{"id":54302,"date":"2019-05-21T15:39:02","date_gmt":"2019-05-21T18:39:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=54302"},"modified":"2019-06-25T20:39:15","modified_gmt":"2019-06-25T23:39:15","slug":"radiohead-em-no-surprises-um-trabalho-que-te-mata-aos-poucos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/radiohead-em-no-surprises-um-trabalho-que-te-mata-aos-poucos\/","title":{"rendered":"RADIOHEAD EM &#8220;NO SURPRISES&#8221;: UM TRABALHO QUE TE MATA AOS POUCOS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"54304\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/radiohead-em-no-surprises-um-trabalho-que-te-mata-aos-poucos\/artigo-radiohead-nosurprises2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises2.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-radiohead-nosurprises2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises2.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-54304\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises2.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises2.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 modo de dizer: h\u00e1 artistas que literalmente sofrem pela sua arte. Thom Yorke deu sua cota. O v\u00eddeo de &#8220;No Surprises&#8221;, pra promover o ora recente lan\u00e7amento de &#8220;OK Computer&#8221;, terceiro disco do Radiohead, de 1997, foi um sufoco, sem trucagens, sem dubl\u00eas.<\/p>\n<p>Ao lan\u00e7ar o document\u00e1rio &#8220;Meeting People Is Easy&#8221;, o diretor Grant Gee revelou os bastidores do angustiante v\u00eddeo pra intensa can\u00e7\u00e3o. O document\u00e1rio, lan\u00e7ado em 1998, onde Gee acompanha a banda na turn\u00ea de &#8220;OK Computer&#8221;, ganhou o Grammy em 2000 pra filme musical e mostrava o nascimento do Radiohead pro sucesso.<\/p>\n<p>&#8220;Em 1996, fiz meu primeiro filme&#8221;, <a href=\"https:\/\/thequietus.com\/articles\/23859-grant-gee-radiohead-interview-meeting-people-is-easy\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">disse Gee \u00e0 The Quietus, em 2018<\/a>, &#8220;era uma pe\u00e7a de trinta minutos chamada &#8216;Found Sound&#8217;, que acompanhava e promovia o \u00e1lbum de mesmo t\u00edtulo do Spooky (<em>lan\u00e7ado naquele mesmo ano<\/em>, <a href=\"https:\/\/youtu.be\/-XgrkpelIH0\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">clique aqui pra ouvir<\/a>). Mais tarde, descobri que Thom Yorke era f\u00e3 do disco e que o Radiohead usava algumas faixas nos primeiros shows da turn\u00ea do &#8216;OK Computer&#8217;. Foi &#8216;Found Sound&#8217; que me fez conhecer Dilly Gent, da Parlophone&#8221;, o selo que lan\u00e7ou a obra-prima do Radiohead.<\/p>\n<p>&#8220;Dilly&#8221;, ele segue, &#8220;tinha a ideia de fazer um v\u00eddeo pra cada m\u00fasica de &#8216;OK Computer&#8217; e me deu um cassete antes do disco ser lan\u00e7ado, pedindo que eu tivesse ideias pras faixas que eu curtisse. Escolhi &#8216;No Surpirses&#8217; e &#8216;Fitter Happier&#8217;. Minha ideia pra &#8216;No Surprises&#8217; era bem ruim (&#8230;) e a gente ia fazer depois, mas creio que os primeiros v\u00eddeos filmados (&#8216;Paranoid Android&#8217; e &#8216;Karma Police&#8217;) ficaram bem acima do or\u00e7amento e o projeto de fazer um v\u00eddeo pra cada faixa n\u00e3o rolou&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Mas ainda havia a ideia de fazer uma esp\u00e9cie de filme pra seguir junto a &#8216;OK Computer&#8217; e, acho que como um plano B de baixo or\u00e7amento, pediram-me pra ir \u00e0 Barcelona e documentar o lan\u00e7amento do \u00e1lbum. Seriam tr\u00eas dias de entrevistas com a banda e dois shows mostrando as faixas do novo disco. E rolou. Filmei tudo. Achei que seria maravilhoso conseguir convencer a banda e a gravadora a permitir que eu repetisse as filmagens em v\u00e1rios pontos da turn\u00ea mundial ao longo do ano seguinte. Seis meses depois, a Parlophone precisava de um v\u00eddeo pro <em>single<\/em> &#8216;No Surprises&#8217; e n\u00e3o gostou de nenhuma das ideias que recebeu dos poss\u00edveis diretores, ent\u00e3o, como eu estava por perto, eles me perguntaram se eu queria ter outra chance. Desta vez, eu estava dentro daquela m\u00e1quina e sabia o que seria aprovado&#8221;.<\/p>\n<p>Isso queria dizer basicamente algum tipo de v\u00eddeo &#8220;esquisito&#8221;. Era o que o Radiohead vinha fazendo h\u00e1 um tempo: v\u00eddeos esquisitos. E Gee j\u00e1 tinha reparado nos bastidores da turn\u00ea essa prefer\u00eancia pelo n\u00e3o-usual.<\/p>\n<p>Em outra entrevista, <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20090515205450\/http:\/\/www.ifc.com\/news\/2009\/04\/is-meeting-people-still-easy.php\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">essa realizada em 1998<\/a>, Gee lembra que esse tipo de direcionamento moldou a constru\u00e7\u00e3o do seu document\u00e1rios tamb\u00e9m: &#8220;algumas das m\u00fasicas s\u00e3o <em>B-sides<\/em> ou coisas que nunca foram lan\u00e7adas, como uma chamada &#8216;You Follow Me Around&#8217;. Acho que eles escreveram numa noite, e ent\u00e3o eles tocaram no dia seguinte e eu estava l\u00e1. N\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica \u00f3tima, mas foi t\u00e3o ador\u00e1vel ouvir essa banda e essa m\u00fasica acontecerem. Thom come\u00e7ou a tocar de maneira ac\u00fastica e, a princ\u00edpio, Jonny Greenwood est\u00e1 sentado no palco fazendo palavras-cruzadas. E ent\u00e3o Thom segue em frente com palavras inventadas, e ent\u00e3o Ed O&#8217;Brien come\u00e7a a fazer pequenos barulhos, como ele faz, em torno do padr\u00e3o ac\u00fastico de Thom. E ent\u00e3o Phil Selway, em algum ponto cr\u00edtico, come\u00e7a sua m\u00e1gica. No final, Jonny est\u00e1 fazendo toda sua arte, Hendrix surge a partir da ideia principal e tudo isso aconteceu em sete minutos. Eu fiquei l\u00e1 captando com essa pequena c\u00e2mera de v\u00eddeo&#8221;.<\/p>\n<p>Uma banda que tem o n\u00e3o-convencional como modo de se apresentar n\u00e3o podia se deparar com um v\u00eddeo qualquer. A equipe em torno do Radiohead e da Parlophone sabia disso. Gee teve, ent\u00e3o, um daqueles estalos que os criativos t\u00eam sob certa press\u00e3o: &#8220;olhando com distanciamento, escrever a ideia foi ridiculamente f\u00e1cil. Eu tinha uma imagem de &#8216;2001: Uma Odisseia No Espa\u00e7o&#8217; na minha escrivaninha (o <em>close<\/em> do rosto de David Bowman dentro de seu capacete). Escutei a faixa e o verso &#8216;&#8230;a job that slowly kills you&#8217; saltou diretamente na minha frente. Olhei pra imagem na minha frente e imaginei se poderia fazer um \u00fanico <em>close-up<\/em> de um homem num capacete espacial por tr\u00eas minutos e meio; lembrando de alguma ansiedade que remetesse a imagens da televis\u00e3o infantil (um aterrorizante ato de fuga subaqu\u00e1tica sub-Houdini em &#8216;Blue Peter&#8217;, os alien\u00edgenas assustadores em OVNIs, que tinham capacetes cheios de l\u00edquido verde&#8230;). Escrevi um roteiro muito preciso, quadro a quadro, pro v\u00eddeo, tudo em cerca de meia hora. Como eu digo, ridiculamente f\u00e1cil e jamais tornou a acontecer da mesma maneira&#8221;.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"54303\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/radiohead-em-no-surprises-um-trabalho-que-te-mata-aos-poucos\/artigo-radiohead-nosurprises1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises1.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-radiohead-nosurprises1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises1.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-54303\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises1.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/artigo-radiohead-nosurprises1.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;&#8230;Um trabalho que mata lentamente voc\u00ea&#8221; \u00e9 um verso poderoso e que provavelmente as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta em &#8220;No Surprises&#8221;, talvez porque ela seja uma letra com absurdos outros versos que alfinetam o cidad\u00e3o m\u00e9dio: &#8220;Um emprego que te mata lentamente \/ Feridas que n\u00e3o cicatrizam \/ Voc\u00ea parece t\u00e3o cansado e infeliz \/ Bote abaixo o governo \/ Eles n\u00e3o \/ Eles n\u00e3o falam por n\u00f3s \/ Eu vou levar uma vida tranquila (&#8230;) \/ Esse \u00e9 meu \u00faltimo surto \/ Minha \u00faltima dor de barriga \/ Sem sustos e sem surpresas \/ Sem sustos e sem surpresas \/ Sem sustos e sem surpresas \/ Por favor&#8221;.<\/p>\n<p>A altern\u00e2ncia de humor, entre as conquistas e as desilus\u00f5es, \u00e9 meio como um resumo da vida de qualquer pessoa, mas com Thom Yorke em primeiro plano, num ambiente sufocante, potencializa qualquer sentimento.<\/p>\n<p>&#8220;A tarefa era transmitir essa sensa\u00e7\u00e3o &#8211; de segundos perigosos &#8211; da forma mais clara poss\u00edvel&#8221;, explica Gee. &#8220;Uma vez que decidi que a situa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica era o terror de elevar a \u00e1gua num espa\u00e7o fechado, era \u00f3bvio que funcionaria melhor em tempo real&#8221;. E assim foi feito o v\u00eddeo, numa \u00fanica tomada, num \u00fanico plano.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se imagina hoje, n\u00e3o houve trucagem nem efeitos especiais na capta\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo. N\u00e3o h\u00e1 &#8220;tela verde&#8221;, n\u00e3o h\u00e1 trabalho de edi\u00e7\u00e3o. Thom Yorke est\u00e1 l\u00e1, segurando a respira\u00e7\u00e3o, realmente sofrendo, perto de se afogar &#8211; e isso n\u00e3o \u00e9 um exagero.<\/p>\n<p>Por outro lado, era um risco calculado. Segundo Gee, o or\u00e7amento era at\u00e9 &#8220;decente&#8221; (oitenta mil libras), o que permitiu \u00e0 produ\u00e7\u00e3o a contrata\u00e7\u00e3o de uma empresa apropriada, mas n\u00e3o pra truques em tela e sim pro mecanismo que ia vestir Yorke. A bem da verdade, depois dos enormes avan\u00e7os que o cinema j\u00e1 havia mostrado com o uso de computadores, desde &#8220;Jurassic Park&#8221;, em 1993, seria poss\u00edvel uma a\u00e7\u00e3o mais cautelosa. Mas, da\u00ed, quem n\u00e3o toparia seriam o or\u00e7amento (estouraria) e o pr\u00f3prio Yorke, que comprou a briga.<\/p>\n<p>A tal empresa construiu um capacete customizado, pra encher de \u00e1gua lentamente e esvazi\u00e1-lo rapidamente, ao ter acionado um dispositivo de seguran\u00e7a pelo pr\u00f3prio Yorke.<\/p>\n<p>&#8220;No roteiro, eu sabia exatamente o momento em que a \u00e1gua devia atingir os l\u00e1bios de Thom &#8211; &#8220;silent&#8221; &#8211; e quando ela devia ser evacuada &#8211; &#8220;&#8230;such a pretty house&#8221;. Isso queria dizer que ele devia ficar debaixo d&#8217;\u00e1gua por um minuto e dez segundos. Thom estava ok com isso. Ele inclusive me mostrou que podia segurar sua respira\u00e7\u00e3o por um minuto e meio sem problemas. Ainda parecia um pouco complicado e senti que dever\u00edamos tentar mant\u00ea-lo submerso por menos de um minuto. O produtor do v\u00eddeo, Phil Barnes, teve uma ideia genial de como poder\u00edamos alcan\u00e7ar isso. Ele descobriu que uma das c\u00e2meras Arriflex 35mm (a 435, eu acho) tinha um motor, cuja velocidade podia ser alterada. Isso nos permitiu variar a velocidade de uma parte de &#8216;No Surprises&#8217;, aumentando a velocidade da c\u00e2mera pra cinquenta quadros por segundo por um curto espa\u00e7o de tempo e ent\u00e3o reduzindo novamente pra vinte e cinco quadros por segundo, e ainda ter os vocais de Thom em sincronia pro final da m\u00fasica. Isso garantiu a Thom vinte segundos a menos de submers\u00e3o&#8221;. Mesmo assim, n\u00e3o foi f\u00e1cil, como se v\u00ea nesse trecho do document\u00e1rio:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O67CJqGFr1I\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;O dia virou um show de horrores. Foi uma tortura constante&#8221;, lembra o diretor. Isso porque, estressado por um ambiente que n\u00e3o era o dele, por estar sabidamente em uma situa\u00e7\u00e3o de risco &#8211; ele n\u00e3o poderia desfalecer, j\u00e1 que era ele mesmo quem acionava o dispositivo de seguran\u00e7a &#8211; e por saber que o v\u00eddeo deveria ser feito naquele dia, por quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, Thom Yorke n\u00e3o foi capaz de segurar a respira\u00e7\u00e3o como prometera. A adrenalina faz o cora\u00e7\u00e3o bater mais r\u00e1pido e a respira\u00e7\u00e3o ser mais acentuada. Assim, ele ficava no m\u00e1ximo dez segundos debaixo d&#8217;\u00e1gua, antes de acionar o dispositivo. No trecho acima, \u00e9 poss\u00edvel ver como o m\u00fasico se irrita com a situa\u00e7\u00e3o &#8211; e irrita\u00e7\u00e3o n\u00e3o contribui pro quadro.<\/p>\n<p>Ao final do dia, quando tudo parecia que levaria ao estouro do or\u00e7amento, Yorke e equipe conseguiram uma tomada de cabo a rabo e \u00e9 essa que voc\u00ea v\u00ea no v\u00edde. O truque de &#8220;No Surprises&#8221; \u00e9 n\u00e3o ter truques. Foi um trabalho de sofrimento, um lento sofrimento. Ningu\u00e9m queria uma surpresa desagrad\u00e1vel:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u5CVsCnxyXg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Veja aqui, na \u00edntegra, o document\u00e1rio:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9XnSISpba0w\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-radiohead-follow-me-around\/\" title=\"V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; FOLLOW ME AROUND\">V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; FOLLOW ME AROUND<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-radiohead-if-you-say-the-word\/\" title=\"V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; IF YOU SAY THE WORD\">V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; IF YOU SAY THE WORD<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-radiohead-treefingers-versao-estendida\/\" title=\"OU\u00c7A: RADIOHEAD &#8211; TREEFINGERS (VERS\u00c3O ESTENDIDA)\">OU\u00c7A: RADIOHEAD &#8211; TREEFINGERS (VERS\u00c3O ESTENDIDA)<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-as-dezoito-horas-de-ok-computer\/\" title=\"OU\u00c7A: AS DEZOITO HORAS DE &#8220;OK COMPUTER&#8221;\">OU\u00c7A: AS DEZOITO HORAS DE &#8220;OK COMPUTER&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-critica-mais-dura-que-o-radiohead-recebeu-no-inicio-de-carreira\/\" title=\"A CR\u00cdTICA MAIS DURA QUE O RADIOHEAD RECEBEU NO IN\u00cdCIO DE CARREIRA\">A CR\u00cdTICA MAIS DURA QUE O RADIOHEAD RECEBEU NO IN\u00cdCIO DE CARREIRA<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 modo de dizer: h\u00e1 artistas que literalmente sofrem pela sua arte. 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