{"id":18684,"date":"2011-10-27T13:34:37","date_gmt":"2011-10-27T15:34:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=18684"},"modified":"2013-10-25T01:35:05","modified_gmt":"2013-10-25T03:35:05","slug":"pense-ou-dance-quem-nao-reage-rasteja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-quem-nao-reage-rasteja\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: QUEM N\u00c3O REAGE, RASTEJA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18687\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-quem-nao-reage-rasteja\/penseoudance4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2000\/10\/penseoudance4.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2000\/10\/penseoudance4.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2000\/10\/penseoudance4.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-18687\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2000\/10\/penseoudance4.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2000\/10\/penseoudance4.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Liberdade n\u00e3o \u00e9 algo que precisa ser conquistado, ela deveria ser condi\u00e7\u00e3o <em>sin ne qua non<\/em> do ser humano, do indiv\u00edduo. Mas n\u00e3o \u00e9, evidentemente. Todo santo dia, as pessoas lutam pelo direito de ser livres. \u00c9 uma busca incans\u00e1vel pra muitas delas. O curioso \u00e9 que quando se conquista liberdade em alguma \u00e1rea ela n\u00e3o \u00e9 aproveitada &#8211; e mais do que isso, acaba sendo at\u00e9 mesmo vilipendiada.<\/p>\n<p>Veja o caso da m\u00fasica. Hoje, voc\u00ea n\u00e3o precisa mais comprar discos, se assim n\u00e3o o desejar.<\/p>\n<p>Esque\u00e7a que baixar discos gratuitamente de fato ainda \u00e9 um crime previsto na maioria dos c\u00f3digos penais, mas a tecnologia e os costumes est\u00e3o sempre um bons passos a frente da legislatura, o que \u00e9 natural (a legislatura \u00e9 que precisa se adaptar aos costumes e n\u00e3o o contr\u00e1rio).<\/p>\n<p>E releve tamb\u00e9m o desejo leg\u00edtimo e divertido dos milh\u00f5es de colecionadores que ainda compram vinis, CDs, DVDs e afins: essa \u00e9 uma escolha que, entre outras tantas, como pagar ingressos pra ir a shows, alimentam os artistas (e toda a cadeia produtiva) e tem valor pessoal pra muita gente. Consumir arte (gratuitamente ou n\u00e3o) \u00e9 um dos direitos fundamentais de qualquer pessoa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o leve em considera\u00e7\u00e3o que, ao menos pra massiva maioria dos brasileiros, banda larga ainda \u00e9 como nota de cem: quase ningu\u00e9m viu a cara.<\/p>\n<p>Tire isso da equa\u00e7\u00e3o. O fato \u00e9 que com a digitaliza\u00e7\u00e3o voc\u00ea tem toda e qualquer m\u00fasica a seu dispor, onde quiser, a hora que quiser. Quer liberdade maior do que essa? Porque, em teoria, liberdade \u00e9 algo pra se usufruir sem gastar um tost\u00e3o e na plenitude. Ent\u00e3o, por que as pessoas n\u00e3o aproveitam?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, obviamente, pelo temor de serem presas ou processadas pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es. As pessoas, em especial os brasileiros, quando querem, d\u00e3o de ombros pra essas formalidades.<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 numa palavra: pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o conhecem m\u00fasica nova e instigante por pura pregui\u00e7a. N\u00e3o v\u00e3o atr\u00e1s, n\u00e3o procuram, n\u00e3o se informam, n\u00e3o ouvem&#8230; Por pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, eu sei, n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o simples, \u00e9 preciso discorrer sobre.<\/p>\n<p>Por causa dessa pregui\u00e7a, abre-se espa\u00e7o pro crescimento de todos os blogues, sites, revistas, programas culturais, cr\u00edticos &#8220;profissionais&#8221; e aventureiros, essa laia da qual o <strong>Floga-se<\/strong> faz parte, pelo bem ou pelo mal. E, junto, uma s\u00e9rie de efeitos n\u00e3o desejados, como o jab\u00e1 que alimenta 100% das r\u00e1dios e programas de televis\u00e3o e revistas, mesmo os que voc\u00ea acredita serem &#8220;independentes&#8221; (e &#8220;indies&#8221;), porque, acredite, ningu\u00e9m t\u00e1 a salvo dele.<\/p>\n<p>O jab\u00e1, o corporativismo, o coleguismo entre artista e gravadora e jornalista, tudo isso se alimenta justamente dessa pregui\u00e7a. \u00c9 terreno f\u00e9rtil pra alimentar o <em>hype<\/em> e destrinchar uma dezena de artistas n\u00e3o pautados necessariamente pela qualidade (estou falando de m\u00fasica alternativa, mas \u00e9 \u00f3bvio que a equa\u00e7\u00e3o se encaixa e funciona a pleno vapor em todos os nichos de mercado, do ax\u00e9 ao sertanejo, com muito mais fervor, passando pela MPB e o &#8220;indie festivo&#8221;).<\/p>\n<p>A pregui\u00e7a e a falta de vontade (ou de interesse, por tratarem a m\u00fasica como o divertimento que efetivamente \u00e9) acabam criando essas distor\u00e7\u00f5es e o ciclo vicioso.<\/p>\n<p>Falando do nosso nicho, acaba-se endeusando de maneira irrestrita e sem dar espa\u00e7o a outros nomes, artistas como Strokes, Arctic Monkeys, Arcade Fire, Wilco, exemplos mais constantes dados nos \u00faltimos anos pela &#8220;juventude&#8221;. Paralelamente, os mais velhos se recusam a olhar as novidades, calcados, cada um na sua d\u00e9cada, em Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd, AC\/DC, Sex Pistols, Clash, Cure, REM, Smiths, Nirvana, Pearl Jam, Radiohead e um bocado de etecetera. Tudo o que se fez no passado e vendeu algumas dezenas de milhares de discos acaba ganhando um confort\u00e1vel espa\u00e7o na prateleira dos intoc\u00e1veis da m\u00fasica. &#8220;Ningu\u00e9m faz m\u00fasica como &#8216;antigamente&#8217;: e &#8220;antigamente&#8221; pode ser ano passado, claro, depende do gosto do fregu\u00eas. Mas o que se faz &#8220;hoje&#8221; nunca est\u00e1 suficientemente bom.<\/p>\n<p>Bem, talvez a nova gera\u00e7\u00e3o esteja apenas for\u00e7ando a barra pra criar os seus mitos &#8211; e toda gera\u00e7\u00e3o precisa criar os seus.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a Wilco, &#8220;Born Alone&#8221;, um dos &#8220;intoc\u00e1veis&#8221;:<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/wTqEB0MyGdY?version=3&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Mas \u00e9 da\u00ed que se pergunta: e o resto? As milhares de bandas e artistas que surgem todos os anos, inflamados de gana pra mostrar sua cria\u00e7\u00e3o, como ficam? No limbo, \u00e0 espera de serem cooptadas pelo jornalista mais bacana, da revista ou do site mais esperto, e virar o pr\u00f3ximo <em>hype<\/em>, porque as pessoas, os leitores, elas n\u00e3o vasculham e n\u00e3o v\u00e3o atr\u00e1s dessas novidades.<\/p>\n<p>Pode-se questionar a linha de racioc\u00ednio com o argumento vantajoso da isen\u00e7\u00e3o: &#8220;ora, as pessoas n\u00e3o ouvem m\u00fasica profissionalmente e t\u00eam mais o que fazer no dia a dia do que ficar indo atr\u00e1s de novidades&#8221;. Ent\u00e3o, que deixem &#8220;profissionais&#8221; fazerem isso, certo? Que n\u00e3o reclamem de jornalistas e resenhistas profissionais tentando enfiar goela abaixo uma banda nova por semana &#8211; esse \u00e9 o trabalho deles, por certo, mas voc\u00ea vai engolir? \u00c9 claro que n\u00e3o deveria. Esse trabalho deveria ser seu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>As bandas nacionais, ent\u00e3o, a desvantagem que elas levam nesse processo chega a ser cruel.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o que se tira da\u00ed deve vir de outro alicerce. As pessoas n\u00e3o t\u00eam pregui\u00e7a de descobrir m\u00fasicas ou bandas novas ou algo que o valha &#8211; isso n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o importante, afinal. Elas t\u00eam pregui\u00e7a \u00e9 de pensar &#8211; e reagir. O que voc\u00ea, enfim, faz com a liberdade que ganhou de ouvir o que quiser, na hora que quiser?<\/p>\n<p>Ao colocar na balan\u00e7a um m\u00ednimo de hist\u00f3rico musical relevante ao seu gosto pessoal, um pouco de informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto (jornais e revistas n\u00e3o faltam no nosso cotidiano intern\u00e9tico) e um pouco de bom senso, \u00e9 poss\u00edvel discernir o que \u00e9 arma\u00e7\u00e3o, mutreta e o que vale ser edificado, descartando o que \u00e9 ilus\u00f3rio. Voc\u00ea deve construir seu pr\u00f3prio &#8220;<em>hype<\/em>&#8221; e, por outro lado, deve estar preparado pra que ele possa ser destru\u00eddo. E tamb\u00e9m, nesse caso, n\u00e3o ser\u00e1 nada pessoal.<\/p>\n<p>Porque, como diria a m\u00fasica, &#8220;quem n\u00e3o reage, rasteja&#8221;. Deixe que destruam seus \u00eddolos. Se n\u00e3o gostar, esteja preparado pra contra-argumentar \u00e0 altura. Esteja preparado pro embate, pra discutir, pra bater de frente &#8211; n\u00e3o h\u00e1 mal nenhum nisso e pode at\u00e9 ser divertido. Se mesmo assim seus \u00eddolos forem destru\u00eddos por quem quer que seja, por qual mente que se d\u00ea ao trabalho, n\u00e3o ligue, n\u00e3o tome como uma pendenga pessoal. Mas, se seu sangue n\u00e3o for de barata e voc\u00ea ainda vestir ferrenhamente a camisa do seu destro\u00e7ado \u00eddolo, lembre-se: deixe a pregui\u00e7a de lado e entrone novos \u00eddolos. Candidatos por a\u00ed h\u00e1 aos montes.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liberdade n\u00e3o \u00e9 algo que precisa ser conquistado, ela deveria ser condi\u00e7\u00e3o sin ne qua non do ser humano, do indiv\u00edduo. 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