{"id":53702,"date":"2019-02-01T14:15:53","date_gmt":"2019-02-01T16:15:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=53702"},"modified":"2019-02-01T14:15:53","modified_gmt":"2019-02-01T16:15:53","slug":"resenha-boreal-boreal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-boreal-boreal\/","title":{"rendered":"RESENHA: BOREAL &#8211; BOREAL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"53703\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-boreal-boreal\/boreal-capa-boreal\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?fit=540%2C540\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"boreal-capa-boreal\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?fit=540%2C540\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-53703\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Comprimida entre guitarras que parecem querer sair de um sufoco, a introdu\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum surge como uma amostra sintom\u00e1tica de um tipo de rock cheio de energia e p\u00e9 nos anos 1990. Mas gradualmente a banda revela-se como um n\u00facleo capaz de ir por v\u00e1rias sonoridades, de modo que as can\u00e7\u00f5es evadem de sua proposta inicial pra algo mais vasto. As m\u00fasicas, que se iniciam m\u00ednimas, perdem essa caracter\u00edstica pra explodirem por uma catarse &#8211; \u00e9 nessa din\u00e2mica entre quieto\/alto que o \u00e1lbum circula. S\u00e3o favorecidos arranjos din\u00e2micos que permitem a introdu\u00e7\u00e3o de novos instrumentos e uma queda pra participa\u00e7\u00f5es vocais ainda mais mel\u00f3dicas. A for\u00e7a criativa do Boreal \u00e9 evidenciada tamb\u00e9m nessas evas\u00f5es, principalmente do que pode surgir na tens\u00e3o entre os momentos mais tradicionais e o surgimento de algo inesperado.<\/p>\n<p>Essa criatividade encontra tamb\u00e9m cat\u00e1lise nos momentos ditos &#8220;tradicionais&#8221; e eles s\u00e3o revisitados de maneira diferente quando passaram por uma transforma\u00e7\u00e3o anterior. Esse conceito de &#8220;transi\u00e7\u00f5es&#8221; sedimenta uma trilha de maravilhas poss\u00edveis, porque &#8211; abrigando exterioridades e transforma\u00e7\u00f5es &#8211; nunca se ouve as m\u00fasicas da mesma maneira; seja por uma explos\u00e3o de guitarra ou por uma gaita trocando todo o andamento da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Movendo-se nessa trilha de desajustes, as tentativas do Boreal mant\u00eam o ouvinte ansioso pelas pr\u00f3ximas mudan\u00e7as, porque elas s\u00e3o garantidas. A cria\u00e7\u00e3o de uma ambi\u00eancia bem espec\u00edfica embala o disco; as guitarras arranhadas, os vocais calmos, as entradas esparsas pra momentos que beiram o improviso.<\/p>\n<p>A revisita\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios momentos no \u00e1lbum fideliza uma caracter\u00edstica expressiva em que o ouvinte ca\u00ed num paradoxo; ele \u00e9 pego de surpresa, mas tamb\u00e9m j\u00e1 estava entrando no cl\u00edmax da constru\u00e7\u00e3o. S\u00e3o individualidades que n\u00e3o se anulam, elas se auto-alimentam.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, Boreal surge como um mundo de encontros com objetos inapreens\u00edveis, como se estivessem sempre em contato com ecos de outras resson\u00e2ncias. &#8220;Nova&#8221;, a segunda faixa, talvez seja em que a mudan\u00e7a mais surpreender\u00e1 &#8211; desembocar\u00e1 em um caminho meio distorcido pra voltar \u00e0 sua rota\u00e7\u00e3o antecessora. &#8220;Start&#8221; tamb\u00e9m surge comprimida num sufoco, com a m\u00fasica intencionalmente retida em versos bonitos de guitarra. Movimentos contr\u00e1rios que coexistem pra multiplicar as dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o auxilia nesse transbordo de coexist\u00eancias, o fato de o disco soar como uma banda ao vivo que possibilita o encanto com a densidade instrumental. \u00c9 ingerido, nos calmos e mel\u00f3dicos vocais, uma estrutura instrumental que potencializa as pr\u00f3prias letras, al\u00e7ando-as a outro significado. Essa entrega vocal &#8211; que \u00e0s vezes acompanha, \u00e0s vezes contraria o plano de fundo sonoro &#8211; tamb\u00e9m caracteriza novas expressividades ao todo instrumental.<\/p>\n<p>A originalidade, que parece t\u00e3o improv\u00e1vel ao se falar em nomes do rock alternativo, \u00e9 encontrada justamente porque o disco parece surgir de tens\u00f5es que se abastecem. Como se fossem microcorrup\u00e7\u00f5es que criassem frestas pra outras abordagens entrarem. S\u00e3o diversas linhas que ilustram a sede por novos caminhos e propostas inventivas da banda. S\u00e3o v\u00e1rios enredos que formam uma massa sonora embrenhada, cheia de sons bonitos, entradas, sa\u00eddas e labirintos.<\/p>\n<p>Como m\u00fasicos, o Boreal aparenta querer salientar sentimentos pungentes, e \u00e9 por isso que n\u00e3o h\u00e1 receio em otimizar todos os momentos nas can\u00e7\u00f5es pra perceber se \u00e9 poss\u00edvel encontrar catarse em cada instante, calmo ou raivoso. Seriam coisas vazias de se explicar ou mesmo entender, \u00e9 preciso haver certa confus\u00e3o pra melhor se relacionar com todas as dimens\u00f5es que se mostram poss\u00edveis. Elas n\u00e3o se evidenciam diretamente, nem poderiam &#8211; s\u00e3o poderosas e complexas demais pra isso. Da teia de similaridades inaugurais que as m\u00fasicas se afastam, pra explodir e liberar tudo o que n\u00e3o pode ser transmitido pelo simples verso-ponte-refr\u00e3o-outro.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 340px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1683948\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/borealsp.bandcamp.com\/album\/boreal\">Boreal by Boreal<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 de um espa\u00e7o de evas\u00f5es e constantes reentr\u00e2ncias. Uma fachada que transmuta sons, absorvendo &#8211; lentamente &#8211; mudan\u00e7as que de repente se mostram gigantescas. Eles trabalham de forma calma tendo certeza de seu pr\u00f3prio transtorno. S\u00e3o sentimentos arremessados e misturados at\u00e9 que moldem um enigma escondido que se imp\u00f5e fortemente, como se fosse alheio a alguma l\u00f3gica.<\/p>\n<p>E embora possa parecer redundante e prolongado falar do disco que abriga tantas contrariedades, \u00e9 necess\u00e1rio relatar esses desencontros. Estes n\u00e3o s\u00e3o prolongamentos desnecess\u00e1rios, mas desenvolvimentos de uma banda que entende a necessidade paradoxal de articular a si mesma.<\/p>\n<p>O contexto sonoro aprecia uma longa gesta\u00e7\u00e3o, uma produ\u00e7\u00e3o que envolve diferentes abordagens pra relatar a mesma dificuldade. Dos melhores nomes do rock alternativo dos anos 80\/90 \u00e0s coisas mais recentes produzidas no <em>dream pop<\/em>, s\u00f3 um tempo longo de cria\u00e7\u00e3o poderia fazer deste disco de estreia algo original, algum tipo de som que se estendesse tanto que n\u00e3o poderia pertencer a mais ningu\u00e9m. Uma base em que as influ\u00eancias surgem como pot\u00eancia criativa e transformadora, abrigando nuances suficientes pra caracterizar uma ambi\u00eancia do Boreal.<\/p>\n<p>Enquanto \u00e1lbum, Boreal indubitavelmente ressoa um esfor\u00e7o fiel da necessidade representativa dos integrantes. Uma fidelidade mais adepta \u00e0s suas confus\u00f5es e catarses, que destoam o disco de um &#8220;indie rock&#8221; b\u00e1sico. Porque eles t\u00eam um not\u00e1vel senso de estrutura, mas tamb\u00e9m porque essa mesma t\u00e9cnica estrutural n\u00e3o se imp\u00f5e como regra e \u00e9 derrubada v\u00e1rias vezes. E enquanto \u00e9 certo que isso surpreende os ouvintes, \u00e9 ainda mais intrigante pelo fato de que representa constantes tentativas de rupturas. Em que o mundo \u00e9 cada vez mais turvo e por isso abriga tantas possibilidades; que se somam, se retraem, se destroem. <\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. 7:37<br \/>\n2. Nova<br \/>\n3. Start?<br \/>\n4. Change<br \/>\n5. Home<br \/>\n6. Far<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 8,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 14 de janeiro de 2019<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 30 minutos e 08 segundos<br \/>\nSelo: Independente<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Boreal<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. CARON &#8211; A JUVENTUDE DO RIO DE JANEIRO RESPIRA POR APARELHOS RUIDOSOS\">RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. CARON &#8211; A JUVENTUDE DO RIO DE JANEIRO RESPIRA POR APARELHOS RUIDOSOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-sei-still-el-refugio\/\" title=\"RESENHA: SEI STILL &#8211; EL REFUGIO\">RESENHA: SEI STILL &#8211; EL REFUGIO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-taqbir-taqbir-ep\/\" title=\"RESENHA: TAQBIR &#8211; TAQBIR (EP)\">RESENHA: TAQBIR &#8211; TAQBIR (EP)<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comprimida entre guitarras que parecem querer sair de um sufoco, a introdu\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum surge como uma amostra sintom\u00e1tica de um tipo de rock cheio [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":53703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[915],"tags":[2644,2156],"class_list":["post-53702","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenha","tag-boreal","tag-resenha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/boreal-capa-boreal.jpg?fit=540%2C540","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-dYa","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53702"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53704,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53702\/revisions\/53704"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53703"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}