{"id":20897,"date":"2011-12-14T00:15:37","date_gmt":"2011-12-14T02:15:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=20897"},"modified":"2013-10-25T01:34:43","modified_gmt":"2013-10-25T03:34:43","slug":"pense-ou-dance-a-falta-que-um-inimigo-faz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-falta-que-um-inimigo-faz\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: A FALTA QUE UM INIMIGO FAZ"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"20900\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-falta-que-um-inimigo-faz\/penseoudance9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/penseoudance9.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance9\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/penseoudance9.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/penseoudance9.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-20900\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/penseoudance9.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/penseoudance9.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;As gera\u00e7\u00f5es passadas lutavam contra inimigos reais, fossem cru\u00e9is ideologias pol\u00edticas, como nazismo, fascismo ou comunismo, ou sinistras formas de governo, como a ditadura militar. Saber quem era O Outro ajudava a saber quem a pr\u00f3pria pessoa era: sou aquela que luta contra Aquilo. A leitura pol\u00edtica do mundo fica muito mais simples quando o inimigo tem um plano, uma plataforma e um bra\u00e7o armado pra lidar com quem ousa critic\u00e1-lo&#8221;: o abre do texto de Andr\u00e9 Cunha, no Brasil 247, que aponta a <a href=\"http:\/\/www.brasil247.com.br\/pt\/247\/rio247\/28936\/Nostalgia-do-Inimigo.htm\" target=\"_blank\">&#8220;Nostalgia do Inimigo&#8221;<\/a>, \u00e9 um bom caminho pra se analisar a bunda-molice da atual m\u00fasica jovem nacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 inimigo forte. N\u00e3o h\u00e1 sequer inimigo.<\/p>\n<p>Essa falta de canelas pra chutar deixa as coisas muito doces; e a juventude fica sem gana pra criar, gritar, se rebelar e ir em frente. Ao contr\u00e1rio, fica a olhar passarinhos, rosas e achar que o amor resolve tudo. Bom, na puberdade \u00e9 poss\u00edvel que acreditar nisso seja razo\u00e1vel, mas alguns anos nas costas mostram que n\u00e3o \u00e9 bem assim. O amor pode mais atrapalhar do que ajudar.<\/p>\n<p>N\u00e3o falo do amor ao pr\u00f3ximo, o que constr\u00f3i uma sociedade justa, o amor humano e tals; mas desse amor novelesco, bossa-nov\u00edstico, piegas, aquele que o universit\u00e1rio lambe-botas toca ao viol\u00e3o pra impressionar as menininhas. O cidad\u00e3o com dezessete, dezoito, vinte anos n\u00e3o pode estar preocupado com o amor perdido &#8211; ou, claro, n\u00e3o s\u00f3 com isso (afinal, ele dever\u00e1 perder v\u00e1rios amores durante a vida, ent\u00e3o \u00e9 melhor depositar suas frustra\u00e7\u00f5es em outras a\u00e7\u00f5es). O moleque tem que ter ganas de querer mudar o mundo, de destruir tudo aquilo que a gera\u00e7\u00e3o anterior disse pra ele que era bom, fazendo-o aceitar goela abaixo as regras em vigor. Os peitos dos mais velhos t\u00eam que ser afundados violentamente pelas solas dos t\u00eanis surrados dos mais jovens, pra que a sociedade continue em muta\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ando.<\/p>\n<p>E a m\u00fasica sempre foi um bom canal pra isso. H\u00e1 outros, claro &#8211; a arte \u00e9 sempre uma sa\u00edda. Mas n\u00e3o \u00e9 o que se v\u00ea hoje. N\u00e3o h\u00e1 infla\u00e7\u00e3o preocupante; a crise \u00e9 global e o alvo nem sempre \u00e9 claro; o n\u00edvel de emprego diminui, e as oportunidades t\u00eam crescido; as polaridades ideol\u00f3gicas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o agudas e r\u00edgidas; os Esteites est\u00e3o enfraquecidos; a Igreja seria um bom judas, mas \u00e9 dar murro em ponta de faca, j\u00e1 que as pessoas ainda acreditam em seres sobrenaturais, como Deus, deuses, anjos, santos, rezas; os governos s\u00e3o corruptos, mas como bem lembra Cunha, &#8220;o que seria sen\u00e3o quixotismo e nostalgia do conflito o ato de sair na rua pra fazer Marcha Contra a Corrup\u00e7\u00e3o, assim, de modo gen\u00e9rico? Uma coisa \u00e9 a luta contra o corruptor e o corrompido. Outra \u00e9 ser contra o conceito abstrato. Marchar contra isso tem algum efeito pr\u00e1tico na sociedade?&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 a Marcha da Maconha, que \u00e9 algo vazio, porque flana pelo discurso da liberdade de express\u00e3o, sem exatamente lutar por ela. Liberdade de express\u00e3o \u00e9 um conceito. H\u00e1 a defesa do meio-ambiente e &#8220;dos desprovidos&#8221;, como se v\u00ea na discuss\u00e3o sobre Belo Monte, mas as frases feitas e a desinforma\u00e7\u00e3o dominam as linhas, de modo que \u00e9 claro que o discurso se vale meramente visando a corre\u00e7\u00e3o aos olhos do entorno social de quem discursa.<\/p>\n<p>Assim, a classe m\u00e9dia est\u00e1 perdida, sem inimigos. Ela diz que sofre, mas n\u00e3o sabe quem a faz sofrer (ou nem se sofre de fato). Enquanto isso, nas classes com menos posses, &#8220;menos abastadas&#8221; )pra usar um termo politicamente correto), o rap, o forr\u00f3 e o tecnobrega (com seus pr\u00f3prios m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o), e at\u00e9 mesmo o sertanejo e o ax\u00e9, v\u00e3o dando seu recado, expressando suas mazelas e suas qualidades, ganhando ouvidos e mentes. A m\u00fasica de massa \u00e9 essa, essa \u00e9 a verdadeira m\u00fasica popular, a que tem p\u00fablico, a que conjuga o verbo certo pra maioria das pessoas. O rock, o <em>indie<\/em> e essas besteiras v\u00e3o perdendo terreno at\u00e9 mesmo entre a classe m\u00e9dia, a dita &#8220;pensante&#8221;, seu p\u00fablico-alvo, que j\u00e1 n\u00e3o encontra mais voz ali.<\/p>\n<p>O ax\u00e9 fala de beijar na boca; o sertanejo universit\u00e1rio diz que &#8220;vai te pegar&#8221; e que o barato \u00e9 &#8220;open bar&#8221;; o tecnobrega fala de turmas, gangues, festas, periferia; o rap denuncia os problemas das comunidades perif\u00e9ricas urbanas; o forr\u00f3 aproxima e faz cr\u00edtica social; o samba e o pagode se alimentam de amores e festas&#8230; O rock se perde no meio disso tudo. A ele caberia, como j\u00e1 coube em muitas oportunidades, o desafio \u00e0s autoridades, sejam elas os pais, o professor, a namorada ciumenta, a pol\u00edcia ou o governo. Essa m\u00fasica da classe m\u00e9dia j\u00e1 era, perdeu o foco.<\/p>\n<p>O que vemos pra esse p\u00fablico \u00e9 uma sucess\u00e3o de bons mo\u00e7os e boas mo\u00e7as da Rua Augusta e das universidades ganhando os jornais, a MTV, as r\u00e1dios e os canais da Internet. Posam de &#8220;salva\u00e7\u00e3o&#8221;, como a &#8220;nova&#8221; m\u00fasica brasileira, mas \u00e9 auto-entronada com atitudes arcaicas, discursos apaziguadores, temas politicamente corretos. Ningu\u00e9m t\u00e1 afim de um bom confronto, de uma discuss\u00e3o, de um enfrentamento. O neg\u00f3cio agora \u00e9, como se diz, ser coxinha mesmo.<\/p>\n<p>Faz sentido. O p\u00fablico que gosta desse disco novo da Gal (a <em>Lady Gal Gal<\/em>), do Thiago Petit, da Miranda Kassin, do Jeneci, do Marcelo Camelo (s\u00f3 pra citar alguns bons exemplos) e dessa bunda-molagem toda \u00e9 o mesmo que reclama dos pre\u00e7os altos dos ingressos, mas faz fila pra compr\u00e1-los e os esgota em poucas horas (um paralelo tosco, mas um exemplo v\u00e1lido, que t\u00e1 na mem\u00f3ria recente, e um exemplo que ainda vai poder ser bastante utilizado). \u00c9 um p\u00fablico sem mira e com as armas da insubordina\u00e7\u00e3o enferrujadas. S\u00e3o os indies festivos: independentes s\u00f3 no nome, que n\u00e3o contestam nada, que querem tudo mastigado e s\u00f3 est\u00e3o a espera da pr\u00f3xima festinha, do pr\u00f3ximo oba-oba.<\/p>\n<p>Um inimigo comum \u00e9 o que falta \u00e0 m\u00fasica jovem brasileira no momento. N\u00e3o \u00e9 preciso surgir um, veja bem. A sociedade n\u00e3o precisa caminhar &#8220;pra tr\u00e1s&#8221;. \u00c9 preciso apenas identific\u00e1-lo e eleg\u00ea-lo e se enraivecer dele. Ele est\u00e1 a\u00ed, em algum lugar. As coisas n\u00e3o podem estar t\u00e3o boas a ponto de ningu\u00e9m ter motivos pra se insurgir. H\u00e1 de se ter inimigos pra poder fabricar her\u00f3is. Uma juventude sem her\u00f3is n\u00e3o \u00e9 nada &#8211; \u00e9 s\u00f3 uma juventude que passa, que envelhece.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As gera\u00e7\u00f5es passadas lutavam contra inimigos reais, fossem cru\u00e9is ideologias pol\u00edticas, como nazismo, fascismo ou comunismo, ou sinistras formas de governo, como a ditadura militar. 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