\u00e3o e p\u00f4de ser adquirido a pre\u00e7o de banana no mercado de revenda por m\u00fasicos mais jovens.<\/p>\n<p>Nos Esteites, nas m\u00e3os do Afrika Bambaataa e do Egyptian Lover, as batidas do TR-808 lan\u00e7aram as bases do <em>hip-hop.<\/em> Ao mesmo tempo, Juan Atkins, influenciado pelo Kraftwerk, fundou o <em>techno<\/em> de Detroit. T\u00e3o influente \u00e9 o 808 que um document\u00e1rio narrando sua hist\u00f3ria estreou no festival de cinema SxSW 2016 (veja trailer abaixo).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LMPzuRWoNgE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;As pessoas v\u00e3o usar os instrumentos como sempre&#8221;, diz Roger Linn, o homem por tr\u00e1s do LM-1 Drum Computer, um modelo mais realista que surgiu logo ap\u00f3s o 808, acelerando a sua morte. &#8220;E eu estou surpreso, \u00e0s vezes agradavelmente e \u00e0s vezes desagradavelmente&#8221;. Linn deveria saber, porque em 1988 ele ajudou a Akai a produzir o MPC60 (MIDI Production Center 60), uma pequena bateria eletr\u00f4nica com dezesseis bot\u00f5es que podia samplear vinte e seis segundos de \u00e1udio. Isso acidentalmente introduziu o <em>sampler<\/em> na m\u00fasica moderna. &#8220;Os m\u00fasicos me perguntavam: &#8216;posso ter mais duzentos a trezentos segundos de mem\u00f3ria?&#8217; E quando eu perguntei: &#8216;Por que voc\u00eas precisariam disso?&#8217;. Eles disseram: &#8216;gostar\u00edamos de usar isso como base pra nossa m\u00fasica&#8217;. E eu pensei, \u00e9 uma ideia maluca, mas \u00e9 claro que a cria\u00e7\u00e3o de <em>loops<\/em> preexistentes se tornou uma base pra composi\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea&#8221;.<\/p>\n<p>Usado pelos pioneiros A Tribe Called Quest, De La Soul e The Pharcyde, o MPC60 deu ao produtor os meios pra criar <em>beats<\/em>, sequ\u00eancias de instrumentos e <em>samples<\/em> de sons em uma \u00fanica m\u00e1quina, mesclando composi\u00e7\u00e3o em tempo real com grava\u00e7\u00e3o. No final da d\u00e9cada de 1990, MPCs e <em>samplers<\/em> foram substitu\u00eddos por esta\u00e7\u00f5es de trabalho de \u00e1udio digital (DAWs) &#8211; <em>softwares<\/em> como Ableton Live, Cubase e Logic &#8211; pra organizar faixas. Enquanto sintetizadores caros e baterias eletr\u00f4nicas que foram criados originalmente pra substituir instrumentos ac\u00fasticos e artistas ao vivo foram substitu\u00eddos por vers\u00f5es de <em>software<\/em> usando controladores MIDI pra manusear sons produzidos digitalmente. Os computadores haviam vencido e o virtuosismo musical come\u00e7ou a assumir formas mais cerebrais.<\/p>\n<p>&#8220;O grande benef\u00edcio dos sequenciadores de computador&#8221;, segundo Brian Eno, &#8220;\u00e9 que eles removem a quest\u00e3o da habilidade e a substituem pela quest\u00e3o do julgamento&#8221;.<\/p>\n<p>MIDI \u00e9 o primeiro contato da maioria dos jovens ao fazer m\u00fasica hoje. Criado em meados dos anos 1980 pelo <em>designer<\/em> de sintetizadores Dave Smith e Ikutaro Kakehashi (da Sequential Circuits e Roland), o MIDI (Musical Instrument Digital Interface) \u00e9 um protocolo pra sincronizar sintetizadores, baterias eletr\u00f4nicas digitais e sequenciadores e que mudou os par\u00e2metros da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Como acontece com a maioria da tecnologia hoje em dia, seus controladores est\u00e3o confinados a bot\u00f5es, <em>dials<\/em> e <em>faders<\/em>, que perdem aquela sensa\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica em tempo real que os instrumentos ac\u00fasticos ou anal\u00f3gicos ofereciam. No passado, voc\u00ea poderia usar a sua respira\u00e7\u00e3o ou a batida dos dedos pra variar uma nota e seu volume, timbre ou tom, mas na maioria das m\u00fasicas geradas eletronicamente n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a no som entre quando uma nota come\u00e7a e termina. Limitado pela sua interface, sons sintetizados ou gerados eletronicamente perderam alguns aspectos da express\u00e3o. Os teclados de piano MIDI s\u00e3o &#8220;essencialmente um conjunto de bot\u00f5es <em>on-off<\/em> e pouco mais que isso&#8221;, diz Linn.<\/p>\n<p>Mas Linn acredita que estamos \u00e0 beira de uma revolu\u00e7\u00e3o. &#8220;Voc\u00ea pode olhar pro per\u00edodo entre 1970 e 2020 como um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o pra instrumentos musicais, quando as pessoas tocam m\u00fasica com bot\u00f5es criados pra gerar dados, n\u00e3o pra criar m\u00fasica&#8221;. Linn espera o retorno de uma qualidade visceral da produ\u00e7\u00e3o musical e da express\u00e3o f\u00edsica. Como se invertesse o caminho tra\u00e7ado pelos <em>samplers<\/em>, ele \u00e9 um dos cinco inventores de instrumentos atualmente redesenhando a tecnologia musical em torno dos sentidos humanos; e fazer instrumentos que respondam a gestos e movimentos sutis pra formar um som palp\u00e1vel. Novos aparelhos como o <a href=\"http:\/\/www.rogerlinndesign.com\/linnstrument.html\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">LinnStrument<\/a> e o <a href=\"https:\/\/roli.com\/products\/seaboard\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Seaboard<\/a> s\u00e3o controladores MIDI que se concentram na express\u00e3o f\u00edsica; e, como tal, podem for\u00e7ar um novo paradigma de cria\u00e7\u00e3o de instrumentos.<\/p>\n<p>&#8220;Depois de 2020, vamos come\u00e7ar a ver o retorno do virtuosismo e da habilidade de performance&#8221;, diz Linn, com confian\u00e7a. Tendo estado no ramo por tanto tempo, ele tem uma credibilidade alta; e sua forma\u00e7\u00e3o musical pode diferir do seu conhecimento t\u00e9cnico m\u00e9dio em tecnologia musical: seu pai era professor de m\u00fasica e sua m\u00e3e cantava \u00f3pera.<\/p>\n<p>O LinnStrument possui tr\u00eas antecessores: o Eigenharp, Continuum e Soundplane, que permitem a modula\u00e7\u00e3o f\u00edsica do <em>pitch<\/em>, volume e timbre. A cria\u00e7\u00e3o de Linn \u00e9 uma placa plana sens\u00edvel \u00e0 press\u00e3o com oito linhas transl\u00facidas que combinam os esquemas de notas de um violino e viol\u00e3o. Cada linha tem semitons consecutivos, como os encontrados em instrumentos de cordas, que voc\u00ea pode deslizar entre os dois e que soam como no baixo. A facilidade de tocar \u00e9 essencial. Segundo Linn, a facilidade de tocar e produzir o tom certo \u00e9 o que tem dificultado instrumentos ac\u00fasticos mais arcaicos.<\/p>\n<p>A Seaboard Rise, lan\u00e7ada no final do ano passado, combina <em>design<\/em> de produto com inova\u00e7\u00e3o musical. A Seaboard foi inventada por Roland Lamb, cuja <em>startup<\/em> Roli n\u00e3o se sentiria deslocada ao lado de companhias de m\u00fasica como Sonos e Ableton. \u00c9 usada por artistas como o compositor Hans Zimmer, o organista Cory Henry e os m\u00fasicos Dam Funk e London O&#8217;Connor. Mas Lamb pretende incorporar o instrumento em escolas de m\u00fasica e consolidar o apelo com m\u00fasicos em g\u00eaneros t\u00e3o amplos quanto <em>hip-hop<\/em>, eletr\u00f4nica, <em>jazz<\/em> e m\u00fasica cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>A Seaboard evoluiu a partir do teclado de piano, mas n\u00e3o possui teclas cl\u00e1ssicas, sua placa sens\u00edvel \u00e0 press\u00e3o permite que os m\u00fasicos produzam tons entre os doze padr\u00f5es; e variar o volume e o timbre atrav\u00e9s do toque. As teclas suaves do instrumento fazem com que a experi\u00eancia de tocar seja mais sensorial, intuitiva e org\u00e2nica. Atrav\u00e9s do toque, os m\u00fasicos podem tentar reproduzir a sensa\u00e7\u00e3o de tocar um instrumento ac\u00fastico.<\/p>\n<p>Eis a Rise:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dS7K1QHnB00\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E aqui a Grand:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P2syqXx97LE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Lamb expressa a mesma cren\u00e7a de Linn: que a m\u00fasica digital est\u00e1 mudando. &#8220;Acho que agora estamos diante de um novo come\u00e7o na m\u00fasica. Os mundos da m\u00fasica digital e ac\u00fastica est\u00e3o come\u00e7ando a se unir&#8221;, <a href=\"https:\/\/www.dezeen.com\/2014\/08\/19\/movie-interview-roland-lamb-roli-seaboard-grand-new-beginning-music\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">disse ele \u00e0 revista Dezeen<\/a>.<\/p>\n<p>Lamb praticava o zen budismo no Jap\u00e3o e estudou filosofia cl\u00e1ssica chinesa e s\u00e2nscrita em Harvard antes de fazer mestrado em <em>design<\/em> no Royal College Of Art, com o israelense Ron Arad, onde desenvolveu seu conceito pra Seaboard. L\u00e1, seu examinador externo escolhido foi Roger Linn. A determina\u00e7\u00e3o de Lamb pra incorporar sua inven\u00e7\u00e3o nas escolas j\u00e1 valeu: tocar o instrumento agora \u00e9 obrigat\u00f3rio pra estudantes de m\u00fasica eletr\u00f4nica no Guildhall de Londres. Ele tamb\u00e9m est\u00e1 come\u00e7ando a ser tocado por estudantes no primeiro conservat\u00f3rio de m\u00fasica da \u00cdndia, o KM Institute em Bangalore, o que poderia abrir possibilidades interessantes pra m\u00fasica indiana shruti, em que os tons n\u00e3o correspondem ao sistema ocidental de doze notas.<\/p>\n<p>&#8220;A institui\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica est\u00e1 num turbilh\u00e3o realmente interessante&#8221;, diz Adam Harper. &#8220;Os jovens que chegam est\u00e3o se inspirando na m\u00fasica subterr\u00e2nea, eletr\u00f4nica e popular, e est\u00e3o tendo que encontrar uma maneira de combinar essas tradi\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Talvez estejamos vendo um retorno aos prim\u00f3rdios da m\u00fasica eletr\u00f4nica quando, no esp\u00edrito do experimento, compositores como Karlheinz Stockhausen e Harrison Birtwistle visitaram o est\u00fadio EMS de Peter Zinovieff, em seu galp\u00e3o em Putney. Hoje, grupos de jovens m\u00fasicos como a London Contemporary Orchestra est\u00e3o colaborando com m\u00fasicos eletr\u00f4nicos como Actress, que n\u00e3o s\u00e3o treinados musicalmente.<\/p>\n<p>Essa converg\u00eancia n\u00e3o para na m\u00fasica cl\u00e1ssica e eletr\u00f4nica. Desde que o software DAW gratuito e pirateado se tornou dispon\u00edvel, quase qualquer um com um <em>laptop<\/em> e acesso \u00e0 Internet pode compor e fazer m\u00fasica baixando amostras e sons que podem replicar qualquer instrumento, desde um gamel\u00e3o balin\u00eas \u00e0 batida da 808. Desde que as plataformas de <em>streaming<\/em> e compartilhamento se tornaram difundidas, a amplitude da m\u00fasica dispon\u00edvel e o apetite das pessoas se expandiram maci\u00e7amente. &#8220;Nenhum g\u00eanero \u00e9 particularmente tabu&#8221;, diz Dick Rijkin, diretor do STEIM (Studio for Electro-Instrumental Music). &#8220;Dentro do <em>mainstream<\/em>, um interessante processo reflexivo est\u00e1 em andamento, onde quase n\u00e3o h\u00e1 mais sentido de desenvolvimento linear no tempo. As pessoas est\u00e3o combinando as coisas mais loucas&#8221;.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do Bandcamp e do Soundcloud, Kanye West tem atra\u00eddo e tirando produtores como Arca &#8211; que agora trabalha com Bj\u00f6rk &#8211; e Evian Christ da relativa obscuridade. Juntamente com isso, um artista de <em>hip-hop<\/em> como Kanye tamb\u00e9m est\u00e1 explorando os tesouros de <em>soul<\/em> e <em>disco<\/em>, e experimentando m\u00fasicos de nicho, como o falecido violoncelista, compositor e pioneiro do disco Arthur Russell.<\/p>\n<p>Paix\u00e3o por sons antigos e obsolesc\u00eancia tecnol\u00f3gica t\u00eam impulsionado a demanda por sintetizadores Eurorack de segunda m\u00e3o que est\u00e3o agora fora de produ\u00e7\u00e3o, massivamente inflando seus pre\u00e7os e encorajando as empresas originais como Yamaha, Korg e Roland a reviver seus melhores modelos. Em 2015, a Roland come\u00e7ou a vender seu primeiro sintetizador modular em vinte e cinco anos, o <a href=\"https:\/\/www.roland.com\/global\/promos\/system-500\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">System-500<\/a>. A Korg lan\u00e7ou um <em>remake<\/em> do <a href=\"https:\/\/www.korg.com\/us\/products\/synthesizers\/arpodyssey\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ARP Odyssey<\/a>, que j\u00e1 tem quarenta anos. E depois do seu quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio, a Moog est\u00e1 refazendo n\u00fameros limitados de seus primeiros sintetizadores modulares. Revistas de m\u00fasica como FACT e Resident Advisor dedicam se\u00e7\u00f5es inteiras pra acompanhar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que as grandes empresas est\u00e3o engajadas nesse tipo de produ\u00e7\u00e3o regressiva, em vez de explorar novas formas de express\u00e3o? Roger Linn acha que eles deixar\u00e3o os pioneiros testarem o mercado primeiro, embora possamos ver as grandes empresas lan\u00e7ando novos controladores.<\/p>\n<p>Mesmo que instrumentos como a Rise ou a LinnStrument permitam mais express\u00f5es f\u00edsicas, eles ainda s\u00e3o limitados pelo formato em que s\u00e3o expressos: MIDI. Antes do advento do MIDI, argumenta o fil\u00f3sofo e compositor Jaron Lanier, em sua pol\u00eamica <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/You-Are-Not-Gadget-Manifesto\/dp\/0307389979\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">&#8220;You Are Not A Gadget<br \/>\n&#8211; A Manifesto&#8221;<\/a>, &#8220;uma nota musical era um campo ilimitado de possibilidades: quando um m\u00fasico canta ou toca um instrumento, n\u00e3o h\u00e1 duas notas iguais&#8221;. Mas m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 dado e MIDI lava a m\u00fasica e n\u00f3s aceitamos sua vers\u00e3o dilu\u00edda do som. O produtor e m\u00fasico Aaron David Ross, que tem forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica e estudou codifica\u00e7\u00e3o, concorda. &#8220;H\u00e1 cerca de mil diferentes articula\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis pra um pianista por nota. O padr\u00e3o MIDI reduz para cento e vinte e sete. Isso n\u00e3o \u00e9 um problema em muitos estilos musicais, particularmente na <em>dance music<\/em>, onde as din\u00e2micas s\u00e3o frequentemente planas e altas, mas pras mais expressivas formas compostas, como m\u00fasica experimental ou trilha sonora de filmes, essa resolu\u00e7\u00e3o emocional extra poderia ser crucial&#8221;.<\/p>\n<p>Ross tamb\u00e9m toca em outro problema: o MIDI est\u00e1 t\u00e3o padronizado no sistema que ser\u00e1 dif\u00edcil desfazer seu bloqueio tecnol\u00f3gico. &#8220;Tantas empresas independentes est\u00e3o criando <em>softwares<\/em> dentro das mesmas especifica\u00e7\u00f5es estabelecidas que novos controladores de <em>hardware<\/em> altamente expressivos dificilmente seriam incompat\u00edveis de maneira direta&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, a tens\u00e3o entre o artificial e o aut\u00eantico que prevaleceu nos debates sobre o ac\u00fastico versus el\u00e9trico e o anal\u00f3gico versus o digital continua. Argumentos sobre ferramentas e tecnologias, o estranho e o familiar, seguem \u00e0 medida que a obsolesc\u00eancia tecnol\u00f3gica ganha paix\u00e3o e os sons crus se enchem de alma com o tempo.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o nost\u00e1lgicas das baixas taxas de <em>bits<\/em> da sujeira inicial&#8221;, diz Adam Harper, &#8220;como conseguiram atrav\u00e9s de obsoletas plataformas de compartilhamento de arquivos Limewire e Fileshare nos primeiros anos. Hoje em dia, as pessoas dizem que as baterias eletr\u00f4nicas t\u00eam alma. Quem sabe, talvez daqui a cinquenta anos as pessoas estar\u00e3o ouvindo MP3s e dizendo que esses foram os bons e velhos tempos da m\u00fasica real&#8221;.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em>Artigo publicado originalmente em 2 de setembro de 2016 por Sharon Thiruchelvam, na <a href=\"https:\/\/thelongandshort.org\/machines\/how-to-invent-new-musical-instruments\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">The Lond And Short<\/a>. A tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi diretamente autorizada e \u00e9 totalmente livre.<\/em><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/estaria-a-producao-musical-presa-num-loop-de-nostalgia\/\" title=\"ESTARIA A PRODU\u00c7\u00c3O MUSICAL PRESA NUM LOOP DE NOSTALGIA?\">ESTARIA A PRODU\u00c7\u00c3O MUSICAL PRESA NUM LOOP DE NOSTALGIA?<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tecnologia sempre moldou a m\u00fasica. 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