{"id":31713,"date":"2013-04-18T02:01:59","date_gmt":"2013-04-18T05:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=31713"},"modified":"2013-10-16T15:08:50","modified_gmt":"2013-10-16T18:08:50","slug":"entrevista-low-dream-honeys-is-dead","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-low-dream-honeys-is-dead\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: LOW DREAM &#8211; HONEY&#8217;S IS DEAD?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31720\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-low-dream-honeys-is-dead\/lowdream1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"lowdream1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-31720\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream1.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><em>Enquanto se prepara pra uma s\u00e9rie de shows com a Low Dream ainda em 2013, Giulliano Fernandez, l\u00edder da banda mais brit\u00e2nica e cabisbaixa que j\u00e1 nasceu no cerrado, lembra como era ser independente e barulhento h\u00e1 20 anos, sem internet pra superdimensionar popularidade de banda, e ainda assim chegar aos fones de ouvido do maior astro do rock brasileiro.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Por que esses caras choram tanto?&#8221;, perguntava uma resenha de &#8220;Between My Dreams And The Real Things&#8221;, primeiro \u00e1lbum da Low Dream, publicada numa uma edi\u00e7\u00e3o da Vice de alguns anos atr\u00e1s que homenageava 1994, o ano da cria\u00e7\u00e3o da revista l\u00e1 fora. Eu n\u00e3o sei por que eles choravam tanto e se choravam. Mas a resenha era engra\u00e7ada. E a banda fez um bocado de barulho nos anos 90, chegando a cutucar as orelhas do tal Renato Russo.<\/p>\n<p>Mas no fundo eu entendi o que a resenha quis dizer. Que a melancolia carregada em centenas de tons de cinza do primeiro \u00e1lbum da banda chegava a incomodar \u2013 pro bem ou pro mal. Que havia uma afeta\u00e7\u00e3o na postura da banda, impressa nas m\u00fasicas, que \u00e0s vezes camuflava se o que havia ali era timidez\/inadequa\u00e7\u00e3o adolescente, se era uma posi\u00e7\u00e3o idiossincr\u00e1tica cabisbaixa e melanc\u00f3lica em resposta ao que a m\u00fasica pop havia se transformado no in\u00edcio dos anos 90 ou se era apenas imita\u00e7\u00e3o da atitude blas\u00e9 das bandas inglesas. Algo como &#8220;se o cara do Ride joga o cabelinho pra l\u00e1 quando cai no olho enquanto canta &#8216;Twisterella&#8217;, e a m\u00fasica \u00e9 do cacete, por que eu tamb\u00e9m n\u00e3o?&#8221;; ou &#8220;se o Kevin Shields parece que est\u00e1 s\u00f3 esperando o cara desligar a c\u00e2mera no v\u00eddeo de &#8216;Only Shallow&#8217; pra dar um tiro na cabe\u00e7a, e ele \u00e9 um g\u00eanio, eu tamb\u00e9m vou nessa&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a\u00ed o tempo passa, as bandas acabam, os <em>negos<\/em> criam fam\u00edlia, emprego, filhos, pan\u00e7a, cabelos brancos, press\u00e3o alta, e a gente olha pra tr\u00e1s e lembra que a adolesc\u00eancia consegue ser ao mesmo tempo uma maravilha e um chute no saco. E que esse tipo de atitude, espont\u00e2nea ou copiada, \u00e0s vezes serve pra se posicionar, num determinado momento, diante de coisas que ainda n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis de serem decifradas ou pra evitar a aproxima\u00e7\u00e3o de idiotas. O que nem sempre d\u00e1 certo.<\/p>\n<p>E se a Low Dream tinha a companhia de outros deprimidos distorcidos nos anos 90, \u00e9 porque a coisa encontrava eco em alguns cantos do pa\u00eds, porque falava com alguns, que se esbarravam em bares que pareciam banheiros pra ver essa gente branca e cabisbaixa chorar sobre as guitarras e os amplificadores queimados. Tem gente chorando por a\u00ed at\u00e9 hoje, e deve ser por isso que a banda topou arriscar uma volta este ano pra algumas apresenta\u00e7\u00f5es, embora Giulliano Fernandez, guitarra e vocal, garanta n\u00e3o se tratar de um retorno, daqueles pra saudosistas. E chor\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em>Textos e entrevista: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/filipe.albuquerque\" target=\"_blank\">Filipe Albuquerque<\/a> &#8211; especial pro <strong>Floga-se<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Floga-se: Lembro-me que um dos zines da Low Dream trazia uma entrevista em que voc\u00ea dizia que a banda fazia tudo por contra pr\u00f3pria, incluindo, claro, o zine. Voc\u00ea terminava a resposta dizendo &#8220;isso \u00e9 ser <em>punk<\/em>&#8220;, numa refer\u00eancia clara ao DIY. Qual a influ\u00eancia do <em>punk<\/em> na sua busca pela m\u00fasica, antes, durante e depois da Low Dream?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giulliano Fernandes:<\/strong> Eu gostava n\u00e3o somente do som <em>punk<\/em> cheio de f\u00faria e atitude, mas tamb\u00e9m da liberdade art\u00edstica de fazer o que fosse preciso pra mostrar sua m\u00fasica pro mundo. Este controle quase que total sobre nossa arte nos aproximava dos <em>punks<\/em> e isso me agradava bastante. Nunca fomos m\u00fasicos virtuosos e nem os <em>punks<\/em> eram isso tamb\u00e9m, ou seja, mais uma liga\u00e7\u00e3o. Mas talvez a maior delas fosse o nosso total desinteresse por bandas progressivas dos anos setenta. O <em>punk<\/em> surgiu exatamente como um rea\u00e7\u00e3o a tudo aquilo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Imagino que a adolesc\u00eancia de voc\u00eas foi embalada por muito rock feito em Bras\u00edlia, mas tamb\u00e9m pelo que vinha de fora &#8211; a chegada de discos gringos em Bras\u00edlia \u00e9 uma hist\u00f3ria recorrente quando se fala do circuito que nasceu a\u00ed nos anos 80. O que a turma que veio antes no rock de Bras\u00edlia ensinou a voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Essas bandas de Bras\u00edlia, principalmente a Legi\u00e3o, nos mostraram onde procurar m\u00fasica e conseguir m\u00fasica interessante. Viver em Bras\u00edlia \u00e9 diferente de viver em outras cidades. Estas bandas que voc\u00ea se refere sofreram uma forte influ\u00eancia do <em>punk<\/em> rock, sonoramente at\u00e9 bem mais que a gente, j\u00e1 que fomos mais influenciados pelo que surgiu depois, nos anos 80, o chamado p\u00f3s-punk.<\/p>\n<p><strong>F-se: A cr\u00edtica comum que atingiu bandas da sua gera\u00e7\u00e3o (e algumas dos anos 80) era a de que havia um desejo exagerado de n\u00e3o apenas soar, mas de adotar uma &#8220;identidade&#8221; muito ligada a uma parte da cultura pop inglesa e americana. De certo modo, \u00e9 como se jogassem sobre essas bandas um peso, uma obriga\u00e7\u00e3o de inclu\u00edrem na est\u00e9tica adotada algum elemento nacional. Isso passou ao largo de voc\u00eas &#8211; at\u00e9 porque havia e sempre houve, desde o rock progressivo brasileiro dos anos 70, passando pelo <em>punk<\/em> etc. &#8211; muito porque havia p\u00fablico pra isso. Voc\u00ea acha que isso, em um determinado momento, com o seu amadurecimento, o dos outros integrantes, a chegada da idade, gera um certo aborrecimento? A ideia da Magn\u00e9tica trazia algo desse poss\u00edvel aborrecimento com a necessidade (se a gente pensar em uma certa cobran\u00e7a ou identifica\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s de voc\u00eas) de soarem e se comportarem com algo mais ligado a cenas internacionais? Pergunto isso pq at\u00e9 hoje voc\u00eas s\u00e3o chamados como a banda mais inglesa que j\u00e1 surgiu no Brasil&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> \u00c9 verdade. Havia uma rea\u00e7\u00e3o de alguns cr\u00edticos ao fato de algumas bandas terem esta postura &#8220;gringa&#8221;. Sempre achamos isso tudo uma grande besteira. N\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos ingleses ou norte-americanos e nem quer\u00edamos ser nada disso. Pelo contr\u00e1rio, sempre amamos a realidade de sermos brasileiros. Ningu\u00e9m queria morar na Inglaterra ou nos EUA e falar ingl\u00eas o tempo todo. Mas esses cr\u00edticos acreditavam que est\u00e1vamos traindo nossa cultura pelo simples fato de gostarmos de rock (veja que a palavra \u00e9 em ingl\u00eas) e porque n\u00f3s faz\u00edamos exatamente o rock feito na Inglaterra ou nos EUA. Ironicamente eles gostaram do rock feito naqueles pa\u00edses, mas talvez fosse pecado fazer o mesmo rock aqui. Mas isso nunca tirou nosso sono ou nos preocupou. J\u00e1 o projeto paralelo Magn\u00e9tica surgiu depois que a Low Dream j\u00e1 tinha conquistado seu espa\u00e7o. Na realidade, antes da Low Dream eu montei algumas outras bandas e algumas delas faziam rock cantado em portugu\u00eas. Em uma das \u00faltimas entrevistas do Renato Russo, ele declarou que gostava muito da Low Dream, mas que as letras eram t\u00e3o &#8220;sint\u00e9ticas&#8221; que a banda poderia cantar em portugu\u00eas. Disse tamb\u00e9m que a Legi\u00e3o tentava fazer algo parecido com nosso som e n\u00e3o conseguia. Isso foi um grande elogio pra gente. Digamos que eu atendi ao pedido dele e fiz o projeto paralelo. Recentemente colocamos na web um <em>link<\/em> com as tr\u00eas m\u00fasicas que gravamos em um CD demo em 1997 pra que todos pudessem ouvir este trabalho, que ficou esquecido durante anos. O resultado mostra um amadurecimento sonoro incr\u00edvel. Isso tamb\u00e9m era notado em algumas novas m\u00fasicas da Low Dream que nunca chegaram a ser gravadas.<\/p>\n<p>&#8220;My Dear Ocean&#8221; (demotape):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F81101452\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;I Never Had Sugar Dreams&#8221; (demotape):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F81100971\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Quando te surgiu a ideia da Low Dream? O que se transformou na Low Dream surgiu pra voc\u00ea quando e como? A banda era um projeto seu? Como foi transformar isso em algo que pudesse ser executado ao vivo e registrado em demo e depois em CD?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Minha liga\u00e7\u00e3o com m\u00fasica sempre foi muito forte desde crian\u00e7a. Eu montei milhares de bandas imagin\u00e1rias at\u00e9 que elas come\u00e7aram a se transformar em realidade na minha adolesc\u00eancia. Eu via algu\u00e9m com &#8220;cara&#8221; de roqueiro na rua e imediatamente eu me aproximava e queria saber que tipo de m\u00fasica ele ouvia. Dependendo da resposta, o &#8220;cara&#8221; virava meu amigo e em seguida integrante da minha banda. Isso aconteceu milhares de vezes. Fiz grandes amigos e inimigos tamb\u00e9m, j\u00e1 que eles podiam ser expulsos da &#8220;banda&#8221; caso alguma hora eles falassem que gostavam de Led Zeppelin, de <em>hard rock<\/em> ou progressivo. Em determinado momento eu montei as pe\u00e7as certas do quebra-cabe\u00e7as e tudo come\u00e7ou a funcionar como eu acreditava ser o certo. O nome Low Dream estava guardado para isso. Foi no final de 1991, em plano surgimento do chamado <em>grunge<\/em>, que pra mim n\u00e3o passava de um <em>revival punk<\/em> com doses fortes de <em>hard rock<\/em>.<\/p>\n<p><strong>F-se: Na sua entrevista ao blogue Na Lista voc\u00ea conta o in\u00edcio da Low Dream, suas refer\u00eancias vindas do <em>punk<\/em>, os primeiros passos da banda em Bras\u00edlia e algumas rusgas entre os grupos locais. Como o contexto de Bras\u00edlia no fim dos anos 80 e durante os primeiros anos da d\u00e9cada de 90 ajudaram a formar o car\u00e1ter da banda, sobretudo o desejo de manter aberto um canal de comunica\u00e7\u00e3o com os f\u00e3s?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Bem, ser totalmente independente &#8211; ou &#8220;indiependente&#8221; &#8211; exigia um certo sacrif\u00edcio pessoal tamb\u00e9m. N\u00f3s viv\u00edamos &#8211; e ainda vivemos &#8211; isolados no interior do Brasil. Uma capital que nem todos os brasileiros conhecem de fato. Como t\u00ednhamos um som diferenciado de quase tudo que era feito no Brasil na \u00e9poca, t\u00ednhamos tamb\u00e9m f\u00e3s diferenciados e eles mereciam uma aten\u00e7\u00e3o diferenciada e aut\u00eantica. O tal <em>do it yourself<\/em> (DIY) era mais real aqui do que em muitas bandas que se diziam &#8220;indies&#8221; e dependiam em tudo de uma grande gravadora. Fato \u00e9 que nunca gostamos deste t\u00edtulo de &#8220;banda mais inglesa do Brasil&#8221;. Isso pra gente sempre foi uma piada arrogante. Quer\u00edamos apenas fazer nossa m\u00fasica e levar pro maior n\u00famero de pessoas que tivesse interesse em ouvir e gostar. Infelizmente, alguns obst\u00e1culos de estrutura da \u00e9poca impediram que fosse da forma como imaginamos. Mas realizamos muitas coisas e ficamos felizes com o resultado. Acreditamos que fizemos nossa parte e muitas pessoas entenderam o recado. Hoje em dia este canal com os f\u00e3s pode ser chamado de rede social. A Low Dream existiu em um tempo que n\u00e3o havia nada disso, ent\u00e3o era preciso criar algum tipo de canal de comunica\u00e7\u00e3o e isso foi feito.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31721\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-low-dream-honeys-is-dead\/lowdream2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"lowdream2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream2.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-31721\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream2.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream2.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><br \/>\n<em>Foto feita exclusivamente para mat\u00e9ria do jornal Correio Braziliense, no parque Nicol\u00e2ndia, em Bras\u00edlia &#8211; 1995 (fonte: arquivo da banda no Facebook)<\/em><\/p>\n<p><strong>F-se: Como foram as grava\u00e7\u00f5es das demos? Como era lidar com est\u00fadio naquela \u00e9poca, com &#8211; imagino &#8211; engenheiros de som e t\u00e9cnicos que nem sempre entendiam o som de voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Inicialmente isso foi um pesadelo. Criar em est\u00fadio e ao vivo uma sonoridade compat\u00edvel com a estrutura das bandas que gost\u00e1vamos era incrivelmente dif\u00edcil. Os produtores e t\u00e9cnicos de som achavam que n\u00f3s \u00e9ramos ETs. Foi algo muito complexo que fomos aprendendo a lidar com o passar do tempo. Mas n\u00f3s apanhamos e brigamos muito pra aprender. Em alguns momentos chagamos a deixar os est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o ou abandonar os shows na metade tamanha era a falta de estrutura m\u00ednima pra que pud\u00e9ssemos mostrar nossa m\u00fasica. Ironicamente, a banda &#8220;terminou&#8221; exatamente quando estava fazendo os melhores shows e sabendo usar melhor os recursos dos est\u00fadios.<\/p>\n<p><strong>F-se: Imagino que voc\u00eas enfrentassem dificuldades t\u00e9cnicas pra conseguir construir o som de voc\u00eas, tanto em est\u00fadio quanto ao vivo. Como faziam pra inserir no \u00e1lbum distor\u00e7\u00f5es, reverb, camadas etc.? Havia equipamento suficiente ou contaram com improvisos? E ao vivo? Havia muita tens\u00e3o entre a banda e os respons\u00e1veis pelo som das casas onde tocavam? Como resolviam esse tipo de quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>GF: Sempre houve muita tens\u00e3o neste aspecto t\u00e9cnico. Entr\u00e1vamos no palco sempre com a d\u00favida de que iria dar tudo certo. Era sempre uma surpresa. Acabou isso ficando at\u00e9 divertido. Muitas vezes brinc\u00e1vamos entre a gente sobre a situa\u00e7\u00e3o. Era extremamente dif\u00edcil conseguir o nosso equipamento naquele \u00e9poca. Tinha a quest\u00e3o financeira e tamb\u00e9m a parte de n\u00e3o encontrar facilmente no Brasil o tipo de equipamento desejado. Mas aos poucos fomos montando nosso <em>setup<\/em> de est\u00fadio e palco. Fomos improvisando formas de tocar e gravar nosso som at\u00e9 chegar a um resultado que nos agradava. Hoje em dia vejo o guitarrista do J\u00f4 Soares usando uma Fender Jaguar&#8230; Naquela \u00e9poca falar nesta guitarra sempre causava espanto nos vendedores de loja ou at\u00e9 mesmo em outros m\u00fasicos.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea consegue se lembrar de como foram as grava\u00e7\u00f5es da demo &#8220;Dreamland&#8221; e do primeiro \u00e1lbum? Como era o clima entre voc\u00eas na \u00e9poca? Quais as expectativas que voc\u00eas depositavam na demo (&#8220;Treasure&#8221; rolava no lado B da MTV) e depois no \u00e1lbum, com o suporte da Rock-it?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o lembro de quase nada da grava\u00e7\u00e3o da demo. Sei apenas que as m\u00fasicas foram gravadas em sess\u00f5es separadas. Gravamos e mixamos uma m\u00fasica de cada vez, em dias diferentes. Acho que o clima era dos melhores naquela \u00e9poca. Quer\u00edamos apenas fazer nossa m\u00fasica. N\u00e3o havia preocupa\u00e7\u00e3o com mais nada. A m\u00fasica &#8220;Treasure&#8221;, que esta na primeira demo, se destacou bastante e acabamos fazendo um elogiado videoclipe que passou muito na MTV, que havia acabado de chegar ao Brasil. Isso fez nossa m\u00fasica chegar aos grandes centros e chamar a aten\u00e7\u00e3o. O primeiro \u00e1lbum, como disse antes, teve uma parte boa, mas tamb\u00e9m a fase traum\u00e1tica. Lembro bem das grava\u00e7\u00f5es e dos momentos de tens\u00e3o. Claro que se voc\u00ea for ouvir o primeiro disco hoje, vai notar que havia algo estranho naquele momento. H\u00e1 grandes m\u00fasicas naquele disco, mas nem todas, s\u00e3o f\u00e1ceis de encontrar. Mas isso tudo foi resolvido.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Treasure&#8221; (demotape):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F81102290\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Ainda sobre o som ao vivo, n\u00e3o havia, no come\u00e7o dos anos 90, essa quantidade de pedais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, pelo menos nas lojas brasileiras. Me lembro que uma vez voc\u00ea me disse, em carta, que um dos pedais preferidos e fundamentais pro som da banda era uma vers\u00e3o original do Bigmuff, fabricado na R\u00fassia. Como era a busca de voc\u00eas por equipamentos &#8211; acho que voc\u00ea foi um dos primeiros guitarristas de banda <em>shoegaze<\/em>\/<em>noisepop<\/em> a usar uma Jazzmaster)?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Sim. Era complicado conseguir os equipamentos naquela \u00e9poca. No Brasil s\u00f3 se encontrava algum modelo de guitarra mais comum como uma Stratocaster ou Telecaster. Consegui comprar uma Fender Jazzmaster nos EUA e aquilo fez muita diferen\u00e7a no nosso som. Tamb\u00e9m consegui pedais mais raros que podiam sustentar nossa sonoridade. Depend\u00edamos da boa vontade de amigos e familiares que fossem viajar pros EUA e pra Europa pra trazer este equipamento. Sem contar o pagamento de altos impostos pra se entrar com este material no Brasil. Hoje em dia estes equipamentos podem ser encontrados facilmente em lojas brasileiras e mais ainda na Internet. Isso era inimagin\u00e1vel na \u00e9poca.<\/p>\n<p>V\u00eddeo de &#8220;From The Ocean Inside Your Bewitched Eyes&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/-XUVNfny4SU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea j\u00e1 disse que o &#8220;Between My Dreams And The Real Things&#8221; saiu um ano depois da data que deveria ter sido lan\u00e7ado por problemas com a Rock-it (material gr\u00e1fico, certo?). Voc\u00eas tiveram suporte do selo pra sair em turn\u00ea ou tudo foi bancado por voc\u00eas ou pelos lugares que os convidavam pra tocar? Como foi esse per\u00edodo de divulga\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o tivemos suporte algum do selo. Nosso disco saiu com um ano de atraso e quando praticamente j\u00e1 t\u00ednhamos desistido dele. Est\u00e1vamos fazendo nossos shows e trabalhando em novas m\u00fasicas quando o primeiro disco saiu. Ele foi enviado para lojas e supermercados que n\u00e3o tinham a m\u00ednima ideia do que se tratava. Fomos abandonados por todos, menos pelos nossos amigos e por nossos f\u00e3s. Isso fez com que a gente continuasse buscando fazer nossos shows e nossas m\u00fasicas, independente de qualquer outra coisa.<\/p>\n<p><strong>F-se: Lembro-me de voc\u00eas no Juntatribo, n\u00e3o me recordo se em 93 ou 94. Lembro ainda que as meninas do Drivellers, da Midsummer Madness, cujo som estava mais alinhado com o que voc\u00eas faziam do que com as demais bandas do festival, enfrentou problemas com o p\u00fablico, talvez mais interessado nas bandas de HC. Como foi pra voc\u00eas a experi\u00eancia do Juntatribo? O festival foi o primeiro passo de afirma\u00e7\u00e3o de um subterr\u00e2neo da m\u00fasica pop no pa\u00eds, e mesmo n\u00e3o tendo passado das duas edi\u00e7\u00f5es (n\u00e3o me lembro se houve uma terceira), foi o in\u00edcio de alguma coisa, de que havia possibilidade de se seguir independente, ainda que isso custasse bancar os pr\u00f3prios custos&#8230; O que o festival sinalizou pra voc\u00eas naquele per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Participamos das duas edi\u00e7\u00f5es do Juntatribo. Foi um festival hist\u00f3rico. Talvez mais a primeira edi\u00e7\u00e3o&#8230; Era uma \u00e9poca muito complicada pro rock no Brasil ao mesmo tempo que havia um ressurgimento deste rock. Mas foi muito importante. Fomos l\u00e1 mostrar nosso som e apesar deste p\u00fablico mais interessado no <em>hardcore<\/em>, acredito que foi algo positivo. Tinha muita gente ali interessada tamb\u00e9m em outros sons que n\u00e3o fossem <em>hardcore<\/em>. \u00c9 natural que em um festival se tenha as prefer\u00eancias. Sa\u00edmos do palco com a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. Fomos os estranhos no ninho, mas era legal sermos diferenciados de todo o resto. Fazer parte do comum nunca foi nosso objetivo.<\/p>\n<p>V\u00eddeo de &#8220;Precious Love&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/VgWA3IH-gxc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Vi voc\u00eas em SP duas vezes &#8211; abrindo para o Pin Ups no Aeroanta, ainda na \u00e9poca do &#8220;Between&#8230;&#8221;, e depois, j\u00e1 na fase quarteto, do &#8220;Reaching For Ballons&#8221;, no casar\u00e3o da Paulista. Como era rodar pelo pa\u00eds naquele per\u00edodo? Em quais capitais voc\u00eas encontravam maior receptividade pro som que faziam, bandas afins e p\u00fablico interessado, e quais eram mais dif\u00edceis?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Hum&#8230; Aquele show no Aeroanta foi muito legal, talvez um dos melhores nossos em S\u00e3o Paulo. Havia uma energia e uma expectativa com a banda muito boa. Est\u00e1vamos muito nervosos porque era um show maior do que est\u00e1vamos acostumados. Mas tudo deu certo. Tamb\u00e9m lembro deste show no casar\u00e3o da Paulista. Eu havia tocado com a banda em Curitiba no dia anterior e fiquei por l\u00e1 mais um tempo. Os outros integrantes da banda foram antes pra S\u00e3o Paulo. Eu quase n\u00e3o consegui chegar pro show. Todos j\u00e1 estavam no palco quando eu cheguei pra montar meu equipamento. As turn\u00eas eram cansativas, mas divertidas. Toc\u00e1vamos mais em S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1, incluindo a\u00ed as capitais e cidades do interior. N\u00e3o sei dizer o que foi mais dif\u00edcil. Algumas vezes parecia que seria mais complicado, mas dava tudo certo e todos curtiam muito. Uma vez tocamos em Foz do Igua\u00e7u e t\u00ednhamos a certeza que o show seria um fracasso, mas n\u00e3o foi&#8230; Muito pelo contr\u00e1rio, foi muito animado. Talvez os shows no Rio fossem os mais complexos&#8230; Talvez fosse natural as pessoas curtirem mais a praia do que qualquer som de banda brasileira &#8220;querendo&#8221; ser inglesa. Mas mesmo estes shows deram certo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea comentou uma vez, em uma entrevista, que a entrada do segundo guitarrista n\u00e3o foi das mais f\u00e1ceis. Houve dificuldade na transi\u00e7\u00e3o do formato trio para quarteto? Quais os principais problemas vividos nesse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Houve um problema de adapta\u00e7\u00e3o, o que foi perfeitamente natural. Antes do Lu\u00eds Eduardo entrar, a gente j\u00e1 havia testado outras possibilidades tamb\u00e9m com outros guitarristas. Fomos um quarteto com a participa\u00e7\u00e3o de uma garota por um tempo. Mas este formato s\u00f3 foi funcionar mesmo com a entrada do Lu\u00eds, apesar das dificuldades iniciais de adapta\u00e7\u00e3o. Ele foi nosso <em>roadie<\/em> de palco por um breve per\u00edodo, ent\u00e3o aprendeu r\u00e1pido o funcionamento de todo o nosso esquema.<\/p>\n<p><strong>F-se: &#8220;Reaching For Ballons&#8221; traz outra abordagem, mais pop, menos et\u00e9rea, sem perder a identidade da Low Dream. O que levou \u00e0 mudan\u00e7a do som?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Acredito que foi justamente o fato de dividir as partes de cada um dentro da constru\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas em est\u00fadio e ao vivo. Mas foi maravilhoso quando tudo se encaixou e pude ser mais vocalista do que guitarrista ao vivo. Confiar em outro m\u00fasico pra fazer uma parte que eu estava acostumado a fazer dentro da estrutura da m\u00fasica n\u00e3o era algo f\u00e1cil. Foi muito gratificante quando tudo deu certo e ele se adaptou perfeitamente.<\/p>\n<p>&#8220;What We Feel&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F81068088\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Ultra Violet&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F81067729\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Em algum momento, com um som mais &#8220;palat\u00e1vel&#8221;, voc\u00ea imaginou que a barreira do idioma pudesse cair e a Low Dream, junto de outras bandas da \u00e9poca, Wry, Pin Ups, Second Come, pudessem chegar a outro patamar, com maior reconhecimento da cr\u00edtica e quem sabe at\u00e9 alguma sinaliza\u00e7\u00e3o de gravadoras? Ou isso ficou pra quando voc\u00ea decidiu criar a Magn\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o achamos que era mais pop. Achamos que as m\u00fasicas estavam mais elaborado e direto. Era um amadurecimento natural. Nos tornamos melhores m\u00fasicos e tamb\u00e9m mais experientes com certeza. Apanhamos muito pra aprender certas manhas de est\u00fadio e tamb\u00e9m pra execu\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas nos shows ao vivo. Muita gente que dizia que ao vivo a Low Dream era uma banda menos interessante teve que rever a opini\u00e3o depois de &#8220;Reaching For Balloons&#8221;. Fizemos as m\u00fasicas durante turn\u00eas, ent\u00e3o elas foram exaustivamente testadas ao vivo antes de serem gravadas em disco. Foram pensadas nas formas de execu\u00e7\u00e3o delas ao vivo e em est\u00fadio, mas em ambas as situa\u00e7\u00f5es elas precisavam estar funcionando muito bem.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea sempre se declarou um f\u00e3 da Legi\u00e3o Urbana. Como foi receber o contato da Rock-it, do Dado, pra lan\u00e7ar o primeiro disco? Como foram as tratativas pra que o disco fosse lan\u00e7ado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> A Legi\u00e3o Urbana explodiu nacionalmente quando eu era um adolescente. Sempre tive muito orgulho da banda ser de Bras\u00edlia porque eu entendia muito bem o que eles tinham vivido aqui. De certa forma, n\u00f3s sentimos as mesmas coisas, embora em \u00e9pocas diferentes. Foi uma grande honra ser convidado pra lan\u00e7ar um disco pela Rock-it. Foi a partir disso que nosso primeiro disco chegou aos ouvidos do Renato Russo, que pra n\u00f3s sempre foi um grande artista do rock nacional. Eu tive que ir ao Rio assinar o contrato na casa do Dado Villalobos e aquilo era algo fant\u00e1stico. Foi um momento muito feliz da nossa hist\u00f3ria. Infelizmente o disco demorou muito pra sair porque tivemos os mais diversos tipos de problemas burocr\u00e1ticos e tamb\u00e9m na parte gr\u00e1fica. Eram problemas que estavam al\u00e9m do nosso controle, ent\u00e3o trouxeram uma fase de muita confus\u00e3o e sofrimento pra gente. Acredito que superamos isso somente ap\u00f3s o lan\u00e7amento do nosso segundo disco, que foi por nossa pr\u00f3pria gravadora. Isso foi nossa independ\u00eancia total do sistema.<\/p>\n<p>&#8220;Balloon Head&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F81069603\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: A Magnetica era pra ser uma ideia paralela \u00e0 Low Dream ou era algo que substituiria a banda? Acho que voc\u00ea chegou a dizer que a entrevista em que o Renato Russo dizia que voc\u00eas poderiam cantar em portugu\u00eas levou voc\u00ea a pensar na Magn\u00e9tica, \u00e9 isso? Quais eram as suas expectativas com o trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o. Absolutamente. N\u00e3o houve esse pensamento em nenhum momento. Como eu disse antes, a Magn\u00e9tica era um projeto paralelo. Foram outros motivos que me levaram a tornar realidade esta segunda banda. Talvez por quest\u00f5es de idioma e, claro, por n\u00e3o sofrer com o preconceito dos puristas\/nacionalistas da \u00e9poca, a Magn\u00e9tica se tornasse maior que a Low Dream e esta se tornasse o projeto paralelo. Mas isso jamais saberemos. O fato \u00e9 que a Low Dream foi longe demais e alcan\u00e7ou coisas que eu nem imaginava conseguir com aquele tipo de som naquela \u00e9poca. Mas teve gente que foi mais al\u00e9m alguns anos depois. Aquela banda Cansei De Ser Sexy deu uma porrada na cara dos nacionalistas\/puristas&#8230; Eu n\u00e3o gosto do som, mas eles t\u00eam um grande m\u00e9rito de ter feito isso. Hoje em dia ningu\u00e9m critica o fato de uma banda cantar em ingl\u00eas no Brasil. Acho que aqueles cr\u00edticos da \u00e9poca devem ter se aposentado ou morrido. O fato \u00e9 que n\u00e3o fazem falta alguma. De qualquer forma, nunca perdemos nosso sono por causa deles.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea chegou a ter algum contato com o Renato Russo? Se sim, como foi?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o. Fui a shows da Legi\u00e3o aqui e no Rio. Mas nunca conversamos. Eu era amigo de um <em>roadie<\/em> dele que sempre me falava que ele gostava bastante da Low Dream, mas eu achava que ele estava mentindo at\u00e9 ler algumas entrevistas do Renato em que ele realmente elogiava bastante a minha banda.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas chegaram a fazer alguma apresenta\u00e7\u00e3o com a Magn\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong>&#8211; N\u00e3o. Fizemos algumas m\u00fasicas e gravamos uma demo. Mas a Low Dream acabou antes mesmo que essas m\u00fasicas fossem mostradas pro mundo, ent\u00e3o ficaram esquecidas. Nem chegamos a ter um repert\u00f3rio m\u00ednimo para um show da Magnetica.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea disse na entrevista do Nome na Lista que em determinado momento voc\u00ea disse aos companheiros da Low Dream que n\u00e3o queria mais subir num palco pra tocar esse tipo de m\u00fasica, n\u00e3o queria mais sair do palco &#8220;deprimido&#8221;. O que te deprimia naquele momento: as condi\u00e7\u00f5es inadequadas das casas noturnas que recebiam esse tipo de som? A falta de p\u00fablico? O n\u00e3o reconhecimento da cr\u00edtica&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> Acredito que foi tudo isso junto. Eu estava cansado. Nos transformamos em pesos pra nossas fam\u00edlias. H\u00e1 um momento em que se voc\u00ea se prop\u00f5e a se sustentar da sua arte e sua fam\u00edlia aceita isso, ent\u00e3o \u00e9 preciso realmente ganhar dinheiro suficiente pra pagar suas contas e viver com dignidade. Mas isso ficou complicado a partir do momento que nosso som n\u00e3o era pop ou comercial o bastante pra gerar renda no Brasil. A carga emocional das nossas m\u00fasicas j\u00e1 era algo pesado. Digamos que melancolia era mat\u00e9ria-prima pra belas letras e melodias, mas havia um pre\u00e7o a se pagar por isso. Em determinado momento isso se tornou pesado demais pra ser carregado e eu decidi que dever\u00edamos silenciar nossas guitarras. Foi uma decis\u00e3o dolorosa e extremamente dif\u00edcil, mas foi necess\u00e1ria. Criamos outras possibilidades para nossas vidas.<\/p>\n<p><strong>F-se: Li um coment\u00e1rio pouco depois que a banda acabou de que voc\u00ea tinha vendido os equipamentos. Se isso de fato aconteceu, foi uma esp\u00e9cie de liberta\u00e7\u00e3o do que pode ter sido pra voc\u00ea uma amarra durante um tempo? Digo isso pensando no que voc\u00ea disse no Nome na Lista, quando n\u00e3o queria mais subir num palco pra tocar esse tipo de som, sair deprimido etc&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o. Eu vendi meu equipamento porque eu estava sem dinheiro mesmo. N\u00e3o teria feito isso se n\u00e3o estivesse precisando. N\u00e3o vou romantizar o que n\u00e3o existe. Foi pura necessidade.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00eas ensaiam uma poss\u00edvel volta. O que leva voc\u00eas a se juntarem novamente pra tocar as m\u00fasicas dos discos j\u00e1 lan\u00e7ados? Qual a sensa\u00e7\u00e3o que isso te traz hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> N\u00e3o encaramos essa possibilidade de shows como uma volta da banda. Se isso acontecer mesmo, ser\u00e3o apenas alguns shows. Vivemos outra realidade hoje e n\u00e3o dependemos de cach\u00eas de shows da Low Dream, ent\u00e3o estas apresenta\u00e7\u00f5es servem apenas pra nossa divers\u00e3o e a alegria de algumas pessoas que gostavam do nosso trabalho. Mas a quest\u00e3o log\u00edstica pra esses shows ainda \u00e9 muito complexa. N\u00f3s n\u00e3o brigamos no final da banda em 1997. Todos os integrantes s\u00e3o amigos e mant\u00e9m contato at\u00e9 hoje, mas um mora em S\u00e3o Paulo. Pra que esses shows se tornem realidade vamos ter que criar um par\u00eantese nas nossas vidas pessoais pra realiza\u00e7\u00e3o de ensaios. Sem contar que vamos ter que emprestar e comprar muitos equipamentos, pois n\u00e3o temos mais quase nada daquela \u00e9poca. Est\u00e1 me parecendo que a sensa\u00e7\u00e3o vai ser muito boa. Estamos empolgados com essa possibilidade.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea consegue identificar o significado da Low Dream no universo independente? V\u00ea algum tipo de pioneirismo, numa \u00e9poca pr\u00e9-Internet, no fato de terem estabelecido uma rede de contato com os f\u00e3s via correio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GF:<\/strong> O que posso dizer? Tenho muito orgulho do que fizemos. Acho que fomos pioneiros em muitos aspectos. Mas houve um trabalho exaustivo feito por diversas bandas em \u00e9pocas diferentes. N\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito somente nosso.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31724\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-low-dream-honeys-is-dead\/lowdream3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream3.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"lowdream3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream3.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream3.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-31724\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream3.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream3.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>LOW DREAM<\/strong><br \/>\nCidade: Bras\u00edlia (DF)<br \/>\nAno: 1991-1998<\/p>\n<p>Giulliano Fernandes (vocais\/guitarras)<br \/>\nLuis Eduardo (guitarras)<br \/>\nSamuel Lobo (baixo)<br \/>\nGiovanni Fernandes (bateria)<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA<\/strong><br \/>\n&#8220;Between My Dreams And The Real Things&#8221;<br \/>\nAno: 1994<br \/>\nSelo: Rock-it<\/p>\n<p>01. Lose My Dreams (In A Deep Blue Sky)<br \/>\n02. Chasing A Butterfly<br \/>\n03. My Garden<br \/>\n04. Sugar Drops (Song For A Fairy)<br \/>\n05. Only A Finest Breeze<br \/>\n06. I Never Had Sugar Dreams<br \/>\n07. Precious Love<br \/>\n08. Watching Caroline&#8217;s Dream<br \/>\n09. Treasure<br \/>\n10. Candy<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31725\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-low-dream-honeys-is-dead\/lowdream-between\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-between.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"lowdream-between\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-between.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-between.jpg?resize=300%2C300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-31725\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-between.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-between.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&#8220;Reaching For Balloons&#8221;<br \/>\nAno: 1996<br \/>\nSelo: independente<\/p>\n<p>01. From The Ocean Inside Your Bewitched Eyes<br \/>\n02. A Sky Between Us<br \/>\n03. These Little Things Touch Me Everytime<br \/>\n04. Rocket Ride<br \/>\n05. Shine<br \/>\n06. Me And My Friend Rain<br \/>\n07. Balloon Head<br \/>\n08. Trois Millions D&#8217;Etoiles<br \/>\n09. Acid Trip Smile<br \/>\n10. What We Feel<br \/>\n11. Ultra Violet<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31726\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-low-dream-honeys-is-dead\/lowdream-reaching\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-reaching.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"lowdream-reaching\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-reaching.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-reaching.jpg?resize=300%2C300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-31726\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-reaching.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lowdream-reaching.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dramon-ceus\/\" title=\"DRAM\u00d3N &#8211; 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