{"id":26826,"date":"2012-07-19T11:42:08","date_gmt":"2012-07-19T14:42:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=26826"},"modified":"2014-05-27T15:33:58","modified_gmt":"2014-05-27T18:33:58","slug":"pense-ou-dance-o-idiota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-idiota\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: O IDIOTA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"26827\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-idiota\/penseoudance19\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/penseoudance19.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance19\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/penseoudance19.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/penseoudance19.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-26827\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/penseoudance19.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/penseoudance19.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se foi naquela final da Supercopa S\u00e3o Paulo de Juniores, entre Palmeiras e S\u00e3o Paulo, em 1995, que me dei conta disso. Faz tempo. Naquele dia, houve mais uma das tantas guerras entre torcidas. Essa foi televisionada. Torcedores de ambos os times invadiram o gramado, com paus e pedras nas m\u00e3os, e come\u00e7aram a se enfrentar. Um morreu diante das c\u00e2meras (M\u00e1rcio Gasperin, de 16 anos), com uma paulada na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>O choque foi grande. Morreu por qual motivo? Apesar da discuss\u00e3o intensa \u00e0 \u00e9poca, s\u00f3 consigo pensar numa palavra pra resposta: ignor\u00e2ncia. Ignor\u00e2ncia travestida em um dos grandes males da sociedade desdes os tempos das cavernas: o fanatismo.<\/p>\n<p>Torcedores de futebol s\u00e3o como fan\u00e1ticos religiosos \u2013 e como tantos outros capengas intelectuais, mentais e culturais. O motivo exato pelo o qual pessoas comuns, de bem, trabalhadoras e sonhadoras, se tornam animais irracionais e assassinos, quando em turbas com outros iguais a ele, sob o s\u00edmbolo de uma bandeira ou ideia qualquer, ainda foge da l\u00f3gica.<\/p>\n<p>O prazer que um time de futebol oferece, como alternativa pra loucura da vida miser\u00e1vel de seus seguidores, pode ser uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica pra tanta insanidade, mas est\u00e1 longe de ser satisfat\u00f3ria. \u00c9 como o efeito de uma droga qualquer: a satisfa\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria, de derrotar o rival &#8211; que \u00e9 diferente de advers\u00e1rio, numa clara deturpa\u00e7\u00e3o da ordem esportiva &#8211; d\u00e1 ao torcedor o prazer de experimentar o triunfo que ele n\u00e3o experimenta na sua vida pessoal ou profissional. A decep\u00e7\u00e3o da derrota, no sentido oposto, portanto, pode ser fulminante pra sua raz\u00e3o.<\/p>\n<p>A sociedade trata esses torcedores violentos como marginais, mas pouco faz pra resolver o problema. Eles s\u00e3o de fato marginais. Mas \u00e9 s\u00f3 porque levam ao cabo seus pensamentos extremistas. O advers\u00e1rio \u00e9 o rival que merece toda sorte de chacotas e dor moral ou f\u00edsica. Tal e qual os advers\u00e1rios religiosos. Ou, como veremos, f\u00e3s de m\u00fasica e afins.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de acabar com a divers\u00e3o. Tirar sarro do advers\u00e1rio que foi rebaixado no campeonato \u00e9 divertido, mas deveria ficar restrito a isso, a um momento de lazer. \u00c9 a velha hist\u00f3ria do saber perder e saber ganhar. Quem perde tem que saber ouvir e aguentar as brincadeiras. Quem ganha tem que saber provocar na medida certa. \u00c9 preciso modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora se saiba que, como na religi\u00e3o, nem mesmo os moderados s\u00e3o assim t\u00e3o ben\u00e9ficos. Fan\u00e1ticos jogam bombas uns nos outros, se matam, foram inquisidores at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, e, nos dias de hoje, tratam ateus e agn\u00f3sticos como o diabo em pessoa. J\u00e1 os moderados n\u00e3o aceitam que certos preceitos de sua f\u00e9, por mais surreais que sejam, possam receber cr\u00edticas. H\u00e1 diferen\u00e7a na pr\u00e1tica; mas n\u00e3o muita, quando se embala na rede das ideias.<\/p>\n<p>\u00c9 como diz o neurocientista Sam Harris (cujo pai era <em>quaker<\/em>): &#8220;experimente dizer a um crist\u00e3o devoto que a mulher dele o est\u00e1 enganando, ou que o iogurte congelado pode tornar a pessoa invis\u00edvel, e ele provavelmente exigir\u00e1 provas tanto quanto qualquer pessoa, e s\u00f3 vai se deixar convencer se voc\u00ea lhe apresentar essas provas. No entanto, se algu\u00e9m lhe disser que o livro que ele mant\u00e9m na cabeceira foi escrito por uma divindade invis\u00edvel que vai puni-lo com o fogo eterno se ele n\u00e3o aceitar cada uma das afirma\u00e7\u00f5es inacredit\u00e1veis ali contidas acerca do universo, ele n\u00e3o vai exigir provas de esp\u00e9cie alguma&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A modera\u00e7\u00e3o religiosa surge do fato de que mesmo a pessoa menos instru\u00edda entre n\u00f3s simplesmente sabe mais acerca de certos assuntos do que qualquer pessoa sabia h\u00e1 dois mil anos (&#8230;) E o problema que ela apresenta pra todos n\u00f3s \u00e9 que ela n\u00e3o permite que se diga nada de muito cr\u00edtico acerca do fundamentalismo religioso. N\u00e3o podemos dizer que os fundamentalistas s\u00e3o malucos, pois est\u00e3o simplesmente praticando sua religi\u00e3o; n\u00e3o podemos sequer dizer que eles est\u00e3o enganados em termos religiosos, j\u00e1 que o conhecimento que eles t\u00eam das Escrituras em geral \u00e9 inigual\u00e1vel&#8221;, ele diz mais a frente.<\/p>\n<p>Perceba que a palavra &#8220;cr\u00edtica&#8221; aparece numa forma diab\u00f3lica. Contestar \u00e9 proibido, no mesmo n\u00edvel que \u00e9 preciso &#8220;respeitar&#8221; o time dos outros ou o gosto musical dos outros. Sim, \u00e9 preciso &#8220;respeitar&#8221;, mas n\u00e3o a escolha de um time diferente ou o gosto e ideais diversos (quer gostemos deles ou n\u00e3o), e sim a &#8220;ideia&#8221; de que <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-liberdade-absoluta\/\" target=\"_blank\">cada um pode escolher e fazer o que bem entender<\/a>, desde que assuma todos os riscos e responsabilidades dessas escolhas. A ideia \u00e9 livre \u2013 e essa liberdade \u00e9 tudo pelo o qual se vale lutar e morrer, o resto \u00e9 besteira.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o \u00e9 permitido criticar textos religiosos ou fundamentos da f\u00e9; e em certos meios n\u00e3o \u00e9 permitido criticar a escolha do time do pr\u00f3ximo &#8211; n\u00e3o aconselho um palmeirense fazer isso em plena quadra da Gavi\u00f5es da Fiel; ambos com risco de morte, dependendo do fanatismo do interlocutor, ou at\u00e9 mesmo da &#8220;modera\u00e7\u00e3o&#8221;; acredite, o mesmo vale pra prefer\u00eancias musicais, cinematogr\u00e1ficas, teatrais, fotogr\u00e1ficas etc.<\/p>\n<p>Recentemente, por conta das cr\u00edticas ao mais recente filme do Batman, <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1121612-fas-de-batman-ameacam-de-morte-criticos-que-nao-gostaram-do-filme.shtml\" target=\"_blank\">f\u00e3s amea\u00e7aram os cr\u00edticos de morte<\/a>. Qual a l\u00f3gica desse pensamento? O que leva algu\u00e9m perder tempo e descarregar seu \u00f3dio sobre uma pessoa que ele n\u00e3o conhece, pra defender o trabalho de outra que ele tamb\u00e9m n\u00e3o conhece?<\/p>\n<p>Na faculdade, vestindo a fantasia do provocador barato, adorava falar que o Caetano Veloso era horr\u00edvel. &#8220;Mas voc\u00ea j\u00e1 reparou nas letras dele?&#8221;, me perguntavam. &#8220;J\u00e1 &#8211; ent\u00e3o, que ele escreva um livro, porque a m\u00fasica continua horr\u00edvel&#8221;, eu respondia, com aquele sorriso sabororso. Por duas ou tr\u00eas vezes quase tomei um sopapo.<\/p>\n<p>Dia desses, um blogue camarada escreveu sobre o mais recente disco da Rita Lee, &#8220;Reza&#8221;. <a href=\"http:\/\/www.pergunteaopop.blogspot.com.br\/2012\/07\/vidinha-de-merda.html\" target=\"_blank\">O t\u00edtulo do post era &#8220;Vidinha de Merda&#8221;<\/a>, onde ele desce o sarrafo impiedosamente na tia. N\u00e3o sei a quantidade de malas que ele enfrentou por isso, mas quando retuitei o link, recebi de um f\u00e3-clube a resposta educad\u00edssima: &#8220;Rid\u00edcula essa sua &#8216;an\u00e1lise&#8217;, v\u00e9io. Enfia ela no c\u00fa. Rita Lee merece respeito. Babaca (<em>sic<\/em>)&#8221;.<\/p>\n<p>Tive problemas tamb\u00e9m com insanos defensores da s\u00e9rie &#8220;Game Of Thrones&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-the-national-the-rains-of-castamere\/\" target=\"_blank\">veja os coment\u00e1rios deste post<\/a>); com analfabetos funcionais defensores do Band Of Horses, quando falei sobre o show da banda em S\u00e3o Paulo, elogiando e elogiando, at\u00e9 o momento que chamei as baladas de &#8220;insossas&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/band-of-horses-no-beco-203-sp-como-foi\/\" target=\"_blank\">veja os coment\u00e1rios aqui<\/a>); e uma s\u00e9rie de outros exemplos.<\/p>\n<p>Um dos bons exemplos recentes, \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.rollingstone.com.br\/noticia\/em-recife-paul-mccartney-enfrenta-calor-e-povo-arretado\/\" target=\"_blank\">esse da Rolling Stone sobre o show de Paul McCartney em Recife (leia os coment\u00e1rios, se tiver est\u00f4mago)<\/a>. Vale sempre lembrar que os f\u00e3s dos Beatles s\u00e3o os mais chatos seres da Terra, bem mais do que bairristas enfurecidos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio deste ve\u00edculo ou daquele. Todo cr\u00edtico, resenhista ou coisa que o valha vai enfrentar esses fan\u00e1ticos descerebrados.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a l\u00f3gica de gostar de uma m\u00fasica ou de um artista \u00e9 subjetiva. O que define o fato de uma obra ser &#8220;melhor&#8221; ou &#8220;pior&#8221; que outra em termos t\u00e9cnicos pouca gente sabe \u2013 \u00e0s vezes, nem os pr\u00f3prios m\u00fasicos. Pode ser a estrutura, pode ser a forma envolvente que a letra casa com a harmonia, mas pode ser o momento em que o ouvinte se emocionou com essa can\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a mesma emo\u00e7\u00e3o pra todos. E quem n\u00e3o se emocionou da mesma forma tem o direito de criticar, mesmo que n\u00e3o tenha embasamento pra isso &#8211; \u00e9 s\u00f3, pois, uma opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Na raia dos provocadores, \u00e9 divertido acompanhar a reverbera\u00e7\u00e3o pelo <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/RegissTadeu\" target=\"_blank\">Twitter do jornalista, m\u00fasico e fanfarr\u00e3o R\u00e9gis Tadeu<\/a>, quando ele fala algo contra um artista popular num programa bobo de televis\u00e3o &#8211; mas de grande audi\u00eancia. O jornalista retu\u00edta tudo o que falam dele, rindo de tudo isso, como deve ser. A rea\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s \u00e9 de tamanha indigna\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sequer compreender a l\u00f3gica deles &#8211; at\u00e9 porque a maioria n\u00e3o d\u00e1 pra entender mesmo, j\u00e1 que v\u00eam revestidas de bizarros erros de portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Como sempre, atacam em tr\u00eas frentes:<\/p>\n<p>1. Desqualificando o cr\u00edtico: &#8220;quem \u00e9 o cidad\u00e3o pra falar de (inclua o nome do artista aqui)?&#8221;, ou &#8220;o que o (insira o nome do cr\u00edtico aqui) j\u00e1 fez de bom?&#8221;, ou &#8220;se o (insira o nome do cr\u00edtico aqui) \u00e9 t\u00e3o bom, porque ele n\u00e3o faz melhor?&#8221;; ou &#8220;qual o talento do (insira o nome do cr\u00edtico aqui) pra falar do (insira o nome do artista aqui)?&#8221;.<\/p>\n<p>2. Desqualificando o texto: &#8220;texto pobre desse (insira o nome do cr\u00edtico aqui)&#8221;, ou &#8220;quanta ignor\u00e2ncia desse (insira o nome do cr\u00edtico aqui)&#8221;; ou ainda &#8220;pol\u00eamica vazia, s\u00f3 quer aparecer&#8221;.<\/p>\n<p>3. Agredindo o cr\u00edtico: &#8220;se eu pego esse (insira o nome do cr\u00edtico aqui) que falou mal da (insira o nome do artista aqui)&#8230;&#8221;, ou &#8220;esse (insira o nome do cr\u00edtico aqui) \u00e9 um idiota que n\u00e3o entende nada de m\u00fasica e merece apanhar (morrer ou qualquer outra forma de agress\u00e3o f\u00edsica)&#8221;, ou ainda qualquer xingamento vulgar que voc\u00ea possa imaginar a\u00ed no seu vocabul\u00e1rio.<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Stycer, em seu blogue, faz <a href=\"http:\/\/mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br\/2012\/01\/08\/fas-de-xuxa-reagem-com-pedras-psicologia-e-recados\/ \" target=\"_blank\">uma an\u00e1lise bem divertida sobre um caso que envolveu f\u00e3s da Xuxa<\/a>, e vai mais a fundo nos tipos de ataques. Vale ler.<\/p>\n<p>O f\u00e3 reage assim porque, de alguma maneira, assumiu uma verdade pra si, proveniente de sabe-se l\u00e1 qual fonte, de que tal artista \u00e9 bom, tem talento e, assim, qualquer coisa que ele fizer tem e deve por consequ\u00eancia ser boa. O \u00eddolo \u00e9 intoc\u00e1vel. O f\u00e3 se fecha nessa verdade e repudia qualquer cr\u00edtica porque isso \u00e9 derrubar ou macular um mito, uma proje\u00e7\u00e3o de perfei\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que ele, de alguma maneira, gostaria de ser. E todo mundo sabe que reinventar nossas verdades n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Assim, f\u00e3s de Pink Floyd, Beatles, Nirvana, Radiohead e tais se igualam na sua limita\u00e7\u00e3o, no seu cabresto, a f\u00e3s de Evanescence, Restart, Beyonc\u00e9, Fiuk, NX Zero, sertanejos, axezeiros, Sandy, Lady Gaga e toda essa sorte de artistas pouco respeitados pela cr\u00edtica &#8220;especializada&#8221;. Os fan\u00e1ticos por essas bandas supostamente repeit\u00e1veis desmerecem qualquer um que n\u00e3o corrobore com sua vis\u00e3o limitada, no que se refere \u00e0 import\u00e2ncia musical e social delas.<\/p>\n<p>O fan\u00e1tico moderado afirmar\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o tem o direito de falar mal de um artista, porque voc\u00ea precisa &#8220;respeitar&#8221; o gosto dos outros. Essa afirma\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 t\u00e3o limitada quanto n\u00e3o aceitar a cr\u00edtica, que, il\u00f3gica da il\u00f3gica, n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica direta ao f\u00e3 nem ao artista, mas a determinado trabalho do artista. O cr\u00edtico \u2013 e n\u00e3o tome essa palavra como um profissional que recebe grana pra analisar trabalhos alheios \u2013 tem todo o direito de destruir o trabalho do artista, se assim o achar que deve. Deve estar ciente apenas de que seus argumentos ser\u00e3o lidos com a mesma subjetividade, porque o embate sempre vai cair no n\u00edvel do subjetivo, at\u00e9 mesmo quando se d\u00e1 em termos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>O problema todo, portanto, \u00e9 que o f\u00e3 preconceituou e &#8220;intocabilizou&#8221; seu \u00eddolo, criou pra si uma verdade absoluta. Virou cren\u00e7a, f\u00e9, religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis, ent\u00e3o, que vemos f\u00e3s de m\u00fasica, filme, quadrinhos e afins se portando como torcedores de futebol ou fundamentalistas religiosos, prestes a chegarem a a\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n<p>Aprisionados, sem amplitude de conhecimento, a sa\u00edda \u00e9 n\u00e3o discutir, \u00e9 abandonar debates e usar uma das frentes de contra-argumento dispostas acima. \u00c9 assim que o f\u00e3 se assume como um total idiota, no sentido literal do &#8220;sorvete na testa&#8221;. Sim, todo f\u00e3 \u00e9 um idiota. A torcida \u00e9 pra que esses c\u00e3es sigam s\u00f3 ladrando, sem morder &#8211; que continuem assassinando apenas a l\u00f3gica.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se foi naquela final da Supercopa S\u00e3o Paulo de Juniores, entre Palmeiras e S\u00e3o Paulo, em 1995, que me dei conta disso. 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