{"id":27801,"date":"2012-08-30T20:38:58","date_gmt":"2012-08-30T23:38:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=27801"},"modified":"2012-08-30T20:38:58","modified_gmt":"2012-08-30T23:38:58","slug":"resenha-wild-nothing-nocturne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-wild-nothing-nocturne\/","title":{"rendered":"RESENHA: WILD NOTHING &#8211; NOCTURNE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"27802\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-wild-nothing-nocturne\/wildnothing-capa-nocturne\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/wildnothing-capa-nocturne.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"wildnothing-capa-nocturne\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/wildnothing-capa-nocturne.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/wildnothing-capa-nocturne.jpg?resize=540%2C540\" alt=\"\" title=\"\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-27802\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/wildnothing-capa-nocturne.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/wildnothing-capa-nocturne.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/wildnothing-capa-nocturne.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>POP PRA MADRUGADA<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 justo dizer que ser pop n\u00e3o \u00e9 dem\u00e9rito pra ningu\u00e9m. \u00c9 o objetivo de nove entre dez pessoas que comp\u00f5em can\u00e7\u00f5es. O caso \u00e9 que h\u00e1 m\u00fasicas pop e m\u00fasicas pop. Gaby Amarantos \u00e9 pop. Calipso \u00e9 pop. Ivete Sangalo \u00e9 pop. Justin Bieber \u00e9 pop. O Wild Nothing tamb\u00e9m \u00e9 pop. Mas d\u00e1 pra ver a diferen\u00e7a, certo?<\/p>\n<p>D\u00e1. Jack Tatum aparentemente sabe o que t\u00e1 fazendo. O seu pop \u00e9 sonhador, n\u00e3o t\u00e3o l\u00fadico; \u00e9 contemplativo, n\u00e3o festivo. Ningu\u00e9m se imagina dan\u00e7ando com um sorris\u00e3o na cara alguma faixa desse <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wild-nothing-nocturne\/\" target=\"_blank\">&#8220;Nocturne&#8221;<\/a>. Porque esse \u00e9 outro pop: aquele classudo, enigm\u00e1tico por vezes, elegante, melanc\u00f3lico, nost\u00e1lgico.<\/p>\n<p>Eu costumo chamar isso de &#8220;pop pra madrugada&#8221;. \u00c9 pra ouvir sozinho, olhando pra escurid\u00e3o, pensando na vida ou tentando dormir; ou ainda: pra trabalhar virando a noite.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o agrad\u00e1vel, t\u00e3o apraz\u00edvel, que n\u00e3o dificulta a simpatia de nenhum ouvinte &#8211; pelo menos de nenhum que tenha um pingo de sensibilidade.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Shadow&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/GnRLPaYXvoU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O Wild Nothing saiu de um <em>dream pop<\/em> usual em &#8220;Gemini&#8221;, seu disco de estreia de 2010, pra algo que podemos chamar de ousado. Esse &#8220;Nocturne&#8221; \u00e9 talvez o disco que ele sempre quis fazer, mas que se come\u00e7asse a carreira por ele \u00e9 prov\u00e1vel que ficasse fora dos holofotes que lhe interessavam. \u00c9 um disco nost\u00e1lgico, que evoca aquela plasticidade do <em>synth-pop<\/em> dos anos oitenta &#8211; e que nem todo mundo enxergava com bons olhos \u00e0 \u00e9poca, eu me incluindo nessa.<\/p>\n<p>O que mudou? Bem, a dist\u00e2ncia do tempo influencia positivamente nesses casos. Pode ser aquele lance de mem\u00f3ria afetiva, uma forma de recha\u00e7ar tudo de ruim que se v\u00ea e ouve nos dias de hoje (num processo c\u00edclico, o mesmo acontecer\u00e1 quando essa gera\u00e7\u00e3o olhar o <em>revival<\/em> dos anos 2010 mais a frente).<\/p>\n<p>Se aqueles da minha gera\u00e7\u00e3o, que viveram naquela \u00e9poca a cretinice de execrar tudo o que n\u00e3o era &#8220;college rock&#8221;, g\u00f3tico, p\u00f3s-punk ou mesmo punk, ouvissem uma m\u00fasica como &#8220;Paradise&#8221;, certamente colocariam-na no mesmo saco preto de lixo de um A-Ha, Duran Duran, Mr Mister, Talk Talk, coisas do tipo. Eu mesmo acho que j\u00e1 incorri nesse erro. E \u00e9 o mesmo erro que o ouvinte pode ter quase na totalidade de &#8220;Nocturne&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que tal percep\u00e7\u00e3o pudesse existir nos anos oitenta por uma quest\u00e3o de imaturidade e falta de bagagem cultural &#8211; ou at\u00e9 mesmo de f\u00faria jovem, aquela raiva na maioria das vezes despropositada.<\/p>\n<p>Porque algumas daquelas bandas n\u00e3o eram de fato ruins, como o Duran Duran. E porque &#8220;Nocturne&#8221; \u00e9 um bom disco, seja encaixado naquele per\u00edodo, seja agora. S\u00f3 que agora \u00e9 melhor ainda, porque olha pra \u00e9poca com admira\u00e7\u00e3o sincera, com rever\u00eancia tal que n\u00e3o transparece oportunismo.<\/p>\n<p>Faixas como &#8220;Shadow&#8221; continuam fora do alvo de olhares desconfiados. Faria bonito tamb\u00e9m em &#8220;Gemini&#8221;. Mas \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Seus pares fazem de &#8220;Nocturne&#8221; um disco diferente do primeiro, apontando em outra dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se Tatum, largando o <em>dream pop<\/em> dos anos noventa e focando sua admira\u00e7\u00e3o ainda mais longe no tempo, acreditasse que sua obra ficaria mais madura.<\/p>\n<p>&#8220;Midnight Song&#8221; \u00e9 t\u00e3o noturna, que remete \u00e0quelas agrad\u00e1veis madrugadas ao som da 89FM de S\u00e3o Paulo, ou da Fluminense FM do Rio (que nem operava a madrugada toda). Ela d\u00e1 as boas-vindas ao disco todo e \u00e9 isso que o ouvinte ter\u00e1 a partir de ent\u00e3o, incluindo p\u00e9rolas como &#8220;Through The Glass&#8221;, &#8220;Only Heather&#8221; (a mais animada), &#8220;Counting Days&#8221; e &#8220;The Blue Dress&#8221;.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Through The Glass&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/CpkEW8HofgI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Limpo, claro, elegante: esse \u00e9 o disco que o Wild Nothing fez. Um disco que n\u00e3o vai envelhecer, porque j\u00e1 nasceu antigo &#8211; de uma maneira elogiosa.<\/p>\n<p>E \u00e9 aqui que mora seu maior problema &#8211; sem contar as letras pouco profundas: um disco que se formou dessa maneira, n\u00e3o teria pouco a acrescentar? A resposta disso, \u00e9 claro, s\u00f3 com o tempo, s\u00f3 com muitas madrugadas.<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 28 de agosto de 2012<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 44 minutos e 16 segundos<br \/>\nSelo: Captured Tracks<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Jack Tatum<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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