{"id":56824,"date":"2021-01-27T11:45:28","date_gmt":"2021-01-27T13:45:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=56824"},"modified":"2021-01-28T12:19:45","modified_gmt":"2021-01-28T14:19:45","slug":"le-almeida-aulas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/le-almeida-aulas\/","title":{"rendered":"L\u00ca ALMEIDA &#8211; AULAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"56826\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/le-almeida-aulas\/lealmeida29\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida29.jpg?fit=540%2C300\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"lealmeida29\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida29.jpg?fit=540%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida29.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"le-almeida\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-56826\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida29.jpg?w=540 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida29.jpg?resize=300%2C167 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Em 25 de dezembro de 2020, L\u00ea Almeida lan\u00e7ou &#8220;Aulas&#8221;, disco que chega quatro anos depois de &#8220;Todas As Brisas&#8221;, de 2016 (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/le-almeida-todas-as-brisas\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a na \u00edntegra e leia mais aqui<\/a>), com a compila\u00e7\u00e3o &#8220;Amenidades&#8221; no meio, em 2018 (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/le-almeida-amenidades\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a na \u00edntegra e leia mais aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Os discos de Almeida s\u00e3o saborosos porque sua guitarra e sua voz s\u00e3o um tempero \u00fanico, que s\u00f3 ele consegue aplicar, inclusive nas bandas e projetos paralelos que possui na sua Transfus\u00e3o Noise Records, etiqueta pela qual lan\u00e7a todos os seus discos. S\u00e3o trabalhos invariavelmente pessoais, de crivo pessoal.<\/p>\n<p>Mas &#8220;Aulas&#8221; tem algo especial nesse sentido: seus pais. E este texto que ele mesmo publicou em uma rede social diz o suficiente sobre o \u00e1lbum, de uma forma tocante.<\/p>\n<p>&#8220;No meio da pandemia me dei conta de um monte de coisas, a maior delas foi que eu tinha tido algum tipo de sorte muito grande nos \u00faltimos tempos. 2019 foi o primeiro ano que eu passei quase ele todo fora de casa, em pa\u00edses que eu nem sabia falar a l\u00edngua, foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel e desafiadora, era dif\u00edcil voltar o mesmo, ainda mais depois de ter feito parte de uma banda que sempre adorei, isso ainda \u00e9 um sonho. Na volta pra casa em 2019 eu e o (<em>Jo\u00e3o<\/em>) Casaes tivemos nosso v\u00f4o adiado por conta de uma nevasca por mais um dia e perdemos o natal no Brasil. Minha m\u00e3e tinha me tirado no amigo oculto na festa de natal do quintal aqui de casa, perdi, mas Leticia fez um v\u00eddeo dela dando pistas antes de abrir o presente, enquanto eu voava de volta pra casa na noite de natal. Guardo o presente com muito carinho, \u00e9 um porta retrato (<em>sic<\/em>) com uma foto nossa no meu anivers\u00e1rio em 2019&#8243;, escreveu.<\/p>\n<p>O Natal de 2019 n\u00e3o tinha pandemia ainda. No de 2020, sim.<\/p>\n<p>Da\u00ed, lembro de quantos conhecidos passaram o \u00faltimo Natal com familiares em 2019 e n\u00e3o puderam fazer o mesmo em 2020 por conta da covid-19, ou porque parentes morreram, negligenciados por governos federal, estadual e municipal negacionistas.<\/p>\n<p>A data passou a ser, pra mais de 220 mil fam\u00edlias vitimadas pela doen\u00e7a (at\u00e9 o momento em que escreve este texto), uma dia de tristeza.<\/p>\n<p>Espero sinceramente que grande parte dessas fam\u00edlias tenha membros com talento suficiente pra aplacar a dor com a arte, como L\u00ea Almeida faz com &#8220;Aulas&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o, seus pais n\u00e3o morreram pela covid-19, mas o disco \u00e9 sobre perdas e o lan\u00e7amento no Natal tem seus motivos. O de 2019 teria sido o \u00faltimo dele com sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;No dia 13 de mar\u00e7o de 2020 a gente reabriu o Escrit\u00f3rio (<em>local de shows da Transfus\u00e3o, no centro do Rio de Janeiro<\/em>) depois de uma reforma, era uma sexta feira (<em>sic<\/em>), ali fazia dois anos que t\u00ednhamos perdido meu pai. Foi nesse final de semana que tudo fechou com a pandemia e eu senti o que estava acontecendo, fiquei em casa um longo tempo, minha v\u00f3 nessa \u00e9poca dizia que minha m\u00e3e tava muito tranq\u00fcila por eu estar em casa. Eu comecei a andar de bike toda manh\u00e3 pelo bairro e passei a tirar umas fotos anal\u00f3gicas de paisagens. Em maio, exatamente nos dias das m\u00e3es, a minha m\u00e3e teve uma queda em casa, era o rompimento de um aneurisma, a gente perdeu ela de uma forma muito triste, eu e Let\u00edcia passamos por um imenso sufoco com hospital com pessoas que n\u00e3o se importavam que a nossa m\u00e3e estava morrendo, a gente fez tudo. Ela era o meu sol, guiava o maior dos equil\u00edbrios&#8221;, seguiu.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sempre teve umas simbologias grandes em casa com datas, anivers\u00e1rios. Depois da ida dos nossos pais passar por essas datas que eram deles e nossas acho que passou a ser mais dif\u00edcil, at\u00e9 angustiante. Entre a data do meu anivers\u00e1rio e da minha m\u00e3e (jul\/ago) eu comecei a criar alguma rotina de grava\u00e7\u00e3o, tentar montar um disco, encontrar os amigos no Escrit\u00f3rio pra gravar, Big\u00fa estava voltando, muito assunto na cabe\u00e7a. Voltei a gravar em casa, numa casa que ainda era nova pra mim e com uma janela onde eu sempre consigo ver a lua, quase que emoldurada pela janela de t\u00e3o bem encaixada. Passei a cuidar do carro que era da minha m\u00e3e, que meu pai dirigia. Nele eu ouvia minhas mixagens do que andava gravando, me re-conectava com o bairro, esse carro sempre teve uma vibra\u00e7\u00e3o incr\u00edvel, a gente sempre deu valor, minha m\u00e3e pagou por ele com a barraca que ela tinha frente da casa onde mor\u00e1vamos. Sempre tive a melhor refer\u00eancia de trabalho aut\u00f4nomo dentro de casa, se organizar. Aulas fez eu me reorganizar num momento estranho, durante minha rotina de grava\u00e7\u00f5es eu recomecei umas obras em casa&#8221;.<\/p>\n<p>A forma como L\u00ea Almeida escreve seu relato &#8211; e leio enquanto ou\u00e7o o disco &#8211; parece apropriadamente uma extens\u00e3o da obra. Tudo exposto por ele \u00e9 pessoal (e n\u00e3o pense que isso \u00e9 &#8220;\u00f3bvio&#8221;, porque n\u00e3o \u00e9 &#8211; artistas nem sempre t\u00eam coragem de olhar pra dentro de si mesmo e transformar em arte sofrimento e alegrias).<\/p>\n<p>No caso de Almeida, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma &#8220;terapia&#8221; pra um per\u00edodo doloroso, como um norte, algo onde se segurar pra n\u00e3o desmoronar. Eu fa\u00e7o isso com o trabalho, escrevendo &#8211; melhor do que com a birita, certamente.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas faixas eram coisas que eu tinha come\u00e7ado e largado, comecei desse ponto e as coisas novas eu gravava bem r\u00e1pido sem pensar tanto, nessa situa\u00e7\u00e3o eu passei a gravar com mais cuidado nos timbres do que \u00e0s vezes seria s\u00f3 um esbo\u00e7o. Isso tudo fazia eu colocar alguma coisa pra fora. A meta era lan\u00e7ar no natal por um carinho nosso, aquele anivers\u00e1rio dele, sem ele. Consigo pensar em muitos momentos em v\u00e1rias faixas que gravei pensando e sentindo uma for\u00e7a dos dois, que sempre me apoiaram muito nesse caminho t\u00e3o incerto e maluco. Enquanto gravava passei a explorar dois instrumentos que tinha comprado de uma vi\u00fava em Boise, nos EUA onde eu e Casaes moramos por um m\u00eas, um metalofone e um <em>theremin<\/em>. A conex\u00e3o com a morte nesse per\u00edodo me fazia ligar algumas coisas, pensando com valor que eu usando algo com carinho e cuidado o que era de algu\u00e9m que cuidou por tanto tempo talvez trariam s\u00f3 boas energias. Consegui alguns <em>amps<\/em> bem antigos num brech\u00f3 no centro onde o dono do lugar tinha me contado que as caixas eram de um senhor de uns noventa e poucos anos que tinha morrido recentemente um tempo atr\u00e1s. Usei muito uma dessas caixas no disco e durante umas mixagens de <em>inserts<\/em> e colagens eu reabri umas caixas velhas de fita cassete que eu e Jo\u00e3ozin t\u00ednhamos achado anos atr\u00e1s numa cal\u00e7ada no bairro do Flamengo, eram fitas sobre ocultismo, esoterismo, poesia, medita\u00e7\u00e3o. Todas com muitas anota\u00e7\u00f5es, ali descobri que essas fitas eram de uma mulher, algumas com poesias dela, declamadas por ela. Dessas fitas eu venho tirando umas doideiras desde que achamos, mas s\u00e3o tantas caixas de fitas que eu vou ter que ir descobrindo e viajando aos poucos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel viajar nas palavras no momento em que se ouve as experimenta\u00e7\u00f5es de &#8220;Falta Fatal&#8221;, jogo de palavras pertinente, antes da amalucada &#8220;Imaculada&#8221; e, claro, a intensa &#8220;Amarra\u00e7\u00e3o&#8221; (uma das melhores do disco, junto com &#8220;Aulas&#8221;).<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Aulas&#8217; \u00e9 dedicado aos meus pais Antonio Carlos e Sonia Maria, primeira coisa que fa\u00e7o sem os dois. Tamb\u00e9m \u00e9 dedicado a minha irm\u00e3 Leticia Almeida &#x2764; (que toca metalofone na primeira faixa!) e minha V\u00f3 Lenir Silva Lullini, que me ajudou com a capa, nas costuras e com a vida ao longo dos anos. Amo voc\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>Sorte deles e de todos os seus amigos ter L\u00ea Almeida como o voc\u00e1bulo art\u00edstico de suas vidas; e sorte de suas experi\u00eancias que produziram a sorte de termos um disco t\u00e3o pessoal e tocante, sem ser piegas o choroso.<\/p>\n<p>S\u00f3 me ensinaram o que era o amor.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2769978650\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"https:\/\/transfusaonoiserecords.bandcamp.com\/album\/aulas\">Aulas by L\u00ea Almeida<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Aulas&#8221; foi gravado por L\u00ea Almeida (v\u00e1rios instrumentos e voz), com Big\u00fa Medine (baixo), Jo\u00e3o Casaes (baixo nas faixas 2, 5 e 8, sintetizadores nas faixas 1, 2, 3, e interven\u00e7\u00f5es e guitarras nas faixas 9 e 11) e Joab R\u00e9gis (bateria nas faixas 9 e 11).<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda as participa\u00e7\u00f5es de Leticia Cristina (metalofone na faixa 1), Rumi Kuzmic (violino nas faixas 3 e 6), Laura Lavieri (vocal de apoio na faixa 6), Julio Santa Cecilia (sintetizadores, drones e interven\u00e7\u00f5es na faixa 7), Andr\u00e9 Medeiros (guitarra na faixa 8), Daniele Vallejo, Dinho Almeida, Felipe Oliveira e Joab (coral na faixa 9), al\u00e9m de Barbara Guanaes (metalofone) e Felipe (trompete) em &#8220;Amarra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>01. Constela\u00e7\u00e3o De Virgem<br \/>\n02. Luar Crescente<br \/>\n03. Interior De Qualquer Desordem<br \/>\n04. Apre\u00e7o Antigo<br \/>\n05. Insight Fim<br \/>\n06. Coroa\u00e7\u00e3o<br \/>\n07. Fatal Falta<br \/>\n08. Imaculada<br \/>\n09. Amarra\u00e7\u00e3o<br \/>\n10. Castelo De Asas<br \/>\n11. Aulas<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"56825\" data-permalink=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/le-almeida-aulas\/lealmeida-aulas\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?fit=300%2C300\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"lealmeida-aulas\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?fit=300%2C300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?resize=300%2C300\" alt=\"le-almeida-aulas\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-56825\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?resize=83%2C83 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lealmeida-aulas.jpg?resize=55%2C55 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-le-almeida-interior-de-qualquer-desordem\/\" title=\"OU\u00c7A: L\u00ca ALMEIDA &#8211; 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