{"id":24699,"date":"2012-04-26T00:01:22","date_gmt":"2012-04-26T03:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=24699"},"modified":"2013-10-25T01:34:42","modified_gmt":"2013-10-25T03:34:42","slug":"pense-ou-dance-um-cancer-no-mundo-das-ideias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-cancer-no-mundo-das-ideias\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: UM CANCER NO MUNDO DAS IDEIAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"24705\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-cancer-no-mundo-das-ideias\/penseoudance15\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/penseoudance15.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance15\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/penseoudance15.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/penseoudance15.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-24705\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/penseoudance15.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/penseoudance15.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;E s\u00f3 dentro de um hosp\u00edcio se vive na Am\u00e9rica<br \/>\nViver num hosp\u00edcio \u00e9 melhor que num pardieiro?<br \/>\nTudo foi sempre uma mera quest\u00e3o de dinheiro<br \/>\nO belo c\u00e2ncer no mundo das id\u00e9ias<\/p>\n<p>(voc\u00ea n\u00e3o tem dinheiro<br \/>\nvoc\u00ea quer uma viagem<br \/>\nn\u00e3o se esque\u00e7a de tirar o p\u00f3<br \/>\nvalsas amargas nas cidades)&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 improv\u00e1vel que Cad\u00e3o Volpato tenha escrito esses versos de &#8220;Rock Europeu&#8221; pensando em bandas coveres. Na d\u00e9cada de 1980 (mais precisamente, em 1986), bandas coveres eram uma praga, mas uma praga aceit\u00e1vel, por v\u00e1rios motivos.<\/p>\n<p>O caso \u00e9 que ele parece, sem querer, ter previsto como estaria o mundo da m\u00fasica em terras brasileiras duas d\u00e9cadas e meia depois.<\/p>\n<p>\u00c9 bom dizer, antes de tudo: sempre gostei de bandas que fazem vers\u00f5es de m\u00fasicas que elas gostam. \u00c9 um sinal de respeito e rever\u00eancia pra com o autor original. O que o Echo &#038; The Bunnymen fez, por exemplo, com &#8220;All You Need Is Love&#8221;, dos Beatles (com inser\u00e7\u00f5es de James Brown e Bob Dylan, por exemplo), \u00e9 dign\u00edssimo:<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2cJAuPZ-dUc?fs=1&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Poderia enumerar e compor uma lista enorme de grandes vers\u00f5es. Dificilmente voc\u00ea encontrar\u00e1 uma banda que jamais tenha feito uma vers\u00e3o de outro artista. Boas vers\u00f5es, por\u00e9m, s\u00e3o raras e talvez nem seja o caso: \u00e9 uma homenagem, n\u00e3o uma disputa.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando a vers\u00e3o \u00e9 muito ruim, ou escrachada, ela pode ser divertida, como fez Sid Vicious com &#8220;My Way&#8221;, do Paul Anka (eternizada por Frank Sinatra):<br \/>\n<object width=\"540\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rDyb_alTkMQ?fs=1&amp;hl=pt_BR\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os caso aceit\u00e1veis. O problema est\u00e1 quando a pr\u00e1tica vira regra e bandas passam a viver de coveres.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, pra quem lembra, havia duas mais famosas: a Beatles 4 Ever e a U2 Cover. Ganharam muito dinheiro preenchendo uma lacuna: era raro uma banda gringa aparecer em solo nacional. At\u00e9 mesmo as bandas brasileiras n\u00e3o apareciam em profus\u00e3o &#8211; ou, pelo menos, pelas amarras do sistema, ningu\u00e9m ficava sabendo. Mas hoje, como se sabe, n\u00e3o faz muito sentido.<\/p>\n<p>As bandas brasileiras t\u00eam como promover sua m\u00fasica pelos muitos canais <em>online<\/em> que conhecemos. Os aeroportos brasileiros andam cada vez mais lotados de bandas estrangeiras que embarcam e desembarcam. Na teoria, n\u00e3o existe mais essa lacuna do consumidor de m\u00fasica. Seus astros est\u00e3o a\u00ed &#8211; ou podem estar a\u00ed a qualquer momento. \u00c0s vezes basta esperar e guardar um dinheiro.<\/p>\n<p>Mesmo assim, nunca se viu tanta banda cover por a\u00ed. Piscou e voc\u00ea d\u00e1 de cara com um convite pra ver Strokes Cover, Arctic Monkeys Cover, Rapture Cover, Franz Ferdinand Cover, Madonna Cover, Nirvana Cover&#8230; Normalmente s\u00e3o m\u00fasicos de bandas &#8220;autorais&#8221; que se metem nessa pra ganhar algum dinheiro que sua pr\u00f3pria m\u00fasica n\u00e3o permite. Fazem por obriga\u00e7\u00e3o e geralmente fazem porcamente.<\/p>\n<p>Pode-se questionar, pode-se tentar entender e \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea se depare com um c\u00edrculo em que ningu\u00e9m \u00e9 culpado e todos t\u00eam sua parcela de culpa. Os m\u00fasicos precisam ganhar dinheiro, pagar as contas e, ok, se divertir um pouco. Mas qual a desculpa das casas que abrem espa\u00e7o pra isso, e qual a desculpa do p\u00fablico?<\/p>\n<p>O p\u00fablico em teoria n\u00e3o teria motivos pra querer ver uma banda cover e pagar por isso. Nenhum. A n\u00e3o ser que seja ac\u00e9falo, o que pode vir a ser o caso. Sen\u00e3o, vejamos: n\u00e3o h\u00e1 uma banda cover dessas que os indies festivos gostam que n\u00e3o tenha ainda vindo ao Brasil &#8211; recentemente at\u00e9; entre uma banda tocando vers\u00f5es ruins de m\u00fasicas que a audi\u00eancia gosta e um DJ mandando as mesmas m\u00fasicas originais n\u00e3o seria melhor &#8211; e mais barata &#8211; a segunda op\u00e7\u00e3o, se o caso for s\u00f3 &#8220;animar uma festa&#8221; (na verdade, em qualquer situa\u00e7\u00e3o)? \u00c9 um exerc\u00edcio de sonho (masturba\u00e7\u00e3o) coletivo, \u00e9 isso?<\/p>\n<p>As casas donas dos poucos palcos decentes dispon\u00edveis pra m\u00fasica jovem nos centros urbanos est\u00e3o de olho nesse p\u00fablico e tiram espa\u00e7o de bandas &#8220;autorais&#8221; pra atender a demanda ac\u00e9fala. T\u00eam culpa no cart\u00f3rio, porque \u00e9 mais f\u00e1cil assim, d\u00e1 menos trabalho tratar com um contratado sem complica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou de ego. E \u00e9 simples a matem\u00e1tica: se voc\u00ea n\u00e3o tem palco importante, as bandas n\u00e3o tocam, n\u00e3o aparecem, n\u00e3o podem formar p\u00fablico e o p\u00fablico fica nesse marasmo idiotizante.<\/p>\n<p>\u00c9 um processo que esconde talentos, que aprisiona a inquietude nos guetos. <\/p>\n<p>Mas, na l\u00f3gica, d\u00e1 at\u00e9 pra absolver os empres\u00e1rios dessas casas. Eles n\u00e3o t\u00eam que pagar a conta da &#8220;constru\u00e7\u00e3o de uma cena&#8221;, qualquer cena que seja. Ningu\u00e9m \u00e9 bobo, nem precisa fazer filantropia. Empres\u00e1rio quer ganhar dinheiro e se o p\u00fablico \u00e9 assim, se compra esse tipo de atra\u00e7\u00e3o, por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o problema \u00e9 cultural. \u00c9 preciso querer comprar novidades. O p\u00fablico precisa querer o novo, pelo menos um p\u00fablico suficiente que conven\u00e7a o empres\u00e1rio a investir nisso, que incite o m\u00fasico a viver disso e que fa\u00e7a a m\u00e1quina girar. N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, nada no horizonte que inspire tal mudan\u00e7a no quadro geral. Vamos continuar recebendo convites vis de qualquer porcaria cover.<\/p>\n<p>&#8220;Viver num hosp\u00edcio \u00e9 melhor que num pardieiro?&#8221;, vale de novo a pergunta. &#8220;Tudo foi sempre uma mera quest\u00e3o de dinheiro&#8221;, \u00e9 a resposta imediata. Temos, pois, &#8220;um belo c\u00e2ncer no mundo das ideias&#8221; originais da m\u00fasica brasileira jovem, pop, o que for.<\/p>\n<p>E uma cidade como S\u00e3o Paulo vive coberta de um p\u00f3 do passado, esperando ser limpa por um pouco de originalidade nos seus palcos efervescentes e importantes. As bandas originais, inquietas, se resguardam nos palcos menores, perif\u00e9ricos. \u00c9 ali ainda, como h\u00e1 trinta anos, que a coisa acontece. J\u00e1 podia ser diferente, j\u00e1 pod\u00edamos ter com frequ\u00eancia e op\u00e7\u00e3o de escolher valsas menos amargas.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Nota posterior: \u00c9 \u00f3bvio que o Fellini, em &#8220;Rock Europeu&#8221;, falava de outro p\u00f3 e de outra viagem, com o bode posterior sendo aquela amargura. Mas a vis\u00e3o inocente e simplista encaixou bem no argumento aqui apresentado. Perdoe-me pela apropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;E s\u00f3 dentro de um hosp\u00edcio se vive na Am\u00e9rica Viver num hosp\u00edcio \u00e9 melhor que num pardieiro? 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